ANTES DE LER É BOM SABER...

Contato (WhatsApp): 84.99903-6081 - e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com. Ou pelo formulário no próprio blog. ESTE BLOG, CRIADO EM 2009, É UM ESPAÇO INTELECTUAL, DEDICADO À REFLEXÃO E À DIVULGAÇÃO DE ESTUDOS SOBRE NÍSIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA, sem caráter jornalístico. Luís Carlos Freire é bisneto de Maria Clara de Magalhães Peixoto Fontoura (1861-1950), trineta de Francisca Clara Freire do Revoredo (1760-1840), irmã de Antônia Clara Freire do Revoredo (1780-1855), mãe de Nísia Floresta (1810-1885). Por meio desta linha de descendência, Luís Carlos Freire mantém um vínculo familiar direto com a família de Nísia Floresta, reforçando seu compromisso pessoal e intelectual com a memória da escritora. (Fonte: “Os Troncos de Goianinha”, de Ormuz Barbalho, diretor do IHGRN; disponível no Museu Nísia Floresta, RN.) Luís Carlos Freire é estudioso da obra de Nísia Floresta e membro de importantes instituições culturais e científicas, como a Comissão Norte-Rio-Grandense de Folclore, a Sociedade Científica de Estudos da Arte e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Seus textos também têm cunho etnográfico, etnológico e filológico, abrangendo estudos lexicográficos e históricos, pesquisas sobre cultura popular, linguística regional e literatura, muitos deles publicados em congressos, anais acadêmicos e neste blog. O blog reúne estudos inéditos e pesquisas aprofundadas sobre Nísia Floresta, o município homônimo, lendas, tradições, crônicas, poesias, fotografias e documentos históricos, tornando-se uma referência para o conhecimento cultural e histórico do Rio Grande do Norte. Proteção de direitos autorais: os conteúdos são de propriedade exclusiva do autor. Não é permitida a reprodução integral ou parcial sem autorização prévia, exceto com citação da fonte. A violação de direitos autorais estará sujeita às penalidades previstas em lei. Observação: os comentários só serão publicados se contiverem nome completo, e-mail e telefone.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A ILHA ENCANTADA DE PAPARI (ESTÓRIAS VELHAS DE MORRINHOS E OITIZEIRO)


A ILHA ENCANTADA DE PAPARI (ESTÓRIAS VELHAS DE MORRINHOS E OITIZEIRO)

O imaginário popular nisiaflorestense, rico em estórias, guarda uma lenda denominada "A Pedra Encantada". Ouvi-a, pela primeira vez, em 1993, narrada por uma nisiaflorestense. A estória integra o folclore do distrito de Morrinhos, em Nísia Floresta, estado do Rio Grande do Norte, e tem relação com a lagoa Papari e o pé do morro nas “terras de Zezinho”, como dizem os pescadores. O local é emoldurado em cenário de rara beleza, margeado pelas escuras águas
 
Sempre tive vontade de visitar o local. Ensaiei diversas idas, mas nunca concretizaram. Dia desses deu certo o empreendimento. O acesso se dá pelo lado Norte, através de canoa, embora seja possível por terra, pelo lado Sul, mas os desafios da mata fechada minam a vontade de transpô-la. Tenho quase certeza que o pequeno flanco de terra seja uma sobra original da Mata Atlântica. Algumas partes são quase intransponíveis devido à vegetação esparsa.
 

Sempre tive vontade de visitar o local. Ensaiei diversas idas, mas nunca concretizaram. Dia desses deu certo o empreendimento. O acesso se dá pelo lado Norte, através de canoa, embora seja possível por terra, pelo lado Sul, mas os desafios da mata fechada minam a vontade de transpô-la. Tenho quase certeza que o pequeno flanco de terra seja uma sobra original da Mata Atlântica. Algumas partes são quase intransponíveis devido à vegetação esparsa.

Não bastasse a garranchada de galhos e trepadeiras, veem-se incontáveis pedras que pesam toneladas, assentadas há milhões de anos naquele local que, a princípio, é muito estranho. Todas estão sufocadas pelos tentáculos impiedosos de imensas gameleiras e cipós.


Algumas pedras, rachadas, deixam visíveis minúsculas conchinhas. Terá sido o fundo do mar essa nossa região? As raízes, parrudas, envolvem a rocha como se fossem um único corpo. Algumas parecem cobras abraçando a sua presa.Outras, engolem literalmente gigantescas pedras. Essas gameleiras têm raízes curiosas. Elas começam a se formar há um metro e meio do tronco. Depois se espalham, anchas, formando tentáculos robustos, espalhando-se como serpentes fincando-se no chão. O tronco nos remete aos pés de um pássaro jurássico.
 


As árvores mais altas e de diâmetro maior são justamente as gameleiras. Delas, os nativos retiram um produto para fazer a mais ingênua das malvadezas: caçar passarinhos. Eles sulcam o tronco, permitindo escorrer lentamente uma resina semelhante ao leite. Em contato com o ar torna-se visguenta como a melhor das colas. Passam em lugares estratégicos de uma gaiola, previamente abastecida com frutas ou sementes – para atrair as inocentes criaturas –, e o resto você já entendeu.
 

