ANTES DE LER É BOM SABER...

Contato (Whatsapp) 84.99903.6081 - e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com. Ou pelo formulário no próprio blog. Este blog, criado em 2009, é um espaço intelectual, dedicado à reflexão e à divulgação de estudos sobre Nísia Floresta Brasileira Augusta, sem caráter jornalístico. Luís Carlos Freire é bisneto de Maria Clara de Magalhães Peixoto Fontoura (*1861 +1950 ), bisneta de Francisca Clara Freire do Revoredo (1760–1840), irmã da mãe de Nísia Floresta (1810-1885, Antônia Clara Freire do Revoredo - 1780-1855). Por meio desta linha de descendência, Luís Carlos Freire mantém um vínculo sanguíneo direto com a família de Nísia Floresta, reforçando seu compromisso pessoal e intelectual com a memória da escritora. (Fonte: "Os Troncos de Goianinha", de Ormuz Barbalho, diretor do IHGRN; disponível no Museu Nísia Floresta, RN.) Luís Carlos Freire é estudioso da obra de Nísia Floresta e membro de importantes instituições culturais e científicas, como a Comissão Norte-Riograndense de Folclore, a Sociedade Científica de Estudos da Arte e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Os textos também têm cunho etnográfico, etnológico e filológico, estudos lexicográficos e históricos, pesquisas sobre cultura popular, linguística regional e literatura, muitos deles publicados em congressos, anais acadêmicos e neste blog. O blog reúne estudos inéditos e pesquisas aprofundadas sobre Nísia Floresta, o município homônimo, lendas, tradições, crônicas, poesias, fotografias e documentos históricos, tornando-se uma referência confiável para o conhecimento cultural e histórico do Rio Grande do Norte. Proteção de direitos autorais: Os conteúdos são de propriedade exclusiva do autor. Não é permitida a reprodução integral ou parcial sem autorização prévia, exceto com citação da fonte. A violação de direitos autorais estará sujeita às penalidades previstas em lei. Observação: comentários só serão publicados se contiverem nome completo, e-mail e telefone.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Túmulo de Nísia Floresta: abandonado e sufocado... Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó (1735-1755): descaracterizada - Se não forem tombados pelo IPHAN serão totalmente descaracterizados lentamente...


 
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó (1735-1755): descaracterizada - Túmulo de Nísia Floresta: abandonado e sufocado...  Se não forem tombados pelo IPHAN serão totalmente descaracterizados lentamente..

    Nesta semana, estive na Academia de Letras do Rio Grande do Norte, onde funciona o Conselho Estadual de Cultura. Fui ali para denunciar a descaracterização que vem sendo feita na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, conforme inúmeras fotografias postadas no final deste texto, denunciar a situação de abandono e sufocamento feito ao túmulo da escritora Nísia Floresta, ocasião em que solicitei que o Conselho Estadual de Cultura pedisse - com urgência - o seu tombamento. Minhas denúncias, na verdade, vêm desde 2009, quando rebentaram a parede de pedras de quase 300 anos de idade para fazer um nicho que poderia ter sido feito de madeira, numa peça móvel, sem precisar descaracterizar o templo iniciado em 1735 e concluído em 1755. 
 
Observe as imagens dentro da igreja, enquanto o telhado é destelhado. Em que lugar do Brasil alguém acharia isso normal? As imagens correndo risco de um acidente por falta de visão de quem realiza a obra.
 
Hoje, algumas pessoas não entenderão o meu gesto, pois muitos ainda vivem à sombra do ranço do mandonismo dos velhos coronéis e senhores de engenho, que os impediam de pensar, portanto estão cegos, ou o fingem. Mas importa-me a certeza de estar no caminho certo, e fazendo o papel que pertence a milhares de omissos do próprio município de Nísia Floresta/RN. Sou profundamente contra os atos imperdoáveis que precisam ser interditados a bem da História e da Memória do Brasil, e refletidos nas escolas e em todos os ambientes de Cultura. Sou contra a ignorância promovida por ditando hábitos e passando por cima da verdade e da História. O meu ato de ser contra se pauta na importância de se preservar a História e a Memória do Brasil para as novas gerações. Nada mais. Estamos diante de crimes contra patrimônios históricos de valores incalculáveis, dilapidados em nome de uma modernidade inadmissível, assistida em silêncio porque equivocados, de fato, acham bonito o gesso, o vidro, a laje cheirando a cimento, o porcelanato etc.
 
Conforme falei, em 2009 denunciei à Fundação José Augusto e Arquidiocese a construção de um altar e nicho na nave direita. Coisa tosca e inadmissível. Repeti a denúncia, 2014: veja o link
http://nisiaflorestaporluiscarlosfreire.blogspot.com/2014/11/igreja-matriz-de-nisia-floresta-sofre.html Mas no caso acima foi sobre a retirada do telhado e madeiramento com AS IMAGENS EXPOSTAS DENTRO DA IGREJA, como se comprova no link acima. São imagens de madeira, folheadas a ouro, datadas do século XVIII. Após a denúncia, mandaram retirar as imagens dois dias depois, e um nisiaflorestense disse que meu texto era mentiroso, apresentando fotos com os nichos vazios. A sorte foi eu ter fotografado antes, pois eu não seria louco de manipular as imagens que falam por si (confira).
 
