ANTES DE LER É BOM SABER...

Este blog - criado em 2008 - não é jornalístico, embora contenha alguns conteúdos que navegam levemente nessas águas. Os textos são de autoria de Luís Carlos Freire, o qual descende do mesmo tronco genealógico da escritora Nísia Floresta. Esse parentesco ocorre pela parte das raízes da mãe do autor deste blog, Maria José Gomes Peixoto Freire, neta de Maria Clara de Magalhães Fontoura, trineta de Maria Jucunda de Magalhães Fontoura, descendente do Capitão-Mor Bento Freire do Revoredo e Mônica da Rocha Bezerra, dos quais descende a mãe de Nísia Floresta, Antonia Clara Freire. Essas informações são encontradas no livro "Os Troncos de Goianinha", de autoria de Ormuz Barbalho Simonetti, um dos maiores genealogistas brasileiros. O referido livro pode ser pesquisado no Museu Nísia Floresta, no centro da cidade. Luís Carlos Freire é especialista na obra de Nísia Floresta, membro da Comissão Norte-Riograndense de Folclore, sócio da Sociedade Científica de Estudos da Arte e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Possui trabalhos científicos sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, publicados nos anais da SBPC, Semana de Humanidade, Congressos etc. É autor de 'História do Município de Nísia Floresta', 'Cultura Popular em Nísia Floresta', 'A linguagem Popular em Nísia Floresta', dentre inúmeros trabalhos na área de história, lendas, costumes, tradições etc. Uma pequena parte das referidas obras ainda não estão concluídas, mas o autor entendeu ser útil disponibilizá-la neste blog, enquanto as conclui. Algumas são inéditas. O acesso permite aos interessados terem ao menos uma boa noção daquilo que buscam, até porque existem situações em que certos assuntos não são encontrados nem na internet nem em outro lugar. Algumas pesquisas são fruto de longos estudos, alguns até extensos e aprofundados, pesquisados em arquivos de Natal, Recife, Salvador e na Biblioteca Nacional no RJ. O autor estuda a história e a cultura popular da Região Metropolitana do Natal. Esse detalhe permitirá ao leitor encontrar informações históricas sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, sobre o município homônimo, situado na Região Metropolitana de Natal/RN, além de crônicas, artigos, fotos poemas, etc. O autor ministra palestras e pode ser convidado através do e-mail: luiscarlosfreire.freire@yahoo.com.br. Fone: 99827.8517 - É PERMITIDO COPIAR TEXTOS DESTE BLOG, DESDE QUE A AUTORIA SEJA MENCIONADA. OBS. Só publico comentários que contenham nome completo, e-mail e telefone, pois repudio anonimato.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

PREFEITO VICENTE ELÍSIO - UM HOMEM DE TINO




Luís Carlos Freire
“A memória, onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro. Devemos trabalhar de forma a que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens”
Jacques Le Goff

Dedico este opúsculo a todas as pessoas que, iguais aos rios, desafiam todos os obstáculos para chegar até o mar. Àqueles que superam os desafios da falta de políticas educacionais em prol da história, memória e cultura e chegam ao objetivo final.

Agradeço a Onaldo Elísio de Oliveira Maria de Lourdes Oliveira e Luís Elísio de Oliveira, filhos do ex-prefeito Vicente Elísio, os quais foram peças de incalculável valor perante a construção deste trabalho, para os quais ficarei eternamente grato por terem me permitido entrar na casa e na história dessa família. Obrigado por terem me dado a oportunidade de conhecer Vicente Elísio após 49 anos depois da sua morte.
Agradeço, também a legião de espíritos bondosos que captaram a aura deste trabalho e enviaram peças preciosas.

INTRODUÇÃO

Registrar a memória é deixar às gerações futuras o que muitos diriam um verdadeiro “tesouro”, a julgar pela preciosidade que é o registro da história das pessoas – muitas delas sepultadas pelo alheamento e até mesmo pelo desconhecimento da sua importância.
Quantas histórias foram enterradas pelo amálgama da ignorância e, pior, pela omissão de autoridades ou mesmo pessoas comuns e letradas que se silenciaram diante de tantos fatos importantes. Quantas histórias relevantes desapareceram sem deixar vestígio, vitimadas exatamente por inércia.
A história oral, por ser fruto de lembranças – e por isso entendida muitas vezes como subjetiva – pode ser legítima quando quem pesquisa se atém à verbalização do entrevistado, sem acrescentar, subtrair, divagar ou instigar, registrando tudo nos mínimos detalhes, ouvindo outros depoimentos pertinentes, comparando e contextualizando depois dentro de uma cronologia histórica.
Exatamente isso torna a vida de quem pesquisa verdadeira odisséia na busca, muitas vezes cega por fragmentos da história. E assim é possível montar o “quebra-cabeça”, construindo o objeto de pesquisa às custas de muito suor e abnegação.
A história do ex-prefeito Vicente Elísio de Oliveira, objeto desse estudo, (1892-1962) poderia ter sido uma dentre tantas que foram soterradas pelo descaso da falta de ações educativas e de resgate. Foram meses de pesquisas na residência onde residem os familiares do ex-prefeito: Onaldo Elísio de Oliveira, Luiz Elízio de Oliveira e Maria de Lourdes de Oliveira. A cada visita uma descoberta nova.
Por sorte, seu filho Onaldo, dono de memória invejável, faz parte do grupo dessas pessoas que “dão valor aos papéis velhos”. E por ter feito isso, foi possível encontrar sob os seus cuidados um baú de documentos velhos, os quais consistiam em óbitos, certidões de batismo e de casamento, diplomas de vereador e prefeito, fotografias, dentre outros. Tudo foi analisado minuciosamente, à luz de rigorosa observação, ajudado pelas lembranças dos seus únicos três filhos vivos. Algumas datas foram precisadas exatamente pelo fato da existência de alguns documentos originais.
Juntar os retalhos da história do sr. Vicente Elísio foi uma experiência singular. Sentado a mesa da sala da casa onde moram os seus únicos três filhos vivos. Ora ao lado de sua filha Maria de Lourdes, ora ao lado dos seus dois únicos filhos homens vivos, Onaldo e Luís (Lulu) as lembranças foram aflorando, às vezes nítida, às vezes traída pelo tempo.
Em alguns rompantes dava um insight num ou noutro, emergindo detalhes de algo que havia sido tratado no dia anterior ou há poucas horas. Em outros momentos, quando eu lia e relia o texto que ia digitando, eles se lembravam da data precisa de algo que anteriormente tinham dito em meio a dúvidas.
A memorialista Ecléa Bossi me aproximou muito de seus escritos ao afirmar: “A memória é um cabedal infinito do qual só registramos um fragmento. Frequentemente as mais vivas recordações afloram depois da entrevista, na hora do cafezinho, na escada, no jardim, ou na despedida do portão. Muitas passagens não foram registradas, foram contadas em confiança, como confidências. Continuando a escutar ouviriamos outro tanto e ainda mais. Lembrança puxa lembrança e seria preciso um escutador infinito” (2004, p. 39).
Busquei logicamente o máximo de coerência, comportando-me como a “criança buchuda” que ouve de olhos aboticados o avô contar a história do lobisomem. Ouvi, apenas ouvi. Perguntei, mas não complementei ou sugeri.
Tenho certeza que algum conhecedor das coisas de Papari, que porventura ler, poderá encontrar algum complemento para essa história ou corrigir algum detalhe, afinal a história oral está passível disso. Mas deixo claro que essa não é a minha história. É a história da família de Vicente Elísio, o homem que só agora pude conhecê-lo e passar a admirá-lo. Foi uma das histórias mais interessantes que já ouvi.

I – ORIGENS



Vicente Elísio de Oliveira veio ao mundo numa época muito interessante e de grandes transformações econômicas, sociais e políticas em nível de Brasil. Nasceu quatro anos depois da abolição da escravidão, três anos após a Proclamação da República, ambas no Brasil, e um ano após a promulgação da 1ª. Constituição brasileira, exatamente no dia.. de.. de 1892, inaugurando o início de uma nova era.
O marechal Deodoro da Fonseca, dentre uma série de contratempos – incluindo-se o fechamento do Congresso Nacional – havia vivenciado a experiência de ter sido o primeiro presidente do Brasil. O regime republicano ensaiava os primeiros passos. Os brasileiros já experimentavam a experiência de ter o seu segundo Presidente, o marechal Floriano Peixoto. No ano do nascimento de Vicente Elísio de Oliveira ocorreu em São Paulo a 1ª greve dos ferroviários da Estrada de Ferro Central do Brasil, em São Paulo. No Rio Grande do Norte, Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, fazendo jus a uma oligarquia interminável, é eleito governador. Ocorre a reforma da Constituição do Estado, a criação de vários municípios e a paralisação dos ferroviários da Great Western.
Vicente Elísio é o segundo filho do casal de Benjamim Cândido de Moura Oliveira (nomes de seus irmãos..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................) e Rita Virgilina do Espírito Santo, (nascida no Taboão) (nomes de seus irmãos:.........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................)


