ANTES DE LER É BOM SABER...

Contato (Whatsapp) 84.99903.6081 - e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com. Ou pelo formulário no próprio blog. Este blog, criado em 2009, é um espaço intelectual, dedicado à reflexão e à divulgação de estudos sobre Nísia Floresta Brasileira Augusta, sem caráter jornalístico. Luís Carlos Freire é bisneto de Maria Clara de Magalhães Peixoto Fontoura (*1861 +1950 ), bisneta de Francisca Clara Freire do Revoredo (1760–1840), irmã da mãe de Nísia Floresta (1810-1885, Antônia Clara Freire do Revoredo - 1780-1855). Por meio desta linha de descendência, Luís Carlos Freire mantém um vínculo sanguíneo direto com a família de Nísia Floresta, reforçando seu compromisso pessoal e intelectual com a memória da escritora. (Fonte: "Os Troncos de Goianinha", de Ormuz Barbalho, diretor do IHGRN; disponível no Museu Nísia Floresta, RN.) Luís Carlos Freire é estudioso da obra de Nísia Floresta e membro de importantes instituições culturais e científicas, como a Comissão Norte-Riograndense de Folclore, a Sociedade Científica de Estudos da Arte e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Os textos também têm cunho etnográfico, etnológico e filológico, estudos lexicográficos e históricos, pesquisas sobre cultura popular, linguística regional e literatura, muitos deles publicados em congressos, anais acadêmicos e neste blog. O blog reúne estudos inéditos e pesquisas aprofundadas sobre Nísia Floresta, o município homônimo, lendas, tradições, crônicas, poesias, fotografias e documentos históricos, tornando-se uma referência confiável para o conhecimento cultural e histórico do Rio Grande do Norte. Proteção de direitos autorais: Os conteúdos são de propriedade exclusiva do autor. Não é permitida a reprodução integral ou parcial sem autorização prévia, exceto com citação da fonte. A violação de direitos autorais estará sujeita às penalidades previstas em lei. Observação: comentários só serão publicados se contiverem nome completo, e-mail e telefone.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

MORRE O PROFESSOR SEVERINO VICENTE - MONUMENTO HUMANO DO RIO GRANDE DO NORTE...


Hoje foi um dia muito difícil para todos, tendo em vista a perda irreparável do amigo pessoal e folclorista, professor Severino Vicente. No livro de assinaturas da Casa de Velórios São José escrevi apenas: "Quem continuará?". Foi o que veio na mente naquele momento de profunda consternação. 

Sei que não se engessa a cultura popular, a qual é muito dinâmica e mutante, mas penso nesses grandes monumentos que estão indo embora. Tanto os estudiosos do Folclore quanto os mestres e brincantes. Professor Severino Vicente foi um baluarte na salvaguarda do folclore do Rio Grande do Norte.

Não acreditei quando vi aquele monumento num caixão. Quanta sabedoria viraria cinza! Uma biblioteca foi sepultada hoje. É certo que Severino não é gigante apenas por isso, afinal foi excelente amigo, querido por todos, excelente pai, esposo e avô. Um homem de caráter. Pessoa admirável. Sua filha fez uma linda homenagem.

Estive na Casa de Velório e Cremação São José, onde houve a celebração da missa de encomendação seguida de uma homenagem feita por um grupo folclórico, cujos atores dançaram lhe reverenciaram junto ao ataúde.  Logo após se deu a cemimônia de cremação. 

Homenagem Póstuma a Severino Vicente (1948–2026)

Com profunda tristeza, a cultura popular potiguar e brasileira despede-se do professor, historiador, escritor e folclorista Severino Vicente, falecido em 11 de fevereiro de 2026, aos 77 anos, após longa e corajosa batalha contra o câncer. Sua partida representa uma perda imensurável para o estudo, a preservação e a valorização do folclore no Rio Grande do Norte e no Brasil.

