ANTES DE LER É BOM SABER...

Este blog não é jornalístico, embora contenha alguns conteúdos que passeiam levemente por essas águas. Os textos são de autoria de Luis Carlos Freire, o qual descende do mesmo tronco genealógico da escritora Nísia Floresta. Esse parentesco corre pela parte da mãe do autor, Maria José Gomes Peixoto Freire, cujas informações estão no livro "Os Trocos de Goianinha", de autoria de Ormuz Barbalho Simonetti. O referido livro desenrola o novelo genealógico das famílias originárias de Goianinha, município próximo, de onde originou-se a família de Nísia Floresta, e pode ser pesquisado no Museu Nísia Floresta, no centro da cidade. Luís Carlos Freire é especialista na obra de Nísia Floresta, membro da Comissão Norte-Riograndense de Folclore, sócio da Sociedade Científica de Estudos da Arte e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Possui inúmeros trabalhos científicos sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, publicados nos anais da SBPC, Semana de Humanidade, Congressos etc. É autor de 'História do Município de Nísia Floresta', 'Cultura Popular em Nísia Floresta', 'A linguagem Popular em Nísia Floresta', dentre inúmeros trabalhos na área de história, lendas, costumes, tradições etc. Uma pequena parte dessas publicações ainda não está completa e aguardam novos estudos, cujo autor entendeu ser útil disponibilizá-la. Algumas são inéditas. O acesso permite que os interessados tenham ao menos boa noção daquilo que buscam na internet, até porque existem situações em que certos assuntos não são encontrados nem na internet nem em outro lugar. Algumas pesquisas são fruto de longos estudos, alguns até extensos e aprofundados, pesquisados em arquivos de Natal, Recife, Salvador e na Biblioteca Nacional no RJ. O autor estuda a história e a cultura popular da Região Metropolitana do Natal. Esse detalhe permitirá ao leitor encontrar informações históricas sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, sobre o município homônimo, situado na Região Metropolitana de Natal/RN, além de crônicas, artigos, fotos poemas, etc. O autor ministra palestras e pode ser convidado através do e-mail: brasilcentauro@yahoo.com.br e pelo fone (84) 8162.9323. É PERMITIDO COPIAR TEXTOS DESTE BLOG, DESDE QUE A AUTORIA SEJA MENCIONADA.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

DOCUMENTÁRIO SOBRE NÍSIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA


Aproveitando a passagem dos 163 anos de emancipação política do município de Nísia Floresta, vamos conhecer um pouco da história da personagem que empresta o seu nome ao município?

Em 2008 o Ministério da Cultura distribuiu para todas as bibliotecas brasileiras o documentário abaixo. Clique aqui >  NÍSIA FLORESTA UMA MULHER A FRENTE DO TEMPO
Nele você conhecerá a história de um dos personagens mais importantes do nosso país. À ocasião participei na condição de especialista na obra dessa insigne intelectual, juntamente com Constância Lima Duarte.
Esse projeto também distribuiu um Kit para as bibliotecas brasileiras, incluindo um  livro foto-biográfico, um almanaque, um conjunto de banners e um material didático.






Aproveite para conhecer essa história!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

ANA CASCUDO - HOMENAGEM PÓSTUMA

NÃO MORREM ÀQUELES QUE VIVEM EM NOSSOS CORAÇÕES

Ontem, 15.1.15, eu estava jantando quando a InterTV Cabugi anunciou a morte de Ana Maria Cascudo Barreto (filha de Câmara Cascudo), ocorrida à tarde. A surpresa foi tanta que não consegui conter a emoção. Alysgardênia tentou me consolar, dizendo que nesses últimos dias ela estava sofrendo muito, e agora estava com Deus. Minhas lágrimas lastimavam a perda, o grau de prejuízo que consiste o desaparecimento de uma intelectual do quilate de Ana Cascudo. Era um sol que radiava belezas, cultura, conhecimento, intelectualidade, calor humano, alegria, humildade e delicadeza. Creio que se desprendeu das raias geográficas do Rio Grande do Norte uma energia jamais vista. Até ontem, ela era a filha viva mais ilustre. Única.
Ana Cascudo foi um dos seres mais especiais que conheci. Tinha brilho próprio. Não viveu à sombra do pai. Mas como não poderia ser diferente, encantava a todos falando do seu convívio com o grande gênio. Conseguia trazer Câmara Cascudo para perto de todos quando o reverenciava com admiração e encantamento.




