ANTES DE LER É BOM SABER...

Contato (WhatsApp): 84.99903-6081 - e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com. Ou pelo formulário no próprio blog. ESTE BLOG, CRIADO EM 2009, É UM ESPAÇO INTELECTUAL, DEDICADO À REFLEXÃO E À DIVULGAÇÃO DE ESTUDOS SOBRE NÍSIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA, sem caráter jornalístico. Luís Carlos Freire é bisneto de Maria Clara de Magalhães Peixoto Fontoura (1861-1950), trineta de Francisca Clara Freire do Revoredo (1760-1840), irmã de Antônia Clara Freire do Revoredo (1780-1855), mãe de Nísia Floresta (1810-1885). Por meio desta linha de descendência, Luís Carlos Freire mantém um vínculo familiar direto com a família de Nísia Floresta, reforçando seu compromisso pessoal e intelectual com a memória da escritora. (Fonte: “Os Troncos de Goianinha”, de Ormuz Barbalho, diretor do IHGRN; disponível no Museu Nísia Floresta, RN.) Luís Carlos Freire é estudioso da obra de Nísia Floresta e membro de importantes instituições culturais e científicas, como a Comissão Norte-Rio-Grandense de Folclore, a Sociedade Científica de Estudos da Arte e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Seus textos também têm cunho etnográfico, etnológico e filológico, abrangendo estudos lexicográficos e históricos, pesquisas sobre cultura popular, linguística regional e literatura, muitos deles publicados em congressos, anais acadêmicos e neste blog. O blog reúne estudos inéditos e pesquisas aprofundadas sobre Nísia Floresta, o município homônimo, lendas, tradições, crônicas, poesias, fotografias e documentos históricos, tornando-se uma referência para o conhecimento cultural e histórico do Rio Grande do Norte. Proteção de direitos autorais: os conteúdos são de propriedade exclusiva do autor. Não é permitida a reprodução integral ou parcial sem autorização prévia, exceto com citação da fonte. A violação de direitos autorais estará sujeita às penalidades previstas em lei. Observação: os comentários só serão publicados se contiverem nome completo, e-mail e telefone.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Nudez, arte e sociedade


