PARA NÃO DIZER QUE FALEI SÓ
DAS FLORES
Tudo o
que acontece na nossa vida e na vida de um país serve de experiência e
parâmetro para refletirmos as decisões futuras. Por mais que algumas
experiências sejam amargas, são experiências e são importantes de alguma forma.
Desse modo, os reflexos dos erros e acertos devem ser analisados com sabedoria
e crescimento. O que tem acontecido com a presidente da república Dilma
Rousseff é, talvez, o mais intenso desse amargo, e ao mesmo tempo a mais triste
e vergonhosa página da história do Brasil depois dos anos de chumbo. Estamos
diante de um episódio inédito, onde tentam tirar, à força, uma presidente
eleita democraticamente.
A
intensidade desse atentado ao estado de direito se agiganta quando vemos sendo
atacada a mulher que, no tempo da ditadura militar, quebrou todos os
preconceitos, tabus e medos e peitou os militares, defendendo o bem mais nobre
que um país: a democracia. Mas parece irônico. Justo a cidadã que poderia – sem
sombra de dúvidas – ser declarada como "a brasileira-símbolo de
resistência e luta contra a ditadura militar". Só quem a vivenciou, leu ou
assistiu a filmes sobre esse episódio deplorável sabe quão horrorosa foi essa
página da nossa história.
O que
Dilma Rousseff fez nessa época nem certos homens tiveram coragem de arriscar.
Muitos queriam ter sido protagonistas da história dessa brasileira que nunca se
acovardou, mas não arriscaram, pois escolheram o lado dos torturadores,
deletando amigos. É muito altruísmo por parte de uma mulher! E saber que essa
ousadia ocorreu numa época que todo tipo de preconceito e tabu ainda recaia
sobre a imagem feminina. Percebe-se muita personalidade e coragem.
Quando
pessoas desinformadas publicam nas redes sociais a fotografia da presidente
Dilma Rousseff carimbada pelo DOE-CODI como subversiva durante o Regime
Militar, quando mostram o seu ex-marido sentado numa cadeira de delegacia,
depondo, sugere-se uma imagem de terroristas, de pessoas perigosas..., aliás
era assim que taxavam: “terroristas”. Quanta ignorância e má intenção há nessa
atitude! Quanto analfabetismo político! Essas pessoas, equivocadas, ignoram que
Dilma Rousseff e mais uma meia dúzia de cidadãos ousados, não podiam usar flores
para lutar contra fuzis e pistolas dos coronéis, tenentes e capitães. Eles não
podiam usar mãos vazias e palavras de amor a quem os torturava. Leiam
"Brasil Nunca Mais", assinado pelo Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.
Assistam ao filme "A casa dos espíritos", dentre tantos. Como bem
traz a manchete recente do The Guardian "Tirar a presidente Dilma é
matar a democracia".
É
tendencioso e diabólico divulgar fotografias e frases desse tipo sem mostrar o
contexto da época. Dilma Rousseff defendeu da tortura e da ditadura não apenas
a própria pele, mas a pele dos brasileiros daquela época. O coronel do Exército
Carlos Brilhante Ustra, homem que o deputado federal Bolsonaro homenageou
quando votou "sim" ao impeachment de Dilma Rousseff, foi o
maior torturador do Brasil. Soou desrespeitoso a todo brasileiro escutar a
insana frase dita por ele "o terror de Dilma Rousseff". Quisera o
inconsequente deputado ter estado no seu lugar.
Percebe-se
que essa homenagem de tamanho mau gosto provém nem tanto da admiração que o
deputado sente por Carlos Ustra, mas da tentativa de atacar e ferir a
presidente Dilma Rousseff, a qual foi vítima desse torturador e assassino. Por
ironia do destino é essa mulher que, hoje, é torturada pela ingratidão, traição
e boicote dos que ignoram a verdadeira história – ou a relegam com segundas
intenções. Para agravar mais, tudo isso é endossado por esses deputados
federais que, no mínimo, deveriam estar informados sobre a história do Brasil,
se é que galgaram tais postos pela competência, e não por conchavos, compras de
votos e outras formas não democráticas, com raras exceções.