Sei que foi apenas coincidência, mas na última comemoração do dia do folclore que estivemos juntos, fiz uma fotografia que mexeu muito comigo ao vê-la estampada no computador. A fotografia fala por si. Redigi um pequeno texto sobre essa imagem – também muito carregado de coincidências – coloquei moldura e ofertei a ela – em nome da Comissão Norte-Riograndense de Folclore - em homenagem ao seu aniversário, ocorrido no dia 13 de outubro. Ela se emocionou. Essa fotografia eu a  entreguei junto com Fídias e Gardênia, no dia do lançamento do livro de Gutemberg Costa, quando nos fotografamos juntos.




Sei que foi apenas coincidência, mas na última comemoração do dia do folclore que estivemos juntos, fiz uma fotografia que mexeu muito comigo ao vê-la estampada no computador. A fotografia fala por si. Redigi um pequeno texto sobre essa imagem – também muito carregado de coincidências – coloquei moldura e ofertei a ela – em nome da Comissão Norte-Riograndense de Folclore - em homenagem ao seu aniversário, ocorrido no dia 13 de outubro. Ela se emocionou. Essa fotografia eu a  entreguei junto com Fídias e Gardênia, no dia do lançamento do livro de Gutemberg Costa, quando nos fotografamos juntos.






A impressão que tenho sobre ela não me é passada pelo seu currículo ou pelas condecorações, mas por sua essência humana. Era inteligente, acolhedora, extrovertida, falante, risonha... roubava as cenas, fazendo abordagens e observações com propriedade e graça inatas. Os assuntos mais corriqueiros, tratados ao redor de uma mesa de café com bolo, biscoitos, guisados (como era comum no café da manhã das nossas reuniões da CNRF) tinham uma aura docente. Mas de forma simpática e agradável. Era um dom. O que ela falava soava como aula deliciosa.




Ana Cascudo percorria o Brasil, ora em consequência de seu próprio legado, ora representando o legado do pai, Luís da Câmara Cascudo, inclusive no exterior, quase sempre recebendo condecorações e méritos, além de proferir palestras e conferências.
Há dois meses, numa das nossas reuniões da CNRF, construíamos o gérmen de um projeto que acontecerá no meado de 2015. Eu digitava e todos os demais membros davam palpites sobre os parágrafos. Ela fazia observações muito doutas, na tentativa de dar cada vez mais substancialidade ao texto. Todos paravam e olhavam por alguns segundos, admirando... como se em nossa frente estivesse a própria sabedoria personificada.




Conheci Ana Cascudo em 1992. Depois, quando tomei posse na Comissão Norte-Riograndense de Folclore, nossa amizade se fortaleceu. Em Papari realizei uma infinidade de eventos alusivos à Nísia Floresta (para quem não sabe, ela também era parente dessa intelectual). Em algumas ocasiões convidei-a, a qual se fazia presente com a filha Daliana. Lembro-me de um evento, no qual lhe foi entregue um Diploma de Honra ao Mérito (in memorian) a Luís da Câmara Cascudo, proposto por mim. Sugeri e foi acatado também, um projeto que condecorou-a com o título de cidadã nisiaflorestense, o qual ela recebeu pouco tempo depois.





Confesso que senti fortemente essa perda, pois Ana Cascudo era um patrimônio de valor incalculável. A orfandade do RN é grande. Ninguém quer que desapareça quem tem como lema edificar, construir, inovar.... Principalmente tão rápido. Como não poderia ser diferente, ela amava inconsequentemente o folclore. Uma de suas características era tratar como reis e rainhas os brincantes de alguma manifestação folclórica. Isso era formidável e inspirador, pois sabe-se que muitos os discriminam pela rusticidade e - por incrível que pareça - pela brasilidade.



Era católica fervorosa e nutria forte respeito por todas as crenças. Falava da Mãe de Deus com emoção e brilho nos olhos. Dizia que o Inferno deveria ser muito triste e amedrontador, e que Deus, em sua infinita bondade, jamais permitiria que um de seus filhos o experimentassem. Quantos homens e mulheres, protagonistas de alguma manifestação folclórica, exibiram seus dotes em outros estados do país, patrocinados por ela, silenciosamente.
Sua última conferência, que tive o prazer de assistir, foi sobre os ‘Orixás e seus encantamentos’. Ela trouxe informações inéditas, fruto de velhas anotações obtidas in loco com a Mãe Menininha do Gantois. Um presente!



