ANTES DE LER É BOM SABER...

Contato (Whatsapp) 84.99903.6081 - e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com. Ou pelo formulário no próprio blog. Este blog, criado em 2009, é um espaço intelectual, dedicado à reflexão e à divulgação de estudos sobre Nísia Floresta Brasileira Augusta, sem caráter jornalístico. Luís Carlos Freire é bisneto de Maria Clara de Magalhães Peixoto Fontoura (*1861 +1950 ), bisneta de Francisca Clara Freire do Revoredo (1760–1840), irmã da mãe de Nísia Floresta (1810-1885, Antônia Clara Freire do Revoredo - 1780-1855). Por meio desta linha de descendência, Luís Carlos Freire mantém um vínculo sanguíneo direto com a família de Nísia Floresta, reforçando seu compromisso pessoal e intelectual com a memória da escritora. (Fonte: "Os Troncos de Goianinha", de Ormuz Barbalho, diretor do IHGRN; disponível no Museu Nísia Floresta, RN.) Luís Carlos Freire é estudioso da obra de Nísia Floresta e membro de importantes instituições culturais e científicas, como a Comissão Norte-Riograndense de Folclore, a Sociedade Científica de Estudos da Arte e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Os textos também têm cunho etnográfico, etnológico e filológico, estudos lexicográficos e históricos, pesquisas sobre cultura popular, linguística regional e literatura, muitos deles publicados em congressos, anais acadêmicos e neste blog. O blog reúne estudos inéditos e pesquisas aprofundadas sobre Nísia Floresta, o município homônimo, lendas, tradições, crônicas, poesias, fotografias e documentos históricos, tornando-se uma referência confiável para o conhecimento cultural e histórico do Rio Grande do Norte. Proteção de direitos autorais: Os conteúdos são de propriedade exclusiva do autor. Não é permitida a reprodução integral ou parcial sem autorização prévia, exceto com citação da fonte. A violação de direitos autorais estará sujeita às penalidades previstas em lei. Observação: comentários só serão publicados se contiverem nome completo, e-mail e telefone.

domingo, 31 de outubro de 2021

Outubro: mês de pensarmos sobre uma grande dívida que temos com Nísia Floresta...

 

Todo dia pode ser o dia de tudo. É querer. Por isso, ao longo do ano, gasto os meus verbos com homenagens a Nísia Floresta e aos povos indígenas, principalmente, dentre textos que edificam e conscientizam, muito embora há um perfil humano que não faz e não deixa fazer. O que não deve nos limitar, pois tais arengas acontecem da Academia a Delegacia, como dizia minha mãe. Mas como não me encaixo nesse balaio - nem é minha intenção tirar o mérito de nada - trago uma reflexão que reconheço como fundamental para o atual momento. Ela pertence a todos.
 
Ontem, percebendo que outubro de vinte e um dava os últimos suspiros, meu juízo latejou aqueles pensamentos de sino, badalando, cobrando texto como se tivesse domínio sobre o meu cérebro… Eu estava muito cansado mentalmente e não obedeci. Eis que hoje pego do lápis e do papel, passo a gastar grafite e desenhar o que você lê. Só insisto que não vejam o resultado como garatuja, como algo pessoal, mas como a homenagem que faltam fazer a Nísia Floresta Brasileira Augusta daqui adiante. Não é nada extraordinário. É respeito. É civilidade...
 
Escolhi esse mês para escrever um texto que será entregue - fisicamente, inclusive protocolado - à Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, ao Conselho Estadual de Cultura e ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

O documento expõe a situação em que se encontra o túmulo e o monumento existente no sítio Floresta, ressalta a relevância da intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta para o mundo e, consequentemente, a necessidade da garantia de um espaço digno, que contenha atributos que combinam com o estado de pessoa visionária que foi a referida intelectual, e jamais um acanhamento tão grande como se encontra.
 
O atual estado desses dois elementos (monumento/1909 e túmulo/1954), reflete desprezo e desrespeito, deixando dúvidas se as homenagens ali feitas - depois da construção do prédio lateral - são de fato homenagens, com todo respeito a quem evoca Nísia Floresta naquele espaço. Refiro-me às condições em que se encontram, sufocados por construções de alvenaria, e o silêncio de todos, como se não enxergassem isso. A impressão que tenho é que há uma intenção de esconder o túmulo e o monumento, como se a alma de alguém continuasse de plantão, ali, detratando o que restou da nossa Nísia Floresta, aguardando que não sobrasse nem mesmo o pó do túmulo e do monumento. Pior é que fotografias antigas mostram a existência de um espaço maior que separava a cerca e túmulo; bastante diferente do que vemos hoje. Cabe à Prefeitura de Nísia Floresta localizar localizar o documento antigo de doação do terreno, cuja história está no meu blogue.
 
Nísia Floresta deixou de presente para Papari (hoje Nísia Floresta), ter nascido ali, e muitos parecem não terem se dado conta disso até hoje. O povo e as autoridades devem tratar esse bem como a mesma modernidade que ela coroou as suas ideias. Falta uma ação visionária a esse espaço. Uma cidade tem vereadores, secretários e prefeitos para vigiar e constatar os fatos, portanto todos viram quando os alicerces da obra que hoje macula o túmulo e o monumento teve início. O prédio não foi colocado ali, mas construído ali. 
 
Houve tempo para as autoridades procurarem a família Gondim e conversarem com civilidade e respeito, propondo indenizar os gastos feitos com o alicerce, pedindo que eles construíssem de maneira que deixassem uns cem metros de distância do túmulo, enquanto buscariam parcerias para levantar o devido valor do terreno, comprando-o, demolindo o prédio e construindo ali o que se deve. Vejam como é simples. Não há nada de extraordinário na proposta. Não acredito que alguém seria contra algo tão nobre e justo. Não está-se pedindo para proteger um curral, mas um espaço onde existe a memória de uma pensadora que atrai gente do mundo inteiro. Vale dizer que do outro lado está a residência da família Paulino, a qual também precisa ser revista com civilidade.
 
Confesso que sinto vergonha quando vejo, principalmente estrangeiros chegando ali. Recordo-me, em 2016, quando uma professora universitária sueca esteve ali, depois entrou em contato comigo, por rede social, e indagou horrorizada, por que tratavam o espaço com tanto desprezo. Ela estudou a obra de Nísia Floresta e veio só conhecer o local. Saiu perplexa. É o que sinto. E quantos saem dali revoltados sem que nada possam fazer?
 
É muito fútil e pequeno ver pessoas se engalfinhando por questões miúdas ao invés de enxergar o que é tão visível. Um respeitável professor contou-me, antes de ontem, que houve uma espécie de confusão por questão de autorias de homenagem no município de Nísia Floresta, algo como plágio, no tocante a um cortejo feito do centro da cidade ao sítio Floresta. Isso é tão bizarro que soa inacreditável. Homenagens a Nísia Floresta, que eu saiba, acontecem ali - mesmo com lapsos de tempo - desde 1909. Cada uma do seu modo. Umas parecidas, outras, não, mas plágio nisso?
 
Há quase 80 anos Luís da Câmara Cascudo esteve ali com grande dificuldade, pois o centro da cidade era muito úmido e mais florestado, portanto pisando em água por onde andasse, só para visitar o túmulo. Quer dizer que se hoje eu saísse de Natal para ver o túmulo, seria um plágio? Que bizarrice! Homenagens a Nísia Floresta se intensificaram mais a partir de 1970, depois, na cidade em específico, se tornaram anuais, através dos cortejos organizados pelo professor Jorge Januário de Carvalho, então diretor da Escola Municipal Yayá Paiva. Com esse raciocínio desvalido, de plágio, significa dizer que, doravante, quem encetar um cortejo até o túmulo estará plagiando? Assim sou um plagiador, pois fiz muitas alvoradas com repiques de sino na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, em homenagem a nossa Nísia. Jorge Januário também fez. Foi plágio? Essa barbaridade tem uma explicação: não querer que os outros também façam. Está mais para o campo da maldade.
 
Seja quem for, venha de onde vier: instituições, intelectuais, povo etc devem lembrar de Nísia Floresta. Vale não esquecer. O mês de outubro, em especial, é para as escolas e instituições de cultura e educação - preferencialmente - evocarem o nome de Nísia Floresta. Isso não é plagiar ninguém.
 
Pois bem, mas retomando o desenho - a propósito para não virar garatuja, como alertei - o povo nisiaflorestense precisa perceber que o monumento e o túmulo de Nísia Floresta pertencem - em primeiro lugar a cada nativo - em seguida, ao mundo. Essa consciência continua em falta. Não adianta apenas meia dúzia de pessoas terem essa consciência, se boa parte a tem de forma diluída, sem a mesma profusão. E a consciência deve ser ainda maior por parte das autoridades, pois eles têm o poder nas mãos, eles têm o poder de fazer milagres, se quiserem. Mas algo é certo: Nísia Floresta deixou uma mina de ouro ali onde está o seu túmulo e o seu monumento. É só pensar.
 
