ANTES DE LER É BOM SABER...

Contato (Whatsapp) 84.99903.6081 - e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com. Ou pelo formulário no próprio blog. Este blog, criado em 2009, é um espaço intelectual, dedicado à reflexão e à divulgação de estudos sobre Nísia Floresta Brasileira Augusta, sem caráter jornalístico. Luís Carlos Freire é bisneto de Maria Clara de Magalhães Peixoto Fontoura (*1861 +1950 ), bisneta de Francisca Clara Freire do Revoredo (1760–1840), irmã da mãe de Nísia Floresta (1810-1885, Antônia Clara Freire do Revoredo - 1780-1855). Por meio desta linha de descendência, Luís Carlos Freire mantém um vínculo sanguíneo direto com a família de Nísia Floresta, reforçando seu compromisso pessoal e intelectual com a memória da escritora. (Fonte: "Os Troncos de Goianinha", de Ormuz Barbalho, diretor do IHGRN; disponível no Museu Nísia Floresta, RN.) Luís Carlos Freire é estudioso da obra de Nísia Floresta e membro de importantes instituições culturais e científicas, como a Comissão Norte-Riograndense de Folclore, a Sociedade Científica de Estudos da Arte e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Os textos também têm cunho etnográfico, etnológico e filológico, estudos lexicográficos e históricos, pesquisas sobre cultura popular, linguística regional e literatura, muitos deles publicados em congressos, anais acadêmicos e neste blog. O blog reúne estudos inéditos e pesquisas aprofundadas sobre Nísia Floresta, o município homônimo, lendas, tradições, crônicas, poesias, fotografias e documentos históricos, tornando-se uma referência confiável para o conhecimento cultural e histórico do Rio Grande do Norte. Proteção de direitos autorais: Os conteúdos são de propriedade exclusiva do autor. Não é permitida a reprodução integral ou parcial sem autorização prévia, exceto com citação da fonte. A violação de direitos autorais estará sujeita às penalidades previstas em lei. Observação: comentários só serão publicados se contiverem nome completo, e-mail e telefone.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

PRAÇA CÍVICA EM CLIMA DE FESTA JUNINA, DIAS 12 E 14 DE JULHO/2024...

Sábado, dia 12 de julho, estive na Praça Cívica no tradicional passeio de Clarinha e o espaço dava gosto de ver. Era o São João fora de época do SESC. Mais tarde vamos prestigiar. Havia barracas com comidas típicas e comidas rápidas, além de barracas de artesanato, alimentos, Pets, serviços públicos, enfim, muito interessante, inclusive comprei umas iguarias dessas tradicionais.

A festa promete. Assisti, rapidamente, uma aula de culinária "Como fazer churros". Não fiquei até o final. Se fosse "como fazer sonho" teria ficado. A chef, muito delicada, interagia com o público,  um rapaz, autista, roubou a cena. Cada palavra que a chef dizia, ele dava uma aula "açúcar engorda, tem o máximo de calorias, alimenta as células cancerígenas, é bom evitar" (o vídeos está na última imagem aqui postada)... Clarinha fez um novo amigo... enfim, assim está a praça.















































domingo, 14 de julho de 2024

PANTANAL SUL-MATOGROSSENSE, A PREVENÇÃO DA QUEIMADA PERPASSA PELA POLÍTICA PARTIDÁRIA E PELA EDUCAÇÃO DO POVO SUL-MATO-GROSSENSE E MATO-GROSSENSE... (escrito em 2020)

 


PANTANAL SUL-MATOGROSSENSE, A PREVENÇÃO DA QUEIMADA PERPASSA PELA POLÍTICA PARTIDÁRIA E PELA EDUCAÇÃO DO POVO SUL-MATO-GROSSENSE E MATO-GROSSENSE...

       O Pantanal não pode ser visto meramente como “lugar exótico, repleto de animais silvestres, muita mata e água”. O Pantanal é um dos pilares do fenômeno das chuvas e umidade, principalmente no Brasil e alguns países vizinhos. 

O Pantanal é responsável pelo florestamento de muitas partes do Planeta, cujas aves e morcegos levam suas sementes. A degradação do Pantanal não pode ser interpretada como algo que bastaria uma chuvinha e tudo se resolveria. Não! O fogo recente causará impactos terríveis no futuro, pois a morte de pássaros, quadrúpedes, peixes, insetos etc promoverá consequências que imprevisíveis.

    Cada vez que o Pantanal queima, diminui sua área alagada e consequentemente a vegetação típica dali. Isso diminuirá o número de animais, pois o habitat vai se reduzindo e diminuindo a oferta de alimento para os animais e para as próprias plantas. Onde não tem água, não tem vida.

Como  pessoas comuns, somos aparentemente impotentes, mas quando escrevemos, denunciamos, mostramos o que está por trás, as imagens chocam ainda mais, e desperta interesse em outros cidadãos, os quais despertarão para alguma ação. 

    O Pantanal é um complexo. Seu bioma é formado predominantemente por uma savana estépica, ou seja, uma vegetação com poucas árvores, mas muitos arbustos, pradarias, bosques, gramínias, alagado em sua maior parte, com 250 mil quilômetros quadrados de extensão. Está situado no sul de Mato Grosso e noroeste de Mato Grosso do Sul, sendo que sua maior parte está no Mato Grosso do Sul. Uma parte fica ao norte do Paraguai, e do leste da Bolívia, chamado por lá de “Chaco” (Tchaco). É a maior planície alagada contínua do mundo, com 140.000 km² em território brasileiro.

    Sabemos que a cada ano ocorrem queimadas no Pantanal. Por que não existe prevenção? Quem são os responsáveis pela prevenção?

        A VERDADE POR TRÁS DAS QUEIMADAS NO PANTANAL

    Mais de vinte por cento do Pantanal virou cinza e hoje se recupera sofridamente. O clima seco e o chão repleto de material orgânico seco transformou o Pantanal numa fogueira sem precedentes. Houve um caos, e para piorar as redes sociais ajudaram a atear fogo com notícias fantasiosas de que funcionários do IDEMA e ICM Bio foram os responsáveis por esse fogo, o que não é verdade. Já comentei sobre isso em textos anteriores. Infelizmente pessoas mal intencionadas mostram imagens isoladas e dão a entender que suas acusações procedem.

    Há pessoas, de fato incendiando o Pantanal e outras áreas de mata do Brasil, mas são vândalos, por prazer doentio de ver fogo. Mas todos precisam saber que boa parte desse fogo é colocado por fazendeiros que fazem uso da técnica milenar de “queima de pasto para limpar as terras”. 

    Esses fazendeiros não têm reservas de mata em suas terras, pois tudo foi desflorestado para plantio de pasto para criação de gado. Então eles colocam fogo para a queima de pasto velho e ervas daninhas sem se importar com o bioma pantaneiro ao lado, repleto de matas. Ele não se importa se o fogo de seu pasto chegar à vegetação do Pantanal.

    Na realidade, há uma intenção nesse descaso. Quanto mais ele queima o Pantanal, menos sua mata se regenerá, e mais possibilidade de pasto o fazendeiro terá para aumentar o seu gado.

    Qual a solução? Primeiramente todo o povo sul-mato-grossense e matogrossense deve colocar no papel os nomes de todos os deputados estaduais, federais e senadores de seus estados. Depois, pesquisará na internet os projetos de cada um. Nos dias de hoje é inconcebível que um político não tenha sequer um projeto que trate sobre meio ambiente. Ele não precisa ser “o deputado do meio-ambiente” para fazer isso. Qualquer político pode e deve.

    No caso do Pantanal, é necessário que os políticos do MS e do MT elaborem políticas de prevenção de fogo. Não faltam engenheiros florestais, biólogos, zoólogos, enfim uma gama de profissionais das áreas pertinentes para subsidiá-los na construção de alternativas para impedir que essa queima anual ocorra.

Já comentei aqui sobre desapropriação e compra das fazendas que emolduram o Pantanal. Eis um Projeto para os deputados e senadores dos estados de MS e MT abraçarem. Mas aqui me prendo a busca de caminhos, dentro de uma cientificidade, que impeça essas queimadas anuais. Do contrário, veremos as piores tragédias climáticas acontecerem no futuro, gerando mortes e todos os tipos de doenças para os homens e bichos.

Pois bem, analisem quem são os deputados de seu estado. Coloque para correr principalmente aqueles que têm sucessivos mandatos e nunca fizeram nada pelo meio-ambiente de seu estado. Tenha certeza que eles jamais farão, pois estão de mãos dadas com os latifundiários. 

A intenção verdadeira é destruir o Pantanal e formar latifúndios de gado ou sem-fins de plantios de soja. Eles não estão nem aí com o Pantanal, e são tão ignorantes e inconsequentes que são capazes de dizer que um texto como esse é mimimi. Mas mostre para eles o mimimi nas urnas. Não reeleja políticos descomprometidos com o meio ambiente, inclusive o governador.

E um lembrete importante: a eleição de um deputado e governador começa nas cidades do interior, pelas mãos de vereadores e prefeitos, os quais são lideranças. Portanto, comece a observar quem os vereadores e prefeitos apoiam. Faça isso agora. Hoje. Do contrário será tarde. Não reeleja vereadores e prefeitos sem compromisso concreto com o meio-ambiente. 

Você estudante, jovem, forme associações, fundações, ONG’s em suas cidades. Dê a elas um direcionamento voltado ao meio-ambiente. Reproduza sementes, doe mudas, crie hortos florestais, refloreste as matas ciliares, plante árvores em sua cidade. Arborize cemitérios, praças, ruas, enfim plante árvores e verá vida, água, umidade, enfim verá saúde.

Existem muitos órgãos até mesmo internacionais que apoiam essas causas. É inconcebível que em pleno século XXI, com tanta destruição da natureza, tantas tragédias ambientais -  como essa do Pantanal - não surjam cidadãos civis, pessoas comuns com esses propósitos. 

A vida só tem sentido se sermos úteis, e o Brasil clama por cidadãos úteis ao meio ambiente. Pensem nisso! 

    ESSES SÃO OS 3 SENADORES, 8 DEPUTADOS ESTADUAIS E 24 DEPUTADOS FEDERAIS DO ESTADO DO MATO GROSSO DOS SUL - O QUE ELES ESTÃO FAZENDO NESSE EXATO MOMENTO PARA COMBATER A QUEIMADA DO PANTANAL? O QUE ELES FIZERAM ANTES COMO PREVENÇÃO?

Além do governador Azambuja, cuja vida política, segundo o Justiça Brasil e jornais nacionais sérios, é recheada de acusações de corrupção, o estado de Mato Grosso do Sul possui três senadores: Nelsinho Trad (PSD), Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (PSL). Na realidade, o presente texto é uma breve reflexão, pois ainda não concluí a leitura dos projetos dos mesmos. É necessário muito tempo e ter em mãos um VADE MECUM.

Confesso que olhei pouquíssimo, mas alguns detalhes me chamaram a atenção. Sobre Nelsinho Trad (PRIMO LEGÍTIMO DO EX-MINISTRO MANDETTA, ESTE COM VIDA RECHEADA DE ACUSAÇÕES DE CORRUPÇÃO. 

No final deste texto você verá Mandetta citado como deputado estadual eleito pelo Mato Grosso do Sul). Encontrei a seguinte de TRAD: Matéria: RQS 1454/2020 Ementa: Realização de sessão de debates temáticos, em data oportuna, a fim de debater sobre os desafios econômicos, sociais e ambientais do Brasil para o período pós-pandemia.Autor: Senador Rogério Carvalho (PT/SE), Senador Jaques Wagner (PT/BA), Senador Jean Paul Prates (PT/RN), Senador Humberto Costa (PT/PE), Senador Paulo Paim (PT/RS), Senador Lucas Barreto (PSD/AP), Senador Nelsinho Trad (PSD/MS), Senador Omar Aziz (PSD/AM), Senador Marcelo Castro (MDB/PI), Senador Angelo Coronel (PSD/BA), Senador Major Olimpio (PSL/SP), Líder do Bloco Parlamentar da Resistência Democrática Paulo Rocha (PT/PA), Líder do PDT Weverton (PDT/MA), Líder do Bloco Parlamentar Vanguarda Wellington Fagundes (PL/MT), Líder do REPUBLICANOS Mecias de Jesus (REPUBLICANOS/RR), Líder do PSD Otto Alencar (PSD/BA), Líder do Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil Esperidião Amin (PP/SC), Líder do PSB Veneziano Vital do Rêgo (PSB/PB), Líder do CIDADANIA Eliziane Gama (CIDADANIA/MA).

Encontrei essa curiosa ementa também de Trad: Data:15/07/2020. Matéria: RQS 1381/2020. Ementa: Criação de Comissão Temporária Externa, composta de quatro membros titulares e igual quantidade de suplentes, para, no prazo de trinta dias, constituir uma comissão de parlamentares a fim de verificar, em Angola, a grave situação dos pastores e bispos da Igreja Universal do Reino de Deus que sofrem perseguição religiosa.