Sua morte trouxe-me à luz uma entrevista que o ‘Fantástico’ fez com Chico Anísio. Perguntado se ele tinha medo de morrer, respondeu “eu não tenho medo de morrer, tenho pena”. É como se essa ‘pena’ se devesse ao fato de se sepultar os personagens que ele criou ao longo da vida artística. É como se sepultassem uma multidão. Consequentemente um baú de sabedoria seria enterrado. Isso se parece muito com Ana Cascudo, a qual teve um legado próprio. Em todos os nossos encontros ela trazia um novo assunto, seja do passado, do presente, algo espiritual, folclórico, sociológico, antropológico, jurídico etc. Ela levou para o Céu coisas que jamais saberemos. Tenho certeza absoluta que as palavras de Chico Anísio também seriam ditas por ela, acaso lhe perguntassem.



A morte às vezes me é complexa. Esquisito admitir que um ser tão especial, farto em sabedoria, se transformará em cinzas... Por mais que ela tenha deixado um legado intelectual admirável, a sabedoria que o nutriu foi junto. Ninguém a herdou. Isso me entristece muito. Mas esses devaneios são coisas de momento. Sou obrigado a reconhecer o quanto somos pequenos diante de Deus, e que ela apenas transpôs uma etapa da vida. Ana agora está sendo embalada pelas canções de ninar de duas mães, ora por Dhália, ora pela Virgem Maria, junto do Pai Celestial, com direito às presenças do velho Cascudo e do marido Camilo. Precisa felicidade maior para quem cumpriu impecavelmente os seus deveres por aqui?





Ana Cascudo era visionária e pensava grande. Ela quis deixar para o Brasil um patrimônio ainda não descoberto por todos: O Museu Casa de Câmara Cascudo, intacto, com o mobiliário, objetos, documentos, condecorações, fotografias etc. Comprou da família a parte que lhe cabia em herança, adquiriu um terreno paralelo à essa casa e ali surgiu o Instituto Ludovicus. Tudo com dinheiro adquirido honestamente, aliás a honestidade lhe foi outra herança louvável do pai. A nobreza desse gesto, justamente por se pensar no contexto educacional, cultural e histórico e de memória, é digna de aplausos. O Brasil conhece raros exemplos desse tipo. Nem o Governo faz isso! A responsabilidade dos herdeiros de Ana Cascudo é infinita.






Fico pensando como será a nossa primeira reunião no Instituto Ludovicus, onde todos os membros da Comissão Norte-Riograndense de Folclore se encontram. Será difícil subir aquelas escadarias cheias de história, impregnadas pela sua presença. Mais difícil será a experiência de entrar no auditório e não ver mais o brilho excelso daquela mulher que antes de entrar já era pressentida. Teremos que nos reinventar para tocar o barco.





Como disse Françoise de Saint-Exupéry "Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo." Ainda bem!
Ana, em suas diversificadas lutas, também me lembra Horácio, quando eles disse que “Não pode um homem ter melhor morte que: Lutando contra o desconhecido pelas cinzas de seus pais e pelos templos de seus deuses!
Meus sentimentos aos seus familiares, aos amigos e aos membros da Comissão Norte-rio-grandense de Folclore.



Descanse em paz, Ana, obrigado pela experiência singular da tua amizade!
LUIS CARLOS FREIRE
Membro da Comissão Norte-Riograndense de Folclore - 16 de janeiro de 2015.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

