ANTES DE LER É BOM SABER...

Contato (Whatsapp) 84.99903.6081 - e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com. Ou pelo formulário no próprio blog. Este blog, criado em 2009, é um espaço intelectual, dedicado à reflexão e à divulgação de estudos sobre Nísia Floresta Brasileira Augusta, sem caráter jornalístico. Luís Carlos Freire é bisneto de Maria Clara de Magalhães Peixoto Fontoura (*1861 +1950 ), bisneta de Francisca Clara Freire do Revoredo (1760–1840), irmã da mãe de Nísia Floresta (1810-1885, Antônia Clara Freire do Revoredo - 1780-1855). Por meio desta linha de descendência, Luís Carlos Freire mantém um vínculo sanguíneo direto com a família de Nísia Floresta, reforçando seu compromisso pessoal e intelectual com a memória da escritora. (Fonte: "Os Troncos de Goianinha", de Ormuz Barbalho, diretor do IHGRN; disponível no Museu Nísia Floresta, RN.) Luís Carlos Freire é estudioso da obra de Nísia Floresta e membro de importantes instituições culturais e científicas, como a Comissão Norte-Riograndense de Folclore, a Sociedade Científica de Estudos da Arte e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Os textos também têm cunho etnográfico, etnológico e filológico, estudos lexicográficos e históricos, pesquisas sobre cultura popular, linguística regional e literatura, muitos deles publicados em congressos, anais acadêmicos e neste blog. O blog reúne estudos inéditos e pesquisas aprofundadas sobre Nísia Floresta, o município homônimo, lendas, tradições, crônicas, poesias, fotografias e documentos históricos, tornando-se uma referência confiável para o conhecimento cultural e histórico do Rio Grande do Norte. Proteção de direitos autorais: Os conteúdos são de propriedade exclusiva do autor. Não é permitida a reprodução integral ou parcial sem autorização prévia, exceto com citação da fonte. A violação de direitos autorais estará sujeita às penalidades previstas em lei. Observação: comentários só serão publicados se contiverem nome completo, e-mail e telefone.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

LADAINHA DE NOSSA SENHORA - RETRATO DA FESTA DE NOSSA SENHORA DO Ó

LADAINHA DE NOSSA SENHORA


Senhor, tende piedade de nós. (Repete-se)
Jesus Cristo, tende piedade de nós. (Repete-se)
Senhor, tende piedade de nós. (Repete-se)

Jesus Cristo, ouvi-nos. (Repete-se)
Jesus Cristo, atendei-nos. (Repete-se)

Escultura em madeira - folheada a ouro - de Nossa Senhora do Ó - Séc. XVIII


Pai celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus, rogai por nós.
Santa Virgem das Virgens, rogai por nós.

Mãe de Jesus Cristo, rogai por nós.
Mãe da divina graça, rogai por nós.
Mãe puríssima, rogai por nós.
Mãe castíssima, rogai por nós.
Mãe imaculada, rogai por nós.
Mãe intacta, rogai por nós.
Mãe amável, rogai por nós.
Mãe admirável, rogai por nós.
Mãe do bom conselho, rogai por nós.
Mãe do Criador, rogai por nós.
Mãe do Salvador, rogai por nós.
Mãe da Igreja, rogai por nós.

Virgem prudentíssima, rogai por nós.
Virgem venerável, rogai por nós.
Virgem louvável, rogai por nós.
Virgem poderosa, rogai por nós.
Virgem clemente, rogai por nós.
Virgem fiel, rogai por nós.

Espelho de justiça, rogai por nós.
Sede de sabedoria, rogai por nós.
Causa da nossa alegria, rogai por nós.
Vaso espiritual, rogai por nós.
Vaso honorífico, rogai por nós.
Vaso insigne de devoção, rogai por nós.
Rosa mística, rogai por nós.
Torre de David, rogai por nós.
Torre de marfim, rogai por nós.
Casa de ouro, rogai por nós.
Arca da aliança, rogai por nós.
Porta do céu, rogai por nós.
Estrela da manhã, rogai por nós.
Saúde dos enfermos, rogai por nós.
Refúgio dos pecadores, rogai por nós.
Consoladora dos aflitos, rogai por nós.
Auxílio dos cristãos, rogai por nós.

Rainha dos anjos, rogai por nós.
Rainha dos patriarcas, rogai por nós.
Rainha dos profetas, rogai por nós.
Rainha dos apóstolos, rogai por nós.
Rainha dos mártires, rogai por nós.
Rainha dos confessores, rogai por nós.
Rainha das virgens, rogai por nós.
Rainha de todos os santos, rogai por nós.
Rainha concebida sem pecado original, rogai por nós.
Rainha elevada ao céu em corpo e alma, rogai por nós.
Rainha do sacratíssimo Rosário, rogai por nós.
Rainha da paz, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos.
Senhor Deus, nós Vos suplicamos que concedais aos vossos servos perpétua saúde de alma e de corpo; e que, pela gloriosa intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria, sejamos livres da presente tristeza e gozemos da eterna alegria. Por Cristo Nosso Senhor.
Amen.