Achei curiosa essa ementa porque pelo que se sabe, a imprensa noticiou esse fato sobre a Igreja Universal, mas não se tratava de “perseguição religiosa”. Na realidade, os angolanos estavam insatisfeitos com o uso do dízimo feito pelos pastores brasileiros, os quais não eram transparentes com os valores. O que é estranho nessa ementa é a mistura de política com religião e a forte relação desse governo com Edir Macedo. Na realidade, isso é uma camaradagem.

Outra ementa que chamou a minha atenção é a seguinte, a qual se percebe o apoio dado aos latifúndios de soja. OBSERVE QUE NELA NÃO HÁ SENADORES DE ESQUERDA. Vejam: Autor: Senador Nelsinho Trad (PSD/MS), Senador Major Olimpio (PSL/SP). Data: 13/07/2020. Matéria: RQS 34/2020. Ementa: Realização de sessão especial, em 12/03/2020, a fim de celebrar os 30 anos de fundação da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS PRODUTORES DE SOJA - APROSOJA BRASIL. Autor: Senador Luis Carlos Heinze (PP/RS), Senador Angelo Coronel (PSD/BA), Senador Dário Berger (MDB/SC), Senador Esperidião Amin (PP/SC), Senador Jayme Campos (DEM/MT), Senador Marcelo Castro (MDB/PI), Senador Nelsinho Trad (PSD/MS), Senador Oriovisto Guimarães (PODEMOS/PR), Senadora Simone Tebet (MDB/MS), Senadora Soraya Thronicke (PSL/MS). Não teria sido pertinente, nessa mesma ementa eles homenagearem os sul-mato-grossenses que trabalham com AGROECOLOGIA no Mato Grosso do Sul?

Observei a seguir a aparente preocupação com o TURISMO ECOLÓGICO, mas onde está a PREOCUPAÇÃO COM A PREVENÇÃO DE QUEIMADAS? Vejam: Data: 05/02/2020. Matéria: RQS 1139/2019. Ementa: Realização de sessão especial, em 05/03/2020, destinada a comemorar o Dia do Turismo Ecológico. Autor: Senador Nelsinho Trad (PSD/MS), Senador Eduardo Girão (PODEMOS/CE), Senadora Maria do Carmo Alves (DEM/SE), Senador Roberto Rocha (PSDB/MA), Senador Rodrigo Pacheco (DEM/MG), Senador Styvenson Valentim (PODEMOS/RN), Senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB/PB)

A seguinte ementa é parecida com a RQS 34/2020. Data: 17/12/2019. Matéria: RQS 960/2019. Ementa: Realização de sessão especial, durante o mês de novembro, destinada a comemorar os 20 anos da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS PRODUTORES DE ALGODÃO - ABRAPA. Autor: Senador Luis Carlos Heinze (PP/RS), Senador Confúcio Moura (MDB/RO), Senador Acir Gurgacz (PDT/RO), Senador Jayme Campos (DEM/MT), Senador Nelsinho Trad (PSD/MS), Senadora Soraya Thronicke (PSL/MS), Senadora Juíza Selma (PODEMOS/MT). Data: 22/10/2019. OBSERVEM QUE A AGROECOLOGIA FICA SEMPRE ESQUECIDA.

Observando rapidamente sobre a senadora Simone Tebet, filha do ex-governador Ramez Tebet, temos o seguinte: Matéria: PEC 30/2015. Ementa: Altera a Constituição Federal, para estabelecer o mandato de cinco anos dos Chefes do Poder Executivo e proibir a reeleição. Autor: Senador Romero Jucá (MDB/RR) e outros. ISSO É DE 2015. NÃO TERIA SIDO PERTINENTE ELA TER TRAZIDO À BAILA ESSE ASSUNTO NO ANO DE 2020, TENDO EM VISTA A PANDEMIA? MAS ISSO NÃO ACONTECEU, E OS POLÍTICOS BRASILEIROS ESTÃO FORÇANDO O POVO BRASILEIRO (ELEITORES) A VOTAREM DENTRO DE UMA PANDEMIA.

Depois encontrei a que segue adiante, que merece ser acompanhada e analisada sobre o andamento. Se algum conterrâneo meu tiver a bondade de verificar isso eu agradeço desde já. Vejamos: Data: 18/03/2015. Matéria: INS 59/2020. Ementa: Sugere, ao Presidente da República, a reestruturação do Conselho Nacional da Amazônia Legal de modo a incluir a gestão do bioma Pantanal em suas atribuições. Autor: Senadora Simone Tebet (MDB/MS). Data: 05/08/2020. Isso é recente. Anterior às queimadas. É importante que todos vejamos o que esse Conselho diz, o que ele vem ou não fazendo pelo Pantanal, ou o que deixou de ser feito. Fica a dica para que todos procurem conhecê-lo.

Vejam, abaixo, os nomes dos 8 deputados estaduais do estado do Mato Grosso do Sul. É a vida política deles que você - eleitor - deve checar. É com eles que você deve falar, acaso ele tenha projetos voltados para o meio-ambiente, e PODE ser ele (ela) que você jamais deve reeleger.

Rose Modesto (PSDB)

Fabio Trad (PSD)

Beto Pereira (PSDB)

Tereza Cristina (DEM)

Tio Trutis (PSL)

Vander Loubet (PT)

Dr. Luiz Ovando (PSL)

Dagoberto Nogueira (PDT)

De acordo com leituras, observei que em 2018, ano da eleição para deputados, senadores e presidente, mais da metade dos parlamentares de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados foi renovada: Das 8 cadeiras, 5 foram ocupadas por novos deputados. Observe abaixo a relação dos deputados federais REELEITOS por Mato Grosso do Sul:

Tereza Cristina (DEM)

Vander Loubet (PT)

Dagoberto Nogueira (PDT)

No tocante a deputados estaduais, o PSDB conquistou 5 vagas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, e o MDB 3. Os dois partidos passaram a ter as maiores bancadas para a legislatura vigente. Outros cinco partidos: PSL, DEM, PT, Solidariedade e PP elegeram dois deputados cada.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul teve uma renovação de 41%. Dos 24 deputados, 13 que estão exerciam o mandato na Casa foram reeleitos. Um, que foi suplente na atual legislatura e exerceu o mandato por algum tempo foi eleito também. As outras dez vagas foram conquistadas por candidatos que não eram deputados estaduais no atual exercício. Entre os partidos, o PDT sofreu a maior redução de bancada, 66,6%. Na legislatura anterior haviam eleito 3 deputados e para a atual contam com 1. O PT sofreu uma retração de 50%, caiu de 4 deputados para 2 e o MDB de 33,3%, de 6 para 4. O PSDB aumentou de 4 para 5.

