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| Nesse registro que fiz em 2005 vemos algumas peças de valor incalculável, dentre elas, os vasos de porcelana de Limoges. |
Ao
longo de 33 anos acompanhando a realidade daquela igreja, tenho testemunhado
episódios que me entristecem profundamente. O mais recente, e doloroso, foi a
notícia de que UM VASO DE PORCELANA
ANTIGA, IDENTIFICADO COMO LIMOGES, VIEUX PARIS, SÈVRES OU OPALINA FRANCESA,
PEÇA RARÍSSIMA E COM QUASE DOIS SÉCULOS DE EXISTÊNCIA, foi reduzido a cacos
após manuseio descuidado. Não estamos falando de um objeto comum, de um
ornamento industrializado adquirido em plataformas virtuais. Trata-se de uma
peça histórica, de valor artístico e material incalculável, que atravessou
gerações e resistiu ao tempo para, agora, sucumbir à imprudência humana.
E
esse não é um caso isolado. Pergunta-se: onde estão outras peças igualmente
valiosas? Onde se encontra o candelabro em cristal Baccarat? Onde está o
ostensório de prata e ouro? E o candelabro de madeira de lei, pintado de branco
e folheado a ouro? Essas peças, únicas, insubstituíveis, não podem circular
como se fossem objetos banais, deslocadas sem registro, sem controle, sem a
mínima estrutura de segurança.
É
inadmissível que itens dessa natureza continuem sendo utilizados de maneira
ordinária, expostos ao risco constante, quando deveriam estar acondicionados em
móveis museológicos adequados, com controle de acesso, proteção física e,
sobretudo, reconhecimento oficial de seu valor histórico. A Igreja Matriz não é
apenas um templo de oração; é também guardiã de um acervo que integra a história
sacra do Rio Grande do Norte e do Brasil. Tudo o que está ali é parte da
história do Brasil.
Causa-me
ainda mais espanto perceber que minha preocupação é interpretada por alguns
como crítica negativa. Não é. É zelo. É responsabilidade histórica. É
consciência patrimonial. E nada disso me faz calar. Fechar os olhos para o problema
não o resolve; ao contrário, contribui para a perda irreversível de bens que
jamais poderão ser plenamente substituídos. O ouro, a prata, o cristal, a
porcelana Limoges e a madeira de lei que compõem esse acervo não são apenas
materiais nobres: são testemunhos concretos da fé e da cultura de gerações
passadas, de um povo sofrido, que ergueu esse templo com suor e sangue.
Recordo que, no dia 22 de janeiro, NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE: SOBRE A AUSÊNCIA DE PEÇAS DO ACERVO SACRO DA IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DO Ó..., publiquei denúncia acerca de peças que estariam em locais desconhecidos e que precisam retornar à igreja. Embora tenha compartilhado o meu e-mail e telefone no próprio texto, não obtive resposta de ninguém. Agora, somando-se a isso, tomo conhecimento da destruição de uma peça rara que sequer deveria estar em uso. Até quando assistiremos a essa banalização? Até quando o patrimônio sairá e entrará na igreja como se fosse plástico ou alumínio e se pudesse compra em qualquer feira de ‘mangaio’?
Faço
aqui um apelo direto ao povo católico de Nísia Floresta: é hora de parar,
refletir e agir. É hora de compreender que esse acervo não é ornamental; é
histórico. Não é descartável; é permanente. Não é individual; é coletivo.
Estamos falando de peças únicas, de valor incalculável, que contam a história
da devoção, da arte e da identidade do município de Nísia Floresta.
Quanto
ao vaso quebrado, ainda há esperança. Existem artistas especializados em
restauração de porcelanas antigas, capazes de recompor fragmentos e devolver
dignidade estética à obra. Os cacos podem, sim, ser transformados novamente na
peça original. Confio que pessoas comprometidas com a cultura e a educação,
como o professor Jorge Januário de Carvalho - o único cidadão nisiaflorestense
abnegado em prol dessa matriz em todos os aspectos -, ao tomarem conhecimento
dessa fatalidade, poderão contribuir para que a restauração seja providenciada
com a urgência que o caso exige.
Reitero:
se não houver providências concretas no sentido de localizar as peças que foram
“emprestadas” ou o quer que seja, e garantir a proteção adequada do acervo
remanescente, tomarei todas as medidas cabíveis. Não por vaidade, não por
confronto, mas por dever moral. Estamos lidando com um patrimônio que pertence
a todos nós e que faz parte da história sacra do Brasil.
Que
não sejamos a geração que permitiu que o descuido apagasse séculos de memória. E aos que me criticam, eu vos digo que meu "crime" é condenar um assalto à história sacra do nosso país. Coisa que vocês também deveriam estar fazendo.
Atenciosamente,
Luís Carlos Freire
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| Ostensório em ouro e prata |
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| Anjinho "Deus Lhe Pague", eram italianos, peças de gesso, mas antiquíssimas. Haviam várias. Sumiram todas. |

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