ANTES DE LER É BOM SABER...

Este blog - criado em 2008 - não é jornalístico, embora contenha alguns conteúdos que passeiam levemente por essas águas. Os textos são de autoria de Luís Carlos Freire, o qual descende do mesmo tronco genealógico da escritora Nísia Floresta. Esse parentesco ocorre pela parte da mãe do autor, Maria José Gomes Peixoto Freire, cujas informações estão no livro "Os Troncos de Goianinha", de autoria de Ormuz Barbalho Simonetti. O referido livro desenrola o novelo genealógico das famílias originárias de Goianinha, município próximo, de onde originou-se a família de Nísia Floresta, e pode ser pesquisado no Museu Nísia Floresta, no centro da cidade. Luís Carlos Freire é especialista na obra de Nísia Floresta, membro da Comissão Norte-Riograndense de Folclore, sócio da Sociedade Científica de Estudos da Arte e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Possui trabalhos científicos sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, publicados nos anais da SBPC, Semana de Humanidade, Congressos etc. É autor de 'História do Município de Nísia Floresta', 'Cultura Popular em Nísia Floresta', 'A linguagem Popular em Nísia Floresta', dentre inúmeros trabalhos na área de história, lendas, costumes, tradições etc. Uma pequena parte das referidas obras ainda não estão concluídas, mas o autor entendeu ser útil disponibilizá-la neste blog, enquanto as conclui. Algumas são inéditas. O acesso permite aos interessados terem ao menos uma boa noção daquilo que buscam, até porque existem situações em que certos assuntos não são encontrados nem na internet nem em outro lugar. Algumas pesquisas são fruto de longos estudos, alguns até extensos e aprofundados, pesquisados em arquivos de Natal, Recife, Salvador e na Biblioteca Nacional no RJ. O autor estuda a história e a cultura popular da Região Metropolitana do Natal. Esse detalhe permitirá ao leitor encontrar informações históricas sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, sobre o município homônimo, situado na Região Metropolitana de Natal/RN, além de crônicas, artigos, fotos poemas, etc. O autor ministra palestras e pode ser convidado através do e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com.br. Fone: 99827.8517 - É PERMITIDO COPIAR TEXTOS DESTE BLOG, DESDE QUE A AUTORIA SEJA MENCIONADA.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

LANÇAMENTO DO LIVRO "DOM QUIXOTE DA TABOA"

Muito agradável a noite de lançamento do livro da Profª Drª Maria Teresa. O livro, prefaciado por mim, é inspirado na famosa obra Dom Quixote de La Mancha, de Cervantes. Nele o leitor é levado a refletir sobre as torres de energia eólica de São Miguel do Gostoso. O artista Rodrigo Bico fez uma belíssima interpretação de um poema, que é parte da obra. Na fotografia aparecemos com a professora Teresa, Rodrigo e nossos amigos pernambucanos Graça e sua filha Mariana Lemos