Vicente Elísio nasceu numa imensa casa de taipa, como era comum nas construções da época, à rua do Comércio, n. 330, no centro da Vila de Papari, hoje cidade de Nísia Floresta (1). Essa casa foi demolida e deu lugar a casa atual de alvenaria. Teve como irmãos ..................................................................................................................................
Quando Vicente Elísio nasceu, a Vila tinha como Intendente o Coronel José de Araújo, homem que governou, ou melhor, mandou e desmandou na localidade por 40 anos, com fidelidade à oligarquia Maranhão.
O jovem Vicente Elísio, com certeza conheceu bem a cartilha do coronel José de Araújo, mas, curiosamente jamais fez uso da mesma, tendo mantido uma postura diferente enquanto político que mais tarde se tornaria.
Desde pequeno seguiu a tradição dos pais e avós, os quais sempre trabalharam na agricultura e na pecuária, possuindo propriedades no Vale do Capió, área próspera devido a riqueza do seu solo.
O jovem Vicente sempre foi aquele tipo  que vislumbra um futuro melhor. Obcecado pelo trabalho, acordava muito cedo e saia para a agricultura com seu pai Benjamim.

2. O DIREITO A UMA AVENTURA

Desde criança Vicente Elísio ouvia falar de homens que iam para o estado do Amazonas trabalhar na extração do látex nos intermináveis seringais, e voltavam ricas. As histórias povoavam a imaginação de inúmeras pessoas que findavam indo para aquele ermo estado, levadas pela vontade de melhorar de vida. Inúmeros “paus-de-arara” transportavam migrantes de todas as partes do Brasil. Outras partiam de navio. Pessoas até de outros países, atraídas pelo sonho do enriquecimento rápido, rumavam para o local.
Animado por tantas conversas de riqueza, incentivado por um grupo de amigos animados pelo calor da jovialidade e do espírito de aventura tão comum nessa idade,Vicente Elísio descuidou-se daquela sensatez que lhe era peculiar, e resolveu ir para o Amazonas. O fato ocorreu nos primeiros anos da década de 1930. Juntamente com inúmeros conterrâneos de Papary, animados pelo ciclo da borracha, partiram de “pau-de-arara” para a floresta amazônica.
Na realidade esse período já assinalava decadência para uma produção milionária que, em 1891, por exemplo, exportava 16.650 toneladas, ao preço de 161,3 libras esterlinas-ouro. Na época da ida de Vicente Elísio esse potencial já havia caído para 6.550 toneladas.
No Amazonas Vicente Elísio vivenciou a amarga experiência da informação fantasiosa. Tão logo chegou, percebeu que a produção não era mais aquela tão divulgada. As conseqüências da decadência já eram sentidas por toda a parte. Resolveu voltar. Alguns conterrâneos morreram, outros resolveram ficar por lá e nunca mais voltaram a Papari.
“Infelizmente ele não conseguiu nada no Amazonas, contraiu febre-amarela e quase veio a óbito”, diz sua filha Maria de LourdesRetornando a Papari, retomou a função de agricultor e pecuarista. Nessa ocasião já era homem formado e sentia necessidade de constituir uma família. Há alguns anos ele vinha enamorando uma bela jovem que residia no Vale do Capió, em Papari. Era Luíza de Carvalho, nascida no dia 3 de fevereiro de 1904, portanto doze anos mais jovem que ele. Filha de Joaquim Januário de Carvalho, um rico senhor, dono do Engenho Pavilhão. Sua esposa, dona Luiza. 

3. O CASAMENTO

Comentando sobre o Engenho Pavilhão, um dentre tantos engenhos que existiam em Papary, Câmara Cascudo nos diz que “Pavilhão, ou melhor, ‘Pavilhão do Sul’, era engenho famoso. A ‘casa-grande’ era a melhor de toda a redondeza e naquela época o vale do Capió fumegava de residências explêndidas. Com sessenta palmos de largura, soalhada e forrada, possuía baixela condigna, seis janelas e três portas amplas bebiam o azul romântico da paisagem linda. As festas duravam três dias, reunindo a mocidade dos arredores, os ricos donos de engenhos, as senhores ilustres, com rossagantes saias de tafetás, rodadas e com anquinhas, os bustos cobertos de transelins de ouro e ‘alegrias’ de coral curvavam-se nas mesuras aristocráticas das ‘quadrilhas imperiais’ executadas pela orquestra do professor Belém”
Naquela época a festa da padroeira Nossa Senhora do Ó era o mais importante evento ocorrido na localidade. Chegava-se a leiloar 25 garrotes doados por sitiantes e donos de engenhos do local. O largo da Matriz era tomado por barracas de palha, onde se vendiam bebidas e toda sorte de comidas. Senhores se sentavam às mesas com suas famílias e consumiam de dois a três frangos assados sem a menor cerimônia. Aconteciam exibições de dramas e grupos folclóricos como boi-de-reis, lapinha e pastoril. Foi nesse cenário que Vicente Elísio, acompanhado pelos pais, conheceu e se enamorou da bela Luíza. O casamento veio em 19....... e Luiza de Carvalho passou a acrescentar o “e Oliveira” após o casamento.
“Mamãe era uma senhora bem baixinha, muito branca, tinha os olhos castanhos, tinha como paixão plantar cebola roxa no Taboão. Essas cebolas ela vendia”, informa Maria Luiza. Entre 1929 a 1943 o casal teria 9 filhos, sendo .... mulheres e .... homens.
Depois de casado as responsabilidades redobraram, pelo menos a um homem tão sério e abnegado. Aos poucos juntou dinheiro e adquiriu uma propriedade que pertencia aos senhores João Bivar e Joca Bivar, dando-lhe o nome de sítio “Estivas”. Essa propriedade ainda pertence a família, a qual está situada ao lado da Bica. Era tão dedicado ao sítio que, apesar da casa ser próxima, não vinha almoçar, levava uma marmita e cabaça cheia de água. Passava o dia e só chegava à noite.

4. O VENDEDOR DE FARINHA


O Sr. Vicente Elísio passou a plantar milho, feijão, batata e extensas roças de mandioca. Como era um homem muito observador priorizou a mandioca porque percebia que o seu consumo era muito grande em toda a região.
A farinha era o “arroz-e-feijão das famílias. Produto derivado da mandioca, a qual passa por um rigoroso processo artesanal de preparo, até chegar à mesa do consumidor. Não havia quem passasse sem tal iguaria, servida de todas as formas, seja no pirão ou comida seca com carne de sol ou peixe. O mercado de farinha era muito grande na localidade, onde também existiam outros fornecedores.
Lurdes mostra o local onde existia a casa de farinha, pouco adiante de onde ela está.

“A mandioca, depois de arrancada, ele levava em grandes caçuás, em lombo de jumento, para uma Casa de Farinha de uma velha senhora chamada ‘Elisa de Jovino’, Normalmente pagava o trabalho da senhora com sacas de farinha, sendo que, às vezes, pagava em dinheiro”, explica Luiz Elísio. Feita a farinha ele vendia as sacas aqui em Nísia Floresta. Essas sacas eram feitas artesanalmente com palha de carnaúba, estocada num imenso quarto nos fundos de sua residência.

Naquela época existiam medidas de peso e quantidade diferentes das atuais. Eram: 1 alqueire (equivalente a 32 cuias de farinha), 1 cuia (equivalente a 5 litros de farinha). Algumas pessoas compravam 1 litro de farinha e os mais pobres chegavam a comprar meio litro. Um litro era uma caixinha de madeira de 15 centímetros de largura por 20 centímetros de altura.

O Sr. Vicente Elísio foi adquirindo paulatinamente as terras de tios e primos que estavam se desfazendo das mesmas por questões de herança, as quais eram situadas no Vale do Capió. Simultaneamente comprou sítios vizinhos de outros proprietários, como o Sr. Hermógenes de Oliveira (pai do ex-prefeito José Ramires da Silva), Joaquim Dantas e Deodato. Com o tempo a propriedade agigantou-se, recebendo o nome de “Fazenda Taboão”.

