ANTES DE LER É BOM SABER...

Contato (Whatsapp) 84.99903.6081 - e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com. Ou pelo formulário no próprio blog. Este blog, criado em 2009, é um espaço intelectual, dedicado à reflexão e à divulgação de estudos sobre Nísia Floresta Brasileira Augusta, sem caráter jornalístico. Luís Carlos Freire é bisneto de Maria Clara de Magalhães Peixoto Fontoura (*1861 +1950 ), bisneta de Francisca Clara Freire do Revoredo (1760–1840), irmã da mãe de Nísia Floresta (1810-1885, Antônia Clara Freire do Revoredo - 1780-1855). Por meio desta linha de descendência, Luís Carlos Freire mantém um vínculo sanguíneo direto com a família de Nísia Floresta, reforçando seu compromisso pessoal e intelectual com a memória da escritora. (Fonte: "Os Troncos de Goianinha", de Ormuz Barbalho, diretor do IHGRN; disponível no Museu Nísia Floresta, RN.) Luís Carlos Freire é estudioso da obra de Nísia Floresta e membro de importantes instituições culturais e científicas, como a Comissão Norte-Riograndense de Folclore, a Sociedade Científica de Estudos da Arte e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Os textos também têm cunho etnográfico, etnológico e filológico, estudos lexicográficos e históricos, pesquisas sobre cultura popular, linguística regional e literatura, muitos deles publicados em congressos, anais acadêmicos e neste blog. O blog reúne estudos inéditos e pesquisas aprofundadas sobre Nísia Floresta, o município homônimo, lendas, tradições, crônicas, poesias, fotografias e documentos históricos, tornando-se uma referência confiável para o conhecimento cultural e histórico do Rio Grande do Norte. Proteção de direitos autorais: Os conteúdos são de propriedade exclusiva do autor. Não é permitida a reprodução integral ou parcial sem autorização prévia, exceto com citação da fonte. A violação de direitos autorais estará sujeita às penalidades previstas em lei. Observação: comentários só serão publicados se contiverem nome completo, e-mail e telefone.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

PIUM: TERRA RICA

Uma amoreira em Pium. 

Parece bobagem, mas isso diz muito. Com certeza esse pé de amora passa despercebido a muitas pessoas, principalmente aos governantes que ignoram a fertilidade do Vale do Pium, tão valorizada no passado.
Esse pé de amora anuncia que PIUM É A MANAH DE NÍSIA FLORESTA, ou seja, o berço mais fértil e próspero que ela tem. Em se plantando, tudo dá. 
AMORA É UM FRUTA DELICIOSA COMIDA "IN NATURA" - COM ELA SE FAZ SUCOS,  GELEIAS E DOCES FINOS
E justamente essa região que no passado foi tão próspera, hoje é abandonada por seus governantes. Que o diga os pequenos agricultores das "Parcelas".
Quando eu era criança, lembro-me dessa fruta abundante no meu estado de origem. Ela se alastrava pelos quatro cantos dali, mas aqui no RN. Em 1996 eu trouxe um galho do meu Estado e o replantei. Na última casa que morei em Nísia Floresta, deixei um pé. Não é possível que essa proliferação seja do pé que eu trouxe, mas isso até veio na minha mente. Ela não é comum, por isso tanto estranhamento, mas, como já disse, isso mostra o potencial agricultável daquela região. 
Onde floresce um tipo de planta que não é comum - pelo clima ou outro fator - imagine o que pode florescer em termos de frutos da terra. E é isso. Os agricultores esperam governantes que possam dar dignidade à agricultura de Pium, Hortigranjeira e Alcaçuz. É um direito. Só isso!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

VALE DO PIUM - FOTOGRAFIA DO DESPREZO

Ontem, andando no distrito de Pium, em Nísia Floresta, senti aquela sensação de quem anda em "terra de ninguém": angústia pura. Pium, apesar se sua potencialidade diversa, é um lugar desprezado e sem identidade. Ali, até o padre vem de Parnamirim (e de favor). Ouvimos dos moradores as mais revoltantes situações. 
Quando alguém precisa de médico, se socorre de Pirangi do Norte. As drogas ilícitas tomam conta do local. Não há política pública alguma para a juventude. As áreas verdes - segundo os próprios nativos - estão sendo invadidas por pessoas vindas de Ponta Negra, haja vista que em Natal não há mais espaço para pobre. Sobre essa colocação, percebi que, na realidade, são pessoas que correm de seus lugares de origem, atiçadas pela seca. E Ponta Negra é só um detalhe. 
Disseram-nos que num determinado ponto dali mora um integrante de facção que dá as cartas. Ninguém mais sai até as calçadas à tardinha, para conversar com os amigos, como faziam no passado. A lagoa, lugar de lazer natural, foi esquecida. Todos temem assalto e tudo que não presta.
O sr. Damião Pereira, um jovem senhor evangélico, morador de área central de Pium, disse-nos que quando um grupo de cabos eleitorais e candidatos andavam por ali, há uma semana, pedindo votos, ele se juntou aos demais moradores e trancaram a rua e não deixaram ninguém passar (são palavras dele). 
Disseram tudo o que estava engasgado, inclusive coisas muito fortes, que não é qualquer pessoa que tem coragem. Outro, disse que foi ao comício de um deles e retrucava tudo o que  o ex-prefeito dizia no palanque. Ele disse exatamente assim: "ele dizia, e eu desdizia". Teve um cara esquisito que até me segui depois, como quisesse me fazer medo. Fiquei perplexo.
Um jovem que estava na casa desse senhor evangélico, disse aguarda todos eles com ovos. Ele falava com um sentimento de revolta tão grande que dava pena. Eu até disse a ele que era lastimável que duas meninas gêmeas - de dez anos - filha de um deles - ouvir aquilo. 
Era para essas crianças ouvirem outro tipo de conversa e estarem inseridas num contexto de proteção e respeito por parte do poder público, e não aprendendo a sofrer tão cedo, encarando os "cânceres" de Nísia Floresta com tanta naturalidade. Coincidentemente, o pai dessas gêmeas contou-me que no dia em que elas nasceram, ele se encontrava em situação difícil, portanto correu até a casa de um vereador que não fez a menor menção de ajudá-lo. A bolsa de sua esposa estourou e quase que suas filhas nasceram com sequelas para o resto da vida. Só não aconteceu, segundo ele, pela caridade dos amigos (é aquela mesma história que escrevi anteriormente: no momento onde as mulheres precisam de mais paz e tranquilidade, é quando vivem mais terror psicológico, pois todos sabem que é possível até mesmo a gestante morrer em decorrência de um parto).
Já bem distante dali, conversando com um grupo de pessoas, uma jovem senhora disse que aguardava com ovos as pessoas que estavam caminhando com as duas coligações. Disseram que sentiam ódio desses administradores de Nísia Floresta, que não acreditavam em ninguém. Isso é muito triste, pois de tão enganadas reagem até mesmo com certa violência.
Pedi que eles os recebessem com o respeito que não estão acostumados a receber dos tais gestores. Que os acolhessem com muita educação e dissessem tudo o que quisessem, pois eram cidadãos vítimas de abandono administrativo. Era mil vezes melhor eles deixarem bem claro porquê não votariam neles. Frisei que agissem com educação redobrada, pois não compensavam os desgastes com quem eles já conheciam bem.
Os que estão no poder - hoje - tanto no Executivo quanto no legislativo - já deram o seu recado. Tudo é muito claro. Eles já mostraram concretamente para quê vieram. Não há nada de novo em Nísia Floresta.
Na realidade, tudo o que acontece em Pium é resultado de abandono administrativo. Mesmo com a geografia complexa de Nísia Floresta, é possível levar dignidade àquele povo. O segredo está em começar. Num lugar que não tem nada deve-se iniciar as políticas públicas gradualmente, a partir das prioridades. É um processo. E aos poucos as coisas vão melhorando. 
Mas quem dará início a essa mudança?