Nascido em 1948, na Fazenda Lajinha, município de Pedro Avelino (RN), mudou-se ainda jovem para Natal, onde construiu sua trajetória acadêmica e cultural. Foi esposo dedicado de Zeneide Maria de Seixas Vicente e pai de Bartira Seixas Vicente, Jagoanhara Seixas Vicente e Juliane Seixas Vicente. Homem de família e de convicções firmes, soube conciliar a vida pessoal com uma atuação pública marcada pelo compromisso inabalável com a cultura popular.

Severino Vicente dedicou sua existência à pesquisa, à difusão e à defesa das tradições nordestinas. Sua trajetória intelectual confunde-se com a própria história da valorização do folclore potiguar nas últimas décadas. Mais do que estudioso, foi articulador, incentivador e presença ativa nos movimentos culturais que buscavam assegurar reconhecimento e dignidade às manifestações do povo.

Dotado de vasta erudição e sensibilidade humana, exerceu papel de grande relevância institucional ao presidir a Comissão Nacional de Folclore, instância fundamental na articulação dos estudos e das políticas voltadas às manifestações culturais populares em âmbito nacional. Também presidiu a Comissão Norte-Rio-Grandense de Folclore, entidade histórica dedicada à salvaguarda, pesquisa e promoção do patrimônio imaterial do estado. Nessas funções, consolidou-se como uma das maiores referências nos estudos do folclore do Rio Grande do Norte, sendo respeitado por pesquisadores, mestres da cultura tradicional e instituições culturais em todo o país.

Autor de três livros, investigou com profundidade as raízes históricas, simbólicas e sociais das manifestações culturais nordestinas. Sua obra examinou, inclusive, as influências europeias reinterpretadas no contexto regional, demonstrando como o povo potiguar recriou e ressignificou heranças culturais ao longo dos séculos. Para Severino, o folclore jamais foi mero espetáculo ou peça de museu: era memória viva, identidade coletiva e patrimônio dinâmico, que precisava ser compreendido, respeitado e transmitido às novas gerações.

Deixa esposa, filhos, netos e bisnetos, que hoje guardam não apenas a saudade, mas o orgulho de uma trajetória íntegra e exemplar. À família unem-se incontáveis amigos, colegas e discípulos que nele encontraram um mestre generoso, sempre disposto a compartilhar saberes, orientar pesquisas e estimular vocações.

Sua morte representa um prejuízo incalculável à cultura popular norte-rio-grandense. Perdemos um guardião da memória, um intelectual comprometido com as raízes do povo, um articulador incansável de políticas culturais e um defensor firme das tradições populares. Em tempos em que o patrimônio imaterial enfrenta desafios decorrentes da massificação cultural e do esquecimento das tradições locais, sua ausência deixa uma lacuna difícil de preencher.

Permito-me acrescentar, neste momento de despedida, meu testemunho pessoal. Foram 29 anos de amizade, convivência e admiração. Compartilhamos inúmeros eventos folclóricos pelo Rio Grande do Norte, seminários, encontros, debates, cursos, festivais e celebrações da cultura popular, ao lado de outros abnegados folcloristas potiguares. Caminhamos juntos na defesa das tradições do nosso estado, aprendendo e ensinando mutuamente. Sua presença distinguia-se pela firmeza intelectual, elegância no trato, espírito conciliador e amor incondicional ao folclore.

Seu exemplo, contudo, também nos convoca à reflexão. Não vejo surgir, na mesma proporção em que partem, homens e mulheres dedicados ao folclore norte-rio-grandense com o mesmo grau de abnegação e compromisso. Após nosso maior mestre, Luís da Câmara Cascudo (1986), despedimo-nos de Veríssimo de Melo (1996), Deífilo Gurgel (2012) e, agora, de Severino Vicente - verdadeiros monumentos humanos da cultura potiguar. Essa realidade impõe um debate urgente.

As instituições culturais precisam eleger como prioridade o fomento e a valorização do folclore em todas as suas expressões: nas brincadeiras populares, nas artes plásticas, no teatro, na música, na literatura oral e nas celebrações tradicionais. As escolas, por sua vez, devem inserir de forma sistemática o estudo e a vivência do folclore norte-rio-grandense em seus projetos pedagógicos, garantindo que crianças e jovens reconheçam, respeitem e se orgulhem de suas raízes. Só assim asseguraremos a continuidade de nossa herança cultural.

