ANTES DE LER É BOM SABER...

Este blog - criado em 2008 - não é jornalístico, embora contenha alguns conteúdos que passeiam levemente por essas águas. Os textos são de autoria de Luís Carlos Freire, o qual descende do mesmo tronco genealógico da escritora Nísia Floresta. Esse parentesco ocorre pela parte da mãe do autor, Maria José Gomes Peixoto Freire, cujas informações estão no livro "Os Troncos de Goianinha", de autoria de Ormuz Barbalho Simonetti. O referido livro desenrola o novelo genealógico das famílias originárias de Goianinha, município próximo, de onde originou-se a família de Nísia Floresta, e pode ser pesquisado no Museu Nísia Floresta, no centro da cidade. Luís Carlos Freire é especialista na obra de Nísia Floresta, membro da Comissão Norte-Riograndense de Folclore, sócio da Sociedade Científica de Estudos da Arte e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Possui trabalhos científicos sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, publicados nos anais da SBPC, Semana de Humanidade, Congressos etc. É autor de 'História do Município de Nísia Floresta', 'Cultura Popular em Nísia Floresta', 'A linguagem Popular em Nísia Floresta', dentre inúmeros trabalhos na área de história, lendas, costumes, tradições etc. Uma pequena parte das referidas obras ainda não estão concluídas, mas o autor entendeu ser útil disponibilizá-la neste blog, enquanto as conclui. Algumas são inéditas. O acesso permite aos interessados terem ao menos uma boa noção daquilo que buscam, até porque existem situações em que certos assuntos não são encontrados nem na internet nem em outro lugar. Algumas pesquisas são fruto de longos estudos, alguns até extensos e aprofundados, pesquisados em arquivos de Natal, Recife, Salvador e na Biblioteca Nacional no RJ. O autor estuda a história e a cultura popular da Região Metropolitana do Natal. Esse detalhe permitirá ao leitor encontrar informações históricas sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, sobre o município homônimo, situado na Região Metropolitana de Natal/RN, além de crônicas, artigos, fotos poemas, etc. O autor ministra palestras e pode ser convidado através do e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com.br. Fone: 99827.8517 - É PERMITIDO COPIAR TEXTOS DESTE BLOG, DESDE QUE A AUTORIA SEJA MENCIONADA.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

DOSSIÊ ESTAÇÃO PAPARY - FIQUE POR DENTRO DA HISTÓRIA REAL E COMPROVADA DOCUMENTALMENTE.

SUBSÍDIOS PARA ENTENDER O MOTIVO QUE FEZ O PRÉDIO QUE SERIA MUSEU E VIROU RESTAURANTE

ABAIXO - JORNAL O GRANDE NATAL, 2001. ANA ANGÉLICA TIMBÓ, NUM GESTO DE CORAGEM E OUSADIA, DENUNCIA AO MINISTRO DA CULTURA O MUSEU QUE SÓ FICOU NO PAPEL.



JORNAL "O ALERTA" - DURANTE AS REFORMAS A FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO DENUNCIA A DESCARACTERIZAÇÃO DO PRÉDIO. A REFERIDA DESCARACTERIZAÇÃO ERA UM AÇÃO DESCONHECIDA PELO GRUPO RESPONSÁVEL PELA ORGANIZAÇÃO DA POLÍTICA MUSEOLÓGICA. A INTENÇÃO ERA REALMENTE TORNAR O PRÉDIO UM RESTAURANTE, E NÃO MUSEU.
A NOTÍCIA DO PERIÓDICO "O JORNAL", DE 1993 DIZ: "NÍSIA FLORESTA É HOMENAGEADA E GANHA MUSEU HISTÓRICO". VOCÊ CONHECE O MUSEU?