PROJETANDO... 
 
O que poderia ser construído ali? Desde que se desse a compra dos terrenos laterais, poderia-se construir um ambiente de sociabilidade para o mundo. A primeira ideia seria um projeto arquitetônico - que, sem sombra de dúvida - poderia ser feito pela jovem nisiaflorestense Patrícia Cota, extraordinária arquiteta que faz jus ao dito “santo de casa não faz milagres”. O engenheiro faria uma réplica da casa onde morou Nísia Floresta para abrigar o museu que falaremos logo abaixo, e que essa construção ficasse em torno de uma réplica do “Jardim de Luxemburgo”, compatível com o tamanho da área total. Um bom paisagista enriqueceria o espaço com árvores exóticas, tipo abricó, gameleira, samaúma, baobá e outras espécies interessantes, sem esquecer uma alameda matizada com mangueira, abacateiro, coqueiro, como ela descreveu a sua “Floresta”.
 
O “Museu de Nísia Floresta”, diferente de ser uma “desomenagem”, seria um poema de amor a ela, um sinal de respeito e agradecimento pelo fato de ela ter sido luz numa época de escuridão. Ela deixou fogo para nós, e sua chama arde. O museu ficaria no centro desse complexo, de maneira que fosse construído uma réplica da casa que existiu ali, onde ela viveu com os pais e seus irmãos. Nesse espaço deveria estar apenas a sua família, e jamais quem quis destruí-la gratuitamente, pois assim seria um museu do horror, como se até nós a desonrássemos. Penso na reconstituição de um ambiente antigo, característico ao tempo de Nísia Floresta em termos de mobiliário, com escrivaninha, sala, quarto num primoroso estudo de especialistas, de maneira que, conforme o grupo de visitantes passeasse pelos cômodo - acolhido por pessoas caracterizadas com vestimentas de época - visse os retratos de Nísia Floresta, fotografias de lugares onde ela andou, réplicas das capas originais de suas obras expostas sobre os móveis etc. Tudo isso primorosamente permeado com riquezas de detalhes de época. Como se a casa estivesse congelada no tempo. A cozinha teria uma réplica original de fogão a lenha com os mínimos detalhes de uma cozinha.
 
A sala teria livros antigos que fizesse desaparecer as paredes, significando que só os livros nos podem nos tornar iguais a Nísia: “ver adiante do tempo”. No alpendre estariam pedaços de pedra sabão, destacando-se a réplica da peça que o pai de Nísia Floresta fez na sacristia da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó. 
 
Ao lado da casa-museu, haveria uma edificação moderna, com auditório e salas amplas, de maneira que o visitante interagisse com Nísia Floresta, assistisse documentários, filmes, ouvisse o hino em homenagem a Nísia Floresta, conhecesse a letra, dentre outras músicas e poemas afins, numa proposta de inclusão. Uma sala especial contaria com hologramas https://olhardigital.com.br/.../cientistas-criam.../
 
permitindo que os visitantes estivessem cara-a-cara com Nísia Floresta, ouvindo-a declamar parte de seus poemas, frases clássicas e suas principais ideias, além de dialogarem com ela. Esse espaço reuniria tudo o que existe até o momento alusivo a Nísia Floresta seja no município ou fora dele (uma imensa galeria de fotografias dos principais acontecimentos). Ou seja, seriam dois museus, o da casa (no passado) e o atual.
 
O local abrigaria uma grande biblioteca, onde os visitantes teriam acesso a todas as obras de Nísia Floresta principalmente, cuja coordenação das edições ficaria a cargo de Constância Lima Duarte. Somaria-se ao acervo obras de autores norte-riograndenses e franceses, como Auguste Comte, Flaubert, Victor Hugo, Simone de Benvoir, Jean Paul Sartre, Alexandre Dumas, Exupery e Voltaire. A biblioteca seria uma obra em parceria com o Governo Francês, cuja ponte seria a Aliança Francesa.
 
Ao lado teria-se o Teatro Municipal de Nísia Floresta com aulas de dramaturgia, cuja história de Nísia Floresta seria a atração principal, exibida ao longo do mês de outubro, com ampla divulgação em todo o país (tenha certeza absoluta que essa dramatização assumiria patamares imprevisíveis, podendo se tornar uma das grandes atrações do país). O teatro teria um anexo para aulas de dança em parceria com o balé de Bolshoi (esse detalhe é um processo construído. Santa Catarina conseguiu uma parceria com Bolshoi devido a muita qualidade; é a única extensão de Bolshoi em todo o mundo. Por que não em Nísia Floresta?). Esse espaço seria uma referência.
 
A área contaria com lojas que disponibilizassem artesanato e lembrancinhas da cidade, com destaque a cartões-postais com todos os retratos existentes de Nísia Floresta ( o que ajudaria - e muito a extinguir essa confusão que fazem entre Nísia Floresta e I.G.), dentre folders com retrato e biografia de Nísia Floresta em portguês e inglês.
 
Haveria uma sala com a reconstituição daquele retrato em que Nísia Floresta aparece de corpo inteiro, segurando um livro, levemente encostada num pilar clássico. Teria-se disponível réplicas do vestido e um livro, permitindo que pessoas do sexo feminino o vestissem e se fizessem se fotografar em reconstituição ao retrato, além de fazer fotografias em outros ambientes do complexo.
 
Os “Jardins de Luxemburgo” teriam muitas esculturas: dos pais e irmãos de Nísia Floresta, além de “Pepé” (uma espécie de ama, ou babá que Nísia Floresta teve), e de Augusto, o grande amor da homenageada, além de esculturas de indígenas locais. Numa das alamedas se perfilariam esculturas dos filósofos e escritores que Nísia Floresta conheceu na Europa, como Castilho, Alexandre Herculano, Auguste Comte. O complexo seria emoldurado por um estacionamento arborizado com Pau-Brasil.
 
O complexo abrigaria também três réplicas que evocassem o passado, sendo uma casa de farinha nos moldes originais (conforme tantas que existiram em Papary), um alambique (conforme tantos que existiram em Papary) e um engenho de cana de açúcar (conforme inúmeros que existiram em Papary).
 
O riozinho próximo poderia garantir a água para uma pequena lagoa artificial que oferecesse curso de mergulho e fotografias aquáticas para atrair turistas, aulas de natação para crianças e fisioterapia e lazer para idosos. Esse espaço seria uma alusão à lagoa Papary, reverenciada por Nísia Floresta. A partir do momento em que se criasse dispositivos contraditórios dentro desse complexo, com certeza teria-se gente o ano inteiro ali, considerando, também, que haveria uma política de cunho turístico, interligada a todos os hotéis e ambientes de gastronomia do estado. 
 
Dia desses eu conversava com um nisiaflorestense, ocasião em que sugeri que ele apresentasse à Câmara Municipal de Nísia Floresta um projeto para a construção de um coreto em estilo francês na praça Coronel José de Araújo, de maneira que abrigasse a instalação de uma escultura de bronze, em tamanho natural, que poderia ser feita por um dos mais geniais escultores do mundo, que - pasmem! - é brasileiro, Ique Woitschach. Uma peça desse tipo permite a interação das pessoas com a escultura, ou melhor, com Nísia Floresta, pois se faz fotografias como se estivesse, de fato, com Nísia Floresta. Poderia-se reconstituir aquele famoso retrato de Nísia Floresta em que ela aparece de pé, segurando um livro. Vejam um exemplo nesses dois links: 
 
 
Pois então… o grande começa pequeno. É necessário o início. É necessário parcerias. É necessário lançar as ideias, comungá-las. O que posso, no momento, é oferecer esse projeto e enviá-lo para todas as autoridades mais significativas do Rio Grande do Norte, em caráter de provocação. As pessoas precisam ser provocadas para, depois, se sentar, discutir e colocar as ideias em prática. Nísia Floresta está à altura das coisas visionárias, pois somente nesses conformes as coisas se tornam referenciais. Como se diz… é o pulo do gato. Entenderam a mina de ouro que eu falei?

 

sábado, 30 de outubro de 2021

Qual a relação do Pan ran pan pan de Cuba com o pã rã pã pã da dupla Pirão Bem Mole?

