ANTES DE LER É BOM SABER...

Este blog - criado em 2008 - não é jornalístico, embora contenha alguns conteúdos que passeiam levemente por essas águas. Os textos são de autoria de Luís Carlos Freire, o qual descende do mesmo tronco genealógico da escritora Nísia Floresta. Esse parentesco ocorre pela parte da mãe do autor, Maria José Gomes Peixoto Freire, cujas informações estão no livro "Os Troncos de Goianinha", de autoria de Ormuz Barbalho Simonetti. O referido livro desenrola o novelo genealógico das famílias originárias de Goianinha, município próximo, de onde originou-se a família de Nísia Floresta, e pode ser pesquisado no Museu Nísia Floresta, no centro da cidade. Luís Carlos Freire é especialista na obra de Nísia Floresta, membro da Comissão Norte-Riograndense de Folclore, sócio da Sociedade Científica de Estudos da Arte e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Possui trabalhos científicos sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, publicados nos anais da SBPC, Semana de Humanidade, Congressos etc. É autor de 'História do Município de Nísia Floresta', 'Cultura Popular em Nísia Floresta', 'A linguagem Popular em Nísia Floresta', dentre inúmeros trabalhos na área de história, lendas, costumes, tradições etc. Uma pequena parte das referidas obras ainda não estão concluídas, mas o autor entendeu ser útil disponibilizá-la neste blog, enquanto as conclui. Algumas são inéditas. O acesso permite aos interessados terem ao menos uma boa noção daquilo que buscam, até porque existem situações em que certos assuntos não são encontrados nem na internet nem em outro lugar. Algumas pesquisas são fruto de longos estudos, alguns até extensos e aprofundados, pesquisados em arquivos de Natal, Recife, Salvador e na Biblioteca Nacional no RJ. O autor estuda a história e a cultura popular da Região Metropolitana do Natal. Esse detalhe permitirá ao leitor encontrar informações históricas sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, sobre o município homônimo, situado na Região Metropolitana de Natal/RN, além de crônicas, artigos, fotos poemas, etc. O autor ministra palestras e pode ser convidado através do e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com.br. Fone: 99827.8517 - É PERMITIDO COPIAR TEXTOS DESTE BLOG, DESDE QUE A AUTORIA SEJA MENCIONADA.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

HISTÓRIA DO TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA

Túmulo de Nísia Floresta em Rouen - 1953 - A pessoa da fotografia é Orlando Ribeiro Dantas, jornalista que o localizou após fracassadas buscas por parte de outros pesquisadores.
         O documento abaixo, intitulado “O TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA” foi transcrito, portanto seu teor foi preservado conforme o original. Por esse motivo o leitor poderá observar algumas palavras escritas/ou acentuadas diferente da atualidade. O mesmo raciocínio de aplica ao fato de o autor ter usado duas formas para se referir ao município onde Nísia Floresta foi sepultada: “Ruão” ou Rouen. O correto é a segunda.

O TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA

Comunicação ao INSTITUTO HISTÓRICO e GEOGRÁFICO do Rio Grande do Norte, pelo sócio ADAUTO MIRANDA RAPOSO da CAMARA, em 31 de maio de 1950.
O jornalista Orlando Ribeiro Dantas, diretor do <>, do Rio, excursionando pela Europa, viajou até Ruão, especialmente para localizar a sepultura de Nísia Floresta Brasileira Augusta, a insigne norte-riograndense, que, nascida em Papari, se impôs ao respeito e à consideração de um escol intelectual europeu, na centúria passada.
Quando partiu pra o Velho Mundo, em Fevereiro último, o ilustre conterrâneo, que estremece a nossa Província e a conduz no coração para toda a parte, me confiou que ia visitar Nísia em seu eterno abrigo, que vagamente se sabia existir naquela cidade francesa. Henrique Castriciano, certa vez, me declarou possuir uma fotografia do túmulo, mas nunca tive a oportunidade de ver, alegando ele que se extraviara.
Por intermédio da Federação das Academias de Letras do Brasil, procurei, em 1938, obter uma certidão ou atestado do enterramento de Nisia Floresta, interessando-se, nesse sentido, o Itamarati, a que se forneceram minuciosos elementos para diligências junto às autoridades francesas. A resposta, solícita e gentil, foi, no entanto, desalentadora: o Consulado Geral do Brasil no Havre, apesar de sua boa vontade, nada logrou de satisfatório, pois que a Prefeitura de Ruão informara haver mandado proceder as buscas nos registros do Estado Civil, <>.
Foi preciso que um rio-grandense do Norte, do Ceará-Mirim, se trasladasse até lá, em 20 de abril de 1950, sessenta e cinco anos após a morte de Nisia, disposto a reencontrar o túmulo esquecido. Em circunstanciada carta que me dirigiu, da qual, em seguida, transcrevo em longo trecho, teve a gentileza de comunicar o feliz êxito de seus beneméritos esforços a este seu coestaduano e velho amigo, autor de uma biografia de Nisia Floresta.

"Regressei ontem de EU, depois da visita que fiz a Rouen, ao Havre e a Dieppe. Cheguei a Rouen a 20 de e me hospedei no “Hotel de La Poste”. Logo depois, rumei ao cemitério. Tomei o bonde nr. 19, para apreciar melhor o panorama da cidade. Lá do alto, onde fica Bonsecours, pude ver, em conjunto, quase toda Rouen. Ao chegar ao portão do cemitério, dirigi-me a uma senhora velha, que ali vende postais e todas essas pequenas coisas que agradam aos turistas. Disse-lhe que ia visitar o túmulo de Nisia Floresta Brasileira Augusta, ao que ela me declarou que não havia ali esse túmulo. Estranhei a segurança com que dava sua informação, ao que explicou: - Moro aqui há 40 anos, conheço todo o cemitério e nunca vi essa sepultura”. Como eu insistisse, mandou a velha que uma rapariga que a ajudava, me acompanhasse à casa do sr. Menard, que tinha, ao que disse, todos os assentamentos relativos ao cemitério, pelos quais iria verificar que ela estava certa. O velho Menard, muito atencioso, procurou, eu a seu lado, os apontamentos, notas, e registros que possuía. Não encontrou o nome de Nisia Floresta. Falou, a seguir, da Mairie de Bonsecours, para a qual, depois das 14 horas, poderia eu apelar. Advertiu-me, entretanto, que os seus apontamentos eram sempre mais completos que os da Mairie.

Ma Mère
Nisia Floresta Brasileira
Augusta
Née le 12 octobre 1810
Décédée
Le 24 Avril 1885
--
Livia Augusta

Gade
Le 26 Avril 1912
À l’âge de 82 Ans.
CONCESSION PERPETUALLE
           
O túmulo, embora nunca visitado por ninguém, está em ordem e relativamente limpo. Dei à velha e à menina 400 francos e fiz as minhas recomendações a elas e ao secretário. Enviei, nestes poucos dias, cópias das fotografias tiradas. Como disse, em cartão-postal enviado de Rouen, deixei, à beira da sepultura de Nisia, duas lagrimas, uma sua e outra minha, ambas, sem dúvida, por nós e por todos os nossos conterrâneos. Madame Gade, depois Veuve Gade, née De Faria, morou em Rouen, na Route Paris, 121.