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

PARQUE/ZOOLÓGICO "EMANOEL DE ALMEIDA". - SALVEMO-LO ENQUANTO É TEMPO


Talvez você não perceba, mas esse PARQUE/ZOOLÓGICO NATURAL DE EXTRAORDINÁRIA BELEZA está tão perto de você que talvez nem seja percebido. Ou você nem saiba mesmo. Fica ao lado do CONJUNTO JESSÉ FREIRE em NÍSIA FLORESTA. Está situado na divisa da área urbana, bem defronte à casa de "Zé Mendes", irmão de Lourenço, ao lado da casa de "Dedé do IBAMA". Essa mata, que é o único resquício de Mata Atlântica existente dentro de área urbana nisiaflorestense, sofre risco de ser derrubada. Com tanta terra em Nísia Floresta, acharam de recentemente derrubar justamente parte dela. 
JATOBAZEIRO - COM FRUTOS - ÁRVORE ENCONTRADA NESSA RESERVA
É inadmissível que gestores, vereadores e profissionais da área do turismo - que estiveram e estão no poder - não estudem um mecanismo legal para transformar esse belo parque numa RESERVA NATURAL PARA ESTUDOS E PRESERVAÇÃO DE ESPÉCIES DE FAUNA E FLORA. O PARQUE/ZOOLÓGICO seria aberto ao público numa proposta elaborada por profissionais da FLONA de Nísia Floresta, universitários das áreas de Ecologia, Biologia, Turismo e áreas científicas afins. Construiria-se pequenas trilhas para passeio, oferecendo infra-estrutura adequada, inclusive com venda de produtos da terra, tanto comes-e-bebes como artesanato etc. Seria um dos pontos turísticos urbanos de Nísia Floresta.
É COMUM  VER OS CONCRIZ VOEJANDO PELAS ÁRVORES
Talvez o leitor estranhe essa denominação PARQUE/ZOOLÓGICO. Na realidade o nome é o de menos. Pode ser ZOOLÓGICO NATURAL ou PARQUE-ZOOLÓGICO NATURAL. Não me refiro ao estilo atual de zoológico, o qual considero um crime. Falo de um espaço natural no qual o visitante pudesse contemplar os animais livremente, na sua naturalidade, soltos. E como isso é possível apenas à avifauna e pequenos insetos, moluscos e animais afins, seriam eles a atração. Os pássaros só frequentam espaços com muitas árvores. O Parque também seria espaço de animais com deficiência física, vítimas da ação humana, tornando-se um polo de recebimento de animais maltratados, disponibilizando a eles um habitat o máximo semelhante ao seu, em área fechada por telas adequadas, já que não podem ficar soltos. Mas visíveis ao público. O local seria referência para o país, cujas escolas e universidades o coordenariam com foco na ação educativa. A ideia seria sensibilizar principalmente as crianças sobre a necessidade de se respeitar a liberdade dos animais, e que aqueles estariam ali simplesmente para serem cuidados, haja vista que o homem tirou a sua liberdade, domesticou-o, machucou-o etc. O parque teria a tônica do "cuidar", do "zelar", do "respeitar" o animal.
PAU-FERRO, UMA DAS ESPÉCIMES MAIS ENCONTRADAS NA MATA
Sobre essa bela reserva natural - inacreditavelmente dentro de área urbana, resta salvá-la, pois do jeito que vemos o próprio poder público fazendo vistas grossas, toda essa mata corre o risco de ser derrubada a qualquer hora. Infelizmente assistimos gestões sem visão de futuro, sem planos civilizados para a sua população. Até agora o povo não pôde dizer "Esse (a) faz a diferença".
Há 7 anos, neste mesmo blog, escrevi algo parecido sobre a necessidade de se salvar esse Parque. Tento fazer com que as pessoas enxerguem esse espaço e se apropriem dele enquanto é tempo. 
Há quinze anos entrei nessa mata com um mateiro nisiaflorestense e fiquei impressionado com a sabedoria dele, o qual deu-me uma aula, identificando os nomes populares de cada espécie de planta e para que servia - em termos medicinais, e até mesmo na carpintaria - cada uma delas. Ao longo da trajetória, vimos vários pássaros, imediatamente decifrados pelo mateiro.
EM 2001 VI UM NINHO DE "PERIQUITO DA CAATINGA"  NUMA DAS INCONTÁVEIS ÁRVORES DA RESERVA

Tive um aluno, falecido de forma trágica, em 2010, o qual era fascinado por essa mata. Ele vivia passeando por suas veredas, perquirindo-a. Era um jovem muito inteligente e, infelizmente discriminado por boa parte da sociedade. Para mim esse parque se chama PARQUE/ZOOLÓGICO "EMANOEL DE ALMEIDA", mesmo sem ser o nome oficial. Na terra onde se dá nome de clube de idosos a gente que o povo nunca viu, nome de professor a Posto de Saúde e coisa parecida, nada mais sensato que se dar - por excelência - o nome de um jovem nisiaflorestense ao parque que ele tanto amou e zelou.

MAS, VOLTANDO AO CERNE DA QUESTÃO, POR FAVOR, SENHORES GESTORES/VEREADORES, SECRETÁRIOS DE TURISMO/MEIO AMBIENTE E EDUCAÇÃO,  NÃO PERMITAM QUE SEJA DERRUBADA A ÚNICA SOBRA DE MATA ATLÂNTICA NO CENTRO DE NÍSIA FLORESTA. EM NOME DE SEUS FILHOS E NETOS... POR FAVOR!