Dos três deputados eleitos mais bem posicionados, dois são do PSL, partido do atual presidente Jair Bolsonaro: Capitão Contar, com 78.390 votos, e Coronel David, com 45.903. O terceiro é o estreante Jamilson Name (PDT), com 33.870. Observe a lista dos 24 deputados que VOCÊ ELEGEU NO MATO GROSSO DO SUL:

Capitão Contar (PSL)

Coronel David (PSL)

Jamilson Name (PDT)

Renato Câmara (MDB)

Onevan de Matos (PSDB)

Ze Teixeira (DEM)

Lidio Lopes (PATRIOTAS)

Paulo Corrêa (PSDB)

Felipe Orro (PSDB)

Barbosinha (DEM)

Marçal Filho (PSDB)

Professor Rinaldo (PSDB)

Márcio Fernandes (MDB)

Eduardo Rocha (MDB)

Cabo Almi (PT)

Pedro Kemp (PT)

Londres Machado (PSD)

Neno Razuk (PTB)

Herculano Borges (SOLIDARIEDADE)

Gerson Claro (PP)

Antonio Vaz (PRB)

Evander Vendramini (PP)

Lucas Limas do Amor Sem Fim (SOLIDARIEDADE)

João Henrique (PR)

Esses são os atuais senadores e deputados do Mato Grosso do Sul. Você acompanha o que os deputados e senadores fazem? Foi você que os colocou lá, portanto deve observar quais projetos eles apresentaram e quais foram aprovados e vigoram. Pesquise quais são os projetos voltados para o meio ambiente que eles elaboraram. Pesquise o posicionamento atual deles sobre a queimada no Pantanal. O que eles estão dizendo? Quais estão fazendo a diferença? O que estão fazendo?

Detalhe importante: cada um deles tem um representante em sua cidade. E por representante, entenda vereadores e prefeitos. Agora, cabe a você olhar as atitudes de cada um. Como anda o meio ambiente em seu município? Quais vereadores defendem os povos indígenas? Quais políticas públicas existem NA PRÁTICA em prol dos povos indígenas de seu município? Quais vereadores apresentam projetos voltados para o meio-ambiente? Existe reflorestamento, hortos, políticas de produção de mudas de plantas nativas, enfim seus vereadores lhe honram ou não? Tomem cuidado. Estamos no século XXI. Não há mais como deixarmos nos enganar. Quem dá as costas para o meio ambiente está te matando aos poucos. Lute por uma cidade com mais florestas, mais umidade, só assim você pode se proclamar um cidadão civilizado. Se eles não fazem nada - ou meros paliativos - e você continua votando neles, A CULPA É SUA. VOCÊ É O CULPADO PELO FOGO NO PANTANAL!. jul.2020 (transcrito da minha página no Facebook)...

Bolsonaro e Rodrigues Alves – Quando as histórias se parecem ao contrário... (escrito em 2020)...


Em 1904 estava na presidência da república federativa do Brasil o paulista Rodrigues Alves. Advogado, ele também havia exercido a função de conselheiro do Império Brasileiro, extinto poucos anos antes como sabemos. Depois foi indicado como presidente da província de São Paulo – durante o período imperial e presidente do estado de São Paulo, após a proclamação da república (funções equivalentes a governador). Era um homem muito culto. 

Naquele tempo a varíola dizimava a população brasileira, matando gente feito mosquito. É uma doença altamente contagiosa causada pelo vírus da varíola, o ortopoxvírus. A taxa de casos fatais é de cerca de 30%. Eis que surge a vacina contra a tal varíola. Ufa! 

Depositando toda confiança na ciência, o presidente Rodrigues Alves empreendeu uma forte campanha para sensibilizar o povo a se vacinar. A tarefa era liderada pelo médico Oswaldo Cruz, que impôs a vacinação obrigatória para tentar impedir a disseminação da doença. Eis que a oposição ainda cheia dos vícios do imperialismo, resistente aos avanços dos mais diversos que a república prometia, elegeu a vacinação como estratégia para atacar e enfraquecer o presidente.

Vacina, àquela época, não era tão aceita como hoje (se assim podemos dizer). Estamos falando de 1904. Lá se vão 114 anos. Vacinação em massa não era comum ao povo. Eis que a oposição, sabendo que seria mamão com açúcar bagunçar o Brasil, teve a maluca ideia de espalhar de norte a sul do país que quem se vacinasse viraria boi.

Os autores dessa patuscada foram o deputado Barbosa Lima e o senador Lauro Sodré. E com esse argumento maluco deram início a uma campanha de desinformação, com o objetivo de desestabilizar o presidente. Passaram a andar pelos quatro cantos do Rio de Janeiro discursando que a vacina servia para introduzir a doença dentro do corpo das pessoas, e que o objetivo era o assassinato em massa da população. E a notícia foi se espalhando lentamente no país.

As Fakes News explodiram. Corria no Brasil inteiro a notícia de que se vacinasse ficaria com feições bovinas podendo crescer até um chifre. Vale lembrar que a vacina foi criada a partir da inoculação da varíola bovina. E o povo acreditou, ou melhor, a maioria. Imagine isso num tempo sem aparelho celular, sem televisão e sem rádio!

Como se não bastasse o gesto não civilizado, a oposição ao governo também passou a dizer que a honra dos homens estava em perigo, pois suas esposas e filhas seriam forçadas a mostrar braços, coxas e as nádegas para os enfermeiros e médicos. Dando a entender que que os servidores da saúde abusavam das moças na hora de vaciná-las.  Pronto! Estava feito o espalhafato. O Rio pegou fogo.

O argumento que a obrigatoriedade feria as liberdades individuais também era usado com frequência. A coisa se agravou tanto que, em novembro de 1904, foi criada a Liga Contra a Vacina Obrigatória. Foi um inferno na vida do presidente Rodrigues Alves. Com a falta de informação e esclarecimento da população sobre a vacina e uma enxurrada de desinformação, de 10 a 16 de novembro de 1904 todos foram para rua e enfrentaram as forças do governo. Era o início da Revolta Contra a Vacina. O povo quase destruiu o Rio de Janeiro. Pôs fogo em carros e prédios públicos, virou bondes e veículos no meio das ruas. Foi um terrorismo só não comparado ao que ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023. As histórias se parecem, e às vezes se parecem ao contrário.

