ANTES DE LER É BOM SABER...
quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
Quando o anjo vira demônio - a professora que traumatizou uma vida
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| Sala do Colégio Dante Aleghieri, em 1934, há 88 anos... |
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
CURIOSIDADE SOBRE A NOSSA BRASILEIRA AUGUSTA...
Dia desses, revisitando minhas velharias, dei-me com um detalhe que ainda não havia percebido. Notei quando ampliei a imagem. Constatei num velho livro de Auguste Comte uma dedicatória que o referido filósofo francês fez à nossa conterrânea. Curioso perceber que, em data posterior, ela o dedica, em francês, ao irmão, Joaquim Pinto Brasil. Anos depois, um tal Rufino A. de Almeida, dedica a mesma obra a um amigo: Miguel Gomes Teixeira Mendes. É assim... os livros vão transcendendo o tempo, encantando e reencantando quem tem o poder de entendê-lo e olhá-lo por outros ângulos. Foi o meu caso...
A imagem dos nordestinos nas novelas da Rede Globo - Estigmas eternos...
A IMAGEM DO NORDESTINO NAS NOVELAS GLOBAIS…
Nessa quarentena tenho usado o tempo para ler, escrever, lapidar textos e pesquisar. Antes da janta, ligamos a televisão para saber das notícias locais. É a hora que quase sempre vejo trechos aleatórios da novela “Flor do Caribe”. A história se passa numa praia do Rio Grande do Norte e quase sempre Natal e Parnamirim são citadas. Confesso que me incomoda ver essa tradição que a Globo tem de estigmatizar o nordestino em detrimento dos personagens outras regiões do Brasil. Vale a pena divulgar o Rio Grande do Norte se estigmatizam o seu povo?
Quem acompanha entenderá bem. Refiro-me a maneira abestalhada como alguns atores interpretam os personagens nordestinos. Usei o termo “abestalhado” por ser um vocábulo nordestino, e não encontrar sinônimo que traduza melhor o meu pensamento. Dói no ouvido o sotaque esdrúxulo que nunca vi aqui, seja no interior ou na capital, seja no homem rural, seja no homem urbano. Seja no homem simples, seja no homem sofisticado.
Gente abestalhada existe em todos os lugares do Brasil. Não é uma exclusividade do Nordeste. Mas a Rede Globo normalmente pinta com essas tintas estigmatizantes apenas os seus personagens nordestinos. Você não vê com a mesma frequência um abestalhado do sul, sudeste, centro oeste etc. Mas vê com frequência uma safra próspera de abestalhados do nordeste. A coisa mais rara do mundo é um abestalhado de outra região.
A imagem do povo nordestino precisa ser pitoresca, engraçada, abestalhada, pobre, analfabeta ou semi-alfabetizada para estar numa novela global. A “Flor do Caribe” traz uma mensagem “velada” que diz ser necessário vir alguém de outro lugar do Brasil para fazer com que os nordestinos enxerguem os seus valores, seu talento, sua cultura, reconheçam suas tradições, descubram uma forma de ganhar dinheiro na sua própria terra natal etc etc etc. Parece que só quem raciocina são os personagens do eixo Rio/São Paulo. A Globo vende a ideia de que somente gente do eixo Rio/São Paulo têm o poder de comandar, delegar, ter visão etc.
Normalmente o nordestino é tosco, bruto, ignorante, enfim sempre tem um ranço daqueles senhores de engenho, coronéis e capitães do mato do passado. Há uma exaltação ao personagem perverso, tipo o pai de Tieta, ou o Major Antônio Morais do Auto da Compadecida. A aura de Lampião, ou seja, do cangaço, também é visível com facilidade nas novelas e filmes.
Outra faceta é o nordestino bonzinho, resignado, resiliente, sofrido, que vive dando o outro lado da face para ser esbofeteado. Aquela pessoa que de tão coitadinha, todos têm pena. Quase sempre muito pobre e mal vestida. Quase sempre envolta num cenário de velas, igrejas, procissões e santos. Outro material abundante para novelas e filmes globais retratando o Nordeste, são hipocrisias ao estilo retratado por Dante Alighieri. Que o diga a personagem “Perpétua” de Tieta. A antiga novela “O bem amado” é maciçamente estigmatizante... São muitas. Lembrei vagamente desses exemplos que me deram na telha neste exato momento.
Nunca se vê uma novela ou filme retratando o Nordeste com personagens milionários, pegando helicóptero na porta de casa, morando em mansões, condomínios nobres, donos de empresas, donos de shoppings, donos de rede de lojas e nível nacional, homens de negócios fora do Brasil, ou um cientista conceituado, enfim não se vê gente sabida e bem sucedida (homem ou mulher), delegando tarefas a seus colaboradores, viajando de jatinhos, comprando diamantes enfim, ao nordeste sobrou uma mistura de engraçado, pitoresco, abestalhado, paupérrimo e sempre necessitado de um empurrão de gente de fora. De preferência do RJ/SP.