ANTIFONAS DE NOSSA SENHORA DO Ó

ANTIFONAS DE NOSSA SENHORA    DO Ó

1ª ANTÍFONA – Oficio de Vésperas – 17/12
Ant: Ò sabedoria que saístes da boca do Altíssimo e atingis os confins de todo o universo e com força e suavidade governais o mundo inteiro, oh vinde ensinar-nos o caminho da prudência. Com o titulo “Sede da Sabedoria” a espiritualidade cristã aprendeu a honrar e invocar a Mãe do Senhor. Além disso a espiritualidade e a liturgia Católica sempre se serviram de textos sapienciais para aplicá-los a Virgem Maria na celebração de suas festas. Esses textos têm a finalidade de honrar a virgem como “Sede da Sabedoria”.
Mas que a Bíblia entende por Sabedoria? Se buscarmos uma resposta no Antigo testamento diríamos que a expressão privilegiada da sabedoria é a Lei de Deus dada a Moisés. Se buscarmos nossa resposta no Novo Testamento a expressão da sabedoria é Cristo – Deus feito homem.
No Novo testamento encontramos vários testemunhos de textos que relatam ser Cristo a sabedoria de Deus.
Notável e mais conhecido de todos é a passagem de I Cor 1,24.30, onde o Apóstolo afirma categoricamente: “Cristo é sabedoria de Deus”.
Também o evangelista São Lucas, no episódio de Jesus no templo (Lc 2, 40-52) apresenta Jesus pré-adolescente como expressão da sabedoria que vem de Deus. Para isso basta recordar algumas palavras da terminologia usada pelo evangelista, tais como: os substantivos “inteligência” (v. 47); “mestres” (v. 46); “graça” (v. 40. 52); “respostas” (v. 47); “coração” (v. 51). Assim se pode concluir que Cristo é a sabedoria saída da boca do Pai através de quem tudo é criado e passa a existir. Assim São Lucas nos apresenta Jesus no templo entre os doutores.
Se Jesus é a sabedoria criadora do Pai que dá existência a todas as coisas por que Maria é também saudada com o título “O’ Sabedoria”! ?
Quando chegou a plenitude dos tempos e Deus, em Cristo, quis recapitular e resgatar toda a sua criação manchada pelo pecado, tudo aquilo que havia revelado ao povo de Israel, herdeiro da promessa, torna-se herança de Maria.
Maria através do seu “sim” no momento da anunciação, aceita servir ao desígnio de Deus Salvador. A partir deste momento no qual, Maria dá adesão total ao plano de Deus, a historia de Jesus é também a história de Maria. Os acontecimentos da vida de Jesus, bem como as Palavras de Jesus tornam-se imediatamente motivo de meditação e contemplação para a Virgem Maria, sua Mãe. De fato, em todos os acontecimentos do nascimento de Jesus, cercados de tanta gente, Anjos, sinais dos céus, Maria não pronunciou nenhuma Palavra. Apenas contemplou em silencio para beber daquela sabedoria de Deus que é Seu Filho, Jesus, o qual deitado na manjedoura a extasiava e a mergulhava no ministério de Deus.
Maria, na contemplação do Filho, fruto do seu ventre e do Espírito Santo, refaz todo o caminho de fé realizado, na história pregressa, pelo seu povo, na busca de compreender a sabedoria de Deus, é na contemplação das escrituras que Maria descobrira, na penumbra da fé, sua missão ao lado do Filho, Sabedoria eterna do Pai.

O Evangelho nos diz que, diante da Palavra de Cristo, Maria assume duas atitudes:
1- Guardava a Palavra no seu coração.
2- Meditava a Palavra em seu coração

Para a Sagrada Escritura, para quem a sabedoria consiste em descobrir a vontade de Deus e andar por seus caminhos, a atitude Maria, de reter e meditar as palavras de Jesus, é atitude característica do sábio. Por isso com razão a Ela se pode atribuir com justiça nosso louvor que a proclama, junto com Jesus – “Ò’ Sabedoria...!” Eis pois aqui o dinamismo da fé de Maria: recordava a Palavra em seu coração para aprofundá-la e para atualizá-la. Enquanto o Filho crescia a Mãe, com olhos vigilantes Vivia, guardava, meditava suas palavras e crescia na fé e na sabedoria.
Portanto para concluir podemos dizer que é justo que invoquemos a Virgem Maria como a “Sede da Sabedoria”. Ela o é de fato e, em dois sentidos: no sentido biológico, pois trouxe em seu ventre o Filho de Deus. Fazendo da Palavra um objeto de amorosa estima guardava-a no íntimo do coração buscando captar o seu sentido mais profundo. Segundo o ensinamento do próprio Jesus a bem-aventurança de Maria não consiste tanto em haver dado à luz o Filho de Deus, mas sim em dar adesão incondicionada, pela fé, à Palavra de Deus. É a fé na Palavra de Deus que a torna Mãe de Jesus.
Se a sabedoria consiste em descobrir a vontade de Deus respondendo positiva e incondicionalmente à sua Palavra, o “SIM” de Maria, o seu “Faça-se em mim segundo a vossa Palavra”, é prova inconteste de que Ela ocupa o primeiro lugar entre os sábios, Ela é a sede da sabedoria. Ela pode, com justiça, ser louvada juntamente com o Filho e ser por nós aclamada: Nossa Senhora do Ò, Mãe da Sabedoria Eterna do Pai, rogai por nós.
2ª ANTÍFONA – Oficio de Vésperas – 18/12

“O’ Adonai, guia da casa de Israel que aparecestes a Moisés na sarça ardente e lhe deste a vossa lei sobre o Sinai vinde salvar-nos com o braço poderoso”.
Foi o próprio Deus quem revelou seu nome ao seu povo de Israel, um dia no Monte Horeb. Aquele que sempre se chamara até agora o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, O Deus de Jacó, revelou seu nome a Moisés, “Eu sou quem sou” ou “Eu sou aquele que é”. Na língua Hebraica – YAHWEH (Javé, traduzido em português), o nome de Deus – “Aquele que é” significa um Deus eterno, que não tem passado e nem futuro e significa um Deus presente na história dos homens caminhando com seu povo. Ele é YAHWEH!
Deus revelou o seu nome para que o adorem e o sirvam e o invoquem sob o seu verdadeiro nome. O livro do Êxodo em 34, 14 diz: “Javé é ciumento de seu nome”. Invocar o nome de Javé é já render culto a Ele, orar a Ele. Quem invoca o nome de Javé, invoca o próprio Deus. Por isso, devido ao fato de que Deus se identifica com seu próprio nome, nunca se deve tomar o Santo nome de Deus em vão (Ex 20,7; Dt 5, 11). Ofender o nome de Deus é ofender o próprio Deus.
O povo de Israel, nos momento mais cruciais de sua história, sentiu o poder do nome de Deus. A invocação desse nome realizou prodígios e milagres em favor do seu povo. Pelo poder do nome de Deus o povo salvou-se da morte e do extermínio, por inúmeras vezes. Também o desrespeito no nome de Deus, às vezes tomado em vão, acarretou para Israel muita dor e sofrimento.
Israel aprendeu, através dos tempos que o Deus tão perto, que caminha com seu povo, é o Deus transcendente, inefável, onipotente e imutável. Seu nome precisa ser honrado, amado, cultuado e reverenciado. Por isso, no seu zelo por não ofender o nome três vezes Santo, Israel passou a não pronunciar mais o nome Santo YAHWEH (JAVÉ). Assim não corria o perigo de tomá-lo em vão e ofender a Deus. Israel passou a chamar o seu Deus de “ADONAI”. Adonai quer dizer “O SENHOR”. Israel descobriu que com justiça seu Deus poderia ser assim chamado pois ele é o Adonai, o Senhor do céu e da terra. Tudo é obra de sua mão e tudo a ele pertence.
Jesus encarnando-se no seio da Virgem Maria e vindo a esta terra revelou-se a si mesmo como sendo o Filho de Deus e deu a conhecer a seus discípulos o nome de Deus. Fez-lhes conhecer que o nome que melhor exprime o ser de Deus é o nome “PAI”. O Deus de Jesus Cristo deve de agora em diante ser chamado de Pai, pois tanto Jesus como todos os seres humanos são seus filhos.
São Paulo através de sua carta aos Filipenses, nos ensina que o Pai, ao ressuscitar Jesus os mortos, o fez sentar-se à sua direita, dando-lhe um Nome que esta acima de todo nome (Fl 2,9). Apesar de ser um nome inefável ele pode ser traduzido por Senhor. Pela elevação que o Pai deu a seu Filho ao ressuscitá-lo dos mortos, constituiu-o Senhor, Adonai, pois a Jesus ressuscitado convém o mesmo nome de Deus (Fl 2, 10s). os Discípulos experimentaram o poder deste nome, Adonai ou Senhor dado a Jesus ressuscitado. Invocando este nome eles curam os doentes ( At 3, 6; 9, 34), eles expulsam os demônios (Mc 9, 38; Lc 10, 17; At 16,18; 19,13); eles realizaram toda a sorte de milagres (Mt 7,22; At 4,30).
A fé cristã consiste em crer que Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos, confessar que Jesus é o Senhor, invocar o nome do Senhor Adonai.
Os primeiros cristãos se identificam como aqueles que invocam o nome do Senhor (At 9,14.21; I Cor. 1,2; II Tm 2,22). Esse Senhor, Adonai é Jesus ressuscitado, em cujo nome o Evangelho é anunciado para a salvação. O senhorio de Jesus Cristo deve ser pregado para todos os povos até o final dos tempos.
Assim os cristãos aprenderam a invocar Jesus como o Adonai. O Senhor dos tempos e do universo, o Nome poderoso que Deus elevou acima de todo Nome com a ressurreição.
Esse Jesus exaltado acima de todo nome, acima de toda criatura dos céus, da terra e dos infernos, fez-se homem no seio da Virgem Maria. Aquele que os céus não podem conter encerrou-se no seio da Virgem. Por isso os fiéis cantam eternamente; “bem-aventurada és tu Virgem Maria pois aquele a quem os céus não podem conter, tu o encaraste em teu seio”. Todas as gerações hão de chamar-te de bendita. Nós, teus filhos, extasiados diante de tão grande mistério e da grandeza de tua humildade te saudamos confiantes na tua misericórdia. Ao teu Filho clamamos e invocamos como o Adonai. Ó Senhora Mãe do todo poderoso, a ti, absorta diante do mistério aclamamos: Nossa Senhora do Ó rogai por nós.


