ANTES DE LER É BOM SABER...

Contato (WhatsApp): 84.99903-6081 - e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com. Ou pelo formulário no próprio blog. ESTE BLOG, CRIADO EM 2009, É UM ESPAÇO INTELECTUAL, DEDICADO À REFLEXÃO E À DIVULGAÇÃO DE ESTUDOS SOBRE NÍSIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA, sem caráter jornalístico. Luís Carlos Freire é bisneto de Maria Clara de Magalhães Peixoto Fontoura (1861-1950), trineta de Francisca Clara Freire do Revoredo (1760-1840), irmã de Antônia Clara Freire do Revoredo (1780-1855), mãe de Nísia Floresta (1810-1885). Por meio desta linha de descendência, Luís Carlos Freire mantém um vínculo familiar direto com a família de Nísia Floresta, reforçando seu compromisso pessoal e intelectual com a memória da escritora. (Fonte: “Os Troncos de Goianinha”, de Ormuz Barbalho, diretor do IHGRN; disponível no Museu Nísia Floresta, RN.) Luís Carlos Freire é estudioso da obra de Nísia Floresta e membro de importantes instituições culturais e científicas, como a Comissão Norte-Rio-Grandense de Folclore, a Sociedade Científica de Estudos da Arte e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Seus textos também têm cunho etnográfico, etnológico e filológico, abrangendo estudos lexicográficos e históricos, pesquisas sobre cultura popular, linguística regional e literatura, muitos deles publicados em congressos, anais acadêmicos e neste blog. O blog reúne estudos inéditos e pesquisas aprofundadas sobre Nísia Floresta, o município homônimo, lendas, tradições, crônicas, poesias, fotografias e documentos históricos, tornando-se uma referência para o conhecimento cultural e histórico do Rio Grande do Norte. Proteção de direitos autorais: os conteúdos são de propriedade exclusiva do autor. Não é permitida a reprodução integral ou parcial sem autorização prévia, exceto com citação da fonte. A violação de direitos autorais estará sujeita às penalidades previstas em lei. Observação: os comentários só serão publicados se contiverem nome completo, e-mail e telefone.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

ESTE MÊS DE AGOSTO (HÉLIO SEREJO) - FOLCLORE DO MATO GROSSO DO SUL...

 

ESTE MÊS DE AGOSTO (HÉLIO SEREJO).

O mês que não é bom para muita coisa, na observação sadia dos folclórogos: fazer viagem de negócios, plantar planta de semente escura, cruzar, encruzilhada depois das seis horas da tarde, fazer jogo de baralho tendo mulher como parceira, contar conta de rosário com os olhos abertos, discutir com negro macho, noivar na primeira quinzena, brincar de roda, matar porco de chiqueiro e pedir dinheiro emprestado para pagar contas.

Isso tudo é do folclore e das crendices, que se explica assim: viagem para negócio é deliberação condenável, isto porque derno não quer estar em seu caminho, pois esse mês é todo seu; plantando-se semente de cor escura nunca dá plantação compensadora, é paiol que fica vazio para tristeza da família; não se deve “cruzar encruzilhada” na hora do “anoitecendo”, perigo topar satanás que nesse momento, gosta de pregar peçanos descuidados e abelhudos; jogo de baralho, no mês de agosto, tendo mulher como parceira, o “azarão” vem para cima do macho, porque é o mês mais perigoso das mulheres; pra se contar contas do rosário – é prática sagrada milenar – os olhos devem permanecer cerrados, porque, assim, o pensamento vai até os “guardiões do espaço”, morada sublime dos que nos protegem dia e noite; negro homem, no mês, têm sangue “apurado”, isto é, sangue que “esquenta à toa”, não sendo nada discussão com o mesmo, porque o “coisa ruim” atua o mesmo, gerando briga de morte; noivado em agosto, de “um a quinze”, não prenuncia felicidade, pois, na contagem a era antiga desse mês de tradição universal comprovam – são: três, sete, onze, treze; demônio, ou o “irmão mais velho”, o tinhoso Mefistófeles, ficam apavorados com o vermelho, tanto seja o vestidor homem, mulher ou criança. É que a cor berrante – sangue em pano – destroça os sentidos das feras, fazendo brotar, a qualquer hora do dia ou da noite, o dia é fúrias que estão acumuladas no corpo satânico; não se deve batizar neguinho, seja macho ou fêmea, porque, com o tempo, o negrume do corpo fica muito mais negro do que o negrume da noite; o brinquedo “brincar de roda”, que vem dos tempos imemoriais, não traz saúde, nem alimenta o corpo, porque o rodar constante roda a cabeça, amolecendo os miolos, transformando o “rodante” num “gira mundo”, inconstante e desatinado; matar “porco de chiqueiro”, em agosto, é um ato que “pode chamar desgraça”, e “desgraça” das brabas. E qual a causa, no ótica folclórica? É que porco de chiqueiro engorda bem e com “sustança” com a força do vento do mês que “aumenta a fome e faz a gordura crescer”.

Quanto à “desgraça”, é que o “mal da fome” pode arruinar a família, com ato da matança na ocasião condenada; não pense nunca em “pedir dinheiro emprestado” neste mês, para pagar suas contas, pois, se o fizer, o “ganho futuro” enchafurdará, no lodo, a paz familiar

Agosto – não há quem tenha conhecimento disto – é mês de cachorro louco, mês que atassalha os nervos, ante o vento irritador, mês de chirriar agourento da coruja, do cantar rouquenho da siriema na chaca, da ronda desesperada do corvo faminto e do passar do caminhante sem destino.

Quando, em agosto, o vento, cabuloso e enervante vem do Nascente, já se sabe que a caníncula vai cozinhar as folhas da lixeira ereta, rachar o chão, e secar a orla dos brejos. É quando os pássaros procuram outro “viveiro”, porque o solão brabo matou, ali, o que servia para encher, fartamente, o papo.

O banhadão, com isso se enche de tristeza, porque a desolação encampou a paisagem que era arrebatadora e festiva.

Mês de agosto está nas páginas de valiosos livros do passado remoto. Foi superstição marcante na época caraveleiros. Chegou a mudar hábitos de raças. Desnorteou exércitos em movimentação de guerra. Dividiu reinos. Nunca teve dono. Pertence à humanidade. SEREJO, Hélio. Balaio de bugre: edição especial. Tupã, SP: Gráfica e Editorial Singral, 1992.

 UM ADENDO...

Quando criança ouvia muito minha mãe, Maria José, dizer que "agosto é mês de cachorro louco". Por incrível que pareça surgiam cachorros "loucos" em Bataguassu. Obviamente que estavam acometidos de 'raiva'. Mas o curioso da história é ter-se a certeza de que tal mês traz cachorro louco. É mês de ventania constante, mês do diabo a quatro, e ninguém melhor para nos contar sobre as folcloridades do Mato-Grosso-do-Sul do que o nosso conterrâneo Hélio Serejo. Essa crônica acima é uma dentre o seu vasto balaio de bugre.