            Do Gesto de Orlando Ribeiro Dantas resultou sabermos agora:
a)    que Nisia Floresta está realmente sepultada em Ruão;
b)    que sua tumba não está abandonada;
c)    que a inhumaram cristãmente. Nisia sucumbiu a uma pneumonia aos 24 de abril de 1885, recebeu o conforto da Religião Católica. (V. minha História de Nisia Floresta, Rio 1941, Pongetti Edits, 211 pgs.
d)    Que ela nasceu a 12 de outubro de 1810, e não em 1809, conforme supunham quase todos os que estudaram a sua vida. Devo dizer que, naquele citado livro, aceitei a versão generalizada, por falta de documentos em contrário, mas sempre fiz minhas ressalvas, sempre manifestei minhas desconfianças, conforme se encontra em uma conferência que fiz em março de 1938, no Rio, e publicada no 2º Vol. De Conferências da Federação das Academias. Disse eu, então (pg. 105 – “Vários autores se equivocaram quanto à data do falecimento, dando-o como tendo ocorrido a 20 de Maio de 1885 (Vieira Fazenda, Blake, etc). Lendo-se O PAIZ, de 27  de Maio e o convite para missa feito por José da Silva Arouca, dissipar-se-ão todas as dúvidas. A controvérsia pode girar em torno do ano exato em que nasceu, que há motivos para afirmar ter sido em 1810.
A lápide funerária, cuja inscrição conhecemos, graças a Orlando Ribeiro Dantas, é uma fonte de história. A filha devotíssima é que ditou os dados referentes a Nísia, gravados no granito, e certamente ninguém saberia melhor, naquela época, o genetlíaco da excelsa potiguar.
Daqui se conclui que as comemorações de 1909, no Rio Grande do Norte, promovidas pelo Congresso Literário, foram antecipadas de um ano... mas por culpa da mesma filha, que, aos 79 anos, com a memória enfraquecida, prestou “esclarecimentos” à comissão do centenário de Nísia.
Na laje foi insólitamente estampada a idade de Lívia, 82 anos, ao falecer em Cannes, aos 26 de abril de 1912. Ela nasceu em Recife, em 12 de Janeiro de 1830, pelas nove e meia da noite, a mesma hora em que Nísia nasceu, conforme se lê nos Conselhos à Minha Filha (Rio, 1842). Aproveito a oportunidade para retificar um lapso tipográfico constante de minha História de Nísia Floresta, pelo qual a data natalícia de Nísia teria sido 12/1/1832. Aliás, Augusto Comte, a quem Nísia há de ter transmitido a indicação, a deu como nascida em 1835 (o pai se finara em Porto Alegre, em 1833...), pois que lhe atribuiu a idade de 22 anos, em 1857, como se lê na carta de 29 de março de do mesmo ano a G. Audiffrent.
Orlando Ribeiro Dantas prestou mais um meritório serviço aos que investigam sobre a grande vida da maior mulher de letras do Brasil, de quem o Rio Grande do Norte se orgulha de ter sido o berço.
Êle é talvez o primeiro norte-riograndense que foi homenagear sua memória, nas terras da França, - representante legítimo dos sentimentos de seus comprovincianos, - depois de uma paciente peregrinação pelas repartições públicas de Ruão e pelas avenidas silenciosas do Campo Santo de Bonsecours.

Rio de Janeiro, 31 de Maio de 1950.

Adauto Miranda Raposo da Câmara

Colégio Metropolitano – R. Dias da Cruz, 241. Meyer.

P.S. Remeto cópia das fotografias com que Orlando Ribeiro Dantas me obsequiou. Mandei fazer ampliação da que representa a laje sepulcral. Com o auxílio de uma lente, a inscrição poderá ser claramente lida".
                                    Adauto da Câmara


HISTÓRIA DO TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA NO BRASIL - RELATÓRIO DO PRESIDENTE DA ACADEMIA NORTE-RIOGRANDENSE DE LETRAS SOBRE A CONSTRUÇÃO DO MAUSOLÉU DE NÍSIA FLORESTA.

           
“Não havia transcorrido dois meses da nossa posse quando surge na imprensa desta capital uma campanha contra as autoridades do município de Nísia Floresta, com tentativa de envolver, mais tarde, a Academia de Letras, pelo fato daquelas autoridades não terem providenciado a construção do mausoléu da escritora Nísia Floresta Brasileira Augusta, cujos despojos há quase dois meses haviam sido depositados na igreja daquela cidade, onde permaneciam, ainda, insepultos, por falta de uma providência naquele sentido.
            Em face da campanha da imprensa e da impassibilidade da Prefeitura Municipal de Nísia Floresta, resolveu a Academia, por unanimidade dos seus membros, assumir a responsabilidade da construção do Mausoléu, promovendo os meios de torna-lo realidade. Tomada essa deliberação seguimos na mesma semana para aquela cidade onde, em companhia do contador Jovino dos Anjos, do professor Gonzaga Galvão, do construtor Alvaro José de Melo e do pedreiro José Cirino dos Santos, entramos em contato com o Prefeito local, Sr. José Ramires, e o Presidente da Câmara Municipal, Coronel João Marinho de Carvalho pondo-os ao corrente da situação e comunicando-lhes a resolução da Academia. Aquelas autoridades se solidarizaram de pronto com a iniciativa, e, embora não fizessem de prático para remover a situação criada, em parte por elas, não se opuseram, porém, à ação da nossa entidade. Nada mais exigia também a Academia para Nísia Floresta, senão que lhe dessem liberdade de ação e meios para realizar aquele objetivo. E foi o bastante. Voltamos no mesmo dia a Natal e no dia seguinte publicamos a primeira notícia no Diário de Natal, anunciando o começo do trabalho. Desta data em diante nunca mais deixamos de trabalhar pelo Mausoléu da escritora. Havia ali no sítio onde nasceu a escritora um monumento construído em cimento armado e alvenaria, cercado por um muro em péssimas condições. O Monumento era baixo, medindo, se muito, dois metros e meio de altura. Demos ordem para o construtor para elevar o monumento à altura compatível com a sua estética, revestindo-o ainda de marmorito harmonizando-o com a vestimenta do Mausoléu que é idêntica à do monumento. O muro velho foi igualmente derrubado, construindo-se um outro mais amplo e espaçoso, de acordo com as necessidades do conjunto. A natureza do trabalho, em grande parte do marmorito, exigia operários especializados, contratados em Natal, encarecendo, portanto, a mão de obra. Ao lado dessa circunstância devemos lembrar a inconveniência de um serviço feito na ausência do seu principal responsável. Além da falta de transporte, lutávamos ainda com a exiguidade de verbas para esse fim, só podendo visitar o serviço de oito em oito dias, ora em automóvel de aluguel, ora em carros de amigos particulares. Logo após os primeiros preparativos para a construção do Mausoléu, verificamos a necessidade de mandar confeccionar uma planta, tendo o construtor Alvaro José de Mélo, autorizado por nós, convidado o engenheiro Sousa Lelis para apresentar o projeto, sendo esse feito pelo referido profissional, nada custando à Academia. O mesmo, diga-se de passagem, aconteceu com o construtor Alvaro José de Mélo que, tomando a direção técnica do serviço a nosso pedido nada exigiu da nossa entidade prestando-lhe os mais relevantes serviços durante a construção do Mausoléu e a reforma do Monumento. Conforme prometemos, pessoalmente, e em notícias veiculadas em jornais da cidade, aqui deixamos a demonstração dos auxílios recebidos para a construção do Mausoléu e a sua respectiva aplicação, firmadas nos documentos da despesa. Os auxílios recebidos durante toda a campanha foram os seguintes: 

