ANTES DE LER É BOM SABER...

Este blog não é jornalístico, embora contenha alguns conteúdos nesse aspecto. O maior número dos textos é fruto de pesquisas de autoria de Luis Carlos Freire, o qual descende da família de Nísia Floresta pela parte da mãe. Algumas publicações ainda não estão completas e aguardam novos estudos, cujo autor entendeu serem úteis disponibilizá-las de tal forma, haja vista que muitas são inéditas. Isso permite que os interessados tenham ao menos uma ideia daquilo que buscam na internet, até porque existem situações em que certos assuntos não são encontrados nem na internet nem em outro lugar. Na realidade, a maior parte das publicações está completa, sendo fruto de longos estudos, alguns até extensos e aprofundados. O autor, que é membro da Comissão Norte-Riograndense de Folclore, também é especialista na obra de Nísia Floresta e estuda os costumes da região na qual nasceu essa intelectual. Esse detalhe permitirá ao leitor encontrar informações históricas sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, sobre o município homônimo, situado na Região Metropolitana de Natal/RN, além de crônicas, artigos, fotos poemas, etc. O blog, na realidade é fruto do hobbye do autor. O autor ministra palestras e pode ser convidado através do e-mail: brasilcentauro@yahoo.com.br e pelo fone (84) 8162.9323. SÓ É PERMITIDO COPIAR TEXTOS DESTE BLOG, DESDE QUE A AUTORIA SEJA MENCIONADA.

terça-feira, 29 de julho de 2014

RAZÃO PARA SE VOTAR EM FÁTIMA BEZERRA


EU VOTO EM FÁTIMA BEZERRA PORQUE ELA SE  PARECE COMIGO
      Incrível que diante de tantos meios de comunicação - com destaque à internet – ainda existam pessoas perguntando o que a deputada federal FÁTIMA BEZERRA (hoje candidata a senadora) fez pelo Rio Grande do Norte.
      Dia desses uma internauta me fez esse questionamento.
    Diante de tanta injustiça cometida por alguns políticos, é direito de qualquer eleitor indagar, investigar, duvidar de quem quer que seja etc etc etc, mas ignorar a atuação de uma candidata com o perfil de FÁTIMA BEZERRA –SENADORA - 131 é digno de esclarecimento.
      FÁTIMA BEZERRA – SENADORA - 131 pertence a um grupo seletivo de políticos brasileiros da mais alta qualidade. Isso é real. Basta acessar o site da Câmara dos Deputados e ver a sua atuação. Somado a isso há o site oficial de FÁTIMA BEZERRA – SENADORA - 131, o qual disponibiliza aos internautas toda a sua atuação. Só não vê quem não quer.
        O que mais se ouve por aí são pessoas revoltadas com política (e não se deve tirar a razão devido à parcela corrupta), mas sejamos justos e não generalizemos. É graças a esse grupo sério, onde se inclui FÁTIMA BEZERRA – SENADORA - 131, que o Rio Grande do Norte deu grandes saltos positivos em diversas áreas.
      É compreensível quando alguns dizem que “não votarão em ninguém” etc. Particularmente, respeito tal ponto de vista, mas tais pessoas devem ser justas e reconhecer a luta de homens e mulheres que estão na política, os quais, iguais a nós querem um Brasil melhor.
       Cobramos tanto a honestidade e a competência nos políticos, mas nem sempre nós mesmos somos honestos e justos nos momentos mais estratégicos das nossas vidas. A hora da urna é a mais importante de todas. A partir do momento que não valorizamos o político decente, também estamos sendo desonestos, pois impedimos que tal pessoa trabalhe mais e melhor pelas questões de interesse coletivo. Isso é uma espécie de corrupção também. Pode crer! A não ser que se pense que bom político é aquele que desfila distribuindo trocados pelas esquinas.
        FÁTIMA BEZERRA – SENADORA – 131 é o tipo de parlamentar que supera as expectativas. Além de prestar contas do compromisso que fez com o eleitor, ela se supera e está sempre com um projeto novo. FÁTIMA BEZERRA – SENADORA - 131 tem trabalhado pelo bem do Rio Grande do Norte desde que foi eleita pela primeira vez. Pesquise na internet, olhe a sua história, veja a sua biografia. O trabalho de FÁTIMA BEZERRA – senadora - 131 é algo visível no Estado e de grandes reflexos.
        Se eu sei que existe uma candidata a SENADORA que traz no seu currículo tudo o que eu quero para o meu estado, tenho mais que apoiá-la e divulgá-la, convidando as pessoas para conhecer o seu trabalho.
        O que mais se exige (e pouco se vê) num político é honestidade e competência. Então, quando se tem a comprovação que o (a) candidato (a) possui essas qualidades por que não votar nele (a)?
       Se eu sou honesto, justo, idealista e quero ver o meu estado melhorando cada vez mais, tenho mais que votar em quem se parece comigo.
       O voto é nobre. O voto deve ter a cara da minha vila, da minha aldeia, do meu distrito, do meu município, do meu estado, do meu país, portanto eu voto em quem se parece comigo. Eu voto em FÁTIMA BEZERRA SENADORA – 131.

ARIANO SUASSUNA: PILAR DA NOSSA BRASILIDADE

                                                                  OBRIGADO, MESTRE!

Sempre admirei Ariano Suassuna, antes mesmo de o “Auto da Compadecida” se tornar um clássico da TV brasileira. Não há como não tirar o chapéu para esse escritor genial, que, ao contrário do que alguns pensam, deixou vasta obra. Sua inteligência, seu bom humor, suas críticas, a maneira de se expressar, a voz, o sotaque... tudo isso lhe emprestava um contorno especial e prendia a atenção de quem assistia a suas palestras, suas “aulas espetáculo” e suas entrevistas. Tive o privilégio de assisti-lo por duas vezes. Bastava o homem falar que não tinha como não prestar atenção com admiração.
Atrás do criador de “Chicó” e “João Grilo” existia o criador de diversas personagens de grande significação para a brasilidade com ênfase à ‘nordestinidade’. Sua aparência, seu jeito aparentemente simplórios escondiam um filósofo que escrevia com a finalidade de instigar o homem ao pensar, sem poupar opiniões muitas vezes ácidas e incômodas a quem quer que fosse.
O “Auto da Compadecida”, por exemplo, carregado de humor, permite ao leitor (e telespectador) fazer sérias reflexões sobre diversos assuntos. Um deles é a hipocrisia de alguns religiosos.
Quando Ariano Suassuna publicou tal obra, teve problemas com a Igreja Católica pelo fato de mandar para o inferno justamente aqueles que, aparentemente, tinham lugar certo no céu – e mandar para o céu aqueles que, aparentemente, tinham lugar certo no inferno. Óbvio que ele precisou de ‘panos de fundo’ para ambientar sua criatividade, pois a forte carga de hipocrisia contida em muitos personagens é a mesma em pleno século XXI. E permanece obviamente em muitos religiosos, com exceções, independente de igrejas.
O paraibano radicado há décadas no Pernambuco é autor de ensaios, crônicas, artigos, romances, peças de teatro além de ter criado o “Movimento Armorial”, cuja proposta é interessantíssima. Em vida publicou 16 livros.
Alguns o criticam pelo fato de ele ser conservador e tradicionalista no que se refere às manifestações folclóricas e a Música Popular Brasileira. Não o vejo assim. É certo que vivemos num mundo globalizado e com influências instantâneas em tudo (moda, música, dança, linguagem, gestos etc), mas enquanto os demais países vivenciam tudo isso e preservam a sua própria cultura, nós, brasileiros, esquecemos da nossa, vivenciando apenas a cultura dos outros.
Tem muita gente que torce o nariz quando se fala de “Boi-de-Reis”, “Pastoril”, “Bambelô”, “Congada”, “Boi-de-Mamão”, Agnaldo Rayol, Maria Betânia, Caetano Velozo, Núbia Lafaiette, Nelson Gonçalves, Maysa etc etc etc. Ele nos levou a pensar que boa parte dos jovens brasileiros tem vergonha da sua brasilidade. O que não é novidade, mas quando um homem da sua dimensão atinge as massas e os ambientes mais acadêmicos com tal discurso, é ótimo. Grosso modo, era simplesmente isso o que Ariano Suassuna criticava de forma ácida.
Sobre boa parte do repertório da MPB (clássicos, bregas etc) ele não poupava ironias, levando as plateias ao delírio com colocações fantásticas, tipo “é uma esculhambação da mulesta”. Se ele dava uma exagerada em algumas opiniões sobre x ou y, é digno que o tenhamos relevado mediante tudo o que ele foi.
Até parece que ele queria que tudo tivesse parado no tempo, mas engana-se quem assim pensa. Ariano Suassuna criticava o fato de o Brasil negar a sua raiz e enaltecer o que veio de fora. Ele entendia que o Brasil deve valorizar o que veio de fora desde que tenha qualidade, mas sem que a “internacionalidade” sobrepuje a “brasilidade”. Esta deve estar em primeiro lugar.
Ariano Suassuna detonava o lixo colocado onde quer que seja. Ele fazia reflexões sérias e importantes sobre a linguagem chula, vulgar, pornográfica e sem nexo que chega ao povo através de diversas manifestações artísticas, alienando as pessoas ao invés de despertar nelas o espírito crítico. Ele dizia que “lixo não é arte”, “lixo não é música”, “lixo não é cultura”. Na concepção dele o “velho” deve caminhar junto com o “novo”, desde que esse “novo” seja algo que possa somar positivamente, e não enaltecer o lixo. O “velho” pode até sofrer mudanças, mas do tipo que você lerá abaixo.
Não há como evoluir sem sofrer mudanças - nem mesmo a arte - mas que as mudanças não interfiram na essência, nem agridam a estética. Era mais ou menos assim que ele pensava. E que boa parte de nós pensamos.
Dia desses eu conversava com uma pessoa sobre uma manifestação rara, ainda em voga em São José de Mipibu, chamada “Pau Furado”. No passado os brincantes se serviam de toras de uma madeira hoje em extinção, a qual era ‘ocada’. Essa peça fazia as vezes de um atabaque para batucar as canções. A pele era de raposa ou algo assim. A todo instante os dançantes esquentavam a pele de tal instrumento numa fogueira que faziam ao redor. Desse modo o som ficava mais audível.
Hoje, eles usam instrumentos musicais modernos, e nas raras vezes que fazem fogueiras, adquirem gravetos de mangueiras ou árvores frutíferas velhas, pois não se pode destruir as matas para fazer zabumbas ou fogueiras. E assim vai. Porém, a essência não morre, que são as canções, o bailado, a indumentária, a mesma alegria contagiante de séculos passados.
Ariano criticava a acanhada falta de políticas públicas em prol da cultura, principalmente em governos anteriores, a ausência de uma reeducação para a tal brasilidade a partir dos primeiros anos escolares etc.
Tenha certeza que esse genial intelectual era um dos pilares da nossa cultura, da nossa história, da nossa literatura, da nossa brasilidade.
Torço para que com a sua morte não se definhe o patrimônio que ele tanto defendeu, e que, com certeza, deve estar dentro de cada um de nós, aliás, ele próprio era um patrimônio monumental. LUIS CARLOS FREIRE.