rnambucanos Graça e sua filha
Mariana Lemos

sexta-feira, 22 de abril de 2016

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI SÓ DAS FLORES



                 PARA NÃO DIZER QUE FALEI SÓ DAS FLORES

         Tudo o que acontece na nossa vida e na vida de um país serve de experiência e parâmetro para refletirmos as decisões futuras. Por mais que algumas experiências sejam amargas, são experiências e são importantes de alguma forma. Desse modo, os reflexos dos erros e acertos devem ser analisados com sabedoria e crescimento. O que tem acontecido com a presidente da república Dilma Rousseff é, talvez, o mais intenso desse amargo, e ao mesmo tempo a mais triste e vergonhosa página da história do Brasil depois dos anos de chumbo. Estamos diante de um episódio inédito, onde tentam tirar, à força, uma presidente eleita democraticamente.
         A intensidade desse atentado ao estado de direito se agiganta quando vemos sendo atacada a mulher que, no tempo da ditadura militar, quebrou todos os preconceitos, tabus e medos e peitou os militares, defendendo o bem mais nobre que um país: a democracia. Mas parece irônico. Justo a cidadã que poderia – sem sombra de dúvidas – ser declarada como "a brasileira-símbolo de resistência e luta contra a ditadura militar". Só quem a vivenciou, leu ou assistiu a filmes sobre esse episódio deplorável sabe quão horrorosa foi essa página da nossa história.
         O que Dilma Rousseff fez nessa época nem certos homens tiveram coragem de arriscar. Muitos queriam ter sido protagonistas da história dessa brasileira que nunca se acovardou, mas não arriscaram, pois escolheram o lado dos torturadores, deletando amigos. É muito altruísmo por parte de uma mulher! E saber que essa ousadia ocorreu numa época que todo tipo de preconceito e tabu ainda recaia sobre a imagem feminina. Percebe-se muita personalidade e coragem.
         Quando pessoas desinformadas publicam nas redes sociais a fotografia da presidente Dilma Rousseff carimbada pelo DOE-CODI como subversiva durante o Regime Militar, quando mostram o seu ex-marido sentado numa cadeira de delegacia, depondo, sugere-se uma imagem de terroristas, de pessoas perigosas..., aliás era assim que taxavam: “terroristas”. Quanta ignorância e má intenção há nessa atitude! Quanto analfabetismo político! Essas pessoas, equivocadas, ignoram que Dilma Rousseff e mais uma meia dúzia de cidadãos ousados, não podiam usar flores para lutar contra fuzis e pistolas dos coronéis, tenentes e capitães. Eles não podiam usar mãos vazias e palavras de amor a quem os torturava. Leiam "Brasil Nunca Mais", assinado pelo Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Assistam ao filme "A casa dos espíritos", dentre tantos. Como bem traz a manchete recente do The Guardian "Tirar a presidente Dilma é matar a democracia".
         É tendencioso e diabólico divulgar fotografias e frases desse tipo sem mostrar o contexto da época. Dilma Rousseff defendeu da tortura e da ditadura não apenas a própria pele, mas a pele dos brasileiros daquela época. O coronel do Exército Carlos Brilhante Ustra, homem que o deputado federal Bolsonaro homenageou quando votou "sim" ao impeachment de Dilma Rousseff, foi o maior torturador do Brasil. Soou desrespeitoso a todo brasileiro escutar a insana frase dita por ele "o terror de Dilma Rousseff". Quisera o inconsequente deputado ter estado no seu lugar.
         Percebe-se que essa homenagem de tamanho mau gosto provém nem tanto da admiração que o deputado sente por Carlos Ustra, mas da tentativa de atacar e ferir a presidente Dilma Rousseff, a qual foi vítima desse torturador e assassino. Por ironia do destino é essa mulher que, hoje, é torturada pela ingratidão, traição e boicote dos que ignoram a verdadeira história – ou a relegam com segundas intenções. Para agravar mais, tudo isso é endossado por esses deputados federais que, no mínimo, deveriam estar informados sobre a história do Brasil, se é que galgaram tais postos pela competência, e não por conchavos, compras de votos e outras formas não democráticas, com raras exceções.
         Como não bastasse, o grande acusador atual – senhor Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal, com um histórico que desonra o Brasil, preside, tal qual juiz, a sessão do impeachment. Sem esquecer que ele é o personagem-mor junto ao vice-presidente Michel Temer, nessa manobra truculenta. É muito clara a vontade desses dois senhores de comandarem o Brasil. No íntimo eles querem frear as sanções que estão prestes a sofrer. Até a imprensa internacional conta isso com claros sinais. Logo após a fatídica votação caiu muito bem a manchete do jornal português Sico Notícias "Nunca vi o Brasil descer tão baixo: uma assembleia de bandidos comandada por um bandido". Nunca vi nada parecido na história.
         Se Michel Temer, que vive ensaiando discursos e medidas como se fosse o presidente, quer tanto sê-lo, deveria se candidatar no próximo pleito, de forma oficial. Isso é, no mínimo, civilizado. Mas ele quis o caminho mais fácil. Caminho vergonhoso e sem honra. Que herança está deixando para seus netos! É de autoria desses dois senhores essa página triste da História do Brasil.
         Mas, ainda sobre o episódio da luta de Dilma Rousseff durante a ditadura militar, o que ela fez pelos brasileiros foi um ato de coragem extrema. E é bom que os jovens atuais saibam que naquela época os militares prendiam e torturavam a torto e a direito, sem ter certeza da subversão. E o que era a subversão? Que terrorismo era esse? Qual o crime cometido pela jovem Dilma Rousseff e muitos brasileiros que se rebelavam contra a ditadura?