A NOTÍCIA ABAIXO, PUBLICADA PELA TRIBUNA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE NO DIA 19 DE FEVEREIRO DE 1995, ANUNCIA QUE "NÍSIA FLORESTA VOLTA A PAPARY". OS MAIS VARIADOS JORNAIS ANUNCIARAM A INSTALAÇÃO DO MUSEU, MAS, NA REALIDADE O LOCAL SEMPRE ABRIGOU UM RESTAURANTE. NINGUÉM NUNCA DEU EXPLICAÇÕES, POIS, COM CERTEZA TÊM A CONVICÇÃO DE QUE O POVO SEMPRE SE DÁ POR VENCIDO E NÃO PROTESTA CONTRA TAIS INJUSTIÇAS. ATÉ QUANDO?
DIÁRIO DE NATAL - 26 DE NOVEMBRO DE 1994 - ANUNCIA A NOVIDADE QUE NUNCA ACONTECERÁ. POUCO DEPOIS DA REFORMA O PRÉDIO É APRESENTADO AO PÚBLICO... MAS... QUE SURPRESA!!! O MUSEU VIROU RESTAURANTE. A MATÉRIA DIZ: "ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE PAPARY GANHA UM RODÍZIO DE CAMARÃO". O POVO PERGUNTA: - "NÃO ERA UM MUSEU?" VEJAM SÓ QUEM ESTÁ ERRADO NESSA HISTÓRIA. O PREFEITO OU OS FATOS? O PREFEITO OU O POVO?


POUCO DEPOIS DA INAUGURAÇÃO, O SR ALFRDO LOBO, UM TURISTA QUE PASSOU PELO RESTAURANTE ESCREVEU O ARTIGO ACIMA DETONANDO O RESTAURANTE, INCLUSIVE QUESTIONA AS RAZÕES PELAS QUAIS O DONO DO RESTAURANTE OBTEVE O TÍTULO DE CIDADÃO NISIAFLORESTENSE. CURIOSIDADE: ATÉ TURISTA ENXERGA A VERDADE.


A PORTARIA ABAIXO, ASSINADA PELO PREFEITO GEORGE NEY FERREIRA, EM 1995, NOMEIA VÁRIAS PESSOAS (PROFESSOR LUÍS CARLOS FREIRE, CONSTÂNCIA LIMA DUARTE, FRANÇOISE DOMINIQUE VALÉRY, DIVA CUNHA PEREIRA DE MACEDO, HÉLIO GALVÃO E ENÉLIO PETROVICH), NA OCASIÃO DA IMPLANTAÇÃO DO MUSEU DE NÍSIA FLORESTA. OBSERVAÇÃO: AS OBRAS COMEÇARAM, HOUVE MUITA DIVULGAÇÃO JORNALÍSTICA, O PRÉDIO FOI "RESTAURADO", O PREFEITO DESAPARECEU, E ASSIM QUE O PRÉDIO FICOU PRONTO... A SURPRESA: O MUSEU VIROU RESTAURANTE! AS PESSOAS ENVOLVIDAS, SEM CONSEGUIR CONTATO COM O PREFEITO, FICARAM FRUSTRADAS, POIS FORAM USADAS PARA DAR UM CARÁTER DE SERIEDADE AO PROJETO


EM 2001, O ENTÃO PREFEITO JOÃO LOURENÇO, RETOMANDO A IDÉIA DO PROJETO, BAIXA NOVA PORTARIA, ELEGENDO NOVOS NOMES, DENTRE ELES O PROFESSOR LUÍS CARLOS FREIRE. OS CONTATOS SÃO REFEITOS, REUNIÕES ACONTECEM... MAS NADA SAI DO PAPEL, POIS ENQUANTO OS GESTORES PÚBLICOS QUISEREM USAR A CULTURA OU EDUCAÇÃO COMO CATAPULTA, ESSAS ÁREAS NOBRES NÃO FLUIRÃO COM TODA A PLENITUDE. O GESTOR PÚBLICO TEM QUE QUERER REALMENTE.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

AVIÃO SOBREVOANDO O CENTRO DE NÍSIA FLORESTA, DESPEJANDO DEZ MIL RETRATOS COM A BIOGRAFIA DA ESCRITORA - 1954

Conforme registra a história, em agosto de 1954 um avião da Força Aérea Brasileira sobrevoou o município de Nísia Floresta na ocasião da chegada dos seus restos mortais ao município de nome homônimo. A conterrânea ilustre havia nascido nessa torrão natal aos 12 de outubro de 1810, e falecida em Rouen, França, em 1885. A aeronave ficou em vaivém sobre o átrio da Matriz de Nossa Senhora do Ó, onde se concentrava o cortejo e houve uma espécie de solenidade antes da celebração de corpo presente. O avião despejou dez mil panfletos com um retrato de Nísia Floresta e sua biografia no verso, escrita por Cascudo.