O abraço - Picasso
       Como sabemos, a releitura da obra de Lígia Clark, em Porto Alegre/RS, com a performance de um artista nu, protagonizou uma polêmica nacional no mês passado e até hoje é comentada, dividindo opiniões. O Brasil parou de maneira que se esqueceram da roubalheira de boa parte de nossos políticos em conluio com certos empresários.
         De vez em quando, assistindo a novela "O outro lado do mundo", num dos meus raros momentos acordados a essa hora, vejo cenas e expressões que considero desnecessárias. Obviamente elas fazem parte da vida real de algumas pessoas, mas em termos de telenovela, não acrescentam nada de positivo. Dia desses, fazendo umas fotografias na Ribeira, vi um casal transando num beco. Eles não demonstraram receio algum, certamente por perceberem que eu estava ali como um turista e perceberam que eu fingi não ter percebido nada e me afastei.  Isso confirma que na vida real tudo acontece. Até o inimaginável. Mas trazer esse aspecto da vida para mostrar em novela - de maneira óbvia - é passável. 
        Considero sem necessidade proclamá-las, principalmente num horário no qual boa parte das crianças estão acordadas até altas horas, penduradas nos celulares, ao lado dos pais que assistem novelas. Falo da personagem Graziela Massafera,  que sai à cata de homens pela madrugada, transando com frentistas desconhecidos em postos de gasolina. Num tempo de campanhas contra AIDS e outras doenças transmissíveis, isso não pega bem. É óbvio que a atriz imita a vida real, mas as pessoas de casa querem ver arte, e não isso. 
      Recentemente a mãe de referida personagem (Marieta Severo) transou numa posição claramente anal dentro de uma mina de diamantes. Mais que insinuar, as cenas são fortemente apelativas. Não entendam a minha opinião como caretice ou moralismo. É uma questão de ver como desnecessária tais particularidades, as quais não acrescentam nada, e que, na maioria da vezes traduzem equívocos dos próprios autores e artistas.  Hipocrisia? Claro que não. Apenas constatação do exagero de alguns autores e artistas, com pecha de intelectuais, querendo que o povão engula tudo.  
       Há pouco tempo Glória Pires disse numa entrevista que se sentia incomodada em supor que seu filho assistisse suas cenas calientes numa novela que já se encerrou. Disse, com todas as letras, que não permitia que seu filho assistisse. Mas o filho do favelado assiste, salvam-se raras exceções, pois o pai está preso ou morto, e a mãe trabalhando até altas horas da noite. Vejam como o nó é mais em baixo. É uma questão de construção de tipos de educação e de cultura. O favelado sequer teve tempo (e dinheiro) para construir a mesma educação da família de Glória Pires. Ela sabe que as apelações que protagoniza são inadequadas para o seu filho, mas o pai presidiário nem teve tempo para pensar nisso.
   O personagem Juliano Cazarré, segue falando palavrões inadmissíveis na referida novela. Isso me fez supor que a tradição da maioria dos filmes brasileiros - de usar a todo instante pornografia e palavrões - está sendo trazida para as novelas das nove. Já pensou quando essas novelas forem reprisadas no "Vale a pena ver de novo"?
Creio que a arte arte verdadeira - quando aborda sexo, ou xingamento em horário de novela - deve ficar para o campo da insinuação, da imaginação de quem vê... Autores geniais não são óbvios. No caso de cenas de sexo e de palavrões em horário de novela, valorizam mais a inteligência, as reticências, as suposições que a futilidade. Uma pessoa inteligente não deve fazer de seu ouvido, penico.  Quando se vai às vias de fato entra-se no campo da apelação, do exagero. Reconheço que não podemos achar tudo normal, assim estaríamos banalizando. 
Mas, retornando ao caso do museu de Porto Alegre, precisamos olhar a nudez no passado e entender a nudez atual. Há séculos a nudez natural, sem pornografia e apelação é mostrada também de forma pública, mas parece que hoje, pela primeira vez na história da humanidade, o homem, a mulher e as crianças tiraram a roupa.
A expulsão de Adão e Eva do Paraíso - Masaccio
No caudal de incontáveis opiniões, li e ouvi muita acusação contra a ARTE, como se ela fosse sinônimo  de coisas negativas e nocivas - e isso me preocupou, pois, no Brasil, os assuntos explodem na mídia sempre com enfoque equivocado. Há pessoas colocando em risco de extinção um tipo de macaco, culpando-o de ser transmissor do vírus da Zica. Na realidade esses animais são tão vítimas quanto os homens. É uma questão de desinformação.  Essas deturpações devem ser objetos de preocupação de todos os brasileiros, pois, num país onde querem extinguir totalmente o ensino da arte, da filosofia, da sociologia e da educação física - justamente disciplinas que levam o homem a pensar, criar e se mover - o essencial da vida - fomenta-se cada vez mais a ignorância.

Só mesmo um grande equívoco pode explicar essa depreciação à arte. Justamente ela que é o instrumento mais antigo que se tem para ajudar a contar a história da humanidade. O que saberíamos sobre a história da humanidade sem os desenhos deixados nas cavernas há milênios?
Venus - escultura datada antes de Cristo
Nascemos nus; os índios brasileiros andavam nus. Há lugares em várias partes do mundo, cujas esculturas que adornam templos e monumentos estão cheias de pessoas nuas, inclusive antes de Cristo. A história e a arte primitiva estão fartas de registros pintados e esculpidos com situações de nudez.
A banhista a arrumar o cabelo - Cezane
A Capela Sistina, no Vaticano, traz as famosas e belas pinturas michelangeolescas de anjos nus. Os derredores da Igreja de São Pedro é circundado por fontes de água com crianças e pessoas adultas nuas. Roma e Grécia são referências em esculturas em tamanho real de mulheres, homens e crianças nus. Os livros de História Geral que usamos nas escolas e universidades trazem a reprodução de  várias obras que retratam o nudismo. Nunca vi alguém escandalizado com essas imagens.
A flagelação de Cristo - Belmiro de Almeida
Os livros de ciências trazem desenhos do corpo humano e dos aparelhos reprodutores masculino e feminino sem qualquer censura (até porque não é necessária). As enciclopédias reproduzem a anatomia humana nos mínimos detalhes, mostrando nudez frontal do homem e da mulher, as transformações do corpo, o nascimento dos pelos pubianos e o crescimento dos seios e do pênis.
Nu - Lucian Freud
Algumas praias brasileiras permitem o nudismo e, conforme pesquisei, não existe promiscuidade entre os frequentadores (e vai ali quem aprecia esse estilo de vida). As pessoas se veem como nós nos vemos com roupas. A ideia de certo ou errado, ou pecado, ou crime, é uma coisa construída por pessoas, por instituições.
Vulcano e Maia
Como escrevi anteriormente, o episódio do Museu causou um furor contra a arte e os artistas. Só mesmo um grande equívoco pode explicar essa depreciação à arte. Justamente ela que é instrumento de liberdade, criatividade e criticidade.
Jean Auguste Dominique Ingres, A Grande Odalisca ...
O que seria da biologia se, muito antes do surgimento da máquina fotográfica, os desenhistas e pintores não tivessem registrado – com qualidade superior à fotografia – os desenhos internos e externos das flores, dos frutos, das sementes, das folhas, das árvores, dos troncos, das paisagens, dos pássaros, enfim tudo era mostrado dentro das universidades através da arte de extraordinários artistas. 