3ª ANTÍFONA – Oficio de Vésperas – 19/12

“Ò Raiz de Jessé, Ò Estandarte, levantado em sinal para as nações!Ante Vós se calarão os reis da terra, e as nações implorarão misericórdia: vinde salvar-nos! Libertai-nos sem demora!
Jessé vem da língua hebraica composto por duas palavras IS – YAHWEH = homem de Deus. Este é o nome do pai do Rei Davi. Ele era de Belém e Deus enviou a ele o profeta Samuel para ungir rei um de seus filhos, o mais novo que se chamava Davi.
Deus através do profeta Natan, fez uma promessa ao Rei Davi dizendo: “... E quando os teus dias estiverem completos e vires a dormir com os teus pais, farei permanecer a tua linhagem após ti, aquele que terá saído das tuas entranhas e firmarei a Tua realeza”. (I Sam 7,12).
Esta promessa de Deus feita a Davi – a saber – a permanência eterna de um descendente seu como rei de Israel, faz de Jessé, pai do Rei Davi, a raiz de uma dinastia da qual deverá nascer o Messias, o Salvador e, Rei Universal e Eterno.
O profeta Isaias é o grande cantor e arauto do Messias descendente de Davi. O profeta o anuncia como rebento do tronco de Jessé. Ouçamos o profeta. “Um ramo sairá do tronco de Jessé, um rebento brotará de suas raízes. Sobre Ele repousará o espírito de YAHWEH, espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e fortaleza, espírito de conhecimento e temor de YAHWEH: no temor de YAHWEH estará a sua inspiração” (Is 11, 1-3) e “Ele julgará os fracos com justiça e com equidade pronunciará sentença em favor dos pobres da terra. Ele ferirá a terra com o bastão de sua boca, e com o sopro de seus lábios matará o ímpio. A justiça será o cinto de seus lombos e a fidelidade o cinto dos seus rins” (Is 11, 4-5).

Depois de profetizar a grandeza do Messias rebento do tronco de Jessé, repleto do Espírito do Senhor, o profeta anuncia a sua missão de salvação universal. “Naquele dia a raiz de Jessé que se ergue como um sinal para os povos será procurada pelas nações, e a sua morada se cobrirá de glória. Naquele dia, o Senhor tornará a estender a sua mão para resgatar o resto do seu povo” (Is 11, 10-11). Por isso a antífona de Natal canta que a Raiz de Jessé foi levantada como um estandarte, em sinal para as nações.
Também o mesmo profeta Isaías é o que recebe em visão profética a revelação divina de que o Rei Messias futuro nasceria de uma Virgem. “O Senhor nos dará um sinal. Eis que uma Virgem conceberá e dará a luz um filho que se chamará Emanuel” (Is 7, 14).
No livro do Apocalipse de São João, escrito para fortificar e sustentar a fé dos cristãos em tempos de perseguição e para revelar o destino de glória de todas as testemunhas fiéis de Jesus: “Eu Jesus enviei o meu Anjo para vos atestar estas coisas a respeito das Igrejas. Eu sou o rebento da estirpe de Davi, a brilhante estrela da manhã...Vem! ...Quem deseja, receba gratuitamente água da vida”. (Ap. 22, 16-17).
O desejado das nações que brotou da Raiz de Jessé que se levantou como sinal para todas as nações, nasceu prodigiosamente de uma Virgem. Ele é o salvador e libertador. Diante dele os reis pasmos e boquiabertos perderão a voz. Lívidos de espanto clamarão misericórdia. Todo este prodígio aconteceu no seio de uma virgem. Ela foi escolhida para acolher no seu ventre a Palavra Eterna e Criadora do Pai, Jesus o Emanuel, o Deus - Conosco. A Ela Deus enviou seu Anjo para comunicar-lhe que foi encontrada plena de graça e que conceberia por obra do espírito Santo o Filho de Deus, Rebento da Raiz de Jessé, ramo do tronco de Davi.

Diante de tamanha honra e de prodigiosa grandeza assim como os reis de toda a terra, nós calamos diante do Estandarte que de ti se levanta sobre todas as nações. Diante de ti, Mãe do Redentor, nós cheios de santo temor exclamamos: Oh! Virgem gloriosa, nossa admiração mais profunda que nos rouba toda a palavra e nos permite apenas invocar-te como a senhora do Oh! Amém.


