ANTIFONAS DE NOSSA SENHORA DO Ó
1ª ANTÍFONA – Oficio de Vésperas – 17/12
Ant:
Ò sabedoria que saístes da boca do Altíssimo e atingis os confins de
todo o universo e com força e suavidade governais o mundo inteiro, oh
vinde ensinar-nos o caminho da prudência.
Com
o titulo “Sede da Sabedoria” a espiritualidade cristã aprendeu a honrar
e invocar a Mãe do Senhor. Além disso a espiritualidade e a liturgia
Católica sempre se serviram de textos sapienciais para aplicá-los a
Virgem Maria na celebração de suas festas. Esses textos têm a finalidade
de honrar a virgem como “Sede da Sabedoria”.
Mas que a Bíblia
entende por Sabedoria? Se buscarmos uma resposta no Antigo testamento
diríamos que a expressão privilegiada da sabedoria é a Lei de Deus dada a
Moisés. Se buscarmos nossa resposta no Novo Testamento a expressão da
sabedoria é Cristo – Deus feito homem.
No Novo testamento encontramos vários testemunhos de textos que relatam ser Cristo a sabedoria de Deus.
Notável
e mais conhecido de todos é a passagem de I Cor 1,24.30, onde o
Apóstolo afirma categoricamente: “Cristo é sabedoria de Deus”.
Também
o evangelista São Lucas, no episódio de Jesus no templo (Lc 2, 40-52)
apresenta Jesus pré-adolescente como expressão da sabedoria que vem de
Deus. Para isso basta recordar algumas palavras da terminologia usada
pelo evangelista, tais como: os substantivos “inteligência” (v. 47);
“mestres” (v. 46); “graça” (v. 40. 52); “respostas” (v. 47); “coração”
(v. 51). Assim se pode concluir que Cristo é a sabedoria saída da boca
do Pai através de quem tudo é criado e passa a existir. Assim São Lucas
nos apresenta Jesus no templo entre os doutores.
Se Jesus é a
sabedoria criadora do Pai que dá existência a todas as coisas por que
Maria é também saudada com o título “O’ Sabedoria”! ?
Quando chegou a
plenitude dos tempos e Deus, em Cristo, quis recapitular e resgatar
toda a sua criação manchada pelo pecado, tudo aquilo que havia revelado
ao povo de Israel, herdeiro da promessa, torna-se herança de Maria.
Maria
através do seu “sim” no momento da anunciação, aceita servir ao
desígnio de Deus Salvador. A partir deste momento no qual, Maria dá
adesão total ao plano de Deus, a historia de Jesus é também a história
de Maria. Os acontecimentos da vida de Jesus, bem como as Palavras de
Jesus tornam-se imediatamente motivo de meditação e contemplação para a
Virgem Maria, sua Mãe. De fato, em todos os acontecimentos do nascimento
de Jesus, cercados de tanta gente, Anjos, sinais dos céus, Maria não
pronunciou nenhuma Palavra. Apenas contemplou em silencio para beber
daquela sabedoria de Deus que é Seu Filho, Jesus, o qual deitado na
manjedoura a extasiava e a mergulhava no ministério de Deus.
Maria,
na contemplação do Filho, fruto do seu ventre e do Espírito Santo, refaz
todo o caminho de fé realizado, na história pregressa, pelo seu povo,
na busca de compreender a sabedoria de Deus, é na contemplação das
escrituras que Maria descobrira, na penumbra da fé, sua missão ao lado
do Filho, Sabedoria eterna do Pai.
O Evangelho nos diz que, diante da Palavra de Cristo, Maria assume duas atitudes:
1- Guardava a Palavra no seu coração.
2- Meditava a Palavra em seu coração
Para
a Sagrada Escritura, para quem a sabedoria consiste em descobrir a
vontade de Deus e andar por seus caminhos, a atitude Maria, de reter e
meditar as palavras de Jesus, é atitude característica do sábio. Por
isso com razão a Ela se pode atribuir com justiça nosso louvor que a
proclama, junto com Jesus – “Ò’ Sabedoria...!” Eis pois aqui o dinamismo
da fé de Maria: recordava a Palavra em seu coração para aprofundá-la e
para atualizá-la. Enquanto o Filho crescia a Mãe, com olhos vigilantes
Vivia, guardava, meditava suas palavras e crescia na fé e na sabedoria.
Portanto
para concluir podemos dizer que é justo que invoquemos a Virgem Maria
como a “Sede da Sabedoria”. Ela o é de fato e, em dois sentidos: no
sentido biológico, pois trouxe em seu ventre o Filho de Deus. Fazendo da
Palavra um objeto de amorosa estima guardava-a no íntimo do coração
buscando captar o seu sentido mais profundo. Segundo o ensinamento do
próprio Jesus a bem-aventurança de Maria não consiste tanto em haver
dado à luz o Filho de Deus, mas sim em dar adesão incondicionada, pela
fé, à Palavra de Deus. É a fé na Palavra de Deus que a torna Mãe de
Jesus.