Como nos lembra o calendário cultural brasileiro, o mês de agosto é tradicionalmente associado ao folclore, e não por acaso. Desde os tempos coloniais, esse mês carrega consigo um imaginário negativo — reforçado por eventos históricos, climáticos e por narrativas orais. Hélio Serejo, com seu olhar arguto e profundo conhecimento das tradições regionais, compõe um verdadeiro tratado poético das crendices do interior, muitas das quais ecoam em diversas partes do país.

O texto é um desfile de superstições e prescrições folclóricas: não cruzar encruzilhadas, evitar o jogo de baralho com mulheres, não plantar sementes escuras, não noivar na primeira quinzena... Todas essas interdições revelam um universo simbólico rico e estruturado, no qual a vida cotidiana está entrelaçada com o sagrado, o profano e o misterioso. Há um código cultural implícito que visa preservar o equilíbrio com as forças invisíveis que regem a natureza e o destino humano. 

Além disso, a linguagem — ora popular, ora elaborada — confere força literária ao texto. Palavras como “derno”, “tinhoso”, “sustança”, “enchafurdar”, “gira-mundo”, “anoitecendo”, “siriema”, “banhadão” — revelam um compromisso de Serejo com a oralidade e com a manutenção do vocabulário regional, ao mesmo tempo em que constroem imagens poéticas que dialogam com o real e o fantástico.

O uso da linguagem popular — com suas inflexões, neologismos, metáforas e imagens — é um dos grandes méritos do texto. Hélio Serejo não escreve sobre o povo; ele escreve como o povo, resgatando o seu modo de falar, de crer, de narrar o mundo. Essa opção estilística não é mera reprodução folclórica: é um gesto de valorização da cultura oral como forma legítima de conhecimento e de expressão estética.

O que poderia parecer, à primeira vista, apenas uma coleção de crendices, revela-se, na verdade, uma estrutura simbólica complexa. Cada interdição, cada “não fazer” tem uma razão de ser, e, mais ainda, está ancorado em percepções sensíveis da realidade: o vento, o calor, o comportamento dos animais, a colheita, a doença, o azar. Assim, o texto opera entre o mítico e o empírico, entre o religioso e o ecológico, evidenciando como o povo interpreta e responde ao ambiente que o cerca.

Hélio Serejo (1908–1993) é um dos maiores expoentes da cultura e da memória popular do Centro-Oeste brasileiro, sobretudo do atual estado do Mato Grosso do Sul. Seu legado literário, etnográfico e folclórico é de inestimável valor para a preservação das identidades regionais, frequentemente esquecidas nos discursos hegemônicos da cultura nacional. Escritor, pesquisador, cronista e memorialista, ele dedicou a vida à coleta, interpretação e divulgação das manifestações populares, especialmente aquelas ligadas ao sertão, ao Pantanal e aos povos ribeirinhos.

Obras como “Balaio de Bugre”, de onde foi extraído o texto citado, são exemplos notáveis de como a literatura pode ser ao mesmo tempo documento histórico, testemunho cultural e arte literária. Serejo nos convida a olhar para o Brasil profundo, para o “país real” que sobrevive nas falas, nos gestos, nas lendas e nas práticas do povo.

Em tempos de homogeneização cultural e apagamento das expressões locais, textos como este nos lembram da importância de valorizar o folclore não como algo ultrapassado ou supersticioso, mas como forma viva de conhecimento, de resistência e de identidade. As crendices aqui narradas não precisam ser interpretadas literalmente, mas simbólica e culturalmente, como respostas coletivas a medos ancestrais, como tentativas de dar sentido ao que é incerto — o clima, a sorte, a morte, o amor.

Celebrar o mês do folclore é, portanto, celebrar a alma popular do Brasil — e, com ela, vozes como a de Hélio Serejo, que souberam escutá-la, compreendê-la e eternizá-la em palavras.

A DESCONSTRUÇÃO DO SILENCIAMENTO: AMÉLIA DUARTE MACHADO...

Banner de Amélia Machado artisticamente construído para integrar o espetáculo

Em 1993, quando me transferi de São Paulo para a UFRN – e iniciei um trabalho de História Oral acerca de Cultura Popular, na região metropolitana de Natal, com destaque para os municípios de Nísia Floresta, São José de Mipibu e Parnamirim –, dei-me com uma pérola que instigou minha curiosidade.

Primeira postagem que fiz neste blog, em 2009, há 16 anos...

Ouvi a lenda sobre Amélia Duarte Machado, surgida entre Natal e Parnamirim, e que assombrou a infância de muitos. Até hoje ouço relatos de homens e mulheres cinquentões contando sobre o pavor que tinham quando passavam próximo ao Engenho Pitimbu, as matas de Passagem de Areia, terras que pertenciam a ela, bem como o horror que sentiam quando passavam próximos ao palácio onde Amélia residiu.

Publicação no blog em 2017

Então, senti a necessidade de uma reflexão crítica sobre a invisibilização histórica de Amélia Duarte Machado, mulher de atuação marcante em seu tempo, mas cuja trajetória foi obscurecida por narrativas difamatórias. Coincidentemente, eu já estudava a vida e a obra de Nísia Floresta, portanto comecei a fazer paralelos, pois, enquanto Amélia estava encoberta pela poeira da desconsagração, Nísia era louvada, embora merecidamente, mas que faltava consagrar Amélia ao panteão da história, tendo em vista sua significativa história.

Pela primeira vez a história real de Amélia Duarte Machado foi a público (Recorte do espetáculo "Nísia Floresta Brasileiras Augustas" - Dez.2024).

Passei anos estudando, ouvindo pessoas, reuni material e escrevi “Amélia Machado, uma mulher desconsagrada”, mas só publiquei em 2017. Resolvi romper com o silêncio historiográfico e denunciar os mecanismos de opressão simbólica, responsáveis pela marginalização da figura de Amélia e outras personalidades norte-rio-grandense. Meu estudo enfatiza a importância da revisão historiográfica e da restituição de protagonismos femininos apagados pela tradição patriarcal.

Espetáculo "Nísia Floresta Brasileiras Augustas", exibido dias 16 e 17 de dezembro/2025

A história oficial, muitas vezes moldada por valores patriarcais e interesses hegemônicos, tem silenciado inúmeras vozes femininas que ousaram transgredir normas sociais estabelecidas. Amélia Duarte Machado é uma dessas figuras. Embora tenha desempenhado um papel relevante em sua comunidade, foi alvo de um processo sistemático de deslegitimação, marcado por maledicências e pela construção de uma lenda que visava difamar sua imagem para negar – ou tentar – negar a sua capacidade intelectual e gestora.

