ANTES DE LER É BOM SABER...

Contato (Whatsapp) 84.99903.6081 - e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com. Ou pelo formulário no próprio blog. Este blog, criado em 2009, é um espaço intelectual, dedicado à reflexão e à divulgação de estudos sobre Nísia Floresta Brasileira Augusta, sem caráter jornalístico. Luís Carlos Freire é bisneto de Maria Clara de Magalhães Peixoto Fontoura (*1861 +1950 ), bisneta de Francisca Clara Freire do Revoredo (1760–1840), irmã da mãe de Nísia Floresta (1810-1885, Antônia Clara Freire do Revoredo - 1780-1855). Por meio desta linha de descendência, Luís Carlos Freire mantém um vínculo sanguíneo direto com a família de Nísia Floresta, reforçando seu compromisso pessoal e intelectual com a memória da escritora. (Fonte: "Os Troncos de Goianinha", de Ormuz Barbalho, diretor do IHGRN; disponível no Museu Nísia Floresta, RN.) Luís Carlos Freire é estudioso da obra de Nísia Floresta e membro de importantes instituições culturais e científicas, como a Comissão Norte-Riograndense de Folclore, a Sociedade Científica de Estudos da Arte e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Os textos também têm cunho etnográfico, etnológico e filológico, estudos lexicográficos e históricos, pesquisas sobre cultura popular, linguística regional e literatura, muitos deles publicados em congressos, anais acadêmicos e neste blog. O blog reúne estudos inéditos e pesquisas aprofundadas sobre Nísia Floresta, o município homônimo, lendas, tradições, crônicas, poesias, fotografias e documentos históricos, tornando-se uma referência confiável para o conhecimento cultural e histórico do Rio Grande do Norte. Proteção de direitos autorais: Os conteúdos são de propriedade exclusiva do autor. Não é permitida a reprodução integral ou parcial sem autorização prévia, exceto com citação da fonte. A violação de direitos autorais estará sujeita às penalidades previstas em lei. Observação: comentários só serão publicados se contiverem nome completo, e-mail e telefone.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

CRIME SEM CASTIGO...


     Marco do aldeamento encontrado em Nísia Floresta (Fotografia: Sheila Moura)

MARCO DE PEDRA COM INSCRIÇÕES E DATADO DA ÉPOCA DOS ALDEAMENTOS DE SANTANA DE MIPIBU E NOSSA SENHORA DO Ó É ENCONTRADO APÓS 261 ANOS NO MUNICÍPIO DE NÍSIA FLORESTA.

Ontem fui surpreendido por uma postagem em rede social – sobre um singular achado arqueológico que até então encontrava-se ignorado há 267 anos no município de Nísia Floresta (antiga Papary), distando 42 km de Natal, Rio Grande do Norte. Trata-se de um marco de pedra com as seguintes inscrições 

1758   Sª ANNA  INDIOS

Coincidentemente o então município de VILA DE SÃO JOSÉ DO RIO GRANDE foi criado pelo alvará de 3 DE MAIO DE 1758, exatamente no ano em que fizeram as inscrições nessa peça. A pedra pode ser cantaria, mas também aparenta ser um pedaço de arrecife.

Sempre entendi o centro de Nísia Floresta - principalmente - como um grande sítio arqueológico, mas até então nenhuma escavação foi feita ali. Quando vi as fotografias, minha alegria agigantou-se. Pensei em entrar em contato com a Arquidiocese de Natal, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, IPHAN, Fundação José Augusto e com o arqueólogo Pedro Tadeu de Carvalho Albuquerque, que descobriu os restos mortais de André de Albuquerque Maranhão, quando restaurava a antiga igreja Matriz de Natal. Mil pensamentos ferveram na mente, mas, conforme meus olhos foram correndo no texto, a decepção aumentava, conforme explicarei. A informação é de interesse do Brasil, mas para a Igreja Católica ela tem uma significação muito especial. Fiquei pensando a felicidade do arcebispo e a equipe que trabalha com História na Arquidiocese. Eles se deslocariam para Nísia Floresta no mesmo instante, pois isso interessa ao Brasil. Motivo de notícia nacional.

Desconheço a existência de um marco como esse em se tratando de missões religiosas em aldeamentos. É uma peça singular. Um marco. Um recorte precioso da História do Brasil revelada numa pedra. Nem as missões do Rio Grande do Sul, nem no Uruguai e Paraguai existe um marco como esse. Uma peça civil religiosa com datação e localização da aldeia de Santana do Mopobu de Nossa Senhora do Ó.

Exemplo de inscrição em pedra na Europa, datada de 1158. Imagem ilustrativa. OBS. A pedra, abaixo também tem o mesmo caráter.

Para entendermos a preciosidade desse achado arqueológico é fundamental direcionarmos todos os holofotes para o período do BRASIL COLÔNIA (1530 a 1822)  e o que acontecia especificamente nessa região à ocasião. Lembrando que o achado arqueológico se deu em Nísia Floresta quando essa localidade pertencia a São José de Mipibu.

Esse achado arqueológico registra a presença do Aldeamento dos indígenas de Santana de Mipibu, o que justifica estar esculpida a palavra “SANTANA”, e tenho quase certeza que a peça foi esculpida pelos FRADES CAPUCHINHOS, tendo em vista que eles literalmente residiam em ambas as localidades, administrando-a nesse período.

No período colonial, os homens públicos/políticos oriundos de Portugal, que se instalavam em Natal para administrar o Rio Grande do Norte, sofriam consequências sérias da hostilidade dos povos originários e tinham dificuldade em aceitá-los como eram. Assim, passada a chegada dos portugueses e a fundação da Fortaleza dos Reis Magos, a Coroa Portuguesa manifestou profunda preocupação na evangelização dos pagãos e dos não-cristãos que habitavam toda a região. Desse modo, eles reivindicaram a Portugal a presença de ordens religiosas na colônia.

Os padres jesuítas e franciscanos chegaram ao Rio Grande do Norte em 1597, quinze anos antes dos CAPUCHINHOS, e passaram a realizar Missões Itinerantes nas comunidades indígenas, evangelizando e administrando sacramentos para que os nativos se comportassem segundo os preceitos cristãos e fossem aceitos pelos portugueses. As primeiras Missões Itinerantes em solo potiguar, tiveram início justamente em 1597, pelas mãos dos padres Gaspar de Samperes e Francisco de Lemos, que visitavam as aldeias situadas às margens dos rios Potenjy e Jundiay.

No relatório do espião holandês Adriano Wedouche, escrito em 1630, dirigido ao Conselho Político do Brasil Holandês, constava que "existiam na capitania cinco ou seis aldeias que reunidas podiam contar de 700 a 750 índios flecheiros e que a principal flecha era chamada de Mopebu". Em sua descrição ele apresenta essa aldeia como a maior, mais populosa e a principal entre as seis aldeias da Capitania do Rio Grande do Norte.

Os habitantes originais dessa região eram os indígenas Tupis que habitavam as proximidades do rio Mipibu. Nesse tempo os FRADES CAPUCHINHOS, que haviam chegado oficialmente (ao Brasil) em 1612, começaram a atender algumas colônias em alguns pontos do Nordeste, predominantemente no Maranhão.

Como a região onde se desenharia São José de Mipibu e Nísia Floresta apresentava sinais bem delineados de povoamento de portugueses e indígenas, os FRADES CAPUCHINHOS passaram a coordená-las até o final do século XVII, precisamente até o ano de 1762, quando foi instalada a VILA DE SÃO JOSÉ DO RIO GRANDE DO NORTE. A partir desse ano os nativos assumiram a condução da vila e os CAPUCHINHOS se desligaram da aldeia após quase 80 anos de atividades, sendo o Frei Annibale de Genova, o último padre capuchinho a administrar São José e Papary.

Na verdade, em 1681, a junta das missões deliberou que as aldeias indígenas fossem administradas pelos jesuítas, mas isso não se efetivou.

Exemplo de inscrição em pedra na Europa. Imagem ilustrativa. 

 Em 1703, um juiz demarcou terras exclusivas dos ÍNDIOS DA ALDEIA DE NOSSA SENHORA DO Ó DO MIPIBU e a coroa Portuguesa confirmou tal demarcação em 1704. Sobre isso, é importante ressaltarmos que, geograficamente, Nísia Floresta (então Papary), onde estava a aldeia de Nossa Senhora do Ó, pertencia às terras onde se encontra o município de São José de Mipibu.

Em 1736, a aldeia de Mipibu recebeu a denominação de MISSÃO DE NOSSA SENHORA DE SANT’ANA DOS CABOCLOS DE MIPIBU, em terras onde atualmente é o município de Nísia Floresta, sob administração dos padres Capuchinhos que literalmente residiam no local. Nessa ocasião foi feita uma nova demarcação de terras, cuja Missão foi instalada em local diferente, na área atual da cidade de São José de Mipibu.

No local anterior, por volta de 1722, os missionários italianos fundaram uma missão capuchinha e deram continuidade à construção da Igreja Nossa Senhora do Ó na freguesia de Papary, concluída 52 anos depois, em 1755.

No final do século XVIII, a missão capuchinha de São José de Mipibu passa da condição de aldeia para vila. Concluída a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, a missão foi deslocada para São José. Apesar de a Vila de Papary até então contar com suas lideranças locais, ela passa a depender, política e administrativamente, da vila de São José.

O padre Annibale de Genova, ao deixar São José e Papary no ano de 1762, descreveu Papary da seguinte forma

“Esta aldeia foi construída sob a direção dos nossos missionários com a forma de uma praça de armas, com as casas todas unidas à maneira de um quartel de soldados. A aldeia está situada numa planície muito grande, sendo as casas dos oficiais situadas nos cantos e bastante mais altas que as outras, com duas portas uma ao lado da outra pelas quais se entra e se sai. Há uma igreja bastante grande e bem fornecida de todos os ornamentos necessários e muito decentes”.

Em 1833 foi criada a paróquia Nossa Senhora do Ó, desmembrada de Sant’Ana de Mipibu. O nome “Santana” (conforme consta no citado achado arqueológico), reforça a forte relação religiosa, administrativa e econômica com São José de Mipibu. A emancipação política de Papary se deu em 1852, quando passou a se chamar Vila Imperial de Papary, separando-se de São José do Rio Grande. Em 1º de fevereiro de 1890, com o fim do regime imperial no Brasil, no ano anterior, a denominação “Papary” passou à denominação de Vila de Papary. No dia 29 de março de 1938, tornou-se Cidade de Papary. Em 1948, após um abaixo-assinado feito por um professor (essa história está neste blog), atendendo aos anseios da população insatisfeita com apelidos e piadas decorrentes da denominação papary, o projeto chegou a Assembleia Legislativa e se tornou lei por intermédio do deputado Arnaldo Barbalho Simonetti.

Com relação a São José, a definição de “município” deu-se pelo alvará de 3 de maio de 1758 (ano desse achado arqueológico, como vimos), instalado em 22 de fevereiro de 1762, com a denominação de VILA DE SÃO JOSÉ DO RIO GRANDE. A mudança de distrito para município ocorreu 30 anos depois, em 1788. Em 16 de outubro de 1845, a vila de São José do Rio Grande foi elevada à categoria de cidade, então denominada cidade de Mipibu. Em 1855, a cidade recebeu o nome de São José de Mipibu.

Pois bem, achei coerente situar os fatos e fazer uma síntese sobre a história local para que o leitor que desconhece os fatos entenda melhor o valor histórico desse achado arqueológico. Não vejo o local onde ele foi encontrado como um sítio onde possam existir outros elementos significativos. Não descarto a existência de outras preciosidades, mas essa pedra, por ser um marco, supostamente, resistiu solitariamente ali, como também ocorreu com o Marco de Touros, que, embora fosse uma pedra em formato de totem – ou pilar – bastava ela para marcar o episódio. É certo que na área onde foi encontrada a pedra com as inscrições, também foi encontrado um penico aparentemente de louça, mas são peças, aparentemente, de tempos diferentes.


Penico de louça encontrado no mesmo terreno onde se descobriu o achado arqueológico

O mais deplorável desse fato é que a pessoa que trouxe à baila essa descoberta – e que não quer informar o local exato nem o nome do proprietário – por temer represálias, informou que o fato se deu há nove anos – ou seja, em 2016 –, e só agora ela tornou público. Para piorar, também informou que no dia que houve esse achado ela foi chamada para ver, mas antes que chegasse ao local ambas as peças foram destruídas. O proprietário, que segundo ela “é pessoa esclarecida”, mandou quebrar tudo, temendo que o IPHAN embargasse as obras que ele realizava na propriedade. Esse homem não tem noção do crime e da estupidez que ele fez.

Como já expus, desconheço a existência de um marco como esse em se tratando de missões religiosas em aldeamentos. É algo singular. Um marco. Um recorte precioso da História do Brasil revelada numa pedra. Nem as missões do Rio Grande do Sul, nem no Uruguai e Paraguai existe um marco como esse. Uma peça civil religiosa com datação e localização da aldeia de Santana do Mopobu de Nossa Senhora do Ó. Não sei o que impacta mais, se a notícia gloriosa da descoberta desse marco ou se a fatalidade da estupidez de sua destruição. Fica aqui o meu repúdio a esse senhor que deixou de dar uma contribuição impagável ao Brasil, à história da Igreja Católica, ao IPHAN, ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Esse foi um terrível sado de um crime sem castigo. 

Por questão de ética não revelarei o nome da pessoa que me trouxe essa informação, pois ela deixou esclarecido que teme sofrer represálias. Estou publicando este texto porque ela tornou públicas as fotografias e o texto dela em sua rede social. Não sei se hoje os fragmentos dessa peça estão debaixo de algum comércio, de alguma casa, alguma calçada ou cerâmica do quintal. Também não acredito que essa peça esteja reduzida a pó, pois é uma pedra, mas devo documentar esse fato para que no futuro outra geração a reencontre e aja com civilidade, salvaguardando esse tesouro. E então isso será uma notícia de repercussão nacional. É a esperança que tenho.

Eu estou sob choque. Confesso que escrevi este texto com dificuldade e nem o revisei, pois hoje foi um dia muito cheio para mim. Sentei-me me para escrever há uma hora mais ou menos, quando me desocupei de coisas do trabalho. É algo que não tem mais jeito. A monstruosidade do que foi feito é imperdoável, e justamente por sê-lo, faço questão de pelo deixar registrado nos anais da história. Antes eu nunca tivesse tomado conhecimento disso, pois o que os olhos não veem, o coração não sente. Cumpro aqui o dever moral de registrar o fato para, pelo menos torná-lo, de fato, público, assim, “contribuir” com a história do nosso país. Essa peça, hoje, mesmo debaixo de algum alicerce, tanto pode estar inteira (pois pode ter sido blefe do dono da propriedade) ou quebrada. Mas está no local onde foi descoberta.  Infelizmente não tomei conhecimento em tempo real, quando, com certeza, eu teria registrado a ocorrência na Polícia Federal, em Natal e na Delegacia de Polícia de Nísia Floresta, impedido, mesmo sob força policial, ou que até fosse aos extremos, impedindo que tal crime se configurasse, mesmo que fosse apenas para recolher os fragmentos. LUÍS CARLOS FREIRE – SÓCIO-EFETIVO DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE, 20 DE FEVEREIRO DE 2025.

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sábado, 8 de fevereiro de 2025

ROTEIRO DO ESPETÁCULO "MANOEL DE BARROS, ALQUIMISTA DA PALAVRA"...

 


ESPETÁCULO MANOEL DE BARROS – O ALQUIMISTA DA PALAVRA – TEXTO EXPLICATIVO PARA “LEITURA BRANCA”

 

Observação: o conteúdo que se segue está provisoriamente escrito de maneira explicativa, para facilitar a compreensão também dos bastidores e o próprio espetáculo, já que faremos “leitura branca” com os alunos (adultos e crianças) na expectativa de darmos um mergulho na poética de Manoel de Barros, conhecendo também um pouco da sua biografia e a cultura do seu estado de origem. A história do personagem principal, dessa vez, não será contada no corpo do texto, mas uma única parte no início e a última parte ao encerrar. O texto é interligado por inferências à sua poesia e a elementos da cultura do MS.

ELEMENTOS CÊNICOS A PARTIR DO HALL DE ENTRADA: Nos dias do espetáculo o público será envolvido no espetáculo a partir do hall de entrada do Teatro. Alguns elementos cênicos estarão dispostos a partir da recepção, bem como performances artísticas retratando trechos de poemas manoelinos. Teremos sucuris enroscadas dos pilares do hall, folhas secas a partir do corredor de acesso à plateia “A”, o qual será transformado em Floresta com vários animais (passarinhos/borboletas). Um aparelho de CD estará ligado emitindo sons de passarinhos. 


OBSERVAÇÃO: TODA VEZ QUE LER “DANÇA”, SIGNIFICA A APRESENTAÇÃO DO BALÉ/CONTEMPORÂNEO, CAPOEIRA ETC (DEPENDE O CONTEXTO) E AS DEMAIS COREOGRAFIAS ASSINADAS POR NOSSOS MONITORES.


OBSERVAÇÃO II: TODAS AS COREOGRAFIAS DEVEM CONTEXTUALIZAR ANIMAIS COMO ANTAS, PACAS, TUIUIÚS, JACARÉS, ARIRANHAS, CAPIVARAS, ONÇAS, TAMANDUÁS, SERIEMAS, (ARAQUÃS, GAVIÃO BOMBACHINHA, CURICACA, PASSARINHOS DIVERSOS), SUCURIS, ARARA, GARÇA, LOBO-GUARÁ, TUCANO, TATU, PREGUIÇA, COATIS, IGUANA, TIJUAÇU etc, independente de estar ou não no texto naquele momento, pois a poética manoelina é um louvor à natureza.

 

NARRAÇÃO INTRODUTÓRIA DO ESPETÁCULO – CORTINAS FECHADAS  (BADU?): Manoel de Barros: um dos maiores poetas brasileiros! Ícone da Poesia Moderna contemporânea. Era sul-mato-grossense. Sua obra é um canto de louvor à natureza. Muitos o chamam de “poeta dos passarinhos”, mas na realidade ele foi o poeta dos caramujos, das folhas secas do chão, das lagartas, das lesmas, das formigas, das capivaras, dos tuiuiús e dos pedaços podres de galhos de árvores. Sua obra diviniza as águas, os homens e as mulheres simples. Ele lançou luz ao “insignificante”. Assim como Charlies Chaplim contemplou o vagabundo, o cachorro e o circo, Manoel de Barros contemplou o que é considerado invisível ou insignificante para algumas pessoas. Aos olhos da literatura e da filosofia, há uma profunda mensagem em sua poética. O que é ser insignificante? Será que de fato há insignificâncias? Vamos desvendar? (Durante essa narração tem pano de fundo: sons de esturros de onça e canto de pássaros).

 

CENA: DRAMATIZAÇÃO AO VIVO – NA BOCA DO PALCO - COM ATORES E ATRIZES NOSSOS (CORTINAS FECHADAS). Entram em cena aos poucos, aparecendo por pontos diferentes da cortina: um no meio, outro por debaixo, outro por um dos lados... olhares intensos/olhos dançando/ouvidos atentos/caras e bocas/movimentos contextualizados de braços e mãos.

DECLAMAM O POEMA


“O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS”


Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras

fatigadas de informar.

Dou mais respeito

às que vivem de barriga no chão

tipo água pedra sapo.

Entendo bem o sotaque das águas

Dou respeito às coisas desimportantes

e aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões.

Prezo a velocidade

das tartarugas mais que a dos mísseis.

Tenho em mim um atraso de nascença.

Eu fui aparelhado

para gostar de passarinhos.

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Meu quintal é maior do que o mundo.

Sou um apanhador de desperdícios:

Amo os restos

como as boas moscas.

Queria que a minha voz tivesse um formato

de canto.

Porque eu não sou da informática:

eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios.


CENA: OS ATORES SAEM – AS CORTINAS SE ABREM, APARECENDO LENTAMENTE UMA FLORESTA – NO CENTRO HÁ UMA CASCATA E FONTE D’ÁGUA. PILÃO, FEIXES DE LENHA, TODOS, ÁRVORES VIVAS E SECAS. O PAINEL CENTRAL – DE GARRAFAS PET – REPORTA O PÚBLICO A UMA FLORESTA, DANDO NOÇÃO DE PROFUNDIDADE. SONS INTENSOS E ALTERNADOS: ESTURRO DE ONÇA, ESGUINCHOS DE MACACO, SOM DE CACHOEIRA, VOZES DE PAPAGAIOS, ARARAS, ETC). MACACOS (ATORES CARACTERIZADOS) DESCEM ATRAVÉS DE CIPÓS E SE INSEREM NA PAISAGEM. UMA ÍNDIA SE BANHA VESTIDA NO RIO. ESTÁ VESTIDA COM ELEMENTOS NATURAIS. SEIOS COBERTOS COM QUENGA DE COCO E TANTA DE SACO DE ESTOPA APLICADO FOLHAS NATURAIS, DE MANEIRA QUE ESTEJA COMPOSTA. ELA ESTÁ CERCADA POR CURUMINS. NO CENTRO, UMA ÍNDIA IDOSA (AVÓ DE ALUNO) DESCASCA MACAXEIRA AO LADO DE ALGUMAS SENHORAS ÍNDIAS. NO CANTO À DIREITA UM PAJÉ CONVERSA COM ÍNDIOS ADOLESCENTES. ALGUNS, NO CHÃO, FABRICAM FLECHAS E ARCOS. A PAISAGEM É PERMEADA DE PÁSSAROS, CAPIVARAS, ANTAS E PACAS.

OBSERVAÇÃO: Nesse cenário entra o Grupo de Contemporâneo com coreografia.

HÁ UM CORTE NOS SONS DE BICHOS...

 

SONOPLASTIA: CD SUÍTE SINFÔNICA – MARCOS VIANA, FAIXA Nº 2 (ESSA MÚSICA LIGARÁ TODAS AS CENAS DO ESPETÁCULO)


CENA: MARTA BARROS: Olá! Eu sou Marta Barros, filha do poeta Manoel de Barros. Esse é o meu irmão João Wenceslau Leite de Barros. Também temos mais um irmão, o Pedro Barros, mas ele insistiu em permanecer lá no Pantanal.


JOÃO BARROS: Viemos contar a história do nosso pai. Ele passou grande parte da sua vida no Pantanal, por isso mergulharemos vocês nas águas límpidas e envolventes do estado do Mato Grosso do Sul. Para entendermos a obra do nosso pai é necessário conhecer um pouco sobre a cultura da região onde ele viveu. Vamos fazer uma viagem!

 

MARTA BARROS: O nosso pai Manoel de Barros tinha um modo especial de escrever. Ele detestava computador. Como vocês viram, ele dizia que “não era da informática, era da invencionática”. Essa frase singular fala por si. Inclusive nós ficamos sabendo que o Teatro de Parnamirim criou uma máquina chamada “Invencionática”. Estamos curiosos para conhecê-la! Alguns consideram indecifrável a sua poética, certamente pelo uso de neologismos como invencionática, desimportante e tantas outras formas particulares de sua escrita. Ele escrevia com graça verbal.

 

JOÃO BARROS: Na realidade, João, ele era um alquimista das palavras! Dizia que “poesia é graça verbal”. Falava que todos já disseram tudo, mas sempre aparecerá um poeta que dirá de maneira diferente”.  Essa alquimia de palavras empresta uma beleza tão especial aos seus poemas que o leitor novato passa a amar a sua poética. Para decifrá-lo pede-se coração. Ele era um criador de frases. Dizia que poesia não é inspiração, mas visão. “Precisamos ver para escrever!”. Vejam alguns exemplos de frases criadas por ele:


CENA: ENTRAM ATORES PLENOS EM EXPRESSIVIDADE E CARAS-E-BOCAS– ALGUNS INTERAGEM NO ESPAÇO DA PLATEIA – HÁ UM JOGO DE VOZES – UM DECLAMA NA PLATÉIA – OUTRO, NO PALCO E ASSIM SUCESSIVAMENTE. OS QUE ATUARÃO NA PLATEIA JÁ ENTRAM SE ENCAMINHANDO PARA ELE. UM OU DOIS PODE DESCER NO TECIDO PREVIAMENTE MONTADO NO PALCO – PODEM OU NÃO ESTAR CARACTERIZADOS - CADA FRASE ABAIXO É DECLAMADA POR UM ATOR:

“Eu penso renovar o homem usando borboletas”...

“Vi que as árvores são mais competentes em auroras do que os homens. Vi que as tardes são mais aproveitadas pelas garças do que pelos homens. Vi que as águas têm mais qualidade para a paz do que os homens. Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que os cientistas. Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do ponto de vista de 

uma borboleta. Ali até o meu fascínio era azul”.

“Palavras que me aceitam como sou — eu não aceito”...

Nos fundos do quintal há um menino e suas latas maravilhosas. Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas com aves. Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os besouros pensam que estão no incêndio. Quando o rio está começando um peixe. Ele me coisa. Ele me rã. Ele me árvore. De tarde um velho tocará sua flauta para inverter os ocasos.

“Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes”...

“Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro. Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas)”.

 “O verbo tem que pegar delírio”.

“Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia. Eu queria ser lido pelas pedras. As palavras me escondem sem cuidado. Aonde eu não estou as palavras me acham”.

OS ATORES SE RETIRAM – ENTRA A PRIMEIRA TURMA DE BALÉ:

DANÇA

OS ATORES SE RETIRAM – ENTRAM OS FILHOS DE MANOEL DE BARROS:

MARTA BARROS: (FALA BASTANTE CIRCENCE) - Povo querido do Rio Grande do Norte!!!!!!!!!!!!! Ops! (PERCEBE A EXALTAÇÃO EXAGERADA E SE REPRIME) Desculpem!!!!!!!! É minha empolgação! Eu e João estávamos lá atrás no Camarim. Rimos muito com uma divertida artista conterrânea de Manoel de Barros. O nome dela é... Tetê Espíndola. Vocês conhecem?

CENA: “TETÊ ESPÍNDOLA” ENTRANDO COM O MÁXIMO DE CARACTERÍSTICAS EXPRESSIVAS DELA, E INTERPRETA “ESCRITO NAS ESTRELAS” – INTÉRPRETE: TAÍSE GALVÃO?