NÍSIA FLORESTA: A TERRA DO TURISMO IGNORADO!


Dia desses, brincando, eu conversava com um menino nisiaflorestense, e disse: "Eu sei onde existe um POTE DE OURO enterrado aqui em Nísia Floresta".
O menino – de uns 9/10 anos, ficou impressionado e pediu que eu dissesse onde era. Queria ir lá para desenterrá-lo com o pai. Daí eu expliquei-lhe que o pote de ouro estava em muitos lugares, e não era possível desenterrá-lo. A criança insistiu, e tive que explicar que me referia ao POTENCIAL TURÍSTICO de Nísia Floresta. 
E fui dar-lhe uma aula. O menino ficou impressionado. Lembro-me que ele disse: "Pôxa vida, como eu queria ter uma vida melhor. Se o meu pai fosse um guia de turismo, tivesse um buggy, eu até poderia ter um computador. Minha mãe poderia até trabalhar em alguma coisa dessa que o senhor falou!"
É simplesmente inacreditável – e intolerável – sermos o município com o potencial turístico mais rico do Rio Grande do Norte – VERDADEIRA INDÚSTRIA SEM CHAMINÉ e, no entanto – vê-lo ignorado por sucessivas gestões públicas.
Pegue o mapa do Rio Grande do Norte e compare o tamanho do município de Nísia Floresta com os que fazem divisa com ele e mesmo os que são próximos.
Nísia Floresta é maior que a maioria, inclusive Natal.
Faça uma varredura nesses municípios e me responda qual deles é dono de um patrimônio material/imaterial que possua:
1) uma figura histórica do nível de Nísia Floresta, cujo legado projeta o município para todos os países do mundo? (somando a isso o seu túmulo, um monumento e a escultura feita por seu pai, existente na sacristia);
2) 26 lagoas com cenários cinematográficos;
3) 4 baobás, inlclusive um deles, projeta o município para os sete cantos do Brasil por sua história;
4) trechos intocáveis de Mata Atlântica;
5) uma igreja do século XVIII, iniciada a sua construção em 1735;
6) um frontão de cemitério dos mais belos do Brasil, construído pelo Frei Herculano, o mesmo que fez o frontão do cemitério de Arês;
7) uma casa-grande em perfeito estado de conservação, do início do século XIX (Engenho São Roque), com resquícios dos equipamentos do antigo engenho, além das ruínas do Engenho Descanso; ali  poderia se tornar hotéis fazendas, em parceria com empresas de turismo e bugueiros.
8) uma estação ferroviária datada de 1881, feita tal qual os primeiros modelos originais, ingleses do mundo. Poderia ser um Museu é espaço cultural 
8) 5 belas praias;
9) um contexto de imigração japonesa iniciado no final de 1930, consistindo no primeiro município brasileiro a contar com colônia nipônica fora do estado de São Paulo, que para cá veio trabalhar com agricultura e hortifrutigranjeiros;
10) a primeira casa em alvenaria do Brasil, datada de 1575, situada no distrito do Pium;
11) o Registro de Nascimento da Campanha da Fraternidade no Brasil, em 1963, idealizado por Dom Eugênio  Sales. Por que não fazem alí um projeto de turismo religioso, além de um grande portal de entrada anunciando "Sejam vem vindos ao Timbó. Aqui Nasceu a Campanha da Fraternidade no Brasil". Cabe um monumento na praça central de Nísia Floresta.
12) o fato de Timbó ter recebido um padre da Bélgica que deu origem aos artesanatos de fibra de palha de coqueiro, praticado até hoje, consistindo no único "meio de vida" de muitos nativos;
13) um contexto de lendas e histórias maravilhosas, inspiradoras e geradoras dos mais belos trabalhos acadêmicos;
14) significativas manifestações folclóricas no campo da dança, do drama e outras vertentes de cultura popular. Tudo isso agrega valor a locais pontuados para serem exibidos aos turistas.
15) o complexo cultural de Campo de Santana (Cemitério é Capela de Cururu). 
Nísia Floresta, simplesmente é diferente de tudo o que se vê por aí. Se eu for destrinçar aqui o potencial turístico de Nísia Floresta, não pararei mais, pois é de uma enormidade tão impactante que, quem não mé de Nísia Floresta, dirá que estou mentindo. É simplesmente um fenômeno.
NÍSIA FLORESTA: A TERRA DOS ENGENHOS DE AÇÚCAR, HOJE É UM ENGENHO DE TURISMO DA MAIS ALTA QUALIDADE – MAS - INFELIZMENTE – IGNORADO! PASMEM!
Não sou da área do Turismo, mas até uma pessoa semi-alfabetizada sabe até mais que eu sobre o que destrinço aqui. Não é novidade. A única novidade é aparecer alguém que reconheça isso, se aproprie desse contexto e o transforme numa fábrica de dinheiro, gerando emprego, projetando o município e ampliando cada vez mais a sua economia.
Confesso que eu sinto revolta ao ver uma cidade de miseráveis sobre uma das terras mais férteis e cheias de água da região, onde todos poderiam ser ricos. Há uma coisa tão simples, chamada GUIA TURÍSTICO. Mas qual deles traz essas informações acima? Onde estão os guias turísticos? E os GUIAS DE TURISMO? Onde estão?
O TURISMO EM NÍSIA FLORESTA É UMA CASA DA MOEDA IGNORADA. A partir do momento que um gestor realmente visionário, construir com o seu povo uma Política de Turismo nesses moldes – ou seja – abrindo as portas dessa CASA DA MOEDA – fazendo-a funcionar, a sua economia dará um salto, melhorando a vida de muitos trabalhadores.
A impressão que tenho é que sucessivos prefeitos preferem esconder tudo isso, pois sabem que esse potencial significará a independência de Nísia Floresta.
São tantas possibilidades de geração de emprego através do TURISMO, que a população terá condição de dar dignidade às suas famílias, sem precisar viver pedindo esmolas aos vereadores ou às portas da Prefeitura. É POR ISSO QUE TAIS PREFEITOS E BOA PARTE DOS VEREADORES NÃO QUEREM EXPLORAR A FAMOSA FÁBRICA SEM CHAMINÉ, POIS GERA RIQUEZA E INDEPENDÊCIA.
É tudo o que falta. É tudo o que eles não querem!
E quando eu vejo tais políticos – que não são nada políticos – e, sim, POLITIQUEIROS, servindo-se de seus mandatos por vaidade, SEM APRESENTAR NADA RELEVANTE DIANTE DE TANTA COISA INSPIRADORA, EM TERMOS DO SEU TURISMO, potencializa em mim a certeza de jamais reelegê-los, e tampouco pedir votos para quem eles indicam. Pois eles indicam a continuidade do marasmo, do ostracismo, do abandono. É muito claro tudo isso. Só engana-se quem quer.
Dia desses uma jovem da Rússia entrou em contato comigo, encantada sobre a História da intelectual Nísia Floresta, lida neste blog. Ela nos visitará em janeiro. Outro dia uma professora de Santa Catarina fez contato para discutir sobre umas lendas que publiquei. EU SÓ NÃO ENTENDO COMO  A MAIORIA DOS GESTORES E VEREADORES QUE ESTÃO NO PODER IGNORAM TUDO ISSO.
Neste texto eu abordei apenas um ponto capaz de alavancar a economia nisiaflorestense. E quando você olha e vê que são muitas, muitas, muitas outras formas diferentes do aspecto do TURISMO - capazes de gerar riqueza - dá pena tanto desprezo. Com toda sinceridade, jamais eu teria a coragem de sujar o meu nome, passando por uma administração, deixando uma história tão igual aos antigos intendentes municipais. Jamais!
Como eu queria que um gestor ficasse tão impressionado como o garotinho que eu contei a história do início desse texto...