 
José Ramires da Silva era o prefeito do município.
Estavam presentes as mais respeitáveis instituições de ensino, como a Escola Doméstica, o Atheneu, a imprensa e intelectuais de diversos estados.

 
Soldados da Marinha e Aeronáutica montaram guarda e conduziram o ataúde, numa cerimônia que causou admiração aos nativos, pois muitos sequer sabiam quem era a personagem homenageada.
  A paróquia de Nossa Senhora do Ó era administrada pelo Monsenhor Rui Miranda, o qual recebeu os despojos sem qualquer vênia, haja vista as maledicências ditas sobre a homenageada,  por alguns dos próprios conterrâneos.
 Isabel Gondim é autora de uma extensa carta difamatória, escrita em 1884, a qual a transcrevo ipsis literis e a comento neste mesmo blog. Confira em|: 

http://nisiaflorestaporluiscarlosfreire.blogspot.com.br/search?q=A+CARTA+DE+ISABEL

As autoridades municipais e estaduais aguardavam uma pequena caixa com os ossos de Nísia Floresta. Desse modo ficaram surpresos ao receber o seu corpo intacto num ataúde. Eles haviam feito uma pequena lápide de um metro quadrado e tiveram que removê-la e construir um túmulo.
 O ataúde ficou guardado na Sacristia da Igreja Matriz durante três meses, aguardando a construção do túmulo definitivo.
 Nesse período seus restos mortais ficaram expostos a visitação pública.
 Ninguém imaginava que se demoraria tanto, pois houve um jogo de empurra-empurra entre o poder municipal de Nísia Floresta, o Governo do Estado e a Academia de Letras do RN.
Mas o problema foi resolvido, depois da sensibilização de diversas pessoas, as quais fizeram toda sorte de doações.
 Conforme registros de história oral, feitos por mim, em 1992, a chegada dos despojos de Nísia Floresta parou a cidade e não "cabia um dedo do pé", conforme narração de Natália Gomes (90 anos à época - falecida aos 97 anos). "Nunca vi tanta gente; era carro para todos os lados e nunca me esqueci quando vi aqueles retratos dela caindo do céu", complementou.
 A reconstituição desse episódio, organizada por mim, em agosto de 2002, acabou reconstituindo com a mesma autenticidade o episódio real, pois a cidade parou, admirada, para contemplar o set de filmagem. Houve muita emoção, principalmente no momento em que o avião despejava os panfletos, sob gritos e aplausos da multidão.
Na ocasião da gravação desse documentário, esteve presente em Nísia Floresta, a meu convite, a inesquecível professora Noilde Ramalho (in memorian) diretora da Escola Doméstica e Drª Françoise Doninique Valéry, Cônsul Honorária da França. Lembro-me que depois do evento, dona Noilde me disse que havia vivido uma experiência singular, pois havia sido uma das alunas que esteve no evento real, em 1954, portanto o vivenciou por duas vezes.

LETRA DO HINO QUE HOMENAGEIA NÍSIA FLORESTA

Infelizmente desconhece-se a autoria desse belo hino, escrito em homenagem à Nísia Floresta. A postagem acima foi uma sequência de imagens do município de Nísia Floresta que utilizei para homenagear um dos natalícios da nossa conterrânea ilustre. Servi-me de cenários locais para divulgá-los enquanto também levava o lindo poema  a quem não o conhece .

quarta-feira, 11 de maio de 2016

HISTÓRIA DO TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA

Túmulo de Nísia Floresta em Rouen - 1953 - A pessoa da fotografia é Orlando Ribeiro Dantas, jornalista que o localizou após fracassadas buscas por parte de outros pesquisadores.
         O documento abaixo, intitulado “O TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA” foi transcrito, portanto seu teor foi preservado conforme o original. Por esse motivo o leitor poderá observar algumas palavras escritas/ou acentuadas diferente da atualidade. O mesmo raciocínio de aplica ao fato de o autor ter usado duas formas para se referir ao município onde Nísia Floresta foi sepultada: “Ruão” ou Rouen. O correto é a segunda.

O TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA

Comunicação ao INSTITUTO HISTÓRICO e GEOGRÁFICO do Rio Grande do Norte, pelo sócio ADAUTO MIRANDA RAPOSO da CAMARA, em 31 de maio de 1950.
O jornalista Orlando Ribeiro Dantas, diretor do <>, do Rio, excursionando pela Europa, viajou até Ruão, especialmente para localizar a sepultura de Nísia Floresta Brasileira Augusta, a insigne norte-riograndense, que, nascida em Papari, se impôs ao respeito e à consideração de um escol intelectual europeu, na centúria passada.
Quando partiu pra o Velho Mundo, em Fevereiro último, o ilustre conterrâneo, que estremece a nossa Província e a conduz no coração para toda a parte, me confiou que ia visitar Nísia em seu eterno abrigo, que vagamente se sabia existir naquela cidade francesa. Henrique Castriciano, certa vez, me declarou possuir uma fotografia do túmulo, mas nunca tive a oportunidade de ver, alegando ele que se extraviara.
Por intermédio da Federação das Academias de Letras do Brasil, procurei, em 1938, obter uma certidão ou atestado do enterramento de Nisia Floresta, interessando-se, nesse sentido, o Itamarati, a que se forneceram minuciosos elementos para diligências junto às autoridades francesas. A resposta, solícita e gentil, foi, no entanto, desalentadora: o Consulado Geral do Brasil no Havre, apesar de sua boa vontade, nada logrou de satisfatório, pois que a Prefeitura de Ruão informara haver mandado proceder as buscas nos registros do Estado Civil, <>.
Foi preciso que um rio-grandense do Norte, do Ceará-Mirim, se trasladasse até lá, em 20 de abril de 1950, sessenta e cinco anos após a morte de Nisia, disposto a reencontrar o túmulo esquecido. Em circunstanciada carta que me dirigiu, da qual, em seguida, transcrevo em longo trecho, teve a gentileza de comunicar o feliz êxito de seus beneméritos esforços a este seu coestaduano e velho amigo, autor de uma biografia de Nisia Floresta.

"Regressei ontem de EU, depois da visita que fiz a Rouen, ao Havre e a Dieppe. Cheguei a Rouen a 20 de e me hospedei no “Hotel de La Poste”. Logo depois, rumei ao cemitério. Tomei o bonde nr. 19, para apreciar melhor o panorama da cidade. Lá do alto, onde fica Bonsecours, pude ver, em conjunto, quase toda Rouen. Ao chegar ao portão do cemitério, dirigi-me a uma senhora velha, que ali vende postais e todas essas pequenas coisas que agradam aos turistas. Disse-lhe que ia visitar o túmulo de Nisia Floresta Brasileira Augusta, ao que ela me declarou que não havia ali esse túmulo. Estranhei a segurança com que dava sua informação, ao que explicou: - Moro aqui há 40 anos, conheço todo o cemitério e nunca vi essa sepultura”. Como eu insistisse, mandou a velha que uma rapariga que a ajudava, me acompanhasse à casa do sr. Menard, que tinha, ao que disse, todos os assentamentos relativos ao cemitério, pelos quais iria verificar que ela estava certa. O velho Menard, muito atencioso, procurou, eu a seu lado, os apontamentos, notas, e registros que possuía. Não encontrou o nome de Nisia Floresta. Falou, a seguir, da Mairie de Bonsecours, para a qual, depois das 14 horas, poderia eu apelar. Advertiu-me, entretanto, que os seus apontamentos eram sempre mais completos que os da Mairie.

Ma Mère
Nisia Floresta Brasileira
Augusta
Née le 12 octobre 1810
Décédée
Le 24 Avril 1885
--
Livia Augusta

Gade
Le 26 Avril 1912
À l’âge de 82 Ans.
CONCESSION PERPETUALLE
           
O túmulo, embora nunca visitado por ninguém, está em ordem e relativamente limpo. Dei à velha e à menina 400 francos e fiz as minhas recomendações a elas e ao secretário. Enviei, nestes poucos dias, cópias das fotografias tiradas. Como disse, em cartão-postal enviado de Rouen, deixei, à beira da sepultura de Nisia, duas lagrimas, uma sua e outra minha, ambas, sem dúvida, por nós e por todos os nossos conterrâneos. Madame Gade, depois Veuve Gade, née De Faria, morou em Rouen, na Route Paris, 121.

