Ontem,
andando
nas
proximidades
da Lagoa do Bonfim,
reencontrei
cenas de uma novela que merece a censura de toda pessoa de bem, haja
vista o seu enredo afrontoso e desrespeitoso com o ser humano. NÃO
HÁ COMO CONSIDERAR NORMAL QUE AINDA EXISTAM
MORADORES DA TERRA DAS ÁGUAS SEM
ÁGUA
ENCANADA EM SUAS CASAS, PELO FATO DE NÃO EXISTIR NO LOCAL UM SISTEMA DE
DISTRIBUIÇÃO DO RESERVATÓRIO INTERLIGADO ÀS RESIDÊNCIAS.
NÍSIA
FLORESTA DISTRIBUI
ÁGUA POTÁVEL PARA 45
MUNICÍPIOS/POVOADOS
DO
SERTÃO – ONDE, DE FATO NÃO EXISTE ÁGUA, AO LONGO DE 400 KM's –
MAS NÃO MANDA ÁGUA PARA CINCO KM's DE SUA PRÓPRIA ÁREA (NAS LOCALIDADES RIBEIRINHAS).
VEJA
BEM, SÃO 271 COMUNIDADES RURAIS NESTES MESMOS MUNICÍPIOS E EM
MACAÍBA, MONTE ALEGRE E SANTO ANTONIO, TOTALIZANDO, APROXIMADAMENTE,
250.000 HABITANTES; ENQUANTO EM NÍSIA FLORESTA HÁ CASAS SEM ÁGUA.
Isso
é
pré histórico, pois o direito à água e ao saneamento
é
prioritário. O
que passa na cabeça da equipe administrativa de Nísia Floresta?
Estariam pensando
que
cada um deve ir à beira da lagoa com um jumentinho e pegar água em barris? Não sei. Mas é
desrespeito
puro! É como sentenciassem mais ou menos assim: "deixa isso
para lá, são pobres, não vão reclamar".
N'outro
extremo do município, um professor
mostrou-me
sua conta de água para que eu pudesse ver uma irônica
contradição:
A CIDADE QUE MANDA ÁGUA PARA VÁRIAS CIDADES TEM TAXA DE ÁGUA
CARÍSSIMA.
Quando o educador fazia essa reflexão, eu me lembrei de um fato ocorrido em 1996, antes de a ADUTORA MONSENHOR EXPEDITO ser construída, quando costuravam as coisas. Houve uma audiência pública no município, com a participação da Drª Yádia Gama Maio (promotora de justiça), o Governador Garibaldi, autoridades da CAERN, engenheiros, pessoas da cidade etc etc etc.
Como
o
assunto me interessava, eu ainda cheguei a falar no momento
disponibilizado para as manifestações públicas. Perguntei
sobre dois pontos fundamentais (e quem estava lá e ora lê este
texto, se lembrará).
1º)
Se existia um estudo comparativo com outros lugares onde ocorre
transposição de água, no que se refere à garantia da preservação
da vida aquática (fauna e flora) e consequentemente, se a ação de
retirar água em demanda colossal (como ocorre) afetaria ou não o
fluxo da
própria natureza, colocando-o
em risco.
Inclusive até brinquei, dizendo que, pela quantidade de água que
diziam que sairia pelos dutos por segundo, em breve a GIGANTESCA
SERPENTE
DO BONFIM EMERGERIA DO QUE RESTASSE DAS ÁGUAS E SERIA, FINALMENTE DESENCANTADA (quem conhece a lenda
entendeu).
2º)
Se
existia a possibilidade de uma contrapartida para a população de
Nísia Floresta, no que se refere a
REDUÇÃO DA TAXA DE ÁGUA, inclusive, lembrei que a CAERN estaria
retirando
ÁGUA A CUSTO ZERO, E QUE ESTARIA GANHANDO DINHEIRO COM ISSO, SEM
QUALQUER RETORNO PARA QUEM FORNECERIA
A ÁGUA.
Houve
muitas perguntas de outras naturezas, inclusive alguns
ânimos se acirraram. O engenheiro e o técnico responsável
respondeu as perguntas num pacote só e deixou despercebidas as
minhas duas perguntas. Foi
estratégia. Depois eu ainda conversei com alguns vereadores, mas percebi que eles pareciam
mais interessados em projetos do tipo "mandar pintar os
meio-fios de Golandi", "mandar colocar uma lâmpada no
poste da rua dona Maria", "dessamassar" a placa do
povoado tal que estava amassada"...
O
CERTO
– TAMBÉM – ERA A CAERN RESERVAR OS ROYALTIES
PARA NÍSIA FLORESTA, se bem que...
O
certo, mesmo, era que a CAERN cobrasse uma taxa simbólica de água em Nísia Floresta. Nada mais justo. Lembrando que ESTÁ PREVISTO PARA ESTE ANO A
ADUTORA ATENDER
A UMA POPULAÇÃO SUPERIOR
(Fonte: CAERN).
Muito interessante! A moda é sugar, sugar, sugar... Parece que isso é sintomático na terra das águas. A CAERN só fala em ampliação, recolocação de canos, modernização de equipamentos etc etc etc. A CAERN não fala de benefício algum para Nísia Floresta. Não há contrapartida alguma para a terra das águas. É como seu eu entrasse na sua casa agora, tomasse posse da sua geladeira, comesse as melhores coisas, desse risadas e saísse na boa, deixando-o com a "cara de Mané".
Desconheço projetos do próprio município - por parte da Câmara e da Prefeitura, chamando esses senhores, "donos da CAERN" aos carretéis.
Já que a CAERN pensa que Nísia Floresta é a "casa da mãe Joana", que ao menos realizasse um projeto social, como faz a COSERN em vários lugares (cultura, doação de lâmpadas, doação de eletrodomésticos etc). Mas o certo mesmo é cobrar taxa simbólica.
Desconheço projetos do próprio município - por parte da Câmara e da Prefeitura, chamando esses senhores, "donos da CAERN" aos carretéis.
Já que a CAERN pensa que Nísia Floresta é a "casa da mãe Joana", que ao menos realizasse um projeto social, como faz a COSERN em vários lugares (cultura, doação de lâmpadas, doação de eletrodomésticos etc). Mas o certo mesmo é cobrar taxa simbólica.
O meu pai, aos 92 anos, costuma dizer que, "de onde só se tira e não se põe..."
Veja os municípios beneficiados: Barcelona,
Boa Saúde, Bom Jesus, Campo Redondo, Coronel Ezequiel, Ielmo
Marinho, Jaçanã, Japi, Lagoa D´Anta, Lagoa de Pedras, Lagoa de
Velhos, Lagoa Salgada, Lajes Pintadas, Monte das Gameleiras, Passa e
Fica, Rui Barbosa, Santa Cruz, Santa Maria, São Bento do Trairí,
São José de Campestre, São Paulo do Potengi, São Pedro, São
Tomé, Senador Elói de Souza, Serra Caiada, Serra de São Bento,
Serrinha, Sítio Novo e Tangará, como também 271 comunidades
rurais.
No século XVII, o nome original da lagoa do Bonfim, em tupi, era "PUXI", que significa torpe. Depois vieram os frades capuchinhos e mudaram para o nome atual. Foi providencial aflorar-me à mente esse detalhe histórico, afinal, o que eu vejo é torpeza... torpeza , torpeza pura.
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