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| Imagem criada por IA |
Agosto chega e, com ele, aquela velha lembrança
de que temos um mês para falar de folclore, como se o folclore tivesse
calendário, hora marcada e pudesse, durante trinta e um dias, sair de algum baú
empoeirado, vestir sua melhor roupa, dançar uma ciranda diante de nós e depois
voltar para o lugar de onde veio. Eu, particularmente, nunca consegui enxergar
o folclore assim. Talvez porque, cresci ouvindo minha mãe contando os festejos
que meu avô realizava na Fazenda Catolé de Fátima, aqui no Rio Grande do Norte. Toda a minha ancestralidade
está no Rio Grande do Norte. Meus pais nasceram aqui, mas tendo migrado para a
terra do Pantanal em 1953, perderam grande parte dos hábitos potiguares. Minha
mãe, hoje com 95 anos de idade, não preservou suas tradições nem mesmo na culinária norte-rio-grandense,
exceto seus doces de laranja da terra, de maneira que, tendo nascido nas terras
de Manoel de Barros, eu e meus irmãos fomos formatados ao modo
sul-mato-graossense. Sei que ainda aprendi com ela expressões como “malamanhado”
e “amufambado”, palavras desconhecidas pelo povo sul-mato-grossense e que era
para nós uma espécie de dialeto.
E então, desde que comecei a caminhar pelas
veredas de Nísia Floresta, descobri que o folclore não mora nos livros, embora
também esteja neles; não mora nos museus, embora possa ser encontrado neles;
não mora exclusivamente nas festas, nos cantos, nas danças ou nas lendas,
embora tudo isso seja profundamente folclórico. O folclore mora sobretudo naquilo que fazemos
sem perceber que estamos fazendo. Está na palavra que uma avó repete, no jeito
que um agricultor chama determinada ferramenta, na expressão que uma mãe usa
para repreender o filho, na receita que passa de uma mão para outra, no apelido
que atravessa décadas, na maneira de contar uma história, na forma de rir, de
xingar, de cumprimentar, de despedir-se, de pedir licença, de benzer uma
criança, de explicar uma doença, de inventar uma desculpa. Está, inclusive,
naquele sujeito que diz “vou chegando” justamente quando está indo embora,
deixando para trás uma das mais deliciosas contradições da nossa língua. E foi
justamente aí, nas palavras, que acabei encontrando uma das maiores
manifestações do nosso folclore.
Quando iniciei, em 1992, a pesquisa sobre a
linguagem no Rio Grande do Norte, eu não imaginava onde estava me metendo. Eu
apenas morava em Nísia Floresta e, como todo recém-chegado que presta atenção,
comecei a perceber que as pessoas falavam de maneira diferente da minha. Eu
vinha do Mato Grosso do Sul, carregando outro sotaque, outras palavras, outros
significados e outras maneiras de organizar a fala. Minha primeira vinda para
cá deu-se de ônibus, e quando eu ainda estava chegando ao Nordeste, que um
menino de cinco anos chamado Heitor sentou-se perto de mim e, sem saber,
tornou-se meu primeiro professor e foi ele que despertou um dicionário que
futuramente criei sobre a linguagem no Rio Grande do Norte. Ele falava
“painho”, “mainha”, “vôti”, “arrochado”, “capei o gato”, “mó d’eu”, “torou”, “é
chão!”, e eu, encantado com aquilo que para ele era simplesmente o modo natural
de falar, abri minha agenda e comecei a anotar. Eu não sabia, naquele instante,
que aquelas palavras seriam a primeira pedra de uma obra que me acompanharia
por d´cadas. O menino provavelmente nem se lembra de mim. Talvez jamais tenha
imaginado que suas palavras, ditas espontaneamente durante uma viagem
sobreviveriam numa velha agenda e, depois, em centenas de páginas. Mas é assim
que a cultura acontece. Ela não avisa quando está sendo criada. Ela
simplesmente acontece.
Foi também assim que aprendi que pesquisar
cultura popular é, antes de tudo, aprender a olhar e a ouvir. Não basta chegar
com um livro debaixo do braço e perguntar às pessoas quais são as palavras
antigas de sua cidade, porque muitas vezes elas não saberão responder. A
palavra popular não gosta de ser interrogada. Ela aparece quando quer. Ela
escapa no meio da conversa, vem escondida numa história, surge durante uma
receita, salta da boca de um agricultor enquanto ele trabalha. Foi por isso que
durante anos carreguei comigo lápis, agendas, papéis, cadernos e qualquer coisa
que pudesse servir de suporte para uma anotação. Escrevi palavras em pedaços de
papel, em capas de caderno, nas mãos e até na roupa. Uma vez, ouvi uma palavra
e tive de anotá-la discretamente num muro para depois voltar e copiá-la. Em
outra ocasião, conversando com um velho agricultor no meio da roça, ouvi uma
expressão que poderia desaparecer da minha memória antes que eu chegasse em
casa. Então escrevi no próprio chão. Corri para buscar papel e caneta, voltei à
roça e copiei. Pode parecer exagero, mas quem pesquisa a cultura sabe que aquilo
que não se registra pode desaparecer em segundos, principalmente quando é
inédito (para você) A pessoa que pronunciou a palavra talvez nunca mais a
pronuncie da mesma maneira; e se perguntarmos depois “como era aquela expressão
que o senhor disse?”, provavelmente ela já terá ido embora. A cultura popular é
assim: enquanto a gente pensa se deve anotar, ela pode estar morrendo.
