ANTES DE LER É BOM SABER...

Contato (Whatsapp) 84.99903.6081 - e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com. Ou pelo formulário no próprio blog. Este blog, criado em 2009, é um espaço intelectual, dedicado à reflexão e à divulgação de estudos sobre Nísia Floresta Brasileira Augusta, sem caráter jornalístico. Luís Carlos Freire é bisneto de Maria Clara de Magalhães Peixoto Fontoura (*1861 +1950 ), bisneta de Francisca Clara Freire do Revoredo (1760–1840), irmã da mãe de Nísia Floresta (1810-1885, Antônia Clara Freire do Revoredo - 1780-1855). Por meio desta linha de descendência, Luís Carlos Freire mantém um vínculo sanguíneo direto com a família de Nísia Floresta, reforçando seu compromisso pessoal e intelectual com a memória da escritora. (Fonte: "Os Troncos de Goianinha", de Ormuz Barbalho, diretor do IHGRN; disponível no Museu Nísia Floresta, RN.) Luís Carlos Freire é estudioso da obra de Nísia Floresta e membro de importantes instituições culturais e científicas, como a Comissão Norte-Riograndense de Folclore, a Sociedade Científica de Estudos da Arte e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Os textos também têm cunho etnográfico, etnológico e filológico, estudos lexicográficos e históricos, pesquisas sobre cultura popular, linguística regional e literatura, muitos deles publicados em congressos, anais acadêmicos e neste blog. O blog reúne estudos inéditos e pesquisas aprofundadas sobre Nísia Floresta, o município homônimo, lendas, tradições, crônicas, poesias, fotografias e documentos históricos, tornando-se uma referência confiável para o conhecimento cultural e histórico do Rio Grande do Norte. Proteção de direitos autorais: Os conteúdos são de propriedade exclusiva do autor. Não é permitida a reprodução integral ou parcial sem autorização prévia, exceto com citação da fonte. A violação de direitos autorais estará sujeita às penalidades previstas em lei. Observação: comentários só serão publicados se contiverem nome completo, e-mail e telefone.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Plagiam até a loucura...


Certa vez o ex-presidente Collor fez um daqueles seus discursos cheios de caras e bocas... com muitos olhares profundos (do tipo desse ex-Ministro da Cultura)... aquela coisa do tipo "vou impactar"... e deu certo! Na manhã seguinte um historiador (desses de verdade ) apresentou um discurso datado do ano de 1900, exatamente igual (não me lembro quem era o autor). Collor só havia atualizado o vocabulário. Foi vexatório demais. Creio que esses ocupantes de pastas federais deveriam estudar mais, ler e ter sua própria retórica. Mas essa de plagiar um dos mais perversos nazistas foi de uma demência sem tamanho. O bom disso tudo é que o Brasil comprovou que o cara era nazista disfarçado. Copiou até o olhar penetrante de Goebbels... louco de pedra... OBS. Esse texto foi publicado exatamente há 1 ano, quando o demente do então presidente da Scretaria Federal de Cultura.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Lembrança do encantamento de Ana Cascudo - 2015 -


LEMBRANÇA DO ENCANTAMENTO DE ANA CASCUDO - 2015... 

 NÃO MORREM ÀQUELES QUE VIVEM EM NOSSOS CORAÇÕES 

Ontem, 15.1.15, eu estava jantando quando a InterTV Cabugi anunciou a morte de Ana Maria Cascudo Barreto (filha de Câmara Cascudo), ocorrida à tarde. A surpresa foi tanta que não consegui conter a emoção. Alysgardênia tentou me consolar, dizendo que nesses últimos dias ela estava sofrendo muito, e então havia descansado.

 

Minhas lágrimas lastimavam a perda, o grau de prejuízo que consiste o desaparecimento de uma intelectual do quilate de Ana Cascudo. Era um sol que radiava beleza, cultura, conhecimento, intelectualidade, calor humano, alegria, humildade e delicadeza. Creio que se desprendeu do Rio Grande do Norte uma energia jamais muito especial, rara e difícil de se rever em outros. Até ontem, ela era a filha viva mais ilustre. Única.


Ana Cascudo foi um dos seres mais especiais que conheci. Tinha brilho próprio. Não viveu à sombra do pai. Mas como não poderia ser diferente, encantava a todos falando do seu convívio com o grande gênio. Conseguia trazer Câmara Cascudo para perto de todos quando o reverenciava com admiração e encantamento.

 

Sei que foi apenas coincidência, mas na última comemoração do dia do folclore que estivemos juntos, fiz uma fotografia que mexeu muito comigo ao vê-la estampada no computador. A fotografia fala por si. Redigi um pequeno texto sobre essa imagem – também muito carregado de coincidências – coloquei moldura e ofertei a ela – em nome da Comissão Norte-Riograndense de Folclore - em homenagem ao seu aniversário, ocorrido no dia 13 de outubro. Ela se emocionou. Essa fotografia eu a entreguei junto com Fídias e Gardênia, no dia do lançamento do livro de Gutemberg Costa, quando nos fotografamos juntos.