Esse mesmo raciocínio se aplica à antropologia, aos costumes, ao folclore, às vestimentas, à alimentação, enfim foram os artistas que registraram o que encontraram nos primórdios da humanidade. Se não existisse a arte nada saberíamos sobre muitos instrumentos que fazem parte da nossa história.
George Seurat
Muitas pessoas têm pavor à nudez. Dia desses circularam na internet comentários sobre uma possível lei que proibia que mães amamentassem publicamente. O trauma de algumas pessoas está na imagem do seio diante do público. Ou seja, a imagem mais linda da humanidade é enxergada por muitos como imagem  pecaminosa e erotizante... sei lá o que se passa na cabeça de quem vê o nu como ruim. Tenho quase certeza de que essa "lei" é coisa de fake, pois não é possível que algum político equivocado pense dessa forma. Lá no México existe, de fato, essa lei, mas não estamos lá. Somos Brasil.

Conheco a história de uma mulher que descobriu um câncer em estado de metástase. Apurados os fatos, descobriu-se que o marido dela a impediu durante toda a sua vida de fazer exames preventivos. Não queria que ela ficasse exposta diante de médicos e enfermeiros.

Alguns homens – principalmente – morrem por medo do exame de próstata. Uns, não admitem ficar nus diante de médicos e suas equipes, outros, tem medo do toque.
Muitas pessoas dão show em hospitais quando são orientadas a vestir as famosas batas, quando em cirurgias, as quais deixam as nádegas expostas e tudo mais...
Vênus consola o Amor
É uma questão que vai além do pudor, pois a pessoa está diante de médicos, cuja função principal é cuidar da saúde e não se entreter com pênis, bundas, seios ou vaginas. Eles já estão encalombados de ver as “partes” humanas. São profissionais. Mas há um pavor. Mais que pudor, é a ideia equivocada – cheia de tabus e preconceitos – sobre a nudez. Ao longo dos séculos alguns países construíram a ideia de nudez atrelada à sexo, pornografia, erotismo, pecado, perversão, indecência.

Muitas pessoas – homens e mulheres – ficam nus diante de desenhistas e pintores durante aulas de Desenho de Observação. É parte da compreensão de anatomia para se chegar à perfeição do desenho do nu. Nunca vi uma pessoa excitada ou com comportamento vulgar, nem os modelos, nem os desenhistas e pintores. É uma profissão de ambas as partes. Como seriam os desenhos da anatomia humana e animal se não existissem os desenhistas e pintores?
Davi - Michelangelo
Não defendo a banalidade, nem que as pessoas andem nuas nas ruas, mas nudez é algo comum. O problema está na mente das pessoas, numa educação equivocada, na qual incutiram a ideia de que a nudez está atrelada à pornografia, erotismo, banalidade e pecado. 

Observe que muitas pinturas aqui postadas trazem pessoas de diversas idades, nuas num mesmo espaço, mas sem conotação de promiscuidade.
Sobre o episódio do Museu que falei no início, os espaços públicos devem informar a faixa etária permitida para os eventos, conforme a lei que passou a vigorar após a extinção da Ditadura Militar no Brasil. Se um casal permite que seu filho ou sua filha – fora de faixa – assistam performances artísticas, peças teatrais ou apreciem exposições de telas ou esculturas que tenham nudismo, entende-se que esses pais educaram os filhos a enxergar a  com a nudez com mesma naturalidade como vemos alguém com roupa. Creio que o que não devemos concordar é que crianças frequentem ambientes de prostituição ou espaços que promovam a pornografia, a pedofilia, o alcoolismo, o uso de drogas, violência e coisas afins. Mas isso já é outra coisa.