Como não
bastasse, o grande acusador atual – senhor Eduardo Cunha, presidente da Câmara
Federal, com um histórico que desonra o Brasil, preside, tal qual juiz, a sessão
do impeachment. Sem esquecer que ele é o personagem-mor junto ao
vice-presidente Michel Temer, nessa manobra truculenta. É muito clara a vontade
desses dois senhores de comandarem o Brasil. No íntimo eles querem frear as
sanções que estão prestes a sofrer. Até a imprensa internacional conta isso com
claros sinais. Logo após a fatídica votação caiu muito bem a manchete do jornal
português Sico Notícias "Nunca
vi o Brasil descer tão baixo: uma assembleia de bandidos comandada por um
bandido". Nunca vi nada parecido na história.
Se
Michel Temer, que vive ensaiando discursos e medidas como se fosse o
presidente, quer tanto sê-lo, deveria se candidatar no próximo pleito, de forma
oficial. Isso é, no mínimo, civilizado. Mas ele quis o caminho mais fácil. Caminho
vergonhoso e sem honra. Que herança está deixando para seus netos! É de autoria
desses dois senhores essa página triste da História do Brasil.
Mas,
ainda sobre o episódio da luta de Dilma Rousseff durante a ditadura militar, o
que ela fez pelos brasileiros foi um ato de coragem extrema. E é bom que os
jovens atuais saibam que naquela época os militares prendiam e torturavam a
torto e a direito, sem ter certeza da subversão. E o que era a subversão? Que
terrorismo era esse? Qual o crime cometido pela jovem Dilma Rousseff e muitos
brasileiros que se rebelavam contra a ditadura?
Na
realidade, o "crime" dependia do grau de psicopatia, de masoquismo,
de truculência, de ignorância, de analfabetismo político dos militares. Eles
eram algozes de moças e rapazes – a maioria universitária – que sequer sabiam o
que era um revolver calibre 38. Bastavam cismar com alguém e taxavam de
subversivo/terrorista. O cidadão era levado à força para os lugares mais
impensados, onde eram torturados. Mulheres, mães de família, cheias de pudor,
passaram por verdadeiros terrorismos psicológicos e físicos. Eram despidas;
eles tocavam suas genitálias, introduziam objetos em seus órgãos genitais,
masturbavam-se diante delas, davam choque em seus mamilos.
Por mais
inacreditável que pareça, o homem que Bolsonaro homenageou quando votou
"sim" ao impeachment, tinha como papel, além de torturar e
matar, criar engenhocas para torturar pessoas. É de sua autoria um mecanismo
feito com canos de PVC, o qual era introduzido no ânus dos homens e, nas
mulheres, na vagina. Depois de introduzido, eles colocavam ratos, formigas e
baratas dentro do cano. Só um Joseph Mengele perderia em terrorismo para tais
monstros psicopatas. Antes de morrer, em 2015, ele alegou prepotentemente, em
juízo: “eu não faço acareação com terroristas”. Disse, também, que o Exército
Brasileiro é que deveria estar sentado naquela cadeira, e não ele, e que só fez
cumprir as ordens que recebia. Interessante! Os
nazistas disseram o mesmo. Será que uma alma humana e cristã foi privilégio
apenas de Schindler? O que esses monstros
fizeram foi mais que cumprir ordens; foi dar vazão às suas índoles más. Eles
desceram ao submundo da raça humana. Lugar que só os monstros conhecem.
Quando
os eleitos "subversivos" eram homens, tinham os seus órgãos genitais
tocados por arames eletrocutados ou cigarros acesos. Havia uma espécie de
cadeira elétrica. Arrancavam unhas e dentes com alicates. Alguns eram colocados
numa sala refrigerada – espécie de câmara frigorífica - junto a imensas caixas
de som ligadas no último volume; alguns enlouqueciam. Eram vastos os acessórios
de tortura... não dá para descrevê-los. Bastavam cismar com uma pessoa logo
exigiam a revelação de seus planos e a delação de outros subversivos, mesmo que
fossem inocentes. Muitos jovens subversivos ou não, confessavam, induzidos
pelos próprios militares, através a insistência e tortura. Faziam para se
livrar da dor física.
Foi uma
época onde o medo percorria os sete cantos do Brasil. Os jornais eram
censurados (os militares colocavam receitas de bolo e estórias de Trancoso nos
espaços que porventura interpretasse como algo que feria o regime militar). As
emissoras de televisão e rádio faziam sua programação ao lado de capitães,
tenentes, coronéis e sargentos, os quais ficavam dentro dos estúdios (eles não
admitiam que se aventassem os problemas sociais, econômicos, enfim quase tudo
era censurado).