Ana Cascudo era membro da Academia Norte-riograndense de Letras, uma das fundadoras da Academia Feminina de Letras, primeira mulher a presidir um júri no estado, escritora, historiadora, folclorista, pesquisadora, procuradora da justiça, conferencista, e presidente de honra da Comissão Norte-rio-grandense de Folclore, da qual faço parte.


A impressão que tenho sobre ela não me é passada pelo seu currículo ou pelas condecorações, mas por sua essência humana. Era inteligente, acolhedora, extrovertida, falante, risonha... roubava as cenas naturalmente, fazendo abordagens e observações com propriedade e graça inatas. Os assuntos mais corriqueiros, tratados ao redor de uma mesa de café com bolo, biscoitos, guisados (como era comum no café da manhã das nossas reuniões da CNRF) tinham uma aura mestra em suas falas. Sempre de forma simpática e agradável. Era um dom. O que ela falava soava como deliciosa aula.


Ana Cascudo percorria o Brasil, ora em consequência de seu próprio legado, ora representando o legado do pai, Luís da Câmara Cascudo, inclusive no exterior, quase sempre recebendo condecorações e méritos, além de proferir palestras e conferências.  

 

Há dois meses, numa das nossas reuniões da CNRF, construíamos o gérmen de um projeto que acontecerá no meado de 2015. Eu digitava e todos os demais membros davam palpites sobre os parágrafos. Ela fazia observações muito doutas, na tentativa de dar cada vez mais substancialidade ao texto. Todos paravam e olhavam por alguns segundos, admirando... como se em nossa frente estivesse a própria sabedoria personificada.


Conheci Ana Cascudo em 1992. Depois, quando tomei posse na Comissão Norte-Riograndense de Folclore, nossa amizade se fortaleceu. Em Nísia Floresta realizei uma infinidade de eventos alusivos à intelectual Nísia Floresta (para quem não sabe, ela também era parente dessa intelectual). Em algumas ocasiões convidei-a, a qual se fazia presente com a filha Daliana. Lembro-me de um evento, no qual lhe foi entregue um Diploma de Honra ao Mérito (in memorian) a Luís da Câmara Cascudo, proposto por mim. Sugeri e foi acatado também, um projeto que condecorou-a com o título de cidadã nisiaflorestense, o qual ela recebeu pouco tempo depois.


Confesso que senti fortemente essa perda, pois Ana Cascudo era um patrimônio de valor incalculável. A orfandade do RN é grande. Ninguém quer que desapareça quem tem como lema edificar, construir, inovar.... Principalmente tão rápido. Como não poderia ser diferente, ela amava inconsequentemente o folclore. Uma de suas características era tratar como reis e rainhas os brincantes de alguma manifestação folclórica. Isso era formidável e inspirador, pois sabe-se que muitos os discriminam pela rusticidade e - por incrível que pareça - pela brasilidade.  

 

Era católica fervorosa e nutria forte respeito por todas as crenças. Falava da da Virgem Maria com emoção e brilho nos olhos. Dizia que o Inferno deveria ser muito triste e amedrontador, e que Deus, em sua infinita bondade, jamais permitiria que um de seus filhos o experimentassem. Quantos homens e mulheres, protagonistas de alguma manifestação folclórica, exibiram seus dotes em outros estados do país, patrocinados por ela, silenciosamente.

 

Sua última conferência, que tive o prazer de assistir, foi sobre os ‘Orixás e seus encantamentos’. Ela trouxe informações inéditas, fruto de velhas anotações obtidas in loco com a Mãe Menininha do Gantois. Um presente!


Sua morte trouxe-me à luz uma entrevista que o ‘Fantástico’ fez com Chico Anísio. Perguntado se ele tinha medo de morrer, respondeu “eu não tenho medo de morrer, tenho pena”. É como se essa ‘pena’ se devesse ao fato de se sepultar os personagens que ele criou ao longo da vida artística. É como se sepultassem uma multidão. Consequentemente um baú de sabedoria seria enterrado. Isso se parece muito com Ana Cascudo, a qual teve um legado próprio.


Em todos os nossos encontros ela trazia um novo assunto, seja do passado, do presente, algo espiritual, folclórico, sociológico, antropológico, jurídico etc. Ela levou coisas que jamais saberemos. Tenho certeza absoluta que as palavras de Chico Anísio também seriam ditas por ela, acaso lhe perguntassem.


A morte às vezes me é complexa. Esquisito admitir que um ser tão especial, farto em sabedoria, se transformará em cinzas... Por mais que ela tenha deixado um legado intelectual admirável, a sabedoria que o nutriu foi junto. Ninguém a herdou. Isso me entristece muito. Mas esses devaneios são coisas de momento. Sou obrigado a reconhecer o quanto somos insignificantes diante da morte.