Se a sabedoria consiste em descobrir a vontade de Deus
respondendo positiva e incondicionalmente à sua Palavra, o “SIM” de
Maria, o seu “Faça-se em mim segundo a vossa Palavra”, é prova
inconteste de que Ela ocupa o primeiro lugar entre os sábios, Ela é a
sede da sabedoria. Ela pode, com justiça, ser louvada juntamente com o
Filho e ser por nós aclamada: Nossa Senhora do Ò, Mãe da Sabedoria
Eterna do Pai, rogai por nós.
2ª ANTÍFONA – Oficio de Vésperas – 18/12
“O’
Adonai, guia da casa de Israel que aparecestes a Moisés na sarça
ardente e lhe deste a vossa lei sobre o Sinai vinde salvar-nos com o
braço poderoso”.
Foi o próprio Deus quem revelou seu nome ao seu povo
de Israel, um dia no Monte Horeb. Aquele que sempre se chamara até
agora o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, O Deus de Jacó, revelou seu
nome a Moisés, “Eu sou quem sou” ou “Eu sou aquele que é”. Na língua
Hebraica – YAHWEH (Javé, traduzido em português), o nome de Deus –
“Aquele que é” significa um Deus eterno, que não tem passado e nem
futuro e significa um Deus presente na história dos homens caminhando
com seu povo. Ele é YAHWEH!
Deus revelou o seu nome para que o adorem
e o sirvam e o invoquem sob o seu verdadeiro nome. O livro do Êxodo em
34, 14 diz: “Javé é ciumento de seu nome”. Invocar o nome de Javé é já
render culto a Ele, orar a Ele. Quem invoca o nome de Javé, invoca o
próprio Deus. Por isso, devido ao fato de que Deus se identifica com seu
próprio nome, nunca se deve tomar o Santo nome de Deus em vão (Ex 20,7;
Dt 5, 11). Ofender o nome de Deus é ofender o próprio Deus.
O povo
de Israel, nos momento mais cruciais de sua história, sentiu o poder do
nome de Deus. A invocação desse nome realizou prodígios e milagres em
favor do seu povo. Pelo poder do nome de Deus o povo salvou-se da morte e
do extermínio, por inúmeras vezes. Também o desrespeito no nome de
Deus, às vezes tomado em vão, acarretou para Israel muita dor e
sofrimento.
Israel aprendeu, através dos tempos que o Deus tão perto,
que caminha com seu povo, é o Deus transcendente, inefável, onipotente e
imutável. Seu nome precisa ser honrado, amado, cultuado e reverenciado.
Por isso, no seu zelo por não ofender o nome três vezes Santo, Israel
passou a não pronunciar mais o nome Santo YAHWEH (JAVÉ). Assim não
corria o perigo de tomá-lo em vão e ofender a Deus. Israel passou a
chamar o seu Deus de “ADONAI”. Adonai quer dizer “O SENHOR”. Israel
descobriu que com justiça seu Deus poderia ser assim chamado pois ele é o
Adonai, o Senhor do céu e da terra. Tudo é obra de sua mão e tudo a ele
pertence.
Jesus encarnando-se no seio da Virgem Maria e vindo a esta
terra revelou-se a si mesmo como sendo o Filho de Deus e deu a conhecer
a seus discípulos o nome de Deus. Fez-lhes conhecer que o nome que
melhor exprime o ser de Deus é o nome “PAI”. O Deus de Jesus Cristo deve
de agora em diante ser chamado de Pai, pois tanto Jesus como todos os
seres humanos são seus filhos.
São Paulo através de sua carta aos
Filipenses, nos ensina que o Pai, ao ressuscitar Jesus os mortos, o fez
sentar-se à sua direita, dando-lhe um Nome que esta acima de todo nome
(Fl 2,9). Apesar de ser um nome inefável ele pode ser traduzido por
Senhor. Pela elevação que o Pai deu a seu Filho ao ressuscitá-lo dos
mortos, constituiu-o Senhor, Adonai, pois a Jesus ressuscitado convém o
mesmo nome de Deus (Fl 2, 10s). os Discípulos experimentaram o poder
deste nome, Adonai ou Senhor dado a Jesus ressuscitado. Invocando este
nome eles curam os doentes ( At 3, 6; 9, 34), eles expulsam os demônios
(Mc 9, 38; Lc 10, 17; At 16,18; 19,13); eles realizaram toda a sorte de
milagres (Mt 7,22; At 4,30).