Hoje, despeço-me não apenas de um grande pesquisador, mas de um amigo leal, inspirador e coerente com seus ideais. Seu legado permanece vivo nas páginas que escreveu, nas instituições que fortaleceu e, sobretudo, nas manifestações culturais que ajudou a preservar. Severino Vicente parte, mas sua obra continua iluminando o caminho daqueles que compreendem que a cultura popular é a alma de um povo.

Honrou a memória de Câmara Cascudo, honrou o Rio Grande do Norte e honrou, acima de tudo, o seu povo.

























LENDA DA LAGOA PAPARY - TEATRO ALBERTO MARANHÃO












































































































































































































































































































































terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

OURO, PRATA E PORCELANA TRATADOS COMO PLÁSTICO: UMA VERGONHA HISTÓRICA EM NÍSIA FLORESTA...


Nesse registro que fiz em 2005 vemos algumas peças de valor incalculável, dentre elas, os vasos de porcelana de Limoges.

Escrevo movido por um sentimento profundo de perplexidade e indignação diante do descaso que, há décadas, vem atingindo o acervo sacro histórico da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, em Nísia Floresta, patrimônio religioso, artístico e cultural que não pertence apenas a uma geração ou a um grupo específico, mas à memória coletiva de todo um povo.

Ao longo de 33 anos acompanhando a realidade daquela igreja, tenho testemunhado episódios que me entristecem profundamente. O mais recente, e doloroso, foi a notícia de que UM VASO DE PORCELANA ANTIGA, IDENTIFICADO COMO LIMOGES, VIEUX PARIS, SÈVRES OU OPALINA FRANCESA, PEÇA RARÍSSIMA E COM QUASE DOIS SÉCULOS DE EXISTÊNCIA, foi reduzido a cacos após manuseio descuidado. Não estamos falando de um objeto comum, de um ornamento industrializado adquirido em plataformas virtuais. Trata-se de uma peça histórica, de valor artístico e material incalculável, que atravessou gerações e resistiu ao tempo para, agora, sucumbir à imprudência humana.

E esse não é um caso isolado. Pergunta-se: onde estão outras peças igualmente valiosas? Onde se encontra o candelabro em cristal Baccarat? Onde está o ostensório de prata e ouro? E o candelabro de madeira de lei, pintado de branco e folheado a ouro? Essas peças, únicas, insubstituíveis, não podem circular como se fossem objetos banais, deslocadas sem registro, sem controle, sem a mínima estrutura de segurança.

É inadmissível que itens dessa natureza continuem sendo utilizados de maneira ordinária, expostos ao risco constante, quando deveriam estar acondicionados em móveis museológicos adequados, com controle de acesso, proteção física e, sobretudo, reconhecimento oficial de seu valor histórico. A Igreja Matriz não é apenas um templo de oração; é também guardiã de um acervo que integra a história sacra do Rio Grande do Norte e do Brasil. Tudo o que está ali é parte da história do Brasil.

Causa-me ainda mais espanto perceber que minha preocupação é interpretada por alguns como crítica negativa. Não é. É zelo. É responsabilidade histórica. É consciência patrimonial. E nada disso me faz calar. Fechar os olhos para o problema não o resolve; ao contrário, contribui para a perda irreversível de bens que jamais poderão ser plenamente substituídos. O ouro, a prata, o cristal, a porcelana Limoges e a madeira de lei que compõem esse acervo não são apenas materiais nobres: são testemunhos concretos da fé e da cultura de gerações passadas, de um povo sofrido, que ergueu esse templo com suor e sangue.