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

MARIZE LEITE MARCOU A HISTÓRIA DO CLUBE DOS IDOSOS DE NÍSIA FLORESTA


Eu sempre acreditei o ditado que diz: "EU MATO A COBRA E MOSTRO O PAU". Por que estou dizendo isso? Porque não podemos apagar a história de quem quer que seja. Falo sobre a época em que MARIZE LEITE assumiu o Grupo de Idosos de Nísia Floresta. Simplesmente ela fez a diferença. Por mais que devemos respeito a quem quer que tenha continuado adiante dessa instituição, depois dela nada sequer foi parecido. Como se diz popularmente, existem, sim, pessoas que fazem diferente, que raramente são "substituídas", se é que assim podemos dizer.

Eu havia chegado há poucos meses a Nísia Floresta. Certa noite vi um "furdunço" nas imediações da praça e perguntei o que era aquilo. Nem precisou.  De repente vi uma carroça toda enfeitada, arrastando um chocalho de latas metálicas. Barulho infernal. Muita risada, muitas palmas, corre-corre de gente lá e cá. Sobre a carroça ia um casal de noivos idosos. Atrás da carroça iam os idosos cantando músicas juninas. Nunca vi o folclore na sua forma mais real. muito lindo. A alegria contagiava a todos. No comando estava MARIZE LEITE, animando e puxando o pessoal. 

Com o tempo fui conhecendo o grupo de idosos e vendo a alegria que irradiava de todos. Fiquei encantado com aquilo, pois é exatamente disso que as pessoas de idade precisam. É pela falta dessa provocação que muitos estão mergulhados na depressão, enferrujando em suas casas. 

Era interessante um detalhe que constatei: todos os idosos queriam pertencer o Grupo de Idosos de Nísia Floresta. A auto-estima era visível. Havia orgulho desse pertencimento. Parecia um grupo de adolescente de tão animados. Viviam passeando para outras cidades ou para os próprios pontos turísticos de Nísia Floresta mesmo. Um dia fui chamado para ser juri de um concurso de beleza de idosos e fiquei admirado com a excelência das coisas. Havia muita naturalidade. Era tudo espontâneo. A alegria deles era nítida. 

Outro detalhe que me causou admiração foi a quantidade de bens que o Grupo de Idoso possui. Eram muitos LP's, equipamento de som de qualidade, muitos talheres, muita louça, panelas. E tudo do melhor. Algo que me chamava a atenção era o "endeusamento" que os idosos tinham com MARIZE LEITE. Era um amor sincero. É como aquele filho bondoso que tem gratidão aos pais. Eles se sentiam tão respeitados e valorizados, que faziam questão de externar esse acolhimento sincero, típico de MARIZE LEITE.

 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

LENDA - A CASA DE FARINHA DA LAGOA DO BONFIM

OBSERVAÇÃO: QUERO PEDIR DESCULPAS AO LEITOR, POIS, SOMENTE AGORA, APÓS CONSTATAR MAIS DE 200 VISUALIZAÇÕES, FOI QUE PERCEBI QUE HAVIA POSTADO O TEXTO INCORRETO.   QUEM LEU ESTA LENDA ANTES DO DIA 31 DE AGOSTO/16, LEU-A INCOMPLETA.    EU ME EQUIVOQUEI;  COPIEI E COLEI O RASCUNHO, AO INVÉS DO TEXTO PRONTO. SÓ HOJE PERCEBI MEU DESCUIDO E POSTEI O TEXTO CORRETO. SÃO OS OSSOS DO OFÍCIO! QUEIRAM DESCULPAR-ME.

Há muitos e muitos anos um jovem paulistano, por nome Epaminondas, chegou à Papari a bordo no navio Olímpia, aportando na praia de Búzios. Ele descendia de primeira e segunda geração de portugueses que chegaram ao Brasil e estabeleceram-se na Vila de São Paulo. Veio em busca de ouro, e inicialmente fixou-se nas proximidades do litoral, perquirindo cada pedacinho que andava em busca de seu intento.
Aos poucos foi penetrando as matas mais distanciadas, instalando-se às margens de uma bela nascente, chamada pelos índios de "Puxi", cujas águas piscosas e mansas eram tão convidativas que forçavam a permanência de qualquer cristão. Ali ele fez uma choupana que servia-lhe de morada provisória, enquanto percorria a região em busca do metal preciso
O local ficava no sopé de uma montanha envolta por mata fechada, próxima de uma aldeia. Na realidade, essa montanha era uma sucessão de dunas revestidas de mata abundante, na qual havia toda espécie de frutos silvestres e flores, inclusive orquídeas. Os índios se familiarizaram com ele rapidamente. Era uma região tão íngreme, que os morros mediam mais de cinquenta metros de altura.
Após alguns anos de muito trabalho ele localizou uma mina de ouro numa mata chamada de "Tororomba", topônimo indígena que significa "fim da enxurrada". Os nativos ficavam admirados, percebendo o valor que Epaminondas dava às pedras retiradas do chão. Até riam, pois só sabiam valorizar potes de barro, cestarias e alimentos. Todo final de tarde saia um carro de boi cheio de ouro com destino ao local onde ele fez a choupana. 
Depois de retirar todo o ouro ali existente, ele ainda pensou em voltar para a Vila de São Paulo, mas os índios imploraram por sua permanência, convencendo-o rapidamente. Na realidade Epaminondas estava apaixonado por tudo o que via nessas imediações, inclusive apelidou esse local de "Vale Sagrado", devido a sua semelhança com o Jardim do Éden. A insistência dos índios certamente se deu pelos fortes laços afetivos, nascidos daquela convivência. O jovem paulistano era muito trabalhador e agradável; transmitia tudo o que sabia. Com certeza os nativos perceberam que perderiam o seu "ouro" verdadeiro, ou seja, o grande amigo, que a essa altura, se tornara um líder.

