ANTES DE LER É BOM SABER...
segunda-feira, 24 de maio de 2021
Facheiro (Cacto)
domingo, 23 de maio de 2021
Lastá-lo, cadê-lo, tali-lo...
quinta-feira, 20 de maio de 2021
Tubaína? De onde veio essa?
Dia desses lembrei-me da Tubaína, voei longe... caí nos rincões de minha infância, lá pelos recônditos do Mato Grosso do Sul. Minhas memórias se adocicaram dessa bebida dos deuses. Minha meninice adocicou-se desse mel primoroso, chama de criança. Bar que tivesse Tubaína era pólen para nossos instintos abelhudos. Quem conheceu a Tubaína, guarda, intacto, o seu sabor. Falo de um tempo que eu carregava doze anos de idade. Endeusar um refrigerante hoje soa estranho, mas me refiro a uma época totalmente diferente da atualidade, em que as iguarias e guloseimas eram escassas. Cidade do interior sem grandes ofertas desses manjares infantis. Não existiam tantas marcas de refrigerantes. A Tubaína reinava. Desse modo, a Tubaína era sonho de consumo. Qual criança não queria Tubaína? Nenhuma! Tubaína de garrafa, talqualmente as garrafas pecaminosas "Tatuzinho" própria para os adultos. Que menino da minha época não comprou Tubaína na mercearia do Sr. Augusto Kono? Inesquecível! Mas o menino cresceu e viajou para a terra da Dore, no Rio Grande do Norte. Aqui não existia o delicioso refrigério da infância. Encontrei, "uma vez perdida", no Carrefour, e, outra, no Atacadão. Isso já pelos idos de 97. Mas ela se apresentava diferente. Roupa nova. Frasco PET. Gostosa... Como tudo que vem em plástico, trazia um gosto em apêndice. Gosto diferente que não traduzia a sua essência. A do vidro era incomparável, hermeticamente fechada com tampinha metálica. Até a tampinha cheirava durante dias. Cheiro delicioso, cheiro de Tubaína, cheiro de alimento de criança... Tubaína é um refrigerante antigo, inventado pela empresa FUNADA, de Presidente Prudente, riquíssima cidade do Oeste Paulista. É um guaraná diferenciado. Único. A bebida era vendida para todo o interior de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Vendia como banana em feira. Festa de aniversário e casamento eram regados à Tubaína. Inesquecível esse tempo! Ultimamente tenho encontrado a Tubaína por aqui. Vi no Nordestão. É da empresa Dore. Com todo o respeito e sem empáfia... terrível! Um simulacro! Quando vou ao Mato Grosso do Sul me farto da bebida. Quando vem alguém para cá e pergunta se quero alguma coisa, digo, na lata: "Tubaína Funada". E se a pessoa me for bem familiar, complemento: "E traga tererê também!”... “se não for pedir muito, traga pequi!” Mas essa... essa é outra história!
quarta-feira, 19 de maio de 2021
Anu branco
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ANU BRANCO
Hoje, dei com meia dúzia de anus brancos às 7 em ponto. Mais andavam que voavam. Mansos como se criados na minha mão. Íntimos o bastante para fisgar as formigas debaixo do meu sapato. Não sei por que lhes ofereci essa segurança, mas o bando era amigável e indiferente ao meu voyerismo.
Aprecio muito a singularidade dos anus, principalmente os brancos, como são chamados. Acho-os muito simpáticos e bonitos. É um pássaro grande, despenteado, rabo comprido e olhos grandes cor de mel. Em alguns lugares são chamados de rabo-de-palha, alma-de-gato, anu-do-campo, pelincho, guirá-acangatara, piló, piriguá e piririta.
Eles se alimentam de pequenas pererecas, lagartos, pássaros miúdos e até camundongos, mas os familiarizados com as cidades alimentam-se de frutas, bagas, coquinhos e sementes de forma alternativa. Esses (da filmagem) devoravam insetos miúdos. Vejo-os sempre rondando um cupinzeiro. Eles também têm lugar cativo em olho de coqueiro, onde espenicam as palhas e se fartam de insetos miúdos e até mesmo catitas miúdas.
Seu ninho tem três vezes a altura de um homem. Seus ovos são verdes bem clarinho com uma camada calcária em relevo. Embora não seja regra, é muito comum encontrar ninhos onde moram duas ou três anus chocando numa amizade de comadres íntimas. Por isso são comuns ver ninhos tão grandes. É um pássaro muito autônomo e se familiariza bem com alguns tipos de pássaros maiores como bem-te-vi, anu-preto, sabiá e outros.