5. O SURGIMENTO DO ENGENHO “SÃO FRANCISCO”


Certo dia, iluminado por uma ideia, acordou com o pensamento de montar um engenho para fabricação de aguardente. Empreendeu inúmeros esforços e foi investindo aos poucos nos maquinários mais caros. Encomendou as pipas ao Sr. “Chico Ambilino”, um velho carreiro de boi, o qual fabricava artesanalmente e fornecia para os engenhos locais.
Após montar toda a estrutura, licenciou o engenho na Coletoria Estadual, dando-lhe o nome de “Engenho São Francisco”, e o seu produto mais apreciado passou a ser denominado "Aguardente Potiguar". “O rótulo era quadrado, todo amarelo e as letras eram vermelhas, informando ter 210”, diz seu filho Onaldo. Um dos seus mestres de engenho, segundo as lembranças da filha Lourdes, “era o sr. Mathias”.
O engenho era movido à tração animal “os empregados colocavam cangas em dois bois e engatavam na ‘manjarra’ (uma engenhoca feita de madeira, onde outros homens iam colocando as canas para serem moídas). Eram quatro bois, sendo dois para a manhã e dois para a tarde”, informa Maria de Lourdes.
É interessante destacar que muito antes de o Sr. Vicente Elísio ter montado o seu engenho, existiam inúmeros engenhos na região, muitos deles destinados ao fabrico de açúcar mascavo, rapadura e mel. Em 1924, o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio publicou uma relação dos proprietários dos estabelecimentos rurais licenciados no Rio Grande do Norte, cujo recenseamento ocorrera em 1 de setembro de 1920.
O referido recenseamento aponta os seguintes engenhos com os seus respectivos proprietários: Francisco Alcides Ribeiro (Engenho São Cristóvão), Jovino de Oliveira Salles (Engenho Sertãozinho), Joaquim Januário de Carvalho (Engenho Pavilhão), Vicente Xavier de Paiva (Engenho Descanso), Roque Maranhão (Engenho São Roque), José Henrique Dantas e Salles (Engenho Mipibu), Avelino Leocádio de Souza (Engenho Belém), Francisco Duarte da Silva (Engenho Santa Luzia), José Joaquim de Carvalho (Engenho Sapé), José Inácio Ribeiro (Engenho São Luiz), José M. C. da Costa (Engenho Tororomba), Acurcio M. C. Araújo (Engenho Boa Esperança).
Sabemos que alguns desses engenhos não conservam sequer as ruínas. Outros ainda preservaram o “bueiro” (chaminé), mas existem alguns, como o “São Roque”, que permite ver os maquinários intactos, mas ao relento, cuja casarão se conserva originalmente.
O belíssimo Engenho Descanso, cuja residência tem aspecto faraônico, está iniciando um processo de ruína, embora suas paredes e noventa por cento do telhado estão intactos. É interessante lembrar que alguns desses engenhos passaram a pertencer ao município de São José de Mipibu depois da divisão dos dois municípios, embora, curiosamente, no ano desse recenseamento, os mesmos já não pertenciam a Papari.
É possível supor que o que levou o Sr. Vicente Elísio a idealizar a montagem de um engenho foi o próprio contexto de engenhos no qual ele estava inserido. Nem todos fabricavam aguardente, portanto restou-lhe a audácia de fazê-lo. De acordo com o depoimento do Sr. “Bambão, de 73 anos, o qual reside ao lado da Igreja Matriz, o aguardente Potiguar não era páreo para nenhum outro da região. “Era famoso demais, e muito bom”, complementa.
“Papai comprava as cortiças em Natal e muitas vezes mandava fazer com a raiz do ‘araticum’, que é quase a mesma coisa. Ele colocava nas garrafas e nos litros cheios, vendidos em grades de madeira, com 50 em cada, revestidas com junco para evitar que se quebrassem e depois colocava o selo que era licenciado na Coletoria Estadual. Esse selo era obrigatório. Ele também tinha um carimbo para carimbar os selos antes de botar nas garrafas”, diz Maria de Lourdes.
“Todo o caldo da cana era botado num imenso barril de madeira, denominado ‘pipa’ que ficava ali por 24 horas até azedar. Essas pipas tinham 1,80 de altura e 1,30 de largura. Era quando formava uma espuma. Em seguida os empregados retiravam o caldo azedo e colocavam no alambique. Debaixo do alambique ficava o fogareiro movido à lenha, o qual fervia aquele líquido. Esse processo fazia o vapor subir nuns canos cheio de voltas, chamados 'serpentinas'. O líquido escorria por um cano que passava por dentro de uma caixa com água para esfriar. Passava pelos termômetros que marcavam o grau da cachaça, em seguida vinha para os barris de madeira, denominados “quintos”, já transformado em cachaça”. Depois que a cachaça era destilada, sobrava a ‘calda’, a qual era escorrida num tanque para o gado lamber”, explica Onaldo.

6. O AGUARDENTE “POTIGUAR” CHEGA AO AUGE DA FAMA.

Em pouco tempo a aguardente do Engenho São Francisco adquiriu fama em Nísia Floresta. O Sr. Vicente Elísio adquiriu seis burros-mulos e um cavalo. Montado no cavalo ele embarcava a carga da aguardente nos jumentos e empreendia um longo itinerário de entregas. Dessa forma conquistou fregueses em Vera Cruz, Macaíba, Rio do Meio, Arês e Goianinha.
O Engenho São Francisco abastecia todo o comércio local, desde grandes e médias mercearias a pequenas bodegas. Em Nísia Floresta os grandes compradores eram: no Porto: João Paixão, José Tavares, Miguel Paixão, Antonio Alves, Joaquim Emissario, Zefinha, (mãe de dona Yayá de Jorge Januário), José Matias; no centro: Paulo Trindade (casa onde moram as tias de Socorro Trindade), Elclides (onde hoje é a padaria de Selismar), João Frade (pai de Pedrinho Frade (uma casa existente onde hoje está a Loja Smally), João Ananias (ao lado da casa de Zé Ribeiro).
No Alto: Chico Gonçalo, Zé Valentim (pai de João Gomes), Vavá de Carminha (em frente ao pai de Horácio), Adauto Cobra Velha e outros. No Bonfim, uma grande compradora era Maria Piaba, mãe de Mauro Piaba, a qual morava na Ponta Funda. “Essa adquiria cachaça no mole”, observa Onaldo. Existia um procedimento de vender a cachaça sem selo e sem rótulo, reduzindo o preço (sem rótulo e sem selo). Essa venda era mais barata, pois era livre de impostos. “Papai não gostava de vender assim, pois era muito certo nas coisas dele, mas fazia porque tinha pena de alguns bodegueiros”, explica Luís Elísio (o “Lulú).
Em São José, ele fornecia para as mercearias do Sr. Manoel Amaro, Miguel Marques, Sebastião Ribeiro e num comércio que funcionava ao lado do sobrado que funcionou o Banco do Brasil (ninguém recordou o nome do proprietário). Em Parnamirim quem comprava muito para mandar para o RJ era Alfredo (tio de Pedro Frade).
Com o passar do tempo o Engenho São Francisco ficou famoso exatamente pelo produto que fabricava. A produção não atendia a demanda. Ele passou a fornecer para pessoas que repassavam para Parnamirim, São Paulo e Rio de Janeiro, inclusive recebia visitantes de várias cidades circunvizinhas e até mesmo de outros estados. Uma visita ilustre ocorreu em ......., quando esteve no engenho o Trio Marayá (n.)
O sr. Vicente Elísio sempre foi muito cuidadoso com a manutenção do engenho, o qual vivia a todo o vapor. Os trabalhos normalmente começavam às ... horas e terminavam às .... “Existia um velho senhor, chamado ‘Perique’, o qual era ‘frandeiro’ e costumava fazer reformas em alambiques, principalmente o destilador”, ressalta Onaldo.
Aproximadamente em 1956 o alambique, que era feito de cobre, estava muito estragado e sr. Vicente Elísio comprou outro semi-novo do sr. Olavo Feliciano, no Engenho Taborda, em São José de Mipibu. Esse senhor é tio do sr. Marcão (dono do sítio Mãe Ia, o qual atualmente coleciona cachaça).

7. OS FILHOS

O casal teve os seguintes filhos, os quais seguem ordenados conforme os anos de nascimento: Maria Luisa de Oliveira, nascida no dia ...........de.........................de........................., e falecida no dia ............de.....................de...................... Yolanda de Carvalho Oliveira, nascida no dia 10 de julho de 1929 e falecida no dia........de................de.............................José Elísio de Oliveira , nascido no dia..................de.....................................de........................ e falecido no dia..............de..............de...................., Olavo Elísio de Oliveira, nascido no dia...............de....................de.................. e falecido no dia...........de.................de.................., João Elísio de Oliveira, nascido no dia...........de.............de..............e falecido no dia...........de.........de..........., Maria de Lourdes Oliveira, nascida no dia 7 de novembro de 1935, Vicente Elísio de Oliveira Filho, nascido no dia....de......................de................e falecido no dia.......de......................de..............., Onaldo Elísio de Oliveira, nascido no dia 5 de janeiro de 1941 e Luís Elísio de Oliveira, nascido no dia 26 de maio de 1943. Desses nove filhos estão vivos Lourdes, Onaldo e Luís.
O Sr. Vicente Elísio era um homem pacato e de hábitos simples. Em casa costumava......................, tinha costume de...................................., gostava de comer............................................

8. UMA VENDA INOCENTE
Em 1960, o Sr. Vicente Elísio estava com 68 anos. A vitalidade já não era a mesma, mas a coragem não havia mudado em nada. Naquele local ele passava a maior parte do dia, observando, orientando e trabalhando. Ademais, possuía gado e plantação de cocos, para os quais tinha extremo zelo. Os coqueirais eram limpos com freqüência. Estava sempre observando as cercas para evitar que se estragassem e os animais se soltassem. A imagem do Engenho São Francisco era impecável. Ele tinha um cuidado meticuloso com o fabrico da aguardente e jamais se retirava do local enquanto a mesma estava em processo de fabricação. Costumava checar os equipamentos e principalmente a limpeza.
Certo dia, o velho encontrava-se trabalhando no engenho, quando recebeu uma visita inesperada de um senhor de Ceará Mirim, o qual o procurou-lhe para fazer uma proposta na qual ele jamais havia pensado. O visitante queria comprar a patente do Engenho São Francisco, o qual nunca esteve à venda.
O sr. Vicente Elísio estranhou a proposta, agradeceu a oferta e informou não ter interesse na mesma, pois tratava-se de um bem pertencente a sua família, o qual pretendia que seus filhos dessem continuidade a tradição, inclusive pelo fato de ter construído uma marca que tinha mercado garantido devido a qualidade. O comprador insistiu muito, mas o velho foi incisivo e não cedeu.
Os dias se passaram e o Sr. Vicente Elísio teve uma conversa séria com os filhos, orientando-os a seguirem a tradição do fabrico da aguardente. Explicou que estava ficando velho, e que eles, por serem jovens e conhecerem o processo “e os segredos do fabrico da Potiguar”, reuniam condições de manterem o engenho. Nessa ocasião os filhos mais velhos eram mulheres, cuja mais velha, Yolanda, estava com 29 anos, José estava com ....... anos, Olavo estava com ...... anos, João Maria de Lourdes estava com 25 anos, Vicente estava com ....... anos, Onaldo tinha 19 anos e Luis (“Lulu”) tinha 16 anos.
Na realidade, os filhos homens, os quais, pelo contexto cultural da época deveriam ser os pensadores, eram imaturos e não tinham a visão necessária para aquele contexto. Todos eram jovens e não possuiam a malícia necessária para compreender a oportunidade que jogariam fora. Nessa ocasião não demonstravam nenhuma paixão pelo engenho. Desse modo optaram pela venda, pois o comércio de banana estava em alta e eles transformariam a propriedade em imensos bananais.
Foi nesse contexto que, ainda em 1960, o sr Vicente Elísio vendeu a patente do Engenho São Francisco, o qual havia trabalho a todo vapor durante ........ anos. Nesse período vendeu sua tropa de animais que trabalhavam nas coisas do engenho para o sr. Pedro Paulino de Carvalho, o qual deveria pagar como pudesse. “Papai era assim, tinha esse jeito, era homem bondoso e confiava nas pessoas”, destaca Luiz “Lulu”. Vicente Elísio e sua esposa eram padrinhos do sr. João Paulino, atuais proprietários da Movelar, uma loja de móveis, no Porto.
Dois anos depois ele faleceu. estava na condição de vice-prefeito de José Dutra Serrano, um paraibano que residia em Timbó, no local onde hoje é uma destilaria da Cachaça Papary. Foi o último ano que engenho moeu. Dessa forma os filhos passaram a desenvolver o projeto da agricultura de banana e obtiveram muito sucesso, mas aos poucos entrou em decadência. A partir de então passaram a trabalhar com pecuária e coco no sitio “Taboão” “Naquela época a gente era muito inocente e não imaginava que aquilo podia continuar sendo um grande negócio”, disse Onaldo.

9. VICENTE ELÍSIO, POLÍTICO



Vicente Elísio de Oliveira talvez tenha sido o homem que mais teve afilhados em Nísia Floresta. Só em uma família ele era padrinho de todos os filhos. Esse fato ocorreu na prole do sr........................................................., morador da Barreta, falecido recentemente com mais de cem anos.
Homem popular, simples e de uma alma boa, a ponto de ser admirado e querido por todos. Sem inimigos, apesar de ter se enveredado pela política, numa região que permite a inimizade aos que se envolvem com ela, nunca fez inimizade.
Naquela época era comum e permitido os candidatos mandarem buscar os eleitores em todas as localidades. A cidade fervia de carros e caminhões por todos os lados, transportando eleitores. Para muitas pessoas isso era um acontecimento. Era o passeio do ano, principalmente a um público que nascia e crescia em sítios, desacostumado a ver movimentação de gente. Os carros começavam a se movimentar pelas quatro horas da manhã e só paravam pelas 8 da noite, após levar os eleitores para as suas casas.
A política sempre foi a sua paixão, e como era homem de incontáveis amigos, gostava de ajudar os seus candidatos à época das eleições com um costume muito comum em todo o estado. “Mandava comprar duas latas de 20 litros de uma manteiga denominada ‘Turvo’ e centenas de pão-francês, contratava um porção de mulheres, e junto com mamãe elas passavam a manteiga nos pães e servia os eleitores como café da manhã. Para o almoço mandava matar um boi gordo para servir assado e cozido, com arroz para quem aparecesse em casa”, explica Maria Luiza.
“Nos dias de eleição, seja para prefeito ou governador, nossa casa ficava com o aspecto de festa, pois eram muitas pessoas, as quais se fartavam. Algumas vinham repetir já de barriga cheia.O quintal de casa enchia de gente, cada um se ajeitando num canto para comer. Dentro de casa parecia um formigueiro de tanta mulher servindo comida e lavando panelas para servir novamente. Era um tempo divertido e engraçado. Hoje se alguém fizer isso dá cadeia, diz Maria de Lourdes.
“Naquela época, como era muito comum, papai ia a Natal e comprava na Ribeira ou no Alecrim várias caixas de chapéu de massa, cortes de fazenda (n.) e sapatos para dar para as pessoas mais necessitadas para que elas tivessem uma roupa melhor para votar. Para os idosos ele costumava dar o chapéu de massa”, observa Onaldo.
O título antigo era de um papel grosso, semelhante a um cartão de vacina, no qual vinha estampado a fotografia do titular. Cada vez que o eleitor votava seu título era datado e assinado pelo presidente da mesa.
O fato de gostar de política levou-o a se candidatar ao cargo de vereador, sendo eleito em .........., inclusive em seu primeiro mandato foi presidente da câmara. Depois para prefeito, eleito em 1936. Em 1955 foi novamente eleito vereador. Nessa época não existia vice-prefeito. E o prefeito não era remunerado. Normalmente o político entrava por três opções: 1. gostar muito de política; 2. ser instigado pelo povo devido ao carisma pessoal; 3. representar alguma oligarquia no local.
Em 1957, com a criação do novo cargo foi eleito vice-prefeito, cujo prefeito eleito foi o sr. José Dutra Serrano. Naquela época era votado separadamente o prefeito e o vice. Significa dizer que nem sempre o vice-prefeito eleito era a pessoa da opção do prefeito eleito. Mas curiosamente isso assinala um forte gesto de democracia, passível de ser repensado nos atuais dias.
No seu primeiro mandato Vicente Elísio concorreu com o sr. Américo de Oliveira, seu parente (pai de Vavá de Wilson). O mandato do sr. Vicente Elísio teve 3 anos, conforme era comum à época. Ele sempre apoiou Dix Sept Rosado, o qual foi candidato a presidente da república em 1957, (falecido em acidente aéreo). Vicente Elísio, que já se tornara chefe político. Homem muito respeitado, apoiou Sandoval Ribeiro Dantas, o qual foi eleito e muito bem votado. Foi ele quem construiu a maternidade, aproximadamente em 1952. “Essa maternidade foi construída com recursos da Prefeitura de Nísia Floresta”, explica Onaldo. “Depois foi que apareceram uns tais sócios, mudaram os documentos e passou a ser Fundação Carlos Gondim, mas os recursos não vieram de nenhuma sociedade. Foi dinheiro público. Num dia desses foram lá para transformar a maternidade num museu de Nísia Floresta,mas não pode porque consta que é uma fundação particular, mas eu me lembro muito bem que quem construiu foi Sandoval, que era o prefeito da época”, reforça Onaldo.
Na época da sua construção o prédio recebeu o nome de Maria do Carmo Martins, uma antiga parteira do município de Nísia Floresta – pessoa muito querida e respeitada. Ela residia na entrada da cidade na esquina que entra para a rua de Detrás. Era uma casa imensa, com oito portas. Era uma casa comercial do sr. Zé Matias.
“Foi Sandoval Ribeiro Dantas quem construiu o prédio do Grupo Escolar Nísia Floresta. Construiu o Grupo Escolar de Currais, Campo de Santana e Alcaçuz. Era casado com dona Dirce. Adotou dois filhos. Uma moça chamada............ e um rapaz chamado João”, explica Onaldo.
Na ocasião ele era do PSD (Partido Socialista Democrático) e seu adversário era João Januário de Carvalho (Presidente da UDN – União Democrática Nacional). O vice-prefeito de João Januário de Carvalho era o sr. Agripino Marques de Carvalho, o qual era tabelião no cartório local. “Se comentava que quem ganharia a campanha era o sr. Agripino com José Dutra, mas papai teve mais votos do que o candidato a prefeito José Dutra. As pessoas diziam: seu Vicente quem era para ter saido candidato era o senhor”, diz seu filho Onaldo.
É interessante entendermos que quanto mais remota a época, mais difícil era a disponibilidade de verbas destinadas aos municípios. Recursos sempre foram disponibilizados, mais numa proporção insignificante. Às vezes um Intendente (n.) e até mesmo um Prefeito passava todo o seu mandato sem ter construído nada, apenas fazendo reparos, construindo mata-burros, caiando orlas de calçadas e dando expediente junto com um funcionalismo de no máximo cinco pessoas. “A receita municipal provém de impostos municipais, do produto de multas policiais, das infrações de posturas e de foros de terrenos do patrimônio”, escreveu Manoel Ferreira Nobre, em 1877.
Convém observar que a receita explicada por Nobre era insignificante diante de uma população de 5.176 pessoas à época, cujos impostos não eram pagos por todos. Nessa época existia o “Imposto do Coqueiro” e o “Imposto Diversos”.
Somava-se a esse contexto o fato de naquela época ser oposição muitas vezes era motivo de grande inimizade e desavença entre os candidatos e eleitores. Se acaso um município elegesse um Intendente que tivesse feito oposição ao Governador – o que era raridade – ele amargaria um mandato sem receber um mísero tostão para fazer qualquer coisa.
Em tempos mais remotos, anteriores às eleições da época de Vicente Elísio, o pleito era apelidado de “eleições a bico de pena”, pois era regado a todo tipo de falcatrua. Muitas vezes as atas chegavam a Natal, prontas, um dia antes das eleições, pois o mandatário da cidade organizava essa absurdidade e promovia eleições às escuras. O objeto menos usado era a urna As cédulas de votação eram preenchidas pelo intendente e sua equipe, em números contados, e sequer eram colocadas na urna, pois nem precisava, pois ganhava quem o intendente queria.
Vicente Elísio não chegou a ser Intendente, pois, em 1936, quando foi eleito pela primeira vez, haviam mudado a nomenclatura para “Prefeito”.
A velha Papary, apesar de próspera em termos de agricultura e, de certo modo, pecuária, era um local sem muitos progressos. Os viajantes que passaram por aqui e deixaram algo escrito, são categóricos em afirmar que a cidade tinha aspecto de abandono.
Conforme a realidade de sua época e atendendo ao aspecto rural da região, Vicente Elísio construiu muitos mata-burros, que naquela época era obra significativa. Poucas propriedades eram cercadas e os mata-burros, feitos em lugares estratégicos, impediam que os animais tivessem acesso ao centro da cidade. Os mata-burros tinham a função de fortificar a cidade, pois, em zlguns pontos existiam cancelas e colchetes para impedir que animais transitassem no quadrado central da cidade. Um desses mata-burros foi construído defronte a casa onde mora atualmnete a sra. Liquinha, outro entre o cemitério e o muro da escola Estadual Nísia Floresta, onde existia uma cancela, pois dali em diante era área rural. O mata-burro tinha como função impedir a passagem de animais. Na época existia nesse local uma Casa de Farinha de propriedade do sr. Estefânio Acioly de Oliveira, o qual morava numa imensa casa muito antiga, ao lado da Igreja Matriz (onde está construída atualmente a garagem de Deca Severo). No cruzamento que sai de Tororomba e segue para o Timbó havia outro mata-burro construído por ele. “Na época de seu mandato ele dava expediente o dia inteiro na Prefeitura. Ele teve como secretário o sr. Pedro Augusto da Trindade, tio de Dinamérico. O Sr. Pedro Trindade era militar, tinha um sobrinho chamado Pedro Newton, o qual era muito humilde e foi criado por ele. Newton se casou com Marlene (irmã) de Ramiro (que foi Oficial de Justiça em Nísia Floresta)”, informa Onaldo.
Entre 1955 e 1956 foi candidato a prefeito o sr. Humberto Paiva, do Engenho Descanso, cujo vice-prefeito foi o sr. José Ramires. Eles foram derrotados por..................