 

Ana Cascudo era visionária e pensava grande. Ela quis deixar para o Brasil um patrimônio ainda não descoberto por todos: O Museu Casa de Câmara Cascudo, intacto, com o mobiliário, objetos, documentos, condecorações, fotografias etc.

 

Ela comprou da família a parte que lhe cabia em herança, adquiriu um terreno paralelo à essa casa e ali surgiu o Instituto Ludovicus. Tudo com dinheiro adquirido honestamente, aliás a honestidade lhe foi outra herança louvável do pai. A nobreza desse gesto, justamente por se pensar no contexto educacional, cultural e histórico e de memória, é digna de aplausos. O Brasil conhece raros exemplos desse tipo. Nem o Governo faz isso! A responsabilidade dos herdeiros de Ana Cascudo é infinita.


Fico pensando como será a nossa primeira reunião no Instituto Ludovicus, onde todos os membros da Comissão Norte-Riograndense de Folclore se encontram. Será difícil subir aquelas escadarias cheias de história, impregnadas pela sua presença. Mais difícil será a experiência de entrar no auditório e não ver mais o brilho excelso daquela mulher que antes de entrar já era pressentida. Teremos que nos reinventar para tocar o barco.

 

Como disse Françoise de Saint-Exupéry "Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo."


Ana, em suas diversificadas lutas, também me lembra Horácio, quando eles disse que “Não pode um homem ter melhor morte que lutando contra o desconhecido pelas cinzas de seus pais e pelos templos de seus deuses!”


Meus sentimentos aos seus familiares, aos amigos e aos membros da Comissão Norte-rio-grandense de Folclore. Descanse em paz, Ana, obrigado pela experiência singular da tua amizade!

LUIS CARLOS FREIRE

Membro da Comissão Norte-Riograndense de Folclore - 16 de janeiro de 2015.









































Colarinho é a cor dos passarinhos...

 


Quando Fídias hibernava em seu estado de infância, aos 9 anos, sua professora elaborou uma atividade em dupla. Ele fez par com Nicole, da mesma idade. A turma havia lido a obra “O vírus final”, de Pedro Bandeira, então a mestra colheu vinte palavras da história e as transcreveu na lousa. Cada dupla deveria transcrever o pequeno léxico numa folha e escrever os seus significados, de acordo com o que imaginavam ser aquela palavra. Na frente desses significados eles deveriam escrever os seus nomes para posterior discussão. Enquanto isso os dicionários doemiam no armário da sala.

 

Era um exercício despretensioso com a finalidade pedagógica de exercitar o pensamento. Eles escreveriam o que entendiam sobre cada palavra. Aí está justamente a graça e o encantamento que esse fato me proporcionou quando chegou às minhas mãos.

 

Há tempos eu procurava essa preciosidade guardada juntamente com um colosso de papéis velhos que conservo para futuros engenhos. Esse exercício escolar me marcou muito, consistindo num verdadeiro programa de humor. Até hoje brinco com Fídias, lembrando alguns “significados”.

 

Quando Fídias chegou em casa, mostrou-me a atividade. Ele mesmo achando graça da experiência de se exercitarem como dicionaristas mirins. Ria muito da interpretação da palavra “colarinho”, feita por Nicole. Já contei aqui mesmo que tenho o hábito de pescar palavras e frases ditas por crianças. Pois é, elas consistem na matéria prima que inspira muitos dos meus meus escritos. Esse foi um caso bastante inspirador.

 


A primeira palavra da lista foi ENCLAUSURADO, que Nicole decifrou como “claro” e “surrado”. Fídias interpretou como “fechado” e “preso”.

 

Outra palavra foi DEMAGOGIA. Nicole ‘tascou-lhe’ o significado de “Pedagogia”, Fídias não conseguiu decifrá-la. Deixou em branco.

 

A pequena e doce dicionarista Nicole atribuiu ao verbete PIGARRO a acepção de “catarro”, mas no entender de Fídias é “irritação na garganta minimizada por movimentos musculares”.

 

Depois veio MANOPLA, que no entender de Nicole significa “manobras”. Já Fídias cogitou a possibilidade de ser uma “mão gigante”.

 

A palavra COLARINHO consistiu numa verdadeira pérola nas mãos desses dicionaristas. Nicole arriscou que era “cor de passarinho”, enquanto Fídias julgou ser “gola de camisa de pano”.

 

Para PACHORRENTAMENTE, Nicole entendeu que seria “muito trabalho”, ao ponto que Fídias a sentenciou como “trabalhoso e vagaroso”.

 

Nicole disse que FACHINA são “pessoas que são da China”, enquanto Fídias também deixou em branco. Vale ressaltar que a palavra correta é FAXINA, mas obviamente que eles cometeram esse deslize ao transcreverem.