         Na realidade, o "crime" dependia do grau de psicopatia, de masoquismo, de truculência, de ignorância, de analfabetismo político dos militares. Eles eram algozes de moças e rapazes – a maioria universitária – que sequer sabiam o que era um revolver calibre 38. Bastavam cismar com alguém e taxavam de subversivo/terrorista. O cidadão era levado à força para os lugares mais impensados, onde eram torturados. Mulheres, mães de família, cheias de pudor, passaram por verdadeiros terrorismos psicológicos e físicos. Eram despidas; eles tocavam suas genitálias, introduziam objetos em seus órgãos genitais, masturbavam-se diante delas, davam choque em seus mamilos.
         Por mais inacreditável que pareça, o homem que Bolsonaro homenageou quando votou "sim" ao impeachment, tinha como papel, além de torturar e matar, criar engenhocas para torturar pessoas. É de sua autoria um mecanismo feito com canos de PVC, o qual era introduzido no ânus dos homens e, nas mulheres, na vagina. Depois de introduzido, eles colocavam ratos, formigas e baratas dentro do cano. Só um Joseph Mengele perderia em terrorismo para tais monstros psicopatas. Antes de morrer, em 2015, ele alegou prepotentemente, em juízo: “eu não faço acareação com terroristas”. Disse, também, que o Exército Brasileiro é que deveria estar sentado naquela cadeira, e não ele, e que só fez cumprir as ordens que recebia. Interessante! Os nazistas disseram o mesmo. Será que uma alma humana e cristã foi privilégio apenas de Schindler? O que esses monstros fizeram foi mais que cumprir ordens; foi dar vazão às suas índoles más. Eles desceram ao submundo da raça humana. Lugar que só os monstros conhecem.
         Quando os eleitos "subversivos" eram homens, tinham os seus órgãos genitais tocados por arames eletrocutados ou cigarros acesos. Havia uma espécie de cadeira elétrica. Arrancavam unhas e dentes com alicates. Alguns eram colocados numa sala refrigerada – espécie de câmara frigorífica - junto a imensas caixas de som ligadas no último volume; alguns enlouqueciam. Eram vastos os acessórios de tortura... não dá para descrevê-los. Bastavam cismar com uma pessoa logo exigiam a revelação de seus planos e a delação de outros subversivos, mesmo que fossem inocentes. Muitos jovens subversivos ou não, confessavam, induzidos pelos próprios militares, através a insistência e tortura. Faziam para se livrar da dor física.
         Foi uma época onde o medo percorria os sete cantos do Brasil. Os jornais eram censurados (os militares colocavam receitas de bolo e estórias de Trancoso nos espaços que porventura interpretasse como algo que feria o regime militar). As emissoras de televisão e rádio faziam sua programação ao lado de capitães, tenentes, coronéis e sargentos, os quais ficavam dentro dos estúdios (eles não admitiam que se aventassem os problemas sociais, econômicos, enfim quase tudo era censurado).
         Era crime reivindicar a democracia. Falar de liberdade era um atentado (vejam o filme "Os três filhos de Francisco" - há uma passagem rápida, mas muito interessante sobre esse detalhe). Era proibido aglomeração de jovens em certos ambientes de lazer. Só podiam ouvir as músicas e ler os livros submetidos à análise dos militares. Muito livro, muito disco e panfletos foram incinerados. Muitos jovens estão desaparecidos até hoje (assistam ao filme "Zuzu Angel). Muitos foram lançados ao mar pelos helicópteros militares.
         Se você tivesse vivido nessa época, de que forma enfrentaria os militares? Qual seria a sua arma? Flores? Doces? Palavras bonitas? 
         Tenha certeza que eu, você, Nossa Senhora Aparecida, Madre Teresa de Calcutá, Edir Macedo, o Papa também teríamos ido atrás de todos os tipos de armas para defendermos a democracia. O contexto exigia isso. Se estávamos lutando contra homens armados, tínhamos que buscar armas. Isso é óbvio.
         Dilma Rousseff teve a mesma coragem de Nísia Floresta, quando há 184 – numa época em que torturavam, degolavam e fuzilavam pessoas que queriam um Brasil melhor –  publicou livros clamando por liberdade de expressão, liberdade de culto, abolição da escravidão, respeito às culturas dos povos indígenas, proclamação da independência do Brasil, reforma do ensino, direito de as mulheres votarem e serem votadas, enfim, numa época tão parecida com a ditadura militar, ela escandalizou o Brasil ao dizer que uma mulher poderia, sim, governar o Brasil e ser até uma general.
         Saber que é essa mulher que atacam fere a alma de qualquer um.
         Crucificam uma pessoa pela desonestidade de muitos brasileiros, sejam políticos, empresários, funcionários públicos etc.
         Eu não diria que me conformo, mas que me consolo. E o único fator que me consola é a análise que fiz quando assisti a fatídica votação na Câmara Federal.  Soou como um termômetro. Nesse dia o Brasil constatou o nível educacional e cultural da maioria dos cidadãos que atendem pelo nome de “deputados e deputadas federais”. O jornal irlandês The Irish Times foi fiel ao cenário daquele dia com a seguinte manchete "Brasil envia palhaços para votar no impeachment de Dilma", bem como o El País, da Espanha que disse "Um parlamento com momento de circo decide o futuro decide o futuro de Dilma". Há também o jornal inglês The Economist, que disse "Por Deus, pelo aniversário da minha avó, pela minha família, circo parlamentar".  Aquele circo dos horrores foi uma aula para que os brasileiros se colocassem no lugar da presidente Dilma Rousseff e vissem o tipo de gente que ela tem que lidar.
