ANTES DE LER É BOM SABER...

Contato (Whatsapp) 84.99903.6081 - e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com. Ou pelo formulário no próprio blog. Este blog, criado em 2009, é um espaço intelectual, dedicado à reflexão e à divulgação de estudos sobre Nísia Floresta Brasileira Augusta, sem caráter jornalístico. Luís Carlos Freire é bisneto de Maria Clara de Magalhães Peixoto Fontoura (*1861 +1950 ), bisneta de Francisca Clara Freire do Revoredo (1760–1840), irmã da mãe de Nísia Floresta (1810-1885, Antônia Clara Freire do Revoredo - 1780-1855). Por meio desta linha de descendência, Luís Carlos Freire mantém um vínculo sanguíneo direto com a família de Nísia Floresta, reforçando seu compromisso pessoal e intelectual com a memória da escritora. (Fonte: "Os Troncos de Goianinha", de Ormuz Barbalho, diretor do IHGRN; disponível no Museu Nísia Floresta, RN.) Luís Carlos Freire é estudioso da obra de Nísia Floresta e membro de importantes instituições culturais e científicas, como a Comissão Norte-Riograndense de Folclore, a Sociedade Científica de Estudos da Arte e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Os textos também têm cunho etnográfico, etnológico e filológico, estudos lexicográficos e históricos, pesquisas sobre cultura popular, linguística regional e literatura, muitos deles publicados em congressos, anais acadêmicos e neste blog. O blog reúne estudos inéditos e pesquisas aprofundadas sobre Nísia Floresta, o município homônimo, lendas, tradições, crônicas, poesias, fotografias e documentos históricos, tornando-se uma referência confiável para o conhecimento cultural e histórico do Rio Grande do Norte. Proteção de direitos autorais: Os conteúdos são de propriedade exclusiva do autor. Não é permitida a reprodução integral ou parcial sem autorização prévia, exceto com citação da fonte. A violação de direitos autorais estará sujeita às penalidades previstas em lei. Observação: comentários só serão publicados se contiverem nome completo, e-mail e telefone.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Grupo Escolar Barão de Mipibu - Grupo Escolar Nísia Floresta - Curiosidades

Imagem de internet

O "Grupo Escholar Barão de Mipibu, conforme vocabulário de época, foi Criado oficialmente em 1909, a partir de uma lei promulgada pelo governador Alberto Maranhão, que sucedeu o escritor nisiaflorestense Antonio de Souza, autor da lei de 1908, que mandava criar escolas no estado. 

 

O decreto informa que o citado prédio se localiza na "Praça Tavares de Lyra". Não sei se o nome original resiste, mas a  edificação resiste praticamente intacta. Antonio de Souza foi "o governador  da Educação". Sua gestão foi marcada  por criações de escolas e diversas leis pertinentes.  O belo e famoso edifício consiste numa das mais belas obras da arquitetura local. O prédio foi mandado construir pelo famoso "Barão de Mipibu" (Miguel Ribeiro Dantas, seu nome de batismo), o homem nais rico da localidade, residente no Engenho "Lagoa do Fumo". 

Imagem de internet

O Barão inspirou-se num decreto de 1872, que orientava que os Presidentes de Intendências construíssem Casas de Instrução Públicas, portanto adiantou-se bastante. Foi homem de visão. Até hoje o prédio  exerce o papel de educandário. Já o prédio de Papary não conta com o mesmo desvelo, e não tem mais a função de escola. O "Grupo Escholar Nysia Floresta" também foi criado em decorrência da lei assinada por Antonio de Souza, mas em 1910, conforme decreto do governador Alberto Maranhão. A letra Y foi uma viagem mental, pois Nísia sempre escreveu o seu nome com "i". Tanto o Grupo Escolar de Mipibu quanto o de Nísia Floresta tiveram os seus Regimentos Escolares tais quais o do famoso "Grupo Escholar Augusto Severo", de Natal, este criado em 1908 pelo governador Antonio de Souza. 


Percebe-se na fotografia um letreiro em alvenaria, em alto relevo, informando "Grupo Escholar Nysia Floresta". Acaso o letreiro tivesse sobrevivido, não seria visível haja vista a parede da antiga Câmara (ao lado). Por que teriam escrito de um lado impossível de ver? Porque originalmente o prédio foi erguido numa esquina, mas um prefeito descaracterizou o amplo largo da Matriz, pincelando boa parte desse espaço com comodozinhos de péssimo gosto, destruindo o estilo colonial da cidade. Como sempre digo "ignorância é um câncer". Mas pelo menos conservaram o 'esqueleto' do prédio. A edificação pertenceu ao Coronel José de Araújo,  primeiro presidente da Intendência da então "Vila Imperial de Papary". Originalmente era sua residência. Em 1992, dona Estelita Oliveira, uma antiga moradora de 90 anos de idade, bisneta do "Cavaleiro da Rosa", contou-me que o conheceu pessoalmente, e que ele assistia missa da janela de seu casarão. Era senhor de engenho e integrante da Guarda Nacional. Irmão de Accúrcio Marinho, que também era da Guarda Nacional. Um dos critérios para integrar essa respeitável corporação era justamente ser gente de muitas posses. Ter sido da Guarda Nacional não significa necessariamente ter sido militar, tampouco integrado pelotões militares, embora - logicamente - existiam membros da Guarda Nacional que, de fato, eram das milícias, ou seja, eram militares na ativa.

 

Retomando as informações sobre o "Grupo Escholar Barão de Mipibu", julgo conveniente registrar três ex-diretores dessa instituição como meus primos legítimos. MARIA DE LOURDES PEIXOTO, gestora na década de 1940 e também na década seguinte. Contam que era uma educadora na mais pura acepção da palavra. Fazia "milagres" para tornar o ambiente acolhedor e com características mais pedagógicas. Muito rígida. Praticamente morava dentro da escola, pois sua casa ficava atrás do Grupo Escolar. Essa residência ainda existe. Fixa atrás da antiga Apami. 

 

Uma tia me contou que ela mandava fazer comida em sua casa e oferecia gratuitamente às crianças humildes, sem fazer disso qualquer alarde. Era devoradora de livros, e tinha coleções de Monteiro Lobato, Teodoro Sampaio, Câmara Cascudo e outros notáveis escritores. Lutou muito para que Mipibu tivesse o curso ginasial, conseguindo sensibilizar  o governador, tornando-se inclusive sua primeira diretora. Contam que seu sepultamento foi marcado por profunda consternação, pois era muito querida e respeitada. 

TAMIRES ÍTALO TRIGUEIRO PEIXOTO, gestor na década de 1990. Nada sei sobre sua gestão. Era historiador. Sei mais sobre a pessoa dele, que sobre seu trabalho junto ao Barão de Mipibu. TAMIRES, foi um homem de uma honradez e decência incríveis. Era espírita. Pensava  mais  nos outros do  que  nele. Também foi  gestor da Escola Estadual Francisco Barbosa. Foi um educador muito respeitado. 