4ª ANTÍFONA – Oficio de Vésperas – 20/12

“Ò chave de Davi, Cetro da casa de Israel, que abris e ninguém fecha, que fechais e ninguém abre: vinde logo e libertai o homem prisioneiro, que, nas trevas e na sombra da morte está sentado”.

Já no Antigo Testamento (Is 22,22) o profeta tornara público a revelação de Deus sobre o futuro rei – salvador, Filho de Davi: “Porei a chave da Casa de Davi sobre o ombro dele, ele abrirá e ninguém fechará, ele fechará e ninguém abrirá”. Com estas palavras, Deus apresenta seu Messias que um dia enviaria a terra.
Apresentado pelos Anjos aos pastores e, pela estrela, aos Magos, Jesus, no inicio de sua missão, na sinagoga de Nazaré, cidade em que fora criado, se apresenta do seguinte modo: “O Espírito do Senhor está sobre mim porque ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Enviou-me para proclamar aos cativos a libertação e aos cegos a recuperação da vista, para despedir os oprimidos em liberdade para proclamar o ano da graça do Senhor”. (Lc 4, 18-19).
Esta proclamação pública que Jesus faz de si mesmo como libertador dos cativos e dos prisioneiros confirma o que já dissera o velho Zacharias que cheio do espírito Santo via, no anuncio do nascimento do precursor a realização das profecias antigas.
Zacharias sente a aproximação da realização das promessas que Deus fizera em tempos remotos, através de seus profetas. É o momento de abrir as portas aos que se acham relegados ao poder da morte. Assim se pronuncia Zacharias: “Bendito seja o Senhor Deus de Israel que visitou seu povo e realizou a sua libertação, e nos suscitou uma força de salvação na família de Davi seu Servo. (...)o sol nascente nos visitou do alto e iluminou os que se achavam nas trevas e na sombra da morte estavam sentados”. (Lc 1,68-69.79).
A missão de Jesus,cujo nome quer dize – Deus salva é a missão de libertador. Ele deve libertar o homem escravo do pecado, acorrentado nas garras do tentador, do diabo, da antiga serpente. O ser humano jaz acorrentado nas masmorras da morte mergulhado nas trevas do pecado.
É por este motivo que o salvador, o Filho da Virgem Maria é apresentado como “chave”. Só Ele tem o poder divino e salvador para poder abrir as portas das prisões e dos grilhões a que o pecado submeteu os filhos de Adão. A morte e as trevas são os troféus do pecado. Na sua trama o homem foi enredado pela astúcia do inimigo. Jesus é o que desce do céu para assumir no seio da Virgem a natureza humana para, através sua obediência ao Pai, libertar o homem desobediente da prisão que o mantém eternamente coberto sob as sombras da morte.
O túmulo vazio e as aparições de Jesus no domingo da Páscoa são as testemunhas de Jesus ressuscitado. Ele esteve morto e agora vive. As provas são as estigmas da paixão que Jesus apresenta aos seus discípulos em suas duas aparições, no dia da páscoa e no domingo seguinte. A sua vitória é vitória sobre o pecado e sobre a morte. Ele entrou e saiu no Reino dos Mortos.

No livro do Apocalipse, Jesus mesmo se apresenta como vencedor da morte e aquele que possui as chaves do Hades que ninguém lhe pode arrebatar: “Eu sou o primeiro e o último, o que vive; estive morto, eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do Hades”. (Ap 1, 8). São palavras do próprio Jesus ao se apresentar a São João em suas visões proféticas, para sustentar a fé da igreja e dos cristãos perseguidos. Ele penetrou no Reino dos Mortos e o venceu e seu troféu são as chaves da morte e a vida para sempre. Falando a Igreja de Filadélfia, o mesmo livro do Apocalipse retoma esta palavra de Jesus: “Assim fala o Santo e o Verdadeiro, o que tem a chave de David, que abre e ninguém fecha, que fecha, e ninguém pode abrir”. (Ap 3,7).
Esta revelação de Jesus como a chave de David tem como objetivo sustentar a fé dos cristãos enquanto peregrinos na busca da pátria eterna. Os cristãos vivem num mundo que exala halo de morte, pois o “príncipe deste mundo” ainda atua nele. Porém ele já foi derrotado. Induzindo os homens a matarem Jesus, ele construiu sua desgraça. O Filho de Deus pela sua morte de cruz, arrebatou do inimigo seu poder que era a morte. Ele a venceu e agora reina a vida e o vivente. O primeiro e o último, o Alfa e o ômega, a chave da casa de David.
O Rei Eterno e Universal, o vencedor da morte, realiza sua missão pelo mistério de sua encarnação. Ele, o Filho de Maria, feito homem, se entrega voluntariamente à cruz para vencer o inimigo que vencera na arvore do paraíso. A Virgem é a Mãe venturosa que, tendo suportado com fé e resignação a vontade de Deus os atrocíssimos tormentos da paixão, agora exulta triunfante com o Filho que traz consigo a vitoria sobre a morte e as chaves do Reino.
Ao rei imortal, a glória pelos séculos! À Virgem Mãe venturosa do ressuscitado, cantam todas as gerações as maravilhas que Deus realizou nela e por Ela. Oh! Virgem, nós extasiados te aclamamos, diante de tua magnitude exclamamos – oh! Senhora do Ó.