domingo, 27 de abril de 2014

EM TEMPO: ANIVERSÁRIO DE MORTE DE NÍSIA FLORESTA

EM TEMPO: ANIVERSÁRIO DE MORTE DE NÍSIA FLORESTA
          
Eu havia preparado uma homenagem para Nisia Floresta no início do mês, mas não foi possível publicar no período certo, pois precisei ir ao Mato Grosso do Sul e ao interior de São Paulo, onde passei 15 dias. Creio que ainda esteja valendo, afinal o seu aniversário de morte deu-se no dia 24 de abril de 1884. Estamos no referido mês. Na realidade esta homenagem não é para a sua morte. A data da sua morte serve para lembrarmos dessa importante intelectual brasileira, cujos feitos servem de exemplo para todos aqueles que não aceitam injustiças sociais e gritam bem alto contra os tiranos e opressores da sociedade. OBSERVAÇÃO: As fotos são aleatórias e trazem explicações nelas mesmas. Outras têm legendas ou textos pertinentes.


            
        Inaugurado em 12 de outubro de 1909, para celebrar a passagem do 1º centenário do nascimento de Nísia Floresta. Em suas faces está escrito:
         A leste: Deste Ninho, até agora ignorado, levantou voo altaneiro a notável norte-riograndense a quem a mocidade rende esta homenagem.
  Lado Oeste: “Votre touchante composition est irrévocablement placée dans le tiroir sacré qui ne contient que la correspondence exceptionelle. Respect e sympathie. AUGUSTE COMTE”. Carta de 29 de agosto de 1857.
   Lado Norte – NÍSIA FLORESTA. 1809-1909. 12 de outubro. Papari.
       Lado Sul: O Congresso Literário, reunido em Setembro de 1909, sob os auspícios do exmº dr. Alberto Maranhão, seu presidente de honra e Governador do estado, resolveu erigir este monumento.

PANFLETOS IGUAIS A ESTE, NUMA QUANTIDADE DE 10.000, FORAM DESPEJADOS DE UM AVIÃO SOBRE O CORTEJO QUE ACOMPANHOU A SOLENIDADE DA CHEGADA DOS  DESPOJOS DE NÍSIA FLORESTA, EM 1954, NO MUNICÍPIO QUE JÁ POSSUÍA O NOME DE NÍSIA FLORESTA/RN.

ESSA EFÍGIE FOI O QUE RESTOU DO MONUMENTO DE 1911,  DESTRUÍDO POR VÂNDALOS, CUJA IMAGEM VOCÊ VERÁ ABAIXO.

VEJA A IMAGEM DE NÍSIA FLORESTA, LOGO ATRÁS DOS DEMAIS PRECURSORES DA LUTA EM PROL DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA BRASILEIRA - O MONUMENTO PODE SER VISTO NA 'PRAÇA DA REPÚBLICA' - RIO DE JANEIRO.







            Monumento a Nísia Floresta, em Natal. Inaugurado em 19 de Março de 1911, na Praça Augusto Severo. Obra de Corbiniano Vilaça e do escritor francês Edmond Badoche. Medalhão de bronze aposto a uma stela de granito, com incrustrações em bronze; uma palma e datas do nascimento e morte. Feito em Paris, sob a orientação de Henrique Castriciano.

HISTÓRIA DO TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA NO BRASIL



         O documento abaixo, intitulado “O TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA” foi transcrito, portanto seu teor foi preservado conforme o original. Por esse motivo o leitor poderá observar algumas palavras escritas/ou acentuadas diferente da atualidade. O mesmo raciocínio de aplica ao fato de o autor ter usado duas formas para se referir ao município onde Nísia Floresta foi sepultada: “Ruão” ou Rouen. O correto é a segunda.

O TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA

Comunicação ao INSTITUTO HISTÓRICO e GEOGRÁFICO do Rio Grande do Norte, pelo sócio ADAUTO MIRANDA RAPOSOS da CAMARA, em 31 de maio de 1950.
O jornalista Orlando Ribeiro Dantas, diretor do <>, do Rio, excursionando pela Europa, viajou até Ruão, especialmente para localizar a sepultura de Nísia Floresta Brasileira Augusta, a insigne norte-riograndense, que, nascida em Papari, se impôs ao respeito e à consideração de um escol intelectual europeu, na centúria passada.
Quando partiu pra o Velho Mundo, em Fevereiro último, o ilustre conterrâneo, que estremece a nossa Província e a conduz no coração para toda a parte, me confiou que ia visitar Nísia em seu eterno abrigo, que vagamente se sabia existir naquela cidade francesa. Henrique Castriciano, certa vez, me declarou possuir uma fotografia do túmulo, mas nunca tive a oportunidade de ver, alegando ele que se extraviara.
Por intermédio da Federação das Academias de Letras do Brasil, procurei, em 1938, obter uma certidão ou atestado do enterramento de Nisia Floresta, interessando-se, nesse sentido, o Itamarati, a que se forneceram minuciosos elementos para diligências junto às autoridades francesas. A resposta, solícita e gentil, foi, no entanto, desalentadora: o Consulado Geral do Brasil no Havre, apesar de sua boa vontade, nada logrou de satisfatório, pois que a Prefeitura de Ruão informara haver mandado proceder as buscas nos registros do Estado Civil, <>.
Foi preciso que um rio-grandense do Norte, do Ceará-Mirim, se trasladasse até lá, em 20 de abril de 1950, sessenta e cinco anos após a morte de Nisia, disposto a reencontrar o túmulo esquecido. Em circunstanciada carta que me dirigiu, da qual, em seguida, transcrevo em longo trecho, teve a gentileza de comunicar o feliz êxito de seus beneméritos esforços a este seu coestaduano e velho amigo, autor de uma biografia de Nisia Floresta.

"Regressei ontem de EU, depois da visita que fiz a Rouen, ao Havre e a Dieppe. Cheguei a Rouen a 20 de e me hospedei no “Hotel de La Poste”. Logo depois, rumei ao cemitério. Tomei o bonde nr. 19, para apreciar melhor o panorama da cidade. Lá do alto, onde fica Bonsecours, pude ver, em conjunto, quase toda Rouen. Ao chegar ao portão do cemitério, dirigi-me a uma senhora velha, que ali vende postais e todas essas pequenas coisas que agradam aos turistas. Disse-lhe que ia visitar o túmulo de Nisia Floresta Brasileira Augusta, ao que ela me declarou que não havia ali esse túmulo. Estranhei a segurança com que dava sua informação, ao que explicou: - Moro aqui há 40 anos, conheço todo o cemitério e nunca vi essa sepultura”. Como eu insistisse, mandou a velha que uma rapariga que a ajudava, me acompanhasse à casa do sr. Menard, que tinha, ao que disse, todos os assentamentos relativos ao cemitério, pelos quais iria verificar que ela estava certa. O velho Menard, muito atencioso, procurou, eu a seu lado, os apontamentos, notas, e registros que possuía. Não encontrou o nome de Nisia Floresta. Falou, a seguir, da Mairie de Bonsecours, para a qual, depois das 14 horas, poderia eu apelar. Advertiu-me, entretanto, que os seus apontamentos eram sempre mais completos que os da Mairie.

Ma Mère
Nisia Floresta Brasileira
Augusta
Née le 12 octobre 1810
Décédée
Le 24 Avril 1885
--
Livia Augusta

Gade
Le 26 Avril 1912
À l’âge de 82 Ans.
CONCESSION PERPETUALLE
           
O túmulo, embora nunca visitado por ninguém, está em ordem e relativamente limpo. Dei à velha e à menina 400 francos e fiz as minhas recomendações a elas e ao secretário. Enviei, nestes poucos dias, cópias das fotografias tiradas. Como disse, em cartão-postal enviado de Rouen, deixei, à beira da sepultura de Nisia, duas lagrimas, uma sua e outra minha, ambas, sem dúvida, por nós e por todos os nossos conterrâneos. Madame Gade, depois Veuve Gade, née De Faria, morou em Rouen, na Route Paris, 121.