Ao longo desses anos Epaminondas ensinou a sua cultura e aprendeu os costumes indígenas, os quais exerciam-lhe verdadeiro encanto. Ele havia trazido de São Paulo boa quantidade de facões, foices, enxós, enxadas, malas, baús, equipamentos e outros objetos, pois era alarife e dominava a marcenaria náutica, carpintaria e outras técnicas. Não demorou muito para que os índios manuseassem tais ferramentas com facilidade. Usando a mesma técnica de queima de cerâmica, ele ensinou os índios a fabricar tijolos e telhas, inclusive essas eram moldadas nas pernas. 
Em pouco tempo o jovem forasteiro – de pele alva como louça, e olhos azuis como o céu – passou a ser chamado de "abatinga", ou seja, homem branco. Ele aprendeu a fazer farinha, beiju e goma com a mesma qualidade dos nativos. Logo se tornou um exímio caçador, dominando com maestria todos os afazeres da tribo.  
Havia na aldeia uma índia por nome Anahi, cuja tradução do tupi para a nossa língua é "aquela que tem voz doce". O seu canto era tão melodioso, que quem o escutasse, parava e ficava a contemplá-lo onde estivesse. Para realçar ainda mais, era dotada de beleza rara, causando admiração. Ela era filha do pajé Rudá, que significa "deus do amor". Esse nome lhe foi dado por sua admirável bondade e acolhimento a todos. Era tão receptivo que tratava o paulistano como um filho. Não demorou muito, Epaminondas se apaixonou por Anahi e o casamento veio logo em seguida, acolhido por toda a aldeia. Houve uma grandes festa que atravessou a madrugada, sob o lume de fogueiras e muita comida. Veio até índios de aldeias próximas, os quais se davam bem.
Em pouco tempo ele fez a melhor e maior casa da região, toda de tijolos e telhas cozidas ali mesmo, cujo empreendimento, capitaneado por ele, foi executado pelos índios, que ficaram perplexos quando viram a obra finalizada. Foi a primeira casa de alvenaria da capitania do Rio Grande do Norte. Ao lado da morada, ele construiu uma bela Casa de Farinha, movida a equipamentos muito bem torneados em madeira de lei. 
Epaminondas era tão acolhedor e amigável que a sua Casa de Farinha se tornou referência para toda a tribo. E tudo passou a ser feito em conjunto, desde o plantio das roças de mandioca e macaxeira à colheira e fabricação de farinha, beiju e goma. Foi nesse lugar que nasceu um costume que eles chamavam de "farinhada", que era o período compreendido entre a colheita da mandioca ao fabrico de farinha.
A "farinhada" era um afazer tão agradável que se transformava numa festa. Os índios traziam as crianças e as deixavam próximas ao olho d'água do "Puxi" pois as águas davam no peito de um adulto e todas as crianças nadavam como peixes. Elas tinham como brincadeira preferida ir ao centro do olho d'água com as "aatás", que eram canoas de casca de árvore. Outra brincadeira adorada era pular dos galhos que sobraçavam às límpidas margens. 

Passavam o dia pulando delas, fazendo piruetas, mergulhando.e se refrescando no local. Enquanto isso os mais velhos descascavam mandioca, as mulheres mais jovens ralavam e os rapazes manuseavam a prensa para que o sumo – que também se chamava "manipueira" – se desprendesse, escoando numa almácega, que era uma espécie tanque que ficava próximo dali . Boa parte desse líquido era usado no preparo de "cauim", bebida típica, que, depois de fermentada, se transformava em cachaça. Eles também faziam "cacica", uma deliciosa bebida preparada com mandioca fermentada.