 


A graça da linguagem está em permitir a interpretação. Já disseram lá atrás que “palavras tem que dizer”... É exatamente dizendo que a palavra rola, se desgasta e se transforma. Acontece assim com dizeres antigos, por exemplo, ao falar “Fulano é o pai cagado e cuspido” se deveria dizer “Fulano é o pai escarrado e esculpido”, ou “Quem tem boca vaia Roma” que virou “Quem tem boca vai a Roma”... e milhares de outros ditos, frases célebres, palavras etc.
É com esse raciocínio que trago o drama Parãpãpã, interpretado pela dupla Raimunda e Salete, de Nísia Floresta, município da região metropolitana de Natal. Infelizmente d. Raimunda se encantou há alguns anos, Salete se aquietou e as famílias não quiseram dar continuidade por questões de religião.
Pois bem, explicar o Parãpãpã da dupla nisiaflorestense Raimunda e Salete é dispensável. Já escrevi muito sobre essas duas adoráveis senhoras, que animaram Nísia Floresta por vários anos, interpretando belos dramas. O assunto, hoje, é sobre os bastidores do Parãpãpã, e justamente aconteceu com esse drama o que aconteceu com os ditos populares. Rolaram tanto no boca-a-boca do tempo que se transformaram... se lapidaram... chegaram a Nísia Floresta.
Antes de tudo, vamos visitar esse vídeo muito divertido do ”Pãrãpãpã”, interpretado por Didi, dos Trapalhões:
 
 
Quer entender o imbróglio? Então comecemos do começo. Primeiramente, vamos ler a versão interpretada por Raimunda e Salete, depois assistir aos vídeos abaixo, que nos levam a raiz da história, permitindo saber qual a relação do pãrãpãpã da dupla Raimunda e Salete com o Pan ran pan pan que veio de Cuba:
 
PÃ, RÃ, PÃ, PÃ, PÃ, PÃ... 
 
As moças que vêm de Cuba
Que vão prá praia prá namorar
Sou eu alma resguardada
Tenho vergonha de me mostrar
As moças que vêm de Cuba
Que vão prá praia toda manhã
No fim de tudo elas querem
É pã, rã, pã, pã, pã, pã... (bis)
Um dia um moço bonito
Estava querendo me namorar
E falou no meu ouvido
Segredos que eu não vou revelar
Eu não vou prás conversas
Daqueles falsos galãos (galãs)
No fim de tudo eles querem
É pã, rã, pã, pã, ninguém é besta não. (bis)
 
Agora, vamos apreciar a versão original, de autoria do artista cubano Sergio Karlo. Na realidade, o nome dessa música é "NEGRO DE HAVANA", mas, precisamos abrir uma exceção para Nísia Floresta, onde ela assumiu o apelido de "Pãrãpãpã". Se bem que há um vídeo com Ney Matogrosso com o título Pan ran pan pan. Se quiser acompanhar a letra, segue abaixo a original:
 
 
PAN RAN PAN PAN (Sergio de Karlo)
 
De todo negro de Havana
Yo soy el negro mas guapeto
Yo soy el mas cumbanchero
Que se pasea por malecon
Las negras se vuelvem locas
Por mi cintura montada en flan
Por que dicen que yo tengo
Paranpanpan
Negra mueve la cyntura
Negra echate pa ca
Dejame sentir my negrita santa
Toa tu sabrosura
Mira, que no puedo mas
Ayer una mulatica
Como queriendo me namorar
Me dijo negrito santo
Quiero que tu seas mi papá
Fuimos a su apartamiento,
Y como donde las toman, las dan
Ao verme solo con ella
Paranpanpan
Negra mueve la cyntura
De todo negro de Havana
Yo soy el unico que habla ingle
Yo se decir guachinanga
Y en un apuro contesto yes
Toda las americanas
Dicen que vievem a turistear
Pero vieven a l'Havana
Paranpanpan
 
Aprecie, agora, a bela interpretação de Ney Matogrosso para o “Pãrãpãpã”, sem a participação de Didi, dos Trapalhões:
 
Veja, agora, a letra de “Pãrãpãpã” em língua portuguesa. Observe que o enredo está anos-luz da interpretação da dupla Raimunda e Salete, embora há dois pontos de semelhança:
 
PÃ RÃ PÃ PÃ
 
De todos os negros de Havana
Eu sou o homem negro bonito
Eu sou o ma 'cubano
Que caminha ao longo do calçadão
Mulheres negras enlouquecem
Pela minha cintura montado em um flán
Por que eles dizem que eu tenho
Pa corria pão pão pão pão
Pa ran pan pan pan pan
Ai, Negra, mexa sua cintura
Ai, preto, deite-se
Deixe-me sentir, minha santa ousada
Todo o seu sabor
Sim, olha que eu não posso mais
Ontem uma mulata gostava de querer que eu me apaixonasse
Ele me disse: "Caramba, menino negro, quero que você seja meu papai"
Fomos ao apartamento dele e para onde os levam?
Me vendo sozinho com ela
Pa ran pan pan pan pan
Ai, Negra, mexa sua cintura
Sim, preto, deita-te
Deixe-me sentir, minha santa ousada
Todo o seu sabor
Sim, olha que eu não posso ma '
De todos os negros de Havana
Eu sou o unico que fala ingles
Eu sei dizer "guasimara" e com pressa respondo "sim"
Todos os americanos dizem que vêm em turnê
Mas eles vêm para Havana
Pa corria pão pão pão pão
Ai, Negra, mexa sua cintura
Sim, preto, deita-te
Deixe-me sentir, minha santa ousada
Todo o seu sabor
Sim, olha que eu não posso mais
Ontem uma mulata gostava de querer que eu me apaixonasse
Ele me disse: "Caramba, menino negro, quero que você seja meu papai"
Fomos ao apartamento dele e para onde os levam?
Me vendo sozinho com ela
Pa corria pão pão pão pão
Pa ran pan pan pan pan
Sim, preto, deita-te
Deixe-me sentir, minha santa ousada
Todo o seu sabor
Sim, olha que eu não posso ma '
De todos os negros de Havana
Eu sou o unico que fala ingles
Eu sei dizer "guasimara" e com pressa respondo "sim"
Todos os americanos dizem que vêm visitar
Mas eles vêm para Havana
Pa corria pão pão pão pão
Pa ran pan pan pan pan
Sim, Negra, mova o cinto
Sim, preto, deita-te
Deixe-me sentir, minha santa ousada
Todo o seu sabor
Sim, olha que eu não posso mais.
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Como disse lá em cima, a beleza da linguagem está em permitir a interpretação, embora, nesse caso, a beleza do “Pãrãpãpã”, da dupla Raimunda e Salete, está na graciosidade e na reinvenção, ou releitura. Confesso que não sei como ocorreu essa lapidação, mas, para mim é fantástica. Quando elas cantavam, o povo ia ao delírio... olha aí como a palavra, de fato, tem que dizer!
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Quer conhecer a história da dupla Pirão Bem Mole? Clique abaixo:
Agora aprecie uma novidade sobre o Pirão Bem Mole:
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OUTRAS INTERPRETAÇÕES INTERNACIONAIS DE PAN RAN PAN PAN:
RODRIGO BUENO:
ORQUESTRA ROMÂNTICOS DE CUBA (3ª MÚSICA, 8,04min.):

 

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Escola cívico-militar é um grande atraso - Dê um tiro nessa ideia...

 

Dia desses, escrevendo sobre a escola cívico-militar, observei algumas pessoas com dificuldade de interpretação do texto. Elas me fizeram reflexões, de modo que eu tivesse que explicar o que elas haviam interpretado, e não o que eu havia escrito. Achei impressionante. Hoje, trazendo novas reflexões sobre o tema, procuro ser o máximo didático, evitando que palavras sejam colocadas na minha boca. O título é proposital, para checar mesmo a interpretação de alguns leitores…
 
Sou contra a escola cívico-militar. Não sou contra militares. Respeito-os como respeito os médicos, artistas, garis, os desempregados etc. Entendo o caso de pessoas sem informações, e que são a favor desse novo modelo escolar, mas ficaria perplexo se visse um professor civil favorável ao militarismo na escola, pois perceberia que ele se curvou a um equívoco, negou o seu próprio juramento docente, e faltou-lhe a aura de educador. Eu não diria um educador de verdade, mas um educador jamais aplaudirá militares no lugar do professor civil. Não somos país em regime de ditadura para militarizar os jovens. Não temos histórico de amores bélicos. Não admiramos Ustra. Não há necessidade dessa militarização. Há necessidade de medidas pontuais, por exemplo:
 
1) aumentar o PIB para a Educação;
2) aumentar o número de universidades em regiões isoladas;
3) aumentar o número de escolas técnicas federais no Brasil;
4) investir fortemente na qualificação contínua dos professores federais, estaduais e municipais;
5) investir fortemente na estruturação das universidades, escolas técnicas federais, escolas de ensino fundamental, médio e infantil;
6) garantir que no primeiro dia de aula TODOS os alunos das escolas de ensino fundamental, médio e infantil, tenham em mãos TODOS os livros didáticos;
7) garantir BIBLIOTECA DE VERDADE nas escolas;
investir fortemente em políticas públicas de educação, saúde, segurança pública, locomoção, lazer, esporte, entretenimento etc;
9) investir fortemente no combate à pobreza.
10) garantir cidadania e políticas públicas nos bairros para alunos e pais.
 