MENSAGEM DE POSITIVISMO: SOU AQUILO QUE PENSO




PENSO QUE...
Seja tempo perdido preocupar-se com coisas que podem ser fruto de fraquezas - ou do ato de darmos espaço às coisas diabólicas sem que nos demos conta.
É muito frequente - principalmente em redes sociais - pessoas se preocupando sempre com alguém tentando destrui-lo (la), que tem alguém sentindo inveja, que alguém está querendo algo alheio, que tem alguém querendo boicotar algo etc etc etc.
Obviamente que no Mundo existe a maldade,  mas podemos fechar o cerco dela com nossa bondade e com nossas atitudes altruístas.
Creio que o tempo gasto com esse sentimento - que é fruto de fraqueza e complexo de inferioridade - poderia ser usado para se externar mensagens boas e positivas.
Quem tem bom caráter e sente a presença de Deus dentro do coração é blindado de coisas que podem ser meramente projeções.
Os sentimentos que pensamos que outrem sentem por nós podem ser o contrário. Muitas vezes pode ser nós que estamos sentindo algo que condenamos nos outros.
Por que necessariamente todos tem que sentir inveja de mim?
Por que necessariamente todos estão cobiçando minha beleza?
Por que necessariamente todos estão de olho na minha namorada?
Por que necessariamente todos estão querendo tomar o meu emprego?
Por que necessariamente todos estão querendo me fazer o mal?
Por que necessariamente as outras pessoas estão com despeito porque comprei um aparelho celular de última geração?
Ora, que bobagem!
O que existe de construtivo nessa paranoia de viver pensando que as pessoas necessariamente vivem em função de fazer maldade para mim ou para outrem?
Qual a regra que uso para tais julgamentos?
Essa regra não seria a nossa própria maldade? Ou estou me sentindo com complexo de inferioridade?
Se julgo que todos estão com inveja de mim ou algo parecido, não estaria, eu, projetando a inveja que sentiria acaso estivesse em papéis trocados?
Por que devo achar que os olhos alheios estão sempre atentos para desdenhar, cobiçar, malversar etc et etc?
Por que devo achar que a boca alheia está sempre falando mal de mim ou dos outros, jogando praga, caluniando et etc etc?
Se sou uma pessoa justa, ética, correta, altruísta, dinâmica etc, não perco tempo com asneiras.
A partir do momento que anulamos essas possibilidade do nosso dia-a-dia as coisas se tornam melhores.
Quando damos valor a sentimentos pequenos acabamos nos tornando pessoas pequenas com sentimento de inferioridade.
Quando deduzimos que os outros pensam isso ou aquilo de nós, acabamos nos tornando seres humanos fracos e cristãos vazios.
Quando passamos o tempo todo supondo que os outros conspiram contra nós, acabamos criando uma aura má em nós mesmos. E acabamos nos tornando pessoas realmente más.
Nunca pense em ser maior ou melhor que ninguém, mas não deixe que pensamentos menores sejam superiores ao verdadeiro sentido da vida.
Se sou uma pessoa do bem, ignoro o mal e me blindo dele pela minha alegria e pela paz de espírito que sinto por fazer o bem e desejar sempre o bem.
Quando passamos a agir assim acabamos minando as forças ruins e negativas que nem sempre existem na dimensão como supomos.
Deixemos de paranoias e sejamos realmente pessoas boas.
O que vale é o bem, mesmo que porventura seja mal compreendido. Luís Carlos Freire