JOÃO MARIA FREIRE, gestor no final da década de 1990. Também não sei muito sobre sua gestão, mas recordo-me que um dia ele me contou ter conseguido tombar o prédio, em conformidade com as leis de Patrimônio Histórico/IPHAN e teve o cuidado de conseguir contemplar o prédio do Barão de Mipibu num projeto da Telemar, cuja fotografia do mesmo passou a figurar nos antigos cartões telefônicos em todo o Brasil. Ele também foi secretário de educação de Mipibu.

Escola Estadual Nísia Floresta em registro de 1970 (prédio atual)

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Efeito Temer

Bolsonaro insuflou os seus apoiadores para ir às ruas, dar o golpe e concretizar aquilo que ele sempre diz "QUEM MANDA AQUI SOU EU", pois é megalomaníaco e desequilibrado. Uma porção de lideranças favoráveis a ele, capazes de violência verbal e física contra opositores, estava preparada para um golpe. Aguardavam-no. Mas com certeza alguém - ao estilo Temer (outro golpista traiçoeiro - mas diplomático, diga-se de passagem), buzinou nos seus ouvidos algo do tipo "não faça isso que você será ‘impitimado’ em menos tempo do que já está provável". Só sei que Bolsonaro, certamente tendo o seu ego megalomaníaco massageado pelos apoiadores, muitos deles pagos para estarem ali (isso pode ser comprovado em muitos vídeos na internet), se segurou para não dar o golpe. E frustrou os seus.

Um presidente da república deve ser diplomático, equilibrado, proativo, visionário e jamais buscar caminhos inconstitucionais, jamais usar linguajar chulo como lhe é de praxe. A Democracia permite a ele e seus apoiadores atos públicos em defesa daquilo que entendem como democrático, mas um ato que pede fechamento do congresso nacional, intervenção militar e outras barbaridades inconstitucionais consistem em crime. Quando um presidente da república instiga esse tipo de evento promove o seu possível ‘impitimam’. Somente uma mente limitada é capaz de considerar o ato de sete de setembro passado como uma manifestação normal. Poderia ter sido se não tivessem desrespeitado a Constituição Federal.
 
Bolsonaro é um homem tão despreparado que ouve qualquer pessoa violenta e ignorante como um guru. Ele não aceita o olhar da cientificidade, da intelectualidade. Hoje, quando ele ouve o ex-presidente Temer - outro golpista - mas diplomático e culto -, fica ainda mais visível tudo o que foi arquitetado quando ele era o vice-presidente de Dilma. Golpistas se identificam com golpistas. Essa amizade é antiga, e como Temer estará sempre ao lado dos que massacram, preferiu pedir que Bolsonaro moderasse o tom. Ele quer Bolsonaro no poder, pois isso facilita a vida dos ricos do Brasil. 
 
Com certeza até os textos conciliadores que foram publicados, se desdizendo, pedindo desculpas, foram escritos por Temer. A retórica de Bolsonaro, se assim devo dizer, não é essa. É chula. Na realidade ele teve medo. Viu o estrago que fazia, percebeu que está caído e que aquele circo seria o seu fim. Só não esperava que seria frito por seus apoiadores trogloditas, que se decepcionaram com o fato de ele ter pedido arrego, pois eles queriam o golpe que Bolsonaro divagava em todas as suas falas. Queriam violência, estavam nas ruas preparados para tudo. Agora eles não se conformam de o revólver de Bolsonaro ter murchado, ter virado contra ele próprio.
 
Bolsonaro não sabe trabalhar com a diplomacia, não consegue dialogar com opositores. Está no lugar errado. Seus apoiadores polarizaram como água e óleo. Dividiram-se ao invés de unir. Bolsonaro sente-se mito, mas é um malassombro. A grande maioria de seus apoiadores alimentaram um discurso ridículo e com limitações intelectuais, gritando aos sete cantos que quem é contra Bolsonaro é contra o Brasil, não é patriota, é contra a família, é ateu, é comunista, quer fechar igrejas, e mais incisivamente “é petista”. Discursos dignos de gente ignorante, despreparada, desqualificada, lunática. Gente que não conhece a própria História do Brasil. 
 
Para eles só existem dois lados: PT x Bolsonaro. O Brasil virou isso. E quem não era do PT? E de onde vieram tantos comunistas que alegam existir no Brasil?, pois a maioria dos brasileiros ficaram em suas casas? Eles esperavam que o povo brasileiro participaria em massa, mas não! Só os bolsonaristas foram ao circo de horrores. Os números falam por si. É só ler nos saites sérios. Os bolsonaristas precisam saber que há milhares de ex-bolsonaristas que ficaram em casa torcendo pela queda dele, que inclusive ainda não conseguiu mostrar para quê veio. 
 
Somente uma pessoa ingênua - ou ignorante - defende que esse cidadão é honesto e qualificado para ser um chefe de estado. Sua carreira militar foi pífia, há quase 40 anos ele está na política trabalhando com rachadinhas, esquemas politiqueiros, arquitetando práticas que são contra o próprio povo, principalmente as minorias. Você procura um projeto significativo dele e de seus filhos, nessa trajetória política, e não encontra nada. Ele caiu nas graças de alguns pelo fenômeno das fake news, pois são mestres em mentiras e mancomunações. São ligados a milicianos. São cercados por uma infinidade de gente sem escrúpulos, que participam desses esquemas de desvios de verbas públicas (ex-esposas, filhos, parentes, amigos pessoais, policiais, milicianos e outros políticos). 
 
Esse indivíduo nefasto nunca foi o novo. Ele é a velha política dos coronéis, dos latifundiários e dos ricos (não digo elite porque elite tem classe, sabe pelo menos falar, escrever, se comportar como gente, não é essa mundiça deplorável, como dizem os nordestinos). Diz representar a família, mas ele e um dos filhos já passaram por vários casamentos fracassados e com adultério de ambos os lados. Usam a religião para parecer bons, mas na prática pregam a Lei de Talião. Religião para eles funciona como escudo e roupa. Estão longe de praticarem Jesus. 
 
Chamam-se uns aos outros de patriotas, mas nada têm disso. Usam a bandeira como símbolo, mas a Bandeira Brasileira não representa a ignorância, violência e o atentado ao Estado de Direito. A Bandeira Brasileira e o Hino Nacional não podem ser usados como símbolo de quem prega intervenção militar e fere a Constituição Brasileira. Ela está ao lado de quem fomenta a desigualdade social. Eles não sabem o que fazem. O que sabem é truculência e ignorância. O que assistimos é uma mistura de gente má, que não admite o pobre melhorar de vida e entrar no mesmo avião que eles, na mesma universidade que os filhos deles. Eles endossam as desigualdades sociais, pois um povo na miséria se submete à escravidão moderna. Um povo sem pão aceita a burrice. Desculpem usar essa expressão, mas torna-se necessário. Prova é que no meio de muitos bolsonaristas se somam uma parcela de gente inocente, desinformada, que aceita as mentiras que os ricos lhes contam para depois lhes massacrar. 
 