Observem o absurdo: andaimes sobre um ladrilho-hidráulico antiquíssimo, em perfeito estado, sofrendo o peso do ferros, riscando e trincando. Observe as telhas e os entulhos sem que fossem colocados uma proteção no ladrilho (lona, papelão e outros materiais que evitariam danos), muito embora nada deveria estar ali, se fosse um trabalho profissional. Sem contar as imagens de quase 300 anos dentro da igreja.


Há poucos meses, fiz novas denúncias após ter ido a um enterro em Nísia Floresta, quando fiquei sem acreditar no que vi na Matriz de Nossa Senhora do Ó. Foi tudo ao contrário do que um engenheiro me alegou em 2014, quando fiz a denúncia, e o mesmo, cujo nome não me recordo, me ligou dizendo que estavam refazendo todos os projetos, cujas obras se dariam na perspectiva de restauração com total respeito às características originais da Matriz. Restou-me acreditar na palavra daquele cidadão que, infelizmente, mentia. Eu pensava que as obras se seguiram com respeito ao Patrimônio Histórico, acreditando na palavra desse cidadão que faltou com a verdade. Só fui perceber durante o enterro, neste ano de 2019. Dessa última vez também fiz a denúncia junto ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, Conselho Estadual de Cultura, Arquidiocese de Natal, Conselho Regional de Arquitetura, Centro de Documentação Eloy de Sousa, Ministério Público e IPHAN, INCLUSIVE PEDI NESSE DOCUMENTO O TOMBAMENTO DA IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DO Ó, PARA QUE NÃO CONTINUEM ASSASSINANDO A HISTÓRIA. DESSE QUE POSSIVELMENTE SEJA O TEMPLO MAIS ORIGINAL E COM O MAIOR ACERVO SACRO DO ESTADO.
 
Após a publicação dessas imagens, em 2014, algumas pessoas ligadas à igreja, alegaram que eu estava mentindo, que as imagens foram tiradas antes da retirada do teto da matriz. Mas contra fatos não há argumentos. Essas imagens são do dia dos fatos, feitas por mim.

A que ponto o município de Nísia Floresta está chegando. A gente espera pessoas que façam a diferença e respeitem verdadeiramente a História. Mas isso não vem ocorrendo como se deve. Em Nísia Floresta se assiste a tais barbaridades em silêncio. Muitos acham bonito  a inserção de coisas modernas - que de fato são bonitas, MAS NÃO DENTRO DE UM TEMPLO DO SÉCULO XVIII, pois está-se tirando as características originais do prédio. Outro exemplo inacreditável: onde já se viu colocar madeira preta sobre o altar-mor de uma igreja de quase 300 anos, retirando a alvenaria branca em perfeita harmonia com toda a arquitetura sacra? Dá-se a impressão que copiaram o teto da Igreja Matriz de Ceará- Mirim. Analisando racionalmente, está-se gastando altas somas para se destruir e não para  restaurar. Construções desse porte devem ser restauradas, e não descaracterizadas. Não há mais nada a se acrescentar nessa Igreja Matriz, desde 1910, quando fizeram uma das naves. Tudo daí em diante deveria ter sido apenas manter seu modelo original, conservando-o, restaurando-o. É muito simples as pessoas entenderem isso. Não há segredo.


É inacreditável olhar o teto do altar-mor da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, em Nísia Floresta e enxergar um crime contra a arquitetura barroca original. Nos meus estudos sobre o assunto, desde os tempos universitários, e posteriormente o contato com especialistas de Ouro Preto e Rio de Janeiro, aprendi que a intenção arquitetônico/sacra da Matriz de Papari foi revestir todo o altar-mor de alvura, de plenitude da cor branca, pois é ali que se encontra o Sacrário. Há intenção de se dar uma conotação celestial, de "céu", de santidade, a partir da própria arquitetura. Mas, INACREDITAVELMENTE, destruíram o estuque original, e com ele foram-se os desenhos em alto e baixo relevos, em perfeita harmonia com todos os demais elementos da Igreja Matriz. Mataram o Barroco. Mataram a História. Não desaprovo a necessidade de refazer a cúpula/estuque/forro do altar-mor. MAS QUE REFIZESSEM DA MESMA FORMA, IGUAL ERA, COM OS ADORNOS QUE TINHAM, SEM DESCARACTERIZAR. reforma e restauração diferem e, desde que em prédio histórico, devem caminhar juntas. Vejam a beleza e perfeição do forro do altar-mor antes da destruição. Se o leitor não acredita, vá à igreja conferir a barbaridade feita. É um choque. A madeira preta matou a beleza arquitetônica do templo e da própria intenção de transmitir a plenitude celestial ao altar-mor. Muitos fiéis choram de tristeza. Veja, abaixo:

 
Em 2008 o reboco desse estuque/forro desabou. Foi um estrondo na Matriz. Eu tinha fotografias originais de como era antes. Então desenhei os adornos em tamanho natural todos os altos e baixos relevos, os quais foram moldados novamente em cimento pelo filho da Dona Moça (do Monte Hermínio). Mas vejam, abaixo, a tragédia e o absurdo feito nesse forro:

 OBSERVE O CHOQUE DO BRANCO COM O PRETO, OU SEJA, A INTENÇÃO ORIGINAL DE SE CRIAR UM CÉU BRANCO DEU LUGAR A UM CÉU PRETO, SEM CONTAR OS ELEMENTOS ORIGINAIS QUE FORAM DESTRUÍDOS.

  Confesso que não tenho palavras para externar minha repulsa às barbaridades que tenho visto acontecer nessa Igreja Matriz e ao Túmulo e Monumento à Nísia Floresta. O assunto é patrimônio histórico. Não estamos falando de uma casinha de palha lá no sítio do seu Pedro. É uma igreja de quase 300 anos, cujas pedras foram trazidas sob carros de boi, de Morrinhos, cuja argamassa era cal, barro e óleo de baleia. Arrancaram todo o assoalho das duas naves. Arrancaram o assoalho dos fundos da Matriz, na parte superior, onde dormia o Padre João Maria. Aquilo era intocável. É arquitetura de época. Há uma história sem precedentes nasqueles espaços.


 OBSERVE MAIS DE PERTO O ABSURDO

Se precisasse de substituição da madeira, que fosse substituído por madeira. Lembro-me que tudo é madeira nobre. Madeira de lei. Não estavam estragadas. Mas suponhamos que suas pontas estivessem avariadas, que fosse cortada e se anexasse pedaços novos, da mesma madeira.  Mas colocaram laje. Onde estão essas madeiras. Estão bem guardadas. Elas são peças de valor museológico sem preço. É patrimônio do município de Nísia Floresta. O mesmo foi feito à sacristia. Isso é descaracterização pura e simples. Fica meu registro público de que jamais aceitei isso e sempre protestei. É o que posso fazer. É o que todos deviam fazer. E você, o que tem feito?

 OBSERVE COMO ERA, VEJAM A PERFEIÇÃO HARMONIOSA, CUJOS ELEMENTOS EM ALTO E BAIXO RELEVOS SE COMBINAM EM TODO O CONTEXTO...

Há quem não entenda a minha denúncia e se vale de colocações ingênuas ou equivocadas. Mas como um cidadão barsileiro que estudou História da Arte, que estuda Restauração de Edificações Históricas, e tem um testemunho de 27 anos de luta em prol da defesa da história e da memória do patrimônio material e imaterial de Nísia Floresta e região - não me importo e seguirei o meu dever.

   APROXIME-SE E VEJA COM MAIS PERFEIÇÃO COMO ERA O ORIGINAL... Veja, abaixo, imagens que falam por si: Como se desce de um telhado uma linha gigantesca de madeira, de quase trezentos anos, quase em perfeito estado de conservação, sem proteger o ladrilho-hidráulico? Como se destelha uma igreja de quase 300 anos, sem tirar de dentro delas imagens originais de mais de 200 anos?  ó espero que essas linhas estejam muito bem guardadas, pois são peças museológicas de valor incalculável. Observe que é uma árvore inteira. Imagine seu tamanho e quantos anos ela trazia quando foi arrancada das imediações de Papari.  

Espero que todo esse madeiramento, tão valioso quando os demais tesouros internos da Matriz, estejam muito bem guardados para que, no futuro, quando o município contar com autoridades que tenham o poder de entender o que isso representa, possam criar o Museu da cidade e alojar esses materiais, pois pertencem ao povo e são históricos. Outro detalhe é o uso da imagem original de Nossa Senhora do Ó em procissões. Isso é inadmissível. Estamos falando de uma peça de mais de duzentos anos. Hoje a imagem não tem uma assessoria especializada para movimentá-la, retirando-a e recolocando-a em seu lugar de origem em situações extraordinárias, servindo-se de cuidados extremados. 
 
Tenham certeza que em breve se ouvirá dizer que a imagem original de Nossa Senhora do Ó caiu do andor ou esbarrou em algum fio, faixa ou outra coisa pelas ruas de Nísia Floresta. É inquestionável que essa imagem seja intocável, que jamais deixe o seu nicho original para tais atividade. Para que existe réplica? Para quê existe a "Nossa Senhora do Ó Pequena"? Quando ela cair no chão e ficar em cacos, se lembrarão de mim. Não é melhor pensar agora? Finalizo, lembrando que a igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, enquanto elemento arquitetônico e religioso, o túmulo de Nísia Floresta e o monumento em sua homenagem, e outros elementos históricos dali, pertencem ao povo. As autoridades estão de passagem mas o povo fica, portanto o povo não pode tolerar tamanho crime contra a história.