            Do Gesto de Orlando Ribeiro Dantas resultou sabermos agora:
a)    que Nisia Floresta está realmente sepultada em Ruão;
b)    que sua tumba não está abandonada;
c)    que a inhumaram cristãmente. Nisia sucumbiu a uma pneumonia aos 24 de abril de 1885, recebeu o conforto da Religião Católica. (V. minha História de Nisia Floresta, Rio 1941, Pongetti Edits, 211 pgs.
d)    Que ela nasceu a 12 de outubro de 1810, e não em 1809, conforme supunham quase todos os que estudaram a sua vida. Devo dizer que, naquele citado livro, aceitei a versão generalizada, por falta de documentos em contrário, mas sempre fiz minhas ressalvas, sempre manifestei minhas desconfianças, conforme se encontra em uma conferência que fiz em março de 1938, no Rio, e publicada no 2º Vol. De Conferências da Federação das Academias. Disse eu, então (pg. 105 – “Vários autores se equivocaram quanto à data do falecimento, dando-o como tendo ocorrido a 20 de Maio de 1885 (Vieira Fazenda, Blake, etc). Lendo-se O PAIZ, de 27  de Maio e o convite para missa feito por José da Silva Arouca, dissipar-se-ão todas as dúvidas. A controvérsia pode girar em torno do ano exato em que nasceu, que há motivos para afirmar ter sido em 1810.
A lápide funerária, cuja inscrição conhecemos, graças a Orlando Ribeiro Dantas, é uma fonte de história. A filha devotíssima é que ditou os dados referentes a Nísia, gravados no granito, e certamente ninguém saberia melhor, naquela época, o genetlíaco da excelsa potiguar.
Daqui se conclui que as comemorações de 1909, no Rio Grande do Norte, promovidas pelo Congresso Literário, foram antecipadas de um ano... mas por culpa da mesma filha, que, aos 79 anos, com a memória enfraquecida, prestou “esclarecimentos” à comissão do centenário de Nísia.
Na laje foi insólitamente estampada a idade de Lívia, 82 anos, ao falecer em Cannes, aos 26 de abril de 1912. Ela nasceu em Recife, em 12 de Janeiro de 1830, pelas nove e meia da noite, a mesma hora em que Nísia nasceu, conforme se lê nos Conselhos à Minha Filha (Rio, 1842). Aproveito a oportunidade para retificar um lapso tipográfico constante de minha História de Nísia Floresta, pelo qual a data natalícia de Nísia teria sido 12/1/1832. Aliás, Augusto Comte, a quem Nísia há de ter transmitido a indicação, a deu como nascida em 1835 (o pai se finara em Porto Alegre, em 1833...), pois que lhe atribuiu a idade de 22 anos, em 1857, como se lê na carta de 29 de março de do mesmo ano a G. Audiffrent.
Orlando Ribeiro Dantas prestou mais um meritório serviço aos que investigam sobre a grande vida da maior mulher de letras do Brasil, de quem o Rio Grande do Norte se orgulha de ter sido o berço.
Êle é talvez o primeiro norte-riograndense que foi homenagear sua memória, nas terras da França, - representante legítimo dos sentimentos de seus comprovincianos, - depois de uma paciente peregrinação pelas repartições públicas de Ruão e pelas avenidas silenciosas do Campo Santo de Bonsecours.

Rio de Janeiro, 31 de Maio de 1950.

Adauto Miranda Raposo da Câmara

Colégio Metropolitano – R. Dias da Cruz, 241. Meyer.

P.S. Remeto cópia das fotografias com que Orlando Ribeiro Dantas me obsequiou. Mandei fazer ampliação da que representa a laje sepulcral. Com o auxílio de uma lente, a inscrição poderá ser claramente lida".
                                    Adauto da Câmara


HISTÓRIA DO TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA NO BRASIL - RELATÓRIO DO PRESIDENTE DA ACADEMIA NORTE-RIOGRANDENSE DE LETRAS SOBRE A CONSTRUÇÃO DO MAUSOLÉU DE NÍSIA FLORESTA.

           
“Não havia transcorrido dois meses da nossa posse quando surge na imprensa desta capital uma campanha contra as autoridades do município de Nísia Floresta, com tentativa de envolver, mais tarde, a Academia de Letras, pelo fato daquelas autoridades não terem providenciado a construção do mausoléu da escritora Nísia Floresta Brasileira Augusta, cujos despojos há quase dois meses haviam sido depositados na igreja daquela cidade, onde permaneciam, ainda, insepultos, por falta de uma providência naquele sentido.
            Em face da campanha da imprensa e da impassibilidade da Prefeitura Municipal de Nísia Floresta, resolveu a Academia, por unanimidade dos seus membros, assumir a responsabilidade da construção do Mausoléu, promovendo os meios de torna-lo realidade. Tomada essa deliberação seguimos na mesma semana para aquela cidade onde, em companhia do contador Jovino dos Anjos, do professor Gonzaga Galvão, do construtor Alvaro José de Melo e do pedreiro José Cirino dos Santos, entramos em contato com o Prefeito local, Sr. José Ramires, e o Presidente da Câmara Municipal, Coronel João Marinho de Carvalho pondo-os ao corrente da situação e comunicando-lhes a resolução da Academia. Aquelas autoridades se solidarizaram de pronto com a iniciativa, e, embora não fizessem de prático para remover a situação criada, em parte por elas, não se opuseram, porém, à ação da nossa entidade. Nada mais exigia também a Academia para Nísia Floresta, senão que lhe dessem liberdade de ação e meios para realizar aquele objetivo. E foi o bastante. Voltamos no mesmo dia a Natal e no dia seguinte publicamos a primeira notícia no Diário de Natal, anunciando o começo do trabalho. Desta data em diante nunca mais deixamos de trabalhar pelo Mausoléu da escritora. Havia ali no sítio onde nasceu a escritora um monumento construído em cimento armado e alvenaria, cercado por um muro em péssimas condições. O Monumento era baixo, medindo, se muito, dois metros e meio de altura. Demos ordem para o construtor para elevar o monumento à altura compatível com a sua estética, revestindo-o ainda de marmorito harmonizando-o com a vestimenta do Mausoléu que é idêntica à do monumento. O muro velho foi igualmente derrubado, construindo-se um outro mais amplo e espaçoso, de acordo com as necessidades do conjunto. A natureza do trabalho, em grande parte do marmorito, exigia operários especializados, contratados em Natal, encarecendo, portanto, a mão de obra. Ao lado dessa circunstância devemos lembrar a inconveniência de um serviço feito na ausência do seu principal responsável. Além da falta de transporte, lutávamos ainda com a exiguidade de verbas para esse fim, só podendo visitar o serviço de oito em oito dias, ora em automóvel de aluguel, ora em carros de amigos particulares. Logo após os primeiros preparativos para a construção do Mausoléu, verificamos a necessidade de mandar confeccionar uma planta, tendo o construtor Alvaro José de Mélo, autorizado por nós, convidado o engenheiro Sousa Lelis para apresentar o projeto, sendo esse feito pelo referido profissional, nada custando à Academia. O mesmo, diga-se de passagem, aconteceu com o construtor Alvaro José de Mélo que, tomando a direção técnica do serviço a nosso pedido nada exigiu da nossa entidade prestando-lhe os mais relevantes serviços durante a construção do Mausoléu e a reforma do Monumento. Conforme prometemos, pessoalmente, e em notícias veiculadas em jornais da cidade, aqui deixamos a demonstração dos auxílios recebidos para a construção do Mausoléu e a sua respectiva aplicação, firmadas nos documentos da despesa. Os auxílios recebidos durante toda a campanha foram os seguintes: 

Governo do estado...................................................5.000,00
Prefeitura de Natal...................................................1.000,00
Luís Velga................................................................1.000,00
Dr. Aldo Fernandes..................................................1.000,00
Aguinaldo Vasconcelos............................................1.000,00
Santos & Cia Ltda............................................1.000,00
Imp. Severino Alves Bila S/A....................................1.000,00
Imp. Dinarte Mariz S/A.............................................1.000,00
Miguel Carrilho........................................................1.000,00
Dr. Roberto Bezerra Freire.......................................1.000,00
Luís de Barros.........................................................1.000,00
Sebastião Correia de Melo..........................................500,00
Pedro Augusto Silva...................................................500,00
Wandick Lopes...........................................................300,00
Sebastião Ferreira de Lima.........................................300,00
Oton Osório de Barros................................................200,00
Walter Pereira.............................................................200,00
Araújo Freire & Cia. ............................................200,00
Cunha &Maia......................................................200,00
Álvaro d’Araújo Lima...................................................100,00
Enico Monteiro............................................................100,00
Gurgel Amaral & Cia. .........................................100,00
Henrique Santana.......................................................100,00
João Rod....................................................................100,00
Sergio Severo.............................................................100,00
Euclides Vidal de Lira... .............................................100,00
Severino Souza Ribeiro.................................................50,00
Bruno Batista................................................................50,00
Lindolfo Gomes Vidal....................................................50,00
TOTAL:..............................................................C$18.250,00

      Esses auxílios foram angariados por uma comissão composta do Presidente da Academia, do Acadêmico Hélio Galvão, do industrial Luis Veiga e do contador Jovino dos Anjos: o terceiro, amigo devotado das letras, cujo interesse pelas coisas do espírito e da inteligência não será preciso ressaltar porque é de todos conhecido; o quarto, natural da cidade de Nísia Floresta, colocou desde os primeiros momentos a serviço da causa comum, cooperando por todos os meios para a sua realização.
        As despesas que se elevaram ao total de Cr26.710,00, conforme documentos arquivados, tiveram por objetivo os seguintes serviços: - destruição do muro velho e construção de um muro em alvenaria rebocado, caiado e pintado; elevação do antigo monumento, de dois metros e meio (2’2) para cinco (5) metros de altura todo revestido de marmorito; iluminação elétrica de todo o conjunto, com material novo e de primeira qualidade; construção do piso interno e da calçada ambos a mosaico.
           Confrontando-se a Despesa e a Receita do Mausoléu e do Monumento, ver-se-á que houve um déficit de Cr$8.460,00, coberto pelas rendas ordinárias da Academia.
            Os documentos assinados pelas casas fornecedoras do material e pelo mestre da obra, José Cirino dos Santos, dirão melhor, na mudez dos seus algarismos, do que a linguagem dos relatórios com todas as suas minúcias.
         Devemos lembrar que nessas despesas não foram incluídos os trabalhos técnicos e de administração do engenheiro Souza Lelis e do construtor Álvaro José de Melo, cujos serviços foram gratuitos e porisso mesmo merecedores da nossa gratidão e do nosso reconhecimento. Não foram igualmente computados aqui os tijolos e a areia fornecidos gratuitamente pelo Capitão João Marinho de Carvalho, Presidente da Câmara Municipal de Nísia Floresta.
            Não foram incluídos mais os seguintes materiais e obséquios, doados e prestados por várias pessoas, cuja menção manda a justiça que se faça: -
1.Pedro Paulino de Carvalho, terreno para ampliação da área do muro;
2.Carlos Gondim, um portão e uma grade de ferro;
3.João Suassuna, seis alqueires de cal;
4.Galvão Mesquita, Ferragens S/A, quarenta quilos de ferro e dois quilos de arame fino;
5.Casa Lux Ltda. Quatro tubos de ferro de ¾ para eletricidade, fora o que foi comprado posteriormente; 
6.Antonio Justino & Cia. Dezessete latas de mármore, fora o que foi comprado posteriormente.
7.José Silva, dois sacos de cimento “Zebú”, fora o que foi comprado posteriormente;
8.José Martins, seis alqueires de cal para traço e uma lata da cal virgem;
9.Um anônimo, viagem de carro para Nísia Floresta;
10.Wandick Lopes, viagem de Jeep a Nísia Floresta;
11.Um anônimo, viagem de Jeep a Nísia Floresta;
12.Dr. Raimundo França, viagem de Jeep a Nísia Floresta;
13.Prefeitura de Natal, viagem de um caminhão a Nísia Floresta;
14.Carlos Gondim, trouxe e levou várias vezes, material de construção para o Mausoléu de Nísia Floresta;
15.Base Aérea de Natal, viatura posta à disposição da Academia para condução dos convidados no dia da inauguração do Mausoléu e do Monumento;
16.Pedro Augusto Silva, Carlos Gondim e Tenente Barros e Senhora, lanche preparado e servido em Nísia Floresta no dia da inauguração do Monumento;
17.Osório Dantas, viagem de Jeep a Nísia Floresta, com a colaboração do jovem estudante Walter Lopes que serviu de motorista;
18.Instalação da luz do Monumento e do Mausoléu, a cargo do eletricista Manuel Silva e do seu respectivo auxiliar;
19.Prefeitura Municipal de Nísia Floresta, placa em alto relevo, confeccionada por importante firma de Belo Horizonte, Minas Gerais, cuja doação muito recomenda o bom gosto e a compreensão do Prefeito José Ramires, e do Presidente da Câmara Municipal, Coronel João Marinho de Carvalho. É de justiça salientar o interesse do contador Otacílio Ximenes Jales, representante da referida firma, nesta capital, que tudo fez para que a confecção da placa de Nísia Floresta se realizasse na presente gestão da Academia de Letras.
Não foram incluídas, enfim, muitas despesas miúdas que pela sua natureza escapam ao registro de quem dirige. Concluído o trabalho do Mausoléu e do Monumento reuniu-se a Academia, marcando a sua inauguração para o dia 3 de abril de 1955. Efetivamente, naquela data, daqui partiu a Academia em viatura gentilmente cedida pelo Comando da Base Naval de Natal, ali chegando às 9 horas e fazendo logo depois o trasladamento dos restos mortais da escritora da Igreja local para o Mausoléu a ser inaugurado. O acontecimento está registrado no livro de Atas da Academia que por sua vez recolhe as assinaturas das pessoas presentes.”


PLACA DE NÍSIA FLORESTA

“Neste final de relatório cabe-nos uma referência especial à Prefeitura Municipal de Nísia Floresta que, por intermédio do seu prefeito, Sr. José Ramires, e do seu Sub-Prefeito, Capitão João Marinho de Carvalho, deu uma demonstração que poucas vezes se tem visto neste pedaço do território brasileiro que é o Rio Grande do Norte. Queremos nos referir ao gesto nobre e elegante que teve aquela edilidade fazendo doação à Academia Norte-Riograndense de Letras de uma belíssima placa em alto relevo para ser afixada no Mausoléu da insigne escritora e educadora e patrícia. A placa será colocada brevemente e não é sem emoção e sem um profundo reconhecimento de gratidão que agradecemos àquelas autoridades, em confiança e solidariedade que deram à nossa instituição, como que premiando-a pelos grandes esforços que dispendera na realização de tão árdua e difícil missão. Não deve ser esquecido aqui o nome do Sr. Otacílio Ximenes Jales, representante da firma de Belo Horizonte, que tanto se interessou pela confecção e pelo aprimoramento da placa em questão”.
Natal, 26 de janeiro de 1956





sexta-feira, 28 de março de 2014


CONCURSO PÚBLICO EM NÍSIA FLORESTA - REFLITA, ANTES QUE SEJA TARDE!

Há vinte anos houve um concurso em Nísia Floresta: uma vergonha! Nada passou pela Câmara Municipal. Essa patuscada serve de termômetro para que os nativos constatem os tipos de políticos que conduzem o município. Algum tempo depois da realização do referido, alguém denunciou (não me lembro quem). Por inúmeras vezes a Justiça trouxe o assunto à tona, causando calafrios em quem fez, passou e continua trabalhando. Óbvio que essas pessoas não podem ser colocadas para fora como se elas tivessem sido amadoras e irresponsáveis. Elas não podem pagar pela falta de conhecimento de quem deveria ter se pautado das informações pertinentes - com antecedência.  Uma coisa é certa, quem fez esse concurso pode ter certeza que jamais serão postos para fora, pois a indenização que deverão receber seria exorbitante. Sem contar que todos já estão além da metade do tempo para se aposentar. Não tem mais volta. Qualquer juiz de direito sabe disso. E por falar em Justiça, ela também tem culpa, pois mediante a gravidade do fato, deveria ter feito as diligências necessárias, elegendo o fato como prioridade. Ninguém fez! Juízes e promotores de Nísia Floresta, que deveriam residir no município, passam pela cidade como vento. Todos alegam a demanda da Penitenciária de Alcaçuz.

Soube - por boatos -  que haverá um concurso temporário (contrato). Não sei se é verdade, pois não acesso jornais digitais. Se não for real, me perdoem. Mas, se for, pode ter certeza que a atitude da Câmara Municipal e o Executivo de Nísia Floresta tiveram a certeza que o povo de Nísia Floresta é realmente calado e omisso, com raras exceções (desculpem a franqueza, afinal não poderia ser hipócrita de buscar palavras suaves para disfarçar a realidade. Nunca vi tamanho absurdo.       São anos sem um concurso. Hoje, graças a insistência de um pequeno grupo nisiaflorestense – sem rabo preso – que diariamente publica no Facebook, clamando pela realização do concurso, resolver “atender” a esse clamor. Mas, meu deus! De que maneira! Mantiveram a forma mais antiga de empregar pessoas, ou seja, com invencionices, desculpas, engodos, dissimulações etc etc etc. Concurso, que é o correto, nada!   Eu não entendo como os nisiaflorestenses ainda não pegaram cartazes, bandeiras, auto-falantes e foram para os lugares pertinentes fazer o devido protesto. QUE SILÊNCIO É ESSE MINHA GENTE! Um grupo de homens e mulheres, eleitos por vocês, sentou-se confortavelmente numa “casa de leis” e decidiu contra vocês?   Por quê?    Por que você está quieto?    O que eles fizeram é errado.    É até tolerável um município fazer um contrato provisório. Mas municípios que têm no seu currículo o know-how de sucessivos concursos anteriores (não é o caso de Nísia Floresta).    É tolerável contratação temporária mediante uma singularidade, um imprevisto, uma demanda inesperada etc.     Como pode um município que só viabilizou um concurso, em toda a sua história, ter a coragem de oferecer ao povo um cabresto disfarçado?  Perdoam-me, mas isso é uma risada alta no rosto dos nisiaflorestenses.    Nada justifica!    O que fizeram foi dissimulação e politicagem.     Eu não compreendo o porquê de vereadores eleitos pelo povo serem contra o povo.    E têm aqueles que ainda têm coragem de justificar o injustificável.      Tenham certeza que o grande divisor de águas para o progresso de Nísia Floresta chama-se CONCURSO.      Concurso permite a dignidade.    Concurso deixa as pessoas livres para se servirem da liberdade de expressão.     Concurso legitima a pessoa enquanto cidadão pleno.     Concurso permite a realização de greve legal.     Concurso dá ao concursado o direito de votar em quem quiser.     Sabe por que vai haver esse concurso temporário?       Não é unicamente porque o Legislativo e o Executivo querem.      É porque você – povo – permite ser ludibriado.     Quem permite ser enganado não deve reclamar se o filho não tem escola boa, se passa fome, se recebe casa caindo na cabeça, se não nasce pessoas na cidade por falta de hospital, se não pode fazer uma ultrassonografia de emergência, se a estrada está esburacada, se o patrimônio histórico está sendo destruído etc etc etc.  O silêncio de Nísia Floresta me assusta!