 

Outro tesouro do humor foi ADMOESTAR, que para Nicole é o mesmo que “administrar um estado”, enquanto Fídias escreveu “chamar a atenção para uma falta cometida” e “repreender”.

 

Nicole entendeu MAGNIFICÊNCIA como sendo “muito eficiente!, e no entender de Fídias é “pronome de tratamento dado ao reitor”.

 

Para o verbete ESTAMPILAS, Nicole deu-lhe a acepção de “espantar”. Fídias arriscou “selos de documentos”.

 

NISIDAMENTE foi entendido por Nicole como sendo “mente”, e Fídias deixou em branco. Vale ressaltar que esse foi mais um pecado de transcrição da lousa, pois a palavra correta é NITIDAMENTE.

 

No caso do verbete DATILÓGRAFO, Nicole deu o palpite que são “pessoas que escreve”, enquanto Fídias julgou se tratar de “pessoa que utilizam ou uza profissionalmente a máquina de escrever". É bom lembrar que estou respeitando o modo como eles escreveram, até porque a palavra correta é “usa”.

 

A palavra NEGACEAR foi interpretada por Nicole como “negócios”, e para Fídias é o mesmo que “armadilhas”.

 

Nicole julgou que GASNETE é o “gás da internet”, e no ver de Fídias, é “dar gargalhadas”.

 

FAMÉLICAS para a nossa amiguinha Nicole são “lenções”, enquanto para Fídias quer dizer “famintos”.

 

Na vez do vocábulo AUFERIR, a encantadora Nicole Houaiss decifrou-lhe como sendo “ferir”, e o pequeno Fídias achou que é “obter”, “conseguir”, “ferir”.

 

Pois bem, essa é a síntese de uma atividade escolar marcante, dentre tantas outras vividas por Fídias. Para muitos isso não tem valor e significado algum, mas para quem é apaixonado pelos neologismos infantis, e construiu o hábito de discutir essas insignificâncias com os filhos - que é o meu caso - nada paga a experiência. Tudo reluz como ouro. Mais do que me impressionar, a linguagem infantil me encanta como se inebriado por um feitiço. É uma linguagem que ensina a rever pelos desvãos da inocência.

 

Curiosamente Fídias cresceu vendo-me construir um DICIONÁRIO DE PALAVRAS REGIONAIS FALADAS NO RIO GRANDE DO NORTE. Esse estudo, em outra linha, é fruto de décadas de pesquisas “in loco”, está no meu blog, e pode ser consultado por todos.

Fídias é apaixonado pela escrita. Escreve diariamente em meio às traduções que faz. Cresceu embalado por contações de histórias, quando eu abria os livros e gastava a minha voz. Habituou-se tanto com Monteiro Lobato como Tom Sawyer, em especial. Ele não conseguia dormir sem os encantos de suas histórias. Fídias teve uma infância naturalmente agarrada aos livros, seu doce preferido.

 

Mas por onde anda Nicole? Nicole, hoje, mora na Noruega. Aprendeu na prática as palavras CASAMENTO. Está muito bem casada. Aprendeu a plenitude da palavra MÃE, e está longe daquela menina ingênua que pensava que colarinho fosse “a cor dos passarinhos”. Tem um lindo bebê de dois anos e um marido norueguês. Conheceu a maternidade aos 19 anos. Nicole, hoje, vive em meio a um glossário de palavras que está anos-luz da ingênua “colarinho”, cuja lembrança da tarefinha escolar a fariam dar muitas gargalhadas.

 

Naquele país, Nicole dorme e amanhece embalada pelo idioma norueguês. O norueguês é uma língua germânica falada por aproximadamente 5 milhões de pessoas principalmente na Noruega. É idioma proximamente relacionado com o sueco e o dinamarquês, e pertence ao grupo nórdico das línguas germânicas. Como Nicole estaria significando palavras tão diferentes?

 

Interessante… depois de tantos anos - já adulta - embora com apenas 21 anos, mesma idade de Fídias - a vida ofereceu a Nicole uma sala de aula gigante, no formato de um país, uma lousa imensa onde está listado um infinito de palavras novas e esquisitas… A vida é uma lição, e nessa lição ela também aprendeu a frase "MINHA FAMÍLIA".

 

E Fídias? Fídias está dicionariamente bem. Lexica o dia inteiro nos seus conformes traducionais. Guardado entre livros, ele anda a todo o verbete. A vida lhe ofereceu uma sala de aula no formato de sonho. A lousa está repleta de desafios. Cada dia são desvendadas novas acepções. Ele ainda não aprendeu na prática a palavra CASAMENTO, mas está bem decifrado de NAMORO.


sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Acta Noturna - Como se deu a mudança do nome do município de Papary para Nísia Floresta em 1948...