Os cipós complementam o cenário, agarrando o que encontra pela frente, inclusive os próprios exemplares mais velhos. Alguns estão entrelaçados há tanto tempo, cujo diâmetro nos reporta a uma corda de navio. Não é possível distingui-los. Nem separá-los. Essa metrópole de pedras, troncos e cipós dão aos animais as tocas mais agradáveis e seguras para não se tornarem presas fáceis. Ali se escondem raposas, preás, teijuaçus, caranguejeiras e cobras. Cada um na sua toca.
 


Os belíssimos imbés sobem, aos montes, fazendo inveja aos maiores paisagistas e jardineiros de Burle Marx. Não fosse a vegetação morta agarrada às árvores, substituída pelas vivas, num contraste curioso de sucessivas cadeias e estações, diria-se haver ali um esdrúxulo ente, organizando tudo a seu modo. Os filamentos presos aos troncos emprestam-lhe a aparência de uma gigantesca cabeleira despencando sobre as árvores.
 


Há uma espécie de clareira – se é que se possa assim dizer – pois o sol transpõe, acanhado, as frondes das árvores. Olhando o forro natural, veem-se esses riscos solares clareando sutilmente. O local é agradável e muito sombreado. As pedras fazem as vezes de mesas e bancos. É nesse local que os pescadores passam horas a fio, aguardando as 'redes de espera'. Assim têm o pão de cada dia: “cacetão”, “tainha”, “sainha”, “camurim” (também chamado robalo), “camurupim” (“pema”), “corongo” “cobra”, “corongo-branco” (“pomba-de-padre” ou “boca-de-ouro”), “carapeba”, “arenque” (“ginga ou alumínio”), “ubarana”, “camarão Vila Franca”, “tilápia”, “sururu”, “ostra”, “unha-de-velho”, “marisco”, caranguejo, “caranguejo-sá”, siri, “aratu” e “goiamum”. O peixe “ubarana” tem que ser morto com porrete, senão se desmancha todo. Assim que leva a cacetada enrijesse. O resultado da pescaria não é igual ao que documentou Henry Koster em 1810, quando esteve com Dionísio Gonçalves Pinto, mas alimenta a muitos.
 

Ali, sobre uma trempe de pedras, os nativos preparam iguarias inventadas por eles mesmos há séculos. Uma delas é o "liguento", também conhecido como "escaldarelo". O peixe, depois de limpo, é deitado na "água grande" junto a sal, coentro, pimenta de cheiro, tomate e cebola. O cozimento é rápido. Finda-se despejando farinha de mandioca, mexido rapidamente ao ponto de mel. Não existe complemento. Nem precisa.O cheiro maravilhoso eflui, passeando pela mata até perder força.

Sobre a Lenda da Pedra Encantada, ela é formada por três elementos distintos: o homem, a pedra e a gameleira. Não diria quatro elementos porque o ouro nunca foi encontrado.
A oralidade diz que os pescadores, em passagem por ali, viam um velho pescador sentado numa das pedras. Era monossilábico. Aparência agradável, mas arredio. Bastava perceber que alguma canoa encostava, ele saia e se confundia com a paisagem esquisita. Ninguém o encontrava mais.
 
 
Segundo as bocas antigas, ele enterrou uma mina de ouro debaixo de uma das pedras, mas ninguém sabe qual. E não adianta aos mais espertos aventar algum empreendimento por ali. Passará a vida cavando em vão, mesmo existindo o tesouro. É necessário apelar para a alçada onírica para saber. E como os sonhos são espontâneos – não dá para programá-los – resta aos pescadores, e a qualquer pessoa, rezar para um dia sonhar com o velho pescador. e receber a missão A quem ele aparecer – em sonho – lembre-se – será revelado o local exato e o ritual para retirar a botija.

Nem pense em pegar sofisticadas ferramentas e ir para lá cavoucar tudo, pois, além de comprar briga com os donos das terras, arrumará confusão feia com o IDEMA. Pior: terá surpresas do outro mundo, pois somente quem receber a doação do velho – em sonho –, achará a mina.
 

Os contadores dessa estória alertam para um detalhe importante – não me perguntem como eles o sabem –, é que a retirada do ouro só é possível à noite, pois, além de ser necessário ao escolhido ter bom coração, deve ser pobre e muito corajoso, pois durante a empresa, aparecerá toda sorte de “malassombros”. O objetivo é amedrontá-lo para que o sortudo desista. Inclusive o contemplado deve ir só. Contaram também que, numa ocasião, um pescador muito querido e bondoso recebeu a revelação e foi acompanhado com dois grandes amigos.

Para quê!