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| imagens: wikipédia |
Cercas de faxina
segunda-feira, 17 de maio de 2021
Escrever e ler no escuro
domingo, 16 de maio de 2021
"Ele que vá a reputa e triputa que lhe pariu!"
TRETAS…
As duas histórias contadas abaixo são reais. A primeira se passou entre os notáveis Mário de Andrade e Oswald de Andrade. A segunda aconteceu entre eu e Dona Fulana, uma senhora de 83 anos, enquanto registrava as memórias de uma determinada cidade e ela me saiu com essa pérola que nunca esqueci. Pois bem, no calor da disputa pela liderança do Movimento Modernista, as duas insignes figuras se envolveram numa briga dessas típicas entre intelectuais vaidosos. Cada um queria ser o pai do movimento. Estou falando de Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Nessa história de disputar a paternidade do Movimento Modernista, acabaram se tornando inimigos. Isso serve para vermos que alguns imortais brigam e conservam picuinhas! Imagine quem não é imortal! Certa vez, Mário de Andrade foi orientado por amigos a reatar a amizade com Oswald, alegando que seria mais civilizado. Ele não quis. Veja suas palavras retiradas literalmente de uma carta que Mário escreveu em 1945: “Ele que vá a reputa e triputa que lhe pariu”. Por ironia do destino, poucos meses depois Mário morreu de infarto. Morreu inimigo.
Na realidade, Oswald fez inúmeras tentativas de reaproximação, mas Mario jamais perdoou Oswald, que também lhe chamou de “Oscar Wilde por detrás”. Para o bom entendedor, não precisa explicações. Oswald era diabólico. Essa confusão de intelectuais nos faz perceber que Mário tinha um gênio forte, mas talvez nem seja somente esse o motivo de sua inflexibilidade, pois Oswald fazia o tipo cínico, que feria o “amigo” e mesmo assim queria a sua amizade. Pois é, essa foi a história de Mário e Oswald. Mas o que a dona Fulana, de uma minúscula cidade do Rio Grande do Norte tem a ver com essa história? Quase tudo! No calor da entrevista, já bastante familiarizada comigo, desenrolando o novelo de sua vida sem cortes, ela comentava sobre a presença de soldados norte-americanos em Natal, durante a Segunda Guerra Mundial - e suas façanhas pessoais. De repente, num rompante, ela disse que tinha sido puta. Essa informação, dita a queima roupa, não escondeu minha demonstração de surpresa - quase um susto -, pois eu nunca ouvi os mexeriqueiros de plantão da cidade contarem essa página da vida dela. E também pesava aquele comportamento típico que mantemos ao lado de idosos, redobrando a respeitabilidade. Então, no vavavu da conversa ela fez questão de complementar “já fui puta e ripiputa!”, como se quisesse dizer que fora uma puta de marca maior, uma super puta. Fiquei impressionado com a sua sinceridade e o neologismo usado. Pois então, eis que nessa entrevista dona Fulana me fez lembrar desse episódio antigo entre Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Quem teria inventado essa expressão tão parecida com a de Mario? O povo brasileiro é criativo até para xingar. Mário escreveu: "Ele que vá a reputa e triputa que lhe pariu!" Mas se ele tivesse conhecido dona Fulana, teria dito "Ele que vá a reputa e triputa que lhe pariu, aquela puta e ripiputa!
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OBS. Por uma questão ética, omiti o nome e a cidade reais da referida senhora, embora pessoas mais próximas poderão identificá-la, pois os mais antigos sabem do episódio.
quinta-feira, 6 de maio de 2021
A mulher que enganou o diabo e o prendeu numa garrafa
terça-feira, 4 de maio de 2021
Otacílio Lopes Cardoso - Nomes de Nísia Floresta...
Otacílio Lopes Cardoso é uma figura atualmente desconhecida em Nísia Floresta, cidade onde nasceu aos 19 de julho de 1919, na então "Papari", mas foi considerado a memória viva de Natal de seu tempo, na capital do Rio Grande do Norte. Era filho temporão de Pedro Cardoso e Francisca Lopes Cardoso, ou seja, nasceu muitos anos depois do casamento dos pais, mas também teve outros irmãos, como Omar Cardoso que infelizmente faleceu aos 25 anos de idade após se formar em farmácia, Alcides Lopes Cardoso, Desilda Lopes Cardoso e Alba Lopes Cardoso. Seu pai era delegado de polícia e, como era muito comum à época, era considerado um médico da cidade, assim como também o era o famoso “Sr. Candinho”, ou Cândido Freire (mas essa é outra história). Ele reunia vastos conhecimentos na área da farmacopeia.
Desde criança, Otacílio se revelou uma criança muito diferente, pois adorava ler e aguardava com encantamento os dias de chuva, quando a mãe abria um imenso baú onde guardava muitos jornais, revistas e livros, destacando a famosa revista “Tico-Tico”, lida por quase todas as famílias brasileiras, pois circulava nacionalmente, graças aos trens, navios e lombos de jumentos. Sua mãe usava a tática de conservá-lo dentro de casa para não se sujar no inverno, cujas revistas se tornaram babás de papel. Não há como negar que essa rica revista foi o alicerce do que ele se tornaria.
Aos 13 anos de idade, lendo Nick Carter ou Búfalo Bill, foi presenteado com o livro “Vivos e Mortos”, de Agripino Griecco, obra essa que permitiu-lhe conhecer uma infinidade de autores, após adquirir todos os livros desse autor carioca. Enquanto o nosso atual presidente da república tem como livro de cabeceira uma obra (se assim podemos dizer) de autoria de um assassino e torturador, o pequeno Otacílio era apaixonado pelo livro “Esses dias tumultuosos”, do autor holandês Pierre Van Paesen, seu livro de cabeceira.
Otacílio iniciou a sua a juventude marcado por uma tragédia, pois aos 15 anos de idade perdeu a sua mãe, e aos 19 anos perdeu o pai. Mas eles deixaram para ele uma herança que vale mais que todos os tesouros do mundo: o despertar para a leitura. E foi justamente o seu amplo e precoce embasamento intelectual que o permitiu ser contratado pelo jornal “A Razão”, situado em Natal, para onde se mudou com as duas irmãs, pois o irmão militar trabalhava em Aracaju, Sergipe, onde fora designado pelo Exército durante a Segunda Guerra Mundial. O jornal “A Razão” consistiu num novo baú de conhecimentos, permitindo articular-se com pessoas de seu nível intelectual, somando novos conhecimentos e conhecendo figuras renomadas como Luís da Câmara Cascudo.
Logo Otacílio foi convidado para trabalhar no mais importante jornal potiguar “A República”, onde trabalhou certo tempo, depois foi residir com o irmão, em Sergipe, mas retornou logo e ingressou nas Docas do Porto, onde trabalhou até se aposentar. Foi casado com a professora primária Júnade Lins Caldas, açuense, sobrinha do poeta José Lins Caldas. Foram pais de duas filhas: Nadja e Nara.
Uma característica muito especial de Otacílio foi a leitura e a pesquisa que seguiu toda a sua vida. Foi um homem muito atento às coisas públicas. Tinha um olhar muito politizado e publicava charadas nos jornais natalenses, usando o pseudônimo de Gil Vaz. Colaborou assiduamente com o jornal “Milho Verde”, que circulou durante três décadas. Foi um exímio cronista. Como memória viva de natal forneceu amplas informações ao escritor Manoel Rodrigues de Melo, quando este escrevia a obra “Dicionário da Imprensa no RN”. Já idoso, gravou uma fita cantando modinhas para o pesquisador Cláudio Galvão.
Toda Natal conhecia Otacílio Cardoso. Era presença constante nos sebos, bancas de jornais e revistas. Falava com desenvoltura e nutria um cabedal intelectual que causava admiração, embora, apesar disso tudo, era extremamente tímido. Certamente isso o impediu de ser um fluente autor de obras literárias. Ele ainda arriscou selecionar suas memórias, fatos pitorescos, sob o título “Isto aquilo, aquilo outro”, mas não prosseguiu. Dizia que não sabia se chegaria a “cumprir a ameaça”. Que pena!
Otacílio Cardoso foi um dos vencedores de um concurso promovido pela Fundação José Augusto em 1980, com o seu conto “O velório”, publicado no livro “Cinco contistas potiguares”. Também publicou “Folha da semana”, jornal literário e noticioso, onde foi redator na década de 1940, em seguida “O gráfico”, orgão do Sindicato Gráfico Norte-Rio-Grandense, como secretário. Depois, “Zé Pereira”, tornando-se diretor no oitavo ano de circulação. Revista “Milho Verde”, que circulou no período de 1931 a 1956, e colaborador do livro “Erasmo Xavier”- O elogio do delírio”, RC, ed. Clima, Natal, 1989.
Uma característica, nem sempre
comum aos intelectuais, foi a sua generosidade intelectual. Otacílio ajudava quem
o procurassem para orientar pesquisas, documentar algum trabalho de interesse
da memória de Natal, tirar dúvidas, sugerir ou emprestar livros enfim. Sem
dúvida foi um dos maiores memorialistas que já tivemos. Otacílio se encantou o dia 26 de novembro de 1999, aos 80 anos de idade.





