No dia sete de setembro vi que muitos evangélicos foram às ruas dizendo que precisavam falar de política nas igrejas, pois somente assim estariam evitando que seus filhos e netos, no futuro, pudessem ter direito às suas religiões, pudessem pregar o evangelho… Ora! Que ignorância! Que estupidez! Como um pastor ou um/a líder religioso/a se dá a tal desplante? Liberdade de culto está na Constituição Brasileira e saibam, inclusive, que uma das brasileiras - embora tão difamada - que lutou por esse direito foi Nísia Floresta Brasileira Augusta, dentre outros intelectuais. 
 
Que história mais descabida é essa? Inventam asneiras e bizarrices para enganar ovelhas e emburrecê-las, acreditando em teorias de conspiração absurdas. Como se a maioria do povo brasileiro - contra Bolsonaro - fosse o Diabo em pele de gente. Que absurdo! Conheço ateus que são referências em justiça, em respeito ao próximo, em caridade, em luta em prol da justiça social, e estão anos-luz em dignidade e decência, incomparáveis a muitos pastores mercenários e desqualificados para o cargo que ocupam, e ovelhas evangélicas mentirosas, reprodutoras de mentiras absurdas. A internet traz vídeos que assustam. São bizarrices. Shows de horrores. 
 
Quem é esse povo para dizer que quem é contra Bolsonaro defende a proibição às religiões e aos cultos públicos? Sejam honestos nos seus argumentos! Há um mundo contra esse desgoverno, desde ateus a católicos, evangélicos, budistas, agnósticos, espíritas, umbandistas e uma infinidade de doutrinas diferentes. Não mintam aos fiéis. Sejam pastores de verdade! Preguem o evangelho ao invés de instigar o ódio num local onde menos deveriam. Sejam patriotas de verdade, respeitem a Bandeira, respeitem o Hino, respeitem a Democracia! O Evangelho não pode estar no mesmo lugar do ódio, da mentira, da mancomunação politiqueira disfarçada de pastoral. Estudem História. Ainda bem que essa bizarrice ignorante não representa a fala dos evangélicos verdadeiros. 
 
Que idiotice é essa de certos bolsonaristas dizerem “minha bandeira jamais será vermelha”. Apresentem algum documento de alguém que tenha proposto mudar a cor da Bandeira para vermelho. Isso não existe. É só mais uma coisa de lunáticos, fanáticos fundamentalistas ignorantes. É inconstitucional mexer na Bandeira e ninguém quer isso. 
 
As bandeiras vermelhas que vão às ruas representam as bandeiras de partidos políticos de quem está ali, das instituições que lutam por cidadania e igualdade social. A Bandeira do Brasil - segundo a Constituição Brasileira - deve estar no seu devido lugar, e jamais ser arrastada sobre fezes de cachorro nos gramados de Brasília ou enroladas em pessoas. E nós respeitamos isso. Se há uma minoria que age ao contrário, não a use como parâmetro para o discurso de ódio. Ir às ruas em gesto reivindicatório é um ato político, portanto deve-se levar as bandeiras de seus partidos e seus segmentos institucionais. É isso que fazemos! 
 
DEIXEM DE MENTIR, DEIXEM DE ACREDITAR NOS LOUCOS E IGNORANTES! E quanto ao homem que desgoverna o Brasil, não se enganem com ele. No momento ele vive o seu "efeito-Temer". Ele está sobre tais eflúvios, mas o efeito passará, e ele voltará a ser o sociopata que sempre foi. Ele, sim, não tem bandeira, nem hino e nunca foi patriota. É um cego guiando cego.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Freud explica o falicismo bolsonarista

 


O problema, "no fundo no fundo", é sexual. O falicismo dessa imagem fala por si. Um misto de seres humanos traídos por seus/suas "amantes" (folcloricamente chamados de "chifrados/chifreiros"), outros, por ter uma bananinha no lugar do fuzil, outros, pela frigidez, e tudo isso regado a religião, falso patriotismo dito em nome da família, mesmo que seja uma família chifrada ou de chifradores...

 

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Hoje é o "Dia da Independência do Brasil", e quero falar sobre o patriotismo que aprendi com meus pais e com os livros...


HOJE É O “DIA DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL”, E QUERO FALAR SOBRE O PATRIOTISMO QUE APRENDI COM MEUS PAIS E COM OS LIVROS...
 
Hoje é o aniversário da Independência do Brasil. Desde pequenos aprendemos a cultuar os valores cívicos como bandeiras, hinos e suas derivações, além de regras que devem ser respeitadas quando se lida com esse patrimônio. Nos últimos tempos, reproduções da Bandeira Brasileira têm servido de roupa, lenços, toalhas de banho, calcinhas, cuecas, e até pano de chão. O Hino Nacional parece ter adquirido proprietários. Proprietários hostis, que usam armas de fogo. Eles acusam que o civismo morreu, que as escolas não ensinam mais os valores decorrentes. Culpam os professores e as escolas. Alguns até os demonizam. Mas engana-se quem diz ou pensa dessa forma. É óbvio que a prática do Civismo não é igual à do passado. Algo se diluiu. Houve mudanças, mas é estúpido alegar que escolas e professores são responsáveis por tal diluição.
 
A lei federal pertinente à Bandeira do Brasil e ao Hino Nacional é muito ampla e rigorosa. Ela é cheia de “pode” e “não pode”. É regra sobre regra. Alguém se lembra, dia desses, de uns soldados dançando "funk" dentro de um pelotão do Exército, ao som do Hino Nacional nesse estilo? Se fosse antes de 1985, eles teriam sido presos e punidos com seriedade, portanto me assusto quando vejo muitos bolsonaristas fazendo armas com os dedos, usando a bandeira como um manto e cantando o Hino Nacional de calcinha e sutiã no capô de um carro. E o próprio Presidente da República, que - contraditoriamente - defende o “resgate” do que no passado os professores ensinavam na disciplina denominada “Educação Moral e Cívica”, destrói tudo isso.
 
O Presidente da República, apesar de ser um Capitão do Exército (aposentado), esqueceu de que reza a lei que a própria Bandeira do Brasil nunca se abate em continência. E muito menos a bandeira de um país alheio, como ele fez diante da bandeira dos Estados Unidos da América. Em outras palavras, ele ensina o Civismo ao contrário. Temos na presidência da república os piores exemplos. Um homem sem qualificação alguma e que instiga a violência que parece comandar o Brasil.
 
As leis federais referentes ao Hino Nacional e a Bandeira do Brasil exigem os locais corretos para se entoar o Hino Nacional. Eu aprendi assim e sempre respeitei isso. Mas hoje ele é tocado nos botecos, nas praias, ruas, cabarés, e serve até para revidar com hostilidade pessoas que não concordam com o governo, como se, colocando o Hino Nacional para tocar traz dignidade à violência e à ignorância que eles vomitam a todo instante. Pior: julgam que quem discorda do governo não é patriota e não respeita o Hino Nacional. Vejam a barbaridade e a contradição. Os que se proclamam “patriotas” descumprem as regras de “patriotismo” em nome do “patriotismo”. É como essa atual moda de falar o nome de Deus a torto e a direito, e fazer gestos de armas dentro de igrejas. “Patriotismo” louco. “Civismo” demente e equivocado.
 