Essas políticas públicas permitem que crianças e jovens tenham educação e intelectualidade fortalecidas. Elas irão para a escola tratando com respeito os professores e qualquer pessoa. DETALHE: sem serem soldadinhos de chumbo. Essas medidas permitiriam famílias estruturadas, pois os alunos de fato se graduariam com condições intelectuais de avançar, ter emprego, melhorar a vida dos pais e se unir a outros cidadãos na construção contínua de uma nação evoluída. PARTE dessas medidas foi iniciada no final do governo de FHC, perpassou por Lula e Dilma, mas sofrem reduções e extinção no governo atual que está desmontando tudo.
 
Na realidade, os resultados concretos das medidas acima só fecharão o círculo após cinqüenta anos de efetivação, sendo que em vinte anos a sociedade sentiria os reflexos. É projeto para vários governos, pois é impossível a sua realização em quatro ou oito anos. Só um país sério, e com patriotas na prática – e não apenas nos discursos – daria essa guinada.
 
Alguns pensarão: por que não fizeram desde que surgiram as escolas públicas? Não sei. A dívida é secular. Por que não construíram nesses cem anos e se chegou ao atual estado? Criança cujos pais contam com serviços públicos de qualidade, que recebe educação libertária, torna-se homem e profissional altruísta. Ela conhece limites através dos pais (não dos professores), será autoridade idônea, saberá com clareza discernir certo e errado. Pobreza não justifica marginalidade. Há muitas famílias pobres de Jó que educam os filhos como príncipes, que se desdobram e protagonizam fatos impactantes, mas não é generalizado. Pobreza expõe e fragiliza mais.
 
Dia desses assisti a um vídeo no qual um pai bem apessoado entra numa grande farmácia com o filho, entretém o farmacêutico, enquanto a criança de NOVE ANOS furta todo o dinheiro do caixa. Se ambos tivessem a devida educação, não praticariam contravenção. Só a educação transforma o homem num cidadão de bem. Há exceções negativas, mas são casos isolados.
 
Reconheço a organização das escolas militares. Mas também reconheço a organização de muitas escolas públicas civis, mas vale salientar, que a escola militar recebe incomparavelmente muito mais recursos financeiros. Questiono o desvio do militar para a escola civil. Não é essa a necessidade do Brasil. Precisamos das medidas acima enumeradas, dentre outras ações pertinentes. 
 
Se as famílias marginalizadas, cujos filhos apresentam problemas na escola, fossem tratadas com dignidade pelo Estado, se tivessem os auxílios que têm os políticos e magistrados, com certeza educariam corretamente os filhos. Os professores não estariam sobrecarregados, substituindo pai e mãe, dando educação de berço aos filhos alheios.
 
Quando, espontaneamente, um jovem escolhe uma escola especificamente militar – é um direito dele seguir as escolas das Forças Armadas (Marinha, Aeronáutica, Exército, Polícia Militar). Mas transformar as escolas civis em espaço cívico-militar por força da opinião geniosa de um presidente que faz mal juízo dos educadores civis, é puro equívoco. A perseguição é tão óbvia que ele investirá pesado nessa ideia de militarizar a escola civil para, de fato, obter “bom resultado”, “provando” que ela é “melhor” que a educação civil. 
 
O leitor poderá pensar “mas se eles investem muito mais dinheiro na escola militar, será bom que as escolas civis sejam militarizadas”. Não é bem assim. A destinação de verbas para as escolas secularmente militares é muito diferente de, por exemplo, militarizar uma escolinha civil em sua cidade interiorana. Não compare o que vai de dinheiro para o ITA com o que iria de dinheiro para a Escola Professor Zuza, aqui em Natal, por exemplo (acaso ela fosse militarizada). Os dispositivos são diferentes. É outra história. 
 
A educação militarizada jamais será completa como a Educação civil (explico abaixo). Por que o Governo Federal não investe dignamente na escola civil? Conheço incontáveis escolas civis, públicas, que, quase sem recursos, conquistam sucessivas vezes o primeiro lugar no IDEB. Os IFRN’s estão dando um show no aspecto de avanços intelectuais dos alunos.
Imagine se as escolas civis recebessem os mesmos investimentos das escolas cívico-militares? Com certeza seriam instituições incomparavelmente formidáveis. Mas é uma questão pessoal. Cismaram com Paulo Freire. Escolheram Ustra! A linha da educação militar é diferente, nem tanto pela organização e respeito, mas a essência, os conteúdos, os métodos. Leiam esse magnífico texto e entenderão melhor. a essência é a mesma: https://medium.com/.../a-hipervaloriza%C3%A7%C3%A3o-do...
 
Você sabia que os livros didáticos chegam às escolas baseados no senso escolar do ano anterior? Por isso nunca são suficientes para todos os alunos, pois a cada ano aumenta o número de alunos. Sabia que boa parte dos livros didáticos chega atrasado às escolas? Isso é gravíssimo. A culpa é dos governos. Mas a sociedade, equivocada, culpa escolas e professores. Pobres vítimas.
 
A sociedade tem a mania de supervalorizar o que é belo por fora e por dentro é pão bolorento, e o que os reclames anunciam: a fruta viçosa (mesmo que por dentro tenha gosto desenxabido), a caixa de fósforo acusando 100 palitos, mas com 70 palitos de fato. É mais ou menos isso que acontece com a aparência da escola cívico-militar. Estética bonita pelas fardas muito bem desenhadas, cabelos e sapatos impecáveis. Alguns acharão o máximo. Mas em termos intelectuais, há um déficit grande. 
 
Para quem tem dificuldade de interpretação de texto, esclareço que não falo em déficit no aspecto de inteligência, moral, caráter, mas déficit na profusão de sua intelectualidade. Os alunos das escolas cívico-militares não experimentam a mesma grandeza da escola civil pública: a plenitude das Humanidades sem pecar nas Exatas, não há áreas do conhecimento censuradas ou ignoradas. Não há perfis humanos discriminados. Nos ambientes educacionais civis públicos as regras são deliberadas, construídas. Há liberdade. Se algumas falham, o fazem por força do sistema falho. Mas a busca pelo conhecimento supremo e plural é contínua.
 
A escola civil permite ao aluno discutir os temas atuais sem censura; estudar e produzir todas as vertentes da Arte; estudar Política, Filosofia, Sociologia, Antropologia etc; experimentar os ensinamentos de incontáveis pensadores da Educação (inclusive Paulo Freire) e outros filósofos da Educação; não aquiescer à imposições que ferem culturas. Isso não tem preço, pois fecha o círculo da formação intelectual. 
 
A escola civil, além de oferecer as disciplinas das escolas cívico-militares, com exceção às específicas militares, oferece todas as disciplinas das áreas humanas, sem imposição e limitação, sem coerção, sem impor medo, sem ameaçar com agressões físicas, afogamento, sofrimentos diversos. É uma formação completa. Por tal razão observo que a educação na escola cívico-militar jamais será plena.
 
Na escola cívico-militar, um jovem afro-descendente, por exemplo, deverá cortar o cabelo rastafári para usar o quepe. A garota de cabelo azul deverá “destingi-lo” para usar “coque” e quepe. O cabelo rastafári ou azul jamais impediriam o aluno de aprender. Como fica o respeito à cultura de raiz africana e a liberdade da escolha da cor do cabelo? Regra e respeito entram em conflito quando a regra desrespeita a cultura. A escola civil respeita todas as culturas: nela entram os alunos de cabelos coloridos, tatuados, com rastafári, enfim não se pratica a exclusão, pois uma pessoa não é má ou marginal por ter esse visual. Observo que querem doutrinar os jovens antes de chegarem às universidades. Por que não tentam militarizar as universidades! São estratégicos! Experimentem!
 
Priorizam patriotismo como se patriotismo traduzisse idoneidade inquestionável. Há patriotas na cadeia. Há patriotas agredindo ciganos, nordestinos, judeus, gueis, lésbicas, negros etc. O próprio presidente da república, que proclama o patriotismo diariamente, planejou atos de terrorismo no Exército, planejou explodir o prédio das Agulhas Negras, uma adutora carioca e outros espaços públicos. Imagine um aluno dele, hoje, explodindo uma escola! Patriotismo é conteúdo da disciplina de Ética e Cidadania, assim como Física, Arte, Geografia etc. Não é algo extraordinário. Extraordinário é o que já expus nas medidas acima. 
 
Patriotismo não se resume à palavra, mas à prática. O presidente não é patriota nem no discurso, pois discurso que enaltece torturador é criminoso. Um presidente que diz “caguei” diante de um monte de autoridade não pode afirmar que a escola militar é melhor que a civil.
 
As Forças Armadas não têm a procuração do patriotismo nem do respeito para sentenciar que a escola cívico-militar é a solução para os problemas atuais. Há mais de cem anos os alunos entoam hinos cívicos e hasteiam bandeiras com naturalidade. Não se deve julgar a escola pública civil tendo como parâmetro fatos isolados, despertando na sociedade a ideia de que o professor civil fracassou. Isso é injusto.
 
Que história é essa de que a nação carece de disciplina militar? Parte da sociedade pode até necessitar de disciplina. Mas DISCIPLINA, e não DISCIPLINA MILITAR. Disciplina não é patrimônio militar. A sociedade é feita de famílias, as quais – salvo as devidas exceções – não disciplinam os filhos. O assunto é complexo e relativo. Há, inclusive, militares de todas as vertentes que não disciplinam os próprios filhos também. A internet está repleta de casos. Isso traduz um problema social/humano. A solução está na Educação, e nos tópicos enumerados acima.
 
Famílias que se encontram em situação de fragilidade, gerando filhos problemáticos nas escolas, salvas as exceções, predominantemente são de origens pobres, diferentes das famílias ricas. Famílias pobres estão sem moradia digna, sem emprego, sem saúde, sem educação, sem lazer, sem segurança, sem entretenimento etc. Elas perderam a capacidade de educar os seus filhos. O problema escorreu para o colo dos professores. Hoje o sistema ignora isso e produz “fake news”, crucificando a imagem do professor.
 
O resultado dessas escolas – que não são todas – onde o professor virou pai, mãe e professor, implica nos resultados cognitivos deficientes. Os alunos não aprendem satisfatoriamente. Há muitas escolas públicas que, pelas mãos dos educadores, são modelos. Isso exige esforços hercúleos. Não era para ser assim, pois a construção do conhecimento deve acontecer com serenidade, paz, fraternidade, amorosidade, como nos ensina Paulo Freire e outros pensadores da Educação. 
 
Há uma mania atual de alegarem baderna instalada nas escolas públicas civis – como se generalizada – mas a baderna veio de casa, salvas as exceções. A escola é o “quarto de despejo das família”. A disciplina que faltou em casa foi repassada para a escola, como se os professores tivessem parido alunos mal educados, portanto obrigados a educá-los. Os pais perderam a moral para os filhos que os dominam, então eles querem que os professores lhes deem educação de berço.
 
O ‘povão’ deve lutar por uma escola pública-civil de qualidade. Jamais aplaudir a escola cívico-militar limitadora da intelectualidade dos jovens. A sociedade, formada por pais, mães, avós, tios etc são as pobres vítimas desse fake news. As escolas civis com maiores problemas são assim por culpa da ineficiência governamental. Hoje, parte dessa sociedade ouve a propaganda da escola cívico-militar e se aquiesce aos equívocos, despercebendo que a mesma não constrói uma educação libertária, forte, altruísta, intensa, mas exclusiva e segregacionista.
 
Parte da sociedade – hipócrita – está assustada, culpando a escola e o professor. Ora! Os professores que apanham de alunos – não generalizando – apanham porque em casa eles batem nos pais. Em algumas escolas ocorre o tráfico de drogas. Crucificam os educandários como se eles gerassem o problema. O aluno traficante já o faz em sua própria casa. Algumas escolas se tornam a extensão do tráfico. Muitos pais nem sabem, outros fingem com medo de apanhar desses filhos. Mas quase todos culpam escola e professor. Ignoram que o problema está no sistema. Na realidade, a família é só mais uma vítima. E por falar em tráfico de drogas, lembram do avião presidencial com 39 kg de cocaína pura? Vejam a eficiência militar. Quem é perfeito, deve provar que é perfeito.
 
Ninguém precisa de militarização escolar. Precisa-se de educação plena, cidadania, civilidade, comida, emprego, lazer etc. Os militares poderão até disciplinar as escolas antes civis, mas disciplinar dentro da exclusão. O aluno que denominam de “bandido”, vai abandonar a escola e ampliar o tráfico e a violência em torno da escola e dos bairros. O aluno que não comunga com o estilo militar, não necessariamente o chamado “bandido”, vai evadir. Alunos gueis, lésbicas e trans sequer entrarão na cívico-militar. E nem devem. Não era para o governo estar investindo na Educação sob as suas novas faces? Não era para o governo estar investindo em saúde pública, não era para o governo estar investindo em prevenção feita pelos próprios militares em outras repartições?
 
Alegam que o bullying está acabando com as escolas. Alunos praticantes de bullying tiveram má formação educacional, ética em casa. Quem pratica bullying acha-se superior aos outros. Acha-se rico, por isso humilha o pobre; acha-se mais bonito, portanto humilha o “feio”; é mais popular, portanto humilha o tímido; usa roupas de grife, portanto exclui os que se vestem com simplicidade; vai à escola de carro, portanto discrimina quem vai a pé. De onde vem esse comportamento? De casa! Há praticantes de bullying com problemas psiquiátricos, psicológicos, em situação de abuso, violência. Eles encontram no bullying uma válvula de escape. Aqui entramos na alçada médica. Onde estão as políticas públicas para essa preocupante situação? Vocês acham que militares irão resolver isso? Pelo contrário! Irão traumatizar ainda mais. Ninguém está precisando de ameaças, de medo, de gritos, de ordens estúpidas. Está-se precisando de educação e respeito. E isso não é propriedade militar, como se lê em tantos exemplos expostos aqui mesmo.
 
Há quem sentencie que se não precisássemos de escola cívico-militar, que antes os civis tivessem realizado medidas disciplinares nas escolas. Quem disse que não realizaram? Mas não é esse o problema. O problema se resolveria se efetivassem os tópicos acima elencados. Não são escolas que criam políticas públicas. São governos. Alegam que há anos as escolas e professores negligenciam o problema. É equivocado, pois a imagem ruim de ALGUMAS ESCOLAS civis públicas não surgiu no ano passado. É antiga. O problema é a falta de investimento e descontinuidade das políticas públicas iniciadas nos governos anteriores, salvas as devidas observações, como expus. Há professor equivocado, como há militar. Mas não é regra.
 
Os governos deveriam investir, obviamente, e com justiça, nos militares e nos professores. Mas cada um no seu quadrado e em harmonia social. Deveria-se investir pesado na estruturação das instituições militares no combate às drogas, ao tráfico e à violência. Os militares devem cuidar das fronteiras no ar, no mar e na terra. Os militares precisam de condições e políticas públicas para trabalhar prevenção diariamente. Polícia qualificada para trabalhar com Inteligência e Prevenção, faz milagres. Mas em seu quadrado.
 
Mais que armas de fogo, a prevenção desarma a criminalidade lentamente. Essa é uma das tarefas militares. A solução está nas políticas públicas, jamais na militarização de escola civil. Só com esse investimento maciço terá-se homens e mulheres fortes honrados, cidadãos plenos, país promissor. Escola cívico-militar é atraso. É equívoco. É caminhar para o passado que já se conhece. 
 
O que temos, hoje, na realidade, é um presidente ignorante, mal educado, genioso, que detesta a imagem dos professores, detesta as universidades e os ambientes educacionais. Um louco que age como se estivesse querendo vingar Ustra, vingar Pinochet pelo fracasso de seus regimes de tortura de maldade militar. 
 
Jamais admitiria meu filho ou neto ouvindo: “Ordinário! Marche!” Prefiro que ele ouça: “Não seja ordinário, não marche, mas pense… não tenha medo, leia, lute, e caminhe por todos os caminhos que o levem à liberdade, à justiça, à partilha, ao conhecimento de excelência, à cultura, ao êxito, amor ao próximo e um Brasil que extinga equivocados patriotas… voe…voe”.

Antropofagia evangélica...

 

ESCREVI O TEXTO ABAIXO NO FACEBOOK,  DIA DA ELEIÇÃO QUE ELEGEU BOLSONARO (Recebi essa lembrança e postei como reflexão, pois não faltou quem alertasse)...
 
HOJE É O DIA MAIS SÉRIO DO BRASIL - DE UM LADO O CANDIDATO QUE REPRESENTA A TORTURA E A RESSUCITACÃO DA DITADURA MILITAR - DO OUTRO LADO O HOMEM QUE REPRESENTA A DEMOCRACIA PLENA, A LIBERDADE A DIPLOMACIA E A CIVILIDADE
 
Qual o candidato que se refere aos nordestinos como raça? Sobre isso ele esquece que o Nordeste é berço de grandes gênios de todas as áreas do conhecimento, inclusive as Ciências Exatas.
Qual o candidato que bate continência, pasmem, para a bandeira de um país que está por trás de todas as guerras dos Últimos tempos no Mundo, inclusive o que se passa na Venezuela, onde estão doidos pelo petróleo dali. Lembre-se, eles estão de olho na Amazônia, nas nossas riquezas naturais, principalmEnte petróleo e água.
 