Vejam que curioso. Temos no Brasil o mesmo fato, mas ocorrido ao contrário. Vejamos. Até dezembro de 2022, Bolsonaro governou o Brasil. Coincidentemente ele administrou o período de pandemia do novo Corona Vírus.  Sua maneira de lidar com a vacinação foi mais curiosa do que ocorreu a Rodrigues Alves. Enquanto Rodrigues Alves matou um leão por dia para que a população se vacinasse, Bolsonaro não se vacinou e desdenhou da ciência, inflamando o povo brasileiro a não se vacinar. 

Enquanto Rodrigues Alves dizia que a vacina curaria as pessoas, Bolsonaro dizia que a vacina faria o povo virar jacaré. É impressionante o grau de atraso e estupidez de Bolsonaro comparado ao grau civilizado e sábio de Rodrigues Alves. Veja que ambos estão distantes mais de cem anos um do outro, e esse, atual, não evoluiu. Se alguém contasse essa história, hoje, dizendo que Rodrigues Alves foi contra a vacina, seria facilmente possível acreditar, pois foram outros tempos, tempos mais sombrios e precários. Mas saber que isso foi entre 2020 a 2022, século XXI, custa acreditar.

Outro ponto de semelhança ao contrário, é o esquema de mentiras espalhadas (fake news hoje). Enquanto a indústria de mentiras contra o governo de Rodrigues Alves partiu dos seus opositores, Bolsonaro, então Governo, criou uma indústria incomparável de fake news contra os seus opositores. A semelhança era que Bolsonaro era contra a vacina por ignorância e falta de intelecto, enquanto os opositores de Rodrigues Alves eram seus opositores por oposição suja e perversa.

Bolsonaro chegou a dizer à nação brasileira, por incrível coincidência, que quem tomasse a vacina, viraria jacaré. Talvez ele pensasse que a vacina carregasse um placebo desse réptil. Teria sido mais inteligente ele dizer que o povo viraria o próprio Corona Vírus, já que a vacina é feita a partir de um placebo desse vírus. Como escrevi no título deste texto, às vezes “as histórias se parecem ao contrário”... 7.8.20020...

 


“Passei o dia ouvindo o que o mar dizia”  (Antonio Botto)


Eu ontem passei o dia

Ouvindo o que o mar dizia.

Choramos, rimos, cantamos.

Falou-me do seu destino,

Do seu fado…

Depois, para se alegrar,

Ergueu-se, e bailando, e rindo,

Pôs-se a cantar

Um canto molhado e lindo.

O seu hálito perfuma,

E o seu perfume faz mal!

Deserto de águas sem fim.

Ó sepultura da minha raça

Quando me guardas a mim?…

Ele afastou-se calado;

Eu afastei-me mais triste,

Mais doente, mais cansado…

Ao longe o Sol na agonia

De roxo as águas tingia.

«Voz do mar, misteriosa;

Voz do amor e da verdade!

– Ó voz moribunda e doce

Da minha grande Saudade!

Voz amarga de quem fica,

Trêmula voz de quem parte…»

. . . . . . . . . . . . . . . .

E os poetas a cantar

São ecos da voz do mar.

O ATIRADOR...



não era comunista, não era imigrante, não era de esquerda, não era um tiozão desequilibrado e enlouquecido por ter participado de guerras, não era apoiador de Biden. Não era um chinês... O cara que tentou matar Trump era um jovem de 20 anos de idade, apoiador e filiado o partido deles. No país onde todos têm várias armas, até um menino pode pegar uma AR15 e sair matando por onde queira. Hoje, um jornalista perguntou para o débil mental por nome de Bolsonaro sobre esse episódio. Ele respondeu que "só pessoas de direita, conservadores e pessoas de bem sofrem atentados". Ora! E por que um ladrão de joias sofreu um atentado? E por que ele, que comprou 50 imóveis, num valor que chega a mais de 1 bilhão com dinheiro vivo e picado sofreu um atentado? (essa história é única no mundo). Vale ressaltar que ninguém garante ter sido, de fato, um atentado (que o digam sérios documentários já feitos). E o patriota bolsonarista, conservador, religioso, que invadiu a casa de um petista que comemorava seu aniversário e o matou deixou de ter todo esses adjetivos? Pois bem, pense num ladrão que tem o 'disconfiômetro' quebrado. Esse atentado a Trump só confirma que a extrema direita é tão violenta que se matam entre si, seja aqui, seja nos EUA, seja onde for... O mundo precisa de políticos conciliadores, respeitosos, diplomáticos, serenos, capacitados (enfim, civilizados) e não seres que não diferem dos animais mais terríveis e violentos iguais a esses dois. Sou veemente contra o que fizeram a Trump, mas, convenhamos, é um homem mal educado, encrenqueiro inescrupuloso. Tenho certeza absoluta se ele tivesse um estilo diplomático não teria sofrido isso... Isso serve para os animais pensarem.. se é que consigam... Por fim, o que se passou ontem com Trump só será entendido no futuro, mas, adianto: as histórias escusas se parecem...

MEMÓRIA DE SÃO JOSÉ DE MIPIBU, RIO GRANDE DO NORTE - 1928 (20.11.20)

 

Fotografia feita pelo escritor Mario de Andrade em 1929.

Como todos sabem, Mário de Andrade fez um "tour folclórico" pelo Norte e Nordeste do Brasil, encampado pelo "Ministério da Cultura de São Paulo". Isso se deu nos primórdios da etnografia brasileira. Foi um amplo trabalho de registros audiovisuais. Riquíssimo. Em 1928 andou por terras potiguares percorrendo alguns municípios, colhendo as informações mais substanciais sobre o folclore de cada lugar: pessoas de destaque, expressões contidas nas danças, linguística, alimentação, artesanato, enfim hábitos e tradições de toda espécie. Fazia um apanhado da Cultura do povo.  

A caminho de Goianinha, onde visitaria o mestre "Chico Antonio", (1904-1993), o maior expoente do coco de embolada (tradição sonora da cultura popular nordestina), passou em São José de Mipibu fez a fotografia dessa bela construção. Mario estava paramentado com as mais avançadas tecnologias daquela época, inclusive para gravação.  

Mario de Andrade

O prédio era a Casa de Câmara e Cadeia da localidade. Ficava quase na frente da Igreja Matriz de Santana e São Joaquim, uma das poucas única testemunhas que restaram até hoje. Pena! Seria um dos raros municípios brasileiros a contar com esse tipo de construção. O prédio funcionava como uma conglomerado de serviços: presídio (nesse tempo, eram poucos os "meliantes": só ladrões de galinha e revolucionários), Câmara de Vereadores e Delegacia. Se fosse hoje, estaria abarrotada de gente que é contra o Sistema, todos 'presinhos da Silva', a mando desse Desgoverno Federal.  