Talvez seja justamente por isso que eu não
consiga separar folclore de linguagem. Para mim, a palavra popular é um objeto
folclórico de extraordinária importância, porque carrega dentro dela uma
história que muitas vezes ninguém escreveu. Uma palavra pode revelar a origem
de uma família, o contato entre povos, uma transformação social, uma antiga
profissão, uma brincadeira infantil, uma crença, uma doença, uma característica
do ambiente ou simplesmente a criatividade de alguém que, um dia, resolveu
dizer uma coisa de maneira diferente e foi compreendido. O povo pega a língua,
põe no bolso e sai andando com ela. Não pede licença ao gramático, não consulta
o dicionário e não pergunta se determinada construção é bonita. Ele precisa
comunicar-se. E, nessa necessidade, inventa, corta, acrescenta, troca sons,
engole sílabas, transforma significados, cria metáforas, exagera, compara,
brinca e, principalmente, faz-se entender. É por isso que nunca consegui chamar
essas palavras de “erradas”. O erro, nesse caso, muitas vezes está no nosso
olhar. Quando alguém diz “peitchu” em vez de “peito”, “mulé” em vez de
“mulher”, “ramo” em vez de “vamos”, “rou” em vez de “vou”, ou “entonce” em vez
de “então”, não está necessariamente destruindo a língua. Está utilizando uma
língua que recebeu, modificou e devolveu ao mundo com a sua própria marca. E
isso também é cultura.
Ao longo dos anos fui descobrindo que cada
povoado, cada família e, às vezes, cada casa possui pequenas particularidades
linguísticas. Algumas palavras são conhecidas por toda a cidade; outras vivem
restritas a duas ou três famílias. Algumas estão vivíssimas; outras parecem
respirar por aparelhos, esperando que a última pessoa que as conhece as
pronuncie pela última vez. Há palavras que os jovens já não entendem e há
expressões que as crianças ainda aprendem com os avós, mas deixam de usar na
escola porque alguém riu delas. Isso me preocupa mais do que qualquer palavra
estrangeira que apareça numa placa comercial. A língua sempre recebeu
influências. O português brasileiro nasceu justamente dessa capacidade de
absorver, transformar e recriar. O problema não está em mudar. O problema está
em acreditar que mudar significa necessariamente apagar. Quando uma criança
deixa de dizer uma palavra porque alguém a chamou de matuta, não estamos diante
de uma simples alteração linguística. Estamos diante de uma pequena violência
cultural. Ela aprende, talvez sem perceber, que a maneira como seus avós falam
é inferior. E, quando isso acontece repetidamente, perdemos não apenas uma
palavra, mas uma pequena parcela da nossa história.
Foi por isso que, durante a pesquisa, procurei
registrar tudo aquilo que encontrava, inclusive as palavras consideradas chulas,
estranhas, engraçadas ou desconcertantes. Não poderia fazer um inventário da
linguagem popular e escolher somente aquilo que me parecesse bonito. A cultura
não é uma sala arrumada para receber visitas. Ela possui poeira, gargalhada,
palavrão, superstição, exagero, contradição, malícia, inocência, ingenuidade e
até aquilo que preferimos esconder. O povo xinga de maneira criativa. Às vezes
uma pessoa que dispõe de cinquenta palavras para expressar sua indignação
escolhe justamente a mais inesperada. E quando junta “gota serena”, “mulesta”,
“cachorra”, “balaio”, “estopô” e tantas outras, produz uma construção que
talvez pareça absurda para quem não pertence àquele universo, mas que para o
nativo possui significado imediato. Há ali uma espécie de engenharia espontânea
da linguagem. O indivíduo não está simplesmente xingando: está construindo uma
cena. A palavra vem acompanhada da cara, do gesto, da voz, da pausa, da mão na
cintura, do movimento da cabeça, da expressão dos olhos. A linguagem popular é
quase teatral. Muitas vezes, se retirarmos os gestos, a entonação e a
circunstância, perderemos metade do significado.
Eis, então, outra razão pela qual considero a
linguagem parte essencial do folclore: ela não pode ser inteiramente separada
do corpo. O povo fala com a boca, mas também fala com as mãos, com os olhos,
com os ombros, com a postura, com a expressão facial. Uma mesma palavra pode
significar coisas completamente diferentes dependendo de quem a diz, como a diz
e em que momento a diz. O pesquisador que apenas registra a palavra, sem
observar o contexto, pode perder justamente aquilo que procurava. Foi por isso
que meu trabalho nunca se limitou a uma lista de vocábulos. Procurei registrar
significados, exemplos, observações, curiosidades e circunstâncias. Eu queria
conservar não somente a palavra, mas o mundo em que ela vivia. Porque uma
palavra fora do seu ambiente é como um peixe fora d’água: continua sendo peixe,
mas já não se comporta da mesma maneira.
E agosto me faz pensar nisso com ainda mais
intensidade. Fala-se muito em preservar o folclore, mas pouco se fala em
preservar o ouvido. Talvez devêssemos começar por aí. Antes de fotografar uma
manifestação, precisamos aprender a escutá-la. Antes de escrever sobre uma
festa, precisamos perguntar quem a realiza, há quanto tempo, quem ensinou, o
que mudou e o que permaneceu. Antes de registrar uma cantiga, precisamos saber
quem a canta. Antes de escrever uma palavra no papel, precisamos descobrir em
que boca ela nasceu, ou pelo menos em que boca ela sobreviveu. O verdadeiro
pesquisador da cultura precisa ter alguma coisa daqueles viajantes europeus –
os honestos, no caso –, que aqui chegavam e registravam tudo. Precisa caminhar.
Precisa conversar. Precisa sentar-se com quem sabe. Precisa ter paciência.
Precisa aceitar que uma tarde inteira pode resultar numa única palavra. E
precisa compreender que essa palavra pode valer mais do que cem páginas
escritas sem contato com a realidade.
Foi assim que passei a compreender melhor aquilo
que fiz durante tantos anos. Eu não estava simplesmente colecionando palavras.
Estava recolhendo pequenas peças de uma memória coletiva. Cada expressão
anotada representava uma pessoa, uma família, uma conversa, um lugar, uma
situação. Quando escrevi uma palavra no chão da roça, estava, sem saber,
tentando impedir que um pequeno pedaço daquela paisagem desaparecesse comigo.
Quando anotei as palavras de Heitor naquela viagem de ônibus, estava
registrando não apenas o modo de falar de uma criança, mas o encontro entre
dois universos linguísticos: o meu, sul-mato-grossense, e aquele Nordeste que
eu começava a descobrir. Quando entrei nas casas, conversei com idosos, ouvi
agricultores, donas de casa, crianças, comerciantes, trabalhadores, pessoas
escolarizadas e pessoas que jamais haviam estado numa universidade, compreendi
uma coisa que nenhum dicionário poderia me ensinar: a língua pertence a quem a
usa.
E talvez seja essa a grande beleza do folclore.
Ele não pede diploma para existir. Não exige autorização. Não precisa que
alguém diga que aquilo é cultura para que passe a sê-lo. Uma senhora que guarda
uma receita de família está preservando cultura. Um agricultor que sabe o nome
antigo de uma ferramenta está preservando cultura. Uma criança que aprende uma
cantiga com a avó está preservando cultura. Um homem que utiliza uma expressão
que já quase ninguém conhece está carregando um pedaço do passado dentro da
boca. E quando esse homem morre, aquela palavra pode morrer com ele, a menos
que alguém tenha parado para ouvir.
Por isso, quando chega agosto e vejo tantas
homenagens ao folclore, não consigo deixar de pensar nas palavras que ainda
estão por aí, esperando que alguém as escute. Penso nas expressões que talvez
estejam desaparecendo neste exato momento, enquanto escrevo. Penso nos idosos
que ainda conhecem histórias que seus netos jamais ouviram. Penso nas crianças
que já falam através das telas, incorporando palavras que chegam de longe,
enquanto algumas palavras da própria casa vão ficando silenciosas. Não sou
contra a modernidade, nem poderia ser. A língua sempre mudou e continuará
mudando. A televisão, o rádio, a internet, os telefones e as redes sociais
apenas aceleraram um processo que existe desde que o primeiro homem percebeu
que podia aprender uma palavra de outro homem. O problema não é a mudança. O
problema é a substituição inconsciente, aquela em que deixamos de usar o que é
nosso porque passamos a acreditar que aquilo que vem de fora é mais bonito,
mais moderno ou mais correto. Sou contra a perda da identidade.