Qual o candidato que se refere aos pobres "com o titulo na mão e um diploma de burro no bolso"?
Qual o candidato que diz com orgulho que não queria im filho ou filha homossexual, como se essa excelência genética pudesse ser comparada a algo nocivo como duas ideias toscas e ignorantes ao estilo de tortura e ressuscitacão da Ditadura Militar?
 
Qual o candidato, vejam o nível de desequilíbrio, contradição e despreparo desse senhor, que cogita a possibilidade de um ator gay (se referindo ao possível governo do seu concorrente Haddad) ser seu futuro Ministro da Cultura?
 
Qual o candidato que se refere aos negros como se referissem a animais irracionais, dizendo nomenclaturas desprezíveis (usou a palavra arroba para se referir ao peso dos quilombolas), taxando-os como "preconceito", justamente uma etnia tão forte, poderosa e, pior, até hoje com sequelas da triste historia da escravidão?
 
Qual o candidato que votou contra todos os direitos das dignas empregadas domésticas em seus mandatos de deputado?
 
Qual o candidato que elogia e admira torturadores e ditadores militares?
Qual o candidato que, antes de ganhar, fala com orgulho sobre possibilidades de prisões e exílio ao pessoal de esquerda?
 
Eu voto em HADADD porque ele é o contrário de tudo o que representa o ódio e o atraso. Voto num homem que representa a democracia e a liberdade de expressão, bens nobres e fundamentais, que podem alçar o nosso querido Brasil à condição de nação civilizada e cidadã. Isso é um processo que um admirador de torturadores jamais poderia fazer, pois representa a própria tortura e não reúne condições intelectuais e equipe para tal. Seria um mamulengo com fortes possibilidades de ter o poder tomado por aliados. Suponho até mesmo que um plano escabroso esteja sendo ensaiado pela própria Direita tão acostumada a dar golpes. 
 
Nunca vi tanta torpeza, tosqueza, truculência e, ao mesmo tempo, tanto circo. A Democracia é um bem nobre e intocável, e devemos nos afastar de tudo o que for contrário a ela. Se houve erros por parte de alguns que se fantasiaram de homens de esquerda, que eles respondam perante a Justiça. Que hajam provas e a verdade prevaleça. A esquerda é a única que está ao lado dos pobres e das minorias.
Temo pelo meu filho, por ser um destemido defensor da liberdade, e já está assistindo dentro da UFRN, atos de ditadura, coisa execrável, que jamais deve ser ressuscitada. Os que defendem esse indíduo tosco e ensandecido, misto de Hitler com Trump, se arrependerão quando verem seus filhos vitimados por ditadores e torturadores. Temo por milhares de brasileiros que, iguais a nós, abominam o que já se ensaia no Brasil. 
 
Por tudo isso eu peço a todos os Brasileiros: digam não a quem admira a tortura e ditadura. Saiam dese pesadelo, desse feitiço impetrado por terrível equívoco. (28.10.2018)

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Branca Alves de Lima, ela me alfabetizou...


Professora Branca Alves de Lima. Heroína da educação nacional, nasceu em 1911, no interior de São Paulo e morreu em 2001, aos 90 anos de idade. Ela criou a cartilha “Caminho Suave” em1948, que por meio século alfabetizou perto de 40 milhões de crianças e adultos, ao longo de décadas...
 
Lembro-me, fotograficamente dessa cartilha, cuja autora usava o método analítico, hoje praticamente extinto. Cada letra do alfabeto era relacionada a uma imagem que tinha a ver com o som da vogal ou consoante. Por exemplo, a frase "Eu vejo a barriga do bebê" era mostrada de maneira que a letra b (de imprensa/minúscula) era a própria barriga do bebê. A autora explorava a letra de maneira que parecesse com algo que tivesse aquele som, ou seja "b" de barriga. Para tornar mais lúdico aos olhos infantis, ela colocava um rostinho de criança na parte de cima da letra "b", e umas perninhas abaixo da parte arredondada da consoante, de maneira que a parte arredondada fosse a barriga. E assim surgia o ba, be, bi, bo, bu, em fila, como se fossem crianças caminhando.
 
Interessante que essa lógica era usada em todo o alfabeto, de maneira que, a partir do momento que você dominasse as vogais e aprendesse as consoantes, captava no ar as palavras. Obviamente que eram palavras muito comuns e curtas, como ovo, uva, gato, cachorro, chapéu, macaco... mas assim a gente aprendia a ler o mundo. Se estivesse passando na frente de um supermercado que tivesse tais letras garrafais na parede, ficávamos soletrando, escandindo as sílabas SU...PER...MER...CA...DO... e logo dizia, num rompante, SUPERMERCADO! Em casa, olhando as coisas escritas, a gente ia decifrando lentamente, com certa dificuldade. Era uma glória de outro planeta quando interpretava a palavra ou frase. Só assim a gente falava em voz alta a frase, e de maneira rápida. Era sinal de poder. EU SEI LER! pensávamos, bem felizes.
 
Dia desses o despresidente da desrepública falou sobre essa Cartilha. Então me lembrei dela, e uns dois dias depois fui buscá-la na internet, supondo ter ainda o preço módico constatado tempos antes, numa breve curiosidade. Porca miséria! A cartilha estava superfaturada. A fala do despresidente jogou o preço da cartilha para os ares. 
 
Estou aguardando o preço voltar a ser módico. Espero que o despauterado cale a boca doravante! Disse Ludwig Wittgenstein que "sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar". Sei que isso é outra história, uma viagem para outros ares da Filosofia, mas não sei porquê senti vontade de trazer para essa reflexão.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Sobre o tombamento da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, em Nísia Floresta, Rio Grande do Norte...

 


Nos últimos dias muitos nisiaflorestenses têm entrado em contato comigo perguntando se é verdade que a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, de Nísia Floresta/RN, já está tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Houve quem dissesse ter ouvido de uma autoridade que ela está tombada desde 2020, MAS ISSO NÃO PROCEDE E A IGREJA NÃO ESTÁ TOMBADA. Essa solicitação de tombamento, como é de conhecimento de muitos, foi feita por mim, visando a garantia da preservação de sua arquitetura e, na realidade, todo o seu contexto de originalidade que deve ser imutável.
Em se tratando do tombamento da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, o processo está em trâmite, tendo em vista uma série de requisitos e procedimentos necessários, envolvendo uma equipe de técnicos e especialistas, todos em andamento, perpassando pela Fundação José Augusto, Conselho Estadual de Cultura, Centro de Documentação Eloy de Souza (CEDOC) e o próprio IPHAN/Natal. O que sei até o presente momento, e que me foi repassado pelo pela Fundação José Augusto, é justamente o que escrevi acima.
Muitas pessoas me perguntam qual a vantagem de se tombar um prédio histórico em âmbito de uma igreja. O tombamento impede que tal prédio venha a ser destruído ou descaracterizado. Um bem tombado deve manter as características de sua originalidade. Um exemplo é a igreja de Nossa Senhora da Apresentação (antiga catedral de Natal), a qual foi submetida a uma longa restauração de quase cinco anos, em 1996, e devolvida ao povo com todas as características originais de sua fundação. Durante o processo, que inclusive tive o gosto de contemplá-lo várias vezes - tendo em vista que o responsável pelo mesmo - era Pedro Tadeu, um professor pernambucano que tive na UFRN. Sua equipe (formada por especialistas) descobriu detalhes preciosos, sufocados há anos por antigos padres que pensam que restaurar é passar tinta a óleo em peças de prata pura. E nessa tônica eles descobriram antigas portas, antigas janelas, piso original, partes em pedra (que pensavam ser cimento), pinturas de mais de 200 anos e, impressionantemente, os restos mortais de André de Albuquerque Maranhão, que há mais de um século era procurado, em vão. Vejam quão importante é um trabalho feito por especialistas e técnicos.