As mulheres também se encarregavam de preparar o alimento de todos, organizando-o num grande jirau ao lado da Casa de Farinha. Nele ficava disposta a carne moqueada de animais caçados nas florestas infindáveis ao redor da aldeia. Havia preá, onça, anta, paca, capivara, peixes e aves. Muitas frutas silvestres eram dispostas nos cestos de cipós, e todos se fartavam com o que havia de melhor naquelas florestas sem fim.
Eles também preparavam grandes quantidades de goma, pois a base da alimentação da tribo, além da farinha era o beiju. Essas duas iguarias eram consumidas com carne. Outros comiam molhado no "cauim". Também havia casos de recém-nascidos rejeitarem o leite materno, necessitando de mingau feito de goma, cujas mães molhavam os dedos e colocavam cuidadosamente na boca da criança. O ambiente era de muita harmonia, cujos mais novos tinham profundo respeito pelos idosos. Nunca um índio jovem desobedeceu as orientações de seus pais ou avós.
Os mais velhos ensinavam os menores a dançar, construir arcos e preparar flechas com "curare", que era o sumo de uma planta usado para caçar. Eles melavam a ponta da flecha. Quando o animal era flechado, ficava rapidamente anestesiado, facilitando a captura. As mulheres viviam a confeccionar redes e esteiras. As crianças adoravam ouvir estórias contadas pelos mais velhos ao redor de fogueiras, à noitinha. Esse momento era também a oportunidade de eles repassarem para os mais novos suas crenças, noções de respeito ao próximo, tolerância, além de muitas lendas de assombrações. Muitos indiozinhos iam dormir com os olhos aboticados, desconfiados com qualquer barulho.
De vez em quando a tribo realizava uma espécie de campeonato. Havia uma corrida de toras disputada entre os rapazes. Eles corriam levando no ombro pesados rolos de coqueiros. Vencia quem pisasse primeiro numa linha demarcada bem distante do ponto de saída. Havia luta entre os mais fortes, vencendo quem derrubasse o adversário num espaço pré-definido, de moto que ficasse de barriga para baixo. Eram muitas modalidades, inclusive arremesso de flechas. às vezes o evento se demorava três dias.
Os anos se passaram e Epaminondas tornou-se pai de sete filhos, que também foram se casando e gerando netos. Todo o ouro trazido de Tororomba foi guardado, intacto, numa imensa caixa feita de troncos de madeira de lei, instalada num alçapão sob o soalho do quarto. Outros forasteiros começaram a chegar nas proximidades, e seu patrimônio precisava de proteção. Como a subsistência de todos era garantida pela fartura local, ele não precisava gastar seu ouro.
Certo dia a tribo ouviu um estrondo abafado. Era exatamente sete horas da manhã. Todos ficaram assustados. De repente perceberam que um volume colossal de água explodiu das entranhas da nascente, como um vulcão, arremessando as árvores para o alto. Em fração de segundos formou-se uma corredeira desabalada, tomando conta das partes mais baixas. A força do aluvião partia árvores ao meio, inclusive grandes exemplares. Os coqueirais eram arrastados como gravetos. Logo o sopé do morro foi se tornando rio caudaloso, inundando grande área. Árvores de grande altura ficaram submersas.
Já mais lenta, a imensidão de água foi chegando a casa de Epaminondas. A essa altura muitos índios se debandaram para as partes altas. Alguns subiram nos coqueiros, mas a magnitude das águas era tanta que cobriu-os como se fossem grama.
No transcorrer de uma hora toda a região se transformou num mar de água doce, submergindo a aldeia e tudo o que estivesse nas proximidades. Uma vasta extensão de floresta foi tragada, impedindo de se ver sequer as copas das árvores. Do topo do morro os sobreviventes contemplavam a imensidão de águas. No dia seguinte os corpos dos índios foram emergindo lentamente, promovendo um cenário bizarro. A tristeza tomou conta de todos.
Ao longo do dia os sobreviventes, ainda temerosos, se espalharam pelas partes mais altas, caminhando nas matas virgens ainda mais distantes. Temiam novo fenômeno. Chegou a noite e muitos sobreviventes ficaram espalhados, cada um por si. Poucos deles conseguiram permanecer juntos diante do desespero vivido.
No outro dia se encarregaram da tarefa mais triste de suas vidas: recolher os corpos, em número de setecentos índios, enterrando-os num local improvisado, denominado de "cacuia". Passaram-se sete dias e aos poucos os sobreviventes começaram a se reencontrar. A cada reencontro a felicidade redobrava. Todos perguntavam por Epaminondas. Ninguém dava notícia.
As águas foram se tornando cada vez mais transparentes. Eles passavam meses circunvagando as margens da lagoa, numa procura interminável. Muitos se reencontraram depois de sete meses, pois o pavor tangeu-lhes para longe. Famílias inteiras desapareceram, outras se reencontraram, intactas. Para aumentar ainda mais a tristeza, Epaminondas e Anahi nunca apareceram. O local tornou-se uma lagoa tão grande que parecia o mar. Os próprios índios deram-lhe o nome da antiga nascente: "Puxi". A imensidão era tanta que quem estivesse mais distante da terra, só via céu e água.
A lagoa, que tinha quase chegado ao mar, foi baixando lentamente ao longo de muitos e muitos anos, deixando seus rastros em forma de vinte e cinco pequenas lagoas em seus derredores, as quais existem até hoje. Umas são perenes, ou seja, nunca secam. Outras, são temporárias, pois baixam muito. Algumas chegam a secar, como a "carnaubinha". Mas reaparecem quando menos se pensa, pois sob elas há um volume d'água eterno. A segunda maior lagoa é a de Papari, cujo nome original é lagoa Paraguaçu, que em tupi quer dizer "rio grande". É por isso que muitos chamam a lagoa do Bonfim de "lagoa mãe", pois as outras são suas filhas. 
Após a estabilidade das águas, a tribo se refez. Um dia o pajé sentou-se com toda a tribo e explicou-lhe que tinha feito uma oração e ouviu dos deuses que os corpos dos índios desaparecidos iriam reaparecer da seguinte forma: os índios homens se transformariam numa bela árvore de flores azuis, pois normalmente os homens são mais fortes que as mulheres no aspecto físico. E como o céu e o mar são azuis - e são os dois elementos mais fortes da natureza - que se manifestam através dos ventos e das ondas, vem a calhar essa cor para representar a força física do sexo masculino.
As índias virgens reapareceriam sob forma de lindas árvores de flores cor de rosa, significando a delicadeza, a meiguice e a doçura dessas flores. A florescência seria tão delicada que atrairia a visão de todos, assim como Anahi
As crianças teriam a cor branca em sinal da pureza e inocência que só a elas pertencem. Representariam um elemento delicado, sem máculas, sem manchas, abertos para o descobrimento da vida.
As índias não virgens, viriam em forma de flor lilás, simbolizando a rainha do lar. Aquela que guiaria os seus filhos e filhas, ensinando-os o amor e a bondade. Essa cor suave, transmite segurança, amparo, serenidade, enfim tudo aquilo que uma mulher deve ter para, junto ao homem, conduzir bem os seus filhos.

