ANTES DE LER É BOM SABER...
segunda-feira, 18 de maio de 2026
domingo, 17 de maio de 2026
PADRE BRÍGIDO: O INTELECTUAL DE PAPARY QUE LEVOU O NOME DO RIO GRANDE DO NORTE ÀS TRIBUNAS DO IMPÉRIO...
No século XIX, quando o Brasil ainda vivia sob o regime imperial e o Rio Grande do Norte possuía uma vida política marcada por disputas acirradas entre liberais e conservadores, a antiga vila de Papary - hoje N´sia Floresta - viu surgir uma das figuras mais intelectualmente brilhantes de sua história: o Padre Brígido de Melo Cavalcanti.
Nascido em 20 de julho de 1829, em Papary, Padre Brígido pertenceu a uma geração rara de homens públicos que conseguiram reunir, numa mesma trajetória, a formação religiosa, o refinamento jurídico e a intensa participação política. Sacerdote, jurista, professor, orador e parlamentar, seu nome ultrapassou as fronteiras da então pequena província potiguar para alcançar destaque nacional dentro do Parlamento do Império.
Como sabemos, muito antes de a cidade receber o nome de Nísia Floresta (Brasileira Augusta), Papary já revelava vocações intelectuais surpreendentes. Entre lagoas, engenhos, caminhos de areia e antigas tradições coloniais, formava-se um ambiente social que, apesar das limitações materiais do período, produziu figuras de grande projeção cultural e política. Padre Brígido foi uma dessas expressões máximas.
Ainda jovem, mudou-se para Pernambuco para estudar na célebre Faculdade de Direito do Recife, uma das mais importantes instituições acadêmicas do Brasil oitocentista (onde também cursou Direito Joaquim Pinto Lisboa, irmão de Nísia Floresta). Fundada em 1827, a Faculdade de Direito tornou-se um dos principais centros formadores da elite intelectual e política do Império brasileiro. Dela saíram juristas, escritores, ministros, parlamentares, diplomatas e abolicionistas que ajudaram a construir os rumos políticos do país.
Naquele ambiente de intensa efervescência intelectual, Padre Brígidos destacou-se rapidamente. Conquistou o título de bacharel em Direito no ano de 1857 e, apenas dois anos depois, obteve o doutorado em 1859, algo extremamente raro para um norte-rio-grandense naquela época. Seu desempenho acadêmico abriu-lhe as portas do magistério superior, tornando-se o primeiro norte-rio-grandense a lecionar como professor na tradicional Faculdade de Direito do Recife, um feito que colocava o nome de Papary em posição de destaque dentro do cenário
intelectual brasileiro. Sua solida formação jurídica refletia-se diretamente na força de sua oratória. Nos debates políticos do Império, Padre Brígido tornou-se conhecido pela eloquência refinada, pelo domínio das leis e pela capacidade argumentativa. Não era apenas um sacerdote inserido na política partidária; era um intelectual preparado para disputar ideias e influenciar decisões.
Ligado ao Partido Conservador, construiu uma longa trajetória parlamentar. Iniciou sua vida legislativa como deputado provincial entre 1858 e 1859 e, posteriormente, alcançou o cargo de Deputado Geral, função equivalente ao atual deputado federal, exercendo sucessivos mandatos ao longo de quase três décadas. Sua presença na Câmara do Império atravessou per´odos decisivo da história brasileira, incluindo debates sobre centralização pol´tica, reformas administrativas, educação pública e os próprios conflitos ideológicos entre conservadores e liberais.
Na prática, Padre Brígido transformou-se numa das grandes vozes políticas do Rio Grande do Norte dentro do cenário imperial. Defendia os interesses da província com firmeza, levando às tribunas parlamentares as demandas de um estado frequentemente distante dos grandes centros de poder do país. Sua trajetória revela algo profundamente simbólico: ainda no século XIX, uma pequena vila do litoral potiguar foi capaz de produzir um intelectual que alcançou projeção nacional num dos ambientes mais seletos do Brasil imperial.