Vejam o estrago feito ao teto do altar-mor, em que destruíram todos os ornamentos em alto e baixo relevos, que se harmonizavam com toda a decoração original da igreja e - pasmem! - colocaram madeira preta no lugar. Antes havia a plenitude do branco, em conformidade com a Escola Barroca, cuja ideia era que o altar-mor lembrasse o céu.
Um prédio tombado, desde que administrado por uma pessoa esclarecida, e por uma população zelosa e consciente de sua importância, prediz um olhar constante, pautado de cuidados. O problema quase sempre é a manutenção. Brasileiro parece não gostar de manutenção. Aí reside o problema. O Brasil é um dos países da América Latina que mais possuem igrejas antigas, e normalmente algumas se danificam bastante por falta de planejamento e programação com os cuidados necessários. Reformar e restaurar um prédio como esse prediz um planejamento com muita antecedência. É um projeto amplo,cuja reforma e restauração se darão ao longo de dois a três anos. Primeiro vem o dinheiro. Não se começa uma obra como se consertasse uma canoa velha. Cuidar de uma igreja é parecido com cuidar da nossa casa. Se eu costumo pintar o lar onde moro para estar bonito durante o Natal e Ano Novo, tenho que me programar a partir de junho, garantindo a tinta, as lixas, a massa corrida, o dinheiro para pagar o pintor e o ajudante e tudo mais que for necessário. Eu não posso chamar o pedreiro em dezembro, sem esse planejamento, e dizer “pinte a casa”.
Uma igreja tombada pelo IPHAN prediz justamente um planejamento e uma programação para garantir os recursos para a REFORMA e também para a RESTAURAÇÃO. São duas coisas diferentes. Há coisas que precisam ser REFORMADAS, e outras, RESTAURADAS. Para isso, forma-se um Conselho da igreja, que se junta com o Conselho formado pelo estado (inclusive no próprio município), cuja REFORMA e RESTAURAÇÃO será pensada e planejada sob o olhar de todas as partes. E será definido: 1) O que será reformado, 2) o que será restaurado, 3) a busca por recursos (parceria entre estado e iniciativa privada), 4) a garantia de especialistas em patrimônio histórico no acompanhamento (engenheiros, arquitetos, técnicos, especialistas em restauração, historiadores com especialidade nessa área). E quando se fala de uma igreja, entra, também, obviamente, os recursos do dízimo.
EXEMPLO DE REFORMA: pintura externa da igreja, adaptação de dispositivos para inclusão de pessoas com necessidades especiais, conserto da descarga do vaso sanitário, recolocação da fiação elétrica nova etc.

EXEMPLO DE RESTAURAÇÃO: pintura interna da igreja (acaso contenha afrescos: obras de arte sacra pintadas na parede da matriz), polimento de peças de prata e ouro, limpeza e conserto de imagens barrocas que sofreram rachadura, descascaram o folheio a ouro, confecção de partes comidas por cupim, feitas a partir de moldes baseados nas peças originais e recolocação de madeira de igual material ou aproximado, etc. Restaurar é manter a originalidade das coisas ou, em últimos casos, quando tudo estiver destruído, reconstituir. Fazer como era antes.
Pois bem, numa linguagem pedagógica, numa breve síntese, a grosso modo, é isso, nada mais que isso...


segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Atacar o papa Francisco é atacar um dos pilares da lucidez no mundo...

 
 Hoje me mostraram um vídeo em que o desconhecido deputado estadual paulista, Frederico D’Ávila, bolsonarista de carteirinha, xinga o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, toda a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o papa Francisco de “safados”, “vagabundos” e “pedófilos”. O vídeo choca qualquer pessoa civilizada pelo alto grau de desrespeito, pela falta da necessária diplomacia a seu cargo, e pelo desconhecimento sobre o catolicismo.
 
E eu pergunto: quem é esse indivíduo medíocre, que não representa com honestidade o cargo que ocupa, para atacar Dom Orlando Brantes, uma das autoridades religiosas mais respeitáveis do Brasil? Quem é ele para atacar a CNBB, chamando-a de “câncer”, um dos pilares do Brasil? Quem é ele para atacar o papa Francisco, chamando-o de “safado”, um dos papas mais lúcidos dos últimos tempos. Ele se referiu a dom Orlando e à CNBB como “gente nojenta e imunda”. Chamou todos de pedófilos. Também atacou a Teologia da Libertação, justamente um dos instrumentos da Igreja Católica que ajuda a abrir a mente das massas para se organizarem enquanto instituições e se fortalecerem na fé e na vida, como gente, como pessoas instruídas. É tudo o que os bolsonaristas detestam. Interessante ele ter elogiado as misteriosas Opus Dei e os Arautos da Fé (é algo a se refletirr bem).
 
Na realidade, esse indivíduo, muito bem orientado pela família de Bolsonaro - diga-se de passagem -, jamais atingirá a moral de Dom Brantes, da CNBB e do Papa. Ele está à procura de palco e holofotes. Mas o que ele fez é digno de processo e cassação. Sem contar o fato de chamar o arcebispo e o papa de “pedófilos”. Esses indivíduos adoram confundir as coisas com requintes de maldade, intencionalmente, pois sabem que falam para os seus aliados, os quais, infelizmente, são ignorantes tanto quanto eles, irão reproduzir suas falas e devem achar maravilhoso esse fato desrespeitoso. Infelizmente a internet está aí para comprovar um novelo grande de padres pedófilos que deveriam estar em prisão perpétua. Mas ele jamais deveria colocar dois grandes patrimônios humanos - como o papa e o referido arcebispo - no mesmo bojo. Esse deputado cometeu um crime grave, tão grave quanto a própria pedofilia. E deve responder por isso.
 
Essa turma do presidente da república - juntamente com o próprio presidente da república e sua família - está deseducando o Brasil, ensinando a violência, a calúnia, os ataques truculentos, o desrespeito, a afronta e tudo o que já foi comum quando vivíamos na Idade da Pedra Lascada. Isso é tão grave que não acredito durar muito. Não é possível. Não pode! A civilidade e a cidadania brasileiras estão em queda livre. É uma guerra!
 
Nos meus 53 anos de idade, nunca vi um Governo Federal e equipe tão violentos, bizarros, desrespeitosos, anômalos e ignorantes. Gente que parece ter saído dos porões do mal. Eles vêm conseguindo a macabra façanha de colocar a violência num patamar de valor. Muitas pessoas - principalmente crianças e jovens - sem uma boa formação estão achando que é bonito e correto essa anomalia. É como se eles tivessem se valendo de algo que faltava para lidar com opositores ao seu governo. E o ruim é que essa estupidez é típica de quem não tem condições intelectuais nem inteligência emocional necessárias para gerir o que quer que seja.
 
Atualmente está se tornando “comum” á equipe do Governo Federal atacar autoridades com palavras vulgares e tiradas da lama, sem preocupação alguma com a necessária diplomacia exigida ao cargo que ocupam, como se o ouvido dos brasileiros fosse uma lixeira a receber toneladas de verborragia. São discursos de ódio, profundamente desrespeitosos. Eles não respeitam ambiente algum, nem pessoa alguma. Estão se tornando craques em denegrir respeitáveis pessoas, já que têm sérias limitações intelectuais. São capazes de tudo, até agredir fisicamente.
 
Mas quem é esse deputado desconhecido, que poderia ter ficado famoso por motivos civilizados, por projetos cidadãos, ao invés de chamar a atenção do Brasil pelo show de desrespeito às autoridades e pelo crime que cometeu?
 
Pois bem, assim como o presidente da república diz que o livro de cabeceira dele é a biografia de Ustra, um militar sanguinário, torturador e assassino, esse tal Frederico D’Ávila admira Pinochet, outro militar sanguinário, torturador e assassino. Esse deputado sem escrúpulos é louco por militares, pelo militarismo e Exército. Há um projeto dele que transformou o primeiro dia do mês de julho na data celebrativa do Dia do Policial Militar da Cavalaria. Até aí, tudo bem, mas há pouco tempo ele propôs um ato solene em homenagem ao ditador chileno Augusto Pinochet, morto há 13 anos. Houve um escândalo na Assembleia Legislativa de São Paulo devido à bizarrice e ao desrespeito da proposta. Imediatamente o presidente da Assembleia Legislativa, Cauê Macris, que é do PSDB (vejam que nem de esquerda ele é), proibiu a homenagem, alegando “incompatibilidade com os princípios democráticos e republicanos”. Óbvio!
 
Para quem não sabe, o regime Pinochet é responsável por cerca de 40 mil assassinatos no Chile, durante a Ditadura Militar, que foi ainda incomparavelmente pior que a do Brasil. Esse deputado é produtor rural, conselheiro e diretor da Sociedade Rural Brasileira e vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja. Recentemente ele pediu ao governador João Doria que viabilizasse a extinção do Instituto Florestal e da Fundação Florestal, ambos vinculados à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente. A finalidade, segundo o deputado, é “cortar gastos”. Vejam quão mal intencionado, ladino, conservador e retrógrado é um homem desse. Num tempo de tanta degradação da natureza, espera-se dos políticos um olhar civilizado às questões agropastoris – como exemplo a Agrofloresta. Mas não. Ele quer destruir os órgãos que protegem as florestas e os mananciais de água, visando avançar as plantações de soja e a pecuária. Só pode não gostar mesmo da Teologia da Libertação!
 
É também dele a autoria do projeto que institui o Programa Cívico-Militar no ensino fundamental e médio da rede pública e privada de ensino, que – em sua fantasiosa mente - prevê aumentar a disciplina e o respeito hierárquico e estimular o “sentimento patriótico” e os “valores cívicos” nas escolas de São Paulo. Excelente proposta, mas onde está a “disciplina” e o “respeito à hierarquia” do próprio presidente da república (que é um militar) e tantos outros militares pelo Brasil? Que respeito o presidente tem pelo povo brasileiro? Que história é essa de afirmar que tais práticas cívicas não existem nas escolas? Como uma escola funciona sem disciplina e sem respeito às hierarquias? Ele deveria visitar as escolas públicas brasileiras. 
 