Assim que começaram a cavar, levaram lapadas de cipós que vinham de todos os lados, o breu da noite aumentou devido a um imenso enxame de abelhas que infestou a mata. Como se não bastasse, receberam tantas pedradas no lombo que passaram muitos dias acamados. O medo desses pescadores foi tanto que nunca mais pisaram ali. Quem tiver o privilégio desse sonho deve saber que só acontece uma vez e deve ser obedecido à risca. O velho detesta gente covarde e medrosa!
 


Os pescadores das imediações da lagoa parecem ter alma de criança. Pessoas sem maldade alguma. Certamente lapidando o espírito para o sonho, pois o pescador encantado não aparece para “cabra ruim”, como disse um deles. Veja só como essa lenda tem uma psicanálise boa!

Sim, já me esquecendo. Durante a retirada do ouro aparecem seres encantados. São esquisitos. Ficam urrando, fazendo “mungangas”, cutucando a pessoa. Outra vez surgem milhões de formigas e insetos variados, os quais cobrem totalmente o contemplado, mas não fazem mal algum (desde que seja a pessoa certa!). Tudo isso para que ela tenha medo e desista.
 
 

Um pescador se adiantou em me alertar que o 'pescador encantado', ou seja, o velhinho, só aparece para outros pescadores. Certamente quis frustrar as minhas tentativas de sonhar (como se sonho fosse programado). Ingenuidade a parte, ele só quis se precaver da possibilidade.

Mas de tudo isso tive uma certeza: eles são ingênuos o bastante para obter – a qualquer hora – a tão sonhada - aliás, cobiçada - "mina da pedra encantada". A lenda sinonimiza esperança. Ela ensina que devemos ter fé e acreditar que uma hora tudo dará certo.

Há outras versões dessa estória. O senhor Pedro Gonçalves (in memorian), 86 anos, oitizeirense, contava que os velhos pescadores lhe contavam - que esse morro é um navio que naufragou há muitos anos, pois as águas do mar, volumosas, permitiam a navegação até ali. A embarcação trazia muitos tesouros de um rei, mas virou naquele local. Os pescadores mais velhos, do tempo em que o senhor Pedro Gonçalves era menino, diziam ouvir barulhos de correntes sendo arrastadas sobre os assoalhos da caravela, e quem achasse essa corrente acharia os tesouros…

Essa é a lenda da pedra encantada da lagoa Papari, que é verdade e dou fé...



O monstro dos arrecifes de Camurupim (Lenda)