 
 
SOBRE O TÚMULO E MONUMENTO À NÍSIA FLORESTA - A julgar pelo abandono em que se encontra, e um prédio construído ao lado do túmulo e monumento à Nísia Floresta, brevemente é possível o vermos emoldurado por outras construções que impedirão totalmente sua visibilidade. Seria essa a intenção? Ontem também apresentei denúncia escrita e verbal, sobre a situação do túmulo, conforme os registros neste post, junto ao Conselho Estadual de Cultura (conforme fotografias aqui postadas) e também a encaminhei ao Dr. Diógenes da Cunha Lima, Presidente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Em Natal, as autoridades estão estarrecidas com esses fatos intoleráveis.
 
Chega a impressionar um terreno tão gigantesco como esse ao lado do túmulo de Nísia Floresta, atinarem de construir um sobrado a poucos centímetros do mesmo. Está-se diante de um dos maiores monumentos da História do Brasil. Vêm turistas do mundo inteiro visitá-lo. Mas hoje mal dá para se fazer uma fotografia, pois as construções ao lado, que antes já o poluíam, hoje o sufocam.Não é correto se deixar o túmulo e o monumento chegar a tal ponto. Está quase abandonado. Não se pode permitir o estado atual de sufocamento desse importante conjunto histórico. O que mais será construído ali?
 

A sociedade, salvas raras exceções (pelo menos apenas uma professora e uma escritora entraram em contato comigo sobre isso) assiste a tudo silenciosamente. Depredar o Patrimônio Histórico não é apenas riscá-lo ou pichá-lo. Antes fosse somente isso. Depredar é descaracterizar, desmanchar o antigo e substituir pelo moderno, substituindo um material por outro sem relação alguma com as características originais. Depredar também é abandonar, é deixar que o povo faça o que bem entender, como a sufocação que se encontra o túmulo de Nísia Floresta. Quem percebe e se preocupa com os crimes e dilapidações feitas aos monumentos antigos e ao patrimônio histórico, denuncia sem medo. Vejam, abaixo, A SITUAÇÃO DO TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA:


Cabe às autoridades o perpétuo zelo a tais elementos, cuidando para que não sofram danos ou sejam destruídos. Diante dos altos custos o correto é que os responsáveis diretos por prédios e monumentos antigos façam planejamentos com muita antecedência. Não é correto cuidar quando está caindo ou quando está sendo sufocado (como é o caso do túmulo). Cabe às autoridade buscar apoios e parcerias em nível estadual, federal e com a iniciativa privada, mas antes, e não quando os patrimônios estiverem descaracterizados ou destruídos. 





  As autoridades devem buscar parcerias de todas as formas, urgentemente, para adquirir a área vizinha ao túmulo e monumento, numa perspectiva que atenda a estacionamento e estrutura logística em termos turísticos. Em últimos casos pratica-se a desapropriação e indenização aos proprietários, os quais, com certeza, não se oporão à primeira proposta. 
 
Normalmente, quando faço denúncias, o faço por minha formação educacional e exercício de minha cidadania. Não o faço por heroísmo ou como forma de “peitar” pessoas, como alguns assim o proclamam, ignorantemente. E quando essas denúncias vêm a público logo aparecem oportunistas cheios de iniciativas “anteriormente feitas” (verdadeiros fake news criados de última hora para não assumir a omissão). Mas quais autoridades locais denunciaram? Onde estão os documentos de comprovação? Os meus estão em diversos órgãos do estado e da justiça, e podem ser conferidos, inclusive minha denúncia foi publicada na Tribuna do Norte recentemente, a pedido do jornalista Woden Madruga. Não foi eu que a encaminhei. Ele leu através de um dos maiores historiadores do Estado, Professor Doutor Cláudio Galvão, aposentado da UFRN, amigo pessoal, para o qual enviei a denúncia. O que Woden fez foi pedir a minha autorização, assim como Vicente Serejo também, chocados com a situação do túmulo e da Igreja Matriz de Nossa senhora do Ó. Quem não se choca?
 

 
 


A que ponto o município de Nísia Floresta está chegando. A gente espera pessoas que façam a diferença e respeitem verdadeiramente a História. Mas isso não vem ocorrendo como se deve. Em Nísia Floresta se assiste a tais barbaridades em silêncio. Muitos acham bonito o perfeccionismo do gesso, por exemplo, afinal, de fato é bonito, mas está-se tirando as características originais do prédio. Outro exemplo inacreditável: onde já se viu colocar madeira preta sobre o altar-mor de uma igreja de quase 300 anos, retirando a alvenaria branca em perfeita harmonia com toda a arquitetura sacra? Analisando racionalmente, está-se gastando altas somas para se destruir e não manter. Construções desse porte devem ser restauradas, e não descaracterizadas. Não há mais nada a se acrescentar nessa Igreja Matriz, desde 1910, quando fizeram uma das naves. Tudo daí em diante deveria ter sido apenas manter seu modelo original, conservando-o, restaurando-o. É muito simples as pessoas entenderem isso. Não há segredo.






