No dia 25 de maio de 2022, em Umbaúba, estado de Sergipe, o Brasil assistiu, estarrecido, um homem preto - e esquizofrênico - ser asfixiado dentro de uma viatura da Polícia Rodoviária Federal. Mesmo se contorcendo, implorando ajuda e não tendo reagido à abordagem da PRF, ele foi torturado e assassinado com sadismo típico de gente perversa, que sente orgasmo vendo a dor somada com impossibilidade de defesa.
Genivaldo de Jesus Santos, 38 anos, estava em sua motocicleta quando foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal. Ele tomava remédios controlados há 20 anos, e estava com cartelas de medicamentos no bolso. O crime dele? O mesmo crime do presidente da república: andar sem capacete em rodovias e BR’s. Acontece que Genivaldo não tinha como - criminosamente - usar o "poder presidencial" para pilotar moto sem capacete.
Genivaldo, indignado, reagiu com a palavra, dizendo que estava indo comprar os seus remédios. Mas os policiais rodoviários, totalmente despreparados (como mostram as imagens), trataram esse homem indefeso com truculência estarrecedora. Ele foi jogado no porta-malas da viatura juntamente com uma bomba de gás. Depois o Instituto Médico Legal atestou a sua morte por asfixia mecânica e insuficiência respiratória aguda. Lógico!
O gás lacrimogêneo é um mecanismo de defesa da polícia, quando está dispersando pessoas AO AR LIVRE, EM ESPAÇOS ABERTOS, justamente para que os protestantes tenham como se defender, correndo, tendo o direito natural de respirar. Nesses casos as pessoas têm a chance de não se sufocar, pois o gás lacrimogêneo não pode ser respirado. Não há como morrer em consequência desse gás no meio da rua, pois há como buscar ar puro na mesma profusão.
Os policiais, sádicos, improvisaram uma câmara de gás dentro da viatura, como faziam nos campos de concentração nazista. Em plena luz do dia, e sendo filmados!
O sobrinho de Genivaldo disse que eles pediram para Genivaldo levantar as mãos e encontraram no bolso dele cartelas de medicamentos. Nesse instante ele ficou nervoso e perguntou o que tinha feito. Ele avisou aos policiais que seu tio sofria de esquizofrenia, mas não houve sensibilidade alguma.
Há poucos dias, fiquei chocado quando, no Ceará, um mendigo tomou a arma de um policial rodoviário federal e o matou juntamente com outro PRF. Qual brasileiro não se solidarizou com a PRF e com suas famílias naquela ocasião? O Brasil inteiro sentiu aquelas mortes, afinal são dois trabalhadores, pais de família, vitimados pelo banditismo.
Mas o que esses dois casos nos dizem? Ora, é fácil: DESPREPARO TOTAL DA PRF (pelo menos nesses dois casos). São duas situações chocantes e muito parecidas. No caso do Ceará, como um mendigo conseguiu tomar a arma de um PRF e matar dois desses profissionais com total controle da situação? É simplesmente inacreditável a falta de preparo.
No caso do Sergipe, onde os assassinos, ironicamete, são os PRF’s que mataram um homem indefeso e esquizofrênico, a razão é a mesma: DESPREPARO TOTAL. Esses homens não têm treinamento físico? O policial precisa ter força para imobilizar e algemar certas situações. Se Genivaldo fosse um “Incrível Hulk”, justificaria o uso mais potente da força.
A polícia é treinada para esses casos, cujos policiais sabem imobilizar um homem de porte forte sem precisar matá-lo. Pelo menos é o que falam. Mas cadê a força dos policiais? Cadê a inteligência emocional? As imagens mostram os policiais xingando o homem, chutando o seu estômago e sua perna. É esse o treinamento?
Confesso que tenho até medo de andar na rua e me deparar com alguma situação assim. Todos nós estamos sujeitos a isso, pois estamos lidando com policiais despreparados, sem condições emocionais de distinguir um homem de bem de um bandido de alta periculosidade. É o que se vê.
Inegavelmente a polícia não pode ser ‘macia’ em algumas situações. Não significa que deva ser estúpida, violenta, sádica e truculenta. O porte físico de Genivaldo não pedia uso total de força física dos policiais, e muito menos o uso impensável de um gás - que é instrumento de defesa deles - mas jamais dentro de uma viatura. Um cubículo.
Muito triste essa morte. Monstruosa. Percebe-se requintes de crueldade intencional da PRF, como se vingasse dos verdadeiros bandidos. Homens frios. Ignoraram os apelos do povo. Quantas pessoas ali gritavam por piedade para aquele homem indefeso, que nem bandido era. E mesmo que o fosse, que usassem a força física e o colocassem na viatura algemado, sem uso de gás.
Não podemos generalizar, mas, confesso, está difícil confiar e acreditar em todas as polícias. Os fatos falam por si. Se todo brasileiro que pilotar motocicleta sem capacete for assassinado, o que será do Brasil? Não estou justificando o erro da falta do uso desse equipamento salvador de vidas, mas façam uma reflexão sobre a terrível ironia: a Polícia Rodoviária Federal aborda um homem que não usava o equipamento que salva vidas, visando conscientizá-lo que ele poderá morrer por não usar esse equipamento e, pasmem, finda sendo ela, a própria Polícia que mata esse homem, e não a falta do capacete. É impressionante!
Finalizo com uma pergunta dirigida a todas as autoridades do Brasil e em especial à Polícia Rodoviária Federal: O QUE VOCÊS FARÃO COM O PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE AGORA EM DIANTE, QUANDO ELE PROMOVER OS SEUS ESPETÁCULOS CIRCENSES E CRIMINOSOS EM CIMA DE MOTOCICLETAS E SEM CAPACETE? CONVERSARÃO COM ELE NA BOA? USARÃO GÁS LACRIMOGÊNEO? USARÃO UM PESO E DUAS MEDIDAS?




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