 
Quem não conhece os arrecifes de Camurupim, na bela praia de Nísia Floresta/RN? À noite, nas casas de veraneio, recolhidos ao conforto da cama, quem nunca ouviu os estrondos das gigantescas pedras reboladas das profundezas, pelos braços hercúleos do deus-mar?
Extensas camadas rochosas espraiam-se, aspérrimas, patenteando notável fenômeno de desgaste natural, dado ao eterno vai-e-vem das marés que há séculos as garatujam.
Pedras de todos os formatos, broqueadas de infinitas cavidades tangenciam-se em bordas de quinas vivas e cortantes, sarjadas de sulcos fundos, feito navalhas emoldurando o mar. Causa arrepio vê-las.
As marés, escavando-se salteadamente em caldeirões largos e brunidos, patenteia de forma impressionante o influxo secular de suas águas nervosas, esculpindo as rochas num dadaísmo sem fim. Corroeram-na, e perfuraram-na, e desenharam-nas a maresia, escultora paciente.
Pisando naqueles estrepes pontiagudos e firmes, estraçalhariam os sapatos mais resistentes, e não haveria mezinhas para topadas e tombos dos incautos sobre sobre suas lâminas afiadas.
Quem nunca viu os nativos orlando as suas margens à cata de aratus, lagostas, ouriço, ostra e outros crustáceos, sob a luz de candeeiros improvisados ao gás de pneus velhos?
Homens corajosos, caminham nas pedras, tais quais os próprios crustáceos que por ali se escondem, sem medo de serem esbofeteados pelas marés.
Os nativos "andam" sobre esses arrecifes traiçoeiros com a mesma destreza que andamos nas calçadas da cidade. Mas ainda não nasceu nativo capaz de andar sobre suas navalhas de pedra que permeiam toda a Camurupim.
Esse prodígio foi reservado para um ente fantástico que há muito vaga nesse lugar, é "O Monstro dos Arrecifes de Camurupim", como assim me contou a narradora.
Contam os antigos tratar-se de um malassombro, cujas características não podem ser precisadas, pois só é visto na escuridão. Quem o viu diz apenas que é troncudo, preto e de cabeleira. Seus olhos têm a cor de brasas vivas e fumegantes.
Raramente foi visto caminhando. Está sempre apressado e arfando. Tem uma destreza incomum de se esconder entre as pedras quando suspeita estar sendo observado.
Moradores locais já viram o seu vulto escabujando pelas dunas, entre os coqueirais, como se desenterrasse ou enterrasse algo. Outras vezes já o viram engrimponados nas pedras vacilantes, próximas a "Boca da Barra".
Todas as pessoas que contam episódios dessa "visagem", ou "malassombro", são unânimes quando informam da sua estranha inquietação. Sempre apressado. Sempre correndo. Sempre fazendo alguma coisa. Sempre arfando.
Certa vez ouviram estrugindo um estrídulo tropel de cascos sobre as pedras. Logo passou como relâmpago um espectro de andar agitante. "É bem assombroso", contam.
Mas quem é o "Monstro dos Arrecifes de Camurupim"?
Contou-me NATÁLIA GOMES DO NASCIMENTO1, aos 19 de março de 1992, que o malassombro era um homem comum, por nome de Terto mas se transformara no monstro por uma anormalidade que cometera.
Era época de Páscoa de um tempo muito antigo na praia de Camurupim. Aos primeiros sinais do amanhecer, sua mãe abalou-se até Cururu – único arraial próximo – para comprar vinho e outras miudezas. O sol despedia-se quando ela retornou com as compras. Guardou-as e foi preparar a janta.
Nesse momento chegou o filho e pediu para beber o vinho. A mãe explicou que era para beber em família, durante a ceia do Senhor. Ele insistiu, mas a velha senhora não abriu mão.
Terto tinha três irmãos. Os demais estavam com o pai em alto-mar quando ocorreu o fato. Num dado momento a mãe havia acabado de aprontar a janta e colocava sobre a mesa o bule de café.
Nesse momento percebeu que o filho segurava a garrafa de vinho. ainda cheia. Ela indagou-lhe a razão da teimosia, e de forma maternal chamou-lhe à atenção, dizendo que ele estava teimando, e que ela diria ao pai quando ele retornasse.
Com as feições de ódio, Terto recolocou o litro na cesta e saiu para a varanda; sentou-se num banco ali instalado e amuou-se.
Pouco tempo depois a mãe o chamou para jantar. Já havia escurecido e ela instalara as lamparinas de querosene em alguns pontos estratégicos da velha casinha de taipa coberta com palhas – como todas as que existiam na praia.
Iluminados pela luz de um candeeiro eles jantaram, sem que o filho dissesse uma palavra. A velha senhora estranhara, mas não dera importância, pensando ser mais um de seus rompantes.
Como era hábito, deitou-se na rede e, dedilhando as contas do rosário, passou a admirar o espetáculo que se descortinava diante dela.
A lua cheia submergia parcialmente no mar, despejando prata sobre suas águas, envolta na escuridão dos céus. Uma longa vereda prateada se desenhava, indo dos arrecifes a linha do horizonte, balançando em suas águas mansas, como a esperar um transeunte que fosse ao seu encontro.
Embalada pelo suave vai-e-vem da rede, a velha senhora rezava, recomendando ao Criador a guarda dos seus pescadores à cata do pão de cada dia.
Findadas as orações ela deixava a rede, no seu caminhar lento, lixando o chão batido com suas percatas de couro.
Nesse exato momento vê o litro de vinho, vazio, e dirige-se ao filho, indagando-lhe sobre a desobediência. Ele sai do quarto com uma fisionomia assustadora. Seus olhos tinham a cor de um braseiro fumegante. Fitou a mãe como um feroz predador. Sua fisionomia causava pavor, deixando a pobre senhora petrificada.
Ela só conseguiu balbuciar essas palavras: - "O que é isso, meu filho"? E ele empurrou-a no chão, atravessando o seu frágil corpo com um facão. A infeliz senhora prostrou-se ali mesmo, agonizando.
Terto disparou no meio da noite, descalço, trajando unicamente calça e camisa. Alguns pescadores que voltavam dos aratus o viram passar como raio sobre os arrecifes, arfando igual a bicho, mas até então não o reconheceram.
No outro dia a história veio à tona, descoberta por um vizinho que se deslocara até àquela casa em visita. Uma velha senhora amiga da família dissera não entender tamanha monstruosidade com pessoa de alma tão piedosa.
Soube-se depois que um misterioso pescador – com créditos de feiticeiro – profetizara ter aquele filho injusto cedido ao demônio, tornando-se um dos seus anjos aqui na Terra. E que ele passaria toda a eternidade vagando em disparada sobre os arrecifes, sem paz e fazendo o mau.
Há quem diga que esse monstro sente o cheiro de café a distância. E costuma roubá-lo nas casas de veraneio das pessoas descuidadas, pois acredita passar o efeito do álcool que o deixa tão afoito.
Quem o viu conta que seus olhos são vermelhos iguais a fogo, como ficam as pessoas alcoolizadas. Dizem que é o efeito do vinho que nunca passou. Seu corpo adquiriu uma compleição monstruosa. Tem os braços alongados, os maxilares e os dentes caninos cresceram exageradamente.
Há quem afirme que esse monstro, que só aparece à noite, percorre os arrecifes a procura de pessoas para afogá-las em oferenda ao deus das trevas. Mas como os raros nativos que se arriscam por ali à cata de aratu só andam em grupo, ele permanece submerso durante dias a fio. Ataca os banhistas na boca da barra, agarrando-os pelas pernas e arrastando-os para as profundezas do mar.
Contam que de tanto correr sobre as lâminas de pedras dos arrecifes, seus pés se transformaram em cascos. O que explica o tropel que alguns já ouviram.
LUIS CARLOS FREIRE – DEZ. 1992
_______________________________________________________________________________
1* Natália Gomes do Nascimento faleceu em 2006, aos 90 anos – residia na Rua da Bica, mãe da Srª Margarida de "Zé Carão".

terça-feira, 22 de outubro de 2013

POR QUE OS SINOS NÃO DOBRAM EM NÍSIA FLORESTA?