                                             “Escrito nas estrelas”

 

Você pra mim foi o Sol

De uma noite sem fim

Que acendeu o que sou

E renasceu tudo em mim


Agora eu sei muito bem

Que eu nasci só pra ser

Sua parceira, seu bem

E só morrer de prazer


Caso do acaso

Bem marcado em cartas de tarô

Meu amor, esse amor

De cartas claras sobre a mesa, é assim


Signo do destino

Que surpresa ele nos preparou

Meu amor, nosso amor

Estava escrito nas estrelas

Tava, sim


Você me deu atenção

E tomou conta de mim

Por isso minha intenção

É prosseguir sempre assim


Pois sem você, meu tesão

Não sei o que eu vou ser

Agora preste atenção

Quero casar com você


Caso do acaso

Bem marcado em cartas de tarô

Meu amor, esse amor

De cartas claras sobre a mesa, é assim


Signo do…

 APÓS A EXIBIÇÃO ATRIZ SE RETIRA POR UMA LADO DA COXIA E AO MESMO TEMPO ENTRA A SEGUNDA TURMA:

DANÇA


APÓS A DANÇA, SAEM POR UM LADO DA COXIA E SIMULTANEAMENTE ENTRA UM ATOR (ELE PODE PERPASSAR A TURMA, ENSAIADAMENTE, OLHANDO-A COM ADMIRALÇÃO) E DECLAMA:


 “Aquele homem falava com as árvores e com as águas

ao jeito que namorasse.

Todos os dias

ele arrumava as tardes para os lírios dormirem.

Usava um velho regador para molhar todas as

manhãs os rios e as árvores da beira.

Dizia que era abençoado pelas rãs e pelos

pássaros”.


APÓS A EXIBIÇÃO ATRIZ SE RETIRA - ENTRA CRIATIVAMENTE A TERCEIRA TURMA:


DANÇA


CENA: ENTRAM ARTISTAS CARACTERIZADOS DE ÍNDIOS E INTERPRETAM UMA COREOGRAFIA TÍPICA DOS ÍNDIOS SUL-MATO-GROSSENSE (GRUPO XAXADO?)

APÓS A EXIBIÇÃO ELES SE RETIRAM - ENTRA A QUARTA TURMA:

DANÇA

CENA: ENTRAM OS FILHOS DE MANOEL DE BARROS, RINDO MUITO:

MARTA BARROS: Gente! Como é linda a cultura dos índios brasileiros! Estou emocionada! Respeite o índio!!!! Eles descobriram o Brasil! Sim, mas... e aqui no Rio Grande do Norte, onde estão os índios? Bem... é outra história! Mas vamos lá. Vocês não sabem quem está aqui na coxia! (faz rosto escondido com a mão). Um monstro na interpretação. Um dos artistas mais respeitados do seu meio. A nata artística do Brasil.

JOÃO DE BARROS: Nós adoramos esse artista sul-mato-grossense. Ele surgiu no grupo “Secos e Molhados”. Com vocês, Ney Matogrosso!!!


CENA: “NEY MATOGROSSO” ENTRANDO COM O MÁXIMO DE CARACTERÍSTICAS EXPRESSIVAS SUAS – INTERPRETA: “O VIRA” – INTÉRPRETE: ...................................................... (DRAMATURGO ALUNO DE DANÇA CONTEMPORÂNEA)

“O Vira”


(Secos & Molhados)

O gato preto cruzou a estrada

Passou por debaixo da escada.

E lá no fundo azul

Na noite da floresta.

A lua iluminou

A dança, a roda, a festa.

Vira, vira, vira

Vira, vira, vira homem, vira, vira

Vira, vira, lobisomen

Vira, vira, vira

Vira, vira, vira homem, vira, vira

Bailam corujas e pirilampos

Entre os sacis e as fadas.

E lá no fundo azul

Na noite da floresta.

A lua iluminou

A dança, a roda, a festa.

Vira, vira, vira

Vira, vira, vira homem, vira, vira

Vira, vira, lobisomen

Vira, vira, vira

Vira, vira, vira homem, vira, vira

Bailam corujas...

APÓS A EXIBIÇÃO O ATOR SE RETIRA - ENTRA A QUINTA TURMA:

DANÇA

CENA: ENTRA UM ATOR E DECLAMA:

“1) É nos loucos que grassam luarais;

2) Eu queria crescer pra passarinho;

3) Sapo é um pedaço de chão que pula;

4) Poesia é a infância da língua. Sei que os

meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas

se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei.

Sobre o nada eu tenho profundidades”.

APÓS A EXIBIÇÃO O ARTISTA SE RETIRA - ENTRA A SEXTA TURMA:

DANÇA

CENA: ENTRAM OS FILHOS DE MANOEL DE BARROS – AMBOS TRAZEM NAS MÃOS GUAMPA E CUIA – E NO MEIO DA FALA SORVEM A BEBIDA – DESSA VEZ ESTÃO COM OUTRA AURA.

JOÃO DE BARROS: Estou emocionado, minha gente! Estávamos no Camarim com um dos artistas mais respeitados do país. Seus álbuns são verdadeiras obras de arte. Além de músico ele estimula o estudo de viola e a revitalização da “Viola de Coxo”, um instrumento musical típico do Pantanal, feito a partir da capemba do buriti.

MARTA BARROS: Já está bom de apresentações, João. Ele dispensa comentários. Com vocês, Almir Sater...

CENA: “Almir Sater” entrando com o máximo de características expressivas. Interpreta “Comitiva Esperança” – Intérprete: .......................................

CONTRA-REGRA: Dispõe um banquinho e o retira após a cena.

“Comitiva Esperança”


Nossa viagem não é ligeira, ninguém tem pressa de chegar

A nossa estrada, é boiadeira, não interessa onde vai dar

Onde a Comitiva Esperança, chega já começa a festança

Através do Rio Negro, Nhecolândia e Paiaguás

Vai descendo o Piqueri, o São Lourenço e o Paraguai

Tá de passagem, abre a porteira, conforme for pra pernoitar

Se a gente é boa, hospitaleira, a Comitiva vai tocar

Moda ligeira, que é uma doideira, assanha o povo e faz dançar

Oh moda lenta que faz sonhar

Onde a Comitiva Esperança chega já começa a festança

Através do Rio Negro, Nhecolândia e Paiaguás

Vai descendo o Piqueri, o São Lourênço e o Paraguai

Ê, tempo bom que tava por lá,

Nem vontade de regressar

Só vortemo eu vô confessar

É que as águas chegaram em Janeiro, descolamos um barco ligeiro

Fomos pra Corumbá

APÓS A EXIBIÇÃO O ARTISTA SE RETIRA - ENTRA A SÉTIMA TURMA:

DANÇA

CENA: ENTRA UM ATOR E DECLAMA:

Dou respeito às coisas desimportantes

e aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões.

Prezo a velocidade

das tartarugas mais que a dos mísseis.

Tenho em mim esse atraso de nascença.

Eu fui aparelhado

para gostar de passarinhos.

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Meu quintal é maior do que o mundo.

CENA: ENTRAM OS FILHOS DE MANOEL DE BARROS – AMBOS TRAZEM NAS MÃOS GUAMPA E CUIA – E NO MEIO DA FALA SORVEM A BEBIDA – DESSA VEZ ESTÃO COM OUTRA AURA.

JOÃO DE BARROS: Vocês sabiam que o estado natal de Manoel de Barros tem forte influência do Paraguai, país vizinho? Pois é. A maior parte dos paraguaios são indígenas. Foram os verdadeiros desbravadores do Mato Grosso do Sul. Eram exímios na arte de colher erva-mate. As músicas sul-mato-grossenses originais têm ares paraguaios. Aqueles gritos, quando se canta Galopeira é o famoso “sapucaý”.


MARTA BARROS: E por falar em Galopeira, vocês conhecem a cantora Perla? Ela é paraguaia e se projetou em todo o Brasil começando em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Ela está ‘aquizinha’ do nosso lado. Perla, entre, esse palco é todo seu...

CENA: “PERLA” ENTRANDO COM O MÁXIMO DE CARACTERÍSTICAS EXPRESSIVAS DELA, E INTERPRETA “GALOPEIRA” – INTÉRPRETE: TAÍSE GALVÃO? ACASO FOR AO VIVO TEREMOS A PARTICIPAÇÃO DE ESCOLA LEOPOLDINO – DO CONTRÁRIO USA-SE PLAY BACK PARA DUBLAGEM.

                                                                 “Galopeira”


 Foi num baile em Assunción

Capital do Paraguai

Onde eu vi as paraguaias

Sorridentes a bailar

E ao som de suas guitarras

Quatro guapos a cantar

Galopeira, galopeira

Eu também entrei a dançar

Foi num baile em Assunción

 Capital do Paraguai

Onde eu vi as paraguaias

Sorridentes a bailar

E ao som de suas guitarras

Quatro guapos a cantar

Galopeira, galopeira

Eu também entrei a dançar

Galopeira ....

Nunca mais te esquecerei

Galopeira ....

Pra matar minha saudade

Pra minha felicidade

Paraguai, em voltarei

Pra minha felicidade

Paraguai, eu voltarei


APÓS A EXIBIÇÃO ATRIZ SE RETIRA - ENTRA A OITAVA TURMA:

DANÇA

CENA: ENTRAM DOIS ATORES E INTERPRETAM O POEMA ABAIXO EM FORMA DE JOGRAL, OU JOGO DE PALAVRAS.


OBSERVAÇÃO: O espetáculo se segue na mesma dinâmica e o encerramento está abaixo:

ÚLTIMA CENA: ENTRAM OS FILHOS DE MANOEL DE BARROS. MARTA ESTÁ COM UM XALE. JOÃO TEM UM PONCHO PARAGUAIO NAS COSTAS - ENQUANTO ELES CONVERSAM COM A PLATEIA, PERSONAGENS DE BICHOS EXIBEM COREOGRAFIAS NO PALCO, INTERAGINDO COM A PLATEIA.

MARTA BARROS: A obra do nosso querido pai Manoel de Barros foi escrita para o mundo. Sua poética enxergou sapos, formigas, lesmas, passarinhos, lagartixas, gafanhotos, borboletas. Mas também enxergou a arte mundial. Enxergou o homem simples. Enxergou os problemas sociais. Leu todos os poetas clássicos. Era fascinado pela retórica do Padre Vieira. Conheceu vários países, conviveu com artistas e pintores renomados. Estudou Artes Plásticas nos Estados Unidos. Conviveu com Klee, Picasso, Klimt e outros. Adorava Van Gogh. Admirava Juan Miró, cuja pintura nos leva à infância que ele tanto buscou na escrita. Dizia: “precisamos desaprender vinte e quatro horas por dia”. No Cinema adquiriu gosto por Buñuel e Fellini. Admirava Charlies Chaplin. Leu os poetas americanos, como Eliot.  Na Biblioteca Nacional, no Rio, se aprofundou em Rimbaud, Baudelaire, Mallarmé, Flaubert, Fernando Pessoa. Entre os brasileiros, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira foram uma de suas maiores influências. O grande acontecimento da sua vida se chamou João Guimarães Rosa. Papai dizia que a escrita de Rosa foi o pulo do sapo para que ele engatasse a sua poética própria. A prosa de João Guimarães Rosa deu asas à sua poesia. Sentia paixão pelas palavras. Dizia: "Minha poesia é feita de palavras, não de paisagens". Ressalvava que não pode fugir às suas origens. Outra opinião de Guimarães Rosa que papai recordava é a de que papai era um poeta que reinventava imagens e ele, Rosa, inventava a sintaxe. Esse talento para imagens, como "a formiga ajoelhada na pedra" ou "quero passar a mão na bunda do vento", com um toque surreal de concretude, começou a se mostrar maduro depois de Guimarães Rosa. Um dia sua poesia despertou a admiração de Millôr Fernandes, que escreveu num importante jornal carioca: "Manoel de Barros O homem mais genial do Brasil – poesia é isso!". A partir de então papai explodiu. Um dia lhe perguntaram qual a palavra mais bonita do idioma. Papai disse: CRIANÇA. Com dúvida aberta para BORBOLETA.


Esse foi Manoel de Barros, nosso pai.


 JOÃO DE BARROS: E, por falar nas coisas insignificantes que papai tanto escreveu, o que é insignificante para você? Quais as coisas invisíveis ou que você as torna invisível? Você pode não desejar ver um sapo agora, no seu pé... inclusive nós colocamos dois sapos na plateia! Eles estão em algum lugar nesse exato momento (aguarda cinco milésimos de segundos em silêncio). É brincadeira! Vocês não querem ver o sapo! O sapo, para vocês é invisível porque é indesejável. E quais são os sapos que você se recusa a ver no dia-a-dia? Somos um país de desigualdades. A essa hora exatamente há muitas crianças nas ruas. Muitos idosos choram a solidão. Uns, nos abrigos, outros jogados nas ruas. São invisíveis? Muitos pais possuem filhos invisíveis. Para alguns, a família inteira é invisível. São insignificantes? Tornamos invisível o amor, a caridade, a generosidade, a ética, o respeito ao próximo e tantas coisas. Está na hora de formarmos um grupo para doar sopão aos mendigos. Eu posso ensinar alguém a ler. Você (apontando para a plateia) pode dar a cama que não me serve mais. Ela (apontando para a plateia) pode dar uma cesta básica para o vizinho que passa fome em silêncio. Nós podemos comprar o remédio daquela vovozinha que todos abandonaram. Podemos dar um guaraná para o gari. Podemos pagar um sorvete para a criança que lambe com os olhos o carrinho do sorveteiro. Não volte para casa insignificante. Não seja invisível à dor dos outros. Dê cores ao invisível. Enxergue o escuro da fome, o vermelho da bondade, o azul da oração verdadeira que é o gesto concreto de amor. Enxergue o amarelo da maior riqueza: o amor aos seres humanos. Enxergue o verde da esperança num mundo melhor... Assim você encontrará o branco da paz! A melhor coisa do mundo é colocarmos a cabeça no travesseiro e dormirmos o sono da consciência tranquila.