Professor Moacir de Lucena

Nísia Floresta originalmente já foi Papary, que depois foi Vila de Papary, que alçou o pomposo nome de Vila Imperial de Papary, seguido do nome de cidade de Papary e, finalmente, Nísia Floresta. A história é longa, e quem estranha o fato de alguns topônimos serem mudados, é bom saber que isso é mundial. Acontece com países, estados, cidades, vila, lugarejos, ilhas e logradouros públicos etc. Via de regra há insatisfação popular contra a mudança do nome original de um município, mas no caso de Nísia Floresta, devido ao constrangimento causado pelo nome original, a população acatou a mudança. Sou contra a mudança dos topônimos originais de municípios e logradouros públicos. E no caso do município de Nísia Floresta, ela não é maior porque seu nome foi dado à cidade, nem o município se tornou mais importante porque recebeu o seu nome. São importâncias e valores diferentes. E a personagem Nísia Floresta, mesmo sem ter o nome da cidade em que nasceu, sempre será gigante.

Prédio onde o professor Moacir de Lucena deu aulas quando chegou em Nísia Floresta em 1946. Funcionava como escola e prefeitura.

Quando cheguei ao município de Nísia Floresta, conheci o respeitável professor Jorge Januário de Carvalho, gente dos primórdios de Papary. Família antiga. Ele contou-me um fato muito curioso que preciso contá-lo já neste preâmbulo para que o leitor entenda melhor um dado que trataremos mais adiante, e que se casa com a história contada pelo referido professor, que, inclusive, é parente de uma figura que terá um papel importante na mudança do nome da cidade. A história contada por ele – em 1994 – seria de todo uma lenda, se não derivasse de um caso real.

Segundo Jorge Januário, no tempo em que a localidade se chamava “Papary”, uma moça de família muito tradicional foi estudar em Recife, como era costume das famílias mais abastadas. Eis que, certa vez, o estafeta (carteiro) chega a Papary com um telegrama para o seu pai, que era um senhor de engenho local (para essa geração mais nova é necessário explicar que telegrama é uma carta tipo o sedex atual que chega rápido e é muito cara, cujo preço é cobrado por letra, portanto quem envia um telegrama, resume o conteúdo no máximo). Desse modo a filha escreveu: “Papai, dia 15 deste, manhã, espere barriguda Papary”. Em outras palavras, ela pedia que o pai a esperasse no dia 15 daquele mês, pela manhã, ao lado do baobá que existe no centro de Papary. Naquela época, o povo  chamava essa árvore de “Barriguda”.

Arnaldo Barbalho Simonetti, autor do projeto que mudou o nome da cidade de Papary para Nísia Floresta em 1948.

Eis que o pai interpretou literalmente as acanhadas palavras, e como ‘todo penso é torto’, pensou que no dia 15 daquele mês a filha chegaria grávida para parir, ou seja, em vias de dar à luz a uma criança, fato que quase o matou do coração, pois causaria um escândalo na localidade, afinal as moças daquele tempo não tinham a autonomia de ficar grávida com produção independente. Mãe solteira se assemelhava ao cometimento de um crime. O senhor de engenho virou um leão e fez as telhas voarem. Houve a maior confusão, e tudo só foi esclarecido com a chegada da filha, virgenzinha da Silva. 

Ufa!

Em 1993, estive no bairro Mãe Luiza para conversar com Dadá Cordeiro (de 105 anos de idade) e sua filha Marcina, de 85 anos. Ambas nisiaflorestenses do Monte Hermínio. No caudal da conversa, ela disse “eu vendia lenha na ‘Barriguda’ de Papary”. Dona Estelita Oliveira, Vicente Marinho e Nathália Nascimento, todos octogenários de Nísia Floresta – também chamavam o baobá de “Barriguda”. Conversamos mais de duas horas e ela disse “eu odiava quando os povo perguntava se eu tinha parido, pois era de Papari”... 

Mas vamos continuar a história…

Dionísia Gonçalves Pinto (Nísia Floresta Brasileira Augusta).

Os indígenas chamavam o nosso país de Pindorama. Essas terras passaram longos anos sem nome, depois vieram várias denominações dadas pelos portugueses, como por exemplo, Monte Pascoal, Ilha de Vera Cruz e Cabrália, em 1500; Nova Lusitânia, Terra Nova, Terra dos Papagaios, em 1501; Terra de Vera Cruz e Terra de Santa Cruz, em 1503; Terra Santa Cruz do Brasil e Terra do Brasil, em 1505; Brasil, desde 1527; Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1815; Império do Brasil, em 1822; Brazil, desde 1871; Império do Brazil, em 1871; Estados Unidos do Brazil, em 1889; Brasil , desde 1937; Estados Unidos do Brasil, em 1937; República dos Estados Unidos do Brasil, em 1946; República Federativa do Brasil, em 1967, seu nome oficial que segue até hoje.