segunda-feira, 9 de setembro de 2019

ACTA NOTURNA – SOCORRO TRINDADE – MEIO SÉCULO DE UMA HISTÓRIA GUARDADA NO ARMÁRIO – 26.8.2019



ACTA NOTURNA – SOCORRO TRINDADE – MEIO SÉCULO DE UMA HISTÓRIA GUARDADA NO ARMÁRIO – 26.8.2019

Quem vê Socorro Trindade recolhida em seu cadinho logo à entrada de Nísia Floresta, talvez saiba que ela é escritora. Uma minoria tem conhecimento de que um dia ela foi escritora aclamada e professora nas universidades federais do Rio Grande do Norte e do Rio de Janeiro. Mas quase ninguém sabe que ali mora uma rainha... ou melhor a rainha da cana de açúcar. Quem sabe dessa página da história são pessoas com seus setenta anos de idade adiante. Para entender a história, vamos retroagir no tempo... 
 
O viço da mocidade ofertou a Socorro Trindade uma beleza singular. Ela roubava a cena quando transitava pelas ruas de Floresta. Com o fim da adolescência foi estudar em Natal e o fato se tornou gancho para uma experiência curiosa de sua vida. Tudo começou com pessoas querendo saber quem era a moça tão atraente. Os rapazes faziam todo tipo de corte, mas ela não se curvava a nenhum. Estava ali para estudar. Mas os burburinhos continuaram, despertando os “olheiros” da época.
 

Em 1967, portanto, há 52 anos, seus pais receberam um grupo de senhores que se deslocaram até a residência da bela jovem, em Nísia Floresta, para exclusivamente convidá-la a concorrer ao concurso “Rainha da Cana-de-Açúcar”, evento tradicional e disputado que ocorria em Ceará - Mirim. Ela contava 17 anos de idade. A princípio não aceitou, mas cedeu às insistências. O concurso era organizado por uma espécie de associação de usineiros e produtores de cana de açúcar. Todos os municípios potiguares produtores de cana de açúcar participavam. As emissoras de rádio divulgavam amplamente o evento.
 
O certame tinha uma aura de concurso de miss, devido ao glamour. As candidatas representavam os municípios onde moravam. Havia muita disputa e intrigas típicas desses acontecimentos que envolvem beleza. As moças potiguares aguardavam com êxtase o dia da inscrição, embora não foi o caso de Socorro Trindade, a qual foi descoberta por olheiros, sem imaginar a existência do concurso. “Nunca fui ligada a isso... se fosse hoje, jamais teria participado”, contou-me.
 

No dia do concurso comitivas das cidades envolvidas se deslocavam em peso à terra de engenhos. Era prefeito de Papari o senhor Wilson de Oliveira, presença marcante no evento. Ceará-Mirim ficava pequena para tanta gente. No centro do clube era montada uma passarela cercada de mesas e cadeiras. Enquanto as candidatas desfilavam, as famílias, autoridades políticas, os empresários e fazendeiros apreciavam e consumiam comes e bebes no espaço decorado com imponência. A festa tinha uma conotação puramente familiar. Autoridades políticas davam o retoque final, com direito a presença do governador Walfredo Dantas Gurgel.
 
Dona Conceição Trindade, mãe de Socorro, mandou fazer um vestido verde-cana com detalhes em branco, apliques de lantejoulas, cristais, e uma luva de pulso, bordada com pedrarias. Houve um boom acerca desse vestido. Espécie de aura nupcial. Pessoas estranhas à família não poderiam vê-lo. O assunto passeava de casa em casa, de rua em rua, na praças, nas esquinas, no comércio. Pudera! Papari cheirava a floresta e curral. Os poucos nativos que tinham aparelho de rádio acompanhavam as notícias com curiosidade.
 

E foi justamente nesse verão de 1967 que Socorro Trindade roubou a cena, coroada Rainha da Cana de Açúcar. A coroa e a faixa lhe foram colocadas por uma importante autoridade política, cujo nome ela não se recordou durante a conversa. “Quando retornei a Nísia Floresta não se falava n’outra coisa... a cidade era pacata... o episódio foi um acontecimento muito significativo para o contexto daquela época... virei o centro das atenções, o assunto foi comentado até na igreja, era todo mundo me dando os parabéns e me visitando... virei uma rainha mesmo”, explicou Socorro Trindade em 2015, narrando alguns fatos da sua vida ao autor desse blog. A fase de rainha passou, dando lugar à escritora que brotaria lentamente, cuja história está publicada na ACTA NOTURNA DO DIA 25.8.2019.
 

O fato de ela ter me mostrado o seu famoso vestido de “Rainha da Cana de Açúcar”, e permitido fotografá-lo ao seu lado, contando minúcias sobre o episódio, foi um feito extraordinário para quem escolheu a reclusão e o silêncio como seus companheiros atuais. A peça, sepultada num antiqüíssimo guarda-roupa de madeira de lei, foi retirada por suas próprias mãos após mais de meio século. Assim exumou-se a história. 
 
Hoje, ninguém pode desconhecer que na entrada da cidade, além de residir a escritora que promoveu polêmica com livro audacioso em plena Ditadura Militar, mora a “Rainha da Cana-de-Açúcar” do ano de 1967. Saibam todos quantos possam conhecer essa história que todos nós somos livros, e mesmo fechados guardamos história, e que ouro algum paga a emoção de abri-lo e disponibilizá-lo a quantos puderem lê-lo, principalmente pelo ineditismo que se encerra neste exato momento.
 






















segunda-feira, 2 de setembro de 2019

ACTA NOTURNA – O BAOBÁ DE OLHEIROS EM PAPARY – 29.8.2019



ACTA NOTURNA – O BAOBÁ DE OLHEIROS EM PAPARY  – 29.8.2019

Quem come couve-flor experimenta a visão lúdica de contemplar uma pequena floresta de minúsculos baobás espalhados no prato. Nada mais lembra o exemplar africano. É boa pedida para ensinar crianças a gostar da hortaliça. Olhando atentamente a árvore original tem-se impressão de que ela está plantada de raiz para cima. Seu design é bizarro. O tronco provoca incômodo. Lembra elefantíase. Outrora se assemelha a animal fantástico.
 
Não é árvore de se encontrar em cada esquina. Por tal razão a exótica espécie, predominantemente de gênese africana – e de outros países quentes, diga-se de passagem – desperta curiosidade. Ao contrário do que se imagina, o estado do Rio Grande do Norte possui vários baobás. Os mais conhecidos e famosos são os exemplares da Rua São José, em Natal (conhecido como “Baobá do Poeta”. O terreno onde a árvore está plantada foi comprado por Diógenes da Cunha Lima. Ele defende a ideia de que essa dita árvore inspirou Exupéry escrever o “O Pequeno Príncipe”. Há quem diga que foi a árvore de Nísia Floresta a dona do mérito. Fantasias à parte, no dia 18 de maio de 2015 publiquei o estudo “Exupéry e o Baobá”. Pode ser lido no meu blog com informações mais substanciais.


O outro exemplar famoso está em Nísia Floresta/RN. Curiosamente a esdrúxula árvore recebe louros indevidos por esse e outros motivos. Os méritos de sua fama pertencem, na realidade, ao “baobá de Olheiros”, em Tororomba, distrito do citado município, pai de todos os baobás existentes na terra das águas. A magnífica árvore, que parecia ter sido plantada de raiz para o céu, não existe mais. Mas sua história resiste à poeira ora espanada. É sobre ele que escreverei, mas para isso precisaremos entender um detalhe sobre a escravidão no nosso estado. 

Baobá localizado no centro do município de Nísia Flortesta/RN, conhecido como "pau do Moura", no linguajar dos idosos.
Os primeiros escravos africanos chegaram ao Rio Grande do Norte no ano de 1600. Como não poderia ser diferente, vieram atender às demandas dos engenhos. Papary abrigou vários deles nos terreiros de suas casas grandes. Mas alguns desciam clandestinamente das embarcações que costeavam as praias locais, conforme registra a historiografia pertinente. Essas escapadas não se deram apenas no RN, mas n’outros estados brasileiros, cujos escravos africanos se jogavam no mar para fugir do que o leitor bem sabe.
A propósito, Papary foi palco da explosão de um movimento de escravos revoltados com essa condição vergonhosa. Eles recebiam guarida de um padre compadecido da dor dos escravizados. Os cômodos da labiríntica matriz serviram de esconderijo para muito preto fujão. Sob os olhos piedosos de Nossa Senhora do Ó, os escravos viam o coração sair pela boca, guardados naquele útero de pedra e madeira. Ali tudo era insuspeito aos senhores da cana-de-açúcar. Era o que a santa podia fazer (essa história está no meu blog).
 
Desenho de Exupéry - Observe a semelhança com a couve-flor

Em Nísia Floresta há uma lenda do escravo que escapa da embarcação e planta o baobá em Papary para se recordar de sua terra. Essa lenda tem fortes possibilidades de não ser originalmente lenda. Assim como tantos e tantos fatos reais atravessaram séculos perpetuando no imaginário popular deturpações e equívocos, estamos diante de um. Exemplo concreto é do pernambucano “Zumbi, herói de Palmares”, em Alagoas; “Ana Jansen”, no Maranhão, dentre tantos, cuja poeira das lendas foi espanada há pouco tempo. Uma pergunta simples nos ajuda a clarear as ideias: como teria surgido um baobá legitimamente africano numa região de vegetação e solo tão diferentes? Essa pergunta não é só minha. Está na historiografia.
Há muitos baobás no Rio Grande do Norte. Não é exclusividade de Nísia Floresta. Os municípios potiguares que possuem baobás em sua área geográfica, receberam escravos, assim como Nísia Floresta. Portanto, o que se concebe como lenda tem grandes possibilidades de ser fato. Inaceitável supor que o escravo plantou o baobá no centro de Papary, pois o mérito é de Manoel de Moura Júnior, conforme placa afixada no exemplar, como veremos adiante, mas há uma importante informação de bastidor antes da possibilidade de o velho Moura plantá-lo. A propósito, conversando com gente muito idosa, há 26 anos, ouvi a expressão “o pau do Moura”, referindo-se ao baobá do centro. Nessa região as pessoas chamam árvore de “pé-de-pau”, portanto o “pau do Moura” deve ser entendido como "árvore do Moura". Isso reforça a história.
 