Você já viu o símbolo das Armas Nacionais exposto em lugar central da prefeitura e da Câmara Municipal de sua cidade? Não? Então não culpe os professores. Culpe os responsáveis por tais instituições, pois a lei obriga isso. Se alguma escola de sua cidade não exibe a Arma Nacional, ela não cumpre a lei, que, por sinal, é muito antiga.
 
Quanto ao respeito ao Hino Nacional e a Bandeira Nacional, a lei federal diz que as cerimônias de hasteamento ou arreamento, nas ocasiões em que a Bandeira se apresentar em marcha ou cortejo, assim como durante a execução do Hino Nacional, todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio, os civis do sexo masculino com a cabeça descoberta e os militares em continência, segundo os regulamentos das respectivas corporações. Ou seja, não se deve usar o Hino Nacional em meio a galhofa, bebendo cachaça, arrastando a bandeira no corpo, sujando-a de terra e coco de cachorro no chão, nem seminu etc, como assistimos quase que diariamente nessas movimentações bolsonaristas. O simples fato de ouvi-lo em execução exige-se a retirada do chapéu ou boné, e a posição de sentido. Inclusive há um “parágrafo único”, curto e grosso, dizendo que é vedada qualquer outra forma de saudação ao Hino Nacional e a Bandeira Nacional. Ou seja, a lei recrimina essa patuscada feita à Bandeira Nacional durante movimentações públicas, mesmo que sejam cópias, pois é proibido cópias dela.
 
Quando você ouvir alguém dizendo que pessoas de esquerda querem tingir a bandeira do Brasil com a cor vermelha, pois não as levam durante protestos públicos, diga assim: “eles levam as bandeiras de seus partidos políticos, de instituições ou de seus segmentos de natureza ideológica, pois a bandeira do Brasil não deve ser execrada nas ruas, como vemos. Diga que a bandeira deles está onde deve ficar, principalmente dentro de seus corações, peça a essas pessoas que procurem ler, se informar, estudar e depois voltar para conversar”. Jamais o questionador voltará para te hostilizar, pois não terá argumentos. Você se pautou na Constituição Brasileira. Quem vai aos protestos públicos arrastando a Bandeira Brasileira como se fosse um molambo, roupa ou copo de cerveja, deveria levar as bandeiras de seus partidos, ou dos segmentos que pertencem, ou nenhuma bandeira, acaso não pertença a um partido político, pois a Bandeira Brasileira é sagrada.
 
E não acaba aqui. A Lei Federal proíbe hasteá-la em mau estado de conservação, modificar as tonalidades das cores, o tamanho e o dístico, vesti-la em tribunas, cobrir placas, painéis e monumentos para inaugurar alguma obra, reproduzi-la em rótulos ou invólucros expostos à venda, enfim as proibições são claras. Você já viu algum vereador, prefeito, deputado, senador, presidente, policial militar, soldado do Exército entregar bandeiras velhas de suas instituições em Unidade Militar, para que sejam incineradas? Não? Então eles não são patriotas e nem praticam o civismo. E a lei ainda diz que essas bandeiras velhas, recebidas pelas unidades militares, devem ser incineradas (queimadas) de acordo com um ritual militar no Dia da Bandeira Nacional. Vejam o nível do aparato ritualístico.
 
Quando você ouvir algum soldado do Exército Brasileiro - ou qualquer pessoa – dançando “funk” e fazendo gachimonhas com o Hino Nacional, oriente-o que a lei proíbe tal bizarrice, e proíbe executar qualquer arranjo vocal do Hino Nacional, pois só sãos permitidos os arranjos de Alberto Nepomuceno (ou seja, é inimaginável um Hino Nacional em ritmo de “Funk” ou qualquer outro). E diga aos soldados militares que é proibido, conforme Lei Federal, a execução de arranjos artísticos instrumentais do Hino Nacional, e que se porventura, mediante necessidade especial, se postule qualquer prática destoante, deve ser autorizada pelo Presidente da República, depois de o mesmo consultar o Ministério da Educação e Cultura e toda uma equipe especializada em Heráldica. Ou seja, é imutável, pois jamais alguém abriria precedentes para isso. Mas o atual presidente da república, por ser um homem ignorante em sem qualificação, faz ao contrário, pois nem ele tem conhecimento, tendo passado pelas Forças Armadas de forma medíocre, inclusive tendo feito até atentado terrorista. Que patriota!
 
Lembremos que a “culpa” (se assim devemos dizer) pela prática tosca e deturpada do civismo e patriotismo brasileiros têm muitos responsáveis. Não culpe os professores. Vejamos mais essa: os comerciantes que vendem a Bandeira Brasileira e a Bandeira das Armas Nacionais em seus comércios, só devem fazê-lo se trouxerem na tralha do primeiro e no reverso do segundo a data de fabricação, a marca e o endereço do fabricante ou editor. O que dizer das milhares de bandeiras brasileiras que vêm da China? E os lençóis de Bandeira Brasileira, e as Bandeiras em formato de bandeirolas usadas durante a Copa do Mundo? São os professores que ensinam isso?
 
Ainda não terminei! A Lei Federal tem penalidades para infratores de tudo aquilo que ela reza como proibido. Talvez alguns nem acreditem, mas a palavra oficial é CONTRAVENÇÃO. Portanto, o CONTRAVENTOR pagará multa de uma a quatro vezes o maior valor de referência vigente no País, elevada ao dobro nos casos de reincidência. Se se considerar como patriotas esses papangus que vimos por aí atualmente, metidos em movimentações e protestos eufóricos, enrolados na bandeira nacional - e muitas vezes cheios de hostilidades, agressões verbais e físicas - tenha certeza que eles modificaram o sentido de patriotismo, associando-o à violência e ignorância. E quando se tem um Presidente da República que ignora a essência do Patriotismo e Civismo, mas os defende ferrenhamente, por entender que as Forças Armadas são donas do Patriotismo e Civismo, está-se diante de um dos piores exemplos para falar do assunto. 
 
Embora não sou professor, mas estive professor há muito tempo, e por isso sempre tomo as dores dos educadores, reconheço que a Lei Federal reza que é obrigatório o ensino do desenho e do significado da Bandeira Nacional, bem como a obrigatoriedade do canto e da interpretação da letra do Hino Nacional em todos os estabelecimentos de ensino, públicos ou particulares, do primeiro e segundo graus. Talvez isso seja um dos poucos pecados de professores e escolas, salvas raras exceções, pois não ensinam a desenhar a Bandeira Nacional, mas todas as escolas que conheço, inclusive no presente, executam o Hino Nacional na presença dos alunos e professores, o qual é cantado por todos. E como a lei não diz que esse “ensinar” é na forma oficial, com toda aquela matemática e no aspecto diametral, o “pecado” cai por terra, pois em todas as escolas que você vai é possível ver as paredes floridas com a bela Bandeira do Brasil, saídas das mãos de crianças e jovens. E com o seguinte detalhe: isso ocorre não apenas na Semana da Pátria, pois com a multidisciplinaridade, diversos professores trabalham a confecção da referida bandeira, e em contextos diversos, levando o aluno ao pensar.
 