Os homens idosos voltariam como flores amarelas, simbolizando o ouro mais precioso que existe na humanidade, que é a sabedoria dos mais velhos. Esse amarelo também significava a luz. Para eles, a velhice era a idade mais importante de um homem, necessitando do mais profundo respeito por parte das gerações mais novas. Para eles, quando um homem chegava a fase idosa, se tornava uma espécie de luz constantemente acesa, guiando, aconselhando, orientando e repassando a sabedoria acumulada durante toda a sua existência. 
As índias idosas reapareceriam como flores vermelhas, pois o vermelho é o sangue, é a vida. São as mulheres idosas o símbolo maior da vida, pois carregaram seus filhos na barriga durante nove meses, alimentando-o através do sangue, ou seja, do seu amor incondicional. E as outras mulheres, filhas de seu ventre continuaram perpetuando a vida. Para os índios o significado de uma mulher idosa é sublime e nobre, pois elas receberam dos deuses o dom de carregar a vida. De trazer homens e mulheres para o mundo.
E o tempo, como nunca para, continuou passando lentamente... Muito tempo depois começaram a surgir nas matas inúmeras árvores com essas cores, as quais receberam o nome de i'pê, que significa "casca", pois as nervuras de seus troncos e galhos são bem definidas, assim como fica a terra rachada pelo calor.  
Uma vez ao ano os índios se reuniam e cantavam e dançavam em louvor à morte daqueles que tinham retornado em forma de ipês. A tribo ainda viveu feliz por muitos e muitos anos na região. Os anos continuaram se passando, novos homens brancos começaram a surgir, infiltrando-se nas aldeias. Todas a extensão de florestas existentes nessa área mais parecia um buquê florido. Eram tantos ipês que se perdia as contas. Aos poucos os índios foram sendo escravizados por alguns homens brancos, os quais os colocavam para fazer todo tipo de trabalho que eles desconheciam. Um deles era derrubar árvores.
Muitos deles adoeceram e morreram ainda moços; uns, de doença, outros de fome e tristeza, pois começou a faltar alimentos nas matas, então substituídas por cana-de-açúcar. E eles não gostavam das comidas ensinadas  pelos portugueses que começaram a fundar vilas por toda a região. Logo vieram os padres Capuchinhos, chamados por eles de "abarê-tucura". Os religiosos não gostaram do nome da lagoa, mudando-o para "Bonfim", em homenagem ao Senhor do Bonfim. Em pouco tempo, para ter maior controle das comunidades indígenas, eles juntaram os índios que viviam em "Pirangipepe" e "Mopebi" e montaram aldeamentos para ensinar a fé católica. 
Os índios sentiram enormes dificuldades em entender o cristianismo, pois nutriam um entendimento alógico sobre Deus, ou deuses. Eles não não entendiam como poderiam adorar a um deus sem vê-lo, pois estavam acostumados a adorar o sol, a lua, a chuva e a terra, ou seja, coisas que podiam ver ou tocar. Ficaram confusos. Muitos mergulharam numa tristeza tão grande que começaram a se suicidar. Para eles, o paraíso era aqui na terra mesmo. O próprio lugar onde existia a aldeia era o paraíso, pois era pleno de felicidade e paz. Índios, animais e plantas viviam em harmonia. Eles não entendiam por quê era necessário morrer para ter de volta esse paraíso. Por esse motivo começaram a se matar, enforcando-se em embiras e cipós.
Com a morte entendiam que estavam adiantando o reencontro com o paraíso. Lá a pesca e a caça seriam abundantes. As matas eram vastas. Eles encontrariam o lugar onde "corria rios de leite", que havia fartura em abundância, que não existia maldade, onde todos viveriam ao lado de Deus, conforme pregavam os Capuchinhos. Ao longo do tempo, quase toda a mata nativa foi derrubada para dar lugar as mais diversas plantações e roçados. Até mesmo os ipês foram desaparecendo. 
Mais e mais anos se passaram. Na comunidade de "Oitizeiro", havia um pescador famoso e respeitado por suas habilidades com o mar. Contam que ele adentrava o oceano a qualquer hora e trazia os peixes que queria, pegos com uma espécie de lança de madeira pontiaguda. Nenhum nativo ousou fazer um terço de suas extraordinárias aventuras. Chamava-se Rubião.
Certo dia ele resolveu mergulhar na famosa lagoa do Bonfim, pois só a conhecia de ouvir falar. Era uma tarde de verão. Nessa época as águas baixavam devido à estiagem, muito embora jamais alguém ousou ir ao seu leito, pois a profundidade era imensurável. Os antigos contavam que muita canoa desceu naquelas águas, sem que se conseguisse ver sequer um sinal de sua localização. A lagoa vivia repleta de "aatás". Os índios passavam o dia inteiro pescando e brincando nas águas. A tarde estava ensolarada. As águas límpidas, permitiam ver o bailar dos cardumes por toda a sua extensão.
Rubião mergulhava descontraidamente, descobrindo as profundezas daquele mar de águas doces e mornas, relaxando o seu corpo, dando-lhe ainda mais confiança. Num determinado ponto ele foi se dando conta que estava numa floresta morta. O fundo da lagoa era permeado por gigantescas árvores que resistiram ao tempo. Ele ficou admirado e quase não acreditava no que passou a ver mais adiante. Haviam duas construções de alvenaria em perfeito estado de conservação. A maior parte do telhado estava intacta. Era exatamente a casa de Epaminondas e a Casa de Farinha. Nas proximidades, ele encontrou grandes fornos de queima a cerâmica.

Rubião foi tomado de emoção. Ele sabia que árvores não podiam nascer nem crescer dentro da água. Logo entendeu que o local era berço de uma civilização antiga. E como era muito corajoso, passou a tarde inteira perquirindo cada espaço. Entrou na sala, cujos móveis, embora recobertos com uma espécie de poeira de lodo, estavam intactos. Havia uma namoradeira de jacarandá e uma cadeira de balanço. Uma linda cristaleira conservava intacta requintadas porcelanas de limoges e delicadas peças de cristal português. As grossas paredes conservavam os ganchos de rede. Logo, Rubião tomou o rumo do corredor que exibia do mesmo jeito os chapeleiros afixados às paredes. Num imenso fogão à lenha estavam as panelas de barro e outras de ferro.

Foi até o quarto e viu a cama em perfeito estado de conservação. Só não existiam – obviamente – o colchão e peças de tecido. O guarda-roupa estava no mesmo lugar, Apenas uma de suas portas havia despencado no piso de tijolinho branco, sextavado, quase totalmente recoberto de lodo. Ao lado da cama estava disposta uma espaçosa cômoda de mogno, e sobre ela um candeeiro de cobre, trazido por Epaminondas da Vila de São Paulo. Ao longo do mergulho, viu baús com objetos desconhecidos, equipamentos e louças. Uma das caixas estava lotada de vinho de delicioso vinho do Porto, que Epaminondas degustava lentamente, para matar a saudade de sua terra.

De repente algo chamou a sua atenção. Havia uma espécie de alçapão aberto no soalho. Tudo reluzia, respondendo ao sol que transpassava as águas lá do alto. O brilho era tão faiscante que parecia estrelinhas encandeando a sua visão. Ele desceu mais e deparou-se com uma ossada que, pela estatura, aparentava ser de homem. Os ossos estavam encurvados sobre um monte de ouro. Era Epaminondas que, no desespero, ainda tentou retirar algo de sua fortuna.
Rubião ficou pasmo com tamanho tesouro. Recolheu uma pequena porção e subiu. Já na sua casa revisou a peça e constatou-se tratar-se do mais puro ouro. Dias depois foi até a Capitania de Natal, vendeu o seu achado e retornou com vários alforges repletos de moedas e mercadorias. Na semana seguinte, retornou à lagoa do Bonfim, refez o mergulho e trouxe mais ouro, vendendo-o novamente.

Com o passar dos meses, Rubião foi se tornando um homem de posses. Construiu um casarão de elegante frontão no centro de Papari. Mandou fazer a mais bela carruagem, a qual usava para passeios locais. Sua família vivia como lorde, vestindo os mais belos trajes que ele mandava vir da Vila de São Paulo. Toda a vizinhança começou a estranhar o fato de ele acumular bens sem ter uma fonte de renda à altura daquelas posses. A única pessoa que sabia da origem se sua fortuna era sua esposa d. Heleonora.

Toda a vila estranhava o fausto em que Rubião vivia. A curiosidade aumentava a cada dia, pois ninguém via de onde ele trazia tanto dinheiro. Apesar da alta condição financeira, ele permaneceu exercendo a função de pescador, obviamente para facilitar o contato com o seu tesouro.
Certo dia um dos moradores mais intrigados com a sua riqueza, começou a pastorá-lo. Todas as noites ele pulava o muro da casa de Rubião, colocava o ouvido nas portas e ficava de plantão. ansioso para que ele e sua mulher comentassem algo. E nesse compromisso ele passou meses espreitando-o.