É certo que o Estatuto da Criança e do Adolescente não permite a entrada de crianças em espaços como o Museu que deu-se o episódio do artista nu. Então as instituições promotoras devem ter nesses espaços um representante dos órgãos competentes - tipo Conselho Tutelar - que forneça documentação que deve ser assinada pelos pais. Mas, com certeza, um pai e uma mãe jamais permitiriam a entrada de um filho em tais espaços se, em casa, não tivessem educado os filhos sobre o que estariam vendo.

Nota-se que, em nome da liberdade expressão, muitas pessoas - e até mesmo artistas- preferem atacar imagens de líderes religiosos, objetos sacros etc. Tenho impressão que a intenção real é mais escandalizar e polemizar que promover a arte. Por incrível que pareça, a Igreja Católica, que normalmente é muito retratada nesses conformes, parece não se incomodar muito. Pelo menos não é comum vê-la se posicionando sobre o assunto. Alguém já viu a imagem de Alá seminu, ou de Alá bebê, nu? Claro que não. Mas estamos cansados de ver pinturas antiquíssimas e atuais de Cristo seminu na cruz, e também o Menino Jesus nu. Se isso fosse feito à imagem de Alá com certeza apareceria homem bomba ou terroristas fazendo chacina em algum lugar para se vingar.

Na realidade é tudo uma questão cultural e educacional. Para uns existem coisas sagradas, intocáveis, que jamais podem ser feridas, mudadas, deturpadas etc. Para outros o sagrado é algo muito diferente. Tudo pode ser sagrado, quase tudo, algumas coisas ou nada é sagrado.

Finalizando, somente a educação plena pode construir a imagem aproximada do que é certo ou errado sobre a nudez. Enquanto isso não ocorre, continuaremos nos prendendo aos equívocos que a envolvem, e esquecendo que a maioria dos políticos do Brasil nos querem assim, burros... eles estão adorando essa história, pois a gente esquece deles. A crise que estamos vivendo foi promovida por eles, os quais – com raras exceções – saqueiam os cofres públicos diariamente.
Que deixemos de pensar só em sexo e pensemos como pô-los na cadeia.











 



























Maja - Goya









sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Abuso sexual contras as mulheres dentro de veículo é centenário no Brasil

O músico Eduardo das Neves (*1874 + 1919)

Embora o abuso sexual contra as mulheres dentro de veículos é mais antigo do que pensamos – e não encontra amparo em pessoas de bem – as músicas da época já o denunciavam. Veja essa canção, escrita por Eduardo das Neves, há quase cem anos – referindo-se a tais abusos. Encontrei-a no livro de Càtulo da Paixão Cearense, 1930, pgs. 63/64, editora Quaresma, Rio. 
Achei interessante fazer um pequeno texto para servir de mote para debates, até porque é material curioso.
Naquele tempo davam a essa prática desrespeitosa o nome de “bolinar”. Atualmente usam o vocábulo “encoxar”.

Anda a gente pelos bonde
Sem poder nem se virar,
Porque logo grita um anjo
Este homem quer bolinar
II
Pois então, ó filha minha
Muda já de direção
- Ai, não posso, que na esquerda
Me bolina o bilontrão.
III
Aos amantes das bolinas
Aqui eu venho saudar!
E que sejam venturosas
No constante bolinar

https://www.google.com.br/search?q=homem+ejaculou+em+mulher&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiU7PCK88XXAhVBkpAKHTxgCw4Q_AUICygC&biw=1280&bih=827#imgrc=N7bDs-9qQKpaxM:
Infelizmente o espaço absurdamente apertado nos ônibus, trens e metrôs facilita esse tipo de abuso contra as mulheres. Embora existam estados que criaram espaços exclusivos para mulheres em metrôs e trens, entendo que isso não é exatamente um avanço. É uma luz em meio a um povo não civilizado.
O correto é o respeito. Mas enquanto existem pessoas com problemas psiquiátricos e, entre elas os aproveitadores, a medida é uma válvula de escape.
Na realidade as leis não ajudam muito, pois dependem da interpretação dos juízes. E isso é muito esquisito, pois cada mente entende a mesma coisa de modos diferentes. Eu defendo que as leis deveriam ser mais claras e não dar brechas para decisões absurdas.
O juiz que trabalhou os autos daquele rapaz que ejaculou numa mulher, que foi solto e reincidiu, é exemplo claro. Ele entendeu que o tarado deveria ser solto porque não houve estupro.
Quer dizer que para que o indivíduo fique trancafiado, ele deveria ter se despido, despido a mulher e a estuprado para haver o entendimento de atentado violento ao pudor?
Que lei louca!
O fato de o elemento ter retirado o pênis diante da mulher, ter encontrado - inexplicavelmente - excitação suficiente para - dentro do corredor do ônibus – ejacular sobre ela já é algo anormalmente afrontoso.
Na realidade isso não é um estupro, mas não deixa de ser atentado violento ao pudor e à dignidade da vítima. 
O autor desse crime deveria ter sido preso naquele mesmo dia e ficado trancafiado por um bom tempo.
Tenho certeza absoluta que assim que ele for solto o Brasil ainda ouvirá falar dele como autor de outros casos.
Se isso é um desvio, que o Estado o trate, mas dentro da cadeia. E isso com certeza servirá de exemplo para pessoas sem tais patologias, e que se aproveitam dos bondes da vida.
Seja como for, esse assunto é para ser tratado com seriedade nas mídias, nos programas que formam opinião, bem como em escolas e ambientes afins.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