Hoje, pesquisadores e estudiosos da memória potiguar vêm contribuindo para resgatar sua importância histórica. Ao revisitar figuras como Padre Brígido, compreendemos melhor que a história de Nísia Floresta não se resume apenas às paisagens naturais ou à memória de sua patrona mais famosa. Trata-se de uma terra marcada pela presença de intelectuais, educadores, religiosos, políticos e pensadores que ajudaram a construir importantes capítulos da história do Rio Grande do Norte e do Brasil.
Padre Brígido de Melo Cavalcanti permanece, assim, como símbolo de uma época em que a palavra, o conhecimento e a formação intelectual eram instrumentos centrais de poder e transformação social. Sua vida demonstra que o antigo Papary, muito antes de se tornar município turístico ou referência cultural contemporânea, já produzia homens capazes de dialogar com os grandes temas nacionais do Império brasileiro.
REFERÊNCIAS:
Faculdade de Direito do Recife - História Institucional
Pesquisas e levantamentos memorialísticos publicados por Luís Carlos Freire sobre a história de Papary/Nísia Floresta/Padres e personalidades potiguares do século XIX. OBS. Anotações iniciadas em 1997 e revisadas agora.
quinta-feira, 14 de maio de 2026
ENTREVISTA - Professor Josivaldo Nascimento fala sobre trajetória, sindicalismo, educação e candidatura à Diretoria de Igualdade Racial do SINTERN. Educador nisiaflorestense relembra sua origem, atuação no magistério, reorganização do movimento sindical em Nísia Floresta e os desafios da luta por igualdade racial e valorização da educação pública
Nota: Ao tomar conhecimento da pré-candidatura do professor Josivaldo Nascimento - amigo de longas datas, pessoa que conheço desde a infância e por quem nutro profunda admiração e respeito - propus esta conversa com o objetivo de apresentar um pouco de sua trajetória e divulgar sua candidatura junto aos educadores e demais leitores. Mais do que discutir propostas, este bate-papo busca permitir que as pessoas conheçam melhor o ser humano, o educador e o militante sindical que existe por trás da função pública e da atuação política. Embora este blog não possua caráter estritamente jornalístico, acaba também exercendo esse papel. Afinal, desde sua criação, como está exposto em seu cabeçalho, trata-se de um espaço plural, aberto às múltiplas ideias, à memória, à cultura, à educação e aos debates de interesse coletivo.
Entrevista
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Para começarmos, conte-nos sobre sua origem, nascimento e família.
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Sou Josivaldo Nascimento, nasci no dia 21 de
setembro de 1978 e passei toda a minha infância, bem como a fase adulta, na
comunidade do Porto. Sou filho de Maria da Paz Nascimento, dona de casa e
costureira, e de José Amador do Nascimento Neto, agricultor, pescador e
feirante. Tenho quatro irmãos, dentre eles uma irmã, e sou o segundo filho da
família.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Como foi sua infância em relação ao trabalho e à
educação?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Desde muito cedo tive iniciativa para trabalhar e
ajudar minha família, sem deixar os estudos de lado. Aos 9 anos de idade,
passei a vender picolé nas ruas da cidade. Quando me tornei adolescente,
comecei a estudar à noite na Escola Municipal Yayá Paiva para poder trabalhar
durante o dia. Sempre fui muito dedicado aos estudos e nunca fui reprovado.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Quando começou sua trajetória no magistério?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Concluí o magistério em 1998. No entanto, ainda
cursando o segundo ano, em 1997, fui convocado para assumir uma vaga como
professor no Ensino Fundamental, devido ao concurso municipal que prestei em
1996. No dia 9 de março de 1997, deixei definitivamente a venda de picolés para
me tornar professor da rede municipal, justamente na Escola Municipal Yayá
Paiva, onde entrei aos 11 anos para cursar a antiga 5ª série.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Houve algum momento que despertou sua consciência
sobre a luta da categoria?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Sim. Em 1992, ainda como aluno, presenciei a
primeira greve do município de Nísia Floresta, promovida pelos professores
celetistas, que protestavam por receberem salários muito abaixo do mínimo, além
de reivindicarem concurso público e Plano de Carreira. Aquilo me despertou. Reivindiar direitos? Eu nunca tinha visto aquilo em Nísia Floresta. Foi um momento histórico. Fui
às ruas junto com os professores. Coincidentemente, naquele momento estava
sendo fundado o Núcleo de Nísia Floresta; hoje, ele é o SINTE-Nísia. Esse
episódio foi uma semente que despertou em mim o desejo de conhecer as leis e
lutar pelos direitos da minha classe.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Como foi o apoio àquela greve?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
O movimento teve apoio dos Irmãos Maristas, que
tinham uma casa de formação no município. Eles também lecionavam na Escola
Municipal Yayá Paiva, e um dos destaques nesse protesto era o Irmão Nilton. Como a casa
marista era ampla, eles cederam uma sala para organização do movimento,
inclusive para a reunião que deliberou a greve e a fundação do Núcleo.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Quando surgiram os concursos públicos no município?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Até 1996, Nísia Floresta nunca havia realizado concurso
público. Aquele foi o primeiro.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
E sua formação superior?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Em 1999, fiz vestibular para Matemática na
Universidade Potiguar e concluí o curso em 2003. A partir disso, passei a atuar
no Ensino Fundamental II, deixando o Fundamental I.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Como começou sua atuação mais direta no sindicato?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Em 2006, com uma nova gestão municipal e o debate
sobre a implantação do FUNDEB e do Piso Nacional Salarial do Magistério,
percebemos a necessidade de fortalecer a representação docente. Já existia o
Plano de Carreira, aprovado por volta de 1998, mas faltava o Piso Salarial. No
dia 6 de abril de 2006, em assembleia no Centro Social Isabel Gondim, com
presença de diretores do SINTERN, na pessoa do professor Miguel Salustiano de
Lima, foi decidido que seria necessário criar uma diretoria provisória local. Assim,
naquela assembleia, fui escolhido pela categoria e eleito coordenador-geral
dessa comissão provisória, composta por 12 diretores.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Quem integrava essa comissão?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Posso citar nomes como a professora Adriana da
Silva, a professora Gizelda Maria do Nascimento, o professor Ricardo Acioly da
Silva, o professor Jário Correia do Nascimento, a professora Janilde Rodrigues
da Silva, a professora Rosineide Marinho de Carvalho (in memoriam), além de
Erineide do Nascimento, agente administrativa, entre outros.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Qual era o objetivo dessa diretoria provisória?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Reorganizar os professores, dialogar com a gestão
municipal em relação às pautas da categoria, preparar um movimento grevista, se
necessário, e reconstruir o sindicato original, que estava parado, sem direção,
sem sede e com apenas quarenta sócios. Era necessário resgatar esse patrimônio
histórico, que já possuía uma caminhada significativa. Inclusive, este ano
completamos 33 anos de fundação, lutas e histórias.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Como foi o processo de reorganização?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
De abril a outubro de 2006, percorri todas as
escolas do município, muitas vezes pagando táxi com recursos próprios. Em
algumas ocasiões, contei com ajuda pontual de professores. Fiz um trabalho
pioneiro de conscientização, explicando o que é um sindicato e quais são seus
direitos. Muitos professores eram resistentes. Conseguimos passar de 40 para
mais de 100 sócios.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Quando surgiu a primeira sede?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Em dezembro de 2006, conseguimos abrir a primeira
sede, alugada, na Travessa Padre José Hermínio, próxima à Escola Municipal Yayá
Paiva. A casa era da professora Edna Trindade. Era pequena, com uma sala,
banheiro, corredor, cozinha e um quarto, mas representou o início de um novo
tempo.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Como foi a estruturação dessa sede?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Com as contribuições, pagávamos aluguel e despesas básicas. Com apoio da direção estadual, adquirimos móveis e equipamentos como mesa, armário, computador, ventilador, geladeira e cadeiras. Fizemos uma inauguração simples em dezembro de 2006, com a presença dos professores das redes municipal e estadual e dos diretores do SINTERN, Miguel Salustiano e Fátima Cardoso, com corte simbólico de fita e registro fotográfico.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Qual foi o impacto desse momento?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Foi um divisor de águas. Professores passaram a se
associar espontaneamente ao verem a atuação do sindicato. A entidade ganhou
força, visibilidade e legitimidade, tanto no município quanto no estado.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Como era sua rotina de trabalho nesse período?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Eu lecionava pela manhã e à tarde, utilizando o
horário do almoço e a noite para o sindicato. Ficava até tarde elaborando
documentos. Solicitei disponibilidade à Justiça, mas ela nunca foi concedida
pelo município. Essa foi minha realidade entre 2007 e 2019.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Houve outras mobilizações importantes?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Em 2015, organizamos a segunda greve da categoria
no município, que durou 31 dias. Reivindicávamos o reajuste do Piso Salarial e
um novo concurso. A greve foi judicializada pelo gestor e reconhecida como
regular pelo desembargador Cláudio Santos. Porém, conseguimos um Termo de
Ajustamento de Conduta entre a prefeita Camila Ferreira e o Judiciário,
garantindo o início do processo para realização do concurso naquele ano. Como a
gestão não cumpriu o termo, em janeiro de 2016 entramos com uma ação judicial
e, assim, o concurso foi realizado em junho daquele ano, mesmo sendo período
eleitoral.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
O concurso foi realizado?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Inicialmente, não foi cumprido. No entanto, após
decisão judicial favorável, o concurso ocorreu ainda em 2016, ano eleitoral.
Com a mudança de gestão, o prefeito Daniel Marinho deu posse aos concursados.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Como estava o sindicato nesse período?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Já estávamos em uma sede maior, também alugada. Ela
pertencia à professora Fátima Ribeiro de Moura, e o número de sócios foi
crescendo, especialmente com a chegada dos novos professores.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Sobre o Núcleo local, houve mudanças recentes?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Sim. O Núcleo Nísia Floresta passou por mudanças na
diretoria. A última eleição ocorreu em abril de 2023, com permanência até abril
de 2027. Já a eleição da diretoria estadual acontecerá no dia 9 de junho, com
posse em seguida.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Qual sua situação atual em relação à docência?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Hoje estou cedido ao SINTERN, à disposição do sindicato.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Uma pergunta diferente, mas extremamente
necessária. Durante muitos anos acompanhei sua atuação como coordenador do
núcleo do SINTE-RN em Nísia Floresta. Testemunhei suas lutas, os enfrentamentos
em defesa da categoria e também a hostilidade de algumas pessoas em relação ao
seu trabalho. Agora, como pré-candidato à Diretoria de Igualdade Racial do
sindicato, sua atuação ganha uma dimensão ainda mais sensível e necessária.
Algumas pessoas dizem que você é “briguento”. O que representa ser “briguento”
quando a luta passa também pelo combate ao racismo, pela igualdade racial e
pela defesa da dignidade humana?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Toda pessoa que decide lutar por direitos acaba
enfrentando resistências. A própria governadora, professora Fátima Bezerra, construiu sua trajetória
enfrentando obstáculos, preconceitos e disputas duríssimas dentro da política e
da educação. Se hoje sua história é reconhecida, é porque ela não se curvou
diante das dificuldades. E o que dizer de Nísia Floresta, mulher que dá nome ao
município onde nasci e que tanto me orgulha? Uma intelectual à frente do seu
tempo, considerada por muitos estudiosos como uma das pioneiras na defesa da
educação feminina e da liberdade humana no Brasil. Ela também precisou “brigar”
durante toda a sua vida contra estruturas conservadoras, preconceitos e
injustiças sociais. Por isso, prefiro substituir a palavra “briguento” por
outra definição: alguém comprometido com a luta coletiva e com a defesa da
dignidade das pessoas. Sempre procurei estudar as leis, compreender a
Constituição Federal, os direitos dos trabalhadores da educação e os princípios
que regem uma sociedade democrática. Quando autoridades se omitem, quando
direitos são negados ou quando o preconceito tenta silenciar vozes, não podemos
permanecer indiferentes. Na Diretoria de Igualdade Racial, essa luta ganha um
significado ainda maior. Combater o racismo, defender o respeito às diferenças
e promover igualdade de oportunidades não é promover divisão, como alguns
tentam fazer parecer. É defender humanidade, justiça social e consciência
histórica. Se levantar a voz contra a discriminação, exigir respeito e lutar
para que todos sejam tratados com dignidade é ser “briguento”, então considero
essa uma luta justa, necessária e impossível de ser abandonada. Assim,
continuarei “briguento”.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE:
Para finalizar, o que você tem a dizer aos
professores em decorrência de sua candidatura?