O Irã já foi a Persia; a Bolívia se chamava Alto Peru. A Argentina tinha o curioso nome de Províncias Unidas do Rio da Prata. A Colômbia se chamava Nova Granada, o Vaticano já foi Estados Papais; a Romênia era chamada de Bessarábia; a Líbia já foi a Tripolitânia. As cidades potiguares de Monte Alegre já foi “Bagaceira” e Alexandria, “Barriguda”, enfim há muitas mudanças ao longo dos séculos. Parnamirim originalmente é “Paraña-Mirim” ou “Paraña-Miri”. Mudaram para “Eduardo Gomes”, deu uma confusão, o povo se revoltou e os deputados tiveram que desfazer o projeto.  Paraña-Mirim” está no famoso mapa de Marcgrave, datado de 1648, e em outros documentos posteriores, assim como “Papary”, município vizinho. 

Pois bem, os povos nativos, desde muito antes de Pedro Álvares Cabral aportar aqui, chamavam o atual município de Nísia Floresta de “Papary”. Como sabemos, em 1607 já existiam homens brancos nestas plagas. O lugarejo era um imenso vale florestal, geograficamente pertencente a São José de Mipibu, um dos mais prósperos e evoluídos municípios potiguares, cujas terras se perdiam de vista.

O tempo passou e Papary alçou a condição de Vila Imperial de Papary, através da lei 242, de 18 de fevereiro de 1852, sendo instalada em 7 de janeiro de 1853 (José Joaquim da Cunha). Sabe-se que a palavra “Imperial” era uma referência ao Império, uma vez que o “Brazil” era regido pelo imperador D. Pedro II. 

As línguas velhas contam que o coronel José de Araújo, que foi presidente da Intendência de Papary durante sucessivos mandatos, adorava pronunciar o nome da cidade. Estando em Natal, quando lhe questionavam a sua origem, ele tinha o prazer de escandir as sílabas, dizendo “Sou da Vila... Im... pe... rial...de...Pa...pa...ry!”. Tinha orgulho de demorar nas vogais. Era um homem garboso, muito elegante e só andava enfatiotado. 

Tempos depois, através do Decreto nº 12, de 1º de fevereiro de 1890, novamente mudaram o nome  para Vila de Papary. Para a infelicidade de muitos, excluíram a nomenclatura "Imperial", em decorrência da Proclamação da República, ocorrida em 1889. Nessa mesma data as “províncias” passaram a ser chamadas de “estado”. 

Passaram-se 49 anos e o decreto nº 457, de 29 de março de 1938, assinado pelo interventor Rafael Fernandes Gurjão novamente muda o nome da localidade, retirando a denominação "Vila de", passando a chamá-lo Papary. Como percebemos, o local retomou o seu primeiro nome: Papary, ou seja, o topônimo original. 

Mas não parou aí. Eis que o Decreto-lei 146, de 23 de dezembro de 1948, de autoria do deputado estadual Arnaldo Barbalho Simonetti muda novamente o nome do município, o qual passa a se chamar  Nísia Floresta, numa homenagem à intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta. (1810-1885). Nesse tempo Américo de Oliveira era o prefeito do município. 

Como podemos constatar, o município passou por quatro mudanças de nomes. É exatamente a esse detalhe tão conhecido da história que acrescentarei mais um detalhe desconhecido dos nisiaflorestenses. E tal detalhe é a ponta do novelo daquela história curiosa narrada acima, pelo professor Jorge Januário acerca da moça que “chegaria na ‘Barriguda’ pra parir” e da vendedora de lenha, senhora Dadá Cordeiro, cujo povo perguntava se ela “já havia parido porque era de Papary”.

Nenhum local muda de nome aleatoriamente, gratuitamente. Sempre há uma motivação. Boa ou má, sempre há uma razão. Eis que a motivação da mudança de Vila de Papari para Nísia Floresta está justamente no constrangimento que o nome causava ao povo naquele tempo. Hoje talvez o povo local não interpretaria assim, mas àquela ocasião a denominação “Papary” causava muita piada principalmente dirigida às moças, e isso incomodava os nativos. 

Um detalhe bastante curioso desse episódio histórico, é que essa mudança de nome – diferente da maioria dos casos – se deu de dentro para fora, e não de fora para dentro, como é mais comum. Normalmente os topônimos mudam por conveniências políticas, camaradagens, mas nesse caso foi singular. O povo não convivia bem com o nome. 

Essas pilhérias se arrastaram durante anos, causando, inclusive muita confusão entre o povo de Papary e os nativos das cidades vizinhas. Todo mundo queria tirar uma casquinha:  “Você está indo pra parir”? “sua irmã já pariu”? “Quando é que você vai prá parir”? “Você vai prá parir ou prá embuchar”? “homem também pari em Papari”? (É bom esclarecer às gerações mais novas que “parir” era a única expressão usada antigamente para se referir ao parto: “fulana pariu”). Enfim, os trocadilhos eram inúmeros, a insatisfação do povo era grande e ao longo de décadas se pedia uma mudança do nome, mas, por incrível que pareça, o nome “Nísia Floresta” nem era cogitado. Queriam mudar o nome. Era essa a preocupação, mas não divagavam possíveis nomes, apesar de a cidade ter sido berço do nascimento de uma figura que alçou voo internacional em pelo século XIX.