Recordo que, no dia 22 de janeiroNISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE: SOBRE A AUSÊNCIA DE PEÇAS DO ACERVO SACRO DA IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DO Ó..., publiquei denúncia acerca de peças que estariam em locais desconhecidos e que precisam retornar à igreja. Embora tenha compartilhado o meu e-mail e telefone no próprio texto, não obtive resposta de ninguém. Agora, somando-se a isso, tomo conhecimento da destruição de uma peça rara que sequer deveria estar em uso. Até quando assistiremos a essa banalização? Até quando o patrimônio sairá e entrará na igreja como se fosse plástico ou alumínio e se pudesse compra em qualquer feira de ‘mangaio’?

Faço aqui um apelo direto ao povo católico de Nísia Floresta: é hora de parar, refletir e agir. É hora de compreender que esse acervo não é ornamental; é histórico. Não é descartável; é permanente. Não é individual; é coletivo. Estamos falando de peças únicas, de valor incalculável, que contam a história da devoção, da arte e da identidade do município de Nísia Floresta. Reivindiquem essas peças. Questionem o paradeiro e exijam que retornem à Matriz (de onde jamais devem sair). Se possível, me informe se elas retornaram (o que espero).

Quanto ao vaso quebrado, ainda há esperança. Existem artistas especializados em restauração de porcelanas antigas, capazes de recompor fragmentos e devolver dignidade estética à obra. Os cacos podem, sim, ser transformados novamente na peça original. Confio que pessoas comprometidas com a cultura e a educação, como o professor Jorge Januário de Carvalho - o único cidadão nisiaflorestense abnegado em prol dessa matriz em todos os aspectos -, ao tomarem conhecimento dessa fatalidade, poderão contribuir para que a restauração seja providenciada com a urgência que o caso exige.

Reitero: se não houver providências concretas no sentido de localizar as peças que foram “emprestadas” ou o quer que seja, e garantir a proteção adequada do acervo remanescente, tomarei todas as medidas cabíveis. Não por vaidade, não por confronto, mas por dever moral. Estamos lidando com um patrimônio que pertence a todos nós e que faz parte da história sacra do Brasil.

Que não sejamos a geração que permitiu que o descuido apagasse séculos de memória. E aos que me criticam, eu vos digo que meu "crime" é condenar um assalto à história sacra do nosso país. Coisa que vocês também deveriam estar fazendo.

Atenciosamente,

Luís Carlos Freire



Ostensório em ouro e prata

Anjinho "Deus Lhe Pague", eram italianos, peças de gesso, mas antiquíssimas. Haviam várias. Sumiram todas. 


 


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

ANA CLÁUDIA TRIGUEIRO: A VOZ POTIGUAR QUE RESPLANDECE NO PANTEÃO DA LITERATURA NORDESTINA...

 



Você já ouviu falar na escritora Ana Cláudia Trigueiro? A literatura potiguar contemporânea encontra nela uma de suas vozes mais densas, sensíveis e artisticamente consistentes. Sua escrita, marcada por refinamento estético e vigor emocional, revela uma autora que domina a palavra com naturalidade e precisão raras. Há, em seus textos, uma tessitura poética que não se limita ao lirismo, mas que mergulha na condição humana com lucidez, coragem e elegância.

Ana Cláudia Trigueiro escreve com a maturidade de quem compreende o tempo, a memória e as nuances da alma nordestina. Seu diferencial reside na capacidade de unir erudição e sensibilidade, tradição e contemporaneidade, fazendo com que cada frase carregue densidade sem perder fluidez. A autora não apenas narra: ela constrói atmosferas, esculpe sentimentos e convoca o leitor a um exercício de introspecção e descoberta.

No cenário literário do Nordeste brasileiro, sua produção desponta com brilho próprio, inscrevendo-se, por mérito estético e força expressiva, no panteão dos grandes escritores da região. Em sua obra, percebe-se a marca da escritora por excelência: aquela que transforma experiência em arte, linguagem em transcendência e palavra em permanência.