Normalmente os sinos dobram para lembrar aos fiéis da celebração da missa, encomendação de corpos, festas de padroeiros etc. O badalar da imensa campânula de bronze badala por causas nobres. 
A morte também é causa nobre? Claro! Pense!
O livro "Por quem os sinos dobram" do maravilhoso escritor americano Ernst Hemingway (1899-1961) foi inspirado n'outro excepcional escritor: o poeta inglês  Jonh Done (1572-1631). No final da história fica a sentença: não procurem saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.
Hoje, fiz uma reflexão sobre o silêncio dos inúmeros sinos que existem dentro de nós (nós - nesse caso - significa eu, você, ele, os meios de comunicação, enfim tudo o que pode pensar e levar o povo ao pensar).
Não compreendo como parte da sociedade nisiaflorestense se cala diante da injustiça cometida contra ANA LÚCIA LUCAS DA SILVA, moradora da "rua de Detrás". Pessoa humilde e incapaz de consentir que o seu nome seja usado para lavagem de dinheiro. Mas foi o que ocorreu. A mesma consta como dona de uma empresa construtora.
Por que os sinos da mídia local se calam? 
Por que as campânulas institucionais de Nísia Floresta não reverberam essa verdade?
Por que as autoridades locais - eleitas pelo povo - deixam os sinos imóveis?
Por que os sinos não badalam a favor do Sr. LUIZ GONZAGA DA SILVA
Ele não consegue se aposentar porque a sua patroa fictícia, a empregadora ANA LÚCIA LUCAS DA SILVA nunca recolheu o INSS em favor do mesmo.
Mas como ela o faria se nunca foi dona da empresa?
Por que os sinos não dobram para ALESSANDRA CABRAL?
Alessandra é filha de Lenilde, que trabalha com a Srª Dalvanira, proprietária do Camarão do Olavo.
Essa jovem, que é pessoa de bem,  foi convocada pela Receita Federal a prestar esclarecimentos acerca de repasses altíssimos que recebe em sua conta, na Caixa Econômica de Parnamirim.
Quiseram saber por que ela não declarou o imposto de renda.
Como pode uma pessoa que recebe recurso do programa federal Bolsa Família declarar imposto de renda?
Tendo a acompanhado junto a CEF constatamos que a conta realmente foi aberta por Alessandra, quando esta, em algum lugar, assinou documentos no meio de um calhamaço de papel com outra finalidade (não entenda por isso que ela tinha conhecimento - pelo contrário - ela assinava algo legal, mas foi enganada). Esse é o pecado de quem assina confiando.
Há aproximadamente cinco meses fomos ao prédio da POLÍCIA FEDERAL e fizemos a denúncia.
Alessandra será ouvida por uma comissão de delegados federais na próxima quinta-feira, dia 24.10.13. E nessa oitiva eu também a acompanharei.
Tenho certeza que, a partir das investigações que já estão ocorrendo, ela será totalmente inocentada, haja vista a sua idoneidade moral, assim como a de toda a sua família, as quais são pessoas de bem.
Alessandra, inclusive, irá entrar com um processo sobre danos morais, pois, como eu disse para ela "o nosso nome é o nosso maior patrimônio". E, na oportunidade, pedirá indenização, a qual tem direito pautado em lei. E a indenização não é pouca.
Tenho certeza que o município de Nísia Floresta, em peso, irá se solidarizar com ALESSANDRA CABRAL, pois qualquer um pode ser vítima dessa máfia, a qualquer hora - se é que muitos ainda nem o sabem que estão na mesma situação. É bom até você, que está lendo, verificar isso.
E que os sinos da velha Papari badalem, soem, rebumbem, tilintem... gritem alto contra esse crime, pois nada justifica tamanha injustiça.
Por uma questão de ética não caberá a mim a incumbência de revelar os autores desse crime, mas a Polícia Federal o fará no momento certo!
Fica apenas o registro para que todos saibam o que está acontecendo no município de Nísia Floresta, estado do Rio Grande do Norte.
Entendo que algo assim deve ser divulgado em massa, pois é fato. Eu não seria irresponsável de perder meu tempo mentindo.
Se 'os sinos dobram por ti' significa que  você é justo (a).
Se você é justo (a), por que não se dobra à Justiça?
Justiça! Eu acredito nela. E você? 
Professor Luis Carlos Freire
E-mail brasilcentauro@yahoo.com.br