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

NÃO PENSEM QUE O PAPA FRANCISCO É AQUILO QUE A SUA APARÊNCIA DENOTA

NÃO PENSEM QUE O PAPA FRANCISCO É AQUILO QUE A SUA APARÊNCIA DENOTA


 Boa parte dos seres humanos têm o hábito de pensar que uma pessoa meiga, educada, culta, propensa aos gestos de caridade, que têm hábitos simples, enfim com o perfil admirável do Papa Francisco são "bobinhas e ingênuas". Não se engane.
O Papa Francisco surpreendeu o Mundo, antes de ontem, durante confraternização Natalina com a cúpula da Igreja Católica. Penso que mais que isso: ele assustou os que pensavam ter levado ao poder mais um "bobinho e ingênuo".
Francisco disse que o Vaticano sofre de 15 doenças, dentre elas a “síndrome do acúmulo de bens”, referindo-se aos religiosos de alta patente – no Vaticano e fora dele - que são milionários (obviamente ele foi delicado nesse aspecto – (por enquanto) - e não quis ser mais claro e dizer que se trata de dinheiro obtido na própria igreja católica.
São aqueles casos conhecidos dos religiosos que usam a igreja para dela tirar proveito.
O Sumo Sacerdote disse da “doença do lucro mundano”, (obviamente se referindo aos vendilhões do templo’ – pois o comércio de quinquilharias – e a forma como se da, assusta).
Ele discorreu sobre a “rivalidade” e a “glória vã” que acomete a muitos “sacerdotes” (essa rivalidade nos reporta às palavras de João Paulo II, quando este disse que “A Igreja é santa e pecadora” – além da transparente vaidade que acomete muitos religiosos e pseudo-religiosos)
O Chefe Supremo da Igreja detonou o “terrorismo das fofocas”, que destrói reputações; a ‘doença dos covardes’, que falam por trás; e a “daqueles que tratam os chefes como seres divinos para subir na carreira”. (Aqui claramente ele evidenciou o oceano “demoníaco” que existe dentro do próprio Vaticano – provocado justamente pelos falsos-religiosos, cujas ondas de ódio, da cobiça, da inveja, da vaidade se batem umas nas outras, causando maremotos no Vaticano. Falou daqueles que buscam na “bajulação – o famoso puxa-saco e babão – a forma de obter títulos hierárquicos.
O “pobre” do Papa Bento XVI preferiu renunciar diante desse turbilhão. Não suportou o tamanho da máfia. Ratzinger era um grão de areia nesse horrível Oceano).
Francisco citou o “mal do poder e do narcisismo”, e para os que sofrem da “síndrome da imortalidade”, o Sumo Sacerdote pediu que eles fossem ao cemitério para visitar outros que se consideravam eternos.
Por fim, Francisco pediu um exame de consciência à Cúria Romana, que ainda resiste fortemente às suas propostas de mudança. (Ele se refere a um comportamento que existe no seu próprio meio e que se estende a muitas igrejas, inclusive no Brasil, nas quais muitos “sacerdotes” estão mais preocupados com o farfalhar das saias, impostações de voz e as manias robotizadas de “pregar” – numa espécie de encenação - muitas vezes ridícula – (pois é muito claro) – do que o levar o evangelho espontaneamente e ir em busca de ovelhas desgarradas.
Tem muito religioso por aí preocupado em não queimar a pele no sol, não tomar poeira, não sair do ar condicionado, não deixar de tomar a mousse de kiwi;estão mais preocupados com a marca do carro, com os restaurantes caros, com o perfume francês, com os ternos e roupas “Armani” do que com as suas ovelhas).
A própria intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, em uma de suas obras,  detonou esse fausto, o qual ela testemunhou.
Ratzinger é jesuíta. Esses normalmente são insuperáveis em termos intelectuais (verdadeiros gênios e pensadores da Igreja católica). Francisco é Jesuíta de alma franciscana... simplesmente perfeito! Vai dar muito trabalho. Que bom!
Os pseudo-religiosos deveriam visitar a casa onde Jesus morou!
Rezo diariamente pelo Papa Francisco e peço que ele seja blindado da máfia existente dentro do Vaticano. Ali acontecem coisas que só Deus não duvida. Acreditem: ele pode ser até mesmo envenenado, pois muitos estão ali vivendo um eterno teatro.
Mais uma vez volto a dizer: ainda bem que isso não é maioria. Continuo acreditando em muitos homens e mulheres que conduzem a nossa igreja com amor e doação no Mundo inteiro– sem precisar ser bonzinho e andar maltrapilho – não é essa a proposta – mas que são padres e freiras em sua essência. Para eles eu tiro o meu chapéu!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O HISTÓRICO “VOTO DE CARBONO” EM NÍSIA FLORESTA