Era
crime reivindicar a democracia. Falar de liberdade era um atentado (vejam o
filme "Os três filhos de Francisco" - há uma passagem rápida, mas
muito interessante sobre esse detalhe). Era proibido aglomeração de jovens em
certos ambientes de lazer. Só podiam ouvir as músicas e ler os livros
submetidos à análise dos militares. Muito livro, muito disco e panfletos foram
incinerados. Muitos jovens estão desaparecidos até hoje (assistam ao filme
"Zuzu Angel). Muitos foram lançados ao mar pelos helicópteros militares.
Se você
tivesse vivido nessa época, de que forma enfrentaria os militares? Qual seria a
sua arma? Flores? Doces? Palavras bonitas?
Tenha
certeza que eu, você, Nossa Senhora Aparecida, Madre Teresa de Calcutá, Edir
Macedo, o Papa também teríamos ido atrás de todos os tipos de armas para
defendermos a democracia. O contexto exigia isso. Se estávamos lutando contra
homens armados, tínhamos que buscar armas. Isso é óbvio.
Dilma
Rousseff teve a mesma coragem de Nísia Floresta, quando há 184 – numa época em
que torturavam, degolavam e fuzilavam pessoas que queriam um Brasil melhor
– publicou livros clamando por liberdade
de expressão, liberdade de culto, abolição da escravidão, respeito às culturas
dos povos indígenas, proclamação da independência do Brasil, reforma do ensino,
direito de as mulheres votarem e serem votadas, enfim, numa época tão parecida
com a ditadura militar, ela escandalizou o Brasil ao dizer que uma mulher
poderia, sim, governar o Brasil e ser até uma general.
Saber
que é essa mulher que atacam fere a alma de qualquer um.
Crucificam
uma pessoa pela desonestidade de muitos brasileiros, sejam políticos, empresários,
funcionários públicos etc.
Eu não
diria que me conformo, mas que me consolo. E o único fator que me consola é a
análise que fiz quando assisti a fatídica votação na Câmara Federal. Soou como um termômetro. Nesse dia o Brasil
constatou o nível educacional e cultural da maioria dos cidadãos que atendem
pelo nome de “deputados e deputadas federais”. O jornal irlandês The Irish Times foi fiel ao cenário
daquele dia com a seguinte manchete "Brasil envia palhaços para votar no impeachment
de Dilma", bem como o El País,
da Espanha que disse "Um parlamento com momento de circo decide o futuro
decide o futuro de Dilma". Há também o jornal inglês The Economist, que disse "Por Deus, pelo aniversário da minha
avó, pela minha família, circo parlamentar". Aquele circo dos horrores foi uma aula para
que os brasileiros se colocassem no lugar da presidente Dilma Rousseff e vissem
o tipo de gente que ela tem que lidar.
Não
esperemos desses cidadãos um futuro de ética, justiça e cidadania para o Brasil.
A maioria só pensa neles e em suas famílias. Eu não sabia da dimensão do atraso
educacional e cultural dos nossos – pasmem! – deputados federais. Tiremos
lições disso. Culpam a presidente pelo atual estado do Brasil como se todo esse
contexto pusesse ser culpa de uma só pessoa. O Brasil é governado por muitos,
inclusive tudo é submetido ao aval desses senhores! Você já imaginou – por
exemplo – Tiririca lendo o Estatuto da Cidade, um Plano Diretor, enfim os
regimentos, decretos, portarias etc etc etc. E não é só ele!
Soube
que a presidente Dilma Rousseff não é muito dada a papos com senadores,
deputados e ministros. Diferente do ex-presidente Lula, que tomava uísque nos
finais de tarde e de semana, amadurecendo ideias e projetos com toda espécie de
figurões políticos, ela é muito breve e objetiva nos contatos. Ela não insiste
nas negociações típicas a um chefe de estado, e isso parece irritar
principalmente a parcela do "toma lá dá cá".
Culpam a
presidente por comportamentos que não foram criados por ela. Um deles é a
corrupção. Dá nojo conviver com o jogo de interesse que impera nos ambientes da
coisa pública. Experimente você, que lê isso, ser candidato, por exemplo, a
prefeito. Não queira saber o mar de corrupção que aparecerá a sua frente.