         Não esperemos desses cidadãos um futuro de ética, justiça e cidadania para o Brasil. A maioria só pensa neles e em suas famílias. Eu não sabia da dimensão do atraso educacional e cultural dos nossos – pasmem! – deputados federais. Tiremos lições disso. Culpam a presidente pelo atual estado do Brasil como se todo esse contexto pusesse ser culpa de uma só pessoa. O Brasil é governado por muitos, inclusive tudo é submetido ao aval desses senhores! Você já imaginou – por exemplo – Tiririca lendo o Estatuto da Cidade, um Plano Diretor, enfim os regimentos, decretos, portarias etc etc etc. E não é só ele!
         Soube que a presidente Dilma Rousseff não é muito dada a papos com senadores, deputados e ministros. Diferente do ex-presidente Lula, que tomava uísque nos finais de tarde e de semana, amadurecendo ideias e projetos com toda espécie de figurões políticos, ela é muito breve e objetiva nos contatos. Ela não insiste nas negociações típicas a um chefe de estado, e isso parece irritar principalmente a parcela do "toma lá dá cá".
         Culpam a presidente por comportamentos que não foram criados por ela. Um deles é a corrupção. Dá nojo conviver com o jogo de interesse que impera nos ambientes da coisa pública. Experimente você, que lê isso, ser candidato, por exemplo, a prefeito. Não queira saber o mar de corrupção que aparecerá a sua frente. Muitas lideranças políticas aparecerão para serem candidatas a vereador. Elas só te apoiarão a troco de emprego para a família quase inteira. Alguns empresários/comerciantes farão doações em dinheiro, mas isso terá um custo: você deverá comprar só com eles, e superfaturado. Alguns de seus secretários das pastas municipais farão compras fantasmas, embolsando o dinheiro público "na boa". As obras públicas do município serão realizadas apenas por empresários que repassarem substanciosas quantias em dinheiro ao bolso do (a) prefeito. Toda transação de compra terá sempre "laranjas". A maré de corrupção é muito grande. É necessário muito estômago para navegá-la. Por isso que muitos cedem.
         E alguns analfabetos políticos têm a ousadia de dizer que a culpa pela corrupção no Brasil é da presidente Dilma Rousseff!
         Se todos os brasileiros lessem a História do Brasil veriam que nunca os maiores empreiteiros do Brasil foram para a cadeia, mesmo sabendo-se da indústria de corrupção que os acercam junto aos governos. Quando foi que se prendeu Chefes de Gabinete Presidencial e pessoas fortes do partido da Presidência da República? Quando foi que a Polícia Federal levou um ex-presidente para depor numa situação de corrupção? Nunca! Não significa que não havia corrupção naquela época. Não havia, sim, autonomia e imparcialidade nas coisas. Infelizmente – e é lastimável – alguns petistas se somaram à corrupção, mas o bom é que estão pagando atrás das grades. E deve ser assim!
         Desde muito antes da construção de Brasília, se desfalcam os cofres públicos. Não significa que se ache isso normal. Mas o governo do PT construiu um comportamento de autonomia aos poderes que regem o Brasil no aspecto das investigações. Não escapa ninguém. Isso nunca existiu antes. Ninguém descobria porque não se investigava. São muitas biografias que comentam a podridão por detrás dos governos anteriores. A verdadeira história de Sarney, por exemplo, faz chorar. Antigamente havia uma blindagem. Nada chegava às instâncias superiores, pois os “amigos” iam se protegendo uns aos outros. É exatamente isso que a dupla Michel & Cunha, somado aos tipos que vimos durante a votação, mais boa parte dos senadores.
         Um dos sinais da veracidade do que eu escrevo ocorreu um dia depois da fatídica votação. O marido de uma deputada federal que disse "sim" ao impeachment, que pulou com a bandeira e gritou dezenas de vezes a palavra "sim", foi preso no dia seguinte acusado de desvio de dinheiro de uma prefeitura mineira. Quantos e quantos homens e mulheres que usaram aquele microfone querem apenas oportunidade para saquear os cofres públicos.
         Pegue o nome de todos os deputados e pesquise no Google. Você encontrará uma parcela assustadora de corruptos e maus elementos de toda espécie. Eles, sim, não são dignos do posto que ocupam. Vejam a contradição. Falam de ética e querem tomar o poder para dar vazão a todo tipo de concordata.
         Um detalhe muito forte, e que chamou a minha atenção desde o início, foi o ufanismo, o espírito cristão muito intenso e a exaltação à família. Seria muito bom se não fosse teatro. Se tais deputados entendiam – mesmo deturpadamente – que votavam contra Dilma Rousseff pelo fim da corrupção, o que a família, as religiões e o ufanismo teriam a ver?
         Nunca vi tantos maridos amorosos, pais abnegados por seus filhos, tantos evangélicos dedicados, tantos católicos beatos, tantos brasileiros éticos e conscientes. No frigir daquelas alegações espetaculosas, dava-se a impressão que Dilma Rousseff havia destruído o "Jardim do Éden", e que aquele magote de Sanchos Panças, travestidos de deputados federais, surgiram como cavaleiros andantes – ou os mosqueteiros – para salvar a honra e a moral do Brasil. Bem disse uma das deputadas "nunca vi tanta hipocrisia junta".
         Nada mais providencial a um jovem universitário escolher como tema de TCC ou monografia a história real dos deputados e deputadas que defenderam o impeachment. O mote da questão seria checar se seus discursos batem com seus atos. Tenha certeza que a pesquisa revelaria muitos corruptos, maridos que respondem perante a lei "Maria da Penha", muitos "cabras de peia" com discursos de homens leais, mas que, na realidade tem uma "esposa" em cada esquina. Poucos dias depois da votação a Folha de São Paulo exibiu matéria sobre cinco amantes dos deputados federais que se desmancharam em declarações de amor às suas esposas. As mensagens diziam: “meu amor, eu mandei mensagem para a minha esposa, mas o meu coração é seu”.