A fé cristã consiste em crer que Deus
ressuscitou Jesus dentre os mortos, confessar que Jesus é o Senhor,
invocar o nome do Senhor Adonai.
Os primeiros cristãos se identificam
como aqueles que invocam o nome do Senhor (At 9,14.21; I Cor. 1,2; II
Tm 2,22). Esse Senhor, Adonai é Jesus ressuscitado, em cujo nome o
Evangelho é anunciado para a salvação. O senhorio de Jesus Cristo deve
ser pregado para todos os povos até o final dos tempos.
Assim os
cristãos aprenderam a invocar Jesus como o Adonai. O Senhor dos tempos e
do universo, o Nome poderoso que Deus elevou acima de todo Nome com a
ressurreição.
Esse Jesus exaltado acima de todo nome, acima de toda
criatura dos céus, da terra e dos infernos, fez-se homem no seio da
Virgem Maria. Aquele que os céus não podem conter encerrou-se no seio da
Virgem. Por isso os fiéis cantam eternamente; “bem-aventurada és tu
Virgem Maria pois aquele a quem os céus não podem conter, tu o encaraste
em teu seio”. Todas as gerações hão de chamar-te de bendita. Nós, teus
filhos, extasiados diante de tão grande mistério e da grandeza de tua
humildade te saudamos confiantes na tua misericórdia. Ao teu Filho
clamamos e invocamos como o Adonai. Ó Senhora Mãe do todo poderoso, a
ti, absorta diante do mistério aclamamos: Nossa Senhora do Ó rogai por
nós.
3ª ANTÍFONA – Oficio de Vésperas – 19/12
“Ò
Raiz de Jessé, Ò Estandarte, levantado em sinal para as nações!Ante Vós
se calarão os reis da terra, e as nações implorarão misericórdia: vinde
salvar-nos! Libertai-nos sem demora!
Jessé vem da língua hebraica
composto por duas palavras IS – YAHWEH = homem de Deus. Este é o nome do
pai do Rei Davi. Ele era de Belém e Deus enviou a ele o profeta Samuel
para ungir rei um de seus filhos, o mais novo que se chamava Davi.
Deus
através do profeta Natan, fez uma promessa ao Rei Davi dizendo: “... E
quando os teus dias estiverem completos e vires a dormir com os teus
pais, farei permanecer a tua linhagem após ti, aquele que terá saído das
tuas entranhas e firmarei a Tua realeza”. (I Sam 7,12).
Esta
promessa de Deus feita a Davi – a saber – a permanência eterna de um
descendente seu como rei de Israel, faz de Jessé, pai do Rei Davi, a
raiz de uma dinastia da qual deverá nascer o Messias, o Salvador e, Rei
Universal e Eterno.
O profeta Isaias é o grande cantor e arauto do
Messias descendente de Davi. O profeta o anuncia como rebento do tronco
de Jessé. Ouçamos o profeta. “Um ramo sairá do tronco de Jessé, um
rebento brotará de suas raízes. Sobre Ele repousará o espírito de
YAHWEH, espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e
fortaleza, espírito de conhecimento e temor de YAHWEH: no temor de
YAHWEH estará a sua inspiração” (Is 11, 1-3) e “Ele julgará os fracos
com justiça e com equidade pronunciará sentença em favor dos pobres da
terra. Ele ferirá a terra com o bastão de sua boca, e com o sopro de
seus lábios matará o ímpio. A justiça será o cinto de seus lombos e a
fidelidade o cinto dos seus rins” (Is 11, 4-5).
Depois
de profetizar a grandeza do Messias rebento do tronco de Jessé, repleto
do Espírito do Senhor, o profeta anuncia a sua missão de salvação
universal. “Naquele dia a raiz de Jessé que se ergue como um sinal para
os povos será procurada pelas nações, e a sua morada se cobrirá de
glória. Naquele dia, o Senhor tornará a estender a sua mão para resgatar
o resto do seu povo” (Is 11, 10-11). Por isso a antífona de Natal canta
que a Raiz de Jessé foi levantada como um estandarte, em sinal para as
nações.
Também o mesmo profeta Isaías é o que recebe em visão
profética a revelação divina de que o Rei Messias futuro nasceria de uma
Virgem. “O Senhor nos dará um sinal. Eis que uma Virgem conceberá e
dará a luz um filho que se chamará Emanuel” (Is 7, 14).
No livro do
Apocalipse de São João, escrito para fortificar e sustentar a fé dos
cristãos em tempos de perseguição e para revelar o destino de glória de
todas as testemunhas fiéis de Jesus: “Eu Jesus enviei o meu Anjo para
vos atestar estas coisas a respeito das Igrejas. Eu sou o rebento da
estirpe de Davi, a brilhante estrela da manhã...Vem! ...Quem deseja,
receba gratuitamente água da vida”. (Ap. 22, 16-17).