Na realidade, a legislação sobre a Bandeira do Brasil e Hino Nacional, (elementos integrantes das comemorações da Independência do Brasil) é muito rigorosa e abrangente, e trata diversos procedimentos que não ocorrem na prática. Patriotismo e Civismo são importantes na prática, e não em discursos eufóricos e aquecidos, pautados pela ignorância. Parte do povo brasileiro precisa saber o que é o patriotismo e o civismo para não incorrer na imbecilidade de pensar que está vivendo um novo tempo de mudanças positivas (sendo o contrário). Na realidade, está-se dentro de uma tragédia maquiada pela ignorância. Patriotismo e Civismo como discurso não salvam a pátria. Não inibem corrupção, desigualdades sociais, milícias, truculências, falta de diplomacia, justiça bandoleira, descriminação às minorias, e outras chagas que nos assustam. Patriotismo é Justiça e dignidade para todo o povo brasileiro!
 
Se fosse para escolher, eu preferia que ninguém fosse desses patriotas "rola bostas" que pululam incontinenti em todas as instâncias, principalmente política. Queria que fossem pessoas que fizessem a diferença, que transformassem do nada o tudo... Preferia que todos fossem apenas pessoas civilizadas, que quisessem para os outros o que querem para si. Aí, sim, seríamos a PÁTRIA AMADA, BRASIL! AÍ, SIM, EXISTIRIAM PATRIOTAS VERDADEIROS. L.C.F. 2019

domingo, 5 de setembro de 2021

Ninguém é corrupto sozinho, a corrupção pede assessoria - "o folclórico voto de carbono"...

 


Ninguém é corrupto sozinho, a corrupção pede assessoria - "o folclórico voto de carbono"...

Tudo na vida evolui a partir de erros e acertos comandados pelo tempo. As transformações positivas são lentas porque são lapidadas pelo crivo de múltiplos fatores. No Rio Grande do Norte o coronelismo deu lugar à politicagem que está – vagarosamente - dando lugar à política. É uma coisa meio acanhada e troncha, mas se vê mudanças. Até porque, do contrário, seria um caos.

Quando cheguei por aqui, conheci um procedimento incrível no dia da eleição, chamado “Voto de Carbono”. Prátiva comum no interior. Era assim: as pessoas entravam numa determinada casa, recebiam um sanduíche de papel que consistia em duas cédulas (espécie de cópia que obedecia o modelo oficial das cédulas eleitorais). No meio delas ficava um carbono. Quando a pessoa escrevesse algo na cédula superior, preenchia-se automaticamente a cédula debaixo. Por incrível que pareça, isso não era feito de forma muito “segredosa”. Pelo menos na dita casa não notei cuidado extremo, tendo em vista tratar-se de um crime. Explicar isso fica para depois!

Quando o eleitor chegava ao local de votação, recebia a cédula oficial e, na cabine de votação (bem escondidinho!), refazia o “sauduíche oficial” (do mesmo modo explicado acima). Sem esquecer que deveria colocar na urna a cédula oficial, pois nela ficava a letra de caneta Em seguida corria até a casa de origem e entregava o “sanduíche”, onde ficava a cédula com a letra preta do carbono. Normalmente essa casa era de algum candidato, parente ou aderente.

Ao entregar o restante do “sanduíche”, estava “provado” – ou aparentemente provado – que o pobre eleitor realmente havia voltado no “cabra” que lhe pediram. Aí, só depois disso, ele recebia dinheiro em espécie. Era o “pagamento” pelo voto. Isso era o voto de carbono!

Curiosamente houve vários casos de votos anulados, pois o eleitor se atrapalhava, retornava com a cédula oficial e deposirava na urna a cédula-modelo. Imagino a confusão quando devolviam a cédula errada na casa dos “coronéis”.

Há quem tenha me narrado que conseguiu driblar o voto de carbono da seguinte forma: conseguia uma porção de cópias de cédulas (que ficavam espalhadas pelas ruas – aos montes), adquiria pedaços de carbono diversos e passava o dia visitando as casas de diferentes coronéis, simulando ter votado nos mesmos, “devolvendo” a cédula com os nomes de interesse dos dito cujos.

Por mais que hoje se vejam situações enojantes, naquela época os atrasos eram maiores. Os “coronéis” reinavam de forma escancarada. Prova maior é a experiência “in loco” que vi em pleno ano de 1992.

O tempo passou, surgiu a urna eletrônica e se tornou impensável a fraude, até porque as urnas são conferidas por pessoas de todos os partidos (fiscais) e a polícia, antes de serem disponibilizadas para o voto, e não ficam on line. Com certeza os velhos coronéis, corruptos, detestam a urna eletrônica.

Dia desses soube que um candidato passeava pelas ruas no dia do pleito, entregando um tipo diferente de “sanduíche”: eram cédulas de R$ 20,00 envolvidas em “santinhos”. Sem dúvida, ainda existem muitos “candidatos”, “lideranças” e simpatizantes dando vazão a esse comportamento que traduz o quanto são mal caráter. Mas não têm a mesma cara de pau de antes, pois tem muita gente de olho.

Na realidade o voto de carbono continua existindo com roupagem diferente, mas o cerco vem se fechando cada vez mais. Ainda estamos longe de ser um país plenamente civilizado, apesar dos avanços positivos em diversas áreas, mas sigamos mudando, conscientizando, reeducando aqueles que aprenderam desde os avós a vender o seu voto. Na verdade a corrupção começa no próprio povo, com suas devidas exceções. Na verdade, ninguém é corrupto sozinho. As engrenagens da corrupção funcionam com uma assessoria.

Hoje é o dia dos irmãos

 




Então me lembrei dessa fotografia cheia de simbolismos e bastidores. Ela poderia ser apenas uma imagem antiga para muitos, mas a mim exala poema... Poema perfumado de vida! É lembrança carregada de histórias, e exatamente por isso concedo importância traduzir os invisíveis contidos nela...

Quando nasci, minha cidade tinha apenas 13 anos de emancipação. Era pré-adolescente... Por aí já se deduz como seria um município nascido dentro de uma floresta permeada de fauna e flora. Nessa fotografia, feita em 1977, eu contava dez anos de idade, Ademir, meu irmão, contava nove anos, Paulo tinha sete, e o menor, Ricardo somava a sua terceira primavera da vida... Ainda faltam irmãos, mas me refiro a essa imagem.

Minha mãe tinha a tradição de reunir os filhos eventualmente e "chamar o fotógrafo" para fazer as fotografias. Ela dava muito valor às fotografias, pois sabia que aqueles registros eram importantes. Naquela época não existiam máquinas fotográficas para se comprar em qualquer lugar como hoje. Pelo menos na cidade era impossível, daí a importância dos fotógrafos com os seus estúdios. Era comum as famílias se reunirem lugares específicos da casa para que o fotógrafo desse os seus cliques. Por tal razão é comum vermos muitas fotografias antigas tendo como cenário uma televisão, um cortinado, o jardim da casa etc.

Aos olhos atuais esses registros soam engraçados, ou esquisitos, até porque os registros digitais, em aparelhos de celulares se tornaram tão banais que não existe mais pose, não existe mais aquela história romântica e poética por trás das fotografias atuais, exceto poucas situações.