"Sou uma natalense de 50 anos e resido em Parnamirim há 30. Contista, cronista e romancista, comecei escrevendo histórias infantis, que lia para meus filhos antes de dormirem.
Além de escrever, participo ativamente da formação de jovens leitores indo a escolas e participando de eventos voltados à promoção da leitura. Muito do que se lê vem dos grandes centros urbanos localizados na região sul e sudeste, na Europa e na América do Norte, por isso, tornei-me ativista em favor da nossa literatura e desde 2017 percorro as instituições de ensino do estado e dos municípios do RN para falar sobre o tema.

Tenho doze livros publicados e adotados, bem como obras em muitas bibliotecas públicas e escolares da rede de ensino do RN. Contribuo ativamente com projetos de promoção de acesso ao livro , como o “Parnamirim, um Rio que flui para o mar de Leitura”, ligado à Secretaria Municipal de Educação e sediado na Biblioteca Municipal de Parnamirim.

A maioria dos meus livros retrata histórias e lugares da nossa terra porque passei parte da infância e da adolescência longe do Rio Grande do Norte e desejei muito voltar. Então, o RN é o paraíso que esteve perdido e que, ao ser recuperado, produziu o amor expresso em cada história imaginada.

Nas minhas obras trago como personagens principais as mulheres nordestinas do passado e do presente, do campo e da cidade, principalmente aquelas que lutam pela sobrevivência ou contra situações adversas como a violência doméstica, o machismo e o preconceito racial.

Quando escrevo, geralmente penso em adolescentes e adultos jovens, por isso quase todo o meu trabalho é voltado para eles. Meu último projeto foi um convite da Timbú Editora: uma série sobre ecologia e mistério para adolescentes. Os dois primeiros livros já foram publicados. Os personagens são representativos da nossa sociedade: um menino autista, uma menina indígena, uma menina nordestina, uma paulista e um menino negro. Eles são os Guardiões da Terra e defenderão o planeta de crimes ambientais.

A formação em Psicologia se reflete nas minhas obras, pois costumo descrever e refletir sobre o mundo interior das personagens, suas emoções, contradições e as percepções da realidade em que vivem. Mas, caminho mesmo pela via da ficção, pois a literatura veio muito antes.

Finalizo afirmando que a Literatura tem uma importância cultural, afetiva, educacional, política e social nas vidas dos leitores. Ela forma cidadãos conscientes, comprometidos, sensíveis e capazes de transformar o mundo. Ela também é terapêutica na medida em que traz situações semelhantes às vividas por quem lê, levando-os a encontrarem consolo e respostas aos problemas existenciais. Isso tem um valor ainda maior nas vidas dos adolescentes".

"A escrita aconteceu na minha vida por causa da leitura. Sou, antes de tudo, uma leitora aficionada. Acredito que seja assim com a maioria dos escritores. Meus pais me incentivavam e se esforçavam para que eu tivesse livros em casa. Mamãe, Maria José Trigueiro de Lucena (1945-2022) era professora de língua portuguesa e como papai, José Lucena de Araújo (1945...), vendia desde enciclopédias até literatura infantil, sempre tive clássicos, contos de fadas, lendas brasileiras e mitologia grega na nossa estante. Os livros foram os primeiros brinquedos. Depois passei a frequentar bibliotecas públicas e pegar emprestado tudo o que me interessava. Não sei se meus antepassados tinham apreço pelas letras, uma parte deles não tinha acesso a elas. Mas o lado da família que tinha, contou com poetas, compositores e professores. Meu avô, José Trigueiro Filho (1903-1980) fazia parte da banda de música da polícia Militar, assim como seu primo, Abdon Álvares Trigueiro..."

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

CASO EPSTEIN: UM FILME REAL DE TERROR...


Como dizem por aí “meu filho, tu vai ver coisa... tu vai ver coisa”. É mais ou menos isso que penso quando leio sobre o horroroso caso Epstein. Ele já partiu para a “terra do pés juntos” no próprio presídio, em 2019, supostamente assassinado. Soa bastante como uma queima de arquivo, e não é difícil supor quem foram os mandantes...