O desejado das
nações que brotou da Raiz de Jessé que se levantou como sinal para todas
as nações, nasceu prodigiosamente de uma Virgem. Ele é o salvador e
libertador. Diante dele os reis pasmos e boquiabertos perderão a voz.
Lívidos de espanto clamarão misericórdia. Todo este prodígio aconteceu
no seio de uma virgem. Ela foi escolhida para acolher no seu ventre a
Palavra Eterna e Criadora do Pai, Jesus o Emanuel, o Deus - Conosco. A
Ela Deus enviou seu Anjo para comunicar-lhe que foi encontrada plena de
graça e que conceberia por obra do espírito Santo o Filho de Deus,
Rebento da Raiz de Jessé, ramo do tronco de Davi.
Diante
de tamanha honra e de prodigiosa grandeza assim como os reis de toda a
terra, nós calamos diante do Estandarte que de ti se levanta sobre todas
as nações. Diante de ti, Mãe do Redentor, nós cheios de santo temor
exclamamos: Oh! Virgem gloriosa, nossa admiração mais profunda que nos
rouba toda a palavra e nos permite apenas invocar-te como a senhora do
Oh! Amém.
4ª ANTÍFONA – Oficio de Vésperas – 20/12
“Ò
chave de Davi, Cetro da casa de Israel, que abris e ninguém fecha, que
fechais e ninguém abre: vinde logo e libertai o homem prisioneiro, que,
nas trevas e na sombra da morte está sentado”.
Já
no Antigo Testamento (Is 22,22) o profeta tornara público a revelação
de Deus sobre o futuro rei – salvador, Filho de Davi: “Porei a chave da
Casa de Davi sobre o ombro dele, ele abrirá e ninguém fechará, ele
fechará e ninguém abrirá”. Com estas palavras, Deus apresenta seu
Messias que um dia enviaria a terra.
Apresentado pelos Anjos aos
pastores e, pela estrela, aos Magos, Jesus, no inicio de sua missão, na
sinagoga de Nazaré, cidade em que fora criado, se apresenta do seguinte
modo: “O Espírito do Senhor está sobre mim porque ele me ungiu para
anunciar a boa nova aos pobres. Enviou-me para proclamar aos cativos a
libertação e aos cegos a recuperação da vista, para despedir os
oprimidos em liberdade para proclamar o ano da graça do Senhor”. (Lc 4,
18-19).
Esta proclamação pública que Jesus faz de si mesmo como
libertador dos cativos e dos prisioneiros confirma o que já dissera o
velho Zacharias que cheio do espírito Santo via, no anuncio do
nascimento do precursor a realização das profecias antigas.
Zacharias
sente a aproximação da realização das promessas que Deus fizera em
tempos remotos, através de seus profetas. É o momento de abrir as portas
aos que se acham relegados ao poder da morte. Assim se pronuncia
Zacharias: “Bendito seja o Senhor Deus de Israel que visitou seu povo e
realizou a sua libertação, e nos suscitou uma força de salvação na
família de Davi seu Servo. (...)o sol nascente nos visitou do alto e
iluminou os que se achavam nas trevas e na sombra da morte estavam
sentados”. (Lc 1,68-69.79).
A missão de Jesus,cujo nome quer dize –
Deus salva é a missão de libertador. Ele deve libertar o homem escravo
do pecado, acorrentado nas garras do tentador, do diabo, da antiga
serpente. O ser humano jaz acorrentado nas masmorras da morte mergulhado
nas trevas do pecado.
É por este motivo que o salvador, o Filho da
Virgem Maria é apresentado como “chave”. Só Ele tem o poder divino e
salvador para poder abrir as portas das prisões e dos grilhões a que o
pecado submeteu os filhos de Adão. A morte e as trevas são os troféus do
pecado. Na sua trama o homem foi enredado pela astúcia do inimigo.
Jesus é o que desce do céu para assumir no seio da Virgem a natureza
humana para, através sua obediência ao Pai, libertar o homem
desobediente da prisão que o mantém eternamente coberto sob as sombras
da morte.
O túmulo vazio e as aparições de Jesus no domingo da Páscoa
são as testemunhas de Jesus ressuscitado. Ele esteve morto e agora
vive. As provas são as estigmas da paixão que Jesus apresenta aos seus
discípulos em suas duas aparições, no dia da páscoa e no domingo
seguinte. A sua vitória é vitória sobre o pecado e sobre a morte. Ele
entrou e saiu no Reino dos Mortos.
