CHAPA 1
Conheci Josivaldo literalmente como nessa "fotografia" imaginária. E, por tudo o que ele é, por sua história honesta, justa, resiliente e exemplar, torço por ele. TORÇO PELA CHAPA 1. A história do professor Josivaldo Nascimento é daquelas que ajudam a compreender como a educação pode transformar vidas e como a persistência individual, quando associada ao compromisso coletivo, pode produzir importantes contribuições para uma comunidade inteira. Hoje pré-candidato à Diretoria de Igualdade Racial do SINTERN, pela Chapa 1, Josivaldo apresenta uma trajetória construída a partir do trabalho precoce, da dedicação aos estudos, da atuação docente e de décadas de participação nas lutas sindicais em defesa da educação pública.
Nascido em 21 de setembro de 1978, na comunidade do Porto, no município de Nísia Floresta, Josivaldo é filho de Maria da Paz Nascimento, dona de casa e costureira, e de José Amador do Nascimento Neto, agricultor, pescador e feirante. Cresceu em uma família simples, formada por cinco filhos, em um ambiente marcado pelo trabalho e pelos valores da solidariedade familiar.
Desde cedo aprendeu que o esforço era parte da vida cotidiana. Ainda criança, aos nove anos de idade, passou a vender picolés pelas ruas da cidade, debaixo de sol ou chuva, para ajudar no orçamento doméstico. Aquela caixa de isopor carregada sob o sol do litoral sul potiguar tornou-se símbolo de uma fase importante de sua formação. Ao mesmo tempo em que trabalhava, mantinha firme o compromisso com os estudos. Na adolescência, passou a estudar à noite na Escola Municipal Yayá Paiva para conciliar educação e trabalho, demonstrando uma disciplina que o acompanharia por toda a vida. Nunca foi reprovado e sempre buscou fazer da escola um instrumento de crescimento pessoal.
Sua entrada no magistério ocorreu ainda muito jovem. Após prestar concurso público em 1996, foi convocado em 1997 para assumir uma vaga como professor da rede municipal, mesmo antes de concluir oficialmente o curso de Magistério, que finalizou em 1998. No dia 9 de março de 1997, deixava para trás a atividade de vendedor de picolés e iniciava sua carreira docente justamente na Escola Municipal Yayá Paiva, instituição que havia marcado sua própria trajetória como estudante.
Paralelamente ao exercício da profissão, continuou investindo em sua formação acadêmica. Em 1999 ingressou no curso de Matemática da Universidade Potiguar, concluindo a graduação em 2003. A partir de então, passou a atuar no Ensino Fundamental II, ampliando sua experiência na educação pública.
Entretanto, a história de Josivaldo não se limita à sala de aula. Sua consciência sindical começou a ser construída ainda como estudante. Em 1992, quando tinha apenas quatorze anos, testemunhou a primeira grande greve dos professores do município de Nísia Floresta. Naquele período, muitos profissionais recebiam salários inferiores ao mínimo legal e reivindicavam concurso público e plano de carreira. O movimento contou com o apoio dos Irmãos Maristas e marcou profundamente o jovem estudante, que passou a compreender a importância da organização coletiva e da luta por direitos.
A partir daquele momento, nasceu um interesse crescente pelo estudo das leis, da legislação educacional e dos mecanismos de defesa da categoria. Anos mais tarde, essa experiência transformaria sua vida.
Em 2006, diante da necessidade de reorganizar a representação sindical local, Josivaldo foi escolhido pela categoria para coordenar uma diretoria provisória responsável pela reconstrução do núcleo sindical de Nísia Floresta. Na época, a entidade encontrava-se praticamente desativada, sem sede própria, sem direção estruturada e com apenas quarenta associados.
O desafio era enorme. Entre abril e outubro daquele ano, percorreu todas as escolas do município realizando um trabalho de conscientização junto aos profissionais da educação. Muitas vezes utilizou recursos próprios para custear deslocamentos e visitas às unidades escolares. O resultado foi significativo: o número de filiados mais que dobrou, fortalecendo a representação da categoria.
Em dezembro de 2006, foi inaugurada a primeira sede sindical reorganizada, localizada na Travessa Padre José Hermínio. Embora modesta, aquela estrutura representava uma conquista histórica para os trabalhadores da educação do município. A partir dali, o sindicato ganhou visibilidade, ampliou sua atuação e consolidou sua presença junto aos professores das redes municipal e estadual.
Durante muitos anos, Josivaldo conciliou as atividades sindicais com a rotina de professor. Lecionava durante o dia e dedicava noites, finais de semana e horários de intervalo ao trabalho sindical. Entre reuniões, assembleias, elaboração de documentos e negociações com gestores públicos, construiu uma atuação marcada pela defesa dos direitos da categoria.
Um dos episódios mais importantes dessa trajetória ocorreu em 2015, durante a segunda greve dos professores do município. O movimento reivindicava o reajuste do Piso Nacional do Magistério e a realização de concurso público. Após intensas mobilizações e disputas judiciais, foi firmado um compromisso institucional que contribuiu para viabilizar o concurso realizado em 2016, ampliando o quadro efetivo da educação municipal.
Ao longo dos anos, sua atuação também ultrapassou as fronteiras do município. Participou de atividades promovidas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), integrou debates relacionados ao combate ao racismo, esteve presente em encontros nacionais sobre educação e acompanhou discussões sobre políticas públicas voltadas para a valorização dos profissionais do ensino.
Essa experiência ajuda a compreender sua atual pré-candidatura à Diretoria de Igualdade Racial do SINTERN. Para Josivaldo, a luta sindical não se restringe às questões salariais ou funcionais. Ela também envolve o combate às desigualdades, o enfrentamento ao preconceito e a defesa da dignidade humana. Em suas palavras, promover igualdade racial significa defender humanidade, justiça social e consciência histórica.
Sua trajetória pessoal parece dialogar diretamente com essa compreensão. Filho de trabalhadores, oriundo de uma comunidade popular, vendedor de picolés na infância, professor concursado, dirigente sindical e defensor da educação pública, Josivaldo construiu uma história marcada pela superação de obstáculos e pelo compromisso com causas coletivas.
Ao apresentar seu nome para compor a Diretoria de Igualdade Racial do SINTERN, leva consigo não apenas décadas de atuação sindical, mas também a experiência de quem conhece, por vivência própria, os desafios enfrentados pelos trabalhadores da educação e pelas populações historicamente submetidas à exclusão social.
Mais do que uma candidatura, sua trajetória representa um percurso de dedicação à educação, à organização dos trabalhadores e à construção de uma sociedade mais justa. Da caixa de picolés carregada pelas ruas de Nísia Floresta aos espaços de representação sindical em âmbito estadual, a história de Josivaldo Nascimento demonstra como a educação, o trabalho e o compromisso coletivo podem caminhar lado a lado na formação de uma liderança construída ao longo do tempo e da experiência. Por essa história, por ser testemunha, me honra apresentar esse nome a quem porventura não o conheça...

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