quinta-feira, 20 de março de 2014

VOCÊ SE SURPREENDERÁ COM UM TEXTO ESCRITO HÁ 76 ANOS – INTITULADO “TERRAS DE PAPARI” TERRAS DE PAPARI - COMENTADO



O texto foi escrito em 1938. O autor inicia elogiando à exuberância da natureza em Papari (hoje Nísia Floresta). Nenhuma novidade, mas algo chama a atenção. Ele usa a lagoa Papari para explicar o atraso em que os  nisiaflorestenses já em encontravam naquela época. Vejam como isso é curioso: “A lagoa, que é uma tradição da alegria, do bom humor e da paciência resignada dos habitantes, explica, em parte, o atraso de uma comunidade esquecida de que sua prosperidade está na dependência imediata do trabalho agrícola mesmo pelos processos rudimentares usuais”.
Ele segue comentando sobre a decadência em que se encontra o município. É interessante como existem vários textos antigos que retratam Papari de forma deprimente. Alguns, escritos há mais de cem anos, mostram o município como lugar semiabandonado. O primeiro livro sobre o Rio Grande do Norte, escrito por Ferreira Nobre mostra uma terra desolada e parada no tempo.
Vamos ver o que o autor diz mais adiante: “Em algumas visitas que tenho feito à terra natal de Nísia Floresta, o que mais me surpreendeu foi a decadência implacável de um dos mais antigos núcleos da população do Rio Grande do Norte, em contraste flagrante com os elementos naturais favoráveis à produção de todas as sementes alimentícias ou de plantas adequadas a fins industriais”.
Outro detalhe curioso ocorre quando o autor comenta sobre a degradação da lagoa, cuja microfauna e microflora veem-se depredadas pelas redes de pesca. O texto parece ter sido escrito hoje, pois os nativos atuais têm os mesmos discursos. Todos falam do passado de piscosidade dessas águas nas épocas dos avós. Vejam que, muito antes de seus avós e bisavós, já se notavam essa decadência.
Esse texto é importantíssimo porque retrata com realismo uma época. O autor elogia o patrimônio natural de Nísia Floresta, mas não se priva de observar os sinais de destruição da lagoa.
Esse trecho nos faz lembrar um dos livros de Nísia Floresta denominado “A Lágrima de Um Caeté”, o qual, diferente dos livros de cunho indianista, que mostravam um índio herói, parecido com os cavaleiros medievais, mostra um índio derrotado e triste por ver a sua natureza sendo destruída.
Revejam o que o autor escreveu: “A própria lagoa tem apresentado deficiências no tocante a quantidade de fauna ictiológica, evidentemente prejudicada pelos métodos de pescaria impróprios à defesa das espécies em concorrência, com a falta de limites do tempo em que podem ser feitas. Se é certo, como ali se afirmaram, que a sua profundidade não diminuiu nem modificou a potabilidade da água, não há como negar os prejuízos advindos à produção e desenvolvimento dos peixes e saborosos camarões, hoje, menos famosos do que em tempos idos”.
Adiante é possível verificar um fato histórico, sobre a famosa cheia de 1924, comentado até hoje. Nesse episódio está implícito um fenômeno que não se restringiu apenas a lagoa Guaraíras, mas que abarcou a lagoa Papari, ou seja, a salinização de suas águas.
Outro detalhe importante – não contido no texto – deve ser trazido à tona para ajudar-nos a entender melhor. Trata-se de outra famosa cheia, a de 1974, a qual deixou rastros parecidos com os de 1924. Tudo isso influiu nas águas da lagoa Papari, principalmente no que se refere ao seu assoreamento. Tenho slides de época. É inacreditável como as águas chegaram até próximo ao quintal da casa onde hoje mora a professora Ana Barros. Da Floresta ao Porto tudo ficou submerso.
Vejamos o que o autor escreveu: “Enquanto sua rival, lagoa de Guaraíras ficou inteiramente salgada, depois da cheia catastrófica de 1924, que alargou a barragem de Tibau, numa extensão de duzentos metros e os famosos camarões de Arês, primitivamente idênticos aos de Papari, foram substituidos pela espécie Vila França, pertencente à fauna marítima a lagoa lendária continuou a criar os mesmos e variados peixes, embora diminuídos no tamanho, pela impropriedade das redes empregadas nas colheitas, cujas malhadas são tão apertadas que, com peixes maiores, se acumulam piabas minúsculas, na proporção de muitas centenas de quilos”.
Vejam como é interessante o trecho abaixo, quando o autor dá uma puxada de orelha no povo de Papari: “Não se esqueçam os habitantes de Papari de que as suas terras agrícolas proporcionalmente à área total, representam vantagens inatingidas nos mais férteis municípios do Estado”.
Ele pede que as pessoas sintam remorso por serem donos de terras tão ricas, que n’outros tempo eram repletas de roças exuberantes, se resumir em pasto para gado. Curioso é que hoje (2014), nem para pasto vem servindo. São muitas as áreas cujo mato se reinstaurou. Boas partes das terras estão legadas ao nada. Isso é de causar realmente remorso, principalmente por saber que são inúmeros os programas do Governo Federal para incentivo à agricultura, inclusive para o pequeno produtor.
O autor só falta dizer que quisera o povo do sertão ser dono de tão férteis terras. Nenhum município potiguar chega próximo de tamanho potencial.
Veja o que o autor diz: “Reflitam que a quase totalidade dessa área, é bastante irrigada graças ao milagre das vertentes procedentes de camadas profundas de sub-solo. Contemplem com remorso, essas terras, outrora de lavouras alimentícias e, hoje, transformadas em zona de pastoreio em prejuízo da saúde da população e economia coletiva”.
Outra informação histórica emerge no texto, quando ele se refere aos engenhos. É válida uma observação. O município de Nísia Floresta já passou por várias mudanças em suas divisas territoriais, não apenas em 1853, mas, inclusive, no início do século XIX.
Por tal motivo não estranhe quando ele lista os engenhos “Dedo” e “Ribeiro” como situados em Papari. Naquela época realmente estavam em terras paparienses. Em caráter de observação temos o “Monte”, o qual, com a última divisa territorial, ficou metade de São José de Mipibu e metade de Nísia Floresta, conforme pode ser constatado.
Constate o que ele escreveu: “Não faz muitos anos que, no município de Papari, safrejavam quarenta e quatro engenhos, embora, subordinados à forma das almanjarras. Lá estão ainda visíveis, as ruínas dessas fábricas de açúcar mascavo, substituídas, apenas, pelos engenhos a vapor “Dedo”, “Descanço”, “São Roque”, “Monte”, e “Ribeiro”.
Uma curiosidade realmente surpreendente ocorre quando – referindo-se a famosa “Cachoeira” o autor diz: “Resta ainda acrescentar um fator importante ao desenvolvimento econômico do município, objeto destas linhas apressadas. Quando ali estive a última vez, um antigo papariense me informou, que na velha propriedade denominada “Cachoeira”, pertencente ao Sr. Inácio Lopes de Macedo, existe uma queda d’água que, devidamente aproveitada, pode produzir, num mínimo, cento e vinte cavalos de força”.
Vejam como é animada a suposição do potencial energético da referida cachoeira. Não podemos desacreditar no informante, pois há muito o que se considerar. Assim como o autor fala da degradação das lagoas Papari e Guaraíras, a “Cachoeira” também é alvo de degradação digna, sim, de remorso.
Nativos mais idosos me relataram que a vazão de água da mesma era incomparável à atualidade. Falam do “ronco da Cachoeira”, ou seja, do barulho das suas águas. Há quem afirme que a altura da queda d’água era três vezes superior a atual.
Hoje essa atração turística está limitada a um pequeno filete, embora sua beleza natural é inegável. Certamente o fato de o proprietário impedir a entrada de visitantes tem contribuído ao menos com a manutenção do que restou
E assim o autor conclui: “Essa cachoeira é formada por um pequeno rio, tornado perene pela revência das lagoas “Urubu”, “Escura”, “Bom Água”, “Ferreira”, “Ferreirinha”, “Redonda” e “Redondinha”, fontes estas situadas à montante e à pequenas distâncias.
Vejam como são animadas as expectativas do papariense que informou o fato ao autor do texto: “O volume do rio aumenta bastante no inverno e a força prevista seria suficiente para iluminar Papari, São José, Arês e Monte Alegre. Não respondo pelo otimismo do informante, mas a indicação é bastante para determinar uma investigação concludente”.
Para encerrar, analisem a decepção do autor quando finaliza:
 Que falta, pois, para incentivar o progresso de Papari? Espero dos seus próprios habitantes a resposta adequada, que não pode ser outra senão: trabalho consciente, continuado e corajoso.
Veja como é inacreditável que passados 78 anos outras e outras pessoas, sejam nativos ou não, quando escrevem sobre Papari – hoje Nísia Floresta – continuam finalizando os seus textos da mesma forma. Todas estão erradas?


CONHEÇA AGORA A TRANSCRIÇÃO DO TEXTO

TERRAS DE PAPARI
“Papari é um município de clima benigno e de sedutoras paisagens. A terra é dadivosa. O vigor da vegetação constitue índice de fertilidade convidativa a várias atividades agrícolas compensadoras.
A lagoa, que é uma tradição da alegria, do bom humor e da paciência resignada dos habitantes, explica, em parte, o atraso de uma comunidade esquecida de que sua prosperidade está na dependência imediata do trabalho agrícola mesmo pelos processos rudimentares usuais.
Em algumas visitas que tenho feito à terra natal de Nísia Floresta, o que mais me surpreendeu foi a decadência implacável de um dos mais antigos núcleos da população do Rio Grande do Norte, em contraste flagrante com os elementos naturais favoráveis à produção de todas as sementes alimentícias ou de plantas adequadas a fins industriais.
A própria lagoa tem apresentado deficiências no tocante a quantidade de fauna ictiológica, evidentemente prejudicada pelos métodos de pescaria impróprios à defesa das espécies em concorrência, com a falta de limites do tempo em que podem ser feitas. Se é certo, como ali se afirmaram, que a sua profundidade não diminuiu nem modificou a potabilidade da água, não há como negar os prejuízos advindos à produção e desenvolvimento dos peixes e saborosos camarões, hoje, menos famosos do que em tempos idos.
Enquanto sua rival, lagoa de Guaraíras ficou inteiramente salgada, depois da cheia catastrófica de 1924, que alargou a barragem de Tibau, numa extensão de duzentos metros e os famosos camarões de Arês, primitivamente idênticos aos de Papari, foram substituidos pela espécie Vila França, pertencente à fauna marítima a lagoa lendária continuou a criar os mesmos e variados peixes, embora diminuídos no tamanho, pela impropriedade das redes empregadas nas colheitas, cujas malhadas são tão apertadas que, com peixes maiores, se acumulam piabas minúsculas, na proporção de muitas centenas de quilos.
Não se esqueçam os habitantes de Papari de que as suas terras agrícolas proporcionalmente à área total, representam vantagens inatingidas nos mais férteis municípios do Estado.
Reflitam que a quase totalidade dessa área, é bastante irrigada graças ao milagre das vertentes procedentes de camadas profundas de sub-solo. Contemplem com remorso, essas terras, outrora de lavouras alimentícias e, hoje, transformadas em zona de pastoreio em prejuízo da saúde da população e economia coletiva.
Não faz muitos anos que, no município de Papari, safrejavam quarenta e quatro engenhos, embora, subordinados à forma das almanjarras. Lá estão ainda visíveis, as ruínas dessas fábricas de açúcar mascavo, substituídas, apenas, pelos engenhos a vapor “Dedo”, “Descansço”, “São Roque”, “Monte”, e “Ribeiro”.
Resta ainda acrescentar um fator importante ao desenvolvimento econômico do município, objeto destas linhas apressadas.
Quando ali estive a última vez, um antigo papariense me informou, que na velha propriedade denominada “Cachoeira”, pertencente ao Sr. Inácio Lopes de Macedo, existe uma queda d’água que, devidamente aproveitada, pode produzir, num mínimo, cento e vinte cavalos de força.
Essa cachoeira é formada por um pequeno rio, tornado perene pela revência das lagoas “Urubu”, “Escura”, “Bom Água”, “Ferreira”, “Ferreirinha”, “Redonda” e “Redondinha”, fontes estas situadas à montante e à pequenas distâncias.
O volume do rio aumenta bastantes no inverno e a força prevista seria suficiente para iluminar Papari, São José, Arês e Monte Alegre.
Não respondo pelo otimismo do informante, mas a indicação é bastante para determinar uma investigação concludente.
Que falta, pois, para incentivar o progresso de Papari?
Espero dos seus próprios habitantes a resposta adequada, que não pode ser outra senão: trabalho consciente, continuado e corajoso”. 
____________________________________________
REF. SOUSA, E. - O presente texto, dentre outros, foi encontrado num Sebo, pelo ex-governador norte-riograndense, Juvenal Lamartine, o qual teve o cuidado de recuperá-lo e trazê-lo para o RN.


domingo, 16 de março de 2014

DR. ANTONIO DE SOUSA, O 'POLYCARPO FEITOSA' - HISTÓRIA E BIBLIOGRAFIA







         Antonio José de Melo e Sousa, o Polycarpo Feitosa, nasceu aos de 24 de dezembro de 1867 no Vale do Capió, quando Nísia Floresta tinha o nome de Vila Imperial de Papari. É o filho mais velho do casal Antonio José de Melo e Sousa e Maria Emília Seabra de Melo e Sousa, os quais eram católicos fervorosos.
Seu pai, apesar de proprietário de grandes extensões de terras em Papari, e dono de escravos,  inclusive os Engenhos Capió e São Luiz, ocupava a função de tenente coronel da Guarda Nacional, espécie de secretário de segurança do estado – se comparamos à atualidade. Possuía fazendas em outros lugares, como São Tomé, Barcelona e no Pajeú.
O envolvimento futuro de Antonio de Sousa na política certamente teve influência do seu pai, pois o mesmo era chefe do Partido Conservador e foi presidente da Câmara Municipal.
Ali mesmo, no Engenho Capió nasceram os treze filhos do casal, sendo dez homens e três mulheres: Antonio José, José Augusto, Luís Augusto, Francisco José, Brás Florentino, Celso Victor, Anísio Otávio, Tarquínio Bráulio, Cícero Franlin e Augusto César, Ana Luísa, Maria Amélia e Isabel Emiliana. Os primeiros anos escolares foram feitos em Papari e São José de Mipibu. Depois foram estudar em Natal.
         Dr. Antonio de Sousa, o futuro Polycarpo Feitosa foi único a estudar no Recife. É interessante ressaltar que ele tinha um tio, por parte de pai, Dr. Tarquínio Bráulio de Sousa Amaranto, jurista, cuja história estudaremos em outra ocasião. Era padrinho de Antonio de Sousa, portanto achou melhor levá-lo para Recife, onde concluiria o curso primário e só sairia de lá após se formar em Ciências Jurídicas e Sociais.
Era o ano de 1876, e no lombo de um cavalo e com dois jumentos carregando a bagagem e comida, saíram tio e sobrinho rumo à terra de Nunes Machado. Foram oito dias entre Papari e Recife. Viagem cansativa, mas naquela época não existia a estrada de Ferro, a qual seria construída em 1881. Era normal andar de cavalo, fosse rico, fosse pobre. Ao menos nisso eram iguais os viajantes que cruzavam as estradas pelo Brasil a fora. Tio e sobrinho se abalaram até Natal e embarcaram na Companhia Pernambucana. Chegaram em Recife na tarde de 9 de novembro de 1876.
         O garoto Antonio de Sousa, nunca havia saído de Papari. A surpresa foi grande quando chegou em Recife e viu o trenzinho de Caxangá (FOTO), apitando, no dia seguinte à sua chegada. O máximo que ele conheciam eram os carros-de-bois, as carroças e as carruagens de Papari, todas movidas a força animal. A admiração foi grande, pois Recife era uma das cidades mais populosas e movimentadas do Brasil. Os bondes, o trem, as carruagens, as seges se entrecortavam numa badalada movimentação.
Trenzinho Caxangá - Recife-PE.
         A saudade da família foi grande. De repente, o menino esperto e inteligente, que já aos oito anos encantava a todos recitando de cabeça os versos de Luís Gama, publicados no jornal Correio do Recife, trazidos pelo tio,  teria que sobreviver em meio a pessoas adultas, diferente do ambiente cheio de calor maternal.
         Dr. Tarquínio era jurista e vivia em trânsito constante por outras paragens e províncias. O pequeno Antonio de Sousa foi matriculado no Colégio São Tomás de Aquino, onde estudou apenas três meses. Em seguida foram para a Corte, no Rio de Janeiro. Ali ele vivenciaria uma das suas experiências inesquecíveis, tendo conhecido pessoalmente o Imperador Dom Pedro II, em companhia do tio durante um importante evento.
Dom Pedro II e Imperatriz Teresa Cristina, sua esposa.
         Na corte Antonio de Sousa frequentou três estabelecimentos de ensino, entre os quais, o São Salvador. Em 1877 retornou para Recife e foi matriculado no Ginásio Pernambucano e pouco tempo depois no Dois de Dezembro, em 1879.
No período entre 1881 a 1884 foi matriculado, em regime de internato, no Colégio Sete de Setembro. Todos esses estabelecimentos em que ele estudou mantinham regimes rígidos, muito comuns àquela época, como isolamento, “bolos”, dentre outros castigos. Para quem não sabe, bolos eram pancadas dadas nas mãos com um objeto chamado “palmatória”. Imagine um pirulito gigante, todo de madeira, com uns sulcos no meio. 
Ginásio Pernambucano - Recife - PE.
 Bastava a criança errar que tomava bolos, ou sejam, pauladas nas mãos. Mas o tempo foi passando e, agora jovem, Antonio de Sousa conseguiu um verdadeiro feito nesse referido educandário: substituir o professor no curso primário e ministrando aula de Português do curso secundário.
Palmatória original, usada até pouco tempo em muitas escolas - Era a forma "educativa" de punir o aluno que errava uma tarefa.
         Logo em seguida iniciou-se na Faculdade de Direito de Recife, formando-se em Ciências Jurídicas e Sociais, em 1889. Retornando para o Rio Grande do Norte, ocupou o cargo de promotor público, na comarca de Goianinha, de 1890 a 1892. De 1892 a 1895 exerceu o cargo de Diretor Geral de Instrução Pública, ao lado do mandato de deputado ao Congresso Legislativo do estado, 1892/1894. De 1895 a 1899, foi procurador da república, seção do Rio Grande do Norte. Ainda em 1899, foi nomeado secretário do governo do estado, ocupando, em 1900, o cargo de procurador geral, com assento no Superior Tribunal Federal de Justiça.
         Eleito governador em 1907, governou até 1908. Eleito senador da república, na vaga aberta com o falecimento do Dr. Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, voltou, mais tarde, a exercer o cargo de governador, no período de 1920 a 1924, presidindo, portanto, as grandes festas do primeiro centenário da “Independência do Brasil.
         Deixando o governo, foi nomeado Consultor Jurídico do estado, cargo em que se aposentou, em 1935. A Revolução de 1930, com todo um processo de vindictas e violências, desmanchando reputações e entronizando novos deuses, não dispensou os seus serviços, chamando-o a colaborar nas Interventorias Federais do Comandante Hercolino Cascardo e Dr. Mario Leopoldo Ferreira da Câmara, nas quais assumiu o governo oito vezes.
Escola Normal - Mossoró-RN.
         Luís da Câmara Cascudo, resumindo a sua ação à frente do Governo do estado, diz textualmente: “Criou a Escola Normal de Mossoró, decreto nº 165, de 19 de janeiro de 1922, instalada a 2 de março do mesmo ano e equiparada à de Natal pelo decreto nº 698, de 16 de julho de 1934 (Interventoria Mario Câmara); a Escola Profissional do Alecrim, (24 de abril de 1922), com cursos de serralheria, marcenaria, sapataria e funilaria; a Escola de Farmácia de Natal, pela lei nº 498, de dezembro de 1920; e o primeiro Grupo Escolar do estado, “Augusto Severo”, inaugurado a 12 de junho de 1908, mas criado pelo decreto nº 174, de 5 de março de 1908. Em ambas as administrações interessou-se intensamente pela saúde pública, imprimindo um desenvolvimento notável a esses dois departamentos.
Grupo Escolar Augusto Severo - fica ao lado do Teatro Alberto Maranhão
         Criou a Diretoria Geral de Agricultura e Obras Públicas, pela lei nº 568, de 19 de dezembro de 1923. Suas mensagens são modelos de nitidez, coragem e fidelidade ao ambiente real, sem retórica e disfarces.
         Como governador do estado, durante as eleições presidenciais, em que saiu eleito o Dr. Artur da Silva Bernardes (FOTO), pleito disputadíssimo, manteve a mais absoluta imparcialidade e foi talvez o único chefe de governo que não influiu e não teve candidatos.
         São de louvar as suas ideias  sobre o problema agrário, corporativo, educacional, expostas nas “Mensagens”, documentos formalmente diversos da literatura convencional desse gênero inútil de promessas e explicações e promessas oficiais. Jornalista e escritor, tem publicado vários romances sob o pseudônimo Polycarpo Feitosa.
      Festejou condignamente o centenário da Independência Nacional, inaugurando a estátua da praça sete de Setembro e prestigiando a Semana da Pátria que foi imponente.
            Elevou a vilas as povoações de Parelhas (lei 478, 26.11.1920), e a de Barriguda com o nome Alexandria (l n. 572, de 3 de dez. de 1923) e à cidade a vila de Lages (l. n. 572, de 3 de dez. 1923).