No
livro do Apocalipse, Jesus mesmo se apresenta como vencedor da morte e
aquele que possui as chaves do Hades que ninguém lhe pode arrebatar: “Eu
sou o primeiro e o último, o que vive; estive morto, eis que estou vivo
pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do Hades”. (Ap
1, 8). São palavras do próprio Jesus ao se apresentar a São João em suas
visões proféticas, para sustentar a fé da igreja e dos cristãos
perseguidos. Ele penetrou no Reino dos Mortos e o venceu e seu troféu
são as chaves da morte e a vida para sempre. Falando a Igreja de
Filadélfia, o mesmo livro do Apocalipse retoma esta palavra de Jesus:
“Assim fala o Santo e o Verdadeiro, o que tem a chave de David, que abre
e ninguém fecha, que fecha, e ninguém pode abrir”. (Ap 3,7).
Esta
revelação de Jesus como a chave de David tem como objetivo sustentar a
fé dos cristãos enquanto peregrinos na busca da pátria eterna. Os
cristãos vivem num mundo que exala halo de morte, pois o “príncipe deste
mundo” ainda atua nele. Porém ele já foi derrotado. Induzindo os homens
a matarem Jesus, ele construiu sua desgraça. O Filho de Deus pela sua
morte de cruz, arrebatou do inimigo seu poder que era a morte. Ele a
venceu e agora reina a vida e o vivente. O primeiro e o último, o Alfa e
o ômega, a chave da casa de David.
O Rei Eterno e Universal, o
vencedor da morte, realiza sua missão pelo mistério de sua encarnação.
Ele, o Filho de Maria, feito homem, se entrega voluntariamente à cruz
para vencer o inimigo que vencera na arvore do paraíso. A Virgem é a Mãe
venturosa que, tendo suportado com fé e resignação a vontade de Deus os
atrocíssimos tormentos da paixão, agora exulta triunfante com o Filho
que traz consigo a vitoria sobre a morte e as chaves do Reino.
Ao rei
imortal, a glória pelos séculos! À Virgem Mãe venturosa do
ressuscitado, cantam todas as gerações as maravilhas que Deus realizou
nela e por Ela. Oh! Virgem, nós extasiados te aclamamos, diante de tua
magnitude exclamamos – oh! Senhora do Ó.
5ª ANTÍFONA – Oficio de Vésperas – 21/12
“Ó
sol nascente justiceiro, resplendor da luz eterna: Oh, vinde e iluminai
os que jazem entre as terras e, na sombra do pecado e da morte estão
sentados”.
O evangelista São Mateus ao anunciar o início da pregação
de Jesus na Galiléia, faz com uma citação do profeta Isaías que reza
assim: “O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz, para os que
jaziam na região da morte levantou-se uma luz”. (Mt 4,16; Is 9,1). A luz
escatalógica prometida pelos profetas tornou-se realidade na pessoa de
Jesus.
O Evangelista São Lucas Saúda, com seus cânticos imortais,
Jesus desde seu nascimento como o sol nascente que deverá iluminar os
que estão nas trevas (Lc 1, 78-79); saúda também Jesus como a luz que
deverá iluminar as nações (Lc 2,32).
Porém é sobretudo por seus atos e
palavras que Jesus se revela como luz do mundo. As curas de cegos que
Jesus realiza têm, nesse sentido, um significado especial conforme
ressalta São João no episódio do cego de nascença (Jo 9,5). É nesta
ocasião que Jesus declara: “Enquanto eu estou no mundo, eu sou a luz do
mundo” (Jo 9,5). Alhures Jesus diz: “Quem me segue não anda nas trevas,
mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).
A Força iluminadora de Jesus é a
sua própria pessoa. Ele é a palavra de Deus, vida e luz dos homens. Luz
verdadeira que ilumina todo homem vindo a este mundo. Jesus é a luz que
enfrenta as trevas do pecado e do mundo: a luz brilha nas trevas e o
mundo mau procura apagá-la, pois os homens preferem as trevas à luz
porque suas obras são más. Por isso na paixão do Senhor, quando Judas
sai para entregar Jesus, São João diz-nos que era noite, a hora das
trevas. Jesus mesmo declara nos momentos que precederam a paixão: “È a
vossa hora e o poder das trevas”. (Lc 22,53).
A luz qualifica o
domínio de Deus e do seu Cristo como sendo o domínio do bem e da
justiça, as trevas qualificam o domínio de satanás como sendo o do mal e
da impiedade embora satanás muitas vezes se disfarce como anjo da luz
pra seduzir os homens. O ser humano se encontra colhido entre os dois
domínios aquele das trevas e aquele da luz. Ele deve escolher a fim de
se tornar filho das trevas ou filho da luz. Os que fazem mal pertencem
ao mundo das trevas e fogem da luz para que suas obras não sejam
reveladas. Os que permanecem na verdade achegam-se à luz e crêem na luz
para tornar-se filhos da luz. (Jo 12,26).