São José de Mipibu  é um museu a céu aberto. Uma das cidades mais ricas em história, berço de fatos importantíssimos. Mas parece que alguns não dão valor a isso, principalmente algumas autoridades. A derrubada da Casa de Câmara é Cadeia é um dos maiores crimes contra o patrimônio histórico do Rio Grande do Norte. Não era um prédio de herdeiros (já que muitos herdeiros acham normal demolir). Pertencia ao município, aumentando a facilidade de o terem preservado. 

"Chico Antonio", (1904-1993), o maior expoente do coco de embolada, insuperável até hoje.

Nada justifica esse crime contra a História. O prédio estava intacto. A estrutura era de pedra e ferro, mas as autoridades da época achavam feio. Ainda bem que Mário de Andrade andou por aqui. Do contrário, não existiria nem fotografia, já que essa é a única que dá um close na arquitetura. Lastimável esse nosso Brasil de pessoas desmemoriadas e desmioladas. Falta civilidade. 

É duro saber que - pasmem -  algumas autoridades se ofendem quando um grito de protesto é lançado em defesa do Patrimônio Histórico. É  um problema de Educação, Cultura e civilidade. Temo pelo que restou. Não vejo muito interesse. Vereadores vão e vêm e nada mudam. Prefeitos vão e vêm, preocupados sempre COM A PRÓXIMA "ENLEIÇÃO". Ultimamente está na moda vidro, inox, alumínio, concreto armado. As pessoas sem formação acham bonitinho, inclusive as "toridade"... 20.11.20.

OBSERVAÇÃO: Na fotografia postada, vê-se Mário de Andrade, de boné. O rapaz é Chico Antônio.

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Olhe...

 

Olhe 

Olhe sempre.

Se de baixo, olhe com o olhar dos vermes,

Se do alto, olhe com o olhar da águia,

Se de frente, olhe com o olhar do lince.

Se de costas, olhe como o olhar da salamandra ou da cabra.

Se no escuro, olhe com o olhar da coruja, do tarsier ou da lagartixa-folha.

Quando possível, olhe com o olhar da libélula.

Olhe sempre. 

Haverá momentos que você deverá olhar com o olho do Camarão mantis.

Mas olhe,

Olhe sempre...

(1998)

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Os Guatós do Pantanal...

 


OS GUATÓS DO PANTANAL

Nos dedentros das matas, onde o verde se confunde em segredo e silêncio, os rios sussurram histórias antigas, guardadas nas dobras do tempo. As árvores, com suas raízes profundas, bebem dos segredos da terra, e as folhas, ao barlavento, sussurram segredos aos bichos que por ali passam.

Os Guatós, habitantes ancestrais dessas terras, conhecem cada curva dos rios, cada sombra das árvores. São parte da paisagem, assim como as águas que fluem dos subterrâneos ancestrais. Seus olhos refletem o brilho do sol sobre o rio, seus corpos movem-se com a fluidez da correnteza.

Nas margens, capivaras, tuiuiús e antas partilham o espaço com jacarés preguiçosos, todos imersos na harmonia da vida que ali pulsa. As araras, conversadeiras, com suas cores vivas, cortam o céu em voos rasantes, anunciando a plenitude do dia que nasce.

Os Guatós, em suas canoas silenciosas, riscam as águas como se fossem parte dela, sem perturbar a paz do rio. Seus cantos, ecoando entre as árvores, criam uma sinfonia única, onde os indígenas e o natural são um só.

Nas noites, quando a lua faz gigantesco espelhos que se franjam nas águas, as histórias dos ancestrais são contadas ao redor das fogueiras. Histórias de espíritos das matas, de animais sagrados, de rios que choram e de estrelas que guiam, contadas pelos sábios guatós. E assim, a vida segue seu curso, confundida com terra, água, céu e esses povos vestidos de Pantanal, numa dança ancestral, eterna em existência e memória.


quarta-feira, 26 de junho de 2024

OPÚSCULO HUMANITÁRIO (CAPÍTULO XXV) POR NÍSIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA (1853)


As escolas de ensino primário tinham antes o aspecto de casas penitenciárias do que casas de educação. O método da palmatória e da vara era geralmente adotado como o melhor incentivo para o desenvolvimento da inteligência!

Não raro ver-se nessas escolas o bárbaro uso de estender o menino, que não havia bem cumprido os seus deveres escolares, em um banco, e aplicarem-lhe o vergonhoso castigo do açoite!!

Se as meninas, que em muitos desses repugnantes estabelecimentos eram admitidas em comum com o outro sexo, ficavam isentas dessa sorte de barbaria, não deixavam entretanto de presenciá-la por vezes, e de receber uma impressão desfavorável, que muito concorria para enervar-lhes a delicadeza e a modéstia, que de outra sorte dirigidas tanto realce dão às qualidades naturais da mulher.

A palmatória era o castigo menos afrontoso reservado às meninas por mulheres, em grande parte, grosseiras, que faziam uso de palavras indecorosas, lançando-as ao rosto das discípulas, onde ousavam imprimir alguma vez a mão, sem nenhum respeito para com a decência, nem o menor acatamento ao importante magistério, que sem compreender exerciam.

O sistema inquisitorial das torturas infligidas nas vítimas do Santo Ofício, que sob outra forma e com diverso fim transpusera o Atlântico, presidia ao ensino da mocidade brasileira, ministrado por severos jesuítas ou por mestres charlatães, cujo mérito consistia em saber soletrar alguns clássicos portugueses, e assassinar pacificamente Salústio, Tito Ivo, Virgílio e Horácio!

Esta inaudita e brutal severidade era sancionada por grande número de pais, cuja educação tinha sido assim feita, e cujo rigor doméstico não era menos cruel.

Com algumas modificações continuou infelizmente este regimem muito tempo depois. Pais e filhos estavam ainda por educar, como se vê desta observação do Conde dos Arcos a um mestre da escola da Bahia, que se lamentava do pouco resultado de seus grandes esforços para bem dirigir a educação de seus discípulos: “será preciso primeiramente educar os pais, para que se possa conseguir a boa educação dos filhos.”

Não deixaremos entretanto passar esta observação, posto que justa, sem que acrescentemos outra: e vem a ser, que não era um filho do país, a quem o Brasil deve todos os seus erros e prejuízos, que cabia censurar uma falta dele procedente, e tão geralmente nele cometida.

Demais o célebre introdutor das primeiras comissões militares no Brasil, digno sectário da doutrina de Hobbes, que pretende – ser o despotismo ordenado pela religião, não devia censurar a falta de uma educação esclarecida sem a qual facilmente os homens se submetem ao absolutismo de seus governantes.