Qualquer coisa é sintoma para fotografia. Aliás, nem sei mais se realmente é fotografia. Como chamar essas imagens que captamos em nossos celulares e nunca revelamos? Pois bem, eventualmente minha mãe empreendia o seu ritual. Ela ia ao estúdio fotográfico, combinava com o fotógrafo. Esse, no caso, ficava defronte a nossa casa, no centro da cidade.  Ao se aproximar o horário acertado, ela pedia que fôssemos tomar banho porque havia marcado com o fotógrafo, e "o Sr. Jaime já estava chegando". Era um verdadeiro vavavu. Todo mundo pro banheiro enquanto ela passava a roupa e esperava o fotógrafo.

Naquele tempo nossas roupas eram feitas em costureira, pois a cidade ainda não contava com lojas de roupas prontas, e nem era comum comprar roupas desse tipo, exceto se se esticasse até o interior de São Paulo, ou na própria capital, Campo Grande. Coisa que só se fazia uma vez na vida. Melhor era ficar com a loja de tecidos da cidade.

Ri bastante dos "Ki Chute" nos pés dos meus irmãos. Eles vieram para tomar o lugar do "Conga". Feliz de quem tinha um "Ki Chute". Eu calçava um mocassim preto de ponta quadrada...  Então... continuando... após meia hora entre banho, vestimenta  e penteado, ficávamos na varanda aguardando o fotógrafo. Não podia brincar porque suava e se desarrumava. Nem sempre as orientações maternais eram cumpridas a rigor, afinal algumas vezes o fotógrafo se demorava um pouco e passava do horário combinado.

Era muito estranho ficar sentado no alpendre, aguardando a Rural estacionar. Parecíamos pares de jarro, um ao lado do outro com cara de tristeza por estarmos parados. De repente o carro aparecia. Minha mãe corria, atendia o fotógrafo e lá íamos para o cenário composto de uma televisão da marca Semp, preto e branco  (ainda não existia a televisão com imagens coloridas) e o seu fiel companheiro: um transformador que tinha uns oito quilos.

Também existia ritual para o fotógrafo. Ele nos orientava como seria feita a fotografia, às vezes puxava a gente pelos ombros, para lá e cá, outrora endireitava nossas cabeças, mexendo nos nossos queixos com seus dedos que pareciam linguiças. Ele nunca deixava de explicar que deveríamos deixar os olhos bem abertos. Talvez isso explique algumas fotografias que trazemos os olhos arregalados. Também pedia que ríssemos. Não sei pra quê rir sem vontade! Depois de vários ajustes físicos ele fazia a fotografia.

Findados os cliques conosco, entravam outros personagens da família, mas tudo nos mesmos moldes. Naquele tempo os equipamentos não eram digitais, tornando possível saber como a imagem tinha ficado. Desse modo o que viesse tinha que ser pago. E minha mãe sempre pagou. Era inimiga de problemas. Houve uma vez que eu saí com os olhos fechados, mas ela disse que a culpa tinha sido minha, pois "o Sr. Jaime explicou muito bem como se devia fazer com os olhos". Os filmes eram de rolo, portanto nenhum fotógrafo queria perder fotos. Eles faziam um flash só. O que sair, saiu. E assim a gente passou anos olhando e fazendo caras e bocas para a câmera fotográfica do "Sr. Jaime".

Hoje, apreciando essa imagem de infância, dentre tantas que tenho, abriu-se um álbum fotográfico de lembranças. São recordações que nem sempre foram captadas nas fotografias, mas vivem - e viverão para sempre - arquivadas nos rolos de filme da minha mente.

Creio que as poesias mais verdadeiras vivem agarradas à infância. Talvez por isso olho as velhas imagens e leio histórias lindas de bondade, inocência e família. Hoje, essa velha televisão da marca SEMP, comprada em 1972 - motivo de admiração quando adentrou a nossa casa, num tempo que poucas residências contavam com tais aparelhos - dorme no Museu da cidade. Esses e outros bastidores que não estão na fotografia, só vieram à tona porque hoje é dia dos irmãos...

A cidade, que ainda era pacata naquele tempo, hoje se tornou uma potência econômica... Nem parece aquela clareira em meio a uma selva de fauna e flora. Feliz dia dos irmãos, aos meus, que estão nas fotografia, aos que não estão, e aos irmãos que a gente passa a ter nos caminhos da vida...

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Enfermeiros: mitos de verdade!

 


ENFERMEIROS: MITOS DE VERDADE
 
Ontem à tarde Fídias experimentou a sua primeira dose da vacina contra o Novo Coronavírus. O Ginásio Poliesportivo Djalma Maranhão, no centro de Natal, estava lotado. Filas imensas organizadas por cadeiras plásticas. A equipe da Secretaria de Saúde disponível era pequena para a quantidade de pessoas. Um rapaz transitava lá e cá, explicando quais documentos todos deveriam ter em mãos para serem vacinados. Isso para evitar que alguém aguardasse horas e não fosse vacinado por ter esquecido algum documento. Esse rapaz abordava cada pessoa e conferia tudo, calma e educadamente. Algumas pessoas não portavam tudo, e tiveram que voltar para as suas casas, buscar o que faltava e retornar logo em seguida, ou voltar no dia seguinte, afinal passava das 15 horas. Muitos deixavam a fila mastigando palavras não muito apetecíveis. Outros saiam esbravejando, como se a equipe da saúde tivesse cometido um crime inafiançável. Clima meio pesado!
 
Duas senhoras que atendiam no balcão, preenchiam a caderneta de vacinação, informavam qual a vacina seria aplicada e encaminhavam as pessoas para a fila em pé. Ao chegarmos à fila (eu apenas como acompanhante, pois tomarei a segunda dose no dia 2.9.21), percebemos que tudo estava parado. A enfermeira havia saído e os vacinandos ficaram ali olhando para o telhado.
 
Houve um princípio de tumulto nessa fila em pé, pois julgando pelo número de pessoas que nem tinham sido atendidas, o avançado das horas, a fila enorme, certamente pensavam “que hora eu vou sair daqui?”. “É um absurdo a gente esperar tanto… cadê a enfermeira?” “deve ter ido tomar um cafezinho”, “não, ela foi buscar vacina, toda hora ela sai um pouco”, “não era para ter uma pessoa aí só para ir buscar as vacinas?”, “ela deve estar lá atrás conversando com as pareceiras dela!”. Toda sorte de julgamentos e sentenças reverberavam da exigente fila. 
 
De repente reaparece a enfermeira. Um andar arrastado de pata, carregando uma caixa plástica azul com as vacinas, calça azul e uma blusinha esquisita de estampa infantil. Lembrava as professoras de escolas infantis. Parecia que atenderia uma porção de criancinhas. Então ela reinicia a vacinação “por favor, todo mundo arregace as mangas acima do ombro, e quem for tirar fotografia, já venha com a pessoa e o celular no ponto; a gente não pode ficar fazendo pose, demorando, e a vacina tem que ser aplicada imediatamente após ser aberta”. Encerrado o longo e belo discurso, algumas pessoas riram “pra quê arregaçar a manga logo daqui do fim da fila, era para arregaçar quando a gente chegando até ela”, “pra que falar tão alto?”, "exigente ela!" Cada um que dizia um enredo. “Já estou cansado de ouvir esse discurso dela desde a hora que cheguei lá nas cadeiras”, “ela nem precisava dessa falação, pois lá da fila a gente já vem ouvindo a sua cantiga de grilo”.
 