Por nascimento todos os
homens pertencem ao domínio das trevas (Ef 4,18). Foi Deus que nos
chamou das trevas a sua luz admirável (I Pd 2,9). Arrebatando-nos do
poder das trevas transferiu-nos para o Reino de seu Filho para que
participemos da sorte dos Santos na luz (Cl 1, 12-13). É o batismo que
nos introduz nos domínios da luz: “Outrora éramos trevas, agora,luz no
Senhor” (Ef 5,8). Isso nos coloca numa nova linha de conduta: “Viver
como filhos da luz” (I Tes 5,5).
Colocados neste caminho da luz que é
o seguimento de Jesus o ser humano pode esperar a maravilhosa
transfiguração prometida por Deus aos justos no seu reino (Mt 13,43). De
fato, segundo a revelação do livro do Apocalipse, a Jerusalém celeste,
na qual esperamos chegar irá refletir em si a luz divina (Ap 21, 23-25):
então os eleitos contemplarão a face de Deus e serão iluminados por
esta luz. De fato, esta é a esperança dos filhos da luz; essa também é a
prece que a Igreja dirige a Deus pelos seus filhos que já deixaram esta
terra: que as almas dos falecidos não tombem nas trevas, mas o arcanjo
São Miguel as introduza na luz santa! Faz brilhar sobre eles a luz sem
fim.
A luz que nos chama das trevas pelo batismo; a luz que nos
ilumina com sua palavra na travessia deste vale de lágrimas; a luz que
nos conduz de quando varcamos as portas da morte e nos introduz no Reino
dos Eleitos, onde por toda a eternidade seremos iluminados pela luz do
rosto de Deus é Jesus. A Virgem Maria, escolhida entre todas as
mulheres, foi quem deu à luz esta luz sem ocaso, este sol que jamais
tresmonta. Ela é a Bem Aventurada, cantada por todas as gerações. Ela é a
Virgem que suportou com fé as dores e as trevas da paixão, exulta agora
com o brilho da luz da ressurreição. A luz que ela deu à luz,
ressuscitado ofusca o brilho do sol e deixa estarrecidos os anjos que
anunciam a páscoa. Mãe de Misericórdia socorre com tua luz aqueles que
sem palavras diante de tua majestade te proclamam: VIRGEM NOSSA SENHORA
DO Ó!6ª ANTÍFONA – Ofício de Vésperas – 22/12
“ò
Rei das nações. Desejado dos povos; ò pedra angular, que os opostos
muís: oh, vinde e salvai este homem tão frágil, que um dia criastes do
barro da terra”.
No
mundo antigo o poder do rei sempre esteve muito ligado ao poder de Deus
porque o rei era o encarregado de assegurar ao povo a justiça e o
direito e defender os mais fracos. Como Deus é justo e defensor da
justiça e dos mais fracos, o rei herdou também esta tarefa.
Com
o passar dos tempos, devido ao fato de o rei ter como tarefa principal
cumprir os preceitos divinos e fazê-los respeitar, o rei passou a
considerar-se também divino ou, ao menos, como um semi-deus. Isso fez
com que os reis invertessem totalmente sua missão. Em vez de serem
servidores e defensores do povo, tornaram-se tiranos, opressores e
exploradores do povo. Já não é o rei que serve. Ele é servido e o povo
avassalado. Por isso todos os reis fracassaram, inclusive os reis
bíblicos escolhidos por Deus. Então Deus prometeu ao seu povo um rei
verdadeiro, segundo o coração de Deus, um rei-servo, um rei-salvador; um
rei-redentor: “Na plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho nascido
de mulher e sujeito à lei, para libertar àqueles que estão sob a lei,
para que nos seja dado ser filhos adotivos” (Gl 4,4-5).
Este filho é Jesus. Nascido de mulher – a Virgem Maria. No Filho de Deus e de Maria nos tornamos filhos.
Durante
o ministério público de Jesus, muitas vezes quiseram fazê-lo Rei. Ao
modo dos reis da terra.Jesus sempre rejeitou esta oferta equivocada.
Herodes chegou a temer e a perseguir Jesus por ver nele um concorrente
seu.
Porém Jesus vê e ensina com clareza que sua missão é de outra
ordem: ele é o Rei Messiânico. Ele é o rei ungido por Deus para servir,
para salvar os homens de sua condenação. Sua realeza é a humildade, do
serviço, da entrega e do amor. Entrando em Jerusalém, humilde e montado
em um jumento, Jesus prenuncia como será o reinado.
Quando Jesus é
preso, antes de sofrer a paixão, Ele é julgado por Pilatos por causa de
sua realeza. Jesus é acusado diante do governador romano de ser Rei.