Governo do estado...................................................5.000,00
Prefeitura de Natal...................................................1.000,00
Luís Velga................................................................1.000,00
Dr. Aldo Fernandes..................................................1.000,00
Aguinaldo Vasconcelos............................................1.000,00
Santos & Cia Ltda............................................1.000,00
Imp. Severino Alves Bila S/A....................................1.000,00
Imp. Dinarte Mariz S/A.............................................1.000,00
Miguel Carrilho........................................................1.000,00
Dr. Roberto Bezerra Freire.......................................1.000,00
Luís de Barros.........................................................1.000,00
Sebastião Correia de Melo..........................................500,00
Pedro Augusto Silva...................................................500,00
Wandick Lopes...........................................................300,00
Sebastião Ferreira de Lima.........................................300,00
Oton Osório de Barros................................................200,00
Walter Pereira.............................................................200,00
Araújo Freire & Cia. ............................................200,00
Cunha &Maia......................................................200,00
Álvaro d’Araújo Lima...................................................100,00
Enico Monteiro............................................................100,00
Gurgel Amaral & Cia. .........................................100,00
Henrique Santana.......................................................100,00
João Rod....................................................................100,00
Sergio Severo.............................................................100,00
Euclides Vidal de Lira... .............................................100,00
Severino Souza Ribeiro.................................................50,00
Bruno Batista................................................................50,00
Lindolfo Gomes Vidal....................................................50,00
TOTAL:..............................................................C$18.250,00

      Esses auxílios foram angariados por uma comissão composta do Presidente da Academia, do Acadêmico Hélio Galvão, do industrial Luis Veiga e do contador Jovino dos Anjos: o terceiro, amigo devotado das letras, cujo interesse pelas coisas do espírito e da inteligência não será preciso ressaltar porque é de todos conhecido; o quarto, natural da cidade de Nísia Floresta, colocou desde os primeiros momentos a serviço da causa comum, cooperando por todos os meios para a sua realização.
        As despesas que se elevaram ao total de Cr26.710,00, conforme documentos arquivados, tiveram por objetivo os seguintes serviços: - destruição do muro velho e construção de um muro em alvenaria rebocado, caiado e pintado; elevação do antigo monumento, de dois metros e meio (2’2) para cinco (5) metros de altura todo revestido de marmorito; iluminação elétrica de todo o conjunto, com material novo e de primeira qualidade; construção do piso interno e da calçada ambos a mosaico.
           Confrontando-se a Despesa e a Receita do Mausoléu e do Monumento, ver-se-á que houve um déficit de Cr$8.460,00, coberto pelas rendas ordinárias da Academia.
            Os documentos assinados pelas casas fornecedoras do material e pelo mestre da obra, José Cirino dos Santos, dirão melhor, na mudez dos seus algarismos, do que a linguagem dos relatórios com todas as suas minúcias.
         Devemos lembrar que nessas despesas não foram incluídos os trabalhos técnicos e de administração do engenheiro Souza Lelis e do construtor Álvaro José de Melo, cujos serviços foram gratuitos e porisso mesmo merecedores da nossa gratidão e do nosso reconhecimento. Não foram igualmente computados aqui os tijolos e a areia fornecidos gratuitamente pelo Capitão João Marinho de Carvalho, Presidente da Câmara Municipal de Nísia Floresta.
            Não foram incluídos mais os seguintes materiais e obséquios, doados e prestados por várias pessoas, cuja menção manda a justiça que se faça: -
1.Pedro Paulino de Carvalho, terreno para ampliação da área do muro;
2.Carlos Gondim, um portão e uma grade de ferro;
3.João Suassuna, seis alqueires de cal;
4.Galvão Mesquita, Ferragens S/A, quarenta quilos de ferro e dois quilos de arame fino;
5.Casa Lux Ltda. Quatro tubos de ferro de ¾ para eletricidade, fora o que foi comprado posteriormente; 
6.Antonio Justino & Cia. Dezessete latas de mármore, fora o que foi comprado posteriormente.
7.José Silva, dois sacos de cimento “Zebú”, fora o que foi comprado posteriormente;
8.José Martins, seis alqueires de cal para traço e uma lata da cal virgem;
9.Um anônimo, viagem de carro para Nísia Floresta;
10.Wandick Lopes, viagem de Jeep a Nísia Floresta;
11.Um anônimo, viagem de Jeep a Nísia Floresta;
12.Dr. Raimundo França, viagem de Jeep a Nísia Floresta;
13.Prefeitura de Natal, viagem de um caminhão a Nísia Floresta;
14.Carlos Gondim, trouxe e levou várias vezes, material de construção para o Mausoléu de Nísia Floresta;
15.Base Aérea de Natal, viatura posta à disposição da Academia para condução dos convidados no dia da inauguração do Mausoléu e do Monumento;
16.Pedro Augusto Silva, Carlos Gondim e Tenente Barros e Senhora, lanche preparado e servido em Nísia Floresta no dia da inauguração do Monumento;
17.Osório Dantas, viagem de Jeep a Nísia Floresta, com a colaboração do jovem estudante Walter Lopes que serviu de motorista;
18.Instalação da luz do Monumento e do Mausoléu, a cargo do eletricista Manuel Silva e do seu respectivo auxiliar;
19.Prefeitura Municipal de Nísia Floresta, placa em alto relevo, confeccionada por importante firma de Belo Horizonte, Minas Gerais, cuja doação muito recomenda o bom gosto e a compreensão do Prefeito José Ramires, e do Presidente da Câmara Municipal, Coronel João Marinho de Carvalho. É de justiça salientar o interesse do contador Otacílio Ximenes Jales, representante da referida firma, nesta capital, que tudo fez para que a confecção da placa de Nísia Floresta se realizasse na presente gestão da Academia de Letras.
Não foram incluídas, enfim, muitas despesas miúdas que pela sua natureza escapam ao registro de quem dirige. Concluído o trabalho do Mausoléu e do Monumento reuniu-se a Academia, marcando a sua inauguração para o dia 3 de abril de 1955. Efetivamente, naquela data, daqui partiu a Academia em viatura gentilmente cedida pelo Comando da Base Naval de Natal, ali chegando às 9 horas e fazendo logo depois o trasladamento dos restos mortais da escritora da Igreja local para o Mausoléu a ser inaugurado. O acontecimento está registrado no livro de Atas da Academia que por sua vez recolhe as assinaturas das pessoas presentes.”