Baobá na África ´Observe como dá impressão de estar com as raízes para o céu.

Há muito mais revelações nos bastidores do plantio de baobás pelo mundo que se imagina. Somos levados a entender que há um misticismo no caudal da história dessas sementes carregadas tão cuidadosamente, em bornais e bisacos, da África para o mundo. Seria um acordo do povo africano para assinalar que ali chegaram pretos escravizados? É como se o majestoso vegetal significasse um marco. Imaginariam eles que um dia seus ancestrais ou deuses os reivindicariam? Esperança de liberdade? Haveria espiritualidade na ideia de levar a semente justamente do baobá para o país estranho?
 
Se considerarmos a lógica histórica, podemos crer que esse primeiro baobá plantado em “Olheiros”, localidade do distrito de Tororomba, germinou nas primeiras décadas do século XVII. Os alfarrábios contam que existiam dois baobás em Nísia floresta. Ambos em Tororomba. Um em “Olheiros”; o outro ficava muito próximo dele, mas nessa localidade. Os dois morreram no início do século XX, contando quase trezentos anos. Um era filho do outro. Assim nos conta o grande mestre Cascudo.
 
Ouvi pela primeira vez o topônimo “Olheiros” da boca da senhora Natália Gomes, moradora da rua da Bica, aos 90 anos, em 1992. Ela nasceu exatamente ali. Contando sobre sua vida, ela disse, “vovó nasceu nas bandas de “Olheiros”. A casa ficava encostada num tronco velho de barriguda”. Para quem não sabe, barriguda é o nome que os potiguares chamavam o baobá até pouco tempo. 
 
Quando Fídias, meu filho, era pequeno eu o ensinava a "comer baobás", desses que estão no prato. Brincando ele aprendeu a gostar de hortaliças.
Em 1997 fui ao bairro “Mãe Luísa” entrevistar uma nisiaflorestense de cento e quatro anos de idade. Não me recordo seu nome neste momento, mas ela é da família Cordeiro, do “Monte Hermínio”, bairro de Nísia Floresta (uma família muito conhecida, pois são exímios profissionais na instalação de paralelepípedos). Ela havia se transferido desse município para Natal há muitos anos. A senhora Cordeiro, que na infância vendia água e lenha pelas ruas de Papary, estava ladeada por sua filha que naquele ano contava oitenta e dois anos de idade. Até me surpreendi vendo uma pessoa tão idosa ainda ter mãe. Então a entrevistada explicou que pariu aos quinze anos.   
 
No bojo do diálogo, ela mencionou o baobá de Olheiros e também se referiu ao “pau do Moura”. Nunca mais ouvi o nome de “Olheiros” por parte de outras pessoas, exceto de dona Natália Gomes. É interessante o desaparecimento de topônimos velhos. Esse não é único. Há vários casos em Nísia Floresta. Eles morrem conforme morrem os idosos. Pois bem, agora veremos como se deu o plantio do baobá próximo a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó.
 
Em 1870 o presidente da Intendência de Papari, Coronel José de Araújo, espécie de prefeito da vila durante muitos anos, recolheu uma das cápsulas oblongas que se espalhavam debaixo da árvore tororombense e a ofereceu ao senhor Manoel José de Moura. Este, supostamente plantou-a em sua casa, pois a placa acima referida assinala que o plantio se deu em 1877, quando a "muda" contava sete anos e já estava com o caule firme, então ele a transferiu-a para o centro de Papary, onde se encontra até hoje. Dificilmente alguém plantaria uma semente no centro de uma cidade, pois o trânsito de pessoas e animais a mutilariam.
Michael Adanson, estudioso dos baobás (a denominação científica do baobá vem de seu nome)

O nome científico dessa bela dádiva natural é “Andasonia digitata”, homenagem ao cientista Michael Adanson (1727-1806), botânico, naturalista, entomologista, micologista, pteridólogo, antropólogo e explorador francês, estudioso dessa árvore no Senegal e outros países daquele continente. Ele nasceu em Aix-em-Provence, aos sete de abril de 1727, e faleceu em Paris, aos três de agosto de 1806. Adanson descreveu a espécie Adansonia digitata, seu nome genérico. Em 1763 publicou a importante obra “Familles Naturelles dês Plantes. Era irmão de Jean Baptiste Adanson, (1732-1803), intérprete e chanceler da França no Oriente. A palavra digitata se inspira nas folhas do baobá, cujo formato nos reporta aos dedos humanos, onde há as digitais. Mas o baobá de Nísia Floresta, aliás, os baobás trazem mais que revelações. Trazem incógnitas como veremos adiante. É a sua relação idade/ diâmetro/altura. É impressionante a discrepância nos baobás de Nísia Floresta.
 