Muitas lideranças políticas aparecerão para serem candidatas a vereador. Elas
só te apoiarão a troco de emprego para a família quase inteira. Alguns
empresários/comerciantes farão doações em dinheiro, mas isso terá um custo:
você deverá comprar só com eles, e superfaturado. Alguns de seus secretários
das pastas municipais farão compras fantasmas, embolsando o dinheiro público
"na boa". As obras públicas do município serão realizadas apenas por
empresários que repassarem substanciosas quantias em dinheiro ao bolso do (a)
prefeito. Toda transação de compra terá sempre "laranjas". A maré de
corrupção é muito grande. É necessário muito estômago para navegá-la. Por isso
que muitos cedem.
E alguns
analfabetos políticos têm a ousadia de dizer que a culpa pela corrupção no Brasil
é da presidente Dilma Rousseff!
Se todos
os brasileiros lessem a História do Brasil veriam que nunca os maiores
empreiteiros do Brasil foram para a cadeia, mesmo sabendo-se da indústria de
corrupção que os acercam junto aos governos. Quando foi que se prendeu Chefes
de Gabinete Presidencial e pessoas fortes do partido da Presidência da
República? Quando foi que a Polícia Federal levou um ex-presidente para depor
numa situação de corrupção? Nunca! Não significa que não havia corrupção
naquela época. Não havia, sim, autonomia e imparcialidade nas coisas.
Infelizmente – e é lastimável – alguns petistas se somaram à corrupção, mas o
bom é que estão pagando atrás das grades. E deve ser assim!
Desde
muito antes da construção de Brasília, se desfalcam os cofres públicos. Não significa que se ache isso normal. Mas o governo do PT construiu um comportamento de autonomia aos poderes que regem o
Brasil no aspecto das investigações. Não escapa ninguém. Isso nunca existiu antes. Ninguém descobria porque não se investigava. São muitas biografias que comentam a podridão por detrás dos governos anteriores. A verdadeira história de Sarney, por exemplo, faz chorar. Antigamente havia uma
blindagem. Nada chegava às instâncias superiores, pois os “amigos” iam se protegendo
uns aos outros. É exatamente isso que a dupla Michel & Cunha, somado aos
tipos que vimos durante a votação, mais boa parte dos senadores.
Um dos
sinais da veracidade do que eu escrevo ocorreu um dia depois da fatídica
votação. O marido de uma deputada federal que disse "sim" ao impeachment,
que pulou com a bandeira e gritou dezenas de vezes a palavra "sim",
foi preso no dia seguinte acusado de desvio de dinheiro de uma prefeitura
mineira. Quantos e quantos homens e mulheres que usaram aquele microfone querem
apenas oportunidade para saquear os cofres públicos.
Pegue o
nome de todos os deputados e pesquise no Google. Você encontrará uma parcela
assustadora de corruptos e maus elementos de toda espécie. Eles, sim, não são
dignos do posto que ocupam. Vejam a contradição. Falam de ética e querem tomar
o poder para dar vazão a todo tipo de concordata.
Um
detalhe muito forte, e que chamou a minha atenção desde o início, foi o
ufanismo, o espírito cristão muito intenso e a exaltação à família. Seria muito
bom se não fosse teatro. Se tais deputados entendiam – mesmo deturpadamente –
que votavam contra Dilma Rousseff pelo fim da corrupção, o que a família, as
religiões e o ufanismo teriam a ver?
Nunca vi
tantos maridos amorosos, pais abnegados por seus filhos, tantos evangélicos
dedicados, tantos católicos beatos, tantos brasileiros éticos e conscientes. No
frigir daquelas alegações espetaculosas, dava-se a impressão que Dilma Rousseff
havia destruído o "Jardim do Éden", e que aquele magote de Sanchos
Panças, travestidos de deputados federais, surgiram como cavaleiros andantes –
ou os mosqueteiros – para salvar a honra e a moral do Brasil. Bem disse uma das
deputadas "nunca vi tanta hipocrisia junta".
Nada
mais providencial a um jovem universitário escolher como tema de TCC ou
monografia a história real dos deputados e deputadas que defenderam o impeachment.
O mote da questão seria checar se seus discursos batem com seus atos. Tenha
certeza que a pesquisa revelaria muitos corruptos, maridos que respondem
perante a lei "Maria da Penha", muitos "cabras de peia" com
discursos de homens leais, mas que, na realidade tem uma "esposa" em
cada esquina. Poucos dias depois da votação a Folha de São Paulo exibiu matéria
sobre cinco amantes dos deputados federais que se desmancharam em declarações
de amor às suas esposas. As mensagens diziam: “meu
amor, eu mandei mensagem para a minha esposa, mas o meu coração é seu”.