Aprendi, pesquisando, que uma palavra pode viajar
mais do que um homem. Pode atravessar estados, países, oceanos e séculos. Pode
chegar diferente, perder uma sílaba, ganhar outra, mudar de significado e
continuar sendo reconhecida por alguém. O português que falamos hoje é
justamente o resultado de incontáveis encontros dessa natureza. Há nele
português antigo, línguas indígenas, influências africanas, palavras árabes,
italianas, francesas, inglesas e tantas outras marcas que seria impossível
separá-las completamente. O idioma é uma espécie de grande rio: recebe
afluentes, mistura águas, carrega sedimentos e nunca permanece exatamente
igual. Querer impedir esse movimento seria tão inútil quanto tentar segurar um
rio com as mãos. O que podemos fazer é conhecer o rio, reconhecer seus
afluentes e não esquecer de onde veio a água que estamos bebendo.
Foi isso que tentei fazer com minha pesquisa.
Olhar. Ouvir. Anotar. Perguntar. Voltar. Comparar. E, sobretudo, não deixar
desaparecer. Talvez por isso eu tenha passado tantos anos reunindo palavras.
Não havia pressa. A pesquisa popular possui um tempo próprio. Às vezes eu
passava meses sem abrir o velho livro de atas onde anotava algo novo e revisava.
De repente, alguém dizia uma palavra e lá estava eu novamente, procurando
papel, caneta ou qualquer superfície disponível. A palavra vinha e eu precisava
agarrá-la antes que escapasse. Hoje, olhando para trás, percebo que talvez esse
tenha sido o verdadeiro método da pesquisa: esperar que a cultura falasse.
E ela falou muito. Falou através de crianças e
idosos, de agricultores e donas de casa, de pessoas simples e de pessoas
instruídas. Falou atrav´s das festas, das histórias, dos apelidos, das
expressões, das pronúncias, dos erros que não eram erros, das palavras que só
faziam sentido dentro de determinada família, dos termos que pareciam absurdos
até serem colocados dentro de uma frase. Falou através de “vou chegando”, de
“capei o gato”, de “piquei a mula”, de “entonce”, de “vórrmicê”, de “peitchu”,
de “muintcho”, de “xerém”, “priziaca”, “brebote”, “indês, de tantas outras
palavras que, quando pronunciadas por alguém, deixam de ser apenas palavras e
passam a ser pequenos retratos de uma gente.
Talvez seja essa a minha maneira de comemorar
agosto. Não quero apenas falar sobre folclore. Quero ouvi-lo. Quero procurá-lo
onde ele ainda está vivo, especialmente onde ninguém colocou uma placa dizendo
“aqui existe patrimônio cultural”. Quero continuar acreditando que uma conversa
numa calçada pode ter o mesmo valor documental de um livro; que a memória de um
agricultor pode guardar informações que jamais aparecerão num arquivo oficial;
que uma palavra aparentemente insignificante pode ser uma relíquia; que o
sotaque de uma pessoa pode contar a história de sua família; que uma expressão
engraçada pode conservar dentro dela uma visão de mundo. Sábado passado, por
exemplo, fui à feira do Alecrim comprar pupunha (que adoro). Para minha
surpresa o dono da banca havia sido meu aluno em Nísia Floresta. Logo ele disse
“essa é tão boa que o senhor come e não enfara” (enjoa). Obviamente que
entendi, mas muitos poderiam não saber o significado.
Depois de tantos anos, uma coisa me parece cada
vez mais evidente: o nosso folclore não está morto; nós é que, muitas vezes,
deixamos de escutá-lo. Ele continua falando. Está na boca do povo. Está na voz
da velha que ainda diz uma palavra que ninguém mais entende. Está no menino que
repete uma expressão aprendida do avô. Está no agricultor que nomeia o mundo à
sua maneira. Está na mulher que prepara uma comida ensinada pela mãe. Está na
festa que continua acontecendo mesmo depois que quase ninguém sabe explicar sua
origem. Está na gargalhada, na reza, na cantiga, no apelido, no palavrão, no silêncio
e até naquela palavra estranha que alguém acaba de pronunciar e que, por algum
motivo, me faz imediatamente procurar uma caneta.
É por isso que, neste agosto, mês dedicado ao folclore, eu volto às minhas velhas anotações com a sensação de quem retorna a uma casa antiga. Algumas palavras ainda estão de pé. Outras desapareceram. Algumas mudaram de significado. Outras permanecem teimosamente vivas. E há aquelas que continuam esperando alguém dizer novamente. Eu, se puder, continuarei ouvindo. Porque aprendi que pesquisar a cultura popular é, no fundo, uma maneira de dizer às pessoas: eu ouvi o que você disse; aquilo que parecia pequeno para você também tem valor; sua maneira de falar também conta a história deste lugar. E talvez seja essa a maior homenagem que podemos prestar ao nosso folclore. Antes de celebrá-lo, escutá-lo. Antes de dizer que determinada palavra está errada, perguntar por que ela nasceu assim. E, antes que desapareça, anotá-la. Uma palavra que desaparece da boca de um povo talvez leve consigo uma pequena parte daquilo que esse povo foi. Viva apalavra!

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