OBSERVAÇÃO: Encerrada essa parte, há um estrugir de vozes de bichos, retratando o momento do pôr-do-sol no Pantanal. Crianças FANTASIADAS como animais pantaneiros entram pelas plataformas A e B e executam performances junto à plateia.

TEXTO: LUÍS CARLOS FREIRE

AS CORTINAS SE FECHAM...

Fim

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

O AVÔ DE DONALD TRUMP FOI UM IMIGRANTE ALEMÃO ILEGAL QUE FOI DEPORTADO, SUA AVÓ ERA TAMBÉM ALEMÃ, E SUA MÃE UMA IMIGRANTE INGLESA — POR QUE TANTA HOSTILIDADE DE TRUMP COM OS IMIGRANTES?

 


O AVÔ DE DONALD TRUMP FOI UM IMIGRANTE ALEMÃO ILEGAL QUE FOI DEPORTADO, SUA AVÓ ERA TAMBÉM ALEMÃ, E SUA MÃE UMA IMIGRANTE INGLESA — POR QUE TANTA HOSTILIDADE DE TRUMP COM OS IMIGRANTES?

O avô de Trump, Friedrich Trump nasceu em 14 de março de 1869, na pequena aldeia de Kallstadt, na região de Pfalz, no sudoeste da Alemanha, que na época possuía menos de mil habitantes. Aos 16 anos, ele já exercia a profissão de barbeiro, mas decidiu deixar o país para evitar o serviço militar obrigatório no Exército Alemão. Friedrich comprou uma passagem de terceira classe em um navio e imigrou para os Estados Unidos de maneira irregular, buscando novas oportunidades de vida. Inicialmente, trabalhou como barbeiro, mas logo aspirou algo maior.

Mais tarde, ele se casou com Elizabeth Christ, uma jovem também oriunda de sua cidade natal, com quem teve três filhos. Após algum tempo, mudou-se para o noroeste dos Estados Unidos, atraído pela Corrida do Ouro, onde abriu diversos negócios, incluindo hotéis, tabernas e restaurantes, frequentemente localizados em áreas associadas à prostituição nas cidades mineradoras.

No início dos anos 1900, Friedrich já era um homem próspero, casado e cidadão americano. Contudo, sua esposa, Elizabeth, teve dificuldades para se adaptar ao estilo de vida nos Estados Unidos. Em 1904, o casal retornou à Alemanha, onde foram recebidos calorosamente pelos habitantes de sua cidade natal, mas encontraram resistência por parte das autoridades governamentais. Estas determinaram sua deportação, uma vez que Friedrich havia evitado o serviço militar em sua juventude.

Diante dessa decisão, Friedrich retornou com sua esposa grávida e a filha para Nova York, estabelecendo-se em um bairro alemão no sul do Bronx. Pouco tempo depois, Elizabeth deu à luz Frederick Christ Trump, que viria a ser o pai do futuro presidente Donald Trump. Friedrich faleceu em 1918, aos 49 anos, deixando seu legado para as gerações seguintes.


A MÃE DE DONALD TRUMP TAMBÉM ERA IMIGRANTE

Mary Anne MacLeod imigrou para os Estados Unidos de forma legal, após deixar sua terra natal, a Escócia. Em 2 de maio de 1930, ela embarcou no porto de Glasgow com destino aos Estados Unidos, chegando nove dias depois a bordo do navio Transilvania.

Embora tenha circulado a versão de que MacLeod teria viajado inicialmente como turista e retornado posteriormente para se casar com Fred Trump, um próspero construtor e filho de imigrantes alemães, os registros alfandegários indicam que ela já tinha a intenção de se estabelecer permanentemente no país. Seu nome consta nos arquivos de imigração de mais de 51 milhões de viajantes que chegaram aos Estados Unidos entre 1892 e 1957, pela Ellis Island e o porto de Nova York.

Os documentos de imigração afirmam que Mary Anne não pretendia voltar à Escócia e buscava fixar residência definitiva nos Estados Unidos, com vistas a obter a cidadania americana. Nascida em Tong, um vilarejo na Ilha de Lewis, no norte da Escócia, MacLeod seguiu o exemplo de três de suas irmãs — Christina, Mary Joan e Catherine — que já haviam emigrado para o país.

As autoridades registraram que Catherine, residente em Astoria (Queens), seria a responsável por recebê-la em Nova York. No campo destinado à profissão, o documento de imigração descreve Mary Anne como "doméstica", uma ocupação que sua irmã Mary Joan também exerceu antes de conhecer seu futuro marido, Victor Pauley.

Mary Anne MacLeod permaneceu nos Estados Unidos de forma contínua de maio de 1930 a junho de 1934. Proveniente de uma família numerosa e com poucos recursos, ela foi uma entre muitos imigrantes que deixaram a Ilha de Lewis após as dificuldades econômicas provocadas pela Primeira Guerra Mundial, agravadas pela perda de terras dos agricultores locais.

Com nove irmãos e uma infância marcada pela pobreza, Mary Anne buscou uma vida melhor nos Estados Unidos. Em 1942, ela obteve a cidadania americana, consolidando sua nova vida no país que seria o palco da trajetória de sua família.

Pois bem, Trump vem de uma família de imigrantes que sabe o que é a agrura inicial de todo imigrante, mas age como nazista, demarcando terreno, cor de pele, sexualidade, tipo de trabalho, enfim um ser repugnante e evasivo. Mas ainda veremos as consequências dessas deportações, pois são os imigrantes que movem os EUA...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

DISCURSO DE NÍSIA FLORESTA - RECORTE DO ESPETÁCULO "NÍSIA FLORESTA BRASILEIRAS AUGUSTAS...

 


DISCURSO DE NÍSIA FLORESTA... 

Atriz: Nathalia Françoeli

A mensagem de Nísia Floresta é uma fala forte, uma aula de civilidade que toca o coração de mulheres e homens. Ela aborda a situação da mulher ontem e hoje, exalta as conquistas femininas, encoraja as mulheres a lutar por sua independência e quebrar grilões que impedem a sua cidadania plena. Nísia descortina a situação crítica da violência contra a mulher atualmente no Rio Grande do Norte, ressalvando que o desrespeito e a violência contra as mulheres seguem intactos em pleno século XXI. Ela reitera que somente de braços dados, homens e mulheres podem se dizer habitantes de um país civilizado, pois só assim serão capazes de colaborar na construção de uma sociedade boa para todos. Enfim, encerra lembrando da única fórmula para melhorar o mundo: RESPEITO!

TEXTO/DIREÇÃO GERAL/CENÁRIO: LUÍS CARLOS FREIRE - DIREÇÃO ARTÍSTICO-COREOGRÁFICA: MARX BRUNO

APRESENTADO NO DIA 13 E 14 DE DEZEMBRO DE 2024 - TEXTO ESCRITO EM 2022

HINO DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE NÍSIA FLORESTA (RECORTE DO ESPETÁCULO: "NÍSIA FLORESTA BRASILEIRAS AUGUSTAS" )

 


MUSICAL – HINO DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE NÍSIA FLORESTA – CORAL - ESPETÁCULO EXIBIDO NO DIA 13 DE DEZEMBRO DE 2024

RECORTE DO ESPETÁCULO "NÍSIA FLORESTA BRASILEIRAS AUGUSTAS" - TEXTO/DIREÇÃO GERAL E CENÁRIO: LUÍS CARLOS FREIRE - DIREÇÃO ARTÍSTICO-COREOGRÁFICA: MARX BRUNO - APRESENTADO NO DIA 13 DE DEZEMBRO DE 2024.

Em 1909, o Congresso Literário, responsável pelas celebrações do centenário de nascimento de Nísia Floresta (e supondo que Nísia Floresta havia nascido em 1809), em parceria com o Grupo Escolar que leva seu nome, compôs um tributo singular: o “Hynno do Primeiro Centenário do Nascimento de Nísia Floresta” (na verdade, Nísia Floresta nasceu em 1810). A ocasião reuniu intelectuais vindos de diversas regiões em Papary — hoje chamada Nísia Floresta — para prestar homenagens à ilustre filha da terra. Esse hino, símbolo de reverência e reconhecimento, transcendeu o tempo. Embora criado há mais de um século, sua melodia e versos ainda ecoam, sendo finalmente gravados em estúdio, pela primeira vez, em 2000, sob os cuidados de Luís carlos Freire. A letra, repleta de lirismo e fervor, exalta a grandeza de Nísia Floresta, vejamos:

“Salve filha imortal d’esta terra - Terra ardente de ríspidos soes - Que somente beleza encerra - Mãe fecunda de bravos, de heróis (Surge, ressurge, brilha - Oh! Nísia Sublimada - Oh! Sempiterna filha - Da terra bem amada) Tu que às plagas estranhas levaste - O seu nome, o seu nome eternal - O seu nome obscuro encerraste - No esplendor de uma glória imortal - E essa glória é a tua essa glória - Os vindouros melhor guardarão - Hoje emerge do fundo da história - Sob aurora de excelso clarão”.

Com essas palavras, o “hynno” enaltece a trajetória de uma mulher que levou o nome de sua terra natal além-fronteiras, transformando sua história local em um legado universal. OBS. Esse hino - embora equivocadamente - é ventilado como sendo o Hino de Nísia Floresta, ou seja, da cidade de Nísia Floresta, o que é um grande lapso, pois é uma homenagem à intelectual Nísia Floresta, ou seja, à pessoa dela, e não ao município. Maestros: Lúcia Tabita Marques de Lima e Lailson Toscano de Medeiros Arranjos: Maestro Lailson Toscano de Medeiros e Luís Carlos Freire Pesquisa: Luís Carlos Freire (1992) Alunos: 1. Maria José Vidal, Jupiara Tavares de Souza, Edna dos Santos Bezerra, Maria Eunes A. P. Maia, Ana Lúcia Alves dos Santos, Amanda Rodrigues Candido Rosa, Maria de Sousa Lima Silva, Maria de Lourdes Bernardo de Sales, Marilene Nazareno da Silva, Cosmo Quintino Vidal, José Calixta, Glaucione Nascimento de Lima Barros, Damiana Pereira Alves Gonçalves, Maria Aparecida Pires dos Santos, Caroliny Barbosa de Farias, Tayane Orozco, Joyce Alana, Fátima Santos, Gislaine Costa da Silva.

"LENDA DA LAGOA PAPARY" - RECORTE DO ESPETÁCULO "NÍSIA FLORESTA BRASILEIRAS AUGUSTAS"

 


"LENDA DA LAGOA PAPARY"

RECORTE DO ESPETÁCULO "NÍSIA FLORESTA BRASILEIRAS AUGUSTAS"

DIREÇÃO GERAL/TEXTO E CENÁRIO: LUÍS CARLOS FREIRE - DIREÇÃO ARTÍSTICA: MARX BRUNO 

2 - MUSICAL: LENDA DA LAGOA PAPARY -  AUTOR DESCONHECIDO - CORAL

"Contava-se em Papary /A lenda de uma sereia/Era a história de Jacy/Jovem tapuia da aldeia/ Jaci formosa e catita/Filha do chefe Aribó/Era a índia mais bonita/Do Vale do Capió/Amava com amor ardente/Guaracy jovem guerreiro/Cujo peito igualmente/Nasceu um afeto primeiro/Sozinho na solidão/Guaracy vagava à toa/Ora ao redor da Caiçara/Ora ao redor da lagoa/Certa vez quando pescava/Tentando esquecer as mágoas/Ouviu que perto cantava/A voz de Jaci nas águas/A delirar, Guaracy/Na lagoa mergulhou/Seguiu a voz de Jaci/E à tona não mais voltou/Hoje essa lenda triste/Quem se dispõe a cantar/Vê quanto mistério existe/Entre a lagoa e o mar". 

A lenda fala sobre Jaci, uma jovem tapuia, e Guaracy, um guerreiro, que se amam intensamente. Guaracy, consumido pela solidão, acaba mergulhando na lagoa atraído pela voz de Jaci, e nunca mais retorna à superfície. Essa trágica história simboliza o amor que ultrapassa barreiras, mas também as consequências do desejo e da busca pelo que é inalcançável. Temas Principais: 1) Amor e Desejo: O amor entre Jaci e Guaracy é forte e puro, mas também marcado por tragédias e desafios. 2) Solidão: Guaracy representa a solidão do ser humano em busca de conexão, algo que muitos podem sentir. 3) Misticismo: A presença da lagoa e da sereia insere um elemento mágico e misterioso, refletindo a relação das culturas indígenas com a natureza e o sobrenatural. 4) Cultura e Tradição: A lenda é uma forma de preservar a cultura e as histórias dos povos indígenas, ressaltando a importância de narrativas orais.