Conta-se nos dedos um personagem nordestino muito bem sucedido. Confesso que não me lembro nesse momento de alguém com esse perfil. Talvez algo um pouco parecido se deu com Suzana Vieira, na novela Senhora do Destino. Parece que um personagem rico e milionário não cabe num nordestino. Quando aparece, vem de uma história muito sofrida. Tem que haver muito sofrimento para ambientar melhor o enredo. Outro tipo de nordestino não funciona pra Globo.
Então, retornando a “Flor do Caribe”, confesso que não sei os nomes dos personagens, pois assisto alguns trechos eventualmente. Vejo um rapaz perdido no tempo, cheio de valores, mas que não percebe a si próprio, sotaque esdrúxulo (não sei onde ele se inspirou), comportamento abestalhado. Precisou aparecer uma moça do Rio de Janeiro para, com muito esforço, fazer com que ele acordasse e reconhecesse os seus próprios valores etc. Você que acompanha a novela saberá identificar tudo o que escrevi aqui. Nessa novela há muitas nuanças dessa imagem estigmatizada do nordestino. Não é só esse caso.
Outro detalhe: quando o ator ou a atriz já são nordestinos de nascimento, raramente interpretam personagens muito bem centrados, muito bem sucedidos. Ou seja, como já são nordestinos por excelência, resta-lhes apenas treinar o grau de abestalhamento. Sempre são os personagens que nos fazem rir, o palhaço ou a palhaça da novela, sempre pitoresco, enfim com típicos estigmas.
As pessoas precisam saber que o nordestino não é só pitoresco. Nem é predominantemente isso. Gente simples, humilde, com sotaque diferente, com um dicionário de palavras típicas de sua terra etc existe em todas as regiões do Brasil. Gente engraçada, esquisita, abestalhada, tosca, bruta existe nacionalmente.
Quem viajar, por exemplo, pelo oeste paulista se deparará com cada personagem que não difere em nada do famoso Jeca Tatu, ou do Mazzaropi, ou do Barnabé. Estou sendo preconceituoso? Não. estou dizendo que esses perfis estigmatizados existem em todo o Brasil, mas a Globo elegeu o Nordeste como uma espécie de almoxarifado para os seus personagens abestalhados.
Quem viajar pelo interior do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul etc encontrará tipos brasileiros impressionantes. Material fascinante para novelas, filmes, libros etc. Não são abestalhados. São frutos de uma riqueza de culturas que não existe em outra parte do mundo. Mas mesmo assim elegeram o nordestino como material exclusivo para personagens com idiotia.
Não entendam que estou enaltecendo o capitalismo - ou insinuando que uma pessoa pobre não pode ter requintada educação de berço -, mas aqui no próprio Rio Grande do Norte mesmo existe um dos homens mais ricos do Brasil, existem donos de redes de loja em nível nacional, donos de cadeias de supermercados que atendem o estado inteiro, altos executivos, modelos internacionais, escritores notáveis, fabricantes de queijos finos que são enviados para o mundo inteiro, músicos que fazem escola na Europa, cientistas que dão aula em Harvard, escolas cujos alunos dialogam em três idiomas, profissionais de diversas áreas altamente eficientes,etc. Em Natal existem edifícios e condomínios que não perdem em qualidade arquitetônica para nenhum outro lugar do Brasil. Aqui mesmo ao lado de casa, existe um dos edifícios mais altos e sofisticados do Nordeste. O Nordeste tem, sim, seus personagens pitorescos, suas coisas regionais, mas tanto quanto qualquer estado. O nó da questão é que os autores de novelas não enxergam o nordestino com o perfil de gente empoderada, bem resolvida, protagonista da própria vida, visionária enfim.
Eu queria ver uma novela global que deixasse um pouco essa mania estranha de retratar personagens do eixo Rio/São Paulo (principalmente) como típicos vencedores, pessoas bem resolvidas, que falam o que querem, delegam e até esnobam. Isso é um desserviço. É preconceito. É ignorância. É estúpido. Os novelistas só funcionam para enaltecer o RJ e SP, tendo o nordestino como os seus bobos da corte, que estão sempre prontos para calçar os seus sapatos ou estender tapetes vermelhos...