Quantos
deles não reconhecem filhos legítimos, enfim, uma boa parcela não tem moral
alguma para dar tanta ênfase a filhos, esposas e religiões. Sem contar que
apareceriam alguns que se servem de programas do Governo Federal sem atender
aos critérios exigidos. Quantos deles usam igrejas como escudo para esconder ou
para engordar suas contas bancárias? Esses senhores e senhoras, na realidade,
se serviram desses discursos porque sabem do impacto. Mas por que não apontaram
o "crime" cometido por Dilma Rousseff? Ora, porque não existe crime.
O que existe é um grupo com vontade galopante de tomar o poder para dar vazão a
interesses escusos.
Aquela
fatídica votação revelou mais revanche que ideologia. Era como se dissessem: "chegou a hora da
vingança. Não contavam com a minha astúcia!" Eles falavam como se o
governo do PT estivesse destruindo as famílias, as religiões e a pátria. Meu
Deus! Vão ler os livros de história e sociologia para entender o Brasil,
senhores deputados federais. É muito desconhecimento.
Seria
ingenuidade e muita pretensão supor que todos, ou a maioria, votassem contra o impeachment
diante do nível dos deputados federais que vimos. Ademais, estamos
nessa "democracia" que já expliquei. Não haveria como esperar
diferente. Mas a aura, o cenário, as caras e bocas, as falas, as falácias, as
atitudes circenses e pitorescas emanadas de homens que deveriam agir com uma
postura de respeito - mesmo que seus argumentos fossem contra - revelaram o
nível "baixo nível educacional e cultural" de cada um, sem contar a
falta de educação política dos mesmos. Havia muito ódio gratuito.
Estamos
diante de uma ditadura diferente, montada por políticos inconformados com o
atual governo, dizendo valer-se da democracia para decidir pelo processo
favorável ao impeachment. Tudo parece realmente muito democrático e
pautado nas leis se não fossem as artimanhas, os conchavos, as propinas que
estão por trás disso tudo, dando as cartas.
É
lastimável quando constatamos quão perverso é o bastidor dessa mancomunação
traiçoeira. Sabemos que a ação democrática para um processo de impeachment
seria, de fato, legal e constitucional se ocorresse por causa justa. Mas dessa
maneira diabólica, oportunista e traiçoeira, configura-se nitidamente um ato
forçado. Estão fazendo uma nova eleição à força, ignorando que a presidente foi
eleita democraticamente.
O que
está ocorrendo, de fato, é um atentado a democracia brasileira. Seus autores se
comportam como aves de rapina, triunfando contra o bem mais sagrado que é a
democracia. Ferem a honra e a dignidade de todo brasileiro.
Percebe-se
que no caudal dessa tentativa de impeachment há muito ódio, muito
analfabetismo político, muito preconceito à mulher, muito oportunismo, muita
ganância ao poder e muita vontade de se fazer desse país um latifúndio de
coronéis, de oligarquias, de ditadores enrustidos, de homofóbicos, de
misógenos, enfim, de um a estilo que desce ao mais baixo grau da raça humana.
O
superdimensionamento dos fatos, ditos de forma exagerada por políticos de
oposição e a imprensa marrom, dão a entender que a presidente cometeu
"crime". Isso tudo nada mais é que a vontade de se reinstalar no
Brasil o regime de corrupção antes escondido às sete chaves, formado por
pessoas do perfil de tais deputados. O governo atual causa ódio por ser contra
esse tipo de gente.
O
"crime" de Dilma Rousseff foi ter dado visibilidade ao pobre. É muito
grande a parcela de "poderosos" que não aceitam conviver de igual
para igual com os pobres que, oportunizados pelo governo Dilma Rousseff,
conquistaram o ensino superior, matricularam-se em universidades estrangeiras,
e. Formados, obtiveram bons empregos.
É muito
grande a parcela de equivocados que interpretam negativamente os programas
mantidos pelo Governo Federal e alimentam a imprensa suja. A democracia
brasileira é muito precoce. Infelizmente, esse bem nobre de uma nação não tem
conseguido caminhar mais que dez anos de forma plena, pois os coronéis,
travestidos de políticos, a combatem.