         Quantos deles não reconhecem filhos legítimos, enfim, uma boa parcela não tem moral alguma para dar tanta ênfase a filhos, esposas e religiões. Sem contar que apareceriam alguns que se servem de programas do Governo Federal sem atender aos critérios exigidos. Quantos deles usam igrejas como escudo para esconder ou para engordar suas contas bancárias? Esses senhores e senhoras, na realidade, se serviram desses discursos porque sabem do impacto. Mas por que não apontaram o "crime" cometido por Dilma Rousseff? Ora, porque não existe crime. O que existe é um grupo com vontade galopante de tomar o poder para dar vazão a interesses escusos.
         Aquela fatídica votação revelou mais revanche que ideologia. Era como se dissessem: "chegou a hora da vingança. Não contavam com a minha astúcia!" Eles falavam como se o governo do PT estivesse destruindo as famílias, as religiões e a pátria. Meu Deus! Vão ler os livros de história e sociologia para entender o Brasil, senhores deputados federais. É muito desconhecimento.
         Seria ingenuidade e muita pretensão supor que todos, ou a maioria, votassem contra o impeachment diante do nível dos deputados federais que vimos. Ademais, estamos nessa "democracia" que já expliquei. Não haveria como esperar diferente. Mas a aura, o cenário, as caras e bocas, as falas, as falácias, as atitudes circenses e pitorescas emanadas de homens que deveriam agir com uma postura de respeito - mesmo que seus argumentos fossem contra - revelaram o nível "baixo nível educacional e cultural" de cada um, sem contar a falta de educação política dos mesmos. Havia muito ódio gratuito.
         Estamos diante de uma ditadura diferente, montada por políticos inconformados com o atual governo, dizendo valer-se da democracia para decidir pelo processo favorável ao impeachment. Tudo parece realmente muito democrático e pautado nas leis se não fossem as artimanhas, os conchavos, as propinas que estão por trás disso tudo, dando as cartas.
         É lastimável quando constatamos quão perverso é o bastidor dessa mancomunação traiçoeira. Sabemos que a ação democrática para um processo de impeachment seria, de fato, legal e constitucional se ocorresse por causa justa. Mas dessa maneira diabólica, oportunista e traiçoeira, configura-se nitidamente um ato forçado. Estão fazendo uma nova eleição à força, ignorando que a presidente foi eleita democraticamente.
         O que está ocorrendo, de fato, é um atentado a democracia brasileira. Seus autores se comportam como aves de rapina, triunfando contra o bem mais sagrado que é a democracia. Ferem a honra e a dignidade de todo brasileiro.
         Percebe-se que no caudal dessa tentativa de impeachment há muito ódio, muito analfabetismo político, muito preconceito à mulher, muito oportunismo, muita ganância ao poder e muita vontade de se fazer desse país um latifúndio de coronéis, de oligarquias, de ditadores enrustidos, de homofóbicos, de misógenos, enfim, de um a estilo que desce ao mais baixo grau da raça humana.
         O superdimensionamento dos fatos, ditos de forma exagerada por políticos de oposição e a imprensa marrom, dão a entender que a presidente cometeu "crime". Isso tudo nada mais é que a vontade de se reinstalar no Brasil o regime de corrupção antes escondido às sete chaves, formado por pessoas do perfil de tais deputados. O governo atual causa ódio por ser contra esse tipo de gente.
         O "crime" de Dilma Rousseff foi ter dado visibilidade ao pobre. É muito grande a parcela de "poderosos" que não aceitam conviver de igual para igual com os pobres que, oportunizados pelo governo Dilma Rousseff, conquistaram o ensino superior, matricularam-se em universidades estrangeiras, e. Formados, obtiveram bons empregos.
      É muito grande a parcela de equivocados que interpretam negativamente os programas mantidos pelo Governo Federal e alimentam a imprensa suja. A democracia brasileira é muito precoce. Infelizmente, esse bem nobre de uma nação não tem conseguido caminhar mais que dez anos de forma plena, pois os coronéis, travestidos de políticos, a combatem.
         O vice-presidente Michel Temer sabe que jamais sairia vitorioso numa eleição para presidente do Brasil. Isso é óbvio. E como o seu grau de cobiça sempre foi público e notório, serviu-se da traição para dar vasão ao seu intento. O grau de traição do Michel Temer é tão forte que nem pode ser comparado ao de Judas Escariotes, pois esse personagem bíblico era realmente amigo de Jesus. Michel Temer nunca foi. Ele tornou-se vice por conveniência politica. São esses acordos que o submundo da política permitem. E foi isso que abalou o PT, que nasceu e se fortaleceu exatamente por lutar contra a corrupção e prometer um Brasil melhor para todos.
         Esse detalhe serve de reflexão para reconhecermos que o modo de fazer política no Brasil precisa ser revisto. Nem todos sabem que para se formar uma coligação é necessário juntar muitos partidos (se quiser ganhar). E esse 'juntar' une honestos e desonestos, pois é difícil encontrar apenas pessoas idôneas quando se forma um grupo para concorrer a cargos políticos. É difícil!
         O PT teve erros e acertos. Mais acertos que erros. A organização e a seriedade do partido motivou uma extensa reportagem na Revista Veja há um certo tempo, dentre outros periódicos, livros, testes etc. Todos elogiavam e o colocavam como modelo para todos os partidos do Brasil e do Mundo. O PT surgiu pensado por homens e mulheres, de intelectuais a gente simples, mas inteligente e realmente interessada num país civilizado. Não há como não "Dar a César o que é de César".
