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| Imagem gerada por IA a partir de uma fotografia original de Nísia Floresta |
UM OUTUBRO PARA REENCONTRAR NÍSIA FLORESTA
Dei uma parada em virtude da política, mas hoje consegui concluir e revisar esse texto. Como tradicionalmente faço, muito antes de outubro começo a reunir ideias para compor os textos que, durante o mês, dedico a Nísia Floresta neste blog. Outubro tornou-se, assim, um período de presença mais intensa de Nísia por aqui. É também a maneira que encontrei de cumprir um propósito que me acompanha: continuar divulgando Nísia Floresta, levando sua história, sua obra e seu pensamento para além dos lugares onde já são conhecidos. Normalmente, Nísia é aquela personagem da nossa história que, mesmo depois de tantos anos, continua nos chamando para uma conversa ou inspirando-nos a ambientá-la nos espaços da própria história. A biografia nisiana está aí para todos conhecerem, seja neste blog, seja em outros portais digitais e em uma diversidade de livros, digitais e físicos, espalhados Brasil afora. Mas, para este mês de outubro, trago uma proposta diferente: compreender melhor o tempo de Nísia Floresta, conhecer o panorama de sua época e perceber o que foi contemporâneo a ela nos mais diversos aspectos, enfim, os textos terão predominantemente essa linha. Hoje é o dia do nascimento dela, mas sigo escrevendo até o final do mês. Há muito a descobrir nesse percurso. Este é, afinal, um convite. Um convite para acompanhar a série, para ler, para questionar, para lembrar... Outubro será o nosso mês de reencontro com Nísia Floresta. Seja bem-vindo a essa caminhada. (Luís Carlos Freire, pentaneto de Francisca Clara Freire do Revoredo, irmã da mãe de Nísia Floresta).
NÍSIA
FLORESTA: O LEGADO INDÍGENA DOS MOPOBUS DE PAPARY NA SUA FORMAÇÃO
INTELECTUAL...
Quanto mais estudo a vida e a obra de Nísia
Floresta Brasileira Augusta, mais me convenço de que uma das dimensões menos
exploradas de sua formação intelectual encontra-se justamente no amplo universo
indígena que a cercou desde o nascimento. Muito se tem escrito sobre a
educadora, a feminista, a escritora, a viajante e a pensadora social.
Entretanto, raramente se procura compreender que a menina Dionísia Gonçalves
Pinto nasceu em uma região onde a presença dos povos originários não era uma
abstração histórica, mas uma realidade viva, perceptível na paisagem, nos
hábitos alimentares, na linguagem cotidiana, nos costumes populares, nos
topônimos e até mesmo na fisionomia de grande parte da população. Compreender a
antiga Papary – atual município de Nísia Floresta – é compreender também um
território profundamente marcado pela presença indígena, uma presença tão
antiga e tão entranhada na cultura local que muitas vezes se tornou invisível
aos olhos daqueles que dela descendem.
Os estudos históricos sobre o litoral sul do Rio
Grande do Norte são unânimes ao apontar que a região foi habitada por povos
pertencentes ao grande tronco tupi, especialmente grupos identificados pelos
cronistas coloniais como Potiguaras e seus diversos subgrupos. Antes da chegada
dos europeus, extensas áreas compreendidas entre os atuais municípios de Nísia
Floresta, São José de Mipibu, Arês, Goianinha e Canguaretama eram ocupadas por
aldeias indígenas que mantinham intensa relação com as lagoas, rios, manguezais
e tabuleiros costeiros. A própria historiografia registra que, muito antes da
implantação dos engenhos e das fazendas coloniais, o território era cortado por
roçados de milho, mandioca, macaxeira, feijão, batata-doce e outras culturas
agrícolas cultivadas pelos povos originários. Como observou Tavares de Lyra
(1921), os indígenas do litoral potiguar possuíam profundo conhecimento das
terras e das águas, desenvolvendo sistemas de ocupação que permitiam a
exploração equilibrada dos recursos naturais.
A marca dessa presença permanece gravada até hoje
na própria geografia do município. O nome Papary, segundo Câmara Cascudo em sua
obra clássica Nomes da Terra (1968), possui origem indígena e remete à
abundância de um peixe conhecido pelos antigos habitantes da região. O fato é
particularmente significativo porque demonstra que a identidade do lugar foi
herdada diretamente dos povos originários. Não se trata apenas de um topônimo
isolado. Na verdade, toda a geografia de Nísia Floresta parece constituir um
verdadeiro dicionário indígena a céu aberto. Nomes como Pirangi, antiga
Pirangipepe; Tabatinga; Timbó; Golandi; Tororomba; Jenipapeiro; Oitizeiro;
Camurupim; Cururu; Pium; Arituba; Carcará; Puxi; Paraguaçu; Trairi; Araraí;
Mipibu, Boacica e Baldum sobrevivem há séculos como testemunhos linguísticos da
ocupação indígena. Muitos habitantes pronunciam diariamente essas palavras sem
sequer imaginar que elas atravessaram gerações desde os tempos em que os
primeiros habitantes da região dominavam aquelas paisagens.