Baobá na África do Sul - seis mil anos de idade

Sobre a estimativa de vida dessa planta e as características típicas de seu desenvolvimento, há curiosidades incríveis. O cientista Anderson fez cálculos tendo como base um baobá típico de Cabo Verde, o qual teria cinco mil anos. Considere que o diâmetro normal de um baobá é de mais de oito metros, e para se chegar a esse ponto é necessário oitocentos anos de idade. O Baobá de Nísia Floresta tinha nove metros e dez centímetros de tronco, numa altura de um metro do solo em 1941, quando contava 64 anos de idade, ou seja, estava incomparavelmente maior do que se tivesse oito séculos de vida. Por tal lógica julgaríamos que esse baobá já estivesse muito grande quando Pedro Álvares Cabral encostou as suas caravelas por aqui. Todos os viajantes e pesquisadores que se depararam com baobás em países africanos registram troncos anômalos.
 
Que mistérios a terra, a água e os ares do Rio Grande do Norte, em especial de Nísia Floresta, exercem nesse vegetal a ponto de alterar o seu desenvolvimento ou mexer na sua “genética”? Só um botânico explica. Isso faz crer que algum fenômeno ocorre em seu desenvolvimento, fazendo-o crescer mais rápido, e da mesma forma nos outros baobás nisiaflorestenses, pois todos fogem a regra. Crescem a olhos vistos.
 
Há um baobá nos fundos do Sítio Mãe-Ia, altura de Golandi. Esse exemplar pode ser filho do baobá de Olheiros (ou teria sido fruto das primeiras florações de sementes do baobá do centro, considerando a lógica de sua genética). É o mais velho baobá depois do exemplar plantado no centro da cidade. Em seguida vem o baobá de Oitizeiro (defronte ao cemitério), em seguida temos o baobá ao lado do Fórum de Justiça (plantado pelo Senhor Marcos Vinícius, ex-juiz de Direito de Nísia Floresta, em 2007). Por último temos o baobá do Sítio Traque, em Tororomba (plantado pela Senhora Lurdes Maia em 2005). Esses três últimos baobás, todos filhotes do baobá do centro, crescem prodigiosamente, desafiando a sua própria natureza. Certamente deve ter outros no município. 
 
Hoje em dia cientistas modificam a genética das plantas mas não é o caso desses exemplares, os quais não passam por processo artificial algum. Considerando a característica peculiar dessa planta de desenvolvimento muito lento, conforme o revela o cientista Miguel Adanson, resta-nos reconhecer que algo por aqui acelera a sua desenvoltura. Mas o quê? 
 
A propósito de tratarmos sobre baobás, é interessante citar o baobá de Parnamirim, que conta vinte e três anos de idade e parece ter cem anos a julgar pelo surpreendente desenvolvimento. A bela árvore está localizada no Parque Aluízio Alves. Em 1995, houve um evento envolvendo várias instituições no plantio de árvores naquele parque. Levei várias mudas nessa ocasião e ali plantei um baobá que me foi dado pelo Sr. "João do IBAMA", da FLONA de Nísia Floresta.
 
Dois anos depois ocorreu grande movimentação em prol de reflorestamento da mata da Bica, em São José de Mipibu. Escolas e instituições ligadas ao meio ambiente e cultura estiveram ali em peso. Levei dois baobás e ali os plantei juntamente com mais de quinhentas mudas adquiridas pelos organizadores do evento, que inclusive era o meu primo Amauri Freire. Mas um fato deplorável se efetivou pouco tempo depois. O proprietário das terras mandou arrancar tudo, instigado por pessoas totalmente equivocadas que o precaveram de que aquele plantio poderia colocar em risco a posse de sua propriedade. Lástima!
 
Retomando ao assunto do baobá, há versões diferentes sobre como o baobá do centro chegou à bucólica vila de Papary. Uma delas pode ser lida no Museu Nísia Floresta. Também temos a lenda, que na realidade é a história real deturpada pelos séculos. Nas minhas investigações de História Oral iniciada em 1992,, antes de encontrar algo escrito, também ouvi a lenda que publiquei no meu blog (ela diz que um escravo trouxe a semente após um naufrágio e ali a plantou). Está num livreto publicado no início dos anos 2000, durante a gestão da professora Ana Barros, inclusive a parte didática desse trabalho foi escrita por mim. Encerro aqui essa importante reflexão sobre os baobás cujo exemplar do centro da cidade goza de parte da fama que pertence ao seu genitor, o baobá de Olheiros...