Recorte do blog: 2017

Meu estudo, sem que eu imaginasse, findou sendo um marco na reabilitação histórica de Amélia Machado, pois até então não havia texto algum, nem na internet, nem obras publicadas reconhecendo o pioneirismo de Amélia Machado, inclusive tratando-a como a primeira empresária do Rio Grande do Norte. O que se ouvia e se lia era a fatídica lenda. A proposta foi inaugurar um movimento de justiça historiográfica ao reivindicar a memória e o legado de uma mulher até então excluída da narrativa oficial.

Espetáculo "Nísia Floresta Brasileiras Augustas", exibido dias 16 e 17 de dezembro/2025

No meu estudo abordei Amélia Duarte Machado como a mulher que, em determinado contexto social, ocupou espaços de poder e de influência, surpreendendo o pensamento patriarcal e machista de até então, o que se configurava como transgressor para os padrões conservadores da época. Sua postura firme, sua liberdade de pensamento e sua atuação ativa foram elementos que despertaram reações adversas por parte de setores que viam no seu comportamento uma ameaça à ordem estabelecida.

Outdoor do espetáculo "Nísia Floresta Brasileiras Augustas" (2024), com destaque para Amélia Duarte Machado

A resposta a essa transgressão foi a difamação. Por meio da construção de uma “lenda terrível”, conforme escrevi no blog, que forjou-se em torno dessa mulher notável e pioneira, transmutada numa imagem negativa e estigmatizante. Esse processo de difamação não apenas comprometeu sua reputação em vida, mas também a afastou dos registros históricos formais, reduzindo sua memória a boatos e preconceitos.


Foi nesse estudo escrito por mim que se encontrou o primeiro esforço consistente de revisão da narrativa sobre Amélia Duarte Machado. Ao intitulá-lo “Amélia Machado, uma mulher desconsagrada”, denunciei, desde o título, a injustiça histórica que pesa sobre a personagem. Quis, intencionalmente, que minha abordagem combinasse rigor investigativo com sensibilidade ética, resgatando a trajetória dela a partir de documentos, relatos e interpretações críticas, dissociando-a totalmente do fabulário local, pois dela nada se sabia além das fantasias.

Espetáculo "Nísia Floresta Brasileiras Augustas", exibido dias 16 e 17 de dezembro/2025

Reconfigurei a percepção pública sobre Amélia, apresentando-a não como um mito difamatório, mas como uma mulher de coragem, inteligência e autonomia. Nesse sentido, meu trabalho inaugurou uma nova perspectiva interpretativa, que se opôs frontalmente às versões tradicionais e misóginas. Mais do que um simples resgate biográfico, meu estudo representa um gesto político de reparação histórica. Poe essa razão sempre digo que precisamos revisar e reparar a história sempre.

Folder onde se observa a fotografia de Amélia Duarte Machado

Em um cenário ainda marcado pelo conservadorismo e pela naturalização de narrativas excludentes, posicionar-se em defesa da memória de uma mulher estigmatizada constitui um ato de ruptura com o silêncio cúmplice da história. Inclusive, em dezembro de 2024, escrevi um espetáculo intitulado “Nísia Floresta Brasileiras Augustas”, e quando alguém supunha que era um erro de gráfica, eu dizia: “não, as brasileiras augustas são as tantas mulheres injustiçadas e até mesmo, apedrejadas pelo machismo reinante, apesar de serem augustas brasileiras, portanto, ‘brasileiras augustas’ são essas mulheres em que lendas, calúnias e até equívocos tentaram desconsagrá-las”. Esse espetáculo foi ao público nos dias 13 e 14 de dezembro/24.


Ao apresentar a “nova” Amélia Duarte Machado ao Rio Grande do Norte, outrora desconsagrada pela tradição, eu quis que fosse encontrado no meu estudo um novo lugar na memória coletiva: o de uma pioneira injustiçada. O reconhecimento tardio de sua relevância social e simbólica é um convite à reavaliação crítica de outras tantas figuras femininas que, como ela, foram apagadas por um discurso histórico excludente, portanto o espetáculo a abordou com profusão, demoradamente.

E uma das experiências mais interessantes foi ouvir do público o agradecimento por terem tomado conhecimento de uma Amélia Duarte que eles desconheciam e passaram a sentir orgulho. Ela, inclusive, descansava na Fazenda Pitimbu, em Parnamirim, e seus convescotes eram na lagoa Parnamirim, como era chamado esse manancial que hoje fica nas dependências da Base Aérea.

A revisão da memória histórica, como se observa nesse caso, é não apenas um exercício de justiça, mas também um imperativo ético para a construção de uma sociedade mais consciente de suas contradições e omissões. A história de Amélia Machado, recontada por mim, convida-nos a repensar quem escolhemos lembrar — e por quê.



terça-feira, 5 de agosto de 2025

AGOSTO LILÁS É MÊS DE INTENSIFICAR REFLEXÕES SOBRE CONSCIENTIZAÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER...

 

 


O Agosto Lilás é um marco anual de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres e, em 2025, ganha ainda mais força com a campanha "Não deixe chegar  ao fim da linha. Ligue 180.

Esse momento pertence a todas as pessoas, independente de sexo, pois cada um pode educar e conscientizar sobre esse preocupante assunto. Recentemente o Brasil se chocou com um episódio em que um homem, alterofilista, socou 62 vezes o rosto de uma mulher, quebrando diversos dentes e vários ossos da face. Ninguém quer ver sua mãe, irmã, tia, avó apanhando. É um ato de gente não-civilizada. A conscientização das crianças, adolescentes, enfim de toda a sociedade é papel de todos nós em prol de uma humanidade cada vez mais civilizada. Não deixe em silêncio!

quarta-feira, 30 de julho de 2025

NÃO VOS CURVEIS AOS VERDADEIROS DITADORES...




Nísia Floresta Brasileira Augusta sempre teve lado. Não foi de muros, tampouco de silêncio. Ela atravessou o século XIX com uma visão pioneira e transparente sobre educação, direitos das mulheres, IGUALDADE SOCIAL e JUSTIÇA. Como sabemos, ela enxergava além de seu tempo. Dotada de uma percepção aguçada, sabia interpretar a sociedade em suas camadas mais profundas. Seu olhar sociológico buscava compreender as estruturas que oprimiam, seu olhar jornalístico narrava os fatos com precisão e coragem, e sua sensibilidade filosófica refletia sobre a dignidade humana e a necessidade de se construir um país justo e soberano. Por esse pioneirismo plural Nísia tem-me sido muito providencial nesse momento delicado que vivemos.