            Do Gesto de Orlando Ribeiro Dantas resultou sabermos agora:
a)    que Nisia Floresta está realmente sepultada em Ruão;
b)    que sua tumba não está abandonada;
c)    que a inhumaram cristãmente. Nisia sucumbiu a uma pneumonia aos 24 de abril de 1885, recebeu o conforto da Religião Católica. (V. minha História de Nisia Floresta, Rio 1941, Pongetti Edits, 211 pgs.
d)    Que ela nasceu a 12 de outubro de 1810, e não em 1809, conforme supunham quase todos os que estudaram a sua vida. Devo dizer que, naquele citado livro, aceitei a versão generalizada, por falta de documentos em contrário, mas sempre fiz minhas ressalvas, sempre manifestei minhas desconfianças, conforme se encontra em uma conferência que fiz em março de 1938, no Rio, e publicada no 2º Vol. De Conferências da Federação das Academias. Disse eu, então (pg. 105 – “Vários autores se equivocaram quanto à data do falecimento, dando-o como tendo ocorrido a 20 de Maio de 1885 (Vieira Fazenda, Blake, etc). Lendo-se O PAIZ, de 27  de Maio e o convite para missa feito por José da Silva Arouca, dissipar-se-ão todas as dúvidas. A controvérsia pode girar em torno do ano exato em que nasceu, que há motivos para afirmar ter sido em 1810.
A lápide funerária, cuja inscrição conhecemos, graças a Orlando Ribeiro Dantas, é uma fonte de história. A filha devotíssima é que ditou os dados referentes a Nísia, gravados no granito, e certamente ninguém saberia melhor, naquela época, o genetlíaco da excelsa potiguar.
Daqui se conclui que as comemorações de 1909, no Rio Grande do Norte, promovidas pelo Congresso Literário, foram antecipadas de um ano... mas por culpa da mesma filha, que, aos 79 anos, com a memória enfraquecida, prestou “esclarecimentos” à comissão do centenário de Nísia.
Na laje foi insólitamente estampada a idade de Lívia, 82 anos, ao falecer em Cannes, aos 26 de abril de 1912. Ela nasceu em Recife, em 12 de Janeiro de 1830, pelas nove e meia da noite, a mesma hora em que Nísia nasceu, conforme se lê nos Conselhos à Minha Filha (Rio, 1842). Aproveito a oportunidade para retificar um lapso tipográfico constante de minha História de Nísia Floresta, pelo qual a data natalícia de Nísia teria sido 12/1/1832. Aliás, Augusto Comte, a quem Nísia há de ter transmitido a indicação, a deu como nascida em 1835 (o pai se finara em Porto Alegre, em 1833...), pois que lhe atribuiu a idade de 22 anos, em 1857, como se lê na carta de 29 de março de do mesmo ano a G. Audiffrent.
Orlando Ribeiro Dantas prestou mais um meritório serviço aos que investigam sobre a grande vida da maior mulher de letras do Brasil, de quem o Rio Grande do Norte se orgulha de ter sido o berço.
Êle é talvez o primeiro norte-riograndense que foi homenagear sua memória, nas terras da França, - representante legítimo dos sentimentos de seus comprovincianos, - depois de uma paciente peregrinação pelas repartições públicas de Ruão e pelas avenidas silenciosas do Campo Santo de Bonsecours.

Rio de Janeiro, 31 de Maio de 1950.

Adauto Miranda Raposo da Câmara

Colégio Metropolitano – R. Dias da Cruz, 241. Meyer.

P.S. Remeto cópia das fotografias com que Orlando Ribeiro Dantas me obsequiou. Mandei fazer ampliação da que representa a laje sepulcral. Com o auxílio de uma lente, a inscrição poderá ser claramente lida".
                                    Adauto da Câmara


HISTÓRIA DO TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA NO BRASIL - RELATÓRIO DO PRESIDENTE DA ACADEMIA NORTE-RIOGRANDENSE DE LETRAS SOBRE A CONSTRUÇÃO DO MAUSOLÉU DE NÍSIA FLORESTA.