Na realidade, quem nasceu e cresceu em Papary
durante os séculos XVIII e XIX conviveu com uma herança indígena muito mais
intensa do que geralmente se supõe. Os antigos aldeamentos estabelecidos pelos
missionários Jeuítas não eliminaram completamente as populações originárias. Ao
contrário, promoveram processos de miscigenação e intercâmbio cultural cujos
efeitos ainda hoje podem ser percebidos. Os indígenas e seus descendentes
estavam presentes nas feiras, nas roças, nos engenhos, nos caminhos que ligavam
as povoações e nos serviços cotidianos da vida rural. Rocha Pombo (1922), ao
analisar a formação histórica do Rio Grande do Norte, observa que a
contribuição indígena não se limitou aos primeiros momentos da colonização, mas
continuou influenciando profundamente a constituição étnica e cultural da
população potiguar. Ferreira Nobre (1877), por sua vez, registrava a forte
presença dos elementos indígenas na formação social da província, destacando a
miscigenação que caracterizava amplas parcelas da população.
Foi nesse ambiente que nasceu e cresceu a menina
Dionísia. A futura Nísia Floresta viveu em um mundo onde a cultura indígena
fazia parte do cotidiano. Consumiam-se alimentos de origem indígena,
utilizavam-se palavras indígenas para designar frutas, plantas, animais e
acidentes geográficos. A mandioca, a tapioca, o beiju, a mangaba, o caju, o
cajá, o jatobá, a goiaba, a cajarana e o ingá faziam parte da alimentação
habitual. Mais do que isso: faziam parte de um universo simbólico herdado dos
primeiros habitantes da terra. Muitas vezes, os chamados "brancos"
sequer compreendiam a origem ou o significado dessas palavras, mas continuavam
empregando-as porque assim haviam aprendido com as gerações anteriores. A
cultura indígena permanecia viva mesmo quando seus portadores originais já
haviam sido empurrados para as margens da sociedade colonial.
Em alguns estudos que publiquei no blog NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE,
procurei demonstrar que essa convivência certamente influenciou a formação
intelectual da escritora. Não é difícil imaginar a pequena Dionísia observando
o pai, Dionísio Gonçalves Pinto Lisboa, trabalhando em pedra-sabão e esculpindo
a famosa figura feminina indígena instalada na sacristia da Igreja Matriz de
Nossa Senhora do Ó. Aquela escultura, muitas vezes contemplada pela menina,
possivelmente representava mais do que uma simples peça decorativa. Ela
simbolizava a incorporação da presença indígena à própria identidade cultural
de Papary. É razoável supor que imagens como essa tenham contribuído para
moldar sua sensibilidade e sua percepção acerca da história brasileira. Preciso
lembrar ao leitor que a informação deste parágrafo nos é passada por Isabel
Gondim, numa carta em que ela denigre Nísia Floresta.
Tal influência torna-se particularmente evidente
quando analisamos A Lágrima de um Caeté, publicada em 1849. A obra constitui um
dos documentos mais originais da literatura brasileira oitocentista.
Diferentemente da tradição romântica dominante, Nísia Floresta não apresenta o
indígena como herói idealizado, destinado a representar uma nacionalidade
nascente. Sua visão é muito mais complexa e dolorosa. Em determinado momento do
poema, a autora pergunta: "Indígenas do Brasil! Que sois vós hoje?
Selvagens? Não. Os vossos bens já não gozais. Civilizados? Também não".
Trata-se de uma reflexão extraordinariamente avançada para sua época. Nísia
identifica um fenômeno que somente muito mais tarde seria amplamente debatido
pelos antropólogos: a situação dos povos indígenas submetidos a processos de
perda territorial, destruição cultural e ruptura identitária.