O
vice-presidente Michel Temer sabe que jamais sairia vitorioso numa eleição para
presidente do Brasil. Isso é óbvio. E como o seu grau de cobiça sempre foi
público e notório, serviu-se da traição para dar vasão ao seu intento. O grau
de traição do Michel Temer é tão forte que nem pode ser comparado ao de Judas
Escariotes, pois esse personagem bíblico era realmente amigo de Jesus. Michel
Temer nunca foi. Ele tornou-se vice por conveniência politica. São esses
acordos que o submundo da política permitem. E foi isso que abalou o PT, que
nasceu e se fortaleceu exatamente por lutar contra a corrupção e prometer um
Brasil melhor para todos.
Esse
detalhe serve de reflexão para reconhecermos que o modo de fazer política no
Brasil precisa ser revisto. Nem todos sabem que para se formar uma coligação é
necessário juntar muitos partidos (se quiser ganhar). E esse 'juntar' une
honestos e desonestos, pois é difícil encontrar apenas pessoas idôneas quando
se forma um grupo para concorrer a cargos políticos. É difícil!
O PT
teve erros e acertos. Mais acertos que erros. A organização e a seriedade do
partido motivou uma extensa reportagem na Revista Veja há um certo tempo, dentre
outros periódicos, livros, testes etc. Todos elogiavam e o colocavam como
modelo para todos os partidos do Brasil e do Mundo. O PT surgiu pensado por
homens e mulheres, de intelectuais a gente simples, mas inteligente e realmente
interessada num país civilizado. Não há como não "Dar a César o que é de
César".
Essa
'coisa' de ter que se misturar a partidos fortes para conseguir se eleger, foi
o que levou o PT a cometer erros que feriram lentamente a sua ideologia. Tudo
começou quando trouxeram Sarney, que foi trazendo aos poucos a banda podre. A
tragédia maior foi quando buscaram – pasmem! – Maluf. Isso chegou a dividir o
PT.
É certo
que a democracia pede pluralidade, e é nessa pluralidade soa como rede de
pesca, na qual o pescador teve a intenção de pegar tainha, mas veio junto
traíra, tubarão, cobra etc. É como um corante jogado na água. Quanto maior a
quantidade de água, mais ele se dilui e perde a cor.
A grande
punhalada sofrida pelos petistas sérios foi o fato de alguns petistas terem
cometido coisas que passaram anos criticando. Muitos têm histórias lindas e
dignas de filmes. Foram verdadeiros heróis, mas, depois, foram roubar tal qual
os que tanto criticaram. Assim não dá! Não podemos esconder que houve petistas
que se deslumbraram com o poder e se sentiram deuses. Alguns se esqueceram que
foram pobres. Alguns agiram com desonestidade tal qual os tradicionais ladrões
que saquearam os cofres públicos no passado, mas tudo era encoberto. Mas, sobre
os petistas deslumbrados, é aquela história do "dai o poder e conhecerá o
homem". Sobre os petistas corruptos, isso só comprova que traição existe
de todos os lados e o quanto é difícil saber das reais intenções de alguns
seres humanos. O que não se pode é culpar o PT pela corrupção promovida pela maioria
dos políticos brasileiros. Penso que Dilma sentiu falta de imprimir a sua face
ao seu governo. Ela foi muito sufocada. Parece que, por gratidão a algumas
pessoas, deixou invadirem o seu governo. Parece que ela não se sentiu à vontade
em alguns momentos. Isso e a soma de outros fatores virou uma bola de neve.
Alguns se tornaram petistas sem conhecer a sua
ideologia. Entraram instigados pela organização, pelo discurso da honestidade,
pela força, por terem o apoio de respeitáveis figuras de universidades e da
igreja, predominantemente a católica. Essas pessoas usaram o partido como
escudo. E isso se ampliou quando o PT chegou à presidência. Mas também não
podemos negar que há petistas – sejam cidadãos comuns ou com cargos políticos –
comprometidos com um Brasil civilizado. Esses são maioria.
Não
podemos justificar erro com erro, mas essa história das "pedaladas
fiscais" não foi uma atitude inédita. Todos os presidentes do Brasil
fizeram isso. É errado, sim, mas foi feita na tentativa de acertar. O seu
grande erro, e que teve efeito de punhalada aos brasileiros, foi ter convidado
o ex-presidente Luís Inácio para ser seu ministro. Foi o momento mais errado da
história. Se ela o tivesse convidado num outro contexto, não teria havido essa
bomba toda. Mas não teria sido solução. O ex-presidente deveria estar mais afastado
e se comportar de forma mais diplomática. Não digo “falsa”, mas evitar
colocações que não condizem com seu status de ex-presidente. Ele se perdeu
muito.