O HISTÓRICO “VOTO DE CARBONO” EM NÍSIA FLORESTA

Tudo na vida evolui a partir de erros e acertos comandados pelo tempo. As transformações positivas são lentas porque são lapidadas pelo crivo de múltiplos fatores. Herdamos o autoritarismo e o mandonismo dos antigos reis de Portugal. Depois veio o coronelismo. Veio a ditadura militar e só muito tempo depois surgiu a democracia.   
Passamos séculos só recebendo ordens, sem o direito de questionamentos. Foi tanto tempo subjugado que até hoje muita gente têm medo dos “novos coronéis”. As pessoas perdem a sua dignidade sem perceber. Há um medo no ar. Algumas pessoas votam em crápulas, mesmo sabendo, mas temerosas de uma retaliação, de algo que possa lhe fazer mal. Triste!
No Rio Grande do Norte o coronelismo deu lugar à politicagem que está dando – embora vagarosamente – lugar à política. É uma coisa meio acanhada e troncha, mas há mudanças positivas. Isso é bom, até porque, do contrário, seria um caos.
 Quando cheguei em Nísia Floresta, conheci um procedimento incrível chamado “Voto de Carbono”. Era assim: no “escondidinho” de uma casa o eleitor recebia um “sanduíche” que consistia em duas cédulas de papel (espécie de cópia que obedecia o modelo oficial). No meio delas ficava um carbono.
Quando a pessoa escrevesse algo na cédula superior, preenchia-se automaticamente a cédula debaixo. Por incrível que pareça, isso não era feito de forma muito “segredosa”. Pelo menos na dita casa não notei cuidado extremo, tendo em vista tratar-se de um crime. Mas explicar isso fica para depois!
Quando o pobre eleitor chegava no local de votação, recebia a cédula oficial e, na cabine de votação (bem escondidinho!), refazia o “sauduíche oficial” (do mesmo modo explicado acima). Sem esquecer que deveria colocar na urna a cédula oficial. Em seguida corria até a casa de origem e entregava o “sanduíche”.
Normalmente isso acontecia na residência de algum candidato, parente ou aderente.
Ao entregar o restante do “sanduíche”, estava “provado” – ou aparentemente provado – que o eleitor realmente havia voltado no “cabra” que lhe pediram. Aí, só depois disso, ele recebia dinheiro em espécie. Era o “pagamento” pelo voto.
Isso era o voto de carbono!
Curioso é que houve vários casos de votos anulados. O eleitor se atrapalhava na hora de separar a cédula oficial da cédula não oficial. E assim as urnas recebiam vários votos não oficiais. Após votar, o eleitor entregava a cédula oficial na casa do “coronel” local – dono do curral. Normalmente ninguém percebia, pois o furdunço era grande.
Há quem me narrou ter conseguido driblar o voto de carbono da seguinte forma: conseguia uma porção de cópias de cédulas (que ficavam espalhadas pelas ruas – aos montes), adquiria pedaços de carbono e passava o dia visitando as casas de diferentes “coronéis”, fingindo ter cumprido a ordem, “devolvendo” a cédula com os nomes de interesse dos dito cujos. “Na porta de um esperto, um esperto e meio”.
Por mais que hoje se vejam situações enojantes, naquela época os atrasos eram maiores. Os “coronéis” reinavam de forma escancarada. Prova maior é essa experiência que vi “ao vivo e em cores”, em pleno ano de 1992.
A responsabilidade por tais mudanças está na abertura política ocorrida no Brasil nos últimos tempos, e o fato de os órgãos receberem dinheiro direto na conta. Atrelado a isso existe o Portal da Transparência em âmbito federal, estadual e municipal, o qual permite que qualquer pessoa veja a liberação dos recursos e acompanhem tudo.
O Ministério Público tem grande contribuição nessa mudança, pois fiscaliza quando é provocado pelo povo e dá os rumos convenientes. Desse modo, muitos ladrões são cassados, processados e, em últimos casos, presos.
Ultimamente é grande o número de pessoas que passaram a estudar e ler mais, “abrindo suas mentes”. Essas, têm papel importantíssimo, pois ajudam a formar opinião e dificultam aos novos coronéis tanger os gigantescos “rebanhos” d’outrora para dentro de seus currais.  
O tempo passou, surgiu a urna eletrônica e a legislação eleitoral deliberou punições mais rígidas para a bandidagem que adentra o terreno político. Dificultou mais. Há registros, em Alagoas de uma forma diferente do “voto de carbono” praticado na urna eletrônica. A ideia é colocar um papel especial em branco frente à urna após votar. Uma lâmpada fluorescente irá revelar se o eleitor teria votado ou não no candidato. Se a imagem do voto computado na urna eletrônica surgir no papel, o eleitor recebe o dinheiro prometido do candidato. O que caracteriza a compra do voto.
Ainda existe compra de voto nas forma tradicionais – obviamente – mas aparentemente menor.
Dia desses soube que um candidato passeava pelas ruas no dia do pleito, entregando um tipo diferente de “sanduíche”: eram cédulas de R$ 20,00 envolvidas em “santinhos”.
Sem dúvida, ainda existem “candidatos” e “lideranças” comprando votos durante os pleitos, mas não igual ao passado. Eles não têm a mesma cara de pau de antes. Tem muita gente de olho.  
O voto de carbono continua existindo com roupagem diferente, mas o cerco vem se fechando aos poucos!
Ainda estamos longe de ser um país plenamente civilizado, apesar dos avanços positivos em diversas áreas, mas sigamos mudando, conscientizando, reeducando aqueles que aprenderam desde os avós a vender o seu voto.
O povo é tão corrupto quanto aos candidatos desonestos.
A corrupção só existe onde encontra terreno!