Maestros: Lúcia Tabita Marques de Lima e Lailson Toscano de Medeiros

Arranjos: Maestro Lailson Toscano e Luís Carlos Freire

Pesquisa: Luís Carlos Freire - 1992

Coral: Vitória Beatriz Santos do Nascimento 10 anos, Anna Esther de Souza Batista,  9 anos, Livia dos Santos Azevedo 9 anos, Alicia Nayara Da Silva Sobrinho 15 anos, Luna Karlety de Lima Costa 11 anos, Sophie Fidelis do nascimento 6 anos, Anthony F. S. Silva 11 anos, Chloe F. S. Silva 09 anos, Kevin F. S. Silva 9 anos, Sebastian F. S. Silva 6 anos, Noemi Montanheiro Freire 13 anos, Júlia França Peixoto Nousinho 11 anos, Joicy Kelly Oliveira Silva 18 anos, Maria Esther Nascimento 10 anos, Júlia Gabriela Lopes da Costa, 10 anos, Anny Sophia da Silva Sales 13 anos, Ester Sofia da Silva Barros 12 anos, Martina do Nascimento Alves 10 anos, Laura Lopes Marinho  9 anos, Letícia Karoline Garcia Fernandes 9 anos, Lara Stopelli Ferreira Araújo, Serena Bassanesi Yunes, 11 anos, Maria Júlia Terto de Moura, 12 anos, Luísa Santos Lopes, Maria Clara Balbino de Castro, Miguel Lopes Ribeiro - 12 anos, Maria Esther Oliveira de Albuquerque, Maria Sophia Oliveira de Albuquerque 

"POLÍTICAS": ALZIRA SORIANO, CELINA GUIMARÃES E MARIA DO CÉU FERNANDES - RECORTE DO ESPETÁCULO "NÍSIA FLORESTA BRASILEIRAS AUGUSTAS"


 "POLÍTICAS"

RECORTE DO ESPETÁCULO "NÍSIA FLORESTA BRASILEIRAS AUGUSTAS"

Este balé encena a poderosa jornada da emancipação feminina. Cada movimento traduz a transformação da mulher que, inspirada pelas pioneiras - Alzira Soriano, Celina Guimarães e Maria do Céu Fernandes -  despertou de sua letargia e lançou-se à luta. No palco da vida, ela conquistou as ciências, desvendou horizontes e compreendeu que não havia barreiras entre ser dona de casa e ser presidente da república, médica, cientista, militar, senadora — ou o que mais sua vontade ousasse almejar. É a celebração da mulher que rompeu os grilhões invisíveis que a prendiam, que ergueu a voz e declarou com convicção: "Eu posso". Nesta dança, vibra a essência de sua liberdade e a força de sua determinação, iluminando o caminho para as gerações futuras.

DIREÇÃO GERAL/TEXTO E CENÁRIO: LUÍS CARLOS FREIRE - DIREÇÃO ARTÍSTICO-COREOGRÁFICA: MARX BRUNO

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

PROGRAMA DO ESPETÁCULO NÍSIA FLORESTA "BRASILEIRAS AUGUSTAS"...

 ESPETÁCULO
 
NÍSIA FLORESTA 
BRASILEIRAS AUGUSTAS! 

SEJAM BEM VINDOS!


De modo brincante, sem medir gestos com réguas ou traçar rumos com compassos, o espetáculo Nísia Floresta Brasileiras Augusta desvela uma história real. Entre jogos de simplicidade e despretensão, contamos – como quem espalha sementes no vento – a história de Nísia Floresta Brasileira Augusta e de outras mulheres notáveis, do Brasil, do Rio Grande do Norte, e deste chão nosso de pertença.

Aqui, o fato histórico brinca de cabra-cega com a fantasia, veste os trajes da memória e dos fatos, dança nos enfeites dos cenários, brilha nos adereços de cena, sem perder o seu coração de verdade. É como abrir, com cuidado de quem segura uma joia, uma página preciosa da História do Rio Grande do Norte. Este projeto é uma homenagem viva a todas as mulheres que aqui habitam e resistem, pois o Brasil é terra de muitas:

BRASILEIRAs   AUGUSTAs 

A dança dos corpos se borda nas mãos dos nossos mestres coreógrafos; o canto ecoa das oficinas de Coral; o ritmo pulsa na ginga das rodas de Capoeira. E, como um sopro de sol, os músicos do nosso Quinteto preenchem o ar de beleza, como fazem sempre.

Este trabalho é um presente – pequeno mas cheio de alma – oferecido pela Secretaria Municipal de Cultura, pela Prefeitura Municipal, como parte das comemorações do septuagésimo sexto aniversário de emancipação deste chão querido. Um mundo de mãos, sonhos e gestos da SEMUC se une para dar vida a este momento. Que o espetáculo floresça em seus olhos!

PROGRAMA PARA A PLATEIA

ABERTURA: 

CORTEJO DAS PIONEIRAS E HOMENAGEM AO 

HINO DE PARNAMIRIM 

17h30

Professora: Andreza Kílvia

Dia: 13.12.24 - Sexta-Feira - Alunos: Luan, Marília, Maria Emília, Jordan, Mateus, Laura, Miguel, Eloise, Carol, Kaio, Vinicius, Natália – Dia 14.12.24 – Sábado: Henrique, Toniel, Débora, Êmili, Paulo, Eloá, Fernanda, Luan, Joan, Calebe, Miguel.

Professor: Nino Costa - "Boi de Reis" - Dança Mix (Grupo de Idosos).

Dias 13 e 14.12.2024 - Sexta-Feira - Alunos: Graciele Silva, Ana Maria , Tereza Maria, Maria das Graças Patrício, Bernadete Ferreira, Milda Silva, Francisco, Celia pereira, Marly Lopes, Jenaina Melo, Terezinha Barboza, Rejane, Raissa, Maria.

Professora: Rayssa

Alunos: (13.12.24 - Sexta-Feira) Jenifer Carolaine, Kamile Sofia, Ana Heloísa, Ionara, David, João Vítor, Augusto, Enzo, Nicolas, Cauã – Dia 14.12.24 – Sábado: Henrique, Toniel, Débora, Êmili, Paulo, Eloá, Fernanda, Luan, Joan, Calebe, Miguel.

Escolhemos fazer a abertura com a Cultura Popular Brasileira para louvar o Folclore Brasileiro tão renegado ultimamente. Urge a todas as instituições públicas que trabalham com cultura e educação, se conscientizarem de que são os principais instrumentos capazes de colocar o Folclore em evidência.  São os órgãos públicos – em primeiro lugar –, que devem louvar o Folclore Brasileiro e salvar a nordestinidade e a brasilidade ultimamente trocada por estrangeirismos, ou meramente desprezada. Respeitar a cultura, a partir do nosso regionalismo é um pressuposto constante na Constituição Brasileira, portanto eis o nosso profundo respeito à Cultura Popular Brasileira!

INÍCIO DO ESPETÁCULO 

NÍSIA FLORESTA 

BRASILEIRAS AUGUSTAS: 

18H00.

1 - Sentimentos – Contemporâneo Infantil

A existência de Nísia Floresta desenrolou-se como um intrincado tecido de acontecimentos e emoções, um verdadeiro turbilhão que marcou sua trajetória singular. Desde os primeiros passos, viu-se envolta em desafios grandiosos: fugiu com sua família das perseguições contra o pai, vivenciou amores intensos e lançou-se a um casamento precoce, fruto de sua própria escolha. Enfrentou os embates de um matrimônio conturbado e a dor da separação, mudando-se para Pernambuco, onde uma nova união selou um breve período de estabilidade, interrompido pelo trágico assassinato de seu pai. A vida a levou ao Rio Grande do Sul e, logo depois, ao Rio de Janeiro, onde enfrentou a perda precoce do marido e reencontrou sua força ao fundar uma escola pioneira para meninas. Ali, desafiou as convenções ao ensinar disciplinas até então reservadas aos homens. A morte da mãe trouxe novo luto, mas também a impulsionou a atravessar mares e explorar o velho mundo: França, Portugal, Itália, Grécia, Alemanha e Inglaterra tornaram-se cenários de sua busca incessante por conhecimento e expressão.

Professor: Rodolpho Santtos – Dia 13: Turma: Manhã – Dia 14: Turma: Tarde

AlunosNirlyanne Veras, Ana Luísa, Ana Júlia, Ester Peres.

2 - MUSICAL: LENDA DA LAGOA PAPARY -  AUTOR DESCONHECIDO - CORAL – FIXO

Contava-se em Papary /A lenda de uma sereia/Era a história de Jacy/Jovem tapuia da aldeia/ Jaci formosa e catita/Filha do chefe Aribó/Era a índia mais bonita/Do Vale do Capió/Amava com amor ardente/Guaracy jovem guerreiro/Cujo peito igualmente/Nasceu um afeto primeiro/Sozinho na solidão/Guaracy vagava à toa/Ora ao redor da Caiçara/Ora ao redor da lagoa/Certa vez quando pescava/Tentando esquecer as mágoas/Ouviu que perto cantava/A voz de Jaci nas águas/A delirar, Guaracy/Na lagoa mergulhou/Seguiu a voz de Jaci/E à tona não mais voltou/Hoje essa lenda triste/Quem se dispõe a cantar/Vê quanto mistério existe/Entre a lagoa e o mar. 

“A lenda fala sobre Jaci, uma jovem tapuia, e Guaracy, um guerreiro, que se amam intensamente. Guaracy, consumido pela solidão, acaba mergulhando na lagoa atraído pela voz de Jaci, e nunca mais retorna à superfície. Essa trágica história simboliza o amor que ultrapassa barreiras, mas também as consequências do desejo e da busca pelo que é inalcançável. Temas Principais: 1) Amor e Desejo: O amor entre Jaci e Guaracy é forte e puro, mas também marcado por tragédias e desafios. 2) Solidão: Guaracy representa a solidão do ser humano em busca de conexão, algo que muitos podem sentir. 3) Misticismo: A presença da lagoa e da sereia insere um elemento mágico e misterioso, refletindo a relação das culturas indígenas com a natureza e o sobrenatural. 4) Cultura e Tradição: A lenda é uma forma de preservar a cultura e as histórias dos povos indígenas, ressaltando a importância de narrativas orais”.

Maestros: Lúcia Tabita Marques de Lima e Lailson Toscano de Medeiros

Alunos: Vitória Beatriz Santos do Nascimento 10 anos, Anna Esther de Souza Batista,  9 anos, Livia dos Santos Azevedo 9 anos, Alicia Nayara Da Silva Sobrinho 15 anos, Luna Karlety de Lima Costa 11 anos, Sophie Fidelis do nascimento 6 anos, Anthony F. S. Silva 11 anos, Chloe F. S. Silva 09 anos, Kevin F. S. Silva 9 anos, Sebastian F. S. Silva 6 anos, Noemi Montanheiro Freire 13 anos, Júlia França Peixoto Nousinho 11 anos, Joicy Kelly Oliveira Silva 18 anos, Maria Esther Nascimento 10 anos, Júlia Gabriela Lopes da Costa, 10 anos, Anny Sophia da Silva Sales 13 anos, Ester Sofia da Silva Barros 12 anos, Martina do Nascimento Alves 10 anos, Laura Lopes Marinho  9 anos, Letícia Karoline Garcia Fernandes 9 anos, Lara Stopelli Ferreira Araújo, Serena Bassanesi Yunes, 11 anos, Maria Júlia Terto de Moura, 12 anos, Luísa Santos Lopes, Maria Clara Balbino de Castro, Miguel Lopes Ribeiro - 12 anos, Maria Esther Oliveira de Albuquerque, Maria Sophia Oliveira de Albuquerque 

3 - Lenda da Lagoa Papary – Sereia – Balé Infantil

Amor Proibido: A história retrata o amor entre duas pessoas de tribos diferentes, simbolizando a luta contra as normas sociais e culturais. Esse amor muitas vezes enfrenta obstáculos, refletindo a dificuldade de construir pontes entre diferentes culturas. Natureza Sagrada: A lagoa em si é um símbolo de beleza e espiritualidade. Ela representa a conexão profunda entre os seres humanos e a natureza, sugerindo que certos lugares são mais do que físicos, mas carregam significado espiritual. Tragédia e Sacrifício: Muitas versões da lenda têm um final trágico, onde o amor não pode prosperar, o que pode simbolizar os sacrifícios que vêm com o amor verdadeiro e a luta por algo que parece inalcançável. Cultura e Identidade: A lenda reflete a importância das tradições indígenas e a necessidade de preservar a cultura e a história de um povo diante das mudanças sociais e da colonização. Esses elementos tornam a lenda rica em significado e relevância, abordando questões universais de amor, sacrifício e a relação do ser humano com o sagrado.  (Letra e melodia recolhidas em 1992 por Luís Carlos Freire, apresentada e musicada pela primeira vez neste espetáculo).