Vejo
também muito preconceito à imagem da mulher. Muitos trogloditas não admitem
estar num país comandado por uma mulher. E piora quando se trata de uma mulher que pegou em armas contra a ditadura militar, e que atrás dessa ditadura estavam muitos monstros que atendiam pelo nome de políticos. Prova disso é a forma debochada e
irônica como alguns se referem à presidente. Isso é lastimável, pois denota que
muitas autoridades ainda guardam o ranço do Brasil imperial, no qual a mulher
era vista como um objeto, um ser inferior e doméstico. Esse episódio acendeu a
chama do machismo retrógrado.
Se a
maior parte dos políticos brasileiros tivessem ética e educação política – já
que entendem que a presidente Dilma deve sair – que aguardassem o encerramento
de seu mandato e fossem em busca de novos nomes para concorrer. Tais políticos
deram uma aula de maus exemplos naquele dia circence. Isso acaba servindo de
exemplo às nossas crianças. Todos sabem que estão atrasando o país, pois sua
economia está parada, mas o fizeram para avacalhar.
Num
determinado momento, um deputado gritou "sim" ao impeachment,
dizendo que era contra a um governo que orienta as escolas a não colocar na
ficha de matrícula o sexo da criança. Isso me fez refletir sobre uma sucessão
de inovações criadas pelo Governo Federal e que foram recebidas com total
deturpação. São muitos programas que não dá para citar todos, mas vou comentar os que provocaram polêmica e deixaram o Governo em maus lençóis. O assunto alegado por esse deputado nunca existiu. Criam-se muitas
coisas e atribuem ao governo Dilma apenas para enfraquecê-lo e denegri-lo. O
que o Governo federal fez, há certo tempo, foi contratar uma equipe para
produzir uma espécie de manual para se trabalhar nas escolas, de modo que se
respeitassem os alunos gays e as meninas lésbicas. Infelizmente a empresa
produziu um material muito explícito e com textos que precisariam ser
submetidos ao olhar de um pedagogo, de sexólogos etc, mas a empresa não o fez. Não foi a presidente
quem produziu o material. O correto era rever o material e refazê-lo, afinal meninos e
meninas homossexuais sofrem bullyng a cada segundo no Brasil. Muitos são
assassinados. Um governo justo deve olhar para esse público, sim, pois são gente. Se existem gays e lésbicas avacalhados e que buscam o lado da perversão, existem os heterossexuais que fazem o mesmo. Não precisamos nos esforçar para encontrarmos casos de pedofilia, de estupro, de todo tipo de orgias, muitas ocorridas, inclusive em Brasília. Mas é abafada. Se fosse gays ou lésbicas seria assunto de toda a mídia nacional. Ocorre que não percebem tais perversões porque os autores são considerados normais. O Governo Federal mudou muito isso. Lançou um olhar de respeito a essas pessoas, as quais, no passado eram presas. A única instituição em todo o mundo que se viam homossexuais e lésbicas eram a Igreja Católica, pois sempre foi grande o número de padres e freiras homossexuais. Hoje se veem homossexuais vereadores, militares, ministros, prefeitos, médicos, advogados, chefes de governo etc. O que a oposição fez sobre a cartilha foi uma forte pressão. Exageraram tanto, que nem sequer o governo refez o
material.
Outro
assunto é o Bolsa Família. A oposição vende a ideia de que se dá dinheiro para
vagabundo. Isso não procede. O que se faz é ajudar a parcela miserável que precisa ser assistida,
sim. Infelizmente muitas prefeituras inscreveram pessoas que não se encaixavam
nos critérios estabelecidos pelo governo. Por outro lado, muitas famílias
contempladas, mesmo tendo melhorado de vida, não deram baixa no benefício, ou seja,
não houve honestidade das prefeituras que fizeram a coisa errada, bem como dos
beneficiados que agiram de má fé. E a culpa é do Governo?
Esse
mesmo raciocínio se aplica ao programa das casas. As prefeituras beneficiaram
parentes, amigos, lideranças comunitárias, enfim, aqueles que lhes dariam a
contrapartida de votos. Desse modo receberam casas quem possuía casa de praia,
comércio, sítio, carros, era taxista etc etc etc. A maior parte das casas foi dada a troco de votos e a quem não precisava. Prova disso é que a maioria já foi vendida ou alugada. De quem é a desonestidade?
Outro
caso foi muitos alegarem que o governo Dilma tirou das escolas as comemorações
ao dia das mães e dia dos pais, para não constranger os casais homossexuais.
