ANTES DE LER É BOM SABER...
terça-feira, 30 de novembro de 2021
Silêncio é poder
domingo, 28 de novembro de 2021
Lugar de fala ou alteridade?
sábado, 20 de novembro de 2021
O dia que o teto do altar-mor desabou na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, no ano de 2009 (texto escrito em 2014)
Quem é de Nísia Floresta vai se lembrar do que vou contar abaixo. O episódio ocorreu em 2009. Refiro-me ao dia em que os moradores avizinhados à Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó tiveram um susto quando houve um estrondo nas proximidades, e deram conta ter sido no altar desse templo.
O barulho atraiu a atenção de todos os que estavam por ali naquele momento. Eu encontrava-me num prédio próximo dali. Saí, rápido, dando conta que outras pessoas já se aglomeravam à porta da Matriz.
Confesso que "meu coração veio até a boca”. É interessante como o ser humano é ‘imaginoso’, pois um filme de trágico passou pela minha cabeça. Pensei que o imenso lustre de prata tinha se soltado, que os santos tinham despencado, que algum daqueles adornos folheados a ouro tinha vindo abaixo, enfim o estrondo – ampliado pelo eco – fez com que mil coisas fossem pensadas em fração de segundos, até que me deparasse com o que de fato ocorrera.
O estuque, ainda ao modelo daquelas peneirinhas, desabou, atingindo a cadeira central. Não houve danos maiores, exceto o desenho ornamental em alto e baixo relevos que virou “metralha”. Por sorte a minha mania de fotos tinha o registro do teto da Matriz. Desse modo, foi-me confiada a tarefa de transferir o desenho, em tamanho real, para o papel.
Logo foi providenciado o reboco e em seguida a confecção do referido adorno, tendo como molde o desenho que ampliei usando a técnica de quadriculado. O grande problema era encontrar uma pessoa capaz de fazer esse trabalho. Por incrível que pareça, um dos pedreiros que estavam ali disse que conseguiria executá-lo. Lembro-me que o administrador da Matriz, padre Inácio Henrique disse que ele “tentasse”. Se o resultado ficasse ruim, buscaria-se outra alternativa. O rapaz alegou que era impossível errar mediante o molde em tamanho real. Dito e feito. O desenho ficou tal qual a fotografia. Por que estou escrevendo isso, tendo passado quatro anos?
Estou escrevendo para “refrescar a memória” dos que entendem os fatos de forma equivocada e tentam confundir a mentalidade popular. Outro fato que reforça a ideia de zelo às coisas da Matriz deu-se pouco tempo depois, quando deparei-me com a parede sendo “cavoucada” para se construir um nicho para abrigar a imagem original de Nossa Senhora do Ó. Arrancaram as pedras originais – colocadas ali em 1735, jogaram no fundo quintal e deram início a construção do desnecessário nicho.
Sobre o assunto do nicho, na mesma hora telefonei para a Fundação José Augusto e informei o ocorrido, tendo a instituição designado funcionário que desautorizou a continuidade da “obra”. A orientação não foi obedecida. A única coisa positiva, e que consegui abortar, foi a construção de outro nicho na outra parede, em linha reta, que estava previsto (insanidade esta idealizada por um cidadão local).
À época fui muito criticado, pois as pessoas tendem a gostar mais das atitudes silenciosas e acovardadas, por parte de pessoas que fazem vistas grossas a absurdos desse tipo (e piora quando são de autoria de “autoridades”). Mas o que me importa realmente é de estar fazendo a coisa certa.
Hoje, quando protesto contra a forma equivocada como vem ocorrendo às obras da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, aparece gente tentando confundir o pensamento das pessoas mais humildes na tentativa de “demarcar terreno” de cunho político partidário e outros objetivos mesquinhos, tendo, ainda, o desplante de atribuir a mim a atitude que a ela pertence.
Não sou contra a reforma (isso está implícito no meu texto). Sou contra a forma como ela vem ocorrendo, pois não existiu a preocupação com um patrimônio de incalculável valor, pois ficou exposto (as fotos comprovam, inclusive essa, acima). A Matriz possui imagens raras, folheadas a ouro, que não podem ser expostas à luz do sol nem aos riscos que ficou. São nichos folheados a ouro que correm o risco de se molhar ou se estragar acaso despenquem ripas ou telhas que estão sendo tiradas. Tais peças foram feitas à mão. Seus vidros são artesanais e impossíveis de serem restaurados acaso se quebrem. São paredes que não podem receber água de chuva. É um piso raro, de azulejo hidráulico, exposto ao peso de andaimes, sequer protegidos por lona. Tudo isso estava exposto enquanto os pedreiros desmanchavam o teto. Montes e montes de telhas, em “metralha” se espalