É com perplexidade - e já não pela primeira vez - que me vejo compelido a manifestar publicamente minha indignação diante da ausência de peças do acervo sacro da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, em Nísia Floresta/RN, reconhecida como um dos patrimônios religiosos mais antigos, ricos e preciosos do Rio Grande do Norte.
Em visita à referida Matriz, como sempre faço, percorri atentamente seus espaços, examinando com cuidado o patrimônio ali guardado ao longo de séculos. Foi nesse exame minucioso que percebi, com preocupação crescente, a ausência de peças de extrema relevância histórica, artística e devocional, que tradicionalmente permaneciam sob guarda da igreja. Não é a primeira vez que constato a ausência de objetos raros na Matriz. E toda vez tomo as devidas providências.
Entre as peças não localizadas, destaco inicialmente:
Um OSTENSÓRIO DE PRATA PURA, com um cordeiro em sua base, peça de beleza singular, que permanecia guardada na sacristia.
Um CÁLICE DE PRATA do tipo “P-Coroa”, relíquia de origem portuguesa, ricamente adornado com representações dos martírios, igualmente ausente.
Esses objetos sempre integraram o acervo permanente da Matriz. Sua ausência, portanto, não pode ser tratada como algo trivial ou circunstancial.
Diante dessa constatação, surgem questionamentos que não podem permanecer sem resposta:
Como explicar que peças sacras, guardadas há séculos dentro da Igreja, estejam hoje ausentes?
- Para onde foram levadas?
- Quem as retirou?
- Houve autorização formal?
- Que autoridade - quem quer que seja - possui legitimidade para retirar bens históricos e sacros de seu local de origem?
- O que justifica um bem pertencente ao Patrimônio Sacro de Nísia Floresta ser trasladado para outro lugar? (Se porventura seja isso o que está acontecendo) sem que todo o povo nisiaflorestense saiba?
Essas perguntas tornam-se ainda mais graves quando se considera que a Igreja Matriz não dispõe de sistema adequado de segurança, apesar de abrigar verdadeiros tesouros do patrimônio religioso potiguar. Justamente por isso, tais peças deveriam permanecer à vista e sob vigilância da comunidade, garantindo sua preservação.
Faço, assim, um apelo direto ao povo católico de Nísia Floresta, para que esclareça publicamente onde se encontram essas peças. Caso tenham sido retiradas, é imprescindível saber:
- quando isso ocorreu;
- por quem;
- com qual finalidade;
- e sob que tipo de registro ou responsabilidade.
Se, porventura, essas relíquias não estiverem mais no único lugar onde sempre estiveram - a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó - e não houver clareza quanto ao seu paradeiro, estaremos diante de uma situação que exige providências imediatas.
Na hipótese de desaparecimento ou de ausência sem documentação formal, torna-se urgente:
- registrar ocorrência na Delegacia de Polícia local;
- comunicar a Polícia Federal;
- acionar o Ministério Público de Nísia Floresta;
- informar oficialmente a Arquidiocese.
Como sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, estenderei a denúncia ao IHGRN e à Fundação José Augusto, por se tratar de patrimônio histórico e cultural.
Solicito, ainda, que a comunidade católica de Nísia Floresta verifique todas as informações pertinentes e me dê retorno pelo WhatsApp (84) 99903-6081. Não havendo esclarecimentos, a denúncia será formalizada o mais breve possível.
Isso precisa ser apurado.
Essa são as identificações técnicas das peças:
- CASTIÇAL
Material: madeira com policromia e aplicação de folhas de ouro
Altura aproximada: 50 cm
Características: presença de coloração avermelhada na camada de preparação, possivelmente o bole, tradicional base para douramento, ou elemento estético original da obra. O castiçal é um objeto essencial da liturgia católica, utilizado em celebrações solenes, procissões e momentos de grande simbolismo. Exemplares em madeira entalhada, com policromia e folha de ouro, são característicos do barroco e do neobarroco colonial brasileiro.
- OSTENSÓRIO
Material: ouro e prata maciços
Altura aproximada: cerca de 40 cm ou mais
Se porventura tais peças foram retiradas para possíveis restaurações, há a necessidade de registro formal, autorização canônica e definição clara de responsabilidade.
O castiçal é um objeto essencial da liturgia católica, utilizado em celebrações solenes, procissões e momentos de grande simbolismo. Exemplares em madeira entalhada, com policromia e folha de ouro, são característicos do barroco e do neobarroco colonial brasileiro. O ostensório é um dos objetos mais sagrados da liturgia católica, destinado à exposição do Santíssimo Sacramento. Peças confeccionadas em ouro e prata maciços costumam ser:
O silêncio, a ausência de registros e a falta de clareza sobre o paradeiro dessas peças não podem persistir. Quando se trata de patrimônio sacro e histórico, a omissão também é uma forma de perda.
A comunidade tem o direito - e o dever - de saber onde estão essas relíquias e quem responde por elas.

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