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Breves comentários meus:

Um recorte do livro “Opúsculo Humanitário”, de Nísia Floresta, publicado em 1853 chama a nossa atenção. Refiro-me ao CAPÍTULO XXV, onde ela trata sobre a palmatória, o tipo de professores e pais da época. Na verdade, esse capítulo não pede comentários, pois fala por si. Mas um detalhe me impressiona e me convida a levar o leitor ao pensar. 

O conjunto da obra dessa intelectual é tão vasto que permite extrair detalhes dos detalhes. Essa crônica me chama a atenção sobre o quanto, de fato, Nísia Floresta foi visionária em algumas propostas, e essa visão a frente do tempo permanece atual em alguns pontos. Vejam só, a palmatória, tão bem explicada por ela nesse capítulo tão breve e robusto, é comparada às torturas do Santo Ofício. E o era!

A palmatória teve o seu uso extinto a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, data em que oficialmente também foi abolida a prática de reguadas. A propósito da “reguada”, quando eu cursava a “terceira série primária”, hoje “2º ano”, uma professora quebrou a régua grande na minha cabeça porque errei uma conta de divisão. Foi uma experiência traumatizante, pois, se eu estava aprendendo, por que ser obrigado a saber no próprio processo de estar aprendendo?

Esses métodos não diferem de tortura. E o pior é que podem traumatizar uma criança. Lembro-me que eu não era o único a levar reguadas. Quem errava, levava reguada, portanto a sala de aula era um lugar de medo. Todos éramos cúmplices uns dos outros porque estávamos em situação de igualdade no aspecto de tortura. O medo reinava. Enfim, a mesma Constituição de 1988, promulgada por Ulisses Guimarães, proibiu também que os professores obrigassem os alunos a ajoelhar em caroço de milho (ou em tampas de garrafa), proibia o famoso nariz de cera etc. Ou seja, o Santo Ofício tornou-se proibido (está lá, bem escrito!).

Pois bem, se em 1853, Nísia Floresta ataca a palmatória com asco e mesmo assim ela só a extinguiram em 1988, significa que passaram-se 135 anos de terror feito às crianças. E o tempo anterior a 1853? Foi muito tempo de tortura.

Fico imaginando a contradição da pedagogia antiga, se assim podemos chamá-la. Vejam que irônico e absurdo. O professor tortura justamente as mãozinhas miúdas, em formação, cuja coordenação motora está em desenvolvimento e precisa de cuidados para se desenvolver. Essas mãozinhas, naquele momento, necessitam de treino, jamais de pauladas. Como ficava a desenvoltura de uma mão escrevendo e ao mesmo tempo torturada por palmatória? É horroroso demais!

Sabemos que quando algo é extinto, a extinção não é um passe de mágica, ou seja, não acaba num piscar de olhos. Quem garante que nas regiões mais precárias do Brasil a palmatória não continuou vigorando clandestinamente ou por ignorância dos pais desconhecedores do que rezava a Carta Magna?

Esse capítulo dá um livro. Nísia Floresta ao falar sobre as professoras que usavam a palmatória, refere-se a elas como “mulheres em grande parte grosseiras, que faziam uso de palavras indecorosas, lançando-as ao rosto das discípulas, onde ousavam imprimir alguma vez a mão, sem nenhum respeito para com a decência, nem o menor acatamento ao importante magistério, que sem compreender exerciam.” Ou seja, eram professoras sem qualificação alguma, num tempo rudimentar, onde não tinham a quem recorrer, pois nem mesmo as professoras podiam contar com uma educação civilizada. Mas, por sorte, pelo menos Nísia Floresta estava ali, jogando os holofotes sobre o horror e pedindo socorro. Observem quão monstruoso era o sistema. E quão tarde o grito nisiano foi ouvido...

Ela também diz que a mocidade brasileira recebia ensino de “severos jesuítas ou mestres charlatães” que, em outras palavras, assassinavam a gramática e Língua Portuguesa. Critica a educação brutal como os pais educavam os filhos e cuja estupidez se estendia às escolas, onde eles endossavam a crueldade dos professores.

Essa pequena crônica de Nísia Floresta permanece atual, pois dentre outras reflexões – ditas com muita propriedade – plenas de citações (revelando o seu alto grau de ilustração quando, por exemplo, cita Hobbes, dentre outros), ao se referir a falta de educação dos pais, ela acaba mencionando a frase dita pelo Conde dos Arcos a um mestre escola da Bahia “será preciso primeiramente educar os pais, para que se possa conseguir a boa educação dos filhos.”

Essa frase, ou melhor, citação é tão atual que assusta. E com ela encerro esta reflexão, deixando o leitor livre para pensar.

O Rio Grande do Norte nas causas femininas...


CELINA GUIMARÃES VIANA - PRIMEIRA ELEITORA DO BRASIL

O fato ocorreu no dia 5 de abril de 1928 em Mossoró, Rio Grande do Norte. Nessa data, votou a professora CELINA GUIMARÃES VIANA (1890-1972). Um ano antes, em 25 de outubro de 1927, entrou em vigor a Lei nº 660 regulando o serviço eleitoral. As novas normas estabeleciam o fim da "distinção de sexo". E, desse modo, no mês seguinte, Celina Viana, aos 29 anos de idade, que vivia na cidade de Mossoró, deu entrada em seu pedido de alistamento eleitoral, concretizando o voto em 1928. FOI A PRIMEIRA ELEITORA DO BRASIL.

ALZIRA SORIANO DE SOUZA - PRIMEIRA PREFEITA DO BRASIL

No mesmo ano de 1928, no Rio Grande do Norte, ALZIRA SORIANO DE SOUZA (1896-1966) FOI ELEITA A PRIMEIRA PREFEITA DO BRASIL. Mas nenhuma quebra de tradição acontece como mágica. Há uma história muito antes, iniciada pela norte-rio-grandense, Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810-1885), intelectual notável, primeira feminista da américa latina, primeira mulher abolicionista do brasil, primeira indianista, primeira indigenista, primeira republicana, primeira mulher a reivindicar que as mulheres tivessem direito à educação, voto e assumir qualquer cargo público.