PROFESSOR JOSIVALDO NASCIMENTO:
Peço a confiança de cada professor que acompanha
minha trajetória de luta e seriedade. Não faço esse pedido apenas pelo tempo de
atuação, mas pela experiência, pelo voluntariado, pelas renúncias que fiz e
também por me sentir capacitado e disponível. Lutar pela classe docente, para
mim, é uma missão. Minha missão é fortalecer a categoria e defender uma
educação pública valorizada e de qualidade. Faço meu trabalho com compromisso e
amor, e gostaria de continuar lutando.
Muito obrigado!
Abaixo: Fotografias do acervo pessoal do Professor Josivaldo do Nascimento. Estão dispostas de forma aleatória. Os registros falam por si, tendo em vista que sua história se confunde com a história do Sinte-Nísia...
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| POSSE E ABERTURA DA SEDE DO NÚCLEO NÍSIA FLORESTA-SINTE |
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| POSSE E ABERTURA DA SEDE DO NÚCLEO NÍSIA FLORESTA-SINTE |
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| ATO NA PREFEITURA |
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| RECEBENDO HOMENAGEM DECORRENTE DOS 30 ANOS DO SINTERN - GOVERNADORA FÁTIMA E DEPUTADO FRANCISCO - ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO RN. |
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| VISITA ÀS ESCOLAS ESTADUAIS COM A DIREÇÃO DO JURÍDICO - ELIENE BANDEIRA |
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| COLETIVO DE COMBATE AO RACISMO - CNTE - RECIFE/PE |
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| GREVE 2015 - ESSE ATO DETERMINOU O ÚLTIMO CONCURSO DE 2016 |
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| FESTA DE FIM DE ANO DO SINTERN NO PRIMEIRO ANO NA DIREÇÃO ESTADUAL |
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| DIRETORES DO NÚCLEO DE NÍSIA FLORESTA NO PERÍODO DO CONCURSO - 2016 |
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| REUNIÃO NO MEC COM A SECRETARIA NACIONAL - SECAD. |
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| COM O EX-PRESIDENTE DA CNTE NO MEX |
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| COM APOSENTADOS E APOSENTADAS, NA PRESENÇA DA GOVERNADORA, PROFESSORA FÁTIMA BEZERRA - DIA DOS APOSENTADOS. |
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| FESTA DE ANIVERSÁRIO DO NÚCLEO E DIA DOS FUNCIONÁRIOS E PROFESSORES DE NÍSIA FLORESTA (PRAIA). |
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| ATO DE RUA EM NATAL COM OS PROFESSORES NISIAFLORESTENSES - DEFESA DO PISO SALARIAL. |
quarta-feira, 13 de maio de 2026
COMO SE DEU O ABOLICIONISMO EM NÍSIA FLORESTA?
Hoje comemoramos o o Dia da Abolição da Escravidão, e nada mais providencial e oportuno do que nos lembrarmos do nome do esquecido Miguel Rei, o primeiro escravizado a lutar contra a escravidão em praça pública na antiga Vila Imperial de Papary, hoje Nísia Floresta.
Durante muito tempo, a história oficial do Rio Grande do Norte preferiu destacar apenas os grandes proprietários rurais, os políticos influentes e os senhores de engenho que dominaram a economia do século XIX. Pouco se falou sobre os homens negros que sofreram, resistiram e ousaram desafiar a estrutura escravista existente no sul potiguar.
Mas a memória, mesmo quando perseguida pelo silêncio, insiste em sobreviver. E é exatamente nesse território de resistência histórica que surge a figura de Miguel Rei.
No século XIX, a antiga Papary estava integrada ao sistema açucareiro do Rio Grande do Norte. Os engenhos movimentavam a economia da região e dependiam diretamente do trabalho de homens e mulheres escravizados. A paisagem do município era marcada por canaviais, casas-grandes, senzalas e caminhos por onde circulavam escravos, mercadorias e tropas.
A escravidão fazia parte do cotidiano da vila. Negros eram vendidos, castigados e submetidos às mais severas formas de exploração humana. Próximo aos caminhos que ligavam Papary a Mipibu, existiam locais utilizados para comercialização de escravizados destinados aos engenhos da região.