As máscaras e a surdez
MÁSCARAS ENSURDECEDORAS
Ontem, conversando com uma moça com deficiência auditiva, ela me contou que, com o uso obrigatório de máscaras, está ficando quase louca, pois ficou incomunicável. Ela tem um problema auditivo considerado raro. Sua audição é quase zero e o aparelho auditivo não lhe devolve a mínima audição. O nível dela é H.90.5, ou seja muito baixo na escala dessa deficiência.
Perguntei qual a melhor forma de ela entender o que as pessoas falam e ela explicou que é só através dos lábios, ou seja, vendo as pessoas falando. Esclareceu que quando vê alguém conversando ela faz a leitura labial com tranquilidade, mas sem a máscara não há comunicação. As pessoas falam e ela fica olhando, constrangida. É necessário que ela faça sinal, pedindo que o seu interlocutor tire a máscara e aí surge outro problema, devido a Pandemia.
Outra forma de comunicação é pela escrita, mas ninguém anda com um papel e caneta na mão para se comunicar com pessoas com deficiência auditiva, portanto ela se vê obrigada a carregar em sua bolsa blocos e canetas. Disse que é muito constrangedor, pois percebe que alguns se incomodam quando ela entrega o papel e tenta explicar o seu problema.
Outro desafio é o Whatsapp. Quem não a conhece, manda áudio. Mesmo que ela aumente o volume no último, não ouve nada. Então ela manda para um amigo, que ouve e se auto-filma falando na linguagem de sinais. Então ela entende tudo. Só a partir daí ela responde a pessoa que mandou a mensagem. Mas responde através da escrita. É difícil porque tem que incomodar alguém, às vezes a pessoa demora a ver a mensagem para retornar a tradução. Situação complicada. Todos deveriam se colocar no lugar dessas pessoas para ajudá-las de alguma forma.
Ela também explicou que ouve a voz humana, mas muito baixa, longe e incompreensível. É mais uma leve vibração que um som. Já usou aparelho, mas ele apenas amplia esse som esquisito, sem oferecer nada em termos de compreensão da linguagem falada. Esclareceu que a leitura labial foi um processo construído naturalmente e que é tão eficaz que justifica os políticos tampando a boca quando falam no ouvido de seus pares e não querem que alguém saiba. Assim como os jogadores de futebol.
Como ela é muito brincalhona, explicou que já aconteceram vários casos de ser atendida em local público, por várias pessoas, e alguns, pensando que ela ouve som alto, dizem para o outro: “fale muito alto porque ela é mouca”. Não adianta tentar explicar que não é necessário gritos, pois a própria linguagem labial lhe satisfaz. Mas as pessoas agem assim.
Contou que é professora e está imaginando quando retornar as aulas e encontrar toda a comunidade escolar com máscaras. Será impossível se comunicar com os alunos, ou melhor, entender o que eles falarão.
Sobre sua vida docente, explicou que quando era mais jovem ouvia um pouco melhor a voz humana, e embora não compreendesse a palavra falada, pelo menos o som que escutava - somado aos movimentos labiais e até mesmo a expressividade facial -, permitiam que ela entendesse com clareza o interlocutor. Mas o barulho contínuo do ambiente escolar, principalmente durante o recreio, lentamente foi zerando essa sua capacidade de ouvir - mesmo com dificuldade -, os sons.
Segundo a professora, quando os paredões de som dos políticos passam defronte à sua casa, ou carros de som de propagandas comerciais, ocorre uma vibração no seu cérebro que quase a faz perder os sentidos. É torturante para ela.
Diante de tudo isso imagino o quanto estamos atrasados, pois a Constituição Brasileira reza que a língua brasileira de sinais (Libras) foi reconhecida como a segunda língua oficial do Brasil em 2002. Cada país apresenta sua própria língua de sinais, assim como apresenta suas línguas faladas. Toda criança deve aprender essa segunda língua, pois são muitos professores na condição dessa professora que me contou o seu dilema. Mas a maior parte das secretarias de educação sequer sabem disso, ou não se preocupam. E o resultado é esse que acabei de escrever.
Já existe para vender protetores faciais de acrílico e também máscaras com um recorte em plástico transparente. Já que ninguém investe no ensino da segunda língua oficial do Brasil, que pelo menos fornecessem essas duas peças às salas de aula cujos professores fossem deficientes auditivos. Assim os professores com essa condição fariam a leitura labial tranquilamente, sem riscos à saude de ninguém. Como já disse, precisamos nos colocar no lugar do outro. A professora desse fato é uma pessoa altamente competente, mas se vê impotente diante da falta de visão, e até mesmo de respeito, da parte de autoridades que podem reverter esse quadro e não fo fazem.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2021
Pirangi do Sul, Nísia Floresta, 1972...
Isabel Gondim, uma história quase esquecida...
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