Eis que no  dia 18 de dezembro de 1946, chega a Papary o professor Moacir de Lucena. Era de Martins. Veio nomeado oficialmente como professor pelo interventor Ubaldo Bezerra de Melo. No dia 3 de março de 1947 o novo interventor general Orestes da Rocha Lima, o nomeia como diretor do “Grupo Escholar Nísia Floresta”, localizado no centro do município (onde é atualmente a antiga prefeitura). Nessa época essa escola já contava com as duas professoras Iracema e Aurora, figuras muito conhecidas e respeitadas em toda a Papary.

Moacir de Lucena observou que o prédio funcionava em condições críticas. Primeiramente porque o prédio era dividido ao meio. As turmas se aglomeravam na metade do prédio, a outra metade funcionava como prefeitura. As salas eram em número pequeno, quentes e apertadas, as instalações sanitárias eram precárias. Muitos alunos ficavam sem estudar, pois não cabia na escola. Moacir, como pessoa esclarecida, ficou chocado com isso.

Quem é de Nísia Floresta sabe que a primeira escola da cidade, embora remodelada atualmente, ainda está de pé. É o prédio onde atualmente funciona o Centro Pastoral. Mas na ocasião da chegada do professor Moacir Lucena tal prédio pertencia a terceiros. Somente depois foi doado à Paróquia de Nossa Senhora do Ó, que emprestou suas dependências para a prefeitura que a tornou escola infantil.

O prédio à direita funcionou como 'Grupo Escholar' Nísia Floresta durante muitos anos.

Vedo aquela situação caótica, ele abraçou uma grande campanha em prol da construção do prédio onde até hoje funciona a Escola Estadual Nísia Floresta. Era um homem muito culto, influente e dedicado às coisas da educação, o que ajudou a arregimentar vários mecenas. Ali ele deu aulas durante alguns anos, e nessa relação com o município, constatou a revolta do povo com o nome de “Papary”.

Certa vez, ajudado pelo senhor Fernando Isaías, proprietário rural no Sítio Floresta, e pelo senhor Lourival Carvalho, que era agente do IBGE – parente de Jorge Januário de Carvalho – eles abraçaram uma campanha que percorreu todo o município, cujo objetivo era conversar com a população sobre a mudança do nome do município. Moacir de Lucena tinha essa linha meio visionária para aquela época – que é conversar de casa em casa, como formiguinha, conscientizando as pessoas – então observou que a escola que ele dirigia levava o nome de uma renomada intelectual nascida naquele município, portanto, nada melhor do que rebatizá-lo com o nome de Nísia Floresta. O povo ficou encantado.

No decorrer das visitas às residências, diversas pessoas respeitáveis se juntaram-se a eles, como as professoras Zulmira de Andrade, do Porto, Elita Elina, de Morrinhos, Germana Altina, de Tororomba, além da família Paiva, proprietários do Engenho Descanso e outras famílias tradicionais dali. O movimento ganhou força, e por onde passava recebia a concordância de todos.

Eles redigiram um documento bem fundamentado e o apresentaram ao deputado estadual Arnaldo Barbalho Simonetti, de Goianinha. O referido deputado, que era um homem muito culto e bem conhecia a história de sua conterrânea, não pensou duas vezes e abraçou a reivindicação popular. Desse modo elaborou o projeto e o apresentou à Assembleia Legislativa que o aprovou por unanimidade.

Para quem nunca ouviu falar sobre Moacir Lucena, no transcurso de sua existência, ele foi professor tipógrafo, juiz, advogado, músico, jornaleiro, poeta, normalista, chefe escoteiro, esportista, animador cultural, educador itinerante. Nasceu em Martins, no dia 5 de junho de 1912. Viveu cem anos. Era casado com Natália Queiroz dos Santos desde dezembro de 1940, e pai de 10 filhos. Inclusive é pai do professor Liacir dos Santos Lucena, Ph.D em Física pela Universidade de Boston, Estados Unidos, professor emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Sua vida foi debruçada sobre a educação e, como não poderia ser diferente, foi muito perseguido por políticos. Isso é perceptível quando analisamos que ele – de uma localidade tão distante – esteve duas vezes transferido para Nísia Floresta. A primeira vez já tratamos acima. A segunda vez em 1951. Os políticos do Oeste o queriam longe dali, tendo em vista que ele era uma figura pública de excelsa grandeza. Ele incomodava as mentalidades conservadoras e atrasadas. Era um visionário da educação. Era impossível apagar o seu sol, então o mandavam ensolarar os locais distantes. E Nísia Floresta ganhou muito com sua luz.