PLACA DE NÍSIA FLORESTA

“Neste final de relatório cabe-nos uma referência especial à Prefeitura Municipal de Nísia Floresta que, por intermédio do seu prefeito, Sr. José Ramires, e do seu Sub-Prefeito, Capitão João Marinho de Carvalho, deu uma demonstração que poucas vezes se tem visto neste pedaço do território brasileiro que é o Rio Grande do Norte. Queremos nos referir ao gesto nobre e elegante que teve aquela edilidade fazendo doação à Academia Norte-Riograndense de Letras de uma belíssima placa em alto relevo para ser afixada no Mausoléu da insigne escritora e educadora e patrícia. A placa será colocada brevemente e não é sem emoção e sem um profundo reconhecimento de gratidão que agradecemos àquelas autoridades, em confiança e solidariedade que deram à nossa instituição, como que premiando-a pelos grandes esforços que dispendera na realização de tão árdua e difícil missão. Não deve ser esquecido aqui o nome do Sr. Otacílio Ximenes Jales, representante da firma de Belo Horizonte, que tanto se interessou pela confecção e pelo aprimoramento da placa em questão”.
Natal, 26 de janeiro de 1956





terça-feira, 10 de maio de 2016

NOTA DE FALECIMENTO DE LÍVIA AUGUSTA DE FARIA ROCHA

Recebi, recentemente, de Erica Fernanda, que mora atualmente na França,  essa imagem do "Le Littoral", jornal francês, de Cannes (França), impresso entre 1883 a 1944. A página, datada do dia 26 de abril de 1912, anuncia o falecimento de Lívia Augusta de Faria Rocha. 
A tradução: Estado civil de 26 de abril de 1912, Falecimento: De Faria, Lívia Augusta, viúva Gade, 82 anos, em Californie.  Californie é um bairro de Cannes. 'Gade' é o sobrenome do esposo alemão, falecido pouco tempo depois do casamento. Lívia, assim, como Nísia, enviuvou cedo e nunca mais quis se casar. 

Jornal "Le Littoral"

segunda-feira, 9 de maio de 2016

LANÇAMENTO SOBRE NÍSIA FLORESTA NA ESCÓCIA


Enquanto aqui muitos a esqueceram, a profª Drª Charlotte se encarrega de estudar e divulgar a obra de Nísia Floresta na Europa. Esse é o último lançamento.



Charlotte Hammond Matthews


sexta-feira, 6 de maio de 2016

PALESTRA SOBRE NÍSIA FLORESTA NA UNIVERSIDADE MAURÍCIO DE NASSAU

Ontem, dia 5 de maio, no encerramento da palestra "Nísia Floresta, uma brasileira augusta", proferida por mim, a convite da escritora Sírlia.


quarta-feira, 27 de abril de 2016

LANÇAMENTO DO LIVRO "DOM QUIXOTE DA TABOA"

Muito agradável a noite de lançamento do livro da Profª Drª Maria Teresa. O livro, prefaciado por mim, é inspirado na famosa obra Dom Quixote de La Mancha, de Cervantes. Nele o leitor é levado a refletir sobre as torres de energia eólica de São Miguel do Gostoso. O artista Rodrigo Bico fez uma belíssima interpretação de um poema, que é parte da obra. Na fotografia aparecemos com a professora Teresa, Rodrigo e nossos amigos pernambucanos Graça e sua filha Mariana Lemos