Jesus é trazido diante do governador chagado e ensangüentado depois dos
açoites e também coroado com uma coroa de espinhos. O evangelista São
João nos mostra com clareza a revelação paradoxal da paixão de Jesus:
nestas circunstancias da paixão, quando entrega sua vida para a salvação
do mundo coroado de espinhos, então Jesus aceita a condição de Rei. A
pergunta de Pilatos – “És tu Rei dos Judeus? – Jesus responde que sim,
Ele é Rei, porém faz uma correção. Não é apenas Rei dos Judeus. Seu
Reino não é desse mundo. Porém Ele é Rei e para isso veio ao mundo para
dar testemunho da verdade. Pilatos, incitado pelo povo, condena Jesus ao
suplício da cruz. A cruz será o seu trono. Dela Jesus pende, coroado de
espinhos. Nela Jesus entrega a sua vida para reinar para sempre.
È
pela ressurreição que Jesus entra no seu reino. Antes porém de tomar
posse de seu reino, Jesus quis fazer entender às suas testemunhas a
natureza do seu reino messiânico, tão diferente de tudo o que os Judeus e
todas as pessoas esperavam: Seu reino se estabelecera pela pregação do
Evangelho. Lá onde for anunciada a sua palavra e recebida pelas pessoas
que através dela chegam a dar adesão a Jesus pela fé, lá chegou o Reino
de Jesus. Jesus era Rei desde o seu nascimento, assim anunciaram os
céus. Porém sua realeza manifestou apenas pela sua paixão e
ressurreição.
O seu Reino não é deste mundo, por isso Ele tomou posse
do seu Reino que pertence ao mundo de Deus. Mas, o mundo de Deus, Ele o
criou para seus filhos , os seres humanos. Para isso Jesus constituiu a
comunidade, o povo que deve também tomar posse com Ele, do Seu Reino.
Este povo, esta comunidade é a Igreja. Esta comunidade é missionária e
aberta a todos os homens. Todos são convidados a dar adesão a Jesus pela
fé. Ele fez deste povo uma raça eleita, um povo sacerdotal para Deus,
uma nação santa, o povo que Deus conquistou para si para proclamar os
grandes feitos daquele que das trevas nos chamou para sua luz admirável
(I Pe 2,9). Deste povo sacerdotal, desta comunidade santa e eleita por
Deus, Jesus é a pedra angular, a pedra fundamental de sustentação de
toda a construção. Assim nos fala na primeira carta de São Pedro: “Eis
que eu ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa, e quem
nela põe sua confiança não será confundido. A vós que credes, portanto,
seja dada a honra; mas para os que não crêem, a pedra que os
construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular , como também uma
pedra de tropeço, um rochedo que faz cair. Contra ela esbarram porque se
recusam a crer na palavra” (I Pe 2,6-8).
O Reino do qual Jesus é Rei é aquele do povo santificado pelo seu sangue mediante a aceitação do seu evangelho.
Este
Rei messiânico, pedra Angular da construção do povo de Deus, Reino
Sacerdotal, é o menino nascido em Belém, Filho da Virgem Maria. Este
menino traz em seus ombros a grandeza deste Reino universal que
ultrapassa os limites dos tempos e do universo, penetrando nos umbrais
da eternidade. Este menino com tão gloriosos destino e missão
encerrou-se no seio da Virgem Mãe. Com razão, em seu cântico, a Mãe do
Salvador depois de proclamar a grandeza, o poder e a fidelidade de Deus,
profetiza que todas as nações hão de chamá-la de bendita.
Em
harmonia com todas as nações, juntamos nossas vozes para proclamar
bendita a Virgem que nos trouxe o Redentor. Em uníssono queremos
bendizer a Deus pelas maravilhas operadas em Maria. Como os pastores em
Belém queremos com o coração extasiado proclamar: SALVE VIRGEM MÃE; OH
BENDITA ENTRE AS MULHERES; NOSSA PADROEIRA, SENHORA DO Ó.
7ª ANTÍFONA – Oficio de Vésperas – 23/12
“Ò
Emanuel: Deus Conosco, nosso rei – legislador, esperança das nações e
dos povos salvador: vinde enfim para salvar-nos, Ó Senhor e Nosso Deus”.
Esta palavra vem do hebraico e quer dizer:
im (dentro) – manu (de nós) – El (Deus) → Deus conosco.
Desde
o Antigo Testamento, quando a história da salvação mostrou que os
homens são inconstantes em sua fidelidade e que os reis e poderosos não
podem garantir salvação, Deus prometeu enviar-nos um salvador. Ele seria
o Emmanuel, isto é, através dele Deus se faria presente no meio de nós.