Uma benção!

Sua trajetória de educador começou em Pendências, no dia 7 de março de 1934, quando foi nomeado como professor aos 22 anos de idade. Ao longo das décadas lecionou em Macau, Augusto Severo, Portalegre, Caraúbas, Florânia , Apodi,  Alexandria, Mossoró, Papary (1946).

Apesar de sua atuação marcante em Nísia Floresta, em 1949 ele foi transferido para Taipu. Houve comoção na cidade, pois ele se tornou muito conhecido devido ao projeto da mudança do nome da cidade. Depois foi transferido para Natal. Na capital, lecionou no Grupo Escolar João Tibúrcio, bairro do Alecrim, e depois passou a dirigir a Escola Rural Modelo Dr. Manoel Dantas, na Avenida Alberto Maranhão, bairro do Tirol. 

Em 1951 ele foi transferido novamente para Nísia Floresta (para a alegria do povo dali), mas não se demorou; pouco tempo depois o transferiram para Jucurutu, onde apresentou um projeto ao prefeito objetivando a implantação de uma escola normal ou um ginásio escolar. Naquela época transferir funcionários públicos era uma forma de punir e dificultar sua vida.

Moacir trabalhou em vários municípios. Em 1952 ele foi aprovado no curso de Direito de Maceió. Em 1956 colou grau ao lado de norteriograndenses como Ticiano Duarte, João Batista Cascudo Rodrigues e Jessé Pinto Freire. Entre 1957 e 1958 passou a exercer a profissão em Mossoró sem prejuízos para a sua atuação como professor na Escola Normal. Nesse município ele se torna uma figura de destaque. Sua casa era uma referência cultural.

Alguns anos depois, Moacir de Lucena faz concurso para juiz de Direito e é aprovado. Atuou como juiz nas comarcas de Macaíba, São José de Mipibu, Parnamirim, Monte Alegre, Augusto Severo, Mossoró e São Rafael. Após aposentar-se tratou de escrever livros. Publicou cinco livros. Ele criou grupos de escoteiros em suas passagens por Apodi e Alexandria.  Como era poeta, sempre levou a música para as salas de aula, se tornando uma figura inconfundível e marcante. Lecionava canto orfeônico, criava corais, escrevia hinos para escolas e músicas para as datas comemorativas. Foi um grande incentivador de novas bandas de música e promovia shows musicais com os estudantes. 

Sabemos que o nome de Nísia Floresta nem sempre foi bem visto no Rio Grande do Norte devido a uma carta detratora escrita por Isabel Gondim. Desse modo parece difícil de entender como o povo retirou um nome que causava constrangimento e colocou outro. Mas não é vem assim. Tudo depende do tato, da maneira como se conduz um projeto. E nisso Moacir de Lucena foi um mestre. Lembremos que o nome de Nísia Floresta já era dado a mais importante escola de Papary, portanto é relativa essa história de desprezo ao nome da personagem Nísia Floresta. Mas seja como for, se havia uma parte dos moradores que porventura não gostaram, a maestria de Moacir de Lucena na condução daquele abaixo-assinado, foi peça fundamental para que a cidade tivesse o nome mudado para Nísia Floresta.

Moacir de Lucena merece ser nome de escola ou de rua em Nísia Floresta. 

Esse foi Moacir de Lucena, e essa a sua relação com o município de Nísia Floresta. Como sempre falo “tudo tem os seus bastidores”. As coisas não surgem prontas. Esse é o caso da história que culminou com a mudança do nome de Papary para Nísia Floresta. L.C.F. 2007

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Acta Noturna - Curiosidades sobre Nísia Floresta Brasileira Augusta - 10.10.2000


Dia desses, revisitando minhas velharias, dei-me com um detalhe que passava despercebido na primeira página de um livro de Auguste Comte, embora eu manuseasse aquela obra há muito. Só notei quando ampliei a imagem, pois a minha visão já não é mais a mesma.

Constatei nesse velho livro de autoria do filósofo francês a dedicatória que ele fez à nossa conterrânea Nísia Floresta Brasileira Augusta. Ele escreveu “À madame brasileira, affectueux hommage de l’auteur Auguste Comte’. Paris, le 15 descartey 68’.

Mais abaixo, sem data, há uma dedicatória em língua francesa, feita por Nísia Floresta para o seu irmão Joaquim Pinto Brasil. Em seguida vem outra dedicatória, datada de 18 de agosto de 1896, quando um tal Rufino A. de Almeida, dedica a mesma obra a um amigo: Miguel Gomes Teixeira Mendes.

O livro passou por quatro mãos até aquele momento. É assim... os livros vão transcendendo o tempo, encantando e reencantando quem tem o poder de entendê-lo e olhá-lo por outros ângulos. Foi o caso... L.C.F. 10.10.2000.