         Essa 'coisa' de ter que se misturar a partidos fortes para conseguir se eleger, foi o que levou o PT a cometer erros que feriram lentamente a sua ideologia. Tudo começou quando trouxeram Sarney, que foi trazendo aos poucos a banda podre. A tragédia maior foi quando buscaram – pasmem! – Maluf. Isso chegou a dividir o PT.
         É certo que a democracia pede pluralidade, e é nessa pluralidade soa como rede de pesca, na qual o pescador teve a intenção de pegar tainha, mas veio junto traíra, tubarão, cobra etc. É como um corante jogado na água. Quanto maior a quantidade de água, mais ele se dilui e perde a cor.
         A grande punhalada sofrida pelos petistas sérios foi o fato de alguns petistas terem cometido coisas que passaram anos criticando. Muitos têm histórias lindas e dignas de filmes. Foram verdadeiros heróis, mas, depois, foram roubar tal qual os que tanto criticaram. Assim não dá! Não podemos esconder que houve petistas que se deslumbraram com o poder e se sentiram deuses. Alguns se esqueceram que foram pobres. Alguns agiram com desonestidade tal qual os tradicionais ladrões que saquearam os cofres públicos no passado, mas tudo era encoberto. Mas, sobre os petistas deslumbrados, é aquela história do "dai o poder e conhecerá o homem". Sobre os petistas corruptos, isso só comprova que traição existe de todos os lados e o quanto é difícil saber das reais intenções de alguns seres humanos. O que não se pode é culpar o PT pela corrupção promovida pela maioria dos políticos brasileiros. Penso que Dilma sentiu falta de imprimir a sua face ao seu governo. Ela foi muito sufocada. Parece que, por gratidão a algumas pessoas, deixou invadirem o seu governo. Parece que ela não se sentiu à vontade em alguns momentos. Isso e a soma de outros fatores virou uma bola de neve.
          Alguns se tornaram petistas sem conhecer a sua ideologia. Entraram instigados pela organização, pelo discurso da honestidade, pela força, por terem o apoio de respeitáveis figuras de universidades e da igreja, predominantemente a católica. Essas pessoas usaram o partido como escudo. E isso se ampliou quando o PT chegou à presidência. Mas também não podemos negar que há petistas – sejam cidadãos comuns ou com cargos políticos – comprometidos com um Brasil civilizado. Esses são maioria.
         Não podemos justificar erro com erro, mas essa história das "pedaladas fiscais" não foi uma atitude inédita. Todos os presidentes do Brasil fizeram isso. É errado, sim, mas foi feita na tentativa de acertar. O seu grande erro, e que teve efeito de punhalada aos brasileiros, foi ter convidado o ex-presidente Luís Inácio para ser seu ministro. Foi o momento mais errado da história. Se ela o tivesse convidado num outro contexto, não teria havido essa bomba toda. Mas não teria sido solução. O ex-presidente deveria estar mais afastado e se comportar de forma mais diplomática. Não digo “falsa”, mas evitar colocações que não condizem com seu status de ex-presidente. Ele se perdeu muito.
         Vejo também muito preconceito à imagem da mulher. Muitos trogloditas não admitem estar num país comandado por uma mulher. E piora quando se trata de uma mulher que pegou em armas contra a ditadura militar, e que atrás dessa ditadura estavam muitos monstros que atendiam pelo nome de políticos. Prova disso é a forma debochada e irônica como alguns se referem à presidente. Isso é lastimável, pois denota que muitas autoridades ainda guardam o ranço do Brasil imperial, no qual a mulher era vista como um objeto, um ser inferior e doméstico. Esse episódio acendeu a chama do machismo retrógrado.
         Se a maior parte dos políticos brasileiros tivessem ética e educação política – já que entendem que a presidente Dilma deve sair – que aguardassem o encerramento de seu mandato e fossem em busca de novos nomes para concorrer. Tais políticos deram uma aula de maus exemplos naquele dia circence. Isso acaba servindo de exemplo às nossas crianças. Todos sabem que estão atrasando o país, pois sua economia está parada, mas o fizeram para avacalhar.
      Num determinado momento, um deputado gritou "sim" ao impeachment, dizendo que era contra a um governo que orienta as escolas a não colocar na ficha de matrícula o sexo da criança. Isso me fez refletir sobre uma sucessão de inovações criadas pelo Governo Federal e que foram recebidas com total deturpação. São muitos programas que não dá para citar todos, mas vou comentar os que provocaram polêmica e deixaram o Governo em maus lençóis. O assunto alegado por esse deputado nunca existiu. Criam-se muitas coisas e atribuem ao governo Dilma apenas para enfraquecê-lo e denegri-lo. O que o Governo federal fez, há certo tempo, foi contratar uma equipe para produzir uma espécie de manual para se trabalhar nas escolas, de modo que se respeitassem os alunos gays e as meninas lésbicas. Infelizmente a empresa produziu um material muito explícito e com textos que precisariam ser submetidos ao olhar de um pedagogo, de sexólogos etc, mas a empresa não o fez.  Não foi a presidente quem produziu o material. O correto era rever o material e refazê-lo, afinal meninos e meninas homossexuais sofrem bullyng a cada segundo no Brasil. Muitos são assassinados. Um governo justo deve olhar para esse público, sim, pois são gente. Se existem gays e lésbicas avacalhados e que buscam o lado da perversão, existem os heterossexuais que fazem o mesmo. Não precisamos nos esforçar para encontrarmos casos de pedofilia, de estupro, de todo tipo de orgias, muitas ocorridas, inclusive em Brasília. Mas é abafada. Se fosse gays ou lésbicas seria assunto de toda a mídia nacional. Ocorre que não percebem tais perversões porque os autores são considerados normais. O Governo Federal mudou muito isso. Lançou um olhar de respeito a essas pessoas, as quais, no passado eram presas. A única instituição em todo o mundo que se viam homossexuais e lésbicas eram a Igreja Católica, pois sempre foi grande o número de padres e freiras homossexuais. Hoje se veem homossexuais vereadores, militares, ministros, prefeitos, médicos, advogados, chefes de governo etc. O que a oposição fez sobre a cartilha foi uma forte pressão. Exageraram tanto, que nem sequer o governo refez o material.