A comparação com José de Alencar torna-se
inevitável. Em obras como “O Guarani”, “Iracema” e “Ubirajara”, Alencar
constrói personagens indígenas heroicos, nobres, idealizados e fortemente
influenciados pelos modelos literários europeus. Seu objetivo era criar mitos
fundadores para a nacionalidade brasileira. Nísia Floresta segue caminho
completamente diferente. O indígena de “A Lágrima de um Caeté” não é um herói
triunfante. É um sobrevivente. Um homem que contempla a destruição de seu
mundo. Um personagem consciente da perda de suas terras e da fragmentação de
sua cultura. Talvez essa diferença decorra justamente da experiência concreta
de quem nasceu e cresceu em uma região onde os descendentes indígenas
continuavam presentes no cotidiano. Enquanto Alencar imaginava seus indígenas a
partir da literatura e dos documentos históricos, Nísia provavelmente observava
seus descendentes caminhando pelas estradas de Papary – a exemplo da “Estrada
dos índios”, conforme escrevi neste blog em postagens antigas, frequentando as
feiras, plantando roças no Vale do Capió e trabalhando nos campos. Por essa
razão, sempre defendi que Nísia Floresta deve ser colocada no panteão dos
grandes indianistas brasileiros, a exemplo do prório José de Alencar, Gonçalves
Dias, Basílio da Gama, Gonçalves de Magalhães, Frei José de Santa Rita Durão e
até mesmo a própria Maria Firmina dos reis que, embora mais conhecida por sua
escrita abolicionista, também escreveu a obras indianista “Gupeva”. Entretanto,
sua inclusão nesse seleto grupo precisa ser compreendida sob uma perspectiva
singular e diferenciada. Nísia não produziu o indianismo romântico convencional
consagrado pela literatura oitocentista. Não criou guerreiros invencíveis, nem
princesas indígenas idealizadas, nem heróis destinados a simbolizar uma
nacionalidade em construção. Sua contribuição foi muito mais profunda e, sob
certos aspectos, incomparavelmente mais moderna. Ela enxergou o indígena real,
submetido ao drama histórico da expropriação territorial, da desagregação
cultural e da perda de identidade. Enquanto grande parte dos indianistas
brasileiros procurava exaltar um indígena pertencente ao passado, Nísia dirigia
seu olhar para os indígenas de seu próprio tempo, para os sobreviventes de uma tragédia
histórica ainda em curso. Nesse sentido, sua visão aproxima-se muito mais das
preocupações que posteriormente seriam desenvolvidas pela antropologia e pela
etnologia brasileiras do que propriamente do indianismo literário tradicional.
Se José de Alencar ajudou a construir o mito do indígena nacional, Nísia
Floresta ajudou a revelar o drama humano do indígena histórico. Por isso,
considero que sua obra merece ser estudada não apenas no contexto do feminismo,
da educação ou da literatura romântica, mas também como uma das mais precoces e
lúcidas manifestações de sensibilidade indigenista produzidas no Brasil do
século XIX.
A história posterior dos povos indígenas
brasileiros ajuda a compreender ainda mais a atualidade da visão de Nísia. Em
1910 foi criado o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), sob a liderança do
Marechal Cândido Rondon. Embora tenha representado um avanço para a época, o
órgão foi frequentemente criticado por trabalhar com o método absurdo – mas
comum à época – que visava fazer com que os indígenas abandonassem gradualmente
suas características próprias e passassem a adotar os valores, costumes, língua
e modo de vida do grupo dominante, ou seja, dos chamados “homens brancos”.
Esse órgão também foi muito criticado por por
inúmeras denúncias de abusos. Em 1967, o SPI foi substituído pela Fundação
Nacional dos Povos Indígenas - Funai, instituição que permanece responsável
pela promoção e proteção dos direitos indígenas. Nas últimas décadas,
especialmente após a Constituição Federal de 1988, o reconhecimento das
identidades indígenas ganhou novo impulso. A própria Constituição, em seus
artigos 231 e 232, reconheceu os direitos originários dos povos indígenas sobre
as terras tradicionalmente ocupadas. Mais recentemente, diversas normativas federais
e portarias da Funai passaram a regulamentar procedimentos de identificação,
reconhecimento e proteção territorial, fortalecendo políticas voltadas para a
preservação das identidades indígenas e de seus patrimônios culturais.
Essas transformações ajudaram a despertar em
muitos brasileiros o interesse por suas ancestralidades. Em regiões como o
litoral sul potiguar, onde a miscigenação foi intensa, numerosas pessoas
passaram a investigar suas origens familiares e a reconhecer vínculos antes
ignorados ou mesmo ocultados. Um exemplo emblemático encontra-se na comunidade
indígena do Catu, localizada entre os municípios de Goianinha e Canguaretama.
Apesar das perdas linguísticas e culturais acumuladas ao longo dos séculos, a
comunidade preserva elementos importantes de sua identidade histórica e
constitui hoje uma das principais referências indígenas do Rio Grande do Norte.
Recordo-me, nesse contexto, de um episódio
ocorrido em 1993, quando lecionava em uma escola de Nísia Floresta. Durante uma
aula sobre a formação histórica e cultural do município, abordava justamente a
forte presença indígena na constituição da população local. Em determinado
momento, ao passar próximo a uma aluna residente em Tororomba, observei nela
traços físicos que me pareciam associados aos antigos habitantes da região e,
com naturalidade, comentei que suas características indígenas eram bastante evidentes.