rnambucanos Graça e sua filha
Mariana Lemos

sexta-feira, 22 de abril de 2016

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI SÓ DAS FLORES



                 PARA NÃO DIZER QUE FALEI SÓ DAS FLORES

         Tudo o que acontece na nossa vida e na vida de um país serve de experiência e parâmetro para refletirmos as decisões futuras. Por mais que algumas experiências sejam amargas, são experiências e são importantes de alguma forma. Desse modo, os reflexos dos erros e acertos devem ser analisados com sabedoria e crescimento. O que tem acontecido com a presidente da república Dilma Rousseff é, talvez, o mais intenso desse amargo, e ao mesmo tempo a mais triste e vergonhosa página da história do Brasil depois dos anos de chumbo. Estamos diante de um episódio inédito, onde tentam tirar, à força, uma presidente eleita democraticamente.
         A intensidade desse atentado ao estado de direito se agiganta quando vemos sendo atacada a mulher que, no tempo da ditadura militar, quebrou todos os preconceitos, tabus e medos e peitou os militares, defendendo o bem mais nobre que um país: a democracia. Mas parece irônico. Justo a cidadã que poderia – sem sombra de dúvidas – ser declarada como "a brasileira-símbolo de resistência e luta contra a ditadura militar". Só quem a vivenciou, leu ou assistiu a filmes sobre esse episódio deplorável sabe quão horrorosa foi essa página da nossa história.
         O que Dilma Rousseff fez nessa época nem certos homens tiveram coragem de arriscar. Muitos queriam ter sido protagonistas da história dessa brasileira que nunca se acovardou, mas não arriscaram, pois escolheram o lado dos torturadores, deletando amigos. É muito altruísmo por parte de uma mulher! E saber que essa ousadia ocorreu numa época que todo tipo de preconceito e tabu ainda recaia sobre a imagem feminina. Percebe-se muita personalidade e coragem.
         Quando pessoas desinformadas publicam nas redes sociais a fotografia da presidente Dilma Rousseff carimbada pelo DOE-CODI como subversiva durante o Regime Militar, quando mostram o seu ex-marido sentado numa cadeira de delegacia, depondo, sugere-se uma imagem de terroristas, de pessoas perigosas..., aliás era assim que taxavam: “terroristas”. Quanta ignorância e má intenção há nessa atitude! Quanto analfabetismo político! Essas pessoas, equivocadas, ignoram que Dilma Rousseff e mais uma meia dúzia de cidadãos ousados, não podiam usar flores para lutar contra fuzis e pistolas dos coronéis, tenentes e capitães. Eles não podiam usar mãos vazias e palavras de amor a quem os torturava. Leiam "Brasil Nunca Mais", assinado pelo Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Assistam ao filme "A casa dos espíritos", dentre tantos. Como bem traz a manchete recente do The Guardian "Tirar a presidente Dilma é matar a democracia".
         É tendencioso e diabólico divulgar fotografias e frases desse tipo sem mostrar o contexto da época. Dilma Rousseff defendeu da tortura e da ditadura não apenas a própria pele, mas a pele dos brasileiros daquela época. O coronel do Exército Carlos Brilhante Ustra, homem que o deputado federal Bolsonaro homenageou quando votou "sim" ao impeachment de Dilma Rousseff, foi o maior torturador do Brasil. Soou desrespeitoso a todo brasileiro escutar a insana frase dita por ele "o terror de Dilma Rousseff". Quisera o inconsequente deputado ter estado no seu lugar.
         Percebe-se que essa homenagem de tamanho mau gosto provém nem tanto da admiração que o deputado sente por Carlos Ustra, mas da tentativa de atacar e ferir a presidente Dilma Rousseff, a qual foi vítima desse torturador e assassino. Por ironia do destino é essa mulher que, hoje, é torturada pela ingratidão, traição e boicote dos que ignoram a verdadeira história – ou a relegam com segundas intenções. Para agravar mais, tudo isso é endossado por esses deputados federais que, no mínimo, deveriam estar informados sobre a história do Brasil, se é que galgaram tais postos pela competência, e não por conchavos, compras de votos e outras formas não democráticas, com raras exceções.
         Como não bastasse, o grande acusador atual – senhor Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal, com um histórico que desonra o Brasil, preside, tal qual juiz, a sessão do impeachment. Sem esquecer que ele é o personagem-mor junto ao vice-presidente Michel Temer, nessa manobra truculenta. É muito clara a vontade desses dois senhores de comandarem o Brasil. No íntimo eles querem frear as sanções que estão prestes a sofrer. Até a imprensa internacional conta isso com claros sinais. Logo após a fatídica votação caiu muito bem a manchete do jornal português Sico Notícias "Nunca vi o Brasil descer tão baixo: uma assembleia de bandidos comandada por um bandido". Nunca vi nada parecido na história.
         Se Michel Temer, que vive ensaiando discursos e medidas como se fosse o presidente, quer tanto sê-lo, deveria se candidatar no próximo pleito, de forma oficial. Isso é, no mínimo, civilizado. Mas ele quis o caminho mais fácil. Caminho vergonhoso e sem honra. Que herança está deixando para seus netos! É de autoria desses dois senhores essa página triste da História do Brasil.
         Mas, ainda sobre o episódio da luta de Dilma Rousseff durante a ditadura militar, o que ela fez pelos brasileiros foi um ato de coragem extrema. E é bom que os jovens atuais saibam que naquela época os militares prendiam e torturavam a torto e a direito, sem ter certeza da subversão. E o que era a subversão? Que terrorismo era esse? Qual o crime cometido pela jovem Dilma Rousseff e muitos brasileiros que se rebelavam contra a ditadura?
         Na realidade, o "crime" dependia do grau de psicopatia, de masoquismo, de truculência, de ignorância, de analfabetismo político dos militares. Eles eram algozes de moças e rapazes – a maioria universitária – que sequer sabiam o que era um revolver calibre 38. Bastavam cismar com alguém e taxavam de subversivo/terrorista. O cidadão era levado à força para os lugares mais impensados, onde eram torturados. Mulheres, mães de família, cheias de pudor, passaram por verdadeiros terrorismos psicológicos e físicos. Eram despidas; eles tocavam suas genitálias, introduziam objetos em seus órgãos genitais, masturbavam-se diante delas, davam choque em seus mamilos.
         Por mais inacreditável que pareça, o homem que Bolsonaro homenageou quando votou "sim" ao impeachment, tinha como papel, além de torturar e matar, criar engenhocas para torturar pessoas. É de sua autoria um mecanismo feito com canos de PVC, o qual era introduzido no ânus dos homens e, nas mulheres, na vagina. Depois de introduzido, eles colocavam ratos, formigas e baratas dentro do cano. Só um Joseph Mengele perderia em terrorismo para tais monstros psicopatas. Antes de morrer, em 2015, ele alegou prepotentemente, em juízo: “eu não faço acareação com terroristas”. Disse, também, que o Exército Brasileiro é que deveria estar sentado naquela cadeira, e não ele, e que só fez cumprir as ordens que recebia. Interessante! Os nazistas disseram o mesmo. Será que uma alma humana e cristã foi privilégio apenas de Schindler? O que esses monstros fizeram foi mais que cumprir ordens; foi dar vazão às suas índoles más. Eles desceram ao submundo da raça humana. Lugar que só os monstros conhecem.
         Quando os eleitos "subversivos" eram homens, tinham os seus órgãos genitais tocados por arames eletrocutados ou cigarros acesos. Havia uma espécie de cadeira elétrica. Arrancavam unhas e dentes com alicates. Alguns eram colocados numa sala refrigerada – espécie de câmara frigorífica - junto a imensas caixas de som ligadas no último volume; alguns enlouqueciam. Eram vastos os acessórios de tortura... não dá para descrevê-los. Bastavam cismar com uma pessoa logo exigiam a revelação de seus planos e a delação de outros subversivos, mesmo que fossem inocentes. Muitos jovens subversivos ou não, confessavam, induzidos pelos próprios militares, através a insistência e tortura. Faziam para se livrar da dor física.
         Foi uma época onde o medo percorria os sete cantos do Brasil. Os jornais eram censurados (os militares colocavam receitas de bolo e estórias de Trancoso nos espaços que porventura interpretasse como algo que feria o regime militar). As emissoras de televisão e rádio faziam sua programação ao lado de capitães, tenentes, coronéis e sargentos, os quais ficavam dentro dos estúdios (eles não admitiam que se aventassem os problemas sociais, econômicos, enfim quase tudo era censurado).
