ANTES DE LER É BOM SABER...
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
Lenda do Haja-Pau...
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
Já imaginou um município onde quase todos os moradores são eleitores?
quinta-feira, 23 de setembro de 2021
ACTA NOTURNA - Parnamirim, Eduardo Gomes, Parnamirim...
quarta-feira, 15 de setembro de 2021
Engenho São Roque - Nísia Floresta/RN...
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| Jerônimo de Albuquerque Maranhão |
| Engenho Morgado, onde nasceu Luzia Peixoto (Lula Maranhão), esposa de Roque Maranhã. Fica a uns 500 metros do Engenho São Roque. |
| Engenho São Roque (fiz essa fotografia em 2009) Encontra-se atualmente (2013) nas mesmas condições. |
| Engenho São Roque (fiz essa fotografia em 2009). Essa fotografia é quase no mesmo ângulo da foto colorizada, acima, de 1960. O engenho encontra-se atualmente (2013) nas mesmas condições. |
| Resquícios da casa de máquinas, vendo-se a caldeira a vapor, o engenho de moer cana e o pilar do barracão. |
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| Resquícios do barracão onde ficavam os maquinários. |
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| Engenho Descanso. Fiz essas imagens em 2004. Hoje está quase totalmente em ruínas. Fica a uns 500 metros do Engenho São Roque, já quase dentro da cidade de Nísia Floresta. |
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| Fundos do Engenho Descanso. Fiz essas imagens em 2004. Hoje está quase totalmente em ruínas. Fica a uns 500 metros do Engenho São Roque, já quase dentro da cidade de Nísia Floresta. |
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| Engenho Mipibu, se divisa com o rio Mipibu, e Estação Papary. Fica a 200 mestros do Engenho Morgado e 300 metros do Engenho São Roque. |
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| Local exato do "Mercado de Escravos", vendo ainda o Oitizeiro |
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Grupo Escolar Barão de Mipibu - Grupo Escolar Nísia Floresta - Curiosidades
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| Imagem de internet |
O "Grupo Escholar Barão de Mipibu, conforme vocabulário de época, foi Criado oficialmente em 1909, a partir de uma lei promulgada pelo governador Alberto Maranhão, que sucedeu o escritor nisiaflorestense Antonio de Souza, autor da lei de 1908, que mandava criar escolas no estado.
O decreto informa que o citado prédio se localiza na "Praça Tavares de Lyra". Não sei se o nome original resiste, mas a edificação resiste praticamente intacta. Antonio de Souza foi "o governador da Educação". Sua gestão foi marcada por criações de escolas e diversas leis pertinentes. O belo e famoso edifício consiste numa das mais belas obras da arquitetura local. O prédio foi mandado construir pelo famoso "Barão de Mipibu" (Miguel Ribeiro Dantas, seu nome de batismo), o homem nais rico da localidade, residente no Engenho "Lagoa do Fumo".
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| Imagem de internet |
O Barão inspirou-se num decreto de 1872, que orientava que os Presidentes de Intendências construíssem Casas de Instrução Públicas, portanto adiantou-se bastante. Foi homem de visão. Até hoje o prédio exerce o papel de educandário. Já o prédio de Papary não conta com o mesmo desvelo, e não tem mais a função de escola. O "Grupo Escholar Nysia Floresta" também foi criado em decorrência da lei assinada por Antonio de Souza, mas em 1910, conforme decreto do governador Alberto Maranhão. A letra Y foi uma viagem mental, pois Nísia sempre escreveu o seu nome com "i". Tanto o Grupo Escolar de Mipibu quanto o de Nísia Floresta tiveram os seus Regimentos Escolares tais quais o do famoso "Grupo Escholar Augusto Severo", de Natal, este criado em 1908 pelo governador Antonio de Souza.
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Percebe-se na fotografia um letreiro em alvenaria,
em alto relevo, informando "Grupo Escholar Nysia Floresta". Acaso o
letreiro tivesse sobrevivido, não seria visível haja vista a parede da antiga
Câmara (ao lado). Por que teriam escrito de um lado impossível de ver? Porque
originalmente o prédio foi erguido numa esquina, mas um prefeito
descaracterizou o amplo largo da Matriz, pincelando boa parte desse espaço com
comodozinhos de péssimo gosto, destruindo o estilo colonial da cidade. Como
sempre digo "ignorância é um câncer". Mas pelo menos conservaram o
'esqueleto' do prédio. A edificação pertenceu ao Coronel José de Araújo,
primeiro presidente da Intendência da então "Vila Imperial de
Papary". Originalmente era sua residência. Em 1992, dona Estelita Oliveira, uma antiga moradora de
90 anos de idade, bisneta do "Cavaleiro da Rosa", contou-me que o
conheceu pessoalmente, e que ele assistia missa da janela de seu casarão. Era
senhor de engenho e integrante da Guarda Nacional. Irmão de Accúrcio Marinho,
que também era da Guarda Nacional. Um dos critérios para integrar essa
respeitável corporação era justamente ser gente de muitas posses. Ter sido da Guarda Nacional não significa necessariamente ter sido militar, tampouco integrado pelotões militares, embora - logicamente - existiam membros da Guarda Nacional que, de fato, eram das milícias, ou seja, eram militares na ativa.