           
“Não havia transcorrido dois meses da nossa posse quando surge na imprensa desta capital uma campanha contra as autoridades do município de Nísia Floresta, com tentativa de envolver, mais tarde, a Academia de Letras, pelo fato daquelas autoridades não terem providenciado a construção do mausoléu da escritora Nísia Floresta Brasileira Augusta, cujos despojos há quase dois meses haviam sido depositados na igreja daquela cidade, onde permaneciam, ainda, insepultos, por falta de uma providência naquele sentido.
            Em face da campanha da imprensa e da impassibilidade da Prefeitura Municipal de Nísia Floresta, resolveu a Academia, por unanimidade dos seus membros, assumir a responsabilidade da construção do Mausoléu, promovendo os meios de torna-lo realidade. Tomada essa deliberação seguimos na mesma semana para aquela cidade onde, em companhia do contador Jovino dos Anjos, do professor Gonzaga Galvão, do construtor Alvaro José de Melo e do pedreiro José Cirino dos Santos, entramos em contato com o Prefeito local, Sr. José Ramires, e o Presidente da Câmara Municipal, Coronel João Marinho de Carvalho pondo-os ao corrente da situação e comunicando-lhes a resolução da Academia. Aquelas autoridades se solidarizaram de pronto com a iniciativa, e, embora não fizessem de prático para remover a situação criada, em parte por elas, não se opuseram, porém, à ação da nossa entidade. Nada mais exigia também a Academia para Nísia Floresta, senão que lhe dessem liberdade de ação e meios para realizar aquele objetivo. E foi o bastante. Voltamos no mesmo dia a Natal e no dia seguinte publicamos a primeira notícia no Diário de Natal, anunciando o começo do trabalho. Desta data em diante nunca mais deixamos de trabalhar pelo Mausoléu da escritora. Havia ali no sítio onde nasceu a escritora um monumento construído em cimento armado e alvenaria, cercado por um muro em péssimas condições. O Monumento era baixo, medindo, se muito, dois metros e meio de altura. Demos ordem para o construtor para elevar o monumento à altura compatível com a sua estética, revestindo-o ainda de marmorito harmonizando-o com a vestimenta do Mausoléu que é idêntica à do monumento. O muro velho foi igualmente derrubado, construindo-se um outro mais amplo e espaçoso, de acordo com as necessidades do conjunto. A natureza do trabalho, em grande parte do marmorito, exigia operários especializados, contratados em Natal, encarecendo, portanto, a mão de obra. Ao lado dessa circunstância devemos lembrar a inconveniência de um serviço feito na ausência do seu principal responsável. Além da falta de transporte, lutávamos ainda com a exiguidade de verbas para esse fim, só podendo visitar o serviço de oito em oito dias, ora em automóvel de aluguel, ora em carros de amigos particulares. Logo após os primeiros preparativos para a construção do Mausoléu, verificamos a necessidade de mandar confeccionar uma planta, tendo o construtor Alvaro José de Mélo, autorizado por nós, convidado o engenheiro Sousa Lelis para apresentar o projeto, sendo esse feito pelo referido profissional, nada custando à Academia. O mesmo, diga-se de passagem, aconteceu com o construtor Alvaro José de Mélo que, tomando a direção técnica do serviço a nosso pedido nada exigiu da nossa entidade prestando-lhe os mais relevantes serviços durante a construção do Mausoléu e a reforma do Monumento. Conforme prometemos, pessoalmente, e em notícias veiculadas em jornais da cidade, aqui deixamos a demonstração dos auxílios recebidos para a construção do Mausoléu e a sua respectiva aplicação, firmadas nos documentos da despesa. Os auxílios recebidos durante toda a campanha foram os seguintes: 