Entretanto, junto com o sofrimento, também crescia a resistência.
Miguel Rei aparece nos registros históricos como um escravizado pertencente ao coronel Antônio Basílio Ribeiro Dantas, proprietário do Engenho Sapé. Diferente da imagem passiva que durante décadas tentaram construir sobre os negros escravizados, Miguel tornou-se uma liderança entre os cativos do litoral sul potiguar.
Seu nome passou a circular entre Papary, Arez, Goianinha e São José de Mipibu como símbolo de rebeldia e luta pela liberdade.
As informações preservadas pela memória regional indicam que Miguel Rei organizava reuniões clandestinas nas matas de Mangabeira. Ali, dezenas de escravizados discutiam estratégias para enfrentar o sistema escravista que dominava a região.
O movimento reunia mais de cem negros escravizados.
Não possuíam armas sofisticadas. Utilizavam paus, pedras e instrumentos improvisados. Ainda assim, possuíam algo que aterrorizava as elites escravistas: consciência coletiva e desejo de liberdade.
Miguel Rei compreendia que a escravidão não cairia espontaneamente pelas mãos dos senhores de engenho. Era necessário romper o silêncio.
E ele rompeu.
Os relatos históricos apontam que Miguel defendia publicamente a libertação dos escravizados e discutia o tema em diferentes espaços da Vila Imperial de Papary. Sua coragem impressionava justamente porque não se limitava às articulações escondidas nas matas. Ele falava. Contestava. Denunciava.
Em pleno século XIX, quando um negro escravizado sequer era reconhecido como cidadão, Miguel Rei ousou transformar sua voz em instrumento de resistência política.
Isso faz dele uma das figuras mais importantes - e mais esquecidas - da história social de Nísia Floresta.
Entretanto, como ocorreu em muitos movimentos de resistência negra no Brasil escravista, o plano acabou descoberto antes de sua concretização.
A denúncia partiu do escravizado Félix, pertencente à família Alustau Navarro. A partir dessa delação, as autoridades e os proprietários rurais da região tomaram conhecimento da conspiração organizada por Miguel Rei e pelos demais revoltosos.
Miguel acabou preso antes da explosão do levante.
Mesmo derrotado militarmente, sua memória permaneceu viva.
Porque há derrotas que a história transforma em símbolo.
Miguel Rei tornou-se símbolo da resistência negra em Papary. Representa os homens e mulheres escravizados que recusaram a submissão absoluta. Representa aqueles que ousaram sonhar com liberdade numa sociedade construída sobre a violência, o racismo e a exploração humana.
Outro detalhe profundamente simbólico desse período é que parte dessa resistência negra teria encontrado apoio dentro da própria Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó. Existem relatos de que escravizados fugitivos recebiam proteção nos cômodos internos da antiga matriz de Papary, escondendo-se nos corredores e dependências da igreja.
Isso demonstra que, mesmo dentro de uma sociedade escravista, existiam setores sensibilizados pela dor dos negros perseguidos.
A história de Miguel Rei também ajuda a desmontar um antigo mito de que o Rio Grande do Norte teria permanecido distante dos conflitos raciais e das rebeliões negras do Brasil imperial.
Hoje, nessa data de 13 de Maio, lembrar Miguel Rei é um ato de justiça histórica.
Seu nome deveria ocupar espaço nos livros escolares, nos debates culturais e na memória coletiva do povo potiguar.
Porque antes da assinatura da Lei Áurea, antes dos discursos oficiais e antes das homenagens públicas à abolição, já existiam homens negros gritando contra a escravidão nas ruas, nos engenhos e nas matas do Rio Grande do Norte. E um desses homens chamava-se Miguel Rei.
AGORA VAMOS VER COMO SE DEU O ABOLICIONISMO NA ESCRITORA NÍSIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA...
NÍSIA FLORESTA: PRIMEIRA ABOLICIONISTA DO BRASIL
Referências
- Blog NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE — textos sobre Miguel Rei, os levantes negros em Papary, Padre João Maria e a escravidão no sul do Rio Grande do Norte.
- Pesquisas históricas e memorialísticas sobre a antiga Vila Imperial de Papary e os movimentos de resistência negra no século XIX.

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