Professora: Fabiana Valentin 

Alunos: Manhã: – Dia: 13: Débora Medeiros da Silva, Helena da Mata Ferreira Dantas, Jade Mikelle Cosme Barbosa, Laura Valentina do Nascimento Claudino Silva, Maria Clara Alves Fernando, Sophie Fidélis do Nascimento,Yasmin Crispim bezerra da silva – Dia 14:  Alice Ferro Soares, Elisa Andrade de Souza, Lívia Guedes Vidal de Negreiros, Lianna da Silva Gomes, Lorena Vitória Xavier de Castro Bezerra, Mharia Antonyetta Félix Sieba, Mikaely  Sophia Lima Souto

4 - Os sons do Sítio Floresta - Passarinhos – Preparatório I - Balé Infantil – FIXO

Nísia Floresta carregou consigo o Rio Grande do Norte e o Brasil em cada jornada, como se sua alma fosse um espelho das terras que a viram nascer. Na infância, teve ao seu lado Pepé, uma fiel dama de companhia, com quem percorria os encantos do Sítio Floresta e as cristalinas lagoas de Papary, paisagens que impregnaram sua memória e sua escrita. Em suas obras, transbordam referências amorosas ao seu berço natal, exaltando as belezas naturais que a moldaram. Jamais esqueceu sua terra, e o profundo vínculo com suas raízes refletiu-se em títulos como O Brasil, uma obra em que, com firmeza e lucidez, Nísia descontrói os equívocos perpetuados nos diários de viagem de autores europeus, revelando ao mundo a verdadeira essência de sua pátria.

Professor: Fabyo Moura – Dia 13 e 14 - Alunos: Adylla Ruthy, Dreysse Maria, Camila Vitória, Luiza Souza, Letícia Saraiva, Laune Moura, Ana Beatriz, Ana Cecília, Isis Carvalho, Maria Clara Saraiva , Maria Clara Felix , Yasmin Pereira. 

5 - A Biblioteca do Pai de Nísia Floresta - Livros - Balé Infantil

Os filhos são como frutos do solo em que germinam, moldados pelas influências que os cercam. No caso de Nísia Floresta, foi embalada pela erudição de seu pai, Dionísio, advogado e escultor, que a introduziu precocemente ao vasto universo dos livros. Em sua infância, mergulhou nos clássicos universais, desvendou idiomas e explorou as múltiplas vertentes das ciências, graças à rica biblioteca que preenchia o lar paterno. Esse alicerce cultural tornou-se a fonte de suas ideias visionárias, nutrindo sua mente com a essência das novidades literárias que atravessavam o mundo. Entre essas leituras, um momento marcante foi o encontro com A Vindication of the Rights of Woman, da escritora inglesa Mary Wollstonecraft. Esse grande achado iluminou seu pensamento e pavimentou o caminho para a luta pelos direitos das mulheres, que se tornaria a espinha dorsal de sua trajetória intelectual e política.

Professora: Fabiana Valentin 

Alunos: Manhã - Preparatório II - Dia 13:  Ana Letícia Matias de Souza, Ana Sophia Cabral Dantas, Cecília Dantas de Souza, Hanna Bianca Medeiros de Lima, Letícia Helena Silva de Melo, Maria Cecília Silva, Ruth Vitória de Lima Dantas,Vanessa Santos Paiva -Alunos: Tarde - Turmas: Preparatório II - Dia 14: Ana Hadassa Rosa de Mendonça, Anne Pietra Sales Ângelo, Estefani Lucas Gomes, Klícia Emanuelly Dantas do Nascimento, Nirliane Veras de Souza, Rayca Siqueira Xavier.

6 - Nísia jovem – Balé Infantil

Desde cedo, a pequena Nísia Floresta revelava uma mente inquieta, repleta de curiosidade e ideias próprias que desafiavam os limites de sua idade. Sua mãe, embora não alfabetizada, era dotada de uma sabedoria intuitiva e de um amor incondicional, que moldaram a sensibilidade da filha. Já seu pai, Dionísio, um homem de intelecto notável, percebeu na menina um espírito voraz por conhecimento e, com dedicação, abriu-lhe as portas do universo literário, iniciando-a precocemente no fascinante mundo dos livros. Nísia nutria uma admiração inabalável por seus pais, uma devoção que norteava suas ações. Tudo o que esteve ao seu alcance fazer por eles, ela realizou com paixão e gratidão, tornando-se reflexo das virtudes e dos valores que lhes foram transmitidos.

Professora: Fabiana Valentin 

Alunos (Dia 13 - Turma: Preparatório 1 – Manhã): Bruna Ellyn Oliveira Gomes, Hellu Sophia Silva do Nascimento, Julia Barbosa, Lívia dos Santos Azevedo, Lívia Gabrielle da Silva Sales, Maria Alice Ramos de Sousa, Maria Cecília Clementino Nascimento, Maria Luiza Fortunato da Silva, Paula Vitória Coutinho G. Da Silva, Yasmim da Mata Ferreira Dantas - Dia 14 - Preparatório 1 - Tarde): Ana Melissa Gomes de Paiva, Cloe Fernandes Santana da Silva, Gislaynne Maria Araújo de Souza, Julia Gabriela Lopes da Costa, Lara Stopelli Ferreira Araújo, Laura Lopes Marinho, Letícia Karoline Garcia Fernandes, Maria Helena Azevedo Vale, Martina do Nascimento Alves, Milena Alves Pereira, Rafaela Alves Pereira, Yngrid Beatriz Pereira da Rocha. 

7 – Nísia Floresta, uma mente em ebulição - Contemporâneo - FIXO

A mente de Nísia Floresta era como um turbilhão incessante, repleta de ideias que transbordavam os limites do ambiente bucólico em que vivia. O marasmo e a serenidade de sua vila natal, moldada pelo ritmo lento de uma sociedade imperial do início do século XIX, contrastavam profundamente com os anseios grandiosos que pulsavam em sua alma. Suas asas, vastas e inquietas, jamais se acomodaram no estreito ninho de seu nascimento. Desde cedo, os sinais eram claros: Nísia estava destinada a alçar um voo imponente, guiada por uma busca incessante por experiências visionárias que transcendiam as fronteiras do lugar onde sua história começara.

Professor: Rodolpho Santtos 

Alunos: Duda França, Gabriela Olier, Artemes Gomes, Apolo

8 – As Mulheres e o Rio de Leitura de Parnamirim - Balé

Parnamirim guarda um tesouro que, embora despercebido por muitos, é de um valor imensurável: o projeto “Parnamirim, Um Rio Que Flui Para o Mar da Leitura”. Nascido do compromisso e da paixão dos professores da rede municipal de ensino, esse rio literário desdobra-se em correntezas de afeto e conhecimento, guiado principalmente pelas mãos amorosas de educadoras que, dia após dia, semeiam nas crianças o encanto pela leitura. É um despertar que transforma, um milagre cotidiano que surpreende a todos. Assim também foi com Nísia Floresta. Em sua vida, o Rio de Leitura teve nome e presença: Dionísio, seu pai, que lhe abriu as margens do saber e a conduziu ao vasto oceano do pensamento. Como em Parnamirim, a semente da leitura encontrou solo fértil, e a menina Nísia tornou-se a mulher que iluminaria gerações.

Professora: Vitória Sousa – Preparatório I – Dia:13 

Aluno (Manhã): Pietra Liah Bessa Silva, Heloísa Gonzaga Farias da Silva, Júlia Beatriz Freire Moura, Alyce Souza de Lemos, Juciane vitória da Silva Félix, Fernanda Roberta da Silva Matias, Andriela Mykeit Silva de Oliveira, Maysa vitória da Silva Santos, Ana Luiza do Nascimento Costa, Maria Valentina da Silva Bezerra - Alunos (Tarde): Laura Rafaelle Victor Rodrigues, Ana Sarah Monteiro de Oliveira, Emanuelly Otaviano Santos, Thuane Gabriela Sales Florêncio, Ketlin Gabrielly B. Marques, Ana Valentina Da Cunha N. Euzebio.

9 – Nísia Floresta no Pernambuco – Balé Infantil

Há indícios de que Nísia Floresta tenha passado um breve período no Convento das Carmelitas, em Goiana, mas foi nas cidades de Recife e Olinda que sua história ganhou contornos mais expressivos. Em Pernambuco, Nísia encontrou um ambiente propício para dar os primeiros passos em sua carreira como escritora. Começou publicando em jornais e, em 1832, lançou seu primeiro livro, Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens, uma obra ousada e profundamente polêmica para a época, que anunciava a força de seu pensamento visionário. Foi também em terras pernambucanas que sua vida pessoal se entrelaçou com momentos marcantes: ali nasceu seu irmão Joaquim, que mais tarde seguiria a carreira jurídica, e sua primeira filha, Lívia, a quem dedicaria um amor incondicional. Pernambuco, com sua efervescência cultural e política, não apenas acolheu Nísia, mas foi o berço onde ela começou a desabrochar como uma das maiores vozes da emancipação feminina no Brasil.

Professor: Fabyo Moura - Dia 13:

Alunos: (Passagem de Areia) Ana Katarina, Isabelly Souza , Sophia Jerônimo , Maria Alice, Maria Izabel , Rita Rhayara , Ana Gabriela, Hagatha Sofia , Luana Macedo - Alunos: (Moita Verde) Celina Victor, Jordan albano, Julia Gabrielly,Kelly Sofia, Maria Rita, Maria Elisa, Luiza Sinésio, Sofia Cassimiro, valeria Emanuelly, Yasmin Emanuelly.

10 – Nísia Floresta passa a escrever em Jornais no Pernambuco – Balé Juvenil

A escrita de Nísia Floresta sempre refletiu a harmonia de um pensamento profundamente equilibrado e a força visionária de uma mente à frente de seu tempo. Foi na província de Pernambuco que seu talento literário floresceu plenamente, revelando ao mundo sua veia de escritora comprometida com causas sociais e educativas. Ali, suas ideias ganharam espaço nos jornais locais, e seu livro Opúsculo Humanitário surgiu como uma preciosa compilação dos artigos publicados em um periódico pernambucano. A relevância de sua obra ecoa até os dias de hoje. Prova disso é o reconhecimento acadêmico da Universidade de São Paulo, que tornou a leitura de Opúsculo Humanitário obrigatória em seu vestibular, perpetuando o legado de Nísia como uma voz imprescindível na história da literatura e do pensamento brasileiro.

Professora: Vitória Sousa - Básico I -  Manhã - Dia 13 

Alunos: Luna Karlety de Lima Costa, Heloisa Victor De Lima, Camila Emanuelle da Silva, Ana Júlia da Silva Freitas, Lara Sophia Oliveira de Aquino, Giovanna Thais Rodrigues.

Professor: Fabyo Moura -  Básico I - Tarde - Dia 14

Alunos: Ingrid Beatriz, Laura Fonseca, Noemi Montanheiro, Damaris Cristiane, Ana Cecília, Lisbela Moura, Maria Alice.

Alunos: Moita Verde Dia 13: Celina Vítor, Jordan Albano, Júlia Gabrieli, Keli Sofia, Maria Rita.

Alunos: Passagem de Areia: Dia 14: Ana Katarina, Isabele Souza, Sofia Jerônimo, Maria Alice Câmara Costa, Maria Izabel, Rita Raiara.

11 – A Revolução de 1817 - Revoltosos – Hip Hop

O Nordeste brasileiro sempre se destacou pela inquietude diante das injustiças e pela determinação em combater explorações. Em 1817, chegou ao Rio Grande do Norte a notícia de uma rebelião audaciosa que irrompera em Recife, fruto da indignação contra os abusos do poder estrangeiro. Esse levante, que se tornaria conhecido como a Revolução de 1817, buscava nada menos que a conquista de um governo local autônomo, livre das amarras do domínio colonial. No solo potiguar, André de Albuquerque Maranhão tornou-se o mártir dessa causa, sacrificando-se em nome dos ideais libertários. Foi nesse contexto turbulento que o pai de Nísia Floresta, Dionísio, por ser português, passou a ser visto com desconfiança, acusado de possível espionagem em favor de Portugal. Perseguidos por essa suspeita infundada, a família viu-se obrigada a fugir para Pernambuco, carregando consigo não apenas a coragem de enfrentar o desconhecido, mas também o desejo de reconstruir suas vidas longe das sombras da perseguição.

Professor: Fabyo Moura – Dia 14 - FIXO 

Alunos: Hip Hop: Maria Alice, Maria Cecília, Emily Flavia, Maria Ester, Klarice Emanuele - Cenas: tiros na multidão / morte do pai de Nísia Floresta. 

12 – Nísia Floresta no Rio de Janeiro – Balé Infantil 

Tudo o que é diferente, é estranho e pode chocar. As ideias de Nísia Floresta sempre foram visionárias e ela recebeu críticas terríveis. O preço da sua inquietude foi muito alto, inclusive ela foi vítima de calúnias oriundas de pessoas acostumadas – e acomodadas - aos preconceitos e tabus muito comuns à época. Ela ignorou os ataques. Saiu do lugar comum, percebeu que as mulheres precisavam estudar, ter acesso ao conhecimento para poder participar da construção de um Brasil civilizado e viu que alguém tinha que começar. Nísia foi esse começo. As críticas recebidas serviram-lhe de ânimo. Se tivesse ficado parada no tempo, não teria construído uma história que é respeitada internacionalmente em pleno séc. XXI.