         Outro assunto é o Bolsa Família. A oposição vende a ideia de que se dá dinheiro para vagabundo. Isso não procede. O que se faz é ajudar a parcela miserável que precisa ser assistida, sim. Infelizmente muitas prefeituras inscreveram pessoas que não se encaixavam nos critérios estabelecidos pelo governo. Por outro lado, muitas famílias contempladas, mesmo tendo melhorado de vida, não deram baixa no benefício, ou seja, não houve honestidade das prefeituras que fizeram a coisa errada, bem como dos beneficiados que agiram de má fé. E a culpa é do Governo?
         Esse mesmo raciocínio se aplica ao programa das casas. As prefeituras beneficiaram parentes, amigos, lideranças comunitárias, enfim, aqueles que lhes dariam a contrapartida de votos. Desse modo receberam casas quem possuía casa de praia, comércio, sítio, carros, era taxista etc etc etc. A maior parte das casas foi dada a troco de votos e a quem não precisava. Prova disso é que a maioria já foi vendida ou alugada. De quem é a desonestidade?
         Outro caso foi muitos alegarem que o governo Dilma tirou das escolas as comemorações ao dia das mães e dia dos pais, para não constranger os casais homossexuais. Isso nunca existiu. O que se fez foi incentivar – também – as comemorações ao dia da família, já que existem, de fato, pais e mães homossexuais, e que estes devem ser inseridos na sociedade, pois são gente, pagam impostos, são pessoas de bem iguais a qualquer outra. Jamais o governo Dilma cogitou retirar tais comemorações, pois sempre existirão pais e mães. Criaram essa história para confundir e revoltar. Fica a pergunta: quem não tem um irmão, uma irmã, um primo, um tio, uma tia homossexual. Quem não conhece uma pessoa homossexual? Eles são bandidos? Claro que não. Por esse motivo merecem respeito. Há muito pit-bull por aí, espancando e matando homossexuais. Se um governo não educar a sociedade sobre isso, quem o fará? O interesse em destruir o Governo é tanto que se deturpam tudo.
A vacina HPV, para meninas, é outro assunto que deturpam com profunda ignorância. O medicamento é para evitar câncer de colo de útero, as quais estão sujeitas nos próximos anos como qualquer mulher. Mas a oposição diz que o Governo Federal está incentivando o sexo entre crianças. Não é nada disso. O fato de meninas e meninos estarem transando logo cedo é de responsabilidade dos pais que não os educam e não os preparam para a vida. Quando um lar não tem pai nem mãe, ou, quando tem estão mais interessados no whats'up ou Facebook, não se deve culpar o Governo por isso.
         O governo do PT foi o único na História do Brasil que teve um olhar amplo às minorias. São muitas as políticas públicas voltadas para os índios, os ciganos, os negros, enfim para setores que sempre foram colocados à margem. Infelizmente, faz parte do processo as más interpretações e os apedrejamentos até que as coisas se firmem e melhorem. O que vemos, infelizmente, é uma parcela de brasileiros e brasileiras, políticos ou não, se valer de muito preconceito, muito tabu, exagerando as coisas e atrapalhando os avanços de um governo à frente de seu tempo.
         Creio que Dilma Rousseff pecou quando negou alguns gráficos da situação da economia no Brasil. Mas, se os políticos brasileiros fossem realmente civilizados, honestos e éticos, teriam dito: "mãos à obra, vamos, juntos, consertar isso". O que fizeram foi apedrejar e ajudar a alargar a crise, pois querem estar no poder para apadrinhar os seus iguais. Muita coisa foi feita para desestabilizar o governo. Não acredito que homens assim querem um Brasil melhor. Digam o que quiserem, mas querer apontar Dilma como mais uma no quesito "ladrões" é perda de tempo. Se ela fosse um Michel Temer da vida, ou um Eduardo Cunha, com certeza estaria bombando. Para alguns, desonestidade é lucro. É valor. Sinto muito pelo analfabetismo político do Brasil. Sinto muito. Creio que a Presidente Dilma Rousseff está com os seus dias contados, mas não choremos por isso. Tiremos lições. São muitas lições deixadas. O PT nasceu com uma ideologia que, hoje, podemos compará-lo ao PSTU, ao PSOL, por exemplo. A ideologia não morreu nem morrerá nunca, pois existirá sempre gente de bem no mundo. Mas qualquer partido de esquerda que fizer como fez o PT, ao se aliar a ladrões de direita, ficará igual. Faz-se necessária uma reforma política onde o povo de bem a pense e a delibere. Isso não acontecerá tão breve. Um país só vai para a frente se todos partidos tiverem gente honesta no comando. Para mim, mesmo Dilma saindo eu não vejo solução, pois a solução não é o golpe. A solução está num Brasil de gente educada, civilizada, politizada e honesta. E isso parece muito longe. Sigo cheio de esperança de um Brasil melhor! Mas não nos crápulas que o estarão conduzindo brevemente. O Brasil não imagina o tamanho do erro e do crime que está cometendo. Veremos!