5ª ANTÍFONA – Oficio de Vésperas – 21/12

“Ó sol nascente justiceiro, resplendor da luz eterna: Oh, vinde e iluminai os que jazem entre as terras e, na sombra do pecado e da morte estão sentados”.
O evangelista São Mateus ao anunciar o início da pregação de Jesus na Galiléia, faz com uma citação do profeta Isaías que reza assim: “O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz, para os que jaziam na região da morte levantou-se uma luz”. (Mt 4,16; Is 9,1). A luz escatalógica prometida pelos profetas tornou-se realidade na pessoa de Jesus.
O Evangelista São Lucas Saúda, com seus cânticos imortais, Jesus desde seu nascimento como o sol nascente que deverá iluminar os que estão nas trevas (Lc 1, 78-79); saúda também Jesus como a luz que deverá iluminar as nações (Lc 2,32).
Porém é sobretudo por seus atos e palavras que Jesus se revela como luz do mundo. As curas de cegos que Jesus realiza têm, nesse sentido, um significado especial conforme ressalta São João no episódio do cego de nascença (Jo 9,5). É nesta ocasião que Jesus declara: “Enquanto eu estou no mundo, eu sou a luz do mundo” (Jo 9,5). Alhures Jesus diz: “Quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).
A Força iluminadora de Jesus é a sua própria pessoa. Ele é a palavra de Deus, vida e luz dos homens. Luz verdadeira que ilumina todo homem vindo a este mundo. Jesus é a luz que enfrenta as trevas do pecado e do mundo: a luz brilha nas trevas e o mundo mau procura apagá-la, pois os homens preferem as trevas à luz porque suas obras são más. Por isso na paixão do Senhor, quando Judas sai para entregar Jesus, São João diz-nos que era noite, a hora das trevas. Jesus mesmo declara nos momentos que precederam a paixão: “È a vossa hora e o poder das trevas”. (Lc 22,53).
A luz qualifica o domínio de Deus e do seu Cristo como sendo o domínio do bem e da justiça, as trevas qualificam o domínio de satanás como sendo o do mal e da impiedade embora satanás muitas vezes se disfarce como anjo da luz pra seduzir os homens. O ser humano se encontra colhido entre os dois domínios aquele das trevas e aquele da luz. Ele deve escolher a fim de se tornar filho das trevas ou filho da luz. Os que fazem mal pertencem ao mundo das trevas e fogem da luz para que suas obras não sejam reveladas. Os que permanecem na verdade achegam-se à luz e crêem na luz para tornar-se filhos da luz. (Jo 12,26).
Por nascimento todos os homens pertencem ao domínio das trevas (Ef 4,18). Foi Deus que nos chamou das trevas a sua luz admirável (I Pd 2,9). Arrebatando-nos do poder das trevas transferiu-nos para o Reino de seu Filho para que participemos da sorte dos Santos na luz (Cl 1, 12-13). É o batismo que nos introduz nos domínios da luz: “Outrora éramos trevas, agora,luz no Senhor” (Ef 5,8). Isso nos coloca numa nova linha de conduta: “Viver como filhos da luz” (I Tes 5,5).
Colocados neste caminho da luz que é o seguimento de Jesus o ser humano pode esperar a maravilhosa transfiguração prometida por Deus aos justos no seu reino (Mt 13,43). De fato, segundo a revelação do livro do Apocalipse, a Jerusalém celeste, na qual esperamos chegar irá refletir em si a luz divina (Ap 21, 23-25): então os eleitos contemplarão a face de Deus e serão iluminados por esta luz. De fato, esta é a esperança dos filhos da luz; essa também é a prece que a Igreja dirige a Deus pelos seus filhos que já deixaram esta terra: que as almas dos falecidos não tombem nas trevas, mas o arcanjo São Miguel as introduza na luz santa! Faz brilhar sobre eles a luz sem fim.
A luz que nos chama das trevas pelo batismo; a luz que nos ilumina com sua palavra na travessia deste vale de lágrimas; a luz que nos conduz de quando varcamos as portas da morte e nos introduz no Reino dos Eleitos, onde por toda a eternidade seremos iluminados pela luz do rosto de Deus é Jesus. A Virgem Maria, escolhida entre todas as mulheres, foi quem deu à luz esta luz sem ocaso, este sol que jamais tresmonta. Ela é a Bem Aventurada, cantada por todas as gerações. Ela é a Virgem que suportou com fé as dores e as trevas da paixão, exulta agora com o brilho da luz da ressurreição. A luz que ela deu à luz, ressuscitado ofusca o brilho do sol e deixa estarrecidos os anjos que anunciam a páscoa. Mãe de Misericórdia socorre com tua luz aqueles que sem palavras diante de tua majestade te proclamam: VIRGEM NOSSA SENHORA DO Ó!
6ª ANTÍFONA – Ofício de Vésperas – 22/12
“ò Rei das nações. Desejado dos povos; ò pedra angular, que os opostos muís: oh, vinde e salvai este homem tão frágil, que um dia criastes do barro da terra”.

No mundo antigo o poder do rei sempre esteve muito ligado ao poder de Deus porque o rei era o encarregado de assegurar ao povo a justiça e o direito e defender os mais fracos. Como Deus é justo e defensor da justiça e dos mais fracos, o rei herdou também esta tarefa.

Com o passar dos tempos, devido ao fato de o rei ter como tarefa principal cumprir os preceitos divinos e fazê-los respeitar, o rei passou a considerar-se também divino ou, ao menos, como um semi-deus. Isso fez com que os reis invertessem totalmente sua missão. Em vez de serem servidores e defensores do povo, tornaram-se tiranos, opressores e exploradores do povo. Já não é o rei que serve. Ele é servido e o povo avassalado. Por isso todos os reis fracassaram, inclusive os reis bíblicos escolhidos por Deus. Então Deus prometeu ao seu povo um rei verdadeiro, segundo o coração de Deus, um rei-servo, um rei-salvador; um rei-redentor: “Na plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho nascido de mulher e sujeito à lei, para libertar àqueles que estão sob a lei, para que nos seja dado ser filhos adotivos” (Gl 4,4-5).
Este filho é Jesus. Nascido de mulher – a Virgem Maria. No Filho de Deus e de Maria nos tornamos filhos.
Durante o ministério público de Jesus, muitas vezes quiseram fazê-lo Rei. Ao modo dos reis da terra.Jesus sempre rejeitou esta oferta equivocada. Herodes chegou a temer e a perseguir Jesus por ver nele um concorrente seu.
Porém Jesus vê e ensina com clareza que sua missão é de outra ordem: ele é o Rei Messiânico. Ele é o rei ungido por Deus para servir, para salvar os homens de sua condenação. Sua realeza é a humildade, do serviço, da entrega e do amor. Entrando em Jerusalém, humilde e montado em um jumento, Jesus prenuncia como será o reinado.
Quando Jesus é preso, antes de sofrer a paixão, Ele é julgado por Pilatos por causa de sua realeza. Jesus é acusado diante do governador romano de ser Rei. Jesus é trazido diante do governador chagado e ensangüentado depois dos açoites e também coroado com uma coroa de espinhos. O evangelista São João nos mostra com clareza a revelação paradoxal da paixão de Jesus: nestas circunstancias da paixão, quando entrega sua vida para a salvação do mundo coroado de espinhos, então Jesus aceita a condição de Rei. A pergunta de Pilatos – “És tu Rei dos Judeus? – Jesus responde que sim, Ele é Rei, porém faz uma correção. Não é apenas Rei dos Judeus. Seu Reino não é desse mundo. Porém Ele é Rei e para isso veio ao mundo para dar testemunho da verdade. Pilatos, incitado pelo povo, condena Jesus ao suplício da cruz. A cruz será o seu trono. Dela Jesus pende, coroado de espinhos. Nela Jesus entrega a sua vida para reinar para sempre.
È pela ressurreição que Jesus entra no seu reino. Antes porém de tomar posse de seu reino, Jesus quis fazer entender às suas testemunhas a natureza do seu reino messiânico, tão diferente de tudo o que os Judeus e todas as pessoas esperavam: Seu reino se estabelecera pela pregação do Evangelho. Lá onde for anunciada a sua palavra e recebida pelas pessoas que através dela chegam a dar adesão a Jesus pela fé, lá chegou o Reino de Jesus. Jesus era Rei desde o seu nascimento, assim anunciaram os céus. Porém sua realeza manifestou apenas pela sua paixão e ressurreição.
O seu Reino não é deste mundo, por isso Ele tomou posse do seu Reino que pertence ao mundo de Deus. Mas, o mundo de Deus, Ele o criou para seus filhos , os seres humanos. Para isso Jesus constituiu a comunidade, o povo que deve também tomar posse com Ele, do Seu Reino. Este povo, esta comunidade é a Igreja. Esta comunidade é missionária e aberta a todos os homens. Todos são convidados a dar adesão a Jesus pela fé. Ele fez deste povo uma raça eleita, um povo sacerdotal para Deus, uma nação santa, o povo que Deus conquistou para si para proclamar os grandes feitos daquele que das trevas nos chamou para sua luz admirável (I Pe 2,9). Deste povo sacerdotal, desta comunidade santa e eleita por Deus, Jesus é a pedra angular, a pedra fundamental de sustentação de toda a construção. Assim nos fala na primeira carta de São Pedro: “Eis que eu ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa, e quem nela põe sua confiança não será confundido. A vós que credes, portanto, seja dada a honra; mas para os que não crêem, a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular , como também uma pedra de tropeço, um rochedo que faz cair. Contra ela esbarram porque se recusam a crer na palavra” (I Pe 2,6-8).
O Reino do qual Jesus é Rei é aquele do povo santificado pelo seu sangue mediante a aceitação do seu evangelho.
Este Rei messiânico, pedra Angular da construção do povo de Deus, Reino Sacerdotal, é o menino nascido em Belém, Filho da Virgem Maria. Este menino traz em seus ombros a grandeza deste Reino universal que ultrapassa os limites dos tempos e do universo, penetrando nos umbrais da eternidade. Este menino com tão gloriosos destino e missão encerrou-se no seio da Virgem Mãe. Com razão, em seu cântico, a Mãe do Salvador depois de proclamar a grandeza, o poder e a fidelidade de Deus, profetiza que todas as nações hão de chamá-la de bendita.
Em harmonia com todas as nações, juntamos nossas vozes para proclamar bendita a Virgem que nos trouxe o Redentor. Em uníssono queremos bendizer a Deus pelas maravilhas operadas em Maria. Como os pastores em Belém queremos com o coração extasiado proclamar: SALVE VIRGEM MÃE; OH BENDITA ENTRE AS MULHERES; NOSSA PADROEIRA, SENHORA DO Ó.