Professor: Fabyo Moura 

Alunos: Moita Verde - dia 13: Beatriz Seabra, Ana Clara, Clara Lais, Emile Gabriely , Emile Fernanda, Maria Vitória, Maria Laura , Maria Cecília , Raquel Rodrigues , Rebeca lima, Sara Gabrielly.

Professora: Fabiana Valentin - Dia 14 

Alunos: Passagem de Areia - Dia 14: Iara Ramos Dias, Izis Thaymara Olegário Gomes, Maria Isadora de Melo Rodrigues, Sofia Saori Silva de Araújo, Aysha Nicoly Dantas Lima, Maria Alice Bezerra da Silva, Maria Eduarda Miranda Sobrinho, Maria Eduarda Silva Diniz, Maria Isabelly Rodrigues Dias, Yasmin Sophia Rodrigues de Assis, Alice de Oliveira Gomes, Ana Ester de Macedo Franco, Maria Gabriely da Silva, Liseane Soares de Souza, Maria Luísa da Silva, Maria Sara da Costa Silva Inácio, Vitória Letícia Freitas da Silva.

13 – MUSICAL - CARMEM MIRANDA – TICO-TICO NO FUBÁ – FIXO

Carmem Miranda, portuguesa de nascimento, mas brasileira de coração, chegou ao Brasil ainda bebê. Foi uma mulher que quebrou velhos paradigmas e derrubou preconceitos. Ela se transformou num mito da música e caiu nas graças dos estados Unidos, cantando em português e em inglês os grandes compositores do Brasil na Broadway. Carmem não fez parte da época de Nísia Floresta, mas fez parte do rol das artistas visionárias, que fez história e marcou época, mostrando que mulheres e homens podem construir os caminhos que quiserem.

Maestros: Lúcia Tabita Marques de Lima e Lailson Toscano de Medeiros - Intérprete: Aluna Ester Sofia da Silva Barros - Orientação coreográfica: professora Vitória Sousa

Alunos (Côro): Regina Evilin Martins da Silva, Maria Alicy de Souza Silva, Anna Alice Seabra Cosme da Silva, Anna Beatriz Araújo de Oliveira Hádila Emanuelly, Ana Lívia de Araújo Lima

14 - O Colégio Augusto - Alunas de Nísia Floresta – Balé Infantil - FIXO

Fundado em 1837, no Rio de Janeiro, o Colégio Augusto recebeu o nome do grande amor da sua vida:  Manoel Augusto de Faria Rocha, então falecido. Era uma instituição para meninas. O colégio quebrou regras, cuja política de ensino diferenciada dos demais colégios para meninas, permitia que as mesmas estudassem disciplinas que só os homens aprendiam. Por isso houve um escândalo na capital do Brasil, gerando-lhe muitos ataques.

Professora: Vitória Sousa - Turmas: Preparatório II 

Alunos: Kyara Cellina Rodrigues da Silva, Marya Eduarda da Silva Santos, Alycia Suelen Santos da Silva, Gabrielly Wiliane da Silva, Maria Alicy de Souza Silva, Sofia Silva Andrade, Yasmim Gabrielly Santos de Souza, Ana Cecília Lima dos Santos, Maria Vitória Ribeiro de Lima, Maria Alice Câmara Costa, Vitória de Souza Rodrigues, Valentina de Souza Rodrigues, Gersiane Vitória dos Santos Silva.

15 - Eu não te dou permissão - Mulher e machismo – Contemporâneo - FIXO

Essa construção coreográfica, assinada pela bailarina Vitória Souza, traduz a violência contra a mulher a partir dos noticiários frequentes nas redes sociais. Traduz a misoginia, a violência psicológica, física, o estupro e o feminicídio. Retrata a covardia da força física maior sobre a menor. É um grito em prol do respeito.

Professora: Vitória  Sousa

Alunos

16 – Brasil Monárquico - Princesas - Baby 

Nísia Floresta nasceu em 1810, dois anos após a Família Real chegar ao Brasil. Ela viveu Primeiro Reinado (1822-1831), o Período Regencial (1831-1840) e morreu em 1885, em Rouen, França, quatro anos antes do encerramento do Segundo Reinado (1840-1889). O período imperial do Brasil. É surpreendente que, justamente uma mulher tenha conseguido estampar ideias que, analisando friamente, eram contrárias ao próprio sistema. Foi um ato de extrema coragem, principalmente porque ela estava sozinha...

Professora: Vitória Sousa 

Alunos (Dia 13): Karla Priscilla Da Silva, Isis Flor Gondim Tasca Ferreira, Sara Júlia dos Santos Silva , Rebeca Silva Andrade, Ágatha Raphaella Barbosa da Silva, Sofia Freitas Ferreira, Maytê Nobre Viana, Sara Hadassa Balbino de Lima. Alunos (Dia 14): Rosa Valentyna Nascimento da Silva, Nayla Keyara de Sousa Rocha, Analice Pinto Sobrinho, Ana Lívia de Freitas Gomes, Iza Valentina Ferreira Santos, Maria Cecília Ferreira de Paiva, Chiara Maria Jales Brasil.

17 – Escravidão dói na alma, dói na pele, dói até hoje – Contemporâneo - FIXO

Aqui nós evocamos as sombras de outrora, em que a escravidão alicerçava o martírio de corpos e almas. A dor de uma pele rasgada por açoites, a humilhação de ser mercadoria sem voz, a supressão de liberdades em grilhões que ferem tanto a carne quanto o espírito. A agonia de vidas atadas ao pelourinho, à míngua, separadas de seus laços mais sagrados, estilhaçadas em prantos eternos. A fome que corrói, a moral que sangra, a dignidade espezinhada sob o peso da exploração e dos abusos que reduziam seres humanos ao nada. E hoje, quais são as dores que nos atravessam? Persistem feridas, menos visíveis, mas igualmente lancinantes. Poucos sabem – porque os caminhos da História são por vezes velados – que Nísia Floresta, muito antes de a Princesa Isabel vir ao mundo, já erguia sua pena contra a escravidão. Em páginas ardentes, denunciava com coragem as correntes que aprisionavam os povos negros, combatendo a barbárie com a força das ideias. É tempo de reparar os anais do Brasil. De conceder a Nísia Floresta seu lugar de honra entre os abolicionistas que libertaram consciências e corpos. Ela, cujo nome deveria ecoar junto aos de Joaquim Nabuco, Castro Alves, Luís Gama, André Rebouças, e tantos outros que empunharam a bandeira da liberdade. A história lhe deve não só reconhecimento, mas a justa glória no panteão da memória nacional.

Professores: Vitória Sousa

Participação especial: Professor Fabyo Moura e Ingrid de Souza Bezerra

18 – Nísia Floresta, Primeira Abolicionista do Brasil – Contemporâneo Juvenil - FIXO

A obra de Nísia Floresta é composta de 15 livros e incontáveis textos jornalísticos. Suas ideias abolicionistas passeiam em seus livros, sendo intensas e abrangentes em uns, e mais leves em outros, mas é nítido o seu espírito abolicionista. Inclusive, quase trinta anos antes de a Princesa Isabel nascer, ela já dizia que a escravidão “era a maior vergonha dos povos cristãos”, o que sem dúvida a classifica como a primeira abolicionista do Brasil.

ProfessorRodolpho Santtos

Alunos: Ceiça Albuquerque, Gleyciane Veras, Jenyfer Silva, Marina Corrêa, Lívia 

19 – Nísia Floresta na França - FIXO

A França, terra de ideias em ebulição, acolheu Nísia Floresta como um abrigo natural, o solo onde encontraria seus iguais. Não é difícil imaginar por que ela escolheu esse país: era um espaço fértil para mentes que ansiavam transcender limites. Intelectual por essência e por vocação, Nísia, contudo, enfrentava uma ironia cruel — o fato de ser mulher erguia barreiras que a isolavam até mesmo de suas semelhantes. Enquanto muitas mulheres permaneciam confinadas ao lar, alheias às letras e aos debates que moldavam o mundo, Nísia caminhava em outra direção, movida por pensamentos que voavam alto. Essa distância não era fruto de arrogância, mas de uma realidade imposta por séculos de exclusão. Por isso, ela travou uma batalha incessante pela educação integral das mulheres. Sabia, com clareza quase profética, que apenas a luz do conhecimento seria capaz de transformá-las em protagonistas da história, aptas a construir não apenas suas próprias vidas, mas os alicerces de uma nação mais justa e iluminada.

Professora:  Vitória Sousa - Básico I

Alunos: Beatriz Bezerra da Silva, Ariane Bezerra do Nascimento, Heloisa André de Souza, Ana Júlia Chaves de Oliveira, Lara da Rocha Morais, Emily Marinho Fernandes, Anna Luiza Tomaz da Rocha Oliveira, Maria Cecília da Silva Rocha, Flaviane Araújo Guimarães de Lima

20 – Clair de Lune – Debussy – Balé Clássico - Intérprete: Professora Vitória Sousa - FIXO

A bailarina Vitória Sousa dá vida ao luar, traduzindo em movimento a dança etérea da luz da lua sobre a lagoa Papary. Seus gestos capturam a suavidade dos reflexos prateados que beijam o espelho d’água, enquanto as lufadas de vento, como dedos invisíveis, desenham franjas líquidas na vastidão do manancial. Em sua dança, a lagoa pulsa, reluzindo sob a lua que, em tempos imemoriais, selou o enlace de Jacy e Guaracy. Há uma versão, embora poucos norte-rio-grandenses saibam, que foi essa mesma lenda, sussurrada pelas brisas de Papary, que inspirou Debussy a compor Clair de Lune. Uma canção eterna, nascida do encanto de um mito e renascida, agora, no início deste espetáculo. 

21 – Nísia Floresta, uma mulher dos Oceanos – Jazz Contemporâneo - FIXO

Nísia Floresta foi uma desbravadora dos mares e oceanos, navegando em um tempo em que o navio era o ápice da tecnologia para atravessar longas distâncias. Marcada por perdas irreparáveis, encontrava na viagem um bálsamo para a mente inquieta, acreditando que o movimento e o encontro com o novo eram as melhores formas de aliviar o espírito. Para os padrões de sua época, sua coragem era extraordinária. Embarcava em longas jornadas sozinha ou, por vezes, acompanhada de sua filha, desafiando convenções e ampliando horizontes. Em uma dessas viagens, chegou ao coração do Vaticano, onde foi recebida em audiência pelo Papa Pio IX, junto à filha. Onde quer que estivesse, Nísia transformava o espaço ao seu redor em um templo de aprendizado e cultura. Percorria pontos históricos, mergulhava nas galerias de arte, perdia-se entre prateleiras de livrarias e bibliotecas. Frequentava aulas e cursos com avidez, e em sua própria casa organizava saraus que reuniam a nata intelectual da Europa. Sua vida foi um tributo à curiosidade, ao saber e ao desejo incessante de transcender barreiras.

Professora: Vitória Sousa

Alunos: Maria Alicy de Souza Silva, Ingrid de Souza Bezerra, Regina Evilin Martins da Silva, Anna Alice Seabra Cosme da Silva, Ana Lívia de Araújo lima, Priscila Dias de Araújo de Azevedo, Anna Beatriz Araujo De Oliveira, Lara Sophia Oliveira de Aquino, Hádila Emanuelly.

22 – Mulheres na Ciência – Balé Adulto - FIXO

Hoje, a mulher ocupa todos os espaços das Ciências, desbravando territórios que outrora lhe foram negados. Sua presença em todas as esferas profissionais é a prova viva das palavras visionárias de Nísia Floresta, que, há quase dois séculos, defendeu com ardor que somente o acesso irrestrito ao saber poderia abrir as portas dos cargos públicos e das altas responsabilidades. Esta coreografia celebra essa jornada: a imponência de quem conquistou seu lugar, a vitória de quem realizou o sonho de igualdade, e a plenitude de quem, agora, dança livremente em todos os palcos do mundo profissional. É um tributo ao presente que honra as lutas do passado e inspira os passos do futuro.

Professora: Fabiana Valentin

Alunos: Josiane Terto da Silva, Maria da Conceição Albuquerque, Sidclea Silva da Costa, Thalita Varela da Silva Pinheiro, Viviane da Silva Viana, Gleyciene Araújo Veras.

23 – Nísia Floresta Indianista – Popular - FIXO

A Literatura Brasileira sempre exibiu um indígena europeizado, alegorizado numa aparência contraditória - abrasileirada e aportuguesada -, e que, para os europeus, continuava exótico, selvagem, caricaturado. No livro “A Lágrima de Um Caeté” (1847), um extenso poema que trata a Revolução Praieira e a condição degradante dos indígenas Caetés, Nísia quebra essa imagem distorcida e desnuda o indígena real, derrotado e sem identidade. Não se reconhecia selvagem ou civilizado e chorava a dor dessa dilapidação. Sem dúvida alguma, ela foi a primeira indianista do Brasil.

Professor: Nino 

Alunos: Graciele Silva, Ana Maria , Tereza Maria, Maria das Graças Patrício, Bernadete Ferreira, Milda Silva, Francisco, Celia pereira, Marly Lopes, Jenaina Melo, Terezinha Barboza, Rejane, Raissa, Maria.