No final de 2025, o comitê liberou milhares de e-mails contendo os horrores praticados por bilionários, principalmente norte-americanos, e que, por sê-los, sentem-se à prova da lei. Os documentos incluem e-mails de 2011 a 2019, mensagens de texto de 2018-2019 (como as trocas com Steve Bannon) e registros que mencionam celebridades, como o ex-príncipe Andrew, Elon Musk e outros, com detalhes descritos como sórdidos sobre o esquema de exploração sexual, pedofilia e canibalismo. Atrocidades que, até agora, achávamos que somente Kronos, ou Lúcifer seriam capazes, como, por exemplo, comer bebê despedaçado.

É algo tão assustador, tão imoral e amoral que nos faz pensar, inicialmente, se tratar daquelas teorias da conspiração que vemos aos montes na internet. Mas é real. E praticado por uma elite que, por ter certeza de estar blindada do peso das leis - pelo fator dinheiro e poder -, subestima qualquer coisa. Esses e-mails revelam bilionários despidos de suas máscaras de gente séria, respeitável, religiosa, políticos das “boas causas”, empresários, “homens de bem”, revelando uma legião de demônios de carne e osso, que se deleitavam em festas nababescas, regadas a tudo o que de melhor existe no mundo para se comer e beber.  

E nessas festas, inclusive, valia comprar meninas de 13 anos e estuprá-las. Um desses relatos conta que Trump penetrou o dedo na vagina de uma menina de 13 anos, virgem, para atestar a virgindade, assim como outros “poderosos”. Há relatos de bebês despedaçados, cujos bilionários (demônios na verdade), disputaram as partes mais saborosas, tal qual faziam os indígenas tupinambás, conforme relato do viajante alemão Hans Staden. É um filme de terror real... Incomoda ouvir, incomoda ler...

E quem tem disparado esses e-mails? Por incrível que pareça é o próprio EUA, órgãos oficiais dos Estados Unidos, o Congresso dos EUA (Comitê de Supervisão da Câmara). Parlamentares democratas e republicanos têm divulgado lotes de documentos. Há um interesse político – obviamente - de destruir Trump também -, mas isso não anula o terror dos arquivos Epstein. A diferença é que a oposição tem nas mãos um trunfo grande contra Trump.

O Tribunal do Distrito Sul de Nova York tem ordenado o deslacre e a liberação de lotes de documentos do processo Giuffre v. Maxwell ao longo de 2024 e 2025, que incluem arquivos do espólio de Epstein. Nisso vemos que o Congresso norte-americano é maior que Trump, pois o seu poder não é o bastante para conter o seu passado recente.

Os condenados e responsáveis diretos são: Jeffrey Epstein (financiador bilionário, condenado por crimes sexuais); Ghislaine Maxwell (cúmplice direta; condenada em 2021 por tráfico sexual de menores, uma espécie de cafetona).

São mencionadas, embora sem condenação judicial, figuras como: Donald Trump (citado em documentos, fotos e agendas); Bill Clinton (mencionado por voos no avião de Epstein); Steve Bannon (aparece em trocas de mensagens divulgadas); Alan Dershowitz (advogado; citado em acusações por Giuffre); Príncipe Andrew, (Duque de York, acusado por Giuffre; fez acordo civil milionário sem admitir culpa); Les Wexner (ex-patrão e principal financiador de Epstein); Elon Musk (citado em documentos); Glenn Dubin (investidor; mencionado por testemunhas); Mort Zuckerman (empresário e magnata da mídia); Bill Gates (confirmado encontro com Epstein após condenação de 2008; afirmou arrependimento). HÁ ATÉ UM INDIVÍDUO DAQUI DE NATAL QUE PRESTAVA SERVIÇO DE CAFETÃO PARA EPSTEIN, ENVIANDO JOVENS POTIGUARES PARA ESSES EVENTOS.

Muitos nomes aparecem, inclusive de Bolsonaro, Hilary Clinton e outros, inclusive outros brasileiros e brasileiras. E, a bem da verdade - ideologias políticas à parte -, ter o nome mencionado não significa ter relação com o filme de terror descrito acima. Epstein era um bilionário que se comunicava com o mundo, portanto muitos e-mails não revelam crimes nem atrocidades, mas jogos de poder, oportunismos políticos etc. Se cada pessoa mencionada comesse bebês, fosse pedófilo, estuprasse adolescentes, comprassem pessoas, estaríamos diante de um caos ainda pior.  