Se estivesse entre nós hoje, Nísia certamente se indignaria com as feridas abertas no Brasil nos últimos anos, promovidas por homens e mulheres que se proclamam patriotas mas, contraditoriamente, elogiam e reivindicam a deplorável Ditadura Militar. No bojo desses infelizes há até o neto de um ex-presidente brasileiro, ditador, e um ex-presidente admirador da ditadura militar (Figueiredo e Bolsonaro). Eles tiveram a insanidade de ir aos EUA trabalhar contra o Brasil. Ambos têm postura de ditadores, elogiam a ditadura, proclamam nos EUA que o Brasil vive uma ditadura, mas, débil e contraditoriamente, estão ali reivindicando democracia para o brasil. Loucos ou simplesmente maus? Ou não se conformam em terem perdido uma eleição?

Pois bem, com toda certeza, Nísia assistiria, com perplexidade, essa tentativa do desmonte de políticas públicas, o desserviço de tentar destruir a diplomacia  que sempre existiu entre o Brasil e os EUA, a intenção de fragilizar as instituições e polarizar o pensamento brasileiro. Esses seres equivocados são resquícios de um desgoverno que ameaçou a democracia e segue sem dar paz ao país. São autores da tentativa de golpe de 8 de janeiro, incitação ao ódio e os constantes ataques ao Governo Federal, portanto teriam em Nísia uma firme defensora da ordem constitucional e do respeito às leis.

Com seu faro jornalístico, Nísia denunciaria com veemência o desserviço promovido por figuras públicas que, como Eduardo Bolsonaro, espalham desinformação e inflamam a sociedade contra suas próprias instituições, tentando minar a confiança nas bases democráticas - pasmem! - em nome do que chamam e proclamam com veemência de "patriotismo". Ela não toleraria discursos que atentam contra a harmonia social, pois sempre acreditou que a educação e a verdade são os maiores antídotos contra a tirania e a manipulação. Num recorte rápido - quando ela escreveu o livro intitulado O BRASIL - teve como objetivo desmanchar as ideias erradas escritas e divulgadas principalmente na Europa sobre o Brasil (feitas por alguns viajantes que escreviam e publicavam seus diários). Ela não se conformou com os ataques que faziam à sua pátria e disse "alto lá!".

Nísia - hoje - não se deixaria levar pela desesperança. Ela reafirmaria sua fé na Constituição brasileira, nas leis que regem a República e no senso de justiça que pulsa no povo. Lembraria que a história é feita de lutas e superações, e que mesmo nos momentos mais sombrios a democracia brasileira já demonstrou sua força.

Nísia Floresta diria, com a lucidez que lhe era peculiar, que o futuro depende do fortalecimento da cidadania e da educação. Nísia usaria todas as redes sociais para desmascarar os algozes que, inconformados por terem perdido uma eleição legítima, agem como ditadores, tendo o desplante de reivindicar a ditadura militar e ao mesmo tempo cobrar democracia num devaneio que só cabe na cabeça desses seres.

Nísia estaria na rua, sem papas na língua - assumidamente - sem covardia e sem estar em cima de muros - ela convocaria a sociedade a se unir pelo bem comum, a defender as instituições, a valorizar o conhecimento e a promover o diálogo que reconstrói pontes. Seu olhar filosófico nos lembraria que o bem é mais resistente do que parece, que as leis existem para proteger a liberdade e que cabe a cada um de nós mantê-las vivas.

O bem vencerá o mal. Esta seria a sua mensagem. Não por um idealismo ingênuo, mas por acreditar na força de um povo que, ao compreender seu papel, não se curva diante de projetos autoritários. Nísia Floresta, se estivesse entre nós, seria um farol de resistência e esperança, lembrando que uma nação só se fortalece quando não abre mão de seus princípios democráticos, de sua humanidade e de sua fé no futuro.


sábado, 26 de julho de 2025

UM SÁBADO REGADO À BOLINHO DE BACALHAU...


Há certos pratos que são deliciosos sempre. Como se você o comesse pela primeira vez e amasse, e dissesse "jamais me afastarei de você". Desde criança sou apaixonado por bacalhau e não penso duas vezes quando vem aquela vontade como trem descarrilado. Dizem que há pessoas que deixam de comer por causa do preço. Algumas até brincam comigo quando digo que fez bolinho de bacalhau, dizem que é "coisa de rico". E rico lá como bolinho de bacalhau! Rico come fantasia! Quando falo comer bolinho de bacalhau significa fazê-lo passo a passo... Isso rico não faz. Rico compra no restaurante, inclusive alguns vêm com casca de barata...



Há dois dias fui ao Nordestão e escolhi uma peça inteira. Igualzinho a minha mãe fazia, rasguei-o e deitei-o na água à noite. Bastante água numa panelona. No outro dia é só peneirar e lavar. Não precisa de lavar muito, pois a delícia do bacalhau é sentir aquele salzinho lá nos submundos da língua. Obviamente que sem exagero.



Eu e Alysgardênia gostamos muito de bacalhau. Normalmente fazemos com massa de macaxeira cozida, e misturamos o bacalhau na massa; ele fica meio carrapicho. O cheiro toma conta do quarteirão.



Hoje resolvemos fazê-lo com recheio, tipo coxinha, mas no formato tipo a "linguiça gaúcha do Bola". Ficou delicioso. Deu  uns 25 bolinhos. Como ficou muito, congelamos uma parte.



Estava eu e Alysgardência ali, preparando, ouvindo um chamamé, quando o telefone toca lá de Moscou. Era F. nosso filho. Ele disse, "Ah, meus Deus, que saudade! Que delícia! Como eu queria estar aí!". 


F. adora bolinho de Bacalhau. Quando ele esteve em casa - há justo 1 ano - fizemos para ele e K. Ela também adorou. Disse que preparamos de um jeito bem diferente do modo russo. Lá eles gostam na sopa, tipo creme. Qualquer dia vou tentar, afinal sopa de peixe é uma maravilha...


Pois, bem, hoje o prato foi bacalhau e arroz com legumes. Acompanhou-me uma Stela Artois. Alysgardênia não bebe bebida alcoolica alguma. Eventualmente toma uma água tônica, pois não mistura líquido nas refeições. Só uma vez em dez anos. 

Mas... como estava dizendo no prefácio, tem gente que deixa de comer o que gosta por ter formatado no cérebro a ideia idiota: "é caro". Lógico que não é como comprar um kg de carne, mas "quem quer o barato, caro lhe sai". Digo isso porque conheço gente que deixa de comer algo que muito aprecia para comer esses alimentos-lixo, tipo fast food, esses lanches americanos que prestam tanto quanto Trump.