Governo do estado...................................................5.000,00
Prefeitura de Natal...................................................1.000,00
Luís Velga................................................................1.000,00
Dr. Aldo Fernandes..................................................1.000,00
Aguinaldo Vasconcelos............................................1.000,00
Santos & Cia Ltda............................................1.000,00
Imp. Severino Alves Bila S/A....................................1.000,00
Imp. Dinarte Mariz S/A.............................................1.000,00
Miguel Carrilho........................................................1.000,00
Dr. Roberto Bezerra Freire.......................................1.000,00
Luís de Barros.........................................................1.000,00
Sebastião Correia de Melo..........................................500,00
Pedro Augusto Silva...................................................500,00
Wandick Lopes...........................................................300,00
Sebastião Ferreira de Lima.........................................300,00
Oton Osório de Barros................................................200,00
Walter Pereira.............................................................200,00
Araújo Freire & Cia. ............................................200,00
Cunha &Maia......................................................200,00
Álvaro d’Araújo Lima...................................................100,00
Enico Monteiro............................................................100,00
Gurgel Amaral & Cia. .........................................100,00
Henrique Santana.......................................................100,00
João Rod....................................................................100,00
Sergio Severo.............................................................100,00
Euclides Vidal de Lira... .............................................100,00
Severino Souza Ribeiro.................................................50,00
Bruno Batista................................................................50,00
Lindolfo Gomes Vidal....................................................50,00
TOTAL:..............................................................C$18.250,00

      Esses auxílios foram angariados por uma comissão composta do Presidente da Academia, do Acadêmico Hélio Galvão, do industrial Luis Veiga e do contador Jovino dos Anjos: o terceiro, amigo devotado das letras, cujo interesse pelas coisas do espírito e da inteligência não será preciso ressaltar porque é de todos conhecido; o quarto, natural da cidade de Nísia Floresta, colocou desde os primeiros momentos a serviço da causa comum, cooperando por todos os meios para a sua realização.
        As despesas que se elevaram ao total de Cr26.710,00, conforme documentos arquivados, tiveram por objetivo os seguintes serviços: - destruição do muro velho e construção de um muro em alvenaria rebocado, caiado e pintado; elevação do antigo monumento, de dois metros e meio (2’2) para cinco (5) metros de altura todo revestido de marmorito; iluminação elétrica de todo o conjunto, com material novo e de primeira qualidade; construção do piso interno e da calçada ambos a mosaico.
           Confrontando-se a Despesa e a Receita do Mausoléu e do Monumento, ver-se-á que houve um déficit de Cr$8.460,00, coberto pelas rendas ordinárias da Academia.
            Os documentos assinados pelas casas fornecedoras do material e pelo mestre da obra, José Cirino dos Santos, dirão melhor, na mudez dos seus algarismos, do que a linguagem dos relatórios com todas as suas minúcias.
         Devemos lembrar que nessas despesas não foram incluídos os trabalhos técnicos e de administração do engenheiro Souza Lelis e do construtor Álvaro José de Melo, cujos serviços foram gratuitos e porisso mesmo merecedores da nossa gratidão e do nosso reconhecimento. Não foram igualmente computados aqui os tijolos e a areia fornecidos gratuitamente pelo Capitão João Marinho de Carvalho, Presidente da Câmara Municipal de Nísia Floresta.
            Não foram incluídos mais os seguintes materiais e obséquios, doados e prestados por várias pessoas, cuja menção manda a justiça que se faça: -
1.Pedro Paulino de Carvalho, terreno para ampliação da área do muro;
2.Carlos Gondim, um portão e uma grade de ferro;
3.João Suassuna, seis alqueires de cal;
4.Galvão Mesquita, Ferragens S/A, quarenta quilos de ferro e dois quilos de arame fino;
5.Casa Lux Ltda. Quatro tubos de ferro de ¾ para eletricidade, fora o que foi comprado posteriormente; 
6.Antonio Justino & Cia. Dezessete latas de mármore, fora o que foi comprado posteriormente.
7.José Silva, dois sacos de cimento “Zebú”, fora o que foi comprado posteriormente;
8.José Martins, seis alqueires de cal para traço e uma lata da cal virgem;
9.Um anônimo, viagem de carro para Nísia Floresta;
10.Wandick Lopes, viagem de Jeep a Nísia Floresta;
11.Um anônimo, viagem de Jeep a Nísia Floresta;
12.Dr. Raimundo França, viagem de Jeep a Nísia Floresta;
13.Prefeitura de Natal, viagem de um caminhão a Nísia Floresta;
14.Carlos Gondim, trouxe e levou várias vezes, material de construção para o Mausoléu de Nísia Floresta;
15.Base Aérea de Natal, viatura posta à disposição da Academia para condução dos convidados no dia da inauguração do Mausoléu e do Monumento;
16.Pedro Augusto Silva, Carlos Gondim e Tenente Barros e Senhora, lanche preparado e servido em Nísia Floresta no dia da inauguração do Monumento;
17.Osório Dantas, viagem de Jeep a Nísia Floresta, com a colaboração do jovem estudante Walter Lopes que serviu de motorista;
18.Instalação da luz do Monumento e do Mausoléu, a cargo do eletricista Manuel Silva e do seu respectivo auxiliar;
19.Prefeitura Municipal de Nísia Floresta, placa em alto relevo, confeccionada por importante firma de Belo Horizonte, Minas Gerais, cuja doação muito recomenda o bom gosto e a compreensão do Prefeito José Ramires, e do Presidente da Câmara Municipal, Coronel João Marinho de Carvalho. É de justiça salientar o interesse do contador Otacílio Ximenes Jales, representante da referida firma, nesta capital, que tudo fez para que a confecção da placa de Nísia Floresta se realizasse na presente gestão da Academia de Letras.
Não foram incluídas, enfim, muitas despesas miúdas que pela sua natureza escapam ao registro de quem dirige. Concluído o trabalho do Mausoléu e do Monumento reuniu-se a Academia, marcando a sua inauguração para o dia 3 de abril de 1955. Efetivamente, naquela data, daqui partiu a Academia em viatura gentilmente cedida pelo Comando da Base Naval de Natal, ali chegando às 9 horas e fazendo logo depois o trasladamento dos restos mortais da escritora da Igreja local para o Mausoléu a ser inaugurado. O acontecimento está registrado no livro de Atas da Academia que por sua vez recolhe as assinaturas das pessoas presentes.”