7ª ANTÍFONA – Oficio de Vésperas – 23/12
“Ò Emanuel: Deus Conosco, nosso rei – legislador, esperança das nações e dos povos salvador: vinde enfim para salvar-nos, Ó Senhor e Nosso Deus”.

Esta palavra vem do hebraico e quer dizer:
im (dentro) – manu (de nós) – El (Deus) → Deus conosco.

Desde o Antigo Testamento, quando a história da salvação mostrou que os homens são inconstantes em sua fidelidade e que os reis e poderosos não podem garantir salvação, Deus prometeu enviar-nos um salvador. Ele seria o Emmanuel, isto é, através dele Deus se faria presente no meio de nós. Ainda mais, Deus tomaria a carne humana. Ele estaria tão próximo que seria um de nós. O Emmanuel seria o começo de uma nova criação. Se o pecado encerrou o convívio coloquial de Deus com o homem, no paraíso terrestre, levando o homem a distanciar-se cada vez mais de seu criador, e, proporcionalmente, fazendo crescer seus dissabores, a promessa do Emmanuel é eliminar esta distância. Porém como esta distância não é física, o que separa o homem de Deus não é o espaço e sim o pecado, consequentemente a promessa de um Emmanuel traz, como corolário, o perdão dos pecados que é a distância, a barreira colocada entre o homem e Deus.
O pecado mergulhou o ser humano numa profunda solidão. Isolado de Deus ele perdeu a vocação e o seu destino de glória: partilhar da companhia e da amizade de Deus. Depois do pecado, subtraído à comunhão com Deus, o homem fica à deriva nas encapeladas tempestades da vida e da história.
Deus deu aos homens seu Filho único (Jo 3,16) para que os homens reencontrassem através dele, o Emmanuel, a comunhão com Deus. Para arrancar a humanidade à solidão do pecado, ele tomou sobre si esta solidão. Jesus esteve no deserto para vencer o adversário e muitas vezes se retirou para rezar sozinho. No Getsêmani, mais uma vez, Ele reza só, pois seus discípulos dormem e se negam a participar de sua oração. Assim Jesus enfrenta, só, os terrores e as angústias da morte. Mesmo parecendo que Deus o abandonou Ele não esta só! O Pai esta com Ele (Jo 8,16.29). Assim Ele congregou, através de sua morte solitária, na unidade os filhos de Deus dispersos (Jo 11,52)e atrai a si todos os homens. (jo 12,32).
Esta é a realização das promessas feitas desde o anúncio do nascimento de Jesus: “Eis que o Anjo do Senhor apareceu a José e lhe disse!Jose, filho de David, não temas em receber AM tua casa Maria, tua esposa: o que foi gerado nela provém do espírito santo, e ela dará à luz um filho a quem porás o nome de Jesus, pois é ele que salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor dissera pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará a luz um filho, do qual darão o nome de Emmanuel que quer dizer Deus Conosco” (Mt 1, 20-23).
O Evangelho nos revela com clareza que o Emmanuel prometido por Deus, desde os tempos antigos, pelos profetas é Jesus. A Virgem que haveria de concebê-lo e dá-lo à luz é Maria, Mãe de Deus, esposa de José. O Emmanuel, Deus - Conosco, Jesus, tem uma missão indicada no próprio nome: Salvar seu povo de seus pecados. Este é o significado do nome de Jesus. De fato, é pela invocação do nome de Jesus que os discípulos curam os doentes (At 3,6; 9,34); pela invocação do nome de Jesus que expulsam os demônios (Mc 9,38; 16,17; At 16,18; 19,13); pela invocação do nome de Jesus realizam toda sorte de milagres (Mt 7,22; At 4,30). Isso mostra que Jesus de fato é aquele que o seu nome indica – “Aquele que salva”. Este é o significado do seu nome e esta é a sua missão.
Jesus, o Filho de Deus, nasceu duma mulher, nascido sob a lei (Gl 4,4) surgiu no mundo numa data determinada, “enquanto Cirino era governador da Síria (Lc 1,27), radicado numa vila da Galiléia, chamada a Nazaré” (Lc 1,3-26). Mas esse é Jesus, o Emmanuel – Deus conosco, que salva o seu povo dos seus pecados.
O nome da Virgem, a quem o Anjo do Senhor se dirige, é Maria. A Ela o Anjo a saúda como a cheia de graça, que há de conceber à sombra do Espírito Santo que virá e pousará sobre Ela. Em ti, Maria, os céus se inclinam para trazer à terra o Emmanuel. Sobre ti o Espírito pousou para que o Filho co-eterno do Pai se fizesse o Emmanuel. Tu, Maria , no-lo apresentaste sob a sinfonia celeste, tocada e cantada pelos Anjos. Com os Anjos saudamos o Deus - conosco dizendo: Gloria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens a quem Deus quer bem. Extasiados como os Anjos, temerosos e fervorosos como os pastores, prostrados adoramos o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, o Salvador o Emmanuel, com todo o exercito celeste e os homens objetos do amor de Deus queremos reverentes proclamar-te Bem Aventurada por todas as gerações. Mãe do Emmanuel, Mãe do Salvador, Virgem do Ó, roga por nós. Amém!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013