E como nessa vida quase todos os segredos são descobertos, certa noite o casal discutiu. Num determinado momento d. Heleonora falou:
- Se eu soubesse que o ouro que vosmicê tira do fundo da lagoa do Bonfim ia torná-lo tão beberrão, eu não teria me casado com vosmicê.
E Rubião respondeu:
- Deixe de bobagem. Eu não tirei nem um terço do que existe na Casa de Farinha do fundo da lagoa. Não se preocupe. Se eu morrer pelo menos vosmicê fica rica.
Sem acreditar no que ouvia, o homem disparou para a casa de um seu amigo de confiança e contou-lhe a descoberta. Estava radiante. A partir de então eles passaram a seguir Rubião por todos os lugares, mas sempre em vão. Após vários dias seguindo-o, exatamente num finalzinho de tarde, viram quando ele mergulhou na lagoa do Bonfim, deixando sua canoa amarrada junto a um braço de árvore que caia sobre as águas.
De repente Rubião mergulhou e demorou-se nas águas. Eles chegaram a imaginar que ele havia se afogado, pois era inacreditável alguém ter um pulmão tão potente. Mas inesperadamente ele apareceu com um saco e depositou-o na canoa. Após uns dez minutos mergulhou novamente. Percebendo que o mergulho seria demorado, os dois amigos correram até a canoa e constataram que eram pedras de ouro puro, e que Rubião faria vários mergulhos. Ficaram radiantes e desapareceram dali imediatamente sem levar nada. Eles gravaram bem o lugar, pois perceberam que nenhum homem da localidade tinha um terço da capacidade de Rubião na arte do mergulho em grandes profundidades.
Mas, mesmo inconformados, foram até a vila de Arês, atrás de um famoso mergulhador. Mentiram para ele que haviam perdido uma canoa de estimação, e que pagariam bem acaso ele conseguisse encontrá-la. Mas foi em vão. O homem não desceu nem dez metros e desistiu. Eles constataram que Rubião demorou muito nos mergulhos que fez quando estava sendo pastorado, portanto teriam que pensar em algum plano.
E, como infelizmente o vil metal é o causador das piores desgraças, certo dia os dois homens interessados no ouro de Rubião comentaram:
- Vamos pegá-lo à força. A gente o amarra e o faz trazer todo o ouro para as margens da lagoa. Quando acabar, o amarramos numa árvore próxima e fugimos. Com certeza outros pescadores o encontrarão depois. Pelo menos não carregaremos a sina de assassinos.
E assim se organizaram.
Dois meses depois, Rubião empreendeu nova retirada de ouro. 
Como de costume, fazia tudo à tardinha e saia já ao pôr-do-sol. 
Ele já havia trazido duas sacolas de ouro. Os dois ladrões meteram-se numa canoa e foram até o centro da lagoa, exatamente no ponto em que estava a Casa de Farinha. Quando foi surpreendido pelos dois ladrões, Rubião perguntou do que se tratava, mas logo entendeu, pois reconheceu o seu vizinho. O outro homem disse:
- Nós queremos aquilo que te fez rico.
Rubião respondeu:
- Mas tudo isso é meu. Foi eu que encontrei e não vou dar a ninguém. E vosmicês jamais conseguirão pegar, pois não têm o meu fôlego. Todo o ouro está no leito da lagoa.
Nesse momento um deles sacou um mosquete e ameaçou matá-lo:
- Ou vosmicê busca mais ouro, ou o mataremos e também a sua mulher. Se buscar todo o ouro de lá debaixo, nós o amarraremos na árvore e fugiremos. Amanhã, com certeza algum pescador o encontrará. E estaremos longe.
Rubião ficou furioso e resolveu fazer o que eles pediam. Na realidade ele pensou em planejar algo enquanto executava o traslado do ouro. Mil coisas passaram por sua mente, mas ele se via impotente. E assim a canoa foi se enchendo de ouro a ponto de ficar quase rente com a água.
Os dois ladrões perguntaram a Rubião se ainda havia mais ouro. Ele disse que aquilo que ele já havia retirado ao longo de sua vida, somado ao que estava na "aatá" e no fundo da lagoa, não era sequer a metade.
Os ladrões ficaram eufóricos. Percebendo que já não podiam mais abastecer a canoa, pois uma simples pedra poderia afundá-los, colocando a perder a fortuna retirada, um deles disse:
- Companheiro, vosmicê vai nadando até a beira da lagoa, pega outra canoa e retorna; e eu fico aqui pastorando Rubião. Quando vosmicê voltar com a canoa vazia, eu vou com a canoa cheia. A gente fica nesse vaivém, levando o ouro. Se ele inventar de dar uma de corajoso, eu estouro os seus miolos com esse mosquete.
Ouvindo aquilo, o outro respondeu:
- Mas eu não sei nadar. Vá vosmicê buscar a canoa vazia; eu fico aqui na canoa cheia com o mosquete.
Nesse exato momento, Rubião pensou:
- Se os dois não sabem nadar, se estamos no meio desse mar de águas, se a canoa está rente às águas, basta eu pôr um pouco do meu peso que ela afunda.
E não pensou duas vezes. Agarrou-se a canoa e deu um pulo. Imediatamente ela se acachafundou-se n'água. Os dois ladrões, desesperados ainda tentaram jogar alguma parte do ouro para torná-la mais leve, mas era tarde. Logo, começaram a se debater e gritar por socorro. Mas não havia ninguém por ali. E a lagoa era tão grande que jamais alguém os escutaria. E em meio a esse desespero a canoa afundou, com tudo. 
Eles ainda se debateram, tentando se salvar. Mas, como nem tudo nessa vida é perfeito, antes de se afogar, um dos ladrões - tomado de ódio - conseguiu disparar um tiro no rosto de Rubião. E todos afundaram para sempre junto com o ouro. Nunca os seus corpos boiaram. 
Nunca alguém suspeitou que os três morreram naquela localidade, pois não houve pistas.
Contam, hoje, que alguns pescadores - munidos de equipamentos de mergulho - já viram as ruínas da Casa de Farinha e da casa de Epaminondas, mas nunca o ar-comprimido é suficiente devido à profundidade. Além mais, como é de se esperar,  ainda não apareceu alguém com a mesma coragem do herói contado nessa estória. 
E tudo permanece lá, do mesmo jeito em que foi deixado por um homem de capacidade extraordinária, chamado Rubião.
E quando você ver aqueles ipês de belas cores espalhados às margens das rodovias, nas áreas rurais e até mesmo na cidade, lembre-se, são as sobras do que restou para recordar os índios que se afogaram naquele dia que marcou a história de Papari. Foi o dia que nasceu a Lagoa do Bonfim.