Ainda mais, Deus tomaria a carne humana. Ele estaria tão próximo que
seria um de nós. O Emmanuel seria o começo de uma nova criação. Se o
pecado encerrou o convívio coloquial de Deus com o homem, no paraíso
terrestre, levando o homem a distanciar-se cada vez mais de seu criador,
e, proporcionalmente, fazendo crescer seus dissabores, a promessa do
Emmanuel é eliminar esta distância. Porém como esta distância não é
física, o que separa o homem de Deus não é o espaço e sim o pecado,
consequentemente a promessa de um Emmanuel traz, como corolário, o
perdão dos pecados que é a distância, a barreira colocada entre o homem e
Deus.
O pecado mergulhou o ser humano numa profunda solidão. Isolado
de Deus ele perdeu a vocação e o seu destino de glória: partilhar da
companhia e da amizade de Deus. Depois do pecado, subtraído à comunhão
com Deus, o homem fica à deriva nas encapeladas tempestades da vida e da
história.
Deus deu aos homens seu Filho único (Jo 3,16) para que os
homens reencontrassem através dele, o Emmanuel, a comunhão com Deus.
Para arrancar a humanidade à solidão do pecado, ele tomou sobre si esta
solidão. Jesus esteve no deserto para vencer o adversário e muitas vezes
se retirou para rezar sozinho. No Getsêmani, mais uma vez, Ele reza só,
pois seus discípulos dormem e se negam a participar de sua oração.
Assim Jesus enfrenta, só, os terrores e as angústias da morte. Mesmo
parecendo que Deus o abandonou Ele não esta só! O Pai esta com Ele (Jo
8,16.29). Assim Ele congregou, através de sua morte solitária, na
unidade os filhos de Deus dispersos (Jo 11,52)e atrai a si todos os
homens. (jo 12,32).
Esta é a realização das promessas feitas desde o
anúncio do nascimento de Jesus: “Eis que o Anjo do Senhor apareceu a
José e lhe disse!Jose, filho de David, não temas em receber AM tua casa
Maria, tua esposa: o que foi gerado nela provém do espírito santo, e ela
dará à luz um filho a quem porás o nome de Jesus, pois é ele que
salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isso aconteceu para se cumprir
o que o Senhor dissera pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará a
luz um filho, do qual darão o nome de Emmanuel que quer dizer Deus
Conosco” (Mt 1, 20-23).
O Evangelho nos revela com clareza que o
Emmanuel prometido por Deus, desde os tempos antigos, pelos profetas é
Jesus. A Virgem que haveria de concebê-lo e dá-lo à luz é Maria, Mãe de
Deus, esposa de José. O Emmanuel, Deus - Conosco, Jesus, tem uma missão
indicada no próprio nome: Salvar seu povo de seus pecados. Este é o
significado do nome de Jesus. De fato, é pela invocação do nome de Jesus
que os discípulos curam os doentes (At 3,6; 9,34); pela invocação do
nome de Jesus que expulsam os demônios (Mc 9,38; 16,17; At 16,18;
19,13); pela invocação do nome de Jesus realizam toda sorte de milagres
(Mt 7,22; At 4,30). Isso mostra que Jesus de fato é aquele que o seu
nome indica – “Aquele que salva”. Este é o significado do seu nome e
esta é a sua missão.
Jesus, o Filho de Deus, nasceu duma mulher,
nascido sob a lei (Gl 4,4) surgiu no mundo numa data determinada,
“enquanto Cirino era governador da Síria (Lc 1,27), radicado numa vila
da Galiléia, chamada a Nazaré” (Lc 1,3-26). Mas esse é Jesus, o Emmanuel
– Deus conosco, que salva o seu povo dos seus pecados.
O nome da
Virgem, a quem o Anjo do Senhor se dirige, é Maria. A Ela o Anjo a saúda
como a cheia de graça, que há de conceber à sombra do Espírito Santo
que virá e pousará sobre Ela. Em ti, Maria, os céus se inclinam para
trazer à terra o Emmanuel. Sobre ti o Espírito pousou para que o Filho
co-eterno do Pai se fizesse o Emmanuel. Tu, Maria , no-lo apresentaste
sob a sinfonia celeste, tocada e cantada pelos Anjos. Com os Anjos
saudamos o Deus - conosco dizendo: Gloria a Deus nas alturas e paz na
terra aos homens a quem Deus quer bem. Extasiados como os Anjos,
temerosos e fervorosos como os pastores, prostrados adoramos o Rei dos
reis, o Senhor dos senhores, o Salvador o Emmanuel, com todo o exercito
celeste e os homens objetos do amor de Deus queremos reverentes
proclamar-te Bem Aventurada por todas as gerações. Mãe do Emmanuel, Mãe
do Salvador, Virgem do Ó, roga por nós. Amém!