HOJE, EM MORRINHOS

Essa é dona Maria Salete do Nascimento, de 70 anos, moradora de Morrinhos, em Nísia Floresta. Ela se inscreveu, há anos, no programa das casas do Governo Federal,
Eu com a dona Salete no 'batente' de sua casa
mas, embora seja idosa, e sua casa encontrar-se em estado deplorável, inúmeras pessoas que possuíam casas, e se inscreveram muito depois dela, já foram contempladas.
Ao ver o texto a Srª Rosemary Bezerra disse que o pleito dela está em andamento. Só não explicou que há anos. Hoje, estive no local. A Prefeitura pediu que o esposo de D. Salete, também idoso, Dr. João André, limpasse o terreno que eles estariam entregando o material de construção sexta-feira (Mas não vieram). O terreno foi todo capinado, inclusive pediram que eles arrancasse a cerca. Como não veio ninguém ele está preocupado, pois, com o terreno exposto, os animais poderão entrar para destruir a roça dele, que fica ao lado.
Eles estão cheios de esperança e muito felizes, pois só eles para saberem o que é morar numa casa prestes a desabar e não ter para onde ir.
O mais triste de tudo é que na fase mais delicada e frágil da vida - onde esse casal deve para receber toda atenção - é a que mais sofre. Como se não bastassem as mazelas da pobreza. A situação é tão grave que não dá para andar direito nas laterais da casa. Eles já caíram várias vezes. Observe as fotos.
A história desse casal não é única em Nísia Floresta. Eu estou publicando isso para que as pessoas reflitam mais sobre a maneira certa de se tratar seres humanos.
Independente de partir do poder público e das próprias pessoas comuns - o povo - algumas pessoas veem pessoas pobres como "coisa". E coisa deve ser tratada de qualquer jeito. Muitas, são tão sofridas que veem a si próprias como coisas. São indefesas. Não sabem sequer buscar um direito.
Não! Essas pessoas merecem o mesmo respeito atribuído ao Papa, aos prefeitos, enfim a qualquer pessoa.
Na semana que vem estarei indo visitar esse casal e registrar o andamento da casa que disseram construir nos próximos quinze dias.

A ILHA ENCANTADA DE PAPARI (ESTÓRIAS VELHAS DE MORRINHOS E OITIZEIRO)


A ILHA ENCANTADA DE PAPARI (ESTÓRIAS VELHAS DE MORRINHOS E OITIZEIRO)

O imaginário popular nisiaflorestense, rico em estórias, guarda uma lenda denominada "A Pedra Encantada". Ouvi-a, pela primeira vez, em 1993, narrada por uma nisiaflorestense. A estória integra o folclore do distrito de Morrinhos, em Nísia Floresta, estado do Rio Grande do Norte, e tem relação com a lagoa Papari e o pé do morro nas “terras de Zezinho”, como dizem os pescadores. O local é emoldurado em cenário de rara beleza, margeado pelas escuras águas
 
Sempre tive vontade de visitar o local. Ensaiei diversas idas, mas nunca concretizaram. Dia desses deu certo o empreendimento. O acesso se dá pelo lado Norte, através de canoa, embora seja possível por terra, pelo lado Sul, mas os desafios da mata fechada minam a vontade de transpô-la. Tenho quase certeza que o pequeno flanco de terra seja uma sobra original da Mata Atlântica. Algumas partes são quase intransponíveis devido à vegetação esparsa.
 

Sempre tive vontade de visitar o local. Ensaiei diversas idas, mas nunca concretizaram. Dia desses deu certo o empreendimento. O acesso se dá pelo lado Norte, através de canoa, embora seja possível por terra, pelo lado Sul, mas os desafios da mata fechada minam a vontade de transpô-la. Tenho quase certeza que o pequeno flanco de terra seja uma sobra original da Mata Atlântica. Algumas partes são quase intransponíveis devido à vegetação esparsa.

Não bastasse a garranchada de galhos e trepadeiras, veem-se incontáveis pedras que pesam toneladas, assentadas há milhões de anos naquele local que, a princípio, é muito estranho. Todas estão sufocadas pelos tentáculos impiedosos de imensas gameleiras e cipós.


Algumas pedras, rachadas, deixam visíveis minúsculas conchinhas. Terá sido o fundo do mar essa nossa região? As raízes, parrudas, envolvem a rocha como se fossem um único corpo. Algumas parecem cobras abraçando a sua presa.Outras, engolem literalmente gigantescas pedras. Essas gameleiras têm raízes curiosas. Elas começam a se formar há um metro e meio do tronco. Depois se espalham, anchas, formando tentáculos robustos, espalhando-se como serpentes fincando-se no chão. O tronco nos remete aos pés de um pássaro jurássico.
 


As árvores mais altas e de diâmetro maior são justamente as gameleiras. Delas, os nativos retiram um produto para fazer a mais ingênua das malvadezas: caçar passarinhos. Eles sulcam o tronco, permitindo escorrer lentamente uma resina semelhante ao leite. Em contato com o ar torna-se visguenta como a melhor das colas. Passam em lugares estratégicos de uma gaiola, previamente abastecida com frutas ou sementes – para atrair as inocentes criaturas –, e o resto você já entendeu.
 

Os cipós complementam o cenário, agarrando o que encontra pela frente, inclusive os próprios exemplares mais velhos. Alguns estão entrelaçados há tanto tempo, cujo diâmetro nos reporta a uma corda de navio. Não é possível distingui-los. Nem separá-los. Essa metrópole de pedras, troncos e cipós dão aos animais as tocas mais agradáveis e seguras para não se tornarem presas fáceis. Ali se escondem raposas, preás, teijuaçus, caranguejeiras e cobras. Cada um na sua toca.
 