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

HÁ QUEM ESCREVE PARA AGRADAR A CORRUPÇÃO

HÁ QUEM ESCREVE PARA AGRADAR A CORRUPÇÃO

Informaram-me ter uma maninha apregoado que eu tenho feito merchandising com o nome da filha mais ilustre de Papari. Soube que, a cada foto que eu postava, ao longo de uma semana anterior a data do seu natalício, a referida tinha uma espécie de enfarto – ou "piripaque".
Eu nunca procurei, implorei e nem paguei para que emissoras de televisão divulgassem o meu trabalho. Nunca imaginei que instituições em âmbito nacional, me procurariam para contribuir, na condição de conhecedor da história, com instrumentos de divulgação. Isso ocorreu de forma espontânea, certamente pelo ineditismo da proposta (pesquisa, teatro e documentário), e pela capacidade que adquiri ao longo do tempo. O que pode ocorrer a qualquer pessoa que o fizesse.
A bizarrice dessa notícia me surpreendeu. Até essa agora? Era só o que me faltava!
Eu não posso apagar um passado de 22 anos de estudo abnegado para deixar feliz quem está querendo agradar o poder, almejando funções para si e seus familiares, num teatro típico de Hollywood.
Se a minha história está ligada – por inúmeras razões – ao que tanto a incomoda, não posso fazer nada, mas acredito merecer, no mínimo, respeito.
Todos são unânimes em reconhecer o que fiz e continuo fazendo no âmbito do resgate e da divulgação da insigne personagem em questão. Os que fazem o contrário são movidos nada mais que pela maldade de não terem se adiantado no assunto, querer encobrir ou apagar o que foi feito.
Minha relação com esse trabalho remonta a minha chegada aos rincões potiguares. E nunca o fiz almejando projeção, politicagem e coisas do gênero.
Sobre tal detalhe, tenho a dizer que aceitei concorrer à função política por aceitar sugestão de respeitáveis pessoas, como o padre João Batista, por exemplo. O que desejo para a terra do camarão é o que o referido sacerdote e muitas pessoas – verdadeiramente de bem – desejam.
Mas, retomando o assunto, causa-me espanto tanta revolta. O que fiz foi meramente divulgar fotos inéditas de um feito que marcou a história do município, cujas pessoas que vivenciaram aquilo dizem jamais se esquerecer. Todas ficaram encantadas com as fotos.
Prova maior foi a repercussão, pois conservei tais imagens inéditas para presentear os nisiaflorestenses em data e momento convenientes – como tenho centenas de outras imagens e gravações de outras emissoras, inclusive de Brasília, ainda não divulgadas.
Deixo claro para essa pessoa equivocada, que jamais almejei louros.
Quando, por ironia do destino, precisei estar na Câmara de Vereadores, sexta-feira passada, dia 11.10.13, não foi para "dar cantada em condecorações", como muitos o fazem, inclusive me recusaria a receber quaisquer delas acaso fosse merecedor (e deixo aqui registrado essa recusa).
Diante de algumas pessoas tão merecedoras, como por exemplo, a dona Raimunda (inclusive caminhando para cem anos) e dona Salete, do Porto, que dramatizam o Pirão-Bem-Mole (o qual tive o prazer de tê-lo resgatado); professor Josivaldo do Nascimento (cujos professores que não foram à luta devem a ele, em primeiro lugar, a conquista de inúmeros direitos trabalhistas); a escritora Socorro Trindade, autora de diversos livros e publicações conjuntas em nível nacional; a escritora Ana Angélica Timbó, que teve uma ONG em Nísia Floresta e sempre lutou por cidadania na terra de sua admirada conterrânea, dentre tantos nomes, causa pasmo ver algumas pessoas sendo condecoradas por conveniências diversas.
Num momento de se evocar a filha mais ilustre do Vale Sagrado, ignoraram pessoas como Simone Barros, Marcelo Borba, Niseuda Maria do Nascimento, Ormiro Neto, Patrícia Nascimento, Vá, Márcia de Zuza e outros ex-alunos, pioneiros, os quais, através do teatro, levaram o nome de Nísia Floresta para fora do Rio Grande do Norte e no próprio estado.
Interessante é que o trabalho dessas pessoas parece causar muito incômodo – portanto deve ser esquecido – ao invés de dignificar e ser mostrado como exemplo para a nova geração. 
Todo ser humano normal deve se incomodar – e sentir indignação – com as contradições e injustiças promovidas por quem quer que seja. 
Acredito que há quem escreve para a plebe, e há quem escreve para os "reis" e para as "rainhas" das Bruzundangas. Eu prefiro escrever para a plebe. Quem escreve a serviço dos imperiais acaba fomentando indiretamente a corrupção.
Quanto a história da Maninha, digo apenas que não posso silenciar. Existem coisas que, por serem feitas com amor e luta, tornam-se um patrimônio. Elas tomam uma amplitude tão superior que fogem das nossas mãos e se tornam de todos. E isso não é merchandising. Isso chama-se condecoração real! Por excelência!