Retomando as informações sobre o "Grupo Escholar Barão de Mipibu", julgo conveniente registrar três ex-diretores dessa instituição como meus primos legítimos. MARIA DE LOURDES PEIXOTO, gestora na década de 1940 e também na década seguinte. Contam que era uma educadora na mais pura acepção da palavra. Fazia "milagres" para tornar o ambiente acolhedor e com características mais pedagógicas. Muito rígida. Praticamente morava dentro da escola, pois sua casa ficava atrás do Grupo Escolar. Essa residência ainda existe. Fixa atrás da antiga Apami.
Uma tia me contou que ela mandava fazer comida em sua casa e oferecia gratuitamente às crianças humildes, sem fazer disso qualquer alarde. Era devoradora de livros, e tinha coleções de Monteiro Lobato, Teodoro Sampaio, Câmara Cascudo e outros notáveis escritores. Lutou muito para que Mipibu tivesse o curso ginasial, conseguindo sensibilizar o governador, tornando-se inclusive sua primeira diretora. Contam que seu sepultamento foi marcado por profunda consternação, pois era muito querida e respeitada.
TAMIRES ÍTALO TRIGUEIRO PEIXOTO, gestor na década de 1990. Nada sei
sobre sua gestão. Era historiador. Sei mais sobre a pessoa dele, que sobre seu
trabalho junto ao Barão de Mipibu. TAMIRES, foi um homem de uma honradez e
decência incríveis. Era espírita. Pensava mais nos outros do
que nele. Também foi gestor da Escola Estadual Francisco Barbosa.
Foi um educador muito respeitado.
JOÃO MARIA FREIRE, gestor no final da década de 1990. Também não sei muito sobre sua gestão, mas recordo-me que um dia ele me contou ter conseguido tombar o prédio, em conformidade com as leis de Patrimônio Histórico/IPHAN e teve o cuidado de conseguir contemplar o prédio do Barão de Mipibu num projeto da Telemar, cuja fotografia do mesmo passou a figurar nos antigos cartões telefônicos em todo o Brasil. Ele também foi secretário de educação de Mipibu.
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| Escola Estadual Nísia Floresta em registro de 1970 (prédio atual) |
segunda-feira, 13 de setembro de 2021
Efeito Temer
quarta-feira, 8 de setembro de 2021
Freud explica o falicismo bolsonarista
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
Hoje é o "Dia da Independência do Brasil", e quero falar sobre o patriotismo que aprendi com meus pais e com os livros...
domingo, 5 de setembro de 2021
Ninguém é corrupto sozinho, a corrupção pede assessoria - "o folclórico voto de carbono"...
Hoje é o dia dos irmãos
Então me lembrei dessa fotografia cheia de simbolismos e bastidores. Ela poderia ser apenas uma imagem antiga para muitos, mas a mim exala poema... Poema perfumado de vida! É lembrança carregada de histórias, e exatamente por isso concedo importância traduzir os invisíveis contidos nela...
Quando nasci, minha cidade tinha apenas 13 anos de emancipação. Era pré-adolescente... Por aí já se deduz como seria um município nascido dentro de uma floresta permeada de fauna e flora. Nessa fotografia, feita em 1977, eu contava dez anos de idade, Ademir, meu irmão, contava nove anos, Paulo tinha sete, e o menor, Ricardo somava a sua terceira primavera da vida... Ainda faltam irmãos, mas me refiro a essa imagem.
Minha mãe tinha a tradição de reunir os filhos eventualmente e "chamar o fotógrafo" para fazer as fotografias. Ela dava muito valor às fotografias, pois sabia que aqueles registros eram importantes. Naquela época não existiam máquinas fotográficas para se comprar em qualquer lugar como hoje. Pelo menos na cidade era impossível, daí a importância dos fotógrafos com os seus estúdios. Era comum as famílias se reunirem lugares específicos da casa para que o fotógrafo desse os seus cliques. Por tal razão é comum vermos muitas fotografias antigas tendo como cenário uma televisão, um cortinado, o jardim da casa etc.