Como acusadores e testemunhas centrais aparecem: Virginia Giuffre (principal denunciante); seus depoimentos fundamentam muitos documentos judiciais; Maria Farmer (uma das primeiras vítimas a denunciar Epstein ainda nos anos 1990) e Sarah Ransome (outra denunciante pública). Há até uma brasileira denunciante.

ONTEM À NOITE ESCREVI SOBRE OS ADOLESCENTES QUE MATARAM O CACHORRO ORELHA, CERTOS DE QUE ESTAVAM BLINDADOS PELO DINHEIRO DOS PAIS, POR SEREM ELITE E, NESSE PONTO, AMBAS HISTÓRIAS SE PARECEM, POIS O ESCÂNDALO EPSTEIN NÃO É APENAS SOBRE INDIVÍDUOS, MAS SOBRE:  REDES DE PODER, BLINDAGEM INSTITUCIONAL,  SILÊNCIO COMPRADO, E A DIFICULDADE HISTÓRICA DE RESPONSABILIZAR ELITES, MESMO QUE ELA TENHA PRATICADO ATROCIDADES.

Muitos nomes nunca foram julgados. Alguns nunca serão. Mas o volume de conexões revela algo estrutural, um sistema onde proximidade com o poder funciona como escudo moral e jurídico. ISSO É TÃO ASSUSTADOR COMO MATAR UM VIRA LATAS DE TANTO TORTURÁ-LO COMO COMER BEBÊS DESPEDAÇADOS, COMPRAR ADOLESCENTES PARA ESTUPRAR E PRATICAR PEDOFILIA...

Ah! Já ia me esquecendo... TODOS OS ENVOLVIDOS NO FILME DE TERROR SE DIZEM INOCENTES... rssss

 


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

ORELHA PODE SER VOCÊ AMANHÃ...

  