Há idiotas que amam bacalhau, mas são sovinas. Guardam dinheiro para os parentes e aderentes mais novos herdarem e jogarem tudo no ralo. Morrem e não levam nem o prazer de terem se alimentado com o melhor que existe. Há também os equivocados, que deixam de desfrutar as delícias de uma comida boa e saudável - feita em casa - para viver comendo comidas muito mais caras nos shoppings, sem saber que muitas cozinhas desses locais mais parecem chiqueiros de porcos. 

Agora, dando uma fofocada: dia desses um colega de trabalho contou-me sobre uma figura que deixa de comer para pagar o carro. Anda como não andam as filhas de Elon Musk. Impecáveis: cabelo na seda, trajes das mais caras marcas, bolsas que a princesa Kate usa, relógio do gosto da esposa de Trump, perfumes de três salários mínimos, iphone de última geração... mas em casa é todo dia cuscuz com salsicha... Se essa figura souber o que tem dentro das salsichas... só não é pior do que a mesma tem dentro do cérebro...

Pois bem, eis que estou aqui contando uma receita e aparece tempo para falar da vida alheia...






segunda-feira, 9 de junho de 2025

TREINAMENTO DOS PILOTOS BRASILEIROS EM ORLANDO, FLÓRIDA - ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA (1943-1944)



Como sabemos, não somos um país beligerante. Guerreamos contra o Paraguai, mas é uma história tão triste que é melhor ficarmos quietos. A nossa participação na Itália - como Força Expedicionária Brasileira - foi uma guerra em que fomos tomados emprestados para brigar pelos outros. E ainda bem que os nossos soldados foram vitoriosos, peças importantes para a vitória. Essa história precisa ser contada nas escolas, pois temos os herois.



Lucramos a Usina Nuclear no Rio de Janeiro, prédios, veículos, maquinários e equipamentos em Natal e Parnamirim, Rio Grande do Norte, influências culturais e, para muitos, foi bom enquanto durou. A presença dos Estados Unidos também aconteceu no Pará não se limitava a um único local. Havia uma rede de bases militares e instalações aéreas espalhadas pela região, incluindo Belém e outras cidades. Mas vamos ao que importa... 


Durante a Segunda Guerra Mundial, o treinamento dos pilotos brasileiros foi uma jornada que combinou experiências no Brasil e nos Estados Unidos. Eles aprenderam a pilotar aviões como o Curtiss P-40 e o P-47 Thunderbolt, além de terem acesso a técnicas modernas de instrução. A Força Aérea Brasileira (FAB) formou 558 oficiais aviadores no Brasil e também promoveu a formação de mais de 281 oficiais da reserva nos Estados Unidos.


O início do treinamento aconteceu no Brasil, onde os pilotos começaram pilotando aviões de caça Curtiss P-40. Além disso, a Aviação de Patrulha também teve seu papel, operando aviões como o PBY-5 "Catalinas" e o A-28 "Hudsons". Para fortalecer a força, a FAB criou diversas esquadrilhas, como o 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA), fundado em 1943 para atuar na Itália.


Depois, os pilotos brasileiros tiveram a oportunidade de fazer um treinamento mais avançado, com acesso a sistemas e técnicas modernas, muitas vezes separados dos grupos americanos para um preparo mais específico. O foco em aviões de caça, especialmente o P-47 Thunderbolt, foi fundamental para prepará-los para as missões de combate na Itália. Além disso, houve um intercâmbio de experiências, onde os pilotos brasileiros aprenderam técnicas de sobrevivência na selva e participaram de voos de combate, fortalecendo suas habilidades e conhecimentos.


O 1º GAVCA destacou-se na campanha na Itália, realizando 682 missões de guerra e ajudando a coordenar o tiro de artilharia da FEB. Esses pilotos participaram ativamente dos combates, enfrentando perigos e, infelizmente, alguns foram abatidos pela artilharia inimiga. Um exemplo de coragem é o tenente Danilo Moura, que, após seu avião ser abatido, caminhou impressionantes 386 km.


A bravura e o esforço desses pilotos brasileiros foram reconhecidos ao longo do tempo. Uma celebração especial foi feita pelos 75 anos da participação da FAB na Segunda Guerra Mundial, com um símbolo comemorativo que homenageia essa história de coragem e dedicação.




terça-feira, 3 de junho de 2025

UM AMIGO SE AFASTOU DE VOCÊ?


Na vida tudo pode acontecer, inclusive amigos desaparecerem, dissipando-se no tempo. Ou “amigos”, não sei… mas alguém que você conhece nesse mundo real ou 'internético': amigo, conhecido, colega, alguém que, de alguma forma, você se comunica ao longo da vida - e, de repente lhe vem um pensamento involuntário… uma espécie de insight… cadê fulana? cadê fulano? A pessoa sumiu. Você nunca mais viu nem falou com a pessoa. Desapareceu até dos contatos que eventualmente tinha com você no facebook.

Cadê-la?

Essa experiência é muito comum e não significa que o motivo seja o mais provável. A distância, outros interesses, a falta de assunto levam alguns amigos a não terem mais o contato de antes. Pode ser mera casualidade. A pessoa “desapareceu” dos holofotes da vida por ter se mudado de cidade, do país, por ocupar-se com projetos pessoais e reservou-se, por estar dando um tempo na vida social, algo muito íntimo, mas que não necessariamente aja com hostilidade às pessoas do convívio.

Pois bem, pode ser isso, mas não é regra. Às vezes algum amigo ou conhecido desaparece por ter sido provocado a desaparecer. Mas como? Dias desses, numa longa conversa com uma psicóloga, amiga de infância, ela discorria sobre relacionamento humano e questões de ciúmes, inveja, traição, injustiças e outros comportamentos afins e que também podem partir dos “amigos”.

Um amigo – ou alguém visto como amigo – pode “desaparecer” sem maldade alguma, depois você reencontra e acontece a mesma química, a pessoa traz a mesma aura. Maravilha! Mas há o amigo ou a amiga que se afasta de você por indicação de inimigos ou inimigos gratuitos que você tem e não sabe.

Há pessoas que dizem “eu não tenho inimigos”. Que bom! Mas não é regra . Normalmente quem diz isso está enganado ou negando a verdade. A vida de quem vive em sociedade é permeada de conflitos normais, saudáveis e parte das relações humanas. Nossas diferenças diversas permitem divergirmos de opiniões, de fazeres, de decisões, de posturas, de atitudes etc.

O ato de divergir ou discordar não prediz inimizade, até porque pessoas civilizadas têm empatia. Seria anti-civilizado – por exemplo – tornar-me inimigo de alguém que lhe tenha pedido opinião e você, tendo achado belíssima a capa de um livro, sugerido que a pessoa escolhesse aquela arte e ela escolheu outra. Isso é imaturidade e tentativa de controle sobre os outros. Chato, mas é tolerável, afinal nasceu uma inimizade simplesmente por causa de uma opinião. Ninguém maculou ninguém. Não houve danos à moral da pessoa. Não se julgou a pessoa pelas costas pelo simples dar ouvidos aos inimigos dela. Não se colocou em cheque caráter do outro.