         Era crime reivindicar a democracia. Falar de liberdade era um atentado (vejam o filme "Os três filhos de Francisco" - há uma passagem rápida, mas muito interessante sobre esse detalhe). Era proibido aglomeração de jovens em certos ambientes de lazer. Só podiam ouvir as músicas e ler os livros submetidos à análise dos militares. Muito livro, muito disco e panfletos foram incinerados. Muitos jovens estão desaparecidos até hoje (assistam ao filme "Zuzu Angel). Muitos foram lançados ao mar pelos helicópteros militares.
         Se você tivesse vivido nessa época, de que forma enfrentaria os militares? Qual seria a sua arma? Flores? Doces? Palavras bonitas? 
         Tenha certeza que eu, você, Nossa Senhora Aparecida, Madre Teresa de Calcutá, Edir Macedo, o Papa também teríamos ido atrás de todos os tipos de armas para defendermos a democracia. O contexto exigia isso. Se estávamos lutando contra homens armados, tínhamos que buscar armas. Isso é óbvio.
         Dilma Rousseff teve a mesma coragem de Nísia Floresta, quando há 184 – numa época em que torturavam, degolavam e fuzilavam pessoas que queriam um Brasil melhor –  publicou livros clamando por liberdade de expressão, liberdade de culto, abolição da escravidão, respeito às culturas dos povos indígenas, proclamação da independência do Brasil, reforma do ensino, direito de as mulheres votarem e serem votadas, enfim, numa época tão parecida com a ditadura militar, ela escandalizou o Brasil ao dizer que uma mulher poderia, sim, governar o Brasil e ser até uma general.
         Saber que é essa mulher que atacam fere a alma de qualquer um.
         Crucificam uma pessoa pela desonestidade de muitos brasileiros, sejam políticos, empresários, funcionários públicos etc.
         Eu não diria que me conformo, mas que me consolo. E o único fator que me consola é a análise que fiz quando assisti a fatídica votação na Câmara Federal.  Soou como um termômetro. Nesse dia o Brasil constatou o nível educacional e cultural da maioria dos cidadãos que atendem pelo nome de “deputados e deputadas federais”. O jornal irlandês The Irish Times foi fiel ao cenário daquele dia com a seguinte manchete "Brasil envia palhaços para votar no impeachment de Dilma", bem como o El País, da Espanha que disse "Um parlamento com momento de circo decide o futuro decide o futuro de Dilma". Há também o jornal inglês The Economist, que disse "Por Deus, pelo aniversário da minha avó, pela minha família, circo parlamentar".  Aquele circo dos horrores foi uma aula para que os brasileiros se colocassem no lugar da presidente Dilma Rousseff e vissem o tipo de gente que ela tem que lidar.
         Não esperemos desses cidadãos um futuro de ética, justiça e cidadania para o Brasil. A maioria só pensa neles e em suas famílias. Eu não sabia da dimensão do atraso educacional e cultural dos nossos – pasmem! – deputados federais. Tiremos lições disso. Culpam a presidente pelo atual estado do Brasil como se todo esse contexto pusesse ser culpa de uma só pessoa. O Brasil é governado por muitos, inclusive tudo é submetido ao aval desses senhores! Você já imaginou – por exemplo – Tiririca lendo o Estatuto da Cidade, um Plano Diretor, enfim os regimentos, decretos, portarias etc etc etc. E não é só ele!
         Soube que a presidente Dilma Rousseff não é muito dada a papos com senadores, deputados e ministros. Diferente do ex-presidente Lula, que tomava uísque nos finais de tarde e de semana, amadurecendo ideias e projetos com toda espécie de figurões políticos, ela é muito breve e objetiva nos contatos. Ela não insiste nas negociações típicas a um chefe de estado, e isso parece irritar principalmente a parcela do "toma lá dá cá".
         Culpam a presidente por comportamentos que não foram criados por ela. Um deles é a corrupção. Dá nojo conviver com o jogo de interesse que impera nos ambientes da coisa pública. Experimente você, que lê isso, ser candidato, por exemplo, a prefeito. Não queira saber o mar de corrupção que aparecerá a sua frente. Muitas lideranças políticas aparecerão para serem candidatas a vereador. Elas só te apoiarão a troco de emprego para a família quase inteira. Alguns empresários/comerciantes farão doações em dinheiro, mas isso terá um custo: você deverá comprar só com eles, e superfaturado. Alguns de seus secretários das pastas municipais farão compras fantasmas, embolsando o dinheiro público "na boa". As obras públicas do município serão realizadas apenas por empresários que repassarem substanciosas quantias em dinheiro ao bolso do (a) prefeito. Toda transação de compra terá sempre "laranjas". A maré de corrupção é muito grande. É necessário muito estômago para navegá-la. Por isso que muitos cedem.
         E alguns analfabetos políticos têm a ousadia de dizer que a culpa pela corrupção no Brasil é da presidente Dilma Rousseff!
         Se todos os brasileiros lessem a História do Brasil veriam que nunca os maiores empreiteiros do Brasil foram para a cadeia, mesmo sabendo-se da indústria de corrupção que os acercam junto aos governos. Quando foi que se prendeu Chefes de Gabinete Presidencial e pessoas fortes do partido da Presidência da República? Quando foi que a Polícia Federal levou um ex-presidente para depor numa situação de corrupção? Nunca! Não significa que não havia corrupção naquela época. Não havia, sim, autonomia e imparcialidade nas coisas. Infelizmente – e é lastimável – alguns petistas se somaram à corrupção, mas o bom é que estão pagando atrás das grades. E deve ser assim!
         Desde muito antes da construção de Brasília, se desfalcam os cofres públicos. Não significa que se ache isso normal. Mas o governo do PT construiu um comportamento de autonomia aos poderes que regem o Brasil no aspecto das investigações. Não escapa ninguém. Isso nunca existiu antes. Ninguém descobria porque não se investigava. São muitas biografias que comentam a podridão por detrás dos governos anteriores. A verdadeira história de Sarney, por exemplo, faz chorar. Antigamente havia uma blindagem. Nada chegava às instâncias superiores, pois os “amigos” iam se protegendo uns aos outros. É exatamente isso que a dupla Michel & Cunha, somado aos tipos que vimos durante a votação, mais boa parte dos senadores.
         Um dos sinais da veracidade do que eu escrevo ocorreu um dia depois da fatídica votação. O marido de uma deputada federal que disse "sim" ao impeachment, que pulou com a bandeira e gritou dezenas de vezes a palavra "sim", foi preso no dia seguinte acusado de desvio de dinheiro de uma prefeitura mineira. Quantos e quantos homens e mulheres que usaram aquele microfone querem apenas oportunidade para saquear os cofres públicos.
         Pegue o nome de todos os deputados e pesquise no Google. Você encontrará uma parcela assustadora de corruptos e maus elementos de toda espécie. Eles, sim, não são dignos do posto que ocupam. Vejam a contradição. Falam de ética e querem tomar o poder para dar vazão a todo tipo de concordata.
         Um detalhe muito forte, e que chamou a minha atenção desde o início, foi o ufanismo, o espírito cristão muito intenso e a exaltação à família. Seria muito bom se não fosse teatro. Se tais deputados entendiam – mesmo deturpadamente – que votavam contra Dilma Rousseff pelo fim da corrupção, o que a família, as religiões e o ufanismo teriam a ver?
         Nunca vi tantos maridos amorosos, pais abnegados por seus filhos, tantos evangélicos dedicados, tantos católicos beatos, tantos brasileiros éticos e conscientes. No frigir daquelas alegações espetaculosas, dava-se a impressão que Dilma Rousseff havia destruído o "Jardim do Éden", e que aquele magote de Sanchos Panças, travestidos de deputados federais, surgiram como cavaleiros andantes – ou os mosqueteiros – para salvar a honra e a moral do Brasil. Bem disse uma das deputadas "nunca vi tanta hipocrisia junta".
         Nada mais providencial a um jovem universitário escolher como tema de TCC ou monografia a história real dos deputados e deputadas que defenderam o impeachment. O mote da questão seria checar se seus discursos batem com seus atos. Tenha certeza que a pesquisa revelaria muitos corruptos, maridos que respondem perante a lei "Maria da Penha", muitos "cabras de peia" com discursos de homens leais, mas que, na realidade tem uma "esposa" em cada esquina. Poucos dias depois da votação a Folha de São Paulo exibiu matéria sobre cinco amantes dos deputados federais que se desmancharam em declarações de amor às suas esposas. As mensagens diziam: “meu amor, eu mandei mensagem para a minha esposa, mas o meu coração é seu”.