Isso nunca existiu. O que se fez foi incentivar – também – as comemorações ao
dia da família, já que existem, de fato, pais e mães homossexuais, e que estes
devem ser inseridos na sociedade, pois são gente, pagam impostos, são pessoas
de bem iguais a qualquer outra. Jamais o governo Dilma cogitou retirar tais
comemorações, pois sempre existirão pais e mães. Criaram essa história para
confundir e revoltar. Fica a pergunta: quem não tem um irmão, uma irmã, um
primo, um tio, uma tia homossexual. Quem não conhece uma pessoa homossexual?
Eles são bandidos? Claro que não. Por esse motivo merecem respeito. Há muito pit-bull
por aí, espancando e matando homossexuais. Se um governo não educar a sociedade
sobre isso, quem o fará? O interesse em destruir o Governo é tanto que se deturpam tudo.
A vacina HPV, para meninas, é outro assunto que deturpam com profunda ignorância. O medicamento é para evitar câncer de colo de útero, as quais estão sujeitas nos próximos anos como qualquer mulher. Mas a oposição diz que o Governo Federal está incentivando o sexo entre crianças. Não é nada disso. O fato de meninas e meninos estarem transando logo cedo é de responsabilidade dos pais que não os educam e não os preparam para a vida. Quando um lar não tem pai nem mãe, ou, quando tem estão mais interessados no whats'up ou Facebook, não se deve culpar o Governo por isso.
A vacina HPV, para meninas, é outro assunto que deturpam com profunda ignorância. O medicamento é para evitar câncer de colo de útero, as quais estão sujeitas nos próximos anos como qualquer mulher. Mas a oposição diz que o Governo Federal está incentivando o sexo entre crianças. Não é nada disso. O fato de meninas e meninos estarem transando logo cedo é de responsabilidade dos pais que não os educam e não os preparam para a vida. Quando um lar não tem pai nem mãe, ou, quando tem estão mais interessados no whats'up ou Facebook, não se deve culpar o Governo por isso.
O
governo do PT foi o único na História do Brasil que teve um olhar amplo às
minorias. São muitas as políticas públicas voltadas para os índios, os ciganos,
os negros, enfim para setores que sempre foram colocados à margem.
Infelizmente, faz parte do processo as más interpretações e os apedrejamentos
até que as coisas se firmem e melhorem. O que vemos, infelizmente, é uma
parcela de brasileiros e brasileiras, políticos ou não, se valer de muito
preconceito, muito tabu, exagerando as coisas e atrapalhando os avanços de um
governo à frente de seu tempo.
Creio
que Dilma Rousseff pecou quando negou alguns gráficos da situação da economia
no Brasil. Mas, se os políticos brasileiros fossem realmente civilizados, honestos
e éticos, teriam dito: "mãos à obra, vamos, juntos, consertar isso".
O que fizeram foi apedrejar e ajudar a alargar a crise, pois querem estar no
poder para apadrinhar os seus iguais. Muita coisa foi feita para desestabilizar
o governo. Não acredito que homens assim querem um Brasil melhor. Digam o que
quiserem, mas querer apontar Dilma como mais uma no quesito "ladrões"
é perda de tempo. Se ela fosse um Michel Temer da vida, ou um Eduardo Cunha,
com certeza estaria bombando. Para alguns, desonestidade é lucro. É valor.
Sinto muito pelo analfabetismo político do Brasil. Sinto muito. Creio que a Presidente Dilma Rousseff está com os seus dias contados, mas não choremos por isso. Tiremos lições. São muitas lições deixadas. O PT nasceu com uma ideologia que, hoje, podemos compará-lo ao PSTU, ao PSOL, por exemplo. A ideologia não morreu nem morrerá nunca, pois existirá sempre gente de bem no mundo. Mas qualquer partido de esquerda que fizer como fez o PT, ao se aliar a ladrões de direita, ficará igual. Faz-se necessária uma reforma política onde o povo de bem a pense e a delibere. Isso não acontecerá tão breve. Um país só vai para a frente se todos partidos tiverem gente honesta no comando. Para mim, mesmo Dilma saindo eu não vejo solução, pois a solução não é o golpe. A solução está num Brasil de gente educada, civilizada, politizada e honesta. E isso parece muito longe. Sigo cheio de esperança de um Brasil melhor! Mas não nos crápulas que o estarão conduzindo brevemente. O Brasil não imagina o tamanho do erro e do crime que está cometendo. Veremos!

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