Alexandria - RN
Lajes - RN.
         O elogio do Dr. Antonio de Sousa está na verdade integral destes períodos com que se despediu dos deputados estaduais (mensagem de 1º de novembro de 1923): “Nunca um magistrado recebeu pedidos da administração nem mesmo quando interesses do estado se debatiam; nunca um professor foi nomeado ou removido por exigência ou solicitação de políticos; nunca o serviço de arrecadação das rendas esteve sujeito a conveniências ou influências dessa espécie. Por isso algum dissabor deve ter havido, mas os funcionários estavam seguros e os serviços se faziam com desassombro”. (Governo do RN, pags. 70/71).
         Intelectual dos mais brilhantes, Antonio José de Melo e Sousa começou a sua vida de imprensa muito cedo. Ao lado das primeiras leituras, veio infalivelmente o desejo de escrever. Iniciou-se pelo logogrifo, em que era habilíssimo, ao contrário dos que começavam fazendo versos. Estudante de geografia, comprazia-se em escolher nomes de cidades russas e paulistas, por sinal muito longos, cheios de consoantes e vogais, dos quais formava nomes de acidentes geográficos, rios, cabos, montes, ilhas. Desse inocente exercício passou aos artigos, escrevendo no jornalzinho do seu amigo Laurentino Vitoriano de Borba Cavalcanti, O Republicano, em que se iniciou. Estimulado por esse, trabalho de iniciação literária, fundou também o seu jornal, A Ideia, manuscrito, como o do seu colega. Daí passou à letra de forma, colaborando no jornalzinho – O Tentamen, órgão do Comício Literário, sociedade de calouros, que tinha como redatores e colaboradores Macedo França, Gervásio Fioravanti, Pacífico dos Santos, Luís Seráfico, Anísio Dantas, Pedro Paulo, além de outros. “Os primeiros artigos n’O Tentamen, diz ele, eram, já se vê, referências, variações, presunções sobre coisas lidas”.
         Na sua província, colaborou na Gazeta do Natal, - n’A República, no Almanaque do RN, na Revista do Rio Grande do Norte, n’O Lavrador, na Revista do IHGRN, no Diário de Natal, além de outros de reduzida e esporádica publicação.
         Escritor, jornalista, poeta, jurista, historiador, contista e romancista, Antonio José de Melo e Sousa dedicou-se principalmente ao conto e ao romance de costumes, escrevendo e publicando vários livros de ficção entre os quais se destacam Flor do Sertão, 1928, Gizinha, 1930, Alma Bravia, 1934, Encontros do Caminho, 1936, Os Moluscos, 1938 e Gente Arrancada, 1941, além de outros.
         Grande parte de sua obra literária, publicada em jornais e revistas da província, permanece dispersa, à espera de quem, amorosa, e diligentemente a recolha, dando-lhe feição duradoura e permanente.
         Este volume, que o Departamento de Imprensa do estado faz publicar, em colaboração com a Academia Norte-Riograndense de Letras e o IHGRN, na passagem do primeiro centenário do seu nascimento, representa o primeiro passo, no sentido de resgatar uma dívida que o RN e o povo têm com uma das maiores figuras da sua história política e literária.
         Antonio José de Melo e Sousa, “retraído por índole e modesto por necessidade”, como costumava dizer, escreveu quase toda a sua obra sob pseudônimo de Polycarpo Feitosa, utilizando ainda os de Lulu Capela, Francisco Macambira, Johannes da Silva, Antonio Josino de Tal e Coisa e a primeira inicial do seu próprio nome. Poucas vezes assinava Antonio de Sousa. Nos atos oficiais assinava com todas as letras, Antonio José de Melo e Sousa.
         Rômulo Chaves Wanderley, perguntando-lhe certa vez, desde quando e porque usava o pseudônimo Polycarpo Feitosa, respondeu textualmente: “desde 1897 que escrevo com este nome”. E acrescentou, fazendo blague (???): “É menos banal que o meu próprio. Há tantos  Polycarpo Feitosa por aí... Os arquivos da polícia estão cheios deles”...
         Raimundo Nonato da Silva, fabuloso contador de “casos” da história norte-riograndense, registrou, em uma de suas crônicas, o conceito que o matuto Vitorino da Caeira fazia dos homens públicos do estado, dizendo: “no RN só há dois homens: Felipe Guerra, pela inteligência, e Antonio de Sousa, pela honestidade”...
         Governador do estado, Antonio José de Melo e Sousa era, como em tudo, de uma austeridade estarrecedora. Conta-se que, chegando, certa vez, em casa, em dia de aniversário de uma de suas irmãs, esta mostrou-lhe um presente que havia recebido de um alto comerciante de Natal. O Dr. Sousa, olhando o objeto, determinou incontinente: “devolvo-o”!
         Dois ou três dias depois, voltando de Palácio, disse à irmã:
“Está vendo, aquele presente tinha endereço certo. O seu generoso doador queria um favor do Estado que eu não lhe podia conceder. Indeferi o seu requerimento”.
Era assim Antonio de Melo e Sousa, um homem de bem, um cidadão da República, dos mais austeros, dos mais limpos, dos mais puros, dos mais nobres, dos mais justos, dos mais clarividentes, dos mais argutos, dos mais cultos, dos mais patriotas, dos mais amigos da sua terra e do seu povo.
Honras lhe sejam dadas, na passagem do primeiro centenário do seu nascimento. E que os seus atos, os seus gestos e as suas atitudes sirvam de exemplo à mocidade de nossos dias para que assim possa servir também ao RN e Brasil.
Antonio J. de M. e Sousa faleceu na cidade do Recife, no dia 5 de julho de 1955, sendo sepultado em Natal, no cemitério do Alecrim.

NOTAS AVULSAS

O texto abaixo foi publicado no Jornal do Comércio, em Recife, em 1967, escrito por Nilo Pereira, o qual também deixou alguns escritos sobre Nísia Floresta. Coincidentemente, ontem, dia 15 de março de 2014, à tarde, estive no Cemitério do Alecrim – na tentativa de localizar o túmulo do Dr. Antonio de Sousa e acabei encontrando o túmulo de Nilo Pereira.

“Há alguns anos falecia no Recife o Dr. Antonio José de Melo e Sousa. Governou duas vezes o estado do Rio Grande do Norte. Conheci-o governador – alto, hierático, extremamente míope, talvez um tanto cético, retirou-se para Recife; aqui vivia recolhido como um asceta, lendo, meditando, escrevendo. A morte o colheu no dia 5 de julho de 1955, leio uma anotação feita no seu livro “Dois Recifes – com sessenta anos no meio”, Imprensa Industrial, Recife – 1945.
Desse livro é que eu desejo falar. Daquele homem de raras conversas – ora essa, pelo menos, a impressão que nos dava, à distância – não se podia esperar um livro de bom humor, leve, irônico e sutil. Parecia-nos que ele era severo demais para tanta leveza. E, no entanto, ágil na pena, essas suas memórias quase nos lembram o Visconde de Santo Tirso.
Os dois Recifes são os da adolescência e da velhice. Na adolescência cursou o colégio do Dr. Barbosa, do qual nos deixa uma forte pincelada, quase impressionista. E da velhice, o retrato conventual do tempo decorrido, porque ele o compôs com as tintas quase religiosas da lembrança. Escreveu o seu livro como quem se recolhe para alguma oração em silêncio, diante da lâmpada votiva.
O Recife do último quartel do século XIX é a sua maior vivência. Sua descrição chegada de Nabuco, com um preto de joelhos, na rua a louvar o tribuno da Abolição, é todo um Recife como o podemos imaginar agora. E os vivas que foi obrigado a erguer a José Mariano – sob pena de severa reprimenda – são alguma coisa que fica entre o fanatismo da multidão e o seu terror inicial diante da política.
Veio depois a quietude no Espinheiro, onde residiu por último, com as lembranças amáveis que estão no seu livro, hoje esgotado. Por que não o reeditam?”

EM MEMÓRIA DE UM ESCRITOR

A Academia Norte-Riograndense de Letras, juntamente com o Instituto Histórico e Geográfico, esteve em sessão solene (28 de Dezembro), para comemorar o centenário do nascimento do Dr. Antonio José de Melo e Sousa que, em 1897, adotou o nome literário de Polycarpo Feitosa. Em entrevista concedida a Rômulo Wanderley, jovem repórter d’A República (17/3/40) dizia que achava o seu nome próprio banal e muito conhecido, especialmente na polícia. “Há tantos Antonio de Sousa por aí. Os arquivos policiais estão cheios deles”. Declarou que escrevia por duas razões: não ter outra ocupação e para estimular os moços.  Já havia publicado Jornal da Vila (1939), sexto livro depois de “Flor do Sertão”, 1928, “Gizinha”, 1930, “Alma Bravia”,1934, “Encontros do Caminho”, 1936 e “Os Moluscos”, 1938.
O Dr. Antonio de Sousa chamava os seus livros “livrecos”. Suas notas literárias eram escritas em grego (informa o repórter) para livrar-se dos curiosos. Nesse tempo, há vinte e nove anos, havia críticos “tantos quantos os poetas, mas a maior parte é de café”. Insistia em dizer que apenas “empurrava” os outros para a frente, pois a sua idade não era mais de ambições. Achava que Ferreira Chaves e Alberto Maranhão em seus primeiros governos foram exemplos para a “gente que lia e escrevia”, relembrando a época do Grêmio Polimático e da Revista do Rio Grande do Norte. Referindo-se ao valor da gente nova, citava Cascudo, “trabalhador como ninguém, que, além das suas ocupações na secretaria de que é chefe publica livros e mais livros, mantem seções na imprensa diária e traduz obras importantes”.
         Polycarpo Feitosa rendia  homenagens aos grandes artistas da pintura e da escultura assim como os notáveis valores da imprensa ilustrada. Eram vistos no seu gabinete de trabalho do “Retiro dos Cajuais”, bustos em longa de Virgílio e Dante e telas de Leonardo da Vinci e de Murilo enviadas pela L’ILLUSTRATION, de Paris, de que foi assinante por mais de trinta anos. A outra face do mesmo homem, o político, o administrador, Antonio de Sousa esteve efetivamente no governo do Estado duas vezes e, interinamente, oito vezes. Mas, fugindo das ruas, procurava resolver no seu retiro os problemas da administração pública e se entregava à leitura dos escritores antigos e novos e tomando conhecimento das coisas da vida social, anotando o que lhe convinha para os romances numa época em que um beijo público entre namorados provocava escândalos (Gizinha) e o chique nos salões era o fox-trot, o tango e o maxixe. Tempo em que os espectadores de cinema e teatro saiam uns antes de terminar a sessão a fim de não perderem o bonde, quase como hoje com as lotações. O crítico e escritor literário Esmeraldo Siqueira está realizando um estudo de Polycarpo Feitosa através das anotações das suas leituras e o escritor Manuel Rodrigues de Melo já entregou para a divulgação literária do Departamento de Imprensa do Estado um interessante trabalho sobre o velho escritor, cujo centenário de nascimento foi brilhantemente comemorado pela Academia que preside. (Danilo – Diário de Natal).
        