domingo, 17 de abril de 2016

TÚMULO DE NÍSIA FLORESTA

SÓ PARA NÃO CONFUNDIRMOS...

Esse é o túmulo onde o corpo de Nísia Floresta foi sepultado, em Rouen, França, aos 24 de abril de 1885.


Esse é o túmulo de Nísia Floresta, onde os seus restos mortais foram sepultados ao serem trasladados para o Brasil em agosto de 1954.



FOTOS DE NÍSIA FLORESTA

Caros leitores, diversas pessoas me pedem para entrar em contato com sites que mostram, de maneira equivocada, os retratos da intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta. Normalmente as imagens encontradas são de uma outra pessoa. Isso compromete uma monografia, um TCC ou um trabalho escolar ou de divulgação, pois não se deve copiar o primeiro retrato que aparece. Uma pessoa séria costuma pesquisar muito para checar se a imagem e se o texto são realmente pertinentes. Na realidade, escolhi o título "Fotos de Nísia Floresta" porque é a palavra-chave que as pessoas digitam no google quando precisam de uma imagem de Nísia Floresta, mas é bom lembrar que Nísia Floresta nunca foi fotografada, e, sim, retratada. Em sua época não existiam fotógrafos, mas retratistas, portanto não podemos buscar por fotografias de Nísia Floresta, mas por retratos de Nísia Floresta. Ou pinturas e desenhos (nesse caso, mais atuais - coisa recente). Com relação aos sites que postam imagens erradas de Nísia Floresta, é inviável entrar em contato com todos, pois são incontáveis. Quase todos mostram o retrato de outra pessoa. Diante disso, postarei, abaixo, os retratos, as pinturas, os desenhos e até uma esfinge realmente de Nísia Floresta, assim você nunca errará. Mas tem um detalhe: quero ver se você é capaz de encontrar a fotografia errada que se passa por Nísia Floresta. É apenas uma. Eu escrevi fotografia por que a imagem que você descobrirá, ela sim é uma fotografia, pois foi feita muitos anos depois.Dica: ela está na última postagem, numa espécie de livro aberto, o qual, como expliquei acima, mostra, dentre as imagens de Nísia Floresta, uma pessoa alheia. É um dos equívocos que expliquei. Todas as demais são a nossa Nísia Floresta Brasileira Augusta.  Boa sorte em sua pesquisa.




















O autor deste blog, ao lado do busto de Nísia Floresta, mandado fazer pelo mesmo em 1997 - O retrato, acima, é da referida escritora









segunda-feira, 4 de abril de 2016

"PIRÃO BEM MOLE" DE PARNAMIRIM

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O QUE É BOM DEVE SER PRESERVADO...
Seja através de releitura, adaptação etc, a nossa cultura popular deve ser "reincorporada" aos mais jovens com naturalidade, assinalando que sentimos orgulho do que temos. É a nossa identidade. Esse foi apenas um ensaio, no qual me diverti muito com as crianças. Pelas cenas é possível perceber que a apresentação oficial, que se deu no auditório da escola, roubou a cena. Todos se encantaram com esses atores inatos. E viva o nosso Folclore!

DIA EM QUE ENTREGUEI O RETRATO DE NÍSIA FLORESTA A ESCOLA ESTADUAL 'NÍSIA FLORESTA',

DIA EM QUE ENTREGUEI O RETRATO DE NÍSIA FLORESTA À ESCOLA ESTADUAL 'NÍSIA FLORESTA', RECEBIDA PELA DIRETORA 'CHINA' E PELOS FUNCIONÁRIOS EDVAN E JAIR...

Eu havia levado a fotografia a Brasília, sob consignação, ocasião em que prestei consultoria ao Projeto Memória. Quando a devolvi, mandei emoldurá-la e presenteei a instituição - 2008. Sobre esse episódio, há uma passagem muito curiosa, ocorrida no DF, a qual contarei em outro momento. Esta postagem é apenas para ficar registrado esse acontecimento.



"China" sempre foi uma pessoa muito agradável, e acolheu bem a proposta.




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domingo, 3 de abril de 2016

O BAOBÁ DA TERRA DAS ÁGUAS – UM EPISÓDIO

O BAOBÁ DA TERRA DAS ÁGUAS – UM EPISÓDIO
Certa vez uma equipe do poder público, ignorando que esse portentoso exemplar é tombado, revestiu-o com uma saia de lâmpadas natalinas, tipo pisca-pisca. Ficou muito bonito, se não fosse uma agressão. A espécie, rara, é tombada, portanto é intocável, exceto para retirar possíveis galhos secos, pulverização e coisas afins, sob supervisão de especialista.
 
Uma vez escrevi um texto em tom crítico sobre a colocação dessas lâmpadas, pois, além de atingirem alta temperatura, seus restos ficam ali dependurados durante vários anos. Independente de o que quer que seja é tombada e pronto! Logo em seguida um cidadão muito chegado a paparicos às “altruístas” autoridades de então, não gostou e disse que eu tinha mania de perfeccionismo e queria tudo certinho. Ri muito, ao invés de chorar. A ignorância é algo deplorável, é um verdadeiro câncer. Uns acham que podem fazer uma coisa, metem as mãos e fazem, ignorando leis. Quando alguém diz que aquilo não é correto, ficam com raiva ao invés de admitir humildemente o equívoco e não errar mais.

As postagens desses recortes de jornal se somam aos argumentos que defendo do maior especialista no assunto. Tive a oportunidade de levar o Dr. Diógenes até Nísia Floresta algumas vezes. Numa delas ele deu uma aula sobre o famoso baobá, embora a temática do evento não fosse sobre tal árvore. Fica essa reflexão, ofertada principalmente a nova geração, a qual precisa ser levada a entender e respeitar os seus patrimônios. Só assim os seus tataranetos terão a oportunidade de contemplar esse cartão postal de rara beleza. 
Nesse mesmo blog há uma postagem sobre o baobá, a qual aborda aquela fantasiosa relação dessa árvore com uma das obras de Exupéry.
Mas, sobre os cuidados com essa bela árvore, será que o Dr, Diógenes da Cunha Lima também tem mania de perfeição e gosta das coisas muitos certinhas?!

Não! O nome disso é amor e respeito aos patrimônios. Não podemos ser tão egoístas a ponto de negarmos aos jovens do futuro a oportunidade de apreciar esse raro exemplar.
Pensemos!