Pessoa que lhe deseja o mal, que não gosta de você, que é capaz de lhe fulminar com energias ruins, gratuitamente, lhe dão autoridade – e legitimidade – para que você diga com todas as letras e sem receio algum: “tenho inimigos, sim”, sem hipocrisias. Quem quer estar ao lado de pessoas duvidosas, diabólicas, caluniadoras, mau caráter, disfarçadas de anjos?

O grande conflito (olha eu aqui dando uma de Helen White!), é quando alguém lhe detesta porque, involuntariamente, a vida lhe envolveu numa situação em que você tem como provar por documento e testemunha que essa pessoa é uma terrível mau caráter, e como ela não tem como lhe riscar do mapa, ela tenta afastar os outros de você. Gente assim é uma espécie de sociopata/psicopata. Gente que se esconde atrás da máscara de pessoa respeitável - sendo perigosa criatura. Tão amoral que chega a ser imoral.

Aí a história é outra.

Esses seres existem. Não pense que sociopata/psicopata é apenas quem mata ou aleija. Há muitos tipos de sociopatas/psicopatas, conforme a obra “Mentes Perigosas – O Psicopata Mora ao Lado”, da especialista Ana Beatriz Barbosa da Silva e tantos outros autores.

Psicopatas e sociopatas estão em todos os espaços e são capazes de – secretamente – praticar atrocidades contra você, como denegri-lo, caluniá-lo para amigos que lhe valorizam e o respeitam. Essas pessoas puxam tapetes, enganam, mentem, afastam amigos, criam contendas e normalmente saem como se nada tivesse feito. Elas constroem em torno de si uma redoma protetiva de pessoa boazinha. Dizem - por exemplo -, que veio da pobreza, que passou fome, que a mãe traia o pai, que sofreu muito, enfim inventa estórias sofridas para provocar piedade nos outros e, automaticamente, obter de terceiros a preferência nos ambientes em que visa estar inserida. Sua tática é estar articulada, pois dando errado aqui, dará certo ali. E assim ela vai ocupando postos para se projetar e alargar o seu campo de aparente pessoa do bem.

Essa pessoa vive um eterno e falso doutorado de destruir a imagem de quem atravessa o seu caminho e a desnuda, pois é tão forte e revoltante nela saber que você – diferente da grande maioria – consegue enxergá-la por dentro (ver o seu veneno de naja) que a única arma dela é tentar lhe ofuscar. Ela sabe que você sabe que ela é ladra, que se apossou de algo precioso e alheio, que já falsificou documentos institucionais - e você descobriu - e por isso ela não conseguiu te enganar, restando ela tentar afastar de ti pessoas de bem, pois é exatamente dessas pessoas que ela se aproxima para se projetar e se proteger, portanto você é a grande ameaça que derrubará sua máscara. Ela usa a psicopatia dela como defesa, ou seja, ela lhe denigre para que teus amigos se afastem de ti e não sejam avisados do perigo que ela é para os outros.

O que essas sociopatas/psicopatas não contam é que o tempo se encarrega de derrubar as máscaras lentamente. Ela certamente o subestima, supondo que você – por sua diplomacia e respeitabilidade – jamais revelaria os acervos físicos e informações que são como bombas contra a mesma. Ela comete um deslize aqui, outro ali e a máscara vai enfraquecendo. Ela foge de um lugar onde comete um vacilo e cai em outro lugar onde repetirá com o passar do tempo. E o número de pessoas que descobre quem é ela vai aumentando gradualmente. As vítimas dela vão se encontrando casualmente e narrando o que passaram em suas mãos.

O mais providencial nessa história é quando alguém que passou dois anos “desaparecido” o procura para contar a razão do desaparecimento, e lhe conta que se deixou levar por tal sociopata/psicopata, mas com o tempo descobriu quem é tal pessoa, os estragos que ela fez em outros lugares e com outras pessoas.

Meu pai sempre dizia que se alguém se afastar de nós em consequência de calúnia de alguém que temos como amigo, devemos deixar o tempo resolver e ficarmos mais reservados. E quando a pessoa retornar, arrependida, devemos nos dar o direito de escolher se queremos resgatar a amizade ou não, afinal quem vai na cabeça de sociopatas/psicopatas não merece apreço e respeito de ninguém. Dizia o meu pai, falecido na casa dos 94 anos. QUANDO CONHECEMOS ALGUÉM VERDADEIRAMENTE DO BEM, O DEFENDEMOS PERANTE O QUE QUER QUE SEJA, PORTANTO RECOMENDO A QUEM SE DEIXA LEVAR POR SOCIOPATAS/PSICOPATAS, QUE DÊ O DESPREZO À MESMA. SE ISSO FOR ENTENDIDO COMO INIMIZADE, NÃO SE INCOMODE.

Quem dá ouvidos a uma sociopata/psicopata que denigre um amigo querido ou se afasta de um amigo por indicação se alguém, sem nunca ter recebido injustiça desse amigo e tendo certeza de sua decência - mas que se permitiu acreditar numa calúnia - é sinal de que você também é mau caráter. Gente boa não se deixa persuadir por gente de mau caráter.

Meu pai também dizia que se alguém chegar a você para denegrir um amigo, encontre uma forma de desviar o assunto e fingir que não está entendendo. Prefira observar mais o amigo. Olhe mais os cenários... Prefira descobrir se é verdade, se é mentira, se é fruto de inveja, traição ou, pior, obra de um sociopata/psicopata.

Observe. OLHE...

No meu caso, quando alguém “desaparece” não acho estranho a considerar que a correria da vida permite isso. É normal até certo ponto. Mas quando alguém "desaparece" e, para a minha surpresa, passo a vê-lo de braços dados com uma psicopata que não tenho receio algum de dizer "essa é minha inimiga" - por exemplo – mas vejo esse tal "amigo" (que conhece bem quem é a serpente) enaltecendo-a, bendizendo-a, passo a considerá-lo um inimigo – quero distância! – tal comportamento me serve de termômetro, pois quando você precaveu a pessoa – mostrou provas – sobre tal sociopata/psicopata e, surpreendentemente o vê com ela constantemente, sem que isso fosse normal anteriormente, com certeza essa pessoa também tem dentro de si algo de sociopata/psicopata, ou até de pedófilo e algo pútredo tanto quanto.

O tempo tem feito chegar às minhas mãos informações sobre tais seres. E o melhor de tudo é quando um amigo “desaparecido” lhe procura para pedir perdão e contar que viu a face horrorosa desse ser sem máscaras. É quando reforça o sentimento de desprezo a tal criatura, pois mais feia que sua horripilante cara, é sua máscara.