24 – Mulheres Que Batalham em Todos os Lugares - Hip Hop

Assim como as intelectuais que desbravaram árduos caminhos para conquistar seu espaço na sociedade, a mulher comum traçou uma jornada igualmente desafiadora. Outrora confinadas ao lar, vigiadas e controladas, todas enfrentaram as barreiras do tempo. Hoje, vemos a mulher reescrevendo sua história: dona de bar, feirante, motorista de ônibus, vendedora de toalhas nas praias. Em cada um desses papéis, ela manifesta a mesma força que impulsionou as pensadoras e pioneiras. No fundo, esses dois perfis de mulheres convergem em algo essencial — a luta incansável e a conquista de sua liberdade. Cada passo, seja nos salões de debates ou nas ruas do cotidiano, ressoa como uma vitória compartilhada na trajetória pela dignidade e pela igualdade.

Professor: Yracquitan – Dia 13

AlunosAlice Rayssa Ribeiro de Souza, Maria Luisa do Nascimento, Kaio Olyver do Nascimento Silva, Kimberly Raphaela Rodrigues da Silva, Maria Yanne Ferreira Monteiro, Larissa Gonzaga Farias da Silva, Lucas Quinto do Nascimento, Júlio Cézar do nascimento França.

25 – Emancipação Políticas – Balé 

Este balé encena a poderosa jornada da emancipação feminina. Cada movimento traduz a transformação da mulher que, inspirada pelas pioneiras, despertou de sua letargia e lançou-se à luta. No palco da vida, ela conquistou as ciências, desvendou horizontes e compreendeu que não havia barreiras entre ser dona de casa e ser presidente da república, médica, cientista, militar, senadora — ou o que mais sua vontade ousasse almejar. É a celebração da mulher que rompeu os grilhões invisíveis que a prendiam, que ergueu a voz e declarou com convicção: "Eu posso". Nesta dança, vibra a essência de sua liberdade e a força de sua determinação, iluminando o caminho para as gerações futuras.

Professora: Vitória Sousa - Dia 13: Básico I

Alunos: Ingrid de Souza Bezerra, Ana Carla Maria de lima, Iris Eduarda Medeiros de Sousa.

Professor: Fabyo Moura - Dia 14: Básico II 

Alunos: Maria Helena Alves , Maria Helena Araújo, Emanuelly campos, Maria Fernanda, Bruna Gabriele, Tammy Graciano, Emilly Vitória, Sayonara Macedo, Vivian Rafaela.

Misancène FIXO: Maria Helena Alves, Maria Helena Araújo, Emanuelly Campos, Maria Fernanda, Bruna Gabriele, Tammy Graciano, Emilly Vitória, Sayonara Macedo, Vivian Rafaela.

26 – O Avanço feminino - Kpop – Todas as turmas - FIXO

O espírito do K-Pop, com sua energia vibrante e ousadia transformadora, ecoa a trajetória de Amélia Machado, uma mulher aparentemente comum, mas extraordinária em sua essência. Dona de casa e anfitriã primorosa de grandes jantares que reuniam a elite empresarial de Natal no século XX, Amélia viu seu mundo mudar com a morte do marido, Manoel Machado, um milionário que acumulava vastos patrimônios e empreendimentos. Contra todas as expectativas de uma sociedade que a via apenas como "simples dona de casa", Amélia tomou as rédeas do legado deixado, administrando com destreza e determinação o vasto império comercial. Sua firmeza e visão de negócios surpreenderam  desconcertaram os empresários da época, que esperavam vê-la vender os bens herdados. No entanto, a genialidade de Amélia despertou a maldade de um sistema patriarcal que não tolerava sua ascensão. Assim, nasceu uma lenda destinada a denegri-la, carregada de preconceitos e tentativas de ofuscamento. Mas Amélia, indomável, superou cada adversidade, transformando-se na primeira empresária de sucesso do Rio Grande do Norte. A lenda injusta não conseguiu apagá-la; ao contrário, apenas reafirmou a grandeza de uma mulher que se reinventou e abriu caminho, mostrando que, mesmo diante de preconceitos, a força e a resiliência podem construir um legado inabalável.

Professor: Tato Takai 

Alunos: Maria Milena, Natali Jenifer da Silva Cruz, Vitória da Silva Saraiva Dantas. Giovana Pérola Barreto Pereira, Laura Maria Azevedo Guilhermino, Sara Maria Costa de Andrade, Luana Ingrid Costa Juvino, Lara Stopelli Ferreira Araújo, Bianca Sofia dos Reis Filgueira, Raquel Peixoto Gouveia de Brito, Estela do Nascimento Sales, Maria Clara Freire de Oliveira, Betina Rodrigues Ferreira Ribeiro, Lívia Souza Costa Ribeiro. 

27 – MUSICAL – HINO DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE NÍSIA FLORESTA – CORAL 

Em 1910, o Congresso Literário, responsável pelas celebrações do centenário de nascimento de Nísia Floresta, em parceria com o Grupo Escolar que leva seu nome, compôs um tributo singular: o “Hynno do Primeiro Centenário do Nascimento de Nísia Floresta”. A ocasião reuniu intelectuais vindos de diversas regiões em Papary — hoje chamada Nísia Floresta — para prestar homenagens à ilustre filha da terra. Esse hino, símbolo de reverência e reconhecimento, transcendeu o tempo. Embora criado há mais de um século, sua melodia e versos ainda ecoam, sendo finalmente gravados em estúdio, pela primeira vez, em 2000. A letra, repleta de lirismo e fervor, exalta a grandeza de Nísia Floresta, vejamos: Salve filha imortal d’esta terra - Terra ardente de ríspidos soes - Que somente beleza encerra - Mãe fecunda de bravos, de heróis (Surge, ressurge, brilha - Oh! Nísia Sublimada - Oh! Sempiterna filha - Da terra bem amada) Tu que às plagas estranhas levaste - O seu nome, o seu nome eternal - O seu nome obscuro encerraste - No esplendor de uma glória imortal - E essa glória é a tua essa glória - Os vindouros melhor guardarão - Hoje emerge do fundo da história - Sob aurora de excelso clarão”. Com essas palavras, o “hynno” enaltece a trajetória de uma mulher que levou o nome de sua terra natal além-fronteiras, transformando sua história local em um legado universal.

Maestros: Lúcia Tabita Marques de Lima e Lailson Toscano de Medeiros

Alunos1. Maria José Vidal, Jupiara Tavares de Souza, Edna dos Santos Bezerra, Maria Eunes A. P. Maia, Ana Lúcia Alves dos Santos, Amanda Rodrigues Candido Rosa, Maria de Sousa Lima Silva, Maria de Lourdes Bernardo de Sales, Marilene Nazareno da Silva, Cosmo Quintino Vidal, José Calixta, Glaucione Nascimento de Lima Barros, Damiana Pereira Alves Gonçalves, Maria Aparecida Pires dos Santos, Caroliny Barbosa de Farias, Tayane Orozco, Joyce Alana, Fátima Santos, Gislaine Costa da Silva.

28 – TEATRO: DISCURSO DE NÍSIA FLORESTA... 

Atriz: Nathalia Françoeli

A mensagem de Nísia Floresta é uma aula de civilidade que toca o coração de mulheres e homens. Ela aborda a situação da mulher ontem e hoje, exalta as conquistas femininas, encoraja as mulheres a lutar por sua independência e quebrar grilões que impedem a sua cidadania plena. Mas ressalva que o desrespeito e a violência contra as mulheres seguem intactos em pleno século XXI. Ela reitera que a mulher deve colaborar na construção de uma sociedade boa para todos, lado a lado com o homem. Enfim, encerra lembrando da única fórmula para melhorar o mundo: RESPEITO!

FIM...

DIREÇÃO GERAL: Luís Carlos Freire

DIREÇÃO ARTÍSTICA: Marx Bruno de Araújo Silva

DIREÇÃO DE PALCO: Domingos Costa

DIREÇÃO COREOGRÁFICA: Marx Bruno de Araújo Silva

COORDENADOR TÉCNICO: Raíssa Costa 

CENOTÉCNICO: Luís Carlos Freire

COMUNICAÇÃO DIGITAL: Marx Bruno de Araújo Silva

ASSESSORIA DE IMPRENSA: ASCOM

CENÁRIO: Luís Carlos Freire

INTÉRPRETE DA VOZ DE NÍSIA FLORESTA: escritora Ana Catarina da Silva Fernandes

ILUMINAÇÃO/DESIGN DE LUZ: Nando Galdino/NG Produções Técnicas

ASSISTENTE DE ILUMINAÇÃO E PALCO: Equipe de Nando Galdino/NG Produções Técnicas

SONOSPLASTIA: Marx Bruno

DIRETOR DE PALCO: Domingos Costa

TEXTO: Luís Carlos Freire

SOMEquipe de Nando Galdino/NG Produções Técnicas

CHEFE DE CAMARINS: Fátima Isidro

MÚSICOS DO QUINTETO: Jociel Melo, Isaías Silva de Oliveira Alves, Erivanildo Santos, Paulo Henrique Rebouças Simão, José  Nadson Pereira.

FILMAGEM: Flashzoom

FIGURINOS: Maria do Socorro Aires da Silva

DESENHISTA DE FIGURINO: Fabyo Moura

ADEREÇOS: Fabyo Moura/Luís Carlos Freire

INSTRUTORES: Andreza Kívia - Bruno Versati - Fabiana Valentin, Fabyo Moura - Lailson Toscano, Lúcia Tabita - Michael Esquimó - Nino Costa - Raíssa Maiara, Rosenildo Trajano, Rodolpho Santtos - Tato Takai,- Vitória Souza -Yracquitan Fernando.

EQUIPE GERAL: Alyne Sussany de Souza Moura, André Batista - Edna Patrícia Duarte Tavares, Erivanildo Santos - Isaías Silva de Oliveira Alves - José Evânio Pereira de Lima - Jucenor Costa, Josiele Bezerra dos Santos, Jociel Melo do Nascimento, José  Nadson Pereira - José Renato da Silva Costa - Kelly Christina de Araújo Silva Dantas, Kaliny Flaviana da Silva Barros, Keity Rayane Leite Filgueira - Leandro Alves de Lima, Leyce Rangelly Pegado do Nascimento, Larissa Alves Chianca Oliveira, Luciane Braz de Oliveira da Silva, Luís Carlos Freire - Marx Bruno, Maria de Fátima Isidro, Maria Ocileide Cosme Ferreira - Nicolas Kelvin Araújo Dantas, Paulo Henrique Rebouças Simão - Raiany Maria de França Bay, Ramon Gomes Fernandes, Raquel Ludmila Siqueira de Paiva - Sonali Monteiro Pessoa Pereira, Suelly Gomes Peres - Romilson Lira - Valéria Rodrigues Batista da Silva, Vanessa Dantas Lima - Zeneide Torres de Oliveira Rocha.

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS:

- Professora Angélica Fernandes de Oliveira Vitalino (Biblioteca Pública Municipal Elienai Cartaxo - Projeto Rio de Leitura) pelas preciosas informações pertinentes às mulheres, retiradas da Bíblia Sagrada.

- Francisco Jonas Fernando e Rainilda Alves de Freitas - Jonas Moveis Planejados, avenida Pau Brasil, nº 500, Bairro Santa Teres. Pela doação de um carrinho para condução do livro gigante

- Ao Mestre Tupik, pela cessão das estacas para os estandartes

À equipe geral - citada acima - pelo apoio à estrutura e logística desse espetáculo.

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS AOS COLABORADORES ABAIXO, PELO SENSO ADMIRÁVEL DO VOLUNTARIADO. OBRIGADO E PARABÉNS!

Lara Sophia  Oliveira de Aquino, Camila Emanuelle da Silva, Jeovanna Thays Rodrigues da Silva, Luna Karlety de Lima Costa, Lara Sophia  Oliveira de Aquino, Alicia Nayara Martins da Silva, Ana Lívia de Araújo Lima, Priscila Dias de Araújo de Azevedo, Anna Beatriz Araújo de Azevedo, Hádila Emanuelly, Ingrid de Souza Bezerra, Sofia Silva Andrade, Maria Alice Câmara Costa, Ana Cecília Lima dos Santos, Yasmin Gabrielly Santos de Souza, Ana Beatriz Araújo de Oliveira, Maria Alicy de Souza Silva, Ana Carla Lima Santos, Ingrid de Souza Bezerra, Regina Evili Martins da Silva, Ana Lúcia de Araújo Lima, Iris Eduarda de Medeiros Souza, Marya Eduarda da Silva santos, Gerciane Vitória dos Sanros Silva, Vitória de Souza Rodrigues, Maria Alice Ramos de Souza, Lívia dos Santos Azevedo, Maria Cecília Clementino do Nascimento, Camila Emanuelli da Silva, Lana Karlety, Heloísa Victor de Lima, Giovanna Thais Rodrigues da Silva, Valentina de Souza, Ana Júlia da Silva Freitas, Maysa Vitória da Silva Santos, Ana Luísa do Nascimento Costa, Fernanda Roberta da Silva Matias, Anthony F. S. Silva, Kevin F. S. Silva, Sebastian F. S. Silva.