10. EXCERTOS

Sua esposa, Luiza Januário de Carvalho Oliveira faleceu aos 90 anos, no Pronto Socorro de Parnamirim, no dia 3 de setembro de 1994, às 11h45, conforme consta na Certidão de Óbito de folhas n. 58, do livro “C”, n. 01, de registro de óbito n. 226.
Sua filha Maria Luisa de Oliveira, popularmente conhecida como “Maria Branca”, morreu afogada no dia 16 de fevereiro de 1988, no “Sítio Estivas”.
Sua filha mais velha, Yolanda de Carvalho Oliveira faleceu de morte natural no dia 29 de janeiro de 2004, em Natal, aos 75 anos.
Seu filho José Elísio de Oliveira faleceu no dia 7 de julho de 1976, em ................., aos......... anos.
Seu filho Olavo Elísio de Oliveira faleceu no dia 3 de janeiro de 2006, vitimado por um acidente, numa rodovia na Paraíba, cujo caminhão que dirigia chocou-se com um ônibus, aos ............... anos.
Seu filho João Elísio de Oliveira faleceu em 27 de maio de 1981, em ............................., aos .................... anos.
Seu filho Vicente Elísio de Oliveira Filho, faleceu em 1993, por complicações advindas do alcoolismo.
O sr. Vicente Elísio faleceu aos 70 anos no dia 22 de agosto de 1962, numa quarta-feira, às 02h00, conforme Certidão de Óbito, às folhas 053 do livro C-05 número de ordem 1418.

11. CONCLUSÃO


Conhecer a história do Sr. Vicente Elísio de Oliveira, além de ter sido uma espécie de quebra-cabeça – em decorrência do grande espaço de tempo – foi um aprendizado. Muitas lacunas permanecerão. Seria ingenuidade dizer que aqui estão reunidas todas as informações da sua vida desse homem tão especial. Infelizmente diversos prefeitos que assumiram depois do Sr. Vicente Elísio não tiveram o cuidado de preservar totalmente os arquivos da Prefeitura. Muitos documentos foram incinerados, destruindo para sempre informações de tantos intendentes e prefeitos que por aqui passaram.
Foi singular a oportunidade de ter sido recebido pelos três únicos filhos vivos do ex-prefeito. Comparo esse acontecimento a caso do navio Titanic, o qual, após 70 anos depois de ter sido naufragado, foi encontrado e sua história esmiuçada e trazida à tona.
Da mesma forma emergiu a história de Vicente Elísio, graças a generosidade de seus filhos que gentilmente me receberam em sua casa, onde pudemos reconstruir uma história que, tal qual o velho navio, poderia ter sido deixada sob as turvas águas da omissão.
Essa pesquisa durou 30 dias. Iniciei-a aos 22 de maio de 2010, às 10h00, na residência dos filhos do ex-prefeito. Nessa ocasião conversei apenas com Maria de Lourdes. Nesse mesmo dia, à noite estive novamente na casa, às 19h30, sendo atendido por Maria de Lordes, Onaldo e Luiz, onde permaneci até às 22h20.
As demais visitas ocorreram nos seguintes dias e horários:
23 de maio de 2010, às 09h30: Estive com Maria de Lourdes.
28 de maio de 2010, às 09h30: estive com Maria de Lourdes, onde reproduzi as fotos de seus pais e fotografei alguns objetos que pertenceram a ele.

28 de maio de 2010, às 09h30: estive com Maria de Lourdes, onde refiz a foto de seu pai, a qual havia apresentado reflexo. Fotografei o “cacimbão” construído por ele e fiz as fotos da residência da família e do local onde existiu a farinheira da sra “Rosa de Juvino”.


CRÉDITO DA FOTO: Esquerda p; direita: Lenira Trindade e Teresinha Trindade, Lourdes de Oliveira, Dalvanira, Benedita Piaba (sobrinha de Mauro Piaba) e Maria Luiza de Oliveira (“Maria Branca”). HOMENS: Pedro Augusto da Trindade e João Coringa (pai de Raimundo Coringa).

(1) O nome dessa rua foi modificado para João Batista Gondim durante a ….. administração de Almir da Silva leite, por solicitação do Sr. Eugênio Galvão Gondim, então vereador à época. Nísia Floresta, 22 de maio de 2010 – 10 horas.
(2) Trio Marayá (n.)
(3) Essa casa de farinha era situada ao lado da residência onde sua família mora atualmente, exatamente onde hoje se encontra um pé de tamarino, nos fundos da casa do Sr. Arnaldo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

SENTENÇA SOBRE O CONCURSO REALIZADO EM 1993

Processo nº 145.97.000027-1
Autor (a): Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte
Promovido (a): Município de Nísia Floresta

Aos 24 dias do mês de maio de 2010, o Juiz de Direito Marcus Vinícius Pereira Júnior julgou Procedente o pedido do Ministério Público em relação à obrigação de realizar um novo CONCURSO PÚBLICO com fim de ocupar as vagas remanescentes em lei, nos termos do Art. 37, inciso II da Constituição Federal, devendo o mesmo ser realizado em um prazo Maximo de 06 meses. Como também, procedente o pedido do Ministério Público em relação a nulidade dos contratos de Servidores que ingressaram no serviço público municipal após 1988, sem concurso público. IMPROCEDENTE o pedido do Ministério Público, em relação à NULIDADE do CONCURSO PÚBLICO referido na inicial ao seja o de 1996, as pessoas que atualmente ocupam cargos públicos em decorrência do concurso público devem ter suas situações INALTERADAS.
Assim, como em razão da prevalência do principio democrático da realização de concursos públicos para o provimento de cargos públicos, determina a intimação pessoal do Prefeito Municipal de Nísia Floresta, para:
1. Em 30 dias juntar relação com todos os cargos legalmente existentes no Município, bem como os nomes das pessoas que atualmente ocupam os citados cargos, após aprovação em concurso público;
2. COMPROVAR QUE AS PESSOAS QUE OCUPAM CARGOS NO MUNICÍPIO DE NÍSIA FLORESTA, SEM CONCURSO, ATÉ A PROLAÇÃO DA PRESENTE SENTENÇA FORAM DEVIDAMENTE AFASTADAS DE SUAS FUNÇÕES;
3. Apresentar cópias dos contratos temporários formalizados, excepcionalmente, para garantia da continuidade do serviço público, em razão declaração de NULIDADE dos contratos formalizados em desobediência do estabelecido no Art.. 37, inciso II e IX, da Constituição Federal, ou seja, contratos assinados após a ciência da presente sentença;
4. Em seis meses comprovar a realização de CONCURSO PÚBLICO para o preenchimento das Vagas criadas por Lei e ainda não ocupadas no município de Nísia Floresta, nos termos do Art. 37, inciso II e IX, da Constituição Federal.
5. Desde já, nos termos dos §§ 4º 5º do Art, 461, CPC, MULTA DIÁRIA DE R$ 5.000,00 ao Prefeito Municipal de Nísia Floresta, GEORGE NEY FERREIRA, com termo inicial a contar da efetiva intimação pessoal do mesmo, de acordo com os prazos estabelecidos no item anterior. Ressalto que não fixo a multa diretamente em desfavor do Município de Nísia Floresta, tendo em conta que o erário público não pode arcar com o pagamento da multa estabelecida em virtude da omissão dos responsáveis pelo cumprimento de atos, visto que a população seria penalizada duas vezes: uma com a desobediência e duas com o pagamento da multa.

OBS: Pequeno relato da sentença do Juiz de Direito da Comarca de Nísia Floresta/RN, com relação ao concurso de 1993 e a realização de outro em seis meses.
Informação da
Coordenação do Núcleo Sindical/NF.

terça-feira, 18 de maio de 2010

VULTOS HISTÓRICOS DE NÍSIA FLORESTA

MEMÓRIA



Esse espaço é reservado aos vultos históricos nisiaflorestenses, os quais deixaram obras escritas ou exerceram atividades relevantes e assim se destacaram em nível estadual, nacional ou internacional. Nesse sentido, como sabemos, coube maior destaque a figura de Nísia Floresta Brasileira Augusta, a qual, diferente dos demais, teve repercussão internacional, deixando um legado que inclui livros escritos em inglês, francês e italiano e ter se relacionado com grandes intelectuais europeus, cuja obra é hoje estudada em universidades européias. A referida intelectual é patrona de várias escolas e ruas no país, é nome de importantes prêmios, cadeiras de academia, salas de instituições e outros. A bibliografia do conteúdo abaixo, por ser muito diversificada, onde se incluem diversos manuscritos e papéis avulsos, acaso desperte interesse, pode ser solicitada ao autor deste blog, pelo telefone nº (84) 9106.9248

DIONÍSIA PINTO LISBOA – “NÍSIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA” * 12.10.1810 + 24.4.1885
A biografia da intelectual em questão, por coincidentemente ser parte de inúmeros trabalhos que escrevi ao longo de alguns anos, está em “postagens antigas”, neste blog.
TARQUÍNIO BRÁULIO DE SOUZA AMARANTO *20.07.1829
+ 29.08.1894

Nasceu aos 20 de julho de 1829, em Papary. Tornou-se bacharel em 1857 e doutor em 1859. Em concurso para professor substituto da Faculdade de Recife, cadeira de Direito Eclesiástico, sensibilizou a D. Pedro II – ali em visita oficial – pela sabedoria demonstrada. Primeiro professor norte-rio-grandense em Faculdade de Direito.
Foi deputado provincial de 1858 a 1859, deputado Geral de 1857 a 1877, 1882 a 1885 e de 1886 a 1889. Quando o coronel Bonifácio Câmara faleceu, em 1884, o Partido Conservador cindiu-se em duas facções, a do Pe. João Manoel de Carvalho e a do Conselheiro Tarquínio de Souza. Os líderes do grupo do padre reuniram-se “debaixo das gameleiras da praça da Alegria” (hoje , praça Pe. João Maria); O grupo de Tarquínio “fazia ponto” na farmácia do comendador José Gervásio de Amorim Garcia, na rua Tarquínio de Souza, hoje rua Chile. Dizia-se “grupo do cantão das gameleiras” e do “grupo da Botica”. Faleceu no Rio de Janeiro em 29 de agosto de 1894. Tarqüínio Bráulio de Sousa Amaranto, conhecido comoTarqüínio de Sousa, juntam,ente com mais dois irmãos integrou a congregação de professores da
Faculdade de Direito do Recife na Turma de 1857 e tomou posse de sua cadeira na mesma instituição em 1860, quando ainda vivia Braz Florentino. (Pesquisa: Luís Carlos Freire).



DR. ANTONIO JOSÉ DE MELO E SOUZA
Nasceu em Papary, aos 24 de dezembro de 1867, filho de Antonio José de Melo e Souza e d. Maria Emília Seabra de Melo e Souza. Cursou Ciências Sociais e Jurídicas na Faculdade de Direito do Recife, formando-se em 1889. Advogado, jornalista, escritor, político. Sua atividade profissional no ramo jurídico, se alterna com sucessivas investiduras na área política, a saber: foi Promotor de Justiça na Comarca de Goianinha (1890-1892); Deputado Estadual (1892-1894); Diretor de Instrução Pública (1892-1895); Procurador da República (1895-1899); Secretário de Governo (1899); Procurador Geral, “com assento no Superior Tribunal de Justiça” (1900); Governador a 23 de fevereiro de 1907, substituindo a Tavares de Lira que se afastara do cargo para assumir as funções de Ministro da Justiça e Negócios Interiores (gestão Afonso Pena); Senador da República (1908); desta vez substituindo a Pedro Velho, que havia falecido; Senador novamente na 9ª legislatura (1915-1917), cujo sufrágio majoritário garantiu-lhe 9 anos de mandato ao qual, no entanto, renunciaria em fins de 1919, para assumir o cargo de Governador do Estado (1920-1924); Consultor Geral do Estado (1924) e, enfim, Secretário Geral do Estado (1934-1935). Segundo consta, terá desenvolvido excelente administração: No governo, como no exercício de outros cargos públicos (...) o doutor Antonio de Souza manteve sempre uma invariável linha de conduta moral e revelou aptidão, critério e honestidade (Antonio Soares de Araújo) Dicionário Histórico e Geográfico do RN, p. 31). Com efeito, como Governador implantou escolas, revitalizou o sistema financeiro, implementou ações conseqüentes na área sanitária, construiu estradas e procedeu a iniciativas destinadas a atenuar os efeitos da estiagem que assolava o Rio Grande do Norte. Elevou a categoria de Vila as povoações de Parelhas (lei nº 478, de 26 de novembro de 1920) e Barriguda que passou a denominar-se Alexandria (lei nº 572, de 3 de dezembro de 1923). Como jornalista colaborou com “A República”, onde também foi redator; escreveu crônicas e peças literárias, adotando o pseudônimo de Polycarpo Feitosa. Fundador do Grêmio Polimático, em 1897; sócio-fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e fundador da Revista do Instituto. Faleceu em Recife no dia 05 de julho de 1955.Publicações:Flor do Sertão (1928)Gizinha (1930) Alma Bravia (1934)Encontros do Caminho, (1936)Os moluscos (1938)Jornal da Vila (1939).

ISABEL URBANA DE ALBUQUERQUE GONDIM – * 05.07.1839 +10.6.1933Nasceu quando essa localidade se chamava “Vila Imperial de Papary”, aos 5 de julho de 1839, filha de Urbano Égide da Silva Costa Gondim de Albuquerque e de d. Isabel Deolinda de Melo Gondim.
Isabel veio para Natal em 1866, então aos 24 anos, passando a morar na Ribeira, onde instalou posteriormente a sua primeira sala de aula. Simultaneamente ao ensino dedicou-se às letras, constituindo sua obra os seguintes títulos: Reflexões às minhas alunas (1874), Brasil (1903), O sacrifício do amor (1909), Sedição de 1817 na Capitania, ora estado do Rio Grande do Norte (1917), A lira singela e O preceptor (1933). Deixou inéditos ainda O Rio Grande do Norte, Noções Históricas, Resumo da História do Brasil, Elementos da Educação e Curso primário de caligrafia.
Era sócia do Instituto Arqueológico de Pernambuco e foi a primeira mulher a integrar o quadro de sócios do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Sua vida foi essencialmente dedicada ao ensino e à poesia, tendo sido condecorada com a Medalha do Mérito do Departamento Estadual de Educação.
Seu nome foi dado a uma escola no bairro da Ribeira, em Natal. Faleceu de causas naturais, aos 94 anos em 10 de junho de 1933. Isabel Gondim projetou-se até hoje na história do Rio Grande do Norte por uma peripécia que rendeu-lhe ser eternamente lembrada. Trata-se de uma extensa carta, escrita por ela em 1884, direcionada a J. F. Souto – sobre Nísia Floresta – a qual denigre o nome da sua conterrânea de forma deplorável, sem nunca tê-la conhecido.
LUIZ TRINDADE * Papary: 23.07.1876 + Rio de Janeiro: 11.6.1951
Luiz Segundo Bezerra da Trindade nasceu em Papary, aos 23 de julho de 1876. Filho de Luiz Augusto Bezerra da Trindade e de Josina Cabral Bezerra da Trindade.
Quando estudante, colaborou com alguns jornais, inclusive “O Oásis”, editado em Natal e no jornal “A Arte”, editado em Santos, São Paulo.
Tendo feito seus estudos iniciais no Atheneu Norte-Riograndense, iniciou sua vida pública na Fazenda Federal, sendo nomeado oficial aduaneiro de Santos-SP, e depois escriturário, Escriturário da Alfândega de Belém, no Pará.
Em 1897, formou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro.
Casou-se em Natal, aos 30 de julho de 1914 com a Esther Bezerra da Trindade. Eis a certidão de casamento, conforme consta no Livro de Certidão de Batismo nos Arquivos da Catedral de Natal/RN: “Aos trinta de julho de mil novecentos e quatorze, na Egreja Cathedral, feitas as proclamações sem impedimento, impetrado dispensa de segundo attigente ao primeiro e terceiro atigente ao segundo grau simples de consaguinidade e observados as demais formalidade prescriptas, assisti com as testemunhas Doutor Joaquim Ferreira Chaves, Governador do Estado e Francisco Heroncio de Mello, ao recebimento matrimonial do Bacharel Luis Segundo Bezerra da Trindade e Esther Bezerra da Trindade, ele filho legitimo de Luiz Augusto Bezerra da Trindade e Josina Rosalinda Cabral de Vasconcellos, solteiro, com trinta e nove annos de idade natural da Freguesia de Papary e residente na cidade do Rio de Janeiro, ela filha legitima de Francisco Theophilo Bezerra da Trindade, e Domitilla Galvão Bezerra da Trindade, solteira com 23 anos, natural desta Freguesia e nella moradora; do que fiz este termo que assigno. O Vigário, Cônego Estevam José Dantas.” O poeta Luiz Trindade tinha um irmão chamado Francisco Theófilo. Infelizmente pouco se sabe sobre o mesmo.
Exerceu no Rio de Janeiro o cargo de 2º Escriturário do Tesouro Nacional, falecendo naquele estado aos 11 de junho de 1951.

Eis abaixo um de seus belos poemas:

A CRUZ

Vês ali uma cruz abandonada,
Feita de velhos troncos de Madeiro...
Emblema onde se alteia o verdadeiro
Culto de amor á legião sagrada

Vês ali, no silêncio de um oiteiro,
Vislumbres de uma choça abandonada,
Onde, em festas, gorjeia a passarada,
Saltando, à tarde, o canto derradeiro?

Não vês também, quando agoniza o dia,
E que o sino da aldeia a Ave-Maria
Toca – uma virgem contemplando os céus?

Pois bem; aquela cruz, sobre a savana,
Guarda a história fiel de uma cabana,
Que viu passar e viu morrer os seus! ...

(1897)
D. Mariinha em fotografia feita em 1997 (Atualmente ela tem 105 anos)

MARIA DO CARMO BEZERRA DIAS - * Papary: 5.2.1905

A gente que é afeiçoado à história oral costuma ser procurado por alunos para informar sobre pessoas e fatos do passado. Sobre dona Maria do Carmo Bezerra Dias, a “dona Mariinha”, como é popularmente conhecida, os alunos costumam ser informados que ela é a primeira professora de Nísia Floresta. O que não é verdade. Antes de dona Mariinha existiram inúmeras outras professoras, nascidas inclusive, nas últimas décadas de 1700, ou seja, mais de um século antes de dona Mariinha vir ao mundo. Veja os nomes de algumas professoras antigas e os anos em que as mesmas lecionaram em Papary, por exemplo: Maria Manoela de Castro (1867), Joanna Evaristo de Moraes Barros (1882 a 1883), Heládia Ribeiro Sampaio (1886), Thereza Lustoza da Silva e Araújo (1900), Aurora Costa Carvalho (1927), Annita Oliveira Monteiro (1927).
Para que todos conheçam a história da adorável professora, dona Mariinha, eis abaixo sua breve biografia, fruto, inclusive, de minhas pesquisas em história oral, iniciadas em 1992. As informações que se seguem ocorreram em 1997, quando a referida professora tinha 92 anos e não estava tão fragilizada como se encontra hoje. Na ocasião das entrevistas que gravei em fitas cassete e escrevi-as à lápis, ela ainda possuia muita vivacidade, voz forte e raros lapsos de memória. Observei nesse período que a professora, apesar da relevância do seu trabalho, nunca tinha recebido algum tipo homenagem. Era uma ilustre desconhecida em se tratando da sua história. Foi nessa observação que organizei uma grande homenagem a alusiva a essa professora, em 1999, ocorrida na Escola Municipal Yayá Paiva, onde estiveram presentes a comunidade escolar, autoridades, filhos e ex-alunos da referida professora. Poucos anos depois a mesma teve seu nome dado ao PET.
Vamos agora ao texto construído por mim, no dia 17 de maio de 1997.
No dia 5 de fevereiro de 1905, numa tarde chuvosa, exatamente na casa nº 129, defronte a Praça Coronel José de Araújo, nasceu dona Maria do Carmo Bezerra Dias, oriunda de uma família muito humilde, filha de Estefânia da Purificação e João Lourenço Bezerra, ambos nascidos na velha Papary.
Seis meses após seu nascimento foi abandonada pelo pai, o qual jamais retornou ao seio da família. Esse acontecimento, que marcaria para sempre a vida dessas duas mulheres, obrigou inicialmente sua mãe a se desdobrar, “numa época difícil”, como diz Maria do Carmo, “para dar conta da família”.
Mulher trabalhadora e abnegada, d. Estefânia sempre foi muito prendada, principalmente nos trabalhos culinários, com os quais se identificava. Com esse perfil não teve outra alternativa, senão tentar a vida através dos seus dotes culinários.
Foi até a mata que começava logo atrás de sua casa, cortou quatro estacas e uma porção de varas, preparou barro e alguns pedaços de ferro que, segundo ela ficavam atrás da igreja, "desde a época do padre Fortunato “Ele ia construir naquele oitão uma gruta de Nossa Senhora do Ó.”, diz dona Mariinha.
Com esses materiais dona Estefânia construiu, ela mesma, um imenso fogão de lenha em seu quintal. “Depois de uns dias mamãe mesma fez uma cobertura com uns frandi que o padre Fortunato deu pra ela. Depois, esse mesmo padre deu para ela umas telhas velhas que ficavam guardadas atrás da igreja. Era telhas de subisalença, para eles colocar quando uma quebrava. Essa gruta ele não chegou nem a começar. Mamãe disse que era um padre tão engraçado” (dizendo isso ela riu muito e colocou a mão direita na boca).
Encerradas as obras que duraram dois dias, dona Estefânia foi à feira de São José e comprou duas panelas de barro e algumas colheres de pau. Após tal empreendimento passou a fazer doces, pamonha, bolo e tapioca. “Mamãe fazia uma rudia de pano, botava na cabeça e botava em cima uma bacia cheia de tapioca e cocada e saia pelas ruas vendendo. Nas sextas e sábados ela gostava de ir vender na estação de trem, ela ia de pés”, diz dona Mariinha.
Assim que o pai abandonou a família, a pequena Maria do Carmo foi adotada por um rico morador da cidade, sr. Joaquim Freire, o qual viria a se tornar mais tarde prefeito de Papary.
Maria do Carmo cresceu nesse cenário. Entre sua casa e a casa do sr. Joaquim Freire. Acostumou-se a muito trabalho e tornou-se, desde criança, a única ajudante da mãe.
Em 1910 o governador Alberto Maranhão cria escolas de primeiras letras em várias cidades norte-riograndenses. Papary é uma dessas cidades contempladas. Surge então a Escola Isolada “Nysia Floresta” (a grafia com ypsilon obedece os documentos originais, embora se trate de equívoco).
Maria do Carmo Bezerra Dias vem a ser uma das primeiras meninas matriculadas nesse importante estabelecimento, pois, no silêncio das preocupações maternas, sua mãe sempre sonhara vê-la numa escola, tendo em vista seu espírito curioso, externado esde criança. “Eu não podia ver um papel que mesmo sem saber ler já ia querendo advinhar tudo o que estava escrito".
O surgimento da escola veio como bálsamo para o coração sofrido e preocupado de dona Estefânia. “A gente ia pra escola tão bonita. Eu usava uma blusa branca com as manga até o cotovelo. A blusa tinha dois bolso aqui (mostra o lado esquerdo). A saia era tão bonita. Era um azul escuro, toda prinsada e batia do joelho pra baixo. Ela lavava roupa em dois lugar. Um era num riozinho que tem até hoje na baixada da delegacia. A água tão limpa que a gente via as pedinha assim correndo e brilhando. A gente tomava água ali mesmo, na parte de cima que não tinha pisero. Até cumê mamãe levava, porque as veis a gente passava muitas horas. O outro pedaço do rio que ela ia era perto do quintal de dona Lulinha (onde hoje tem o Camarão do Olavo). Ela pegava as trochona grande, botava no lombo e fazia carreira prá lá. Naquela época não existia sabão. Ela lavava roupa com melão São Caetano. Depois ela engomava com ferro a brasa, daqueles da bocona assim” (faz gesto com as mãos, juntando em círculo os dois dedos polegares e indicadores – e dá muita risada).
"Minha mãe era muito espirituosa. Para ela não tinha tempo ruim. Era muito alegre e divertida. Ah minha mãe!”, discorre dona Mariinha.
No final de 1917 dona Estefânia é tomada de felicidade, pois a pequena Maria do Carmo é homenageada como a melhor aluna da turma. Com certeza valeram os esforços de uma mãe abnegada, que não fez do fato do abandono do marido motivo para ser amargurada ou para maltratar a filha. Ela sentia apenas o fato de o pai estar ausente num momento tão bonito.
Esse prêmio com certeza foi a culminância do seu projeto pessoal de ser professora. Sua infância reservou pouco tempo para brincar com boneca de pano e sabugo, mas em suas imaginações ela sempre se via como professora. Na escola ela imitava os professores e admirava o ato de ensinar.
Poucos anos de pois de ter concluido os estudos, dona Mariinha passou a dar aulas particulares em sua residência. Durante a manhã e à tarde ela ensinava para crianças, à noite se dedicava aos adultos. Diríamos hoje que era o MOBRAL da época, ou EJA, embora tais políticas educacionais não existiam, logicamente. Isso mostra o quanto a velha educadora era dedicada, pois reservava tempo àqueles que tinham chegado à fase adulta sem serem alfabetizados. E em sua época o índice de analfabetos, homens e mulheres, era gigantesco.
Na época ela cobrava “dez tões” mensais por pessoa, mas quem não pudesse remunerá-la não seria discriminado em nenhum aspecto, pois naquele mister estava uma índole de educadora por excelêcia. Modesta, mas suficientemente capaz de transmitir o essencial para a realidade do panorama ao qual seus conterrâneos estavam inseridos. Os “dez tões” cobrados por dona Mariinha tinham valor simbólico. Diríamos, à luz do atual sistema monetário, equivaler a R$ 20, 00 (vinte reais) por mês. O que era isso mediante uma pedagogia tão completa e uma didática tão moderna?
Pedagogia completa porque a referida educadora se desdobrava para aplicar o máximo de conhecimentos aos seus alunos, por exemplo: matemática, geografia, língua portuguesa e história. Ela não se detinha apenas à matemática rudimentar e à gramática básica, como era comum. A mesma ia mais além, perscrustando os caminhos do conhecimento no cuidado de alargar o campo de informação dos seus alunos. A mesma era metódica e exercia o magistério com o rigor de um ser que se sentia enviado à Terra para aquela tarefa.
É interessante, em caráter de reflexão, analisarmos o nível de conhecimento de muitos alunos que concluem o 5º ano (antiga 4ª série) nos dias atuais. Infelizmente é deplorável, exceto em escolas sérias e sensatas. Existem alunos atualmente que concluem tal nível com potencial de conhecimento equivalente aos que estão sendo alfabetizados. E não é diferente, salvo raras exceções, no ensino médio, conforme matéria jornalística que veio ao ar em 1999, no Jornal Nacional, da Rede Globo de televião.
É notória a admirável dedicação da velha mestra, pois como deveriam ser difíceis os materiais didáticos, os quais, diferentemente da abundância atual, consistiam apenas em livros. E raros.
Didática moderna porque, segundo um dos seus alunos, hoje contador e ex-professor na UFRN, Otacílio Maurício Damasceno, “dona Mariinha jamais usou o terrível instrumento tão temido pelas crianças – a palmatória –, a qual servia para dar bolos nas crianças que erravam os deveres ou desobedeciam os professores”.
O trecho acima aspado foi retirado de um discurso feito por seu ilustre aluno, em 1999, na ocasião das homenagens alusivas à referida professora, tratadas logo no início deste texto. À época mandei emoldurar uma fotografia da mesma e o decreto que a nomeou como professora, em 1942.
A palmatória é um objeto plano, de pau, semelhante a uma escumadeira, com orifícios, usado para bater com força nas mãos de alunos desobedientes ou que errassem respostas. Segundo informações recebidas de pessoas idosas, os “bolos” (como se chamavam as batidas da palmatória nas mãos) eram tão fortes e incômodos que deixavam as mãos doloridas. As crianças ficavam soprando-as e com vontade de molhá-las para aliviar a dor.
Cabe aqui uma reflexão sobre a didática de ensino, pois, justamente as mãos da criança – que estavam em desenvolvimento físico e de coordenação motora – que deveriam receber todo o cuidado possível – eram espancadas através de um pedaço de pau, no qual, juntamente com terrível método, muitas vezes se incluiam o estado de espírito e as frustrações de muitos professores, onde o aluno era o "bode expiatório". Coitada das crianças dessa época!
O fato de dona Mariinha ter abolido o uso desse objeto inquisidor em suas aulas, deixa claro seu método inovador para a época, pois, conforme o sr. Otacílio, “dona Mariinha usava como arma, se assim podemos dizer, a palavra. A palavra mansa, clara, dita com segurança na hora certa. A palmatória da dona Mariinha foi a palavra. A palavra educada”.
O trecho acima foi retirado do discurso proferido por esse seu ex-aluno.
Em sua adolescência dona Mariinha gostava de andar a cavalo, e quando podia empreendia cavalgadas até a praia de Buzios, acompanhada pelo “pai adotivo” e pelas filhas deste. “A gente ia de jumentinho, subindo e descendo duna, comia frutas que encontrava pelo caminho. Ai que tempo bom!”, relembra a velha professora.
Já moça casou-se com o sr. José Henrique Dias, mestre de engenho de açucar, que era uma espécie de responsável pela organização de tudo o que acontecia num engenho durante o fabrico de açucar e melado. “Ele chefiava um grupo de trabalhadores, orientando as coisas que eles tinha que fazer para nada dar errado, nem queimar o açucar, nem deixar o mel amargo”, explica dona Marrinha.
Com ele dona Maria do Carmo teve 11 filhos, tendo morrido dois gêmeos. Generosa, adotou um menino quando esse ainda era criança.
De acordo com o Decreto Executivo nº 4, o prefeito José Dutra nomeou dona Maria do Carmo Bezerra Dias para exercer oficialmente o cargo de professora, em conformidade com o artigo 15, nº 1, do Decreto-lei nº 172, de 28 de outubro de 1942.
Agora remunerada dona Mariinha passou a ensinar gratuitamente a todos os que buscavam os seus ensinamentos.
O senhor José Henrique, segundo dona Mariinha, foi excelente esposo. Trabalhador e dedicado à família. Era muito religioso e devoto de Nossa Senhora do Ó.
Da mesma forma dona Mariinha sempre foi muito religiosa. Criada em lar católico, teve grande dedicação às coisas da igreja. Trabalhou muitos anos na Casa Paroquial, exercendo a função de cozinheira, a qual, como vimos, tinha grande domínio.
Prestou tais serviços no período compreendido entre 1953 a 1956, durante a administração do Cônego Rui Miranda (coincidentemente é o padre que recebeu os despojos de Nísia Floresta, em 1954).
Continuou tais atividades durante a atuação dos padres Armando de Paiva ( (1956 a 1958) e para o padre Antonio Barros (1966), o qual tornou-se futuramente monsenhor. Sempre foi respeitada por todos, graças ao seu espírito prestativo, de grande bondade e gentileza. Somado a isso herdou o jeito alegre da mãe, sabendo brincar na hora certa, quebrando protocolos com graciosidade encantadora.
Durante o período que o padre Rui Miranda atuou em Arês, cidade próxima, logo que saiu de Nísia Floresta, solicitou os trabalhos de dona Mariinha, a qual atendeu-o prontamente.
Trabalhou posteriormente na Cooperativa Popular Mista, localizada no Centro Pastoral Isabel Gondim, vinculada à Igreja Católica.
Dona Maria do Carmo Bezerra Dias não teve a intelectualidade de Nísia Floresta ou de Bráulio Tarquínio, mas, dentro da realidade provinciana da velha Papary, obteve grande destaque. É de se pensar que se essa mulher tivesse tido a oportunidade de ter estudado com mais profundidade, seja como auto-didata ou frequentado os bancos de uma universidade, com certeza teria dado vazão ao seu potencial intelectual e ajudado muita gente.
A autodidata foi professora compreendendo os anos de 1920 a 1970, encerrando seu ofício aos 65 anos, após 50 anos de dedicação ao magistério de Nísia Floresta, representando, pois, uma figura exemplar e digna de ser homenageada e reverenciada na passagem dos seus 105 anos.
A mesma vive até hoje na antiga casa nº, ou seja, na casa-escola, testemunha da formação intelectual de inúmeros nisiaflorestenses. Ali nasceu e cresceu a mais velha professora viva do município. Professora que serve de exemplo para tantos outros educadores atuais.
Nísia Floresta, maio de 2010
Luís Carlos Freire
SOCORRO TRINDADE (Biografia em construção )Os nomes abaixo estão em fase de pesquisa. Longos anos se passaram – até mesmo séculos - sem que fosse feito nenhum tipo de coleta de dados. Isso faz com que as pesquisas sejam morosas, tendo em vista a limitação de arquivos antigos, obrigando aos que se aventurarem nas pesquisas (no meu caso) uma verdadeira garimpagem.JOÃO JOAQUIM DE SALLES E SILVA (tit. de 14 de julho de 1886 e AP. de 2 de fevereiro de 1893)

HELÁDIA RIBEIRO SAMPAIO (tit. de 3 de julho de 1886 e ap. de 27 de janeiro de 1893)
Professores que serviram em 1892 e não foram aproveitados pela reforma, tendo-se exonerado, ou ficando aposentados, jubilados ou em disponibilidade. Os de Papary foram:
ALONSO ELÍZIO EMERENCIANO

MANUEL LAURENTINO FREIRE DE ALUSTAU (Piau)

MANOEL FERREIRA DE MESQUITA (ap. de 1º de fevereiro de 1893)

Nasceu aos..............................e faleceu aos 5 de novembro de 1899, com 84 anos. Foi professor em Papary durante toda a sua vida. N.A. (Ainda não encontrei maiores informações).

THEREZA LUSTOZA DA SILVA E ARAÚJO (ap. 4 de fevereiro de 1895)

AURORA COSTA DE CARVALHO (dirigente) Isolada Masculina


ANNITA DE OLIVEIRA MONTEIRO (Isolada Feminina)


GRUPO ESCOLAR NYSIA FLORESTA –
Decreto nº..........., de ....... de......... de 19....... (ver página 168 N. Lima).

ADÉLIA DA SILVA GURGEL (Lotada em Pirangy)

ANTONIO FÉLIX CANTALÍCIO

TRAJANO LEOCÁDIO DE MEDEIROS MURTA (Engenho Pavilhão)

CÂNDIDO FREIRE DE ALUSTAU NAVARRO ("Seu Candinho").

O sr. Cândido Freire de Alustau Navarro era filho do Professor Manoel Laurentino Freire de Alustau Navarro, o qual era médico homeopata. Sua residência era construída exatamente defronte a entrada da rua da Palha, ou Vila São João.
Ali o "Seu Candinho" atendia a todos os que buscavam alento em seus remédios caseiros, o qual passava dias, às vezes anos preparando certos medicamentos. Foi uma figura extremamente agradável.
Em.............. durante a gestão do prefeito.....................................o seu nome foi dado ao Posto de Saúde central, mas no mandato de George Nei Ferreira a placa de homenagem foi arrancada e jogada fora, cuja homenagem - tão bem pensada - foi ignorada em detrimento do nome de um parente do citado prefeito - inclusive - uma parente desconhecida de toda Nísia Floresta. "Seu Candinho" nasceu aos 13 de agosto de 1856, em Papary. N.A. (Ainda não consegui maiores informações sobre o mesmo).