MONALISA PERRONE, JORNALISMO TAMBÉM É ISSO!


Hoje, era mais ou menos cinco e quinze da manhã quando o Hora Um da Notícia mostrou a reportagem sobre o ex-governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli e seu filho, acusados de corrupção.
Até aí nada de estranho, pois a mídia atual só tem corrupção e violência para divulgar. Num país de maioria de políticos e cidadãos comuns corruptos, não pode ser diferente (só temo por nossas crianças que se educam nessa "sinfonia").
Eu, que nasci no Mato Grosso do Sul e bem sei quem são essas peças indesejáveis, não estranhei nada. Lá pelos cenários pantaneiros essas figuras são “famosas”; iguais a Henrique Eduardo Alves etc.
O que me agradou nessa reportagem foi um detalhe ‘orgasmático’, quando o único político que o visitou no presídio, o deputado peemedebista Carlos Marun - amicíssimo de - pasmem! - Temer - disse que não se deveriam dar importância a delação feita pelo delator que o denunciou, pois “delação é coisa de bandido... quem delata é bandido”.
Ele foi o último a falar. Assim que sua imagem saiu da tela apareceu a apresentadora Monalisa Perrone e fechou com chave de ouro, dizendo ipsis literis: “tem que ver também que quem é delatado também é bandido”.
Achei isso fantástico, pois essa história insuportável de  falsos inocentes para todos os lados é o mesmo que chamar a nós, brasileiros, de idiotas. Assistimos, sem poder fazer nada, as mais absurdas justificativas do tipo: o advogado do ex-governadoir tal declarou que está chocado com essa acusação, pois sempre pautou a sua vida por honestidade, ética e justiça, e outros ridículos blás, blás, blás... (ignoram que todos sabem que eles e elas são pessoas que enriqueceram do dia para a noite).
Só mesmo um idiota para engolir isso e ficar calado.
Alguns comunicadores criticam o fato de alguns jornalistas manifestarem suas opiniões após a veiculação de reportagem, como esse caso. Mas isso é fundamental, pois trás uma dignidade maior para quem assiste. Parabéns, Monalisa Perrone. Antes de ser jornalista você é brasileira. 
Não podemos suportar em silêncio tantos ladrões assaltando os cofres da nação, seja de que partido for e pousando com discursos bonitos, retirados da boa retórica dos advogados. Estamos nesse caos por conta desses ratos, os quais, juntos a uma maioria assustadora, colocaram os brasileiros no fundo do poço.
Quando uma jornalista tem a coragem de falar igual a Monalisa, aumenta em nós a esperança no bem e o desejo de fazermos algo em prol de um país sem ratos.

Frans krajcberg, a morte de um mito


Ontem, quando William Bonner anunciou a morte de Frans krajcberg confesso que as lágrimas desceram aos cântaros. Era uma das personalidades que admiro profundamente. Às vezes costumo dizer que algumas pessoas deveriam ser eternas em vida. Quem disse que não há pessoas insubstituíveis? Quem o substituirá? Que seus feitos pulsem dentro dos admiradores da arte e da natureza. Para mim ele era um gênio.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Jaguar e Ivan (filho de Henfil) - 2017


O autor deste blog ao lado do cartunista Jaguar (85 anos)

O autor deste blog com Ivan, filho de Henfil.
Imagine a FLIN com uma dupla de repentistas se apresentando para um público composto por artistas, escritores, professores etc - pessoas altamente esclarecidas - cujos últimos versos finalizassem assim:

I
“Carlos Eduardo, o prefeito que fez tudo pela educação”
II
“Carlos Eduardo, o melhor gestor para a Saúde”
III
“Carlos Eduardo Alves, o melhor prefeito do Brasil”
IV
“Carlos Eduardo Alves, o povo o quer como futuro governador do Rio Grande do Norte”...