         Quantos deles não reconhecem filhos legítimos, enfim, uma boa parcela não tem moral alguma para dar tanta ênfase a filhos, esposas e religiões. Sem contar que apareceriam alguns que se servem de programas do Governo Federal sem atender aos critérios exigidos. Quantos deles usam igrejas como escudo para esconder ou para engordar suas contas bancárias? Esses senhores e senhoras, na realidade, se serviram desses discursos porque sabem do impacto. Mas por que não apontaram o "crime" cometido por Dilma Rousseff? Ora, porque não existe crime. O que existe é um grupo com vontade galopante de tomar o poder para dar vazão a interesses escusos.
         Aquela fatídica votação revelou mais revanche que ideologia. Era como se dissessem: "chegou a hora da vingança. Não contavam com a minha astúcia!" Eles falavam como se o governo do PT estivesse destruindo as famílias, as religiões e a pátria. Meu Deus! Vão ler os livros de história e sociologia para entender o Brasil, senhores deputados federais. É muito desconhecimento.
         Seria ingenuidade e muita pretensão supor que todos, ou a maioria, votassem contra o impeachment diante do nível dos deputados federais que vimos. Ademais, estamos nessa "democracia" que já expliquei. Não haveria como esperar diferente. Mas a aura, o cenário, as caras e bocas, as falas, as falácias, as atitudes circenses e pitorescas emanadas de homens que deveriam agir com uma postura de respeito - mesmo que seus argumentos fossem contra - revelaram o nível "baixo nível educacional e cultural" de cada um, sem contar a falta de educação política dos mesmos. Havia muito ódio gratuito.
         Estamos diante de uma ditadura diferente, montada por políticos inconformados com o atual governo, dizendo valer-se da democracia para decidir pelo processo favorável ao impeachment. Tudo parece realmente muito democrático e pautado nas leis se não fossem as artimanhas, os conchavos, as propinas que estão por trás disso tudo, dando as cartas.
         É lastimável quando constatamos quão perverso é o bastidor dessa mancomunação traiçoeira. Sabemos que a ação democrática para um processo de impeachment seria, de fato, legal e constitucional se ocorresse por causa justa. Mas dessa maneira diabólica, oportunista e traiçoeira, configura-se nitidamente um ato forçado. Estão fazendo uma nova eleição à força, ignorando que a presidente foi eleita democraticamente.
         O que está ocorrendo, de fato, é um atentado a democracia brasileira. Seus autores se comportam como aves de rapina, triunfando contra o bem mais sagrado que é a democracia. Ferem a honra e a dignidade de todo brasileiro.
         Percebe-se que no caudal dessa tentativa de impeachment há muito ódio, muito analfabetismo político, muito preconceito à mulher, muito oportunismo, muita ganância ao poder e muita vontade de se fazer desse país um latifúndio de coronéis, de oligarquias, de ditadores enrustidos, de homofóbicos, de misógenos, enfim, de um a estilo que desce ao mais baixo grau da raça humana.
         O superdimensionamento dos fatos, ditos de forma exagerada por políticos de oposição e a imprensa marrom, dão a entender que a presidente cometeu "crime". Isso tudo nada mais é que a vontade de se reinstalar no Brasil o regime de corrupção antes escondido às sete chaves, formado por pessoas do perfil de tais deputados. O governo atual causa ódio por ser contra esse tipo de gente.
         O "crime" de Dilma Rousseff foi ter dado visibilidade ao pobre. É muito grande a parcela de "poderosos" que não aceitam conviver de igual para igual com os pobres que, oportunizados pelo governo Dilma Rousseff, conquistaram o ensino superior, matricularam-se em universidades estrangeiras, e. Formados, obtiveram bons empregos.
      É muito grande a parcela de equivocados que interpretam negativamente os programas mantidos pelo Governo Federal e alimentam a imprensa suja. A democracia brasileira é muito precoce. Infelizmente, esse bem nobre de uma nação não tem conseguido caminhar mais que dez anos de forma plena, pois os coronéis, travestidos de políticos, a combatem.
         O vice-presidente Michel Temer sabe que jamais sairia vitorioso numa eleição para presidente do Brasil. Isso é óbvio. E como o seu grau de cobiça sempre foi público e notório, serviu-se da traição para dar vasão ao seu intento. O grau de traição do Michel Temer é tão forte que nem pode ser comparado ao de Judas Escariotes, pois esse personagem bíblico era realmente amigo de Jesus. Michel Temer nunca foi. Ele tornou-se vice por conveniência politica. São esses acordos que o submundo da política permitem. E foi isso que abalou o PT, que nasceu e se fortaleceu exatamente por lutar contra a corrupção e prometer um Brasil melhor para todos.
         Esse detalhe serve de reflexão para reconhecermos que o modo de fazer política no Brasil precisa ser revisto. Nem todos sabem que para se formar uma coligação é necessário juntar muitos partidos (se quiser ganhar). E esse 'juntar' une honestos e desonestos, pois é difícil encontrar apenas pessoas idôneas quando se forma um grupo para concorrer a cargos políticos. É difícil!
         O PT teve erros e acertos. Mais acertos que erros. A organização e a seriedade do partido motivou uma extensa reportagem na Revista Veja há um certo tempo, dentre outros periódicos, livros, testes etc. Todos elogiavam e o colocavam como modelo para todos os partidos do Brasil e do Mundo. O PT surgiu pensado por homens e mulheres, de intelectuais a gente simples, mas inteligente e realmente interessada num país civilizado. Não há como não "Dar a César o que é de César".
         Essa 'coisa' de ter que se misturar a partidos fortes para conseguir se eleger, foi o que levou o PT a cometer erros que feriram lentamente a sua ideologia. Tudo começou quando trouxeram Sarney, que foi trazendo aos poucos a banda podre. A tragédia maior foi quando buscaram – pasmem! – Maluf. Isso chegou a dividir o PT.
         É certo que a democracia pede pluralidade, e é nessa pluralidade soa como rede de pesca, na qual o pescador teve a intenção de pegar tainha, mas veio junto traíra, tubarão, cobra etc. É como um corante jogado na água. Quanto maior a quantidade de água, mais ele se dilui e perde a cor.
         A grande punhalada sofrida pelos petistas sérios foi o fato de alguns petistas terem cometido coisas que passaram anos criticando. Muitos têm histórias lindas e dignas de filmes. Foram verdadeiros heróis, mas, depois, foram roubar tal qual os que tanto criticaram. Assim não dá! Não podemos esconder que houve petistas que se deslumbraram com o poder e se sentiram deuses. Alguns se esqueceram que foram pobres. Alguns agiram com desonestidade tal qual os tradicionais ladrões que saquearam os cofres públicos no passado, mas tudo era encoberto. Mas, sobre os petistas deslumbrados, é aquela história do "dai o poder e conhecerá o homem". Sobre os petistas corruptos, isso só comprova que traição existe de todos os lados e o quanto é difícil saber das reais intenções de alguns seres humanos. O que não se pode é culpar o PT pela corrupção promovida pela maioria dos políticos brasileiros. Penso que Dilma sentiu falta de imprimir a sua face ao seu governo. Ela foi muito sufocada. Parece que, por gratidão a algumas pessoas, deixou invadirem o seu governo. Parece que ela não se sentiu à vontade em alguns momentos. Isso e a soma de outros fatores virou uma bola de neve.
          Alguns se tornaram petistas sem conhecer a sua ideologia. Entraram instigados pela organização, pelo discurso da honestidade, pela força, por terem o apoio de respeitáveis figuras de universidades e da igreja, predominantemente a católica. Essas pessoas usaram o partido como escudo. E isso se ampliou quando o PT chegou à presidência. Mas também não podemos negar que há petistas – sejam cidadãos comuns ou com cargos políticos – comprometidos com um Brasil civilizado. Esses são maioria.