         A “VAIDADE” DO OBSCURANTISMO LITERÁRIO MATOU A OBRA LITERÁRIA DE MELO E SOUSA

         (Publicado no “Diário da Noite” do Recife, em 30/08/56 - Cópia de acordo com o texto original)

         Um anúncio de jornal levou-nos à rua Geraldo de Andrade, n. 159, no Espinheiro, residência das snras. Maria José e Isabel de Melo e Sousa, irmãs de Polycarpo Feitosa, pseudônimo em que assinava os seus grandes livros o escritor Antonio José de Melo e Sousa, personalidade marcante da intelectualidade e da vida pública do Rio Grande do Norte.
         A nossa presença ali, como acima dissemos, fora sugerida por um anúncio alfabético onde se oferecia à venda uma estante para livros, em madeira de lei, por preço de ocasião.
         Assim, com a finalidade tão somente de realizarmos, se possível, uma transação comercial, abalando-nos para o endereço indicado, onde fomos recebidos cordial e urbanamente pelas simpáticas senhoras, com as quais efetivamos o negócio em vista e, posteriormente, outro.
                        
         ENCONTRO E HISTÓRIA

         Amante contumaz e admirador inveterado de livros, porém, não nos passara despercebido uma outra grande estante, com livros artisticamente encadernados e lombarmente titulados, da qual, curiosa e amorosamente nos aproximamos, vislumbrando, entre nomes de autores nossos conhecidos, o para nós absolutamente estranho Polycarpo Feitosa, assinava os seguintes volumes: “Flor do Sertão” (romance – 1928); “Gizinha” (romance – 1930); “Alma Bravia” (romance – 1934); “Encontros do Caminho”, (contos – 1936); “Os Moluscos” (romance – 1938); “Jornal da Vila”, (poemas – 1939); “Gente Arrancada”, (romance – 1941); E Dois Recifes, (memórias – 1945).
         Confessamos, então, às senhoras presentes, a nossa total ignorância sobre o estranho autor daqueles volumes, de quem nunca ouvimos falar e indagamos-lhes quem era Polycarpo Feitosa. E ouvimos entre comovido e emocionado, já agora com outras intenções e outros propósitos, a bela história de um homem simples, generoso e sem vaidades literárias ou políticas.
         Polycarpo Feitosa, que encontráramos agora espiritual e postumamente, pseudônimo de Antonio José de Melo e Sousa, fora um expoente da intelectualidade de sua terra e lá exercera os cargos mais representativos da sua vida pública. Estávamos nós, pois, diante de duas irmãs do grande escritor e homem público-potiguar, já agora sob a emoção literária que nos sugeria a sua vida e a sua obra, vida e obra que refletem um grande espírito e uma alma de escol, servidos por uma inteligência privilegiada e uma cultura pacientemente acumulada.

         DADOS BIOGRÁFICOS

         Dr. Antonio de Sousa repousa, hoje, no Cemitério do Alecrim, por vontade sua, expressa nos últimos instantes de sua vida.  Vinte e seis anos de sua vida foram vividos em Recife, representados por uma parte de sua mocidade, quando estudante de Direito, e na velhice, quando voltou em busca de saúde. “Dois Recifes” foi a sua última obra. Vejam o que os recifenses escreveram sobre ele:
         “Antão Josino, (por certo Melo e Sousa), velho funcionário público aposentado daquela deliciosa terrinha, que é o ápice do Nordeste, (Nordeste por definição mesmo, pois só ela tem costas para o norte e leste), viveu uma dúzia de anos no Recife, desde o último da Escola primária até o da Academia, ali pela segunda metade do século passado. Depois da conquista, a vida puxou-o para a sua terra, como a tantos outros; nela vegetou cincoenta e tantos anos e agora, há uns meses, pela justificável gana de viver mais um pouquinho, voltou à luminosa cidade em busca de saúde”.

VIDA PÚBLICA
         Tanto realizou e providenciou em prol da instrução e da educação, que foi cognominado dito período de “quadriênio pedagógico”.
         Morreu pobre, deixando uma “mincha” pensão para as irmãs, com quem sempre viveu e que foram sublimes de abnegação e renúncia, assistindo diuturnamente, insones e cansadas, os seus últimos alentos de vida.

ANTONIO DE SOUSA QUASE FEZ PARTE DE UMA ANTOLOGIA ESCRITA POR GRACILIANO RAMOS

Ninguém conhecia Polycarpo Feitosa. E, a propósito, vale ressaltar, aqui, o depoimento de R. Magalhães Junior, o biógrafo de Machado de Assis e de tantos outros sucessos da literatura contemporânea. Conta-nos Magalhães Junior como, certo dia, por acaso, caiu-lhe nas mãos um livro de contos assinado por Polycarpo Feitosa. Leu-o e achou-o um delicioso contista, confessando ainda que não teria hesitado, se o conhecesse, em indica-lo para uma antologia de contistas brasileiros que Graciliano Ramos organizava e para a qual lhe solicitara alguns nomes. E continua Magalhães Junior nos contando como, tendo encontrado em alguns de seus contos a existência de possibilidades dramáticas, o que muito lhe interessava como teatrólogo, pois pretendia proceder à dramatização de um dos seus contos que muito apreciara, precisando, para isto, de sua autorização, pôs-se em campo, então, para indicar e descobrir Polycarpo Feitosa, que inteiramente desconhecia, tendo-o localizado logo, em virtude “das referências a nomes geográficos identificáveis no mapa da terra potiguar” e encontardas nos seus contos, e por intermédio dos deputados e senadores do RN.

ATITUDE LOUVÁVEL

         Bem significativa, afinal, fora a atitude literária de Antonio de Sousa, sobretudo em uma época onde os primários das letras, eunucos de espírito e de cultura, cínica e sencerimoniosamente, surgem-nos fários e bestas nos suplementos literários, nas revistas e até mesmo em livros. Chegamos à evidência, a essa altura, de que os limites de espaço que nos foi reservado para estas notas não comportam considerações mais demoradas.
         Assim, com grande pesar da nossa parte, não abordaremos outros aspectos que julgamos significativos da vida pública e literária de Melo e Sousa, deixando para fazê-lo em outra oportunidade, quando talvez possamos estudar a sua personalidade individual e literária menos superficialmente.
         Tenta-nos porém, a solidão em que sempre viveu o romancista da “Alma Bravia”, sugerindo-nos algumas linhas sobre esse seu comportamento diante da vida. Era o autor de “Gizinha” um autêntico e consumado solitário, um místico e contemplativo no lato sentido do termo como o foram Anthero de Quental, Jean Jaques Rousseau e outros ilustres solitários.
         O primoroso romancista e “conteur” admirável que se escondia com modéstia excessiva atrás de um pseudônimo era um introspectivo e, consequentemente, um volutuoso da solidão e do silêncio. E foi na solidão e no silêncio, no seu solar do Espinheiro, onde construíra o seu retiro e limitara o seu mundo, ao lado das irmãs queridas e dos seus livros muito amados, que mergulhou, serenamente, em uma noite de julho, no abismo da morte.
         BIBLIOGRAFIA DO DR. ANTONIO DE SOUSA – POR ORDEM CRONOLÓGICA

1902 –  QUESTÃO DE LIMITES COM O ESTADO DO CEARÁ – Empresa de A República – Natal.
1909 – EXPLICAÇÕES ELEMENTARES SOBRE A CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO RIO GRANDE DO NORTE – Tipografia de A República – Natal.
1916 – À MARGEM DUMA CONFERÊNCIA – Tip. De A República – Natal.
1925 – DISCURSO DE PARANINFO DA PRIMEIRA TURMA DE PROFESSORES DA ESCOLA NORMAL DE MOSSORÓ, a 15 de novembro 1924 – Empresa Tipográfica Natalense Ltda.  – Natal.
1926 – DOM PEDRO II – Conferência pronunciada no Colégio Pedro II, de Ceará Mirim – Tip. J. Pinto e Cia. – Natal.
1928 – FLOR DO SERTÃO (Costumes do Sertão do Rio Grande do Norte) – Tipografia de A República – 1928 – Natal.
1930 – GIZINHA – Tipografia do Anuário do Brasil – Rio de Janeiro.
1934 – ALMA BRAVIA (História do Nordeste Antigo) – Estabelecimento Gráfico Apolo – Rio – 1934.
1936 – ENCONTROS DO CAMINHO – Estabelecimento Gráfico Apolo – Rio.
1939 – OS MOLUSCOS – Oficinas Gráfica Renato Americano – Rio.
1941 – GENTE ARRANCADA – Estabelecimento Gráfico Friedrich Fuchs – Rio.

1954 – DOIS RECIFES – Imprensa Industrial – Recife – Recife.