PLACA DE NÍSIA FLORESTA

“Neste final de relatório cabe-nos uma referência especial à Prefeitura Municipal de Nísia Floresta que, por intermédio do seu prefeito, Sr. José Ramires, e do seu Sub-Prefeito, Capitão João Marinho de Carvalho, deu uma demonstração que poucas vezes se tem visto neste pedaço do território brasileiro que é o Rio Grande do Norte. Queremos nos referir ao gesto nobre e elegante que teve aquela edilidade fazendo doação à Academia Norte-Riograndense de Letras de uma belíssima placa em alto relevo para ser afixada no Mausoléu da insigne escritora e educadora e patrícia. A placa será colocada brevemente e não é sem emoção e sem um profundo reconhecimento de gratidão que agradecemos àquelas autoridades, em confiança e solidariedade que deram à nossa instituição, como que premiando-a pelos grandes esforços que dispendera na realização de tão árdua e difícil missão. Não deve ser esquecido aqui o nome do Sr. Otacílio Ximenes Jales, representante da firma de Belo Horizonte, que tanto se interessou pela confecção e pelo aprimoramento da placa em questão”.
Natal, 26 de janeiro de 1956





terça-feira, 10 de maio de 2016

NOTA DE FALECIMENTO DE LÍVIA AUGUSTA DE FARIA ROCHA

Recebi, recentemente, de Erica Fernanda, que mora atualmente na França,  essa imagem do "Le Littoral", jornal francês, de Cannes (França), impresso entre 1883 a 1944. A página, datada do dia 26 de abril de 1912, anuncia o falecimento de Lívia Augusta de Faria Rocha. 
A tradução: Estado civil de 26 de abril de 1912, Falecimento: De Faria, Lívia Augusta, viúva Gade, 82 anos, em Californie.  Californie é um bairro de Cannes. 'Gade' é o sobrenome do esposo alemão, falecido pouco tempo depois do casamento. Lívia, assim, como Nísia, enviuvou cedo e nunca mais quis se casar. 

Jornal "Le Littoral"

segunda-feira, 9 de maio de 2016

LANÇAMENTO SOBRE NÍSIA FLORESTA NA ESCÓCIA


Enquanto aqui muitos a esqueceram, a profª Drª Charlotte se encarrega de estudar e divulgar a obra de Nísia Floresta na Europa. Esse é o último lançamento.



Charlotte Hammond Matthews


sexta-feira, 6 de maio de 2016

PALESTRA SOBRE NÍSIA FLORESTA NA UNIVERSIDADE MAURÍCIO DE NASSAU

Ontem, dia 5 de maio, no encerramento da palestra "Nísia Floresta, uma brasileira augusta", proferida por mim, a convite da escritora Sírlia.