         Não podemos justificar erro com erro, mas essa história das "pedaladas fiscais" não foi uma atitude inédita. Todos os presidentes do Brasil fizeram isso. É errado, sim, mas foi feita na tentativa de acertar. O seu grande erro, e que teve efeito de punhalada aos brasileiros, foi ter convidado o ex-presidente Luís Inácio para ser seu ministro. Foi o momento mais errado da história. Se ela o tivesse convidado num outro contexto, não teria havido essa bomba toda. Mas não teria sido solução. O ex-presidente deveria estar mais afastado e se comportar de forma mais diplomática. Não digo “falsa”, mas evitar colocações que não condizem com seu status de ex-presidente. Ele se perdeu muito.
         Vejo também muito preconceito à imagem da mulher. Muitos trogloditas não admitem estar num país comandado por uma mulher. E piora quando se trata de uma mulher que pegou em armas contra a ditadura militar, e que atrás dessa ditadura estavam muitos monstros que atendiam pelo nome de políticos. Prova disso é a forma debochada e irônica como alguns se referem à presidente. Isso é lastimável, pois denota que muitas autoridades ainda guardam o ranço do Brasil imperial, no qual a mulher era vista como um objeto, um ser inferior e doméstico. Esse episódio acendeu a chama do machismo retrógrado.
         Se a maior parte dos políticos brasileiros tivessem ética e educação política – já que entendem que a presidente Dilma deve sair – que aguardassem o encerramento de seu mandato e fossem em busca de novos nomes para concorrer. Tais políticos deram uma aula de maus exemplos naquele dia circence. Isso acaba servindo de exemplo às nossas crianças. Todos sabem que estão atrasando o país, pois sua economia está parada, mas o fizeram para avacalhar.
      Num determinado momento, um deputado gritou "sim" ao impeachment, dizendo que era contra a um governo que orienta as escolas a não colocar na ficha de matrícula o sexo da criança. Isso me fez refletir sobre uma sucessão de inovações criadas pelo Governo Federal e que foram recebidas com total deturpação. São muitos programas que não dá para citar todos, mas vou comentar os que provocaram polêmica e deixaram o Governo em maus lençóis. O assunto alegado por esse deputado nunca existiu. Criam-se muitas coisas e atribuem ao governo Dilma apenas para enfraquecê-lo e denegri-lo. O que o Governo federal fez, há certo tempo, foi contratar uma equipe para produzir uma espécie de manual para se trabalhar nas escolas, de modo que se respeitassem os alunos gays e as meninas lésbicas. Infelizmente a empresa produziu um material muito explícito e com textos que precisariam ser submetidos ao olhar de um pedagogo, de sexólogos etc, mas a empresa não o fez.  Não foi a presidente quem produziu o material. O correto era rever o material e refazê-lo, afinal meninos e meninas homossexuais sofrem bullyng a cada segundo no Brasil. Muitos são assassinados. Um governo justo deve olhar para esse público, sim, pois são gente. Se existem gays e lésbicas avacalhados e que buscam o lado da perversão, existem os heterossexuais que fazem o mesmo. Não precisamos nos esforçar para encontrarmos casos de pedofilia, de estupro, de todo tipo de orgias, muitas ocorridas, inclusive em Brasília. Mas é abafada. Se fosse gays ou lésbicas seria assunto de toda a mídia nacional. Ocorre que não percebem tais perversões porque os autores são considerados normais. O Governo Federal mudou muito isso. Lançou um olhar de respeito a essas pessoas, as quais, no passado eram presas. A única instituição em todo o mundo que se viam homossexuais e lésbicas eram a Igreja Católica, pois sempre foi grande o número de padres e freiras homossexuais. Hoje se veem homossexuais vereadores, militares, ministros, prefeitos, médicos, advogados, chefes de governo etc. O que a oposição fez sobre a cartilha foi uma forte pressão. Exageraram tanto, que nem sequer o governo refez o material.
         Outro assunto é o Bolsa Família. A oposição vende a ideia de que se dá dinheiro para vagabundo. Isso não procede. O que se faz é ajudar a parcela miserável que precisa ser assistida, sim. Infelizmente muitas prefeituras inscreveram pessoas que não se encaixavam nos critérios estabelecidos pelo governo. Por outro lado, muitas famílias contempladas, mesmo tendo melhorado de vida, não deram baixa no benefício, ou seja, não houve honestidade das prefeituras que fizeram a coisa errada, bem como dos beneficiados que agiram de má fé. E a culpa é do Governo?
         Esse mesmo raciocínio se aplica ao programa das casas. As prefeituras beneficiaram parentes, amigos, lideranças comunitárias, enfim, aqueles que lhes dariam a contrapartida de votos. Desse modo receberam casas quem possuía casa de praia, comércio, sítio, carros, era taxista etc etc etc. A maior parte das casas foi dada a troco de votos e a quem não precisava. Prova disso é que a maioria já foi vendida ou alugada. De quem é a desonestidade?
         Outro caso foi muitos alegarem que o governo Dilma tirou das escolas as comemorações ao dia das mães e dia dos pais, para não constranger os casais homossexuais. Isso nunca existiu. O que se fez foi incentivar – também – as comemorações ao dia da família, já que existem, de fato, pais e mães homossexuais, e que estes devem ser inseridos na sociedade, pois são gente, pagam impostos, são pessoas de bem iguais a qualquer outra. Jamais o governo Dilma cogitou retirar tais comemorações, pois sempre existirão pais e mães. Criaram essa história para confundir e revoltar. Fica a pergunta: quem não tem um irmão, uma irmã, um primo, um tio, uma tia homossexual. Quem não conhece uma pessoa homossexual? Eles são bandidos? Claro que não. Por esse motivo merecem respeito. Há muito pit-bull por aí, espancando e matando homossexuais. Se um governo não educar a sociedade sobre isso, quem o fará? O interesse em destruir o Governo é tanto que se deturpam tudo.
A vacina HPV, para meninas, é outro assunto que deturpam com profunda ignorância. O medicamento é para evitar câncer de colo de útero, as quais estão sujeitas nos próximos anos como qualquer mulher. Mas a oposição diz que o Governo Federal está incentivando o sexo entre crianças. Não é nada disso. O fato de meninas e meninos estarem transando logo cedo é de responsabilidade dos pais que não os educam e não os preparam para a vida. Quando um lar não tem pai nem mãe, ou, quando tem estão mais interessados no whats'up ou Facebook, não se deve culpar o Governo por isso.
         O governo do PT foi o único na História do Brasil que teve um olhar amplo às minorias. São muitas as políticas públicas voltadas para os índios, os ciganos, os negros, enfim para setores que sempre foram colocados à margem. Infelizmente, faz parte do processo as más interpretações e os apedrejamentos até que as coisas se firmem e melhorem. O que vemos, infelizmente, é uma parcela de brasileiros e brasileiras, políticos ou não, se valer de muito preconceito, muito tabu, exagerando as coisas e atrapalhando os avanços de um governo à frente de seu tempo.
         Creio que Dilma Rousseff pecou quando negou alguns gráficos da situação da economia no Brasil. Mas, se os políticos brasileiros fossem realmente civilizados, honestos e éticos, teriam dito: "mãos à obra, vamos, juntos, consertar isso". O que fizeram foi apedrejar e ajudar a alargar a crise, pois querem estar no poder para apadrinhar os seus iguais. Muita coisa foi feita para desestabilizar o governo. Não acredito que homens assim querem um Brasil melhor. Digam o que quiserem, mas querer apontar Dilma como mais uma no quesito "ladrões" é perda de tempo. Se ela fosse um Michel Temer da vida, ou um Eduardo Cunha, com certeza estaria bombando. Para alguns, desonestidade é lucro. É valor. Sinto muito pelo analfabetismo político do Brasil. Sinto muito. Creio que a Presidente Dilma Rousseff está com os seus dias contados, mas não choremos por isso. Tiremos lições. São muitas lições deixadas. O PT nasceu com uma ideologia que, hoje, podemos compará-lo ao PSTU, ao PSOL, por exemplo. A ideologia não morreu nem morrerá nunca, pois existirá sempre gente de bem no mundo. Mas qualquer partido de esquerda que fizer como fez o PT, ao se aliar a ladrões de direita, ficará igual. Faz-se necessária uma reforma política onde o povo de bem a pense e a delibere. Isso não acontecerá tão breve. Um país só vai para a frente se todos partidos tiverem gente honesta no comando. Para mim, mesmo Dilma saindo eu não vejo solução, pois a solução não é o golpe. A solução está num Brasil de gente educada, civilizada, politizada e honesta. E isso parece muito longe. Sigo cheio de esperança de um Brasil melhor! Mas não nos crápulas que o estarão conduzindo brevemente. O Brasil não imagina o tamanho do erro e do crime que está cometendo. Veremos!