DEPUTADO E DEPOIS GOVERNADOR JUVENAL LAMARTINE DE FARIA

Juvenal Lamartine –1874-1956 – (deputado federal no período de 1906 a 1926 e senador entre 1927 a 1928, e governador no período de1928 a 1930) teve a sorte de ter nascido no mesmo chão onde nasceu Nísia Floresta. Tenho plena convicção de que ele leu sobre a sua conterrânea ilustre, e isso o tornou sensível à causa feminina. Particularmente não o visualizo como imune à influência de Nísia Floresta. As engrenagens do sistema e o machismo forte, inclusive no Rio Grande do Norte, com certeza exerciam um peso no pensamento de Juvenal Lamartine. Ele também foi pioneiro no ato de se libertar desse machismo e se permitir visualizar as mulheres. Creio que não foi fácil. 

Essa iniciativa – dele – não lhe teria sido um mero insight, tenho plena convicção disso. Ele foi provocado, e a única intelectual capaz de provocar um homem – ou uma mulher – quanto à emancipação feminina naqueles obscuros tempos, era Nísia Floresta. Ela foi a primeira da América Latina e uma das primeiras do mundo.

Também é fácil supor que Nísia Floresta tenha embalado muita conversa entre Bertha Lutz e Juvenal Lamartine no Rio de Janeiro, e que ela tenha apresentado as ideias de Nísia Floresta a ele, mas esse segundo caso é menos provável, pois ambos eram intelectuais. Ele havia nascido no mesmo estado de Nísia. Havia poucas informações no Rio Grande do Norte, mas ele tinha à disposição muitas revistas que tratavam sobre Nísia Floresta no Rio de Janeiro, além dos acervos dos jornais cariocas. Mas sejam quais suposições forem, com certeza ele cresceu ouvindo falar sobre Nísia Floresta e aquilo o instigou a lê-la.

E outro ponto interessante é essa história de que o Rio Grande do Norte sempre denegriu Nísia Floresta. Não. Isso é fantasioso. Sempre houve potiguares que, de fato, conheciam a sua história - parca ou não -, mas conheciam a Nísia intelectual, diferente da Nísia difamada por Isabel Gondim (Se o leitor tiver interesse em ler, é só ir na lupa acima e buscar pelo título "Nísia Floresta, a carta de Isabel Gondim e outros textos malditos", ou ir direto no ano de 2009, clicar no mês de setembro, e depois no dia 8 que o texto aparece). Mas, enfim, o povo norte-rio-grandense, em especial os que residiam na capital, sabiam da notabilidade de sua conterrânea. Podiam saber menos do que os cariocas ou paulistas, tendo em vista os materiais impressos da época (revistas e jornais), comuns àquele estado, mas não havia quem não a conhecesse. 

E quando a feminista e bióloga Berta Lutz (1894-1976) – que conheceu Juvenal Lamartine como deputado ainda no Rio de Janeiro, capital do Brasil – o visitou no Rio Grande do Norte em 1926, reforçando conversas que haviam tido naquela capital, e firmaram a ideia da apresentação de uma candidatura feminina nas eleições municipais daquele ano. 

BERTHA LUTZ - BIÓLOGA E FEMINISTA

Bertha Lutz, filha do famoso Adolfo Lutz, era feminista atuante e muito articulada. E pudera! Para estar em Natal e Macaíba naqueles tempos, havia muito gás intelectual ardendo-a. Vale salientar que Bertha nasceu e morreu no Rio de Janeiro, onde Nísia Floresta vivem boa parte da vida, fundou uma escola e escreveu em jornais. E todo esse legado estava ali no Rio de Janeiro, à disposição de Bertha, portanto é muito provável que ela teve influência de Nísia Floresta. Obviamente que ela também conhecia literatura estrangeira com a temática feminina, mas o de Nísia estava debaixo dos seus olhos.

Em 1935 MARIA DO CÉU PEREIRA FERNANDES (1910-2001) foi eleita PRIMEIRA DEPUTADA ESTADUAL DO BRASIL. Era esposa de Aristófanes Fernandes. 

MARIA DO CÉU FERNANDES - PRIMEIRA DEPUTADA ESTADUAL DO BRASIL


Pois é, eis que nesses conformes de o Rio Grande do Norte olhar para as mulheres de uma maneira que nunca alguém olhou, permitiu-lhe protagonizar o pioneirismo feminino no Brasil em três atos: eleitora, prefeita e deputada. Foi uma overdose que deve ter assustado a muitos...

O Rio Grande do Norte tem pioneirismo em outras áreas, por exemplo, há 84 anos a natalense LUCY GARCIA MAIA (1918-2001) pilotava aviões, inclusive, em 1942, ela obteve o seu brevet. Nesse mesmo ano, ela fez voos rasantes sobre Natal, deixando a população perplexa simplesmente por ser mulher. Assim surgiu a PRIMEIRA PILOTO DE AVIÃO DO RIO GRANDE DO NORTE, tendo feito viagens a João Pessoa e Pernambuco.

LUCY GARCIA MAIA - UMA DAS PRIMEIRAS AVIADORAS DO BRASIL

Natal e Parnamirim tiveram uma relação muito precoce com a aviação, como sabemos. A aviação ainda voava de fraldas quando, em 1937, há 88 anos, uma aviadora norte-americana – também pioneira - Amelia Earhart, decolou em Natal, causando perplexidade na multidão que não imaginava que dentro daquela máquina “extra-terrestre” e barulhenta, era pilotada por uma mulher. Amelia foi a primeira mulher a atravessar o Atlântico, pilotando um avião, em voo solo, proeza, até então, realizada por um homem: Charles Lindbergh, em 1927. Amélia desapareceu no Pacífico, em 1937, quando tentava ser também a primeira a completar uma volta em redor da Terra.

AMELIA EARHERT - UMA DAS PRIMEIRAS AVIADORAS DO MUNDO

Com certeza desde muito jovem Lucy, sabendo dos voos daquela mulher - inclusive da estadia de Amelia Earhart em Natal -, sentiu-se inspirada a ser uma aviadora. Exupèry não dizia que todas as pessoas passam por nós deixam alguma marca? Olha aí!


É daqui do Rio Grande do Norte também um dos primeiros times de futebol feminino do Brasil. Em 1920, há 124 anos, o futebol masculino ainda se firmava quando, em Natal, já existiam times de futebol de mulheres. Justamente em 1920, quando as mulheres potiguares já jogavam bola, ocorreu um jogo entre o "Team" feminino do ABC e o Centro Esportivo Natalense, realizado no sítio Senegal, residência do Coronel Joaquim Manoel Teixeira de Moura - Quincas Moura, atual 16º Batalhão de Infantaria Motorizada, no Tirol. Esse episódio foi notícia em revistas em todo o Brasil


É assim a vida...  aquilo que vemos, hoje, ou que ouvimos, ou que lemos, pode ser o estalo que faltava, podendo despertar um grande feito. L.C.F – 3.9.2020.

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