Sua reação, entretanto, foi imediata e inesperada: sentindo-se ofendida,
protestou energicamente, afirmando que não tinha nada de indígena e que minha
observação representava um desrespeito. O episódio tornou-se constrangedor,
levando-me a explicar cuidadosamente minhas intenções e a pedir desculpas pelo
desconforto causado. Com o passar do tempo, compreendi melhor o contexto
cultural que poderia explicar aquela reação. Naquele período, a palavra “índio”
ainda carregava forte conotação pejorativa em muitas regiões do Brasil, reflexo
de uma discriminação histórica que contribuía para que muitas pessoas
rejeitassem ou negassem qualquer vínculo com os povos originários. Eu próprio
havia testemunhado fenômeno semelhante durante minha infância e adolescência no
Mato Grosso do Sul, onde cresci observando a convivência entre a população
regional e os Guarani-Kaiowá. Presenciei, com frequência, os preconceitos
dirigidos a esses povos, inclusive o emprego depreciativo da expressão “bugre”
por diferentes setores da sociedade.
Talvez essas experiências tenham contribuído para
que eu desenvolvesse, desde cedo, profundo respeito pelos povos indígenas e
reconhecesse sua importância na formação histórica e cultural do Brasil.
Décadas depois, os dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) oferecem elementos para refletir sobre essa
presença em Nísia Floresta: o município registrou 60 pessoas que se declararam
indígenas, correspondendo a 0,19% da população residente. Embora esse número
seja relativamente pequeno em comparação com o de outros municípios potiguares,
ele evidencia a presença indígena no território. Em âmbito estadual, foram
contabilizadas 11.725 pessoas indígenas, distribuídas por 121 municípios,
enquanto, em 2010, haviam sido registradas 2.597. Essa ampliação, contudo, não
pode ser atribuída exclusivamente ao crescimento demográfico, conforme ressalta
o IBGE, pois também pode refletir mudanças metodológicas e nos processos de
identificação e autodeclaração. É importante considerar, ainda, que os dados
censitários se baseiam nos critérios de identificação adotados pelo Instituto e
nas respostas dos próprios entrevistados, não abrangendo necessariamente todas
as pessoas que reconhecem possuir ascendência indígena. Desse modo, o número
registrado em Nísia Floresta deve ser compreendido à luz dos limites da
classificação censitária e de um contexto histórico no qual o preconceito e a
desvalorização dos povos originários podem ter influenciado, ao longo do tempo,
a maneira como parte da população reconhece ou expressa sua identidade
indígena.
Hoje, felizmente, o cenário começa a mudar.
Embora persistam inúmeros desafios, observa-se crescente valorização das
identidades indígenas e de suas contribuições históricas. Em Nísia Floresta,
talvez ainda não existam grupos amplamente organizados que se autodeclarem
indígenas ou descendentes diretos, mas é impossível ignorar a presença dessa
ancestralidade na cultura, na linguagem, nos costumes e mesmo na fisionomia de
grande parte da população. A história permanece inscrita nos rostos, nos
sobrenomes, nos hábitos alimentares e nos nomes dos lugares. Ela continua viva,
ainda que muitas vezes não seja reconhecida.
Ao final de tantos anos estudando Nísia Floresta,
chego cada vez mais à convicção de que sua extraordinária sensibilidade social
não surgiu por acaso. A menina Dionísia cresceu em uma terra moldada pela
presença indígena. Cresceu ouvindo palavras indígenas, consumindo alimentos
indígenas, contemplando paisagens batizadas pelos indígenas e convivendo com descendentes
daqueles que primeiro habitaram a região. Talvez tenha sido justamente essa
convivência silenciosa que lhe permitiu enxergar, décadas antes de muitos de
seus contemporâneos, a tragédia histórica dos povos originários brasileiros. E
talvez seja por isso que, ainda hoje, a leitura de A Lágrima de um Caeté
continue a nos emocionar e a nos desafiar: porque nela encontramos não apenas
uma escritora romântica, mas uma observadora lúcida de uma das maiores feridas
da formação histórica do Brasil.
REFERÊNCIAS
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UFC, 2006.
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Claret, 2008.
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BRASIL. Lei nº 5.371, de 5 de dezembro de 1967.
Autoriza a instituição da Fundação Nacional do Índio e dá outras providências.
Brasília, DF: Presidência da República, 1967.
CASCUDO, Luís da Câmara. História do Rio Grande
do Norte. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, Serviço de
Documentação, 1955.
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Acesso em: 29 maio 2026.
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