Inimigos existem, sim. Não invente de romancear os fatos!

segunda-feira, 2 de junho de 2025

LITERATURA: PARA QUÊ E PARA QUEM ?

 


O fenômeno das redes sociais tem despertado uma espécie de patologia em boa parte dos internautas/leitores. A síndrome se manifesta no comportamento de ler textos rápidos e com escrita fácil. Os leitores não vão adiante quando o texto passa de dez centímetros. As pessoas não querem ler muito e não assistem a vídeos que passam de dez minutos. O encantamento de se ter o mundo diante dos olhos desperta uma pressa injustificável. O internauta quer ler/ver assistir o maior número de coisas e com rapidez. Esse fenômeno faz com que muitos não leiam/assistam produções/obras de qualidade, presos ao banal e fútil. Uma parte considerável da juventude está propensa ao vazio na música, na literatura, na arte etc.

Observo que o preocupante sintoma tem saltado da internet e caído no colo da Literatura com força. Tenho a impressão de que escrever uma narrativa tradicional nos tempos atuais tem ficado cada vez mais difícil e por incrível que pareça, artificial, obrigando o escritor a ir além da superficialidade do discurso literário. É algo parecido com “se reinventar” para agradar um público/leitor em decadência, principalmente o público jovem. Aí reside o desafio/problema/perigo, pois já vemos escritores nem tão escritores que perceberam isso e escolheram atender justamente a esse público equivocado, visando vender mais enquanto o escritor real fica para trás porque prioriza qualidade em todos os detalhes, inclusive na palavra.

Na realidade, além do fator “leitor apressado”, há outros fatores, como o problema da comunicação entre a obra e o público. O desafio de quem escreve é o de comunicar a incapacidade de expressar-se nos seus textos, pois a estética pós-moderna não aceita mais um escritor que explica tudo. Muitos autores trocaram a escrita que deixa subentendido, que diz sem dizer, que sugere, que divaga, que leva o leitor ao pensar, que sai do lugar-comum. A escrita fútil - na contramão disso - prendeu o leitor ao óbvio, entregando tudo mastigado. A metáfora, a poesia, a descrição, a discrição e uma série de considerações que deveriam ser prioridade ao escritor – como forma de arte literária – foram abortadas para atender leitores apressados, contaminados pelas mídias.

Outro imbróglio que trava até mesmo a capacidade criadora do autor - que se torna um impasse da narrativa contemporânea - é a dependência do escritor diante do mercado da editoração. A Editora Sextante, por exemplo, priorizava clássicos da literatura. Hoje só publica autoajuda. Há editores que não arriscam se o autor não estiver contaminado pelo fútil. Ele entendem que o autor deve escrever algo que lembre/pareça com algo. “Escreva algo que lembre Harry Potter”, “Pegue um gancho em alguma coisa de Nárnia”…

As próprias capas das obras lembram essas coisas cinzas da Europa.

Fazer algo que pareça ter vindo do way of life dos Estados Unidos, da Inglaterra etc parece sucesso garantido. Não importa o banal, o fútil.

Sinto falta de ouvir gente dizendo: "Poxa! Sua obra faz a diferença”.

Muitos editores pecam por escantear autores em que os alicerces se assentam no tradicional, não necessariamente reproduzindo a estrutura do cânone literário, nem sendo retrógrado, prolixo, mas se aproximando do imaginário dos clássicos europeus e latino americanos. Autores com substância, alicerçados numa vasta bagagem literária. Tenho observado muito isso e não acredito estar enganado. É uma prática cada vez mais comum, MAS NÃO É GENERALIZADA E AINDA BEM!

Todo autor é feito de autores, de quintais, de mundos, de planetas imaginários e reais. Creio que nos faltam - ou que seguem desconhecidos/desvalorizados - grandes autores em quase todos os estados do Brasil, e a responsabilidade está nessas visões deturpadas, contaminadas pelo padrão mercadológico e industrial dos simulacros dos simulacros das cópias das cópias.

E os autores regionais? Piorou!

Ser regional não é defeito, é uma constante mediação entre o particular e o todo, pois no regionalismo está implícito questões universais, afinal o homem objeto de toda escrita. Não existe escrita sem homens. No regionalismo reside a Filosofia. No estado onde nasci, Mato Grosso do Sul, por exemplo, temos Hélio Serejo, um monstro literário digno de ser universal, mas desconhecido até no próprio estado como aqui no RN são desconhecidos alguns autores que não mereciam.

No Rio Grande do Norte, por exemplo, quando releio “Chão dos Simples”, obra prima do Rio Grande do Norte, embora escrita há mais de meio século, mas publicada há 31 anos, encontro sertanejos simples, mas que não diferem de ninguém em qualquer parte do mundo, pois são universais. Para desvelar esse mundo extraordinário criado pelo autor Manoel Onofre Jr. é preciso adentrarmos o mistério cósmico ao qual ele se refere. Esse mistério nos cerca, e o sentimos, e Manoel Onofre traz à tona através da geografia do sertão e da alma tosca do sertanejo d'outrora, tipos humanos que despreocupados com o raciocínio lógico, são propensos a toda espécie de impulsos vagos, premonições, crendices, hipocrisias religiosas, espertezas, caritós, alimárias, maldades, inocência, agruras da seca, cangaço, folclore, o mundo onírico… até mesmo o romanceiro ibérico ou uma versão sertaneja de Joãozinho e Maria passeiam na obra. É o sertanejo, habitante distante da nossa civilização urbana e niveladora. São homens e mulheres com o espírito aberto por vezes ao fantástico, ao extraordinário, ao milagre, e são elas que decifram o “Chão dos Simples”, obra que conduz o leitor ao lado misterioso da existência, revelando que a natureza e a própria existência transmite inúmeros recados aos homens. Pressentimentos, revelações, sonhos, pesadelos, sinas, mensageiros que transmitem aquilo que precisamos ouvir, ou a resposta para coisas que pensamos não terem resposta, mensagens que, se ouvidas, podem mudar os destinos de cada um. Tristezas e situações hilárias pautam Chão dos simples. Como não dizer que isso não é literatura universal se trazem um gigantismo filosófico? O próprio e genial Guimarães Rosa escreveu que “o sertão é o mundo”.

Pois bem, isso é um exemplo dentre tantos escritores potiguares excepcionais, como os atuais Pablo Capistrano, Nivaldete Ferreira, Ana Cláudia Trigueiro, Marize Castro, enfim, o Rio Grande do Norte tem referências literárias de qualidade e em vários estilos.

Creio que escrever uma narrativa na atualidade, aproximando-se de noções canônicas, apesar de caminhar para o estilo não-cânone, na lógica de que toda criação é uma destruição, é trair a tendência do texto imediatista e comercial da pós-modernidade industrial em que o autor reproduz, quase como cópias, características de personagens, cenários, narrativas, tipos humanos com pouco ou nenhum desenvolvimento.