Os belíssimos imbés sobem, aos montes, fazendo inveja aos maiores paisagistas e jardineiros de Burle Marx. Não fosse a vegetação morta agarrada às árvores, substituída pelas vivas, num contraste curioso de sucessivas cadeias e estações, diria-se haver ali um esdrúxulo ente, organizando tudo a seu modo. Os filamentos presos aos troncos emprestam-lhe a aparência de uma gigantesca cabeleira despencando sobre as árvores.
 


Há uma espécie de clareira – se é que se possa assim dizer – pois o sol transpõe, acanhado, as frondes das árvores. Olhando o forro natural, veem-se esses riscos solares clareando sutilmente. O local é agradável e muito sombreado. As pedras fazem as vezes de mesas e bancos. É nesse local que os pescadores passam horas a fio, aguardando as 'redes de espera'. Assim têm o pão de cada dia: “cacetão”, “tainha”, “sainha”, “camurim” (também chamado robalo), “camurupim” (“pema”), “corongo” “cobra”, “corongo-branco” (“pomba-de-padre” ou “boca-de-ouro”), “carapeba”, “arenque” (“ginga ou alumínio”), “ubarana”, “camarão Vila Franca”, “tilápia”, “sururu”, “ostra”, “unha-de-velho”, “marisco”, caranguejo, “caranguejo-sá”, siri, “aratu” e “goiamum”. O peixe “ubarana” tem que ser morto com porrete, senão se desmancha todo. Assim que leva a cacetada enrijesse. O resultado da pescaria não é igual ao que documentou Henry Koster em 1810, quando esteve com Dionísio Gonçalves Pinto, mas alimenta a muitos.
 

Ali, sobre uma trempe de pedras, os nativos preparam iguarias inventadas por eles mesmos há séculos. Uma delas é o "liguento", também conhecido como "escaldarelo". O peixe, depois de limpo, é deitado na "água grande" junto a sal, coentro, pimenta de cheiro, tomate e cebola. O cozimento é rápido. Finda-se despejando farinha de mandioca, mexido rapidamente ao ponto de mel. Não existe complemento. Nem precisa.O cheiro maravilhoso eflui, passeando pela mata até perder força.

Sobre a Lenda da Pedra Encantada, ela é formada por três elementos distintos: o homem, a pedra e a gameleira. Não diria quatro elementos porque o ouro nunca foi encontrado.
A oralidade diz que os pescadores, em passagem por ali, viam um velho pescador sentado numa das pedras. Era monossilábico. Aparência agradável, mas arredio. Bastava perceber que alguma canoa encostava, ele saia e se confundia com a paisagem esquisita. Ninguém o encontrava mais.
 
 
Segundo as bocas antigas, ele enterrou uma mina de ouro debaixo de uma das pedras, mas ninguém sabe qual. E não adianta aos mais espertos aventar algum empreendimento por ali. Passará a vida cavando em vão, mesmo existindo o tesouro. É necessário apelar para a alçada onírica para saber. E como os sonhos são espontâneos – não dá para programá-los – resta aos pescadores, e a qualquer pessoa, rezar para um dia sonhar com o velho pescador. e receber a missão A quem ele aparecer – em sonho – lembre-se – será revelado o local exato e o ritual para retirar a botija.

Nem pense em pegar sofisticadas ferramentas e ir para lá cavoucar tudo, pois, além de comprar briga com os donos das terras, arrumará confusão feia com o IDEMA. Pior: terá surpresas do outro mundo, pois somente quem receber a doação do velho – em sonho –, achará a mina.
 

Os contadores dessa estória alertam para um detalhe importante – não me perguntem como eles o sabem –, é que a retirada do ouro só é possível à noite, pois, além de ser necessário ao escolhido ter bom coração, deve ser pobre e muito corajoso, pois durante a empresa, aparecerá toda sorte de “malassombros”. O objetivo é amedrontá-lo para que o sortudo desista. Inclusive o contemplado deve ir só. Contaram também que, numa ocasião, um pescador muito querido e bondoso recebeu a revelação e foi acompanhado com dois grandes amigos.

Para quê!

Assim que começaram a cavar, levaram lapadas de cipós que vinham de todos os lados, o breu da noite aumentou devido a um imenso enxame de abelhas que infestou a mata. Como se não bastasse, receberam tantas pedradas no lombo que passaram muitos dias acamados. O medo desses pescadores foi tanto que nunca mais pisaram ali. Quem tiver o privilégio desse sonho deve saber que só acontece uma vez e deve ser obedecido à risca. O velho detesta gente covarde e medrosa!
 


Os pescadores das imediações da lagoa parecem ter alma de criança. Pessoas sem maldade alguma. Certamente lapidando o espírito para o sonho, pois o pescador encantado não aparece para “cabra ruim”, como disse um deles. Veja só como essa lenda tem uma psicanálise boa!

Sim, já me esquecendo. Durante a retirada do ouro aparecem seres encantados. São esquisitos. Ficam urrando, fazendo “mungangas”, cutucando a pessoa. Outra vez surgem milhões de formigas e insetos variados, os quais cobrem totalmente o contemplado, mas não fazem mal algum (desde que seja a pessoa certa!). Tudo isso para que ela tenha medo e desista.
 
 

Um pescador se adiantou em me alertar que o 'pescador encantado', ou seja, o velhinho, só aparece para outros pescadores. Certamente quis frustrar as minhas tentativas de sonhar (como se sonho fosse programado). Ingenuidade a parte, ele só quis se precaver da possibilidade.

Mas de tudo isso tive uma certeza: eles são ingênuos o bastante para obter – a qualquer hora – a tão sonhada - aliás, cobiçada - "mina da pedra encantada". A lenda sinonimiza esperança. Ela ensina que devemos ter fé e acreditar que uma hora tudo dará certo.

Há outras versões dessa estória. O senhor Pedro Gonçalves (in memorian), 86 anos, oitizeirense, contava que os velhos pescadores lhe contavam - que esse morro é um navio que naufragou há muitos anos, pois as águas do mar, volumosas, permitiam a navegação até ali. A embarcação trazia muitos tesouros de um rei, mas virou naquele local. Os pescadores mais velhos, do tempo em que o senhor Pedro Gonçalves era menino, diziam ouvir barulhos de correntes sendo arrastadas sobre os assoalhos da caravela, e quem achasse essa corrente acharia os tesouros…

Essa é a lenda da pedra encantada da lagoa Papari, que é verdade e dou fé...