Esse deputado, equivocado, ao invés dessa insanidade, deveria apresentar um projeto em que o PIB da Educação fosse condizente com a sua importância na formação de uma nação, cujas escolas públicas brasileiras recebessem toda a estrutura física, educacional e cultural, e que os professores e equipe técnica e pedagógica recebessem o mesmo salário de um deputado. Nem precisaria dos tantos outros auxílios que eles recebem. Aí, sim, as escolas não precisariam de gente ignorante falando dela, propondo educação pelo medo, pelo sofrimento e outras insanidades típicas de quem fala sobre o que não conhece. Se existem algumas escolas públicas que não funcionam bem é porque deputados como ele não lhes dão a devida assistência, pois a maioria dos professores brasileiros é constituída de heróis e obram milagres. Ele, deputado, representante do Estado é, sim, o culpado pelo que condena nas escolas.
 
Outra proposta dele visa obrigar os alunos de ensino pré-escolar, fundamental e médio do estado a cantar o Hino Nacional e o Hino da Independência. Vejam só, esse cidadão é conhecido por ser admirador ferrenho dos militares e militarismo. Gosto é gosto, mas isso já existe. Ele deveria visitar as escolas brasileiras, todas, para ver os alunos nesse ato tão comum. O que se percebe é que eles plantam uma mentira (alegando que as escolas não valorizam o civismo), veiculam essa mentira no Brasil inteiro e aparecem como se eles fossem os idealizadores de uma “novidade” boa, salvadores do patriotismo, da religião, da moral e dos bons costumes. Na realidade, são hipócritas, mal informados e mal intencionados. Mentirosos, na verdade. Na verdade eles não estão preocupados com as crianças e jovens. Isso é só um marketing inventado pelo presidente. O civismo que salva o mundo é o civismo da barriga cheia, da educação de qualidade, do professor recebendo o mesmo salário dos deputados. Por que eles não estão preocupados com esse civismo? Isso é civismo, sim. Ele deveria ler a Constituição Brasileira no que se refere a essa orientação cívica. As escolas respeitam e praticam o civismo que ele diz não existir. Mentiroso!
 
Outros dois projetos inacreditáveis desse indivíduo apelidado de deputado – iguais a tantos outros - que deveria estar fazendo outra coisa, menos legislando, é o Projeto de Lei Complementar que prevê a extinção da Ouvidoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo e alguns cargos na Secretaria de Segurança Pública. O primeiro órgão tem como função servir como um canal aberto à sociedade civil para queixas, denúncias e sugestões contra atos praticados por agentes policiais do estado. Vejam como esse deputado sem princípios e ignorante é contra o povo. Quer tirar dos cidadãos o direito de denunciar, falar, se defender e exigir seus direitos. 
 
A Polícia Militar brasileira é uma das que mais mata, pois infelizmente ela não é qualificada como deveria. Não era para ele propor um projeto para estruturar e qualificar a PM para que ela faça um trabalho de excelência? Se investissem pesado na Educação Pública e nas Polícias, teríamos um país de paz e cidadania, pois todo policial teria passado por uma escola de qualidade, teria passado por professores marcantes e, consequentemente, seria hoje um policial civilizado e cidadão. Quem só se vale de armas, jamais entenderá que a Educação e prevenção é tudo. Foi por isso que Dom Brantes disse que o Brasil "para ser pátria amada não pode ser pátria armada". Isso é de uma lucidez incrível!
 
Agora vejam outro absurdo sobre esse deputado. Ele é mal e bizarro em quase tudo. A Monarquia Brasileira acabou desde o dia 15 de novembro de 1889, depois de quase 70 anos de autoritarismo, como bem a denunciou a insigne potiguar Nísia Floresta Brasileira Augusta. Pois bem, esse confuso deputado também é profundamente apaixonado pelo regime monárquico (já imaginou bater no liquidificador monarquia com militarismo? O que vai dar de ainda mais ruim?) Recentemente ele escreveu: “Se estivéssemos na monarquia, corruptos travestidos de políticos dificilmente teriam espaço na nação. Quinze de novembro: nada a comemorar.” Ora! E porque ele não ataca a rachadinha republicano-bolsonarista?
 
Em outra publicação, esse deputado disse: “Se o Brasil ainda fosse uma monarquia, nunca teríamos uma suprema corte dominada por párias e a ameaça socialista estaria a léguas de distância. A coroa é um antídoto contra a corrupção”. Rachadinha, agora, virou coroa?
 
Um homem ignorante e bizarro como esse não tem lucidez. A Monarquia teve os seus valores, sim, mas ela pertenceu a outro tempo. Hoje é ultrapassada. Até os países que a praticam hoje, se valem da tônica republicana para sobreviver, através dos ministros. E sobre a corrupção, isso é um desvio de caráter – uma coisa humana – obviamente que abominável – mas não seria a monarquia que a extinguiria. Esse deputado deveria ler mais a História do Brasil e livros de Sociologia para saber sobre autoritarismo do governo monárquico – que “aos portugueses tudo, e aos nativos, nada”, e as mais impensáveis práticas de corrupção monárquicas.
 
Ainda sobre o episódio de ele homenagear o assassino Pinochet, quando ele propôs esse ato criminoso, que fere a Constituição Brasileira, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Estado de São Paulo condenou severamente, escrevendo: “A sessão é uma afronta ao Estado Democrático de Direito, aos princípios constitucionais do pluralismo político e da dignidade da pessoa humana, além de constituir apologia aos crimes praticados pela ditadura que, no Chile, entre 1973 e 1990, violou direitos humanos pelas práticas de torturas, estupros e desaparecimento forçado de pessoas, dentre outros crimes contra a humanidade”. Enquanto isso, o covarde passou vários dias escondido, fingindo estar doente. 
 
Na realidade ele viu o estrago que fez. Já perceberam que eles pensam que podem fazer o que dá na telha? E que quando dão conta do problema grave, recuam? Lembram do golpe que Bolsonaro tentou dar a poucos dias e frustrou os caminhoneiros? Gente ignorante age sempre assim porque não tem conhecimento. Não sabem para onde vão. E o Brasil está nas mães desses seres vazios e perigosos.
 
Há pouco tempo ele usou a tribuna da Assembleia Legislativa para intimidar a deputada Mônica Seixas (PSOL-SP) com fotos de cadáveres de militantes de esquerda. Ele começou seu discurso exibindo uma máscara com o logo de uma corporação da Polícia Militar, “em homenagem” a Mônica Seixas, que tem cobrado o uso do acessório de segurança por parte de parlamentares bolsonaristas. 
 
O deputado, então, exibiu no plenário fotos dos cadáveres de Carlos Lamarca e Carlos Marighellas, dois dos principais ativistas contra a ditadura que se envolveram na guerrilha armada e que foram mortos pelos militares golpistas nos anos de chumbo. “Quem luta contra o país acaba assim. Esse aí é o Carlos Lamarca, lutou contra o país e terminou assim. Conspirou contra o país e terminou assim. E esse é o Marighella, que é muito endeusado, e terminou assim. Vou lembrar como terminam os conspiradores da nação”, disse ao mostrar as fotos, num claro sinal de ameaça de morte à deputada. 
 
A parlamentar do PSOL anunciou denúncias por ameaça e apologia à ditadura contra D’Avila na Comissão Interamericana de Direitos Humanos e na comissão de ética da assembleia paulista.
 
O que se esperar de um homem que admira um assassino, que favorece um presidente execrado pelo mundo, que comunga com ideias ultrapassadas, retrógradas, violentas, que foi eleito pelos latifundiários, grandes fazendeiros, ruralistas, plantadores de soja, gente que põe fogo nas matas nativas para avançar suas cercas e mata índio sem pestanejar? 
 
O motivo que mais me preocupa nisso tudo é ver esses seres bizarros fazendo mal uso do respeitável cargo que ocupam, inspirando perigosamente as crianças e os jovens, exercendo nelas influências maléficas terríveis, como desrespeitar pessoas da mais alta respeitabilidade. 
 
Está se tornando “normal” faltar respeito às autoridades sérias. Se ele tivesse de usar aquelas palavras terríveis, que as dirigisse ao presidente da república - embora nem a ele seria correto - pois o povo brasileiro já sabe quem é ele. Ele, sim, combina com aqueles impropérios, afinal os vídeos de seus shows de horrores estão aí para todos assistirem. Ele, sim, não merece nem tanto o respeito de ninguém, pois não dá respeito. É tosco, chulo, vulgar, megalomaníaco, mal educado, mal intencionado, corrupto, sem preparo intelectual, sem diplomacia. Está na presidência por fatalidade.
Espero que o Brasil esteja atento a esse fato e não se cale...