Quantos filmes, livros, séries de livros, séries cinematográficas reproduzem o que Adorno chamou de “ausência do clássico”. Narrativas que seguem a mesma estrutura de um personagem principal que passa por uma tribulação e que segue toda a história dramática para superar o problema que o aflige, e o fim se dá basicamente na superação desse problema e na conquista da felicidade. O que significa isso senão a demonstração prática de uma subjetividade narcísica que destruiu toda a complexidade das tragédias?

O escritor acredita - ou é induzido pelo meio digital ou pelo mercado editorial, a investir num aspecto “novo/diferente” de narrar, mas que não tem nada de novo. Como nasce o novo? Por escolher abdicar do estilo próprio da escrita para abraçar o suposto "novo'', muitos autores abandonam a própria originalidade para parecer palatável. E assim se afunda na mesmice, mesmo que – de repente – até sendo bem lido. Mas lido por quem? Por um público mamão com açúcar?

Alguns autores optam pelo caminho mais difícil, sem se importar em agradar o leitor com mamão com açúcar. São exigentes e sólidos. Não erguem castelos de areia que logo somem com o vento. Salvas as exceções, assistimos e consumimos com frequência a banalização da literatura e sua redução à mera mercadoria.

Atualmente as grandes livrarias estão abarrotadas de livros de autoajuda, relatos de viagem, biografias de homens ricos e socialites, business, alimentadas pela indústria do entretenimento. Os autores de obras literárias aparecem em segundo plano adiante, aceitos e contemplados apenas pelos críticos, por quem não deixou se enganar, e por uma elite intelectual que pouco se deixa levar pelas novidades da indústria cultural. Hoje em dia essa elite não está lendo nem mais O Pequeno Príncipe como o jactavam no passado. No caudal disso tudo a literatura como arte tornou-se autônoma e aparentemente inacessível ao grande público.

O assunto é complexo, principalmente na filosofia da estética, pois está a abranger política, educação, pedagogia e a cultura de um povo, propriamente. Parece até piegas a conhecida e inacessível frase “um país se faz com homens e livros”, e dependendo da qualidade do livro se explica a qualidade do homem. Uma geração que preteriu Paulo Freire em detrimento de ler as biografias de homens ricos de Wall Street não parece estar construindo um futuro interessante.

Se o aprendizado em comunhão e a solidariedade são concebidas como perda de tempo, e o egoísmo patológico e a subjetividade humana domada pela lógica concorrencial são tidas como virtudes, o que nos reserva?

Imagine esse público diante de Memória do Cárcere, de Graciliano Ramos, Os Sertões, de Euclides da Cunha, Grande Sertão Veredas, enfim as obras de José Lins do Rego, Gilberto Freyre, Clarice Lispector, Érico Veríssimo, Machado de Assis, padre Antonio Vieira, Lima Barreto e outros. Que susto tomariam diante de Os Miseráveis, Os Irmãos Karamazov, Dom Quixote de La Mancha, O Idiota, Madame Bovary, Satíricon, O conde de Monte Cristo e tantos outros.

Somente um povo bem educado a partir dos anos iniciais com acesso à literatura de excelência, a museus, teatros, exposições de arte, ciências etc, frequentemente estimulada a desenvolver a criatividade, mudará essa realidade. 2.7.2

CABEZA DE VACA...

 


Apaixonado pelos povos indígenas, e sempre lendo sobre o Pantanal, cheguei a essa obra justamente porque diversos povos indígenas passeiam nela da primeira a última página. Não é um livro sobre indígenas, mas eles estão em todas as folhas.

O aventureiro espanhol “Cabeza de Vaca”, que se tornou governador da área onde hoje é o estado de Santa Catarina, percorreu a pé da Flórida, nos Estados Unidos, até a metade do México. Do México a Santa Catarina ele (e sua comitiva) viajou por meio de diversas embarcações, ora no mar, ora em rios, assim se relacionou com vários povos nativos. Muitas mortes se deram nesse trajeto inóspito, seja pela hostilidade das matas intocáveis, seja por flechas ou comidos por indígenas ao longo do caminho. Há um tom quixotesco na história, por mais que seja um fato.

A obra me permitiu conhecer detalhes e nuanças de diversas etnias nativas, seja da América do Norte, da América Central, e, agora, no capítulo atual, na América do Sul. A história se passa no período de 1524 a 1542. São inimagináveis os episódios vividos por esses aventureiros, seja no trato com os nativos e vice-versa. Impressiona os hábitos e as tradições de diversos povos indígenas. Encontramos tradições lindas, ao mesmo tempo, chocantes. Encontramos indígenas hostis, vingativos, arredios... E ao mesmo tempo, indígenas dóceis e amáveis, mesmo que ainda não estivessem habituados aos homens do Velho Mundo.

Impressiona o terror sentido pelos indígenas quando veem o cavalo pela primeira vez. A facilidade de dar tudo o que tinham em troca de um espelhinho ou um chapéu vindo da Espanha. Ao mesmo tempo etnias que roubavam o que aparecia na frente, outras que os viam como "deuses" vindos de algum lugar extraplanetário. Encontramos padres revoltados com as orgias sexuais promovidas pelos espanhóis, ou tentando mudar hábitos sexuais de algumas tribos...

Tudo isso e muito mais é fruto de registros de época - quase um trabalho antropológico - escritos por 'Cabeza de Vaca", transformados nessa obra pelo grande Paulo Markun. Estou mostrando nessa postagem o hábito comum dos espanhóis, os quais, assim que chegavam a uma comunidade indígena, se encarregavam logo de batizar os nativos, mas com um detalhe: SÓ SE ALI EXISTISSE OURO OU ALGUM METAL PRECIOSO. Seletivos, não!

Era dito que se os indígenas aceitassem o Cristianismo, teriam muitos privilégios, mas se não aceitassem, seriam transformados em escravos. E nessa história faziam os indígenas destruir incontáveis objetos de sua cultura, além de determinadas tradições (sentenciadas como "cousa do diabo"). Se o local não tivesse riqueza, partiam para outro. Lembrando que Cabeza de Vaca estava nessa empreitada a serviço do rei Dom Carlos, que representava também a Igreja Católica. Esquisito, não!

E nessa sucessão de cristianizações nem sempre bem sucedidas, havia todo um ritual, conforme você pode ler e constatar nas páginas que fotografei. IMPRESSIONANTE! O livro é uma viagem. Uma aventura incrível que me fez percorrer com eles da Flórida, onde eles chegaram por via de um naufrágio, até Santa Catarina, onde será nomeado governador. É melhor que qualquer filme…

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