André Dammer (cartunista da Folha de São Paulo),  Ivan (filho de Henfil), Woden Madruga, Jaguar e Cláudio Oliveira


Infelizmente a bateria da minha máquina havia acabado quando esse fato se configurou diante dos meus olhos em meio a uma plateia eufórica, que não se esquivou de promover uma galhofa desabalada. Era risada que mais parecia um espetáculo de humor. Seria um vídeo digno da conferência de todos.

Jaguar

Na realidade a coisa foi exatamente assim: era dia da exibição de diversos repentistas de vários estados do Nordeste (Sebastião Dias e Zé Carlos do Pajéu | Oliveira de panelas e Zé Viola | Ivanildo Vila nova e Raimundo Caetano | Valdir Teles e Severino Feito | Ismael Pereira e Jonas Bezerra | Aboiador Amâncio Sobrinho). As apresentações foram excepcionais e levaram o público ao êxtase. Uma verdadeira riqueza.

Todas as duplas recebiam um envelope com os motes prontos para versejar. Porém, inexplicavelmente, a última dupla foi “agraciada” com o direito de escolher o mote (tema).

Nesse dado instante um dos integrantes da dupla disse que era prefeito de um município paraibano e seu companheiro era o seu chefe de gabinete (isso na vida real). Até aí tudo bem, afinal não tem nada de mais repentistas se tornarem políticos.

Mas infelizmente o tema escolhido - ou pedido nos bastidores - parece não ter agradado a maior parte da plateia, pois houve vaia geral. O que era para ser um gozo decorrente de graça poética tão comum às exibições de repentistas, tornou-se um orgasmo de deboche e ironia devido aos feitos invisíveis proclamados pela dupla sobre a administração de Carlos Eduardo Alves (primo de Henrique Eduardo Alves, que se encontra preso, acusado de práticas que estão na mesma alçada de Eduardo Cunha e Temer. Os dois Alves são sobrinhos de Garibaldi Alves, este votou a favor da reforma da Previdência).

Conversando com um amigo escritor, ele disse mais ou menos assim: “Luís Carlos, você acha que os dois últimos repentistas puderam escolher um tema livre por quê?” 

(Entendeu?)

Foi um episódio esdrúxulo. Aparentemente o gestor de Natal ficou meio sem graça a cada fechamento de estrofe. Creio que era para seus amigos terem-no poupado desse fiasco. Antes tivessem metido o dedo na caixinha e retirado o mote que aparecesse. Dificilmente teria sido um mote desse tipo ENCOMENDADO.

Pois bem, mas tirando fora esse capítulo nojento, o resto foi cultura.  Comprei vários livros com Fídias e tive a oportunidade de conversar com personalidades que admiro, como Jaguar, uma simplicidade em pessoa, inclusive fiz um vídeo com ele, o qual estarei postando no Youtube nos próximos dias. No vídeo, dentre os assuntos ele falou de política, detonou Sérgio Cabral, inclusive conhece-o desde que o atual presidiário tinha 8 anos.

O filósofo, escritor e poeta Antonio Cícero



O incrível Ivanildo Vilanova

Jessier Quirino fez um 'pocket' da hora.



A plateia foi ao delírio com a irreverência de Tom Zé. Às vezes, de tão empolgado, ele esquecia o que falava e perguntava o que estava falando anteriormente, muito engraçado...

O evento foi maravilhoso, mas o grande presente foi ter conhecido e conversado com Jaguar, esse monstro cartunista, aliás, um intelectual.
O filho de Henfil, outra figura especial, foi um presente tê-lo conhecido. Lembrando que Henfil morou aqui em Natal durante um bom tempo (Para quem não sabe).

Músico Antonio Nóbrega ao lado do antropólogo Luís Assumpção (UFRN) 

André Dammer (cartunista da Folha de São Paulo),  Ivan (filho de Henfil), Woden Madruga e Cláudio Oliveira

Ivan, filho de Henfil

Woden Madruga