No início, o que chegou até mim foi a notícia seca: um cachorro morto, adolescentes envolvidos, imagens que circulavam. A brutalidade em si já seria suficiente para revoltar qualquer consciência minimamente humana. Mas, à medida que os fatos vêm se desenrolando, algo ainda mais grave começa a emergir: a sensação de que a verdade está sendo cuidadosamente manipulada para não ferir sobrenomes, endereços e padrões de vida, pois as famílias dos adolescentes torturadores e assassinos são da elite de Santa Catarina.
Primeiro vieram as imagens chocantes, depois, os relatos. O porteiro do condomínio, figura central naquele momento inicial, afirmou ter visto, ouvido, presenciado. Suas palavras apontavam para os adolescentes. Havia coerência entre o que ele dizia e o que as câmeras mostravam. Mas então algo mudou. O mesmo porteiro passou a dizer que não viu, que não ouviu, que não deu declarações comprometedoras. Logo ele aparece com “férias compulsórias”.
É nesse ponto que minha indignação aumenta. Porque não estamos falando apenas de um crime contra um animal indefeso, o xodó de todos os que o conheciam. Estamos falando de como o alto padrão social de certas famílias parece interferir, direta ou indiretamente, no curso da justiça e no tratamento dado pela imprensa. Sinto desconfiança até mesmo nos depoimentos das delegadas e do delegado que, me desculpe se o analiso mal, quis se comportar como estrela e usou o cachorrinho caramelo (que é outro episódio horroroso) como capital político-partidário, pois será candidato a deputado estadual.
Basta observar o contraste entre as abordagens midiáticas. O Fantástico, da Rede Globo, tratou o caso com uma cautela quase cirúrgica, escolhendo palavras, evitando confrontos mais diretos, pisando em ovos. Já na TV Record, o tom foi outro: mais incisivo, mais questionador, menos preocupado em preservar imagens e mais interessado em expor contradições. Essa diferença não é mero estilo editorial; ela revela o quanto certos temas ainda são blindados quando tocam a elite. A forma como o assunto é abordado, as palavras pescadas, as entrelinhas, as mensagens sublimares são requisitos que sempre priorizo, pois é onde reside a verdade. Suspeito que as autoridades estão favorecendo a elite catarinense. É POR ISSO QUE DEFENDO A FEDERALIZAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO DO CASO “ORELHA”. Até porque Santa Catarina tem dado espetáculo em coisas escusas.
Há famílias que, por força do dinheiro, do status e de uma educação profundamente distorcida, passam a acreditar que as leis são flexíveis, ou opcionais. Subestimam a Justiça como quem subestima um obstáculo pequeno demais para o próprio sobrenome. Sentem-se acima das normas, acima das consequências, acima da própria finitude. Sentem-se, em última instância, imortais. Isso me lembra os bilionários que entraram no submergível Titã para ver os destroços do Titanic. Convencidos de que dinheiro e arrogância eram suficientes, eles desafiaram o mar e as leis da Física. O oceano, indiferente a contas bancárias, respondeu com a única linguagem que conhece. A realidade, cedo ou tarde, sempre cobra a conta.
O problema é que, diferente do mar, na sociedade, essa cobrança nem sempre acontece. O caso de Orelha escancara um modelo de formação familiar que vem produzindo monstros sociais. Jovens que crescem acreditando estar revestidos de imunidade: à dor alheia, à violência, ao crime. Jovens educados para pensar que o dinheiro dos pais compra advogados, narrativas, silêncios e, se necessário, a própria Justiça. Jovens grosseiros, mal educados, que chutam animais, são indiferentes aos mendigos, aos idosos, aos indígenas, aos pretos, aos pobres e tudo mais. E isso não é novo.
Lembro-me do indígena Galdino, queimado vivo em Brasília enquanto dormia. Juro que chorei, pois esse que vos escreve tem veneração a esses povos que cercaram a sua infância e adolescência no Mato Grosso do Sul. Os assassinos alegaram que “foi uma brincadeira”. Uma brincadeira?! A Justiça foi leniente, o país seguiu em frente, e hoje muitos daqueles envolvidos vivem confortavelmente, empregados, bem remunerados, integrados à mesma elite que sempre se protege. Aquela página aterradora da nossa história foi varrida para debaixo do tapete nacional.

O assassinato de Orelha ecoa esse passado. A mesma lógica. A mesma tentativa de minimizar, confundir, relativizar. A mesma engrenagem que transforma violência em “excesso”, crueldade em “erro”, crime em “mal-entendido”. Tudo fica confuso, desconcatenado, propositalmente turvo. Versões se contradizem. Testemunhas recuam. Declarações desaparecem. A realidade, que parecia tão nítida no início, passa a ser disputada como se fosse apenas uma questão de opinião, mesmo diante de imagens que não mentem.
Isso me revolta. Não é só a morte de um cachorro ou de um ser humano se o fosse. É a morte simbólica da ideia de igualdade perante a lei. É a confirmação dolorosa de que, para alguns, a Justiça ainda tem preço, a verdade ainda é negociável, e a impunidade ainda é herdada junto com o sobrenome.

Nos meus 58 anos, a minha capacidade de indignação segue tão intacta quanto na minha adolescência, pois não sou um monstro. Aqueles monstros praticaram o exercício de matar, e para eles, homens e cachorros são iguais, principalmente se o cachorro for de rua e o homem for pobre. Não podemos esquecer esse episódio bárbaro, assim como não podemos esquecer o caso Galdino e tantos outros, pois quando homens e mulheres de bem recuam, esses criminosos avançam.

Enquanto aceitarmos isso em silêncio, Orelha, Galdino e tantos outros continuarão sendo apenas nomes esquecidos, sacrificados no altar de uma elite que se julga eterna, superior, até que a realidade, como o mar profundo, resolva lembrar que ninguém está acima dela. É isso o que mais espero. E LEMBREM: ORELHA PODE SER VOCÊ, AMANHÃ...