sábado, 12 de outubro de 2013

DATA TRÍADE... SIGNOS INFINITOS


Hoje, 12 de outubro, evocamos três signos distintos e especiais no rol das datas comemorativas: Nossa Senhora Aparecida – Criança - Nísia Floresta Brasileira Augusta.
Quando se delibera uma data comemorativa, fica implícita a necessidade de se destacar algo em favor de deferência. Soam, então, por excelência, questionamentos como:
1) Quem é a tríade?
2) Qual a relação dela conosco?
3) Quais os objetivos concretos quando nos reportamos a alguém, ou a algo, nesse sentido?
Seria desinteligente a quem escreve responder tais perguntas de bate-pronto.
As respostas cabem a quem lê. Cabem a todos e a todas. Cabe a você!
Existem respostas que jamais devem ser feitas em forma de respostas, e sim, de perguntas. Assim, passam a ter uma carga de significação superior.
Urge, então, a necessidade natural de se perguntar para as perguntas acima:
1)      Que razões você nos dá, dona Tríade, para que eu saiba quem é você?
2)      Como posso me relacionar com você, se você pode ou não ter relação comigo?
3)      Quais objetivos concretos eu também teria para me reportar a você?
A confusão está feita!
A primeira homenageada é NOSSA SENHORA APARECIDA, um dos nomes de Maria, para os católicos. O que ela tem a ver comigo?  
Maria, a esposa de José! A Mãe de Jesus?
Ah! É óbvio! Ela tem tudo a ver com cada cristão. Se somos cristão não podemos deixar de evocar a Mãe de Jesus, aquela que foi escolhida pela pureza e pela fé no Pai Celestial. Deixar de lado Maria é ignorar uma parte complementar da essência do cristianismo.
Se devo, por alguma razão não evocá-la, devo, no mínimo, respeitar a sua Santa História. Jamais chutar sua imagem, mesmo que uma simples peça de gesso usada para recordá-la.
E aos que respeitam Maria, nesse caso, sob o nome de Nossa Senhora Aparecida cabem perguntas também: O respeito atribuído a ela é semelhante ao respeito atribuído ao próximo?
Os que se autodenominam católicos, que amam Maria, são generosos? São éticos? Vão a Igreja pela fé? Respeitam a vida alheia? Perseguem? São ateus disfarçados em busca de conveniências político/eleitoreiras? Cultuam Maria na mais plena acepção da fé? São verdadeiramente honestos? Desviam verbas públicas e querem pousar de solenes? Pensam realmente no bem comum? Promovem a justiça e a caridade? Se doam, na medida do possível, às coisas da Igreja?
Os que se envolvem com o cotidiano das igrejas, nas condições de autoridades religiosas, leigos e fiéis – que não precisam ser perfeitos obviamente – mas que não devem ser hipócritas – ouvem a Palavra de Deus e depois vão se deliciar com cachaça e música com letras que dizem que toda mulher é p. todo homem é bêbado?
Que sentido teria participar dos mistérios de Deus, dentro de um Templo Santo, tendo estado junto ao Santíssimo, tendo recebido a Hóstia Sagrada, e meia hora depois promovido o alcoolismo (que é caminho para as drogas e a prostituição) na porta das Igrejas, como ocorre com algumas, em nome de uma incompreendida tradição?
Vi, numa cidade que fica aproximadamente há uns 30 km’s daqui, jovens trôpegos, urinando na porta da Igreja Católica e outros fazendo sexo nos becos durante festa de padroeiro (a), sem se importar com quem estivesse passando. A tendência dessas “tradições” é tomar uma dimensão em massa, trazendo muito, muito dinheiro. Dinheiro da miséria humana. Dinheiro da hipocrisia.
Como posso me proclamar católico, devoto de algum (a) santo (a) – ou evangélico – se teatralizo um personagem social – que na calada dos bastidores priziacas – dou vazão à cartilha do filho de chocadeira?
Nossa Senhora Aparecida, a qual cultuo e respeito, o que a Senhora pensa sobre isso? Responda-me!
Retomando o segundo signo: A CRIANÇA. Adoro as crianças. Vivi momentos fantásticos junto a elas, enquanto professor e gestor escolar. É uma das minhas preocupações na condição, não diria meramente de educador, mas de pessoas humana.
Um dia uma criança me cutucou e disse, na Augusto Severo: “diretor, a sua meia está furada!” Tenho caixas de cartas que recebi de crianças dessa escola e da EMYP, me declarando amor e respeito, Acho que é isso que faz com que os educadores se animem mais na missão de educar.
Uma cidade só vai para frente através da educação. Nada mais. Ela é o caminho para tudo. Um profissional que teve educação plena, com certeza será um agente transformador.
Tudo começa quando criança – no alicerce – é como uma casa bem feita a partir do baldrame. Quem fere a moral de uma criança fere a essência do amor e da pureza. Quem alicia uma criança mata grande parte da energia que elas carregam dentro de si para se tornarem homens e mulheres de bem. Todos os esforços possíveis e impossíveis devem ser empreendidos a favor das crianças.
O último signo: NÍSIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA, sou suspeito de escrever. Costumo dizer que quando a gente passa a ter domínio sobre um tema, ou forte relação sobre um lugar, isso toma uma dimensão muito forte e passa a nos guiar.
Exemplo maior foi ontem, quando a professora a ex-governadora e atual vice-prefeita do Natal, Wilma de Faria, telefonou para mim e pediu que eu a substituísse num evento na Câmara Municipal de Nísia Floresta, mediante um imprevisto que ela teve. Eram 18:30 e tive que dar conta do destino.
Sobre os questionamentos, urgem as reflexões seguintes: Se Nísia Floresta pregou durante toda a sua existência nada mais que a justiça, a ética, a honestidade, a cidadania, o que ela diria, hoje, para aqueles que nasceram ou passaram o morar na cidade que recebeu o seu nome?
O que ela teria a dizer sobre a educação, principalmente das crianças?
O que ela diria sobre as contradições entre o que se prega e se acredita, seja nas Igrejas ou onde quer seja, e o que se vive concretamente?
Pergunta-se: Nísia Floresta era a dona da verdade? Quem escreve contra injustiças sociais é dono – ou dona – da verdade? Os que apelam pela Justiça do Estado, quando lhes fogem todas as forças que lhe são possíveis, são perigosos?
As pessoas que lutam a favor de um povo – se boas, calmas e educadas – devem ser interpretadas como “bois sonsos que arrombam as cercas” simplesmente por não se silenciarem?
Seria em vão conhecermos a verdade se ela não fosse o caminho da evolução de uma sociedade. Não podemos escutar balelas ditas em tom solene, como se elas (mentirosas) fossem a verdade. Até os próprios se auto-definem como raposas. Incrível!
Encerrando, acredito que nesse 12 de outubro, essa tríade aqui tratada, simboliza o caminho a ser seguido por todos. O caminho que nos leva à verdade das crianças. O caminho que – numa linguagem figurada – esteja coberto pelo manto de Nossa Senhora Aparecida Que ela cubra as nações do Mundo com justiça e progresso.
Precisamos caminhar pela obra de Nísia Floresta para entendermos que ela, que talvez seja entendida como a dona da verdade, foi somente dona de uma formação educacional sólida. Nada mais!
Quem conquista a educação plena conquista a maior das riquezas.
É por isso que a parcela má e corrupta da sociedade – que não é maioria – não quer que nossos filhos sejam ricos. É proibido para eles ser rico de educação. Quem tem essa riqueza corre risco de vida.
Vala-me Nossa Senhora Aparecida!





segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Timbó - Nísia Floresta - Rio Grande do Norte- onde nasceu a Campanha da Fraternidade (CF)


  O Rio Grande do Norte é pioneiro em diversos acontecimentos marcantes: a primeira feminista da América Latina, a primeira prefeita do Brasil, a primeira eleitora do Brasil, umas das primeiras deputadas estaduais do Brasil, uma das primeiras aviadoras do Brasil, o primeiro impeachment do Brasil e outros acontecimentos.

E Nísia Floresta - tão próxima de Natal, mas tão esquecida e ainda engatinhando - ironicamente é pioneira em fatos marcantes da história nacional e internacional. 
Um exemplo é a Campanha da Fraternidade, que nasceu em Nísia Floresta. A ideia foi germinada na "Casa das Freiras" (centro de Nísia Floresta) e concretizada no distrito do Timbó, na década de 60, sob os cuidados de Dom Eugênio Sales e sua equipe, fruto do famoso "Movimento de Natal".

Motivos não faltam para que todos os holofotes se voltem para esse aprazível lugarejo na ocasião das comemorações dos seus 50 anos. Quando as autoridades em nível local, estadual e nacional farão um criativo projeto de Turismo Religioso nessa localidade?

Desde que tomei conhecimento disso, em 1992, defendo a ideia de que o distrito do Timbó merece um grande monumento arquitetônico, ao estilo das obras singulares  de Gaudi. A estrada de acesso ao Timbó deveria ser pontuada de marcos que aludissem à religiosidade, mesclando o projeto com atrativos culturais. 

O Turismo Religioso projetaria o município de Nísia Floresta em nível nacional. Já imaginou um portal colossal num ponto estratégico de Timbó, onde pouse a frase "Sejam bem vindos ao Timbó. Aqui Nasceu a Campanha da Fraternidade no Brasil". O objetivo é marcar essa importante data e tornar uma referência no turismo local, atraindo recursos para o município. 

Sabemos que um povo não pode esperar apenas pela Prefeitura. Faz-se necessário criar meios de geração de renda, e esse monumento, atrelado a outras propostas, é um grande caminho para a sua economia. Quem sabe um dia alguém abra a mente para isso. Por enquanto, fica aqui a ideia.