Com certeza aquele figurino infantil e calmante da enfermeira versava magnificamente o seu ofício, pois a fila estava mais para uma fila de merenda escolar, que de vacinação. As faixas etárias eram misturadas,inclusive idosos, mas parecia infanto-juvenil pelo comportamento das pessoas. “Espero que essa danada tenha a mão leve, pois não suporto picada de agulha”, “eu vi, inclusive a hora que ela deu uma agulhada numa mulher que fez uma cara tão feia”, “é, ela deve ter a mão pesada mesmo!”, “eu já acho o contrário, ela parece aplicar com uma leveza incrível”, “pra mim pouco importa se dói ou não, eu quero é vacina no braço”, “essa enfermeira tem uma cara esquisita”, “será que ela é enfermeira mesmo”, “claro! não tá vendo a roupa?”. A novela corria à solta no rabo da fila, mas mal se aproximava da enfermeira, entrava no intervalo. A roupinha de coisinhas infantis, de fato parecia acalmar. As pessoas ficavam olhando os bichinhos desenhados e talvez se sentiam num universo infantil de paz...
 
Contemplando esse entrecho, ora com ares de um breve sorriso, atestei o sacerdócio dos enfermeiros por esse Brasil afora. Homens e mulheres, de médicos, técnicos de enfermagem a uma infinidade de profissionais da saúde… quanta luta! Quanto trabalho! Chega a ser desumano. Já imaginou quantas milhares de vezes por dia uma enfermeira aplica a vacina? Movimentos repetitivos o dia inteiro. Quantas vão em busca das caixas quando o outro estoque esvazia? Quantas se desgastam com aqueles discursos como o acima mencionado? Quantas se estressam diante de determinados ambientes permeados de confusões, grosserias, mal entendidos, e fingem estar maravilhosas, serenas, calmas? A enfermeira que atendia Fídias estava ali desde manhã. Já imaginou?!
 
Ultimamente está na moda a palavra MITO. Sabemos que mito é uma coisa irreal. Mas o vocábulo MITO também significa a pessoa excelsa, digna de um panteão, digna de louros, digna de troféus, digna da glória humana e da respeitabilidade de todos. E como essa palavra está sendo pessimamente mal aplicada no caudal dessa moda atual, é importante ressalvar que os mitos do Brasil de hoje, muito embora não reconhecidos, são OS ENFERMEIROS, os MÉDICOS, OS TÉCNICOS DE ENFERMAGEM, e toda a equipe de PROFISSIONAIS DE SAÚDE e afins, os quais tem suado suor e sangue para dar conta de um trabalho colossal, de certo modo desumano para eles que arriscam as suas vidas a cada segundo, e não fogem da raia. Estão a postos honrando a sua formação, o seu dom, a sua missão na Saúde.
 
Pois então… após um bom tempo assistindo a novela das vacinas e chegando a sua vez de ser atendido, Fídias perguntou “já?!” admirado com a precisão da enfermeira que o vacinou sem que ele sentisse. Me respondam se essas pessoas, de fato, não são mitos!
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OBS. A imagem aqui postada é meramente ilustrativa e de domínio público na internet.

 

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

A eterna mina de ouro do Timbó

 
A ETERNA MINA DE OURO DO TIMBÓ

Padre Tiago Theisen chegou ao Brasil há mais de 50 anos, vindo da Bélgica, onde nasceu. Coincidentemente, desenvolveu trabalhos evangelísticos em Timbó, distrito de Nísia Floresta. Ali, na década de 60, ele deu início a um projeto que marcou a história do povoado, tendo ensinado aos nativos a reconhecer na palha do coqueiro uma fonte de renda, ensinando o artesanato em de fibra de coco, atividade que vigora até hoje na localidade. 

Muitos timboenses são exímios artesãos nesse mister, e sequer sabem quem foi o pioneiro que deixou aquela tradição. Já ouvi quem dissesse que foram as freiras que ensinaram, mas não. Elas desenvolveram um trabalho importanttíssimo na localidade, mas esse trunfo - de fato - pertence ao padre Tiago Theisen. Tendo o sacerdote observado grande pobreza no Timbó, olhou para o alto e enxergou as palhas que salvaram o povoado, oferecendo aos nativos a dignidade de uma fonte de renda vinda do trabalho. Lembrando que foi no Timbó que nasceu a Campanha da Fraternidade no Brasil. Foi ali o primeiro gesto concreto.

 
O que me impressiona nessa história é a visão desse sacerdote. Ele olhou para o Timbó, viu as dificuldades do povo, olhou para um lado, olhou para o outro, buscando uma luz e ele veio do alto dos pés de coqueiro. Até hoje é a matéria prima mais abundante na localidade, e dá de comer a muitas pessoas. Da palha de coqueiro se faz um diversidade de peças ornamentais e utilitárias. São peças leves, bonitas e delicadas, cujo domínio dessa arte se tornou uma característica do distrito de Timbó. Quando alguém se refere ao artesanato de palha de coqueiro, se lembra logo do Timbó. 

Essa história - que me foi contada por ele -, nos ensina o que é a visão de um homem. Ao enxergar a falta do ganha pão do povo, ele encontrou a alternativa que estava ali mesmo, cujo povo só ganharia dinheiro, sem gastar com matéria prima. Essa é uma das histórias mais bela dentre os vários distritos de Nísia Floresta. Foi ali que um padre descobriu uma alternativa econômica para os nativos, e ela se tornou parte da economia da localidade. Na verdade, ele descobriu uma 'mina de ouro' que jamais esgotaria.  Essas imagens registram o momento em que nós, da Comissão Norte-Rio-Grandense de Folclore prestamos homenagem ao sacerdote. 

Neste mesmo blog há vários escritos meus sobre o Timbó, padre Thiagp Theisen e Campanha da Fraternidade.
 

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Vicente Elísio - Bibliotecas vivas...

 
Em 2009 passei três meses entre idas e vindas à residência dos filhos de Vicente Elísio, que foi prefeito de Nísia Floresta na década de 40. Ele era bisneto do Coronel Alexandre de Oliveira, o famoso "Cavaleiro da Rosa", que se encontra sepultado na parede da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, em Nísia Floresta, estado do Rio Grande do Norte. 
 
Quase todas as noites e nas tardes de domingo ou sábado, nos reuníamos na sala da casa deles: Onaldo, Lulu e Lourdes. Fui também durante alguns feriados à tarde, pois esses encontros não eram marcados previamente. Eu disse apenas que precisaria escrever sobre o ex-prefeito Vicente Elísio, pai deles, que fora prefeito de Papari na década de 40, e que a gente precisaria ir conversando aos poucos. Eles adoraram a ideia, pois nunca alguém se debruçou sobre o assunto. Esses encontros acabaram sendo como quem garimpa e encontra o que procura, pois salvei uma importante página da História de Papari.
 
Bastava eu me apresentar à porta da casa deles que era muito bem recebido. Em História você não pode se preocupar com diferenças ideológicas, principalmente político-partidárias. Disse isso porque alguns me alertaram que eu não conseguiria jamais pesquisar com eles devido às nossas diferenças ideologicas. Foi o contrário. Eles me disseram os horários que normalmente estavam em casa, e assim, mansa e serenamente, fomos tirando a poeira acumulada na história de Vicente Elísio (e deles próprios, obviamente). Bastava eu chegar, as portas se abriam, e as histórias fluíam como livros de memórias. Nunca conversamos sobre política. Não era esse o objetivo!
 

Acostumado a pesquisar e lidar com História Oral, eu seguia uma linha do tempo, mas sempre eles tinham um ‘insight’, e irrompiam com um assunto novo e fora do contexto, mas precioso. E lá íamos nós por aqueles desvios, recolhendo os fragmentos. Os fatos me eram narrados com riqueza de detalhes, parecendo ter ocorrido no dia anterior. Graças às mentes privilegiadas dos contadores, inclusive Lulu se lembrava de fatos que nem Onaldo, o mais velho, se recordava. Vejam como é interessante as memórias antigas. Um assunto puxava o outro. Eram conversas olho no olho. Onaldo começava um fato, olhava para Lourdes, ela complementava, Lulu jogava um detalhe esquecido, outrora Lourdes lembrava de um episódio despercebido e assim fluia, como gotas, dando origem às estalactites e estalagmites históricas.
 
A cada encontro era uma página nova, buscada naquelas bibliotecas vivas. Acervos preciosos.
Todos colaboravam com uma informação aqui, outra ali. No caudal das conversas, eventualmente surgia um assunto engraçado. Ri muito com eles. Foi uma das entrevistas mais deliciosas e divertidas dentre tantas que fiz em Papari. Interessante é que todos eles, quando me viam na rua, perguntavam se eu iria naquela noite, ou naquela tarde. Nossas conversas adquiriram uma química tão agradável que lembrava o tempo antigo, em que os netos cercavam os avós defronte as casas para ouvir histórias de Trancoso. Só que essas eram reais.
 

Interessante também eram as nuanças da História. Como eles eram filhos de Vicente Elísio, se reportavam a detalhes, como um dia de eleição, o cotidiano do alambique, o fabrico de farinha, e até mesmo de episódios ocorridos quando eram crianças ou jovens, como por exemplo, um dia em que Vicente Elísio quis bater em Onaldo por ele ter descoberto umas garrafas de cachaça escondidas por ele, que iriam beber com alguns amigos pelas cercanias de Papari (coisa de rapaz!). Sobre a eleição, por exemplo, foi muito interessante saber que os eleitores eram buscados em casa pelos candidatos. Vinham em pau-de-arara, carro pequeno, carroça, no lombo de cavalos e jumentos ou a pé. Vicente Elísio mandava matar um boi e servir o almoço dos eleitores em pleno dia de eleição. A casa ficava repleta de gente do raiar do sol ao anoitecer. Coisa impensável nos dias atuais, pois seria cassação no ato.
 
Quando concluí a pesquisa, imprimi-a e fiz questão de entregar um exemplar à família. Nunca me esqueci a fisionomia de felicidade de Onaldo e os demais. Ficou radiante. Agradeceu mais do que devia. Emocionaram-se. Até brinquei, dizendo que aquilo era um filho que geramos naqueles encontros. E o filho havia nascido. Pesquisa é isso!
 
Quando soube que Lulu, e depois Onaldo haviam se encantado, reavivou esse filme na minha mente. Só tenho a agradecer a todos eles por terem se disponibilizado a contar o que sabia sobre a história da gestão de seu pai Vicente Elísio, e tantos outros fatos ocorridos em Papari. Se não tivessem ocorrido esses encontros eu não teria escrito a história do seu pai. Eles teriam levado para o túmulo uma parte da Biblioteca de Papari. Costumo dizer sempre que ainda consegui salvar muita coisa das Biblioteca Viva de Papari, pois tendo chegado ali há 27 anos, empreendi vasta pesquisa junto a idosos de idades entre 70 a quase cem anos. A maior parte dessas pessoas partiram, mas me ajudaram a salvar muita coisa que sem ela jamais as novas gerações nisiaflorestenses saberiam.
 

Às vezes os nativos entram em contato comigo e perguntam: “como é que você sabe disso, se você não é daqui, nem morava daqui nessa época?”. Respondo: “eu não morava, mas falei com aqueles que moravam”. História Oral é isso! Outro detalhe muito curioso diz respeito à nativos que entram em contato comigo para saber coisas que os avós haviam contado, mas que a pessoa não lembrava mais como era em detalhes aquele fato. A Oralidade é preciosa, pois a gente precisa daquele material para confrontar com inúmeros outros e dar cada vez mais cientificidade. E assim, juntando os fragmentos, ia montando a História de maneira cronológica. Talvez por isso eu tenha até hoje facilidade para escrever de memória inúmeras histórias sobre a Papari antiga. Embora tudo isso esteja anotado, ou transformado em textos, ou ainda guardado, o fato de eu ter conversado com muitos velhos, paramentei-me dessa autoridade quando escrevo, valendo-me do que ouvi deles.
 
Aproveito para agradecer à sua família pela grande contribuição, a qual não foi para mim, mas para as gerações futuras, pois nada existia escrito sobre o período de gestão de Vicente Elísio, pelo menos com tantos detalhes se essa família não tivesse aberto a porta de suas casas - e os seus corações. Já agradeci em vida a todos eles. História é assim! Acaba ficando a saudade. Para finalizar: se eu tivesse me preocupado com ideologias políticas, não teria escrito a história de Vicente Elísio. E hoje ninguém saberia! Em pesquisa não podemos aflorar nossas opiniões pessoais ou ideologias pessoais. Assim aprendi. (15.11.2018).

 

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

As "loucomotivas" da Great Western


Idos do ano de 1881… Findadas as obras da "Estação Papary", e mais adiante, a "Estação Mipibu", as esdrúxulas locomotivas trilharam os ferros da Great Western. Tais quais "Café Com Pão”, eram barulhentas pra Bandeira! Ao longe, estrondavam, anunciando a aproximação. Discrição nunca lhes foi característica. Pudera! Comiam lenha e arrotavam fumaça! Surgiam em cúmulos-nimbos preto e branco bafejando as matas, impingindo fuligem aos roupões dos passageiros, salvo os que usassem "guarda-pó". Respeite os abastados! Modernas Marias-Fumaça, “lajeslizando” dia inteiro, ligeiras, ora em Guarabira... ora Natal... ora pro nobis: quando vinha o bispo Dom Adauto Miranda Henrique!. Assim restou a História, hoje amarelada em retratos... 
 
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OBS. As fotografias aqui exibidas registram locomotivas inglesas “UFSC”, dos tempos que transitavam os trilhos da Great Western e Sampaio Correia, aqui no Rio Grande do Norte.