Aos olhos atuais esses registros soam engraçados, ou esquisitos, até porque os registros digitais, em aparelhos de celulares se tornaram tão banais que não existe mais pose, não existe mais aquela história romântica e poética por trás das fotografias atuais, exceto poucas situações.
Qualquer coisa é sintoma para fotografia. Aliás, nem sei mais se realmente é fotografia. Como chamar essas imagens que captamos em nossos celulares e nunca revelamos? Pois bem, eventualmente minha mãe empreendia o seu ritual. Ela ia ao estúdio fotográfico, combinava com o fotógrafo. Esse, no caso, ficava defronte a nossa casa, no centro da cidade. Ao se aproximar o horário acertado, ela pedia que fôssemos tomar banho porque havia marcado com o fotógrafo, e "o Sr. Jaime já estava chegando". Era um verdadeiro vavavu. Todo mundo pro banheiro enquanto ela passava a roupa e esperava o fotógrafo.
Naquele tempo nossas roupas eram feitas em costureira, pois a cidade ainda não contava com lojas de roupas prontas, e nem era comum comprar roupas desse tipo, exceto se se esticasse até o interior de São Paulo, ou na própria capital, Campo Grande. Coisa que só se fazia uma vez na vida. Melhor era ficar com a loja de tecidos da cidade.
Ri bastante dos "Ki Chute" nos pés dos meus irmãos. Eles vieram para tomar o lugar do "Conga". Feliz de quem tinha um "Ki Chute". Eu calçava um mocassim preto de ponta quadrada... Então... continuando... após meia hora entre banho, vestimenta e penteado, ficávamos na varanda aguardando o fotógrafo. Não podia brincar porque suava e se desarrumava. Nem sempre as orientações maternais eram cumpridas a rigor, afinal algumas vezes o fotógrafo se demorava um pouco e passava do horário combinado.
Era muito estranho ficar sentado no alpendre, aguardando a Rural estacionar. Parecíamos pares de jarro, um ao lado do outro com cara de tristeza por estarmos parados. De repente o carro aparecia. Minha mãe corria, atendia o fotógrafo e lá íamos para o cenário composto de uma televisão da marca Semp, preto e branco (ainda não existia a televisão com imagens coloridas) e o seu fiel companheiro: um transformador que tinha uns oito quilos.
Também existia ritual para o fotógrafo. Ele nos orientava como seria feita a fotografia, às vezes puxava a gente pelos ombros, para lá e cá, outrora endireitava nossas cabeças, mexendo nos nossos queixos com seus dedos que pareciam linguiças. Ele nunca deixava de explicar que deveríamos deixar os olhos bem abertos. Talvez isso explique algumas fotografias que trazemos os olhos arregalados. Também pedia que ríssemos. Não sei pra quê rir sem vontade! Depois de vários ajustes físicos ele fazia a fotografia.
Findados os cliques conosco, entravam outros personagens da família, mas tudo nos mesmos moldes. Naquele tempo os equipamentos não eram digitais, tornando possível saber como a imagem tinha ficado. Desse modo o que viesse tinha que ser pago. E minha mãe sempre pagou. Era inimiga de problemas. Houve uma vez que eu saí com os olhos fechados, mas ela disse que a culpa tinha sido minha, pois "o Sr. Jaime explicou muito bem como se devia fazer com os olhos". Os filmes eram de rolo, portanto nenhum fotógrafo queria perder fotos. Eles faziam um flash só. O que sair, saiu. E assim a gente passou anos olhando e fazendo caras e bocas para a câmera fotográfica do "Sr. Jaime".
Hoje, apreciando essa imagem de infância, dentre tantas que tenho, abriu-se um álbum fotográfico de lembranças. São recordações que nem sempre foram captadas nas fotografias, mas vivem - e viverão para sempre - arquivadas nos rolos de filme da minha mente.
Creio que as poesias mais verdadeiras vivem agarradas à infância. Talvez por isso olho as velhas imagens e leio histórias lindas de bondade, inocência e família. Hoje, essa velha televisão da marca SEMP, comprada em 1972 - motivo de admiração quando adentrou a nossa casa, num tempo que poucas residências contavam com tais aparelhos - dorme no Museu da cidade. Esses e outros bastidores que não estão na fotografia, só vieram à tona porque hoje é dia dos irmãos...
A cidade, que ainda era pacata naquele tempo, hoje se tornou uma potência econômica... Nem parece aquela clareira em meio a uma selva de fauna e flora. Feliz dia dos irmãos, aos meus, que estão nas fotografia, aos que não estão, e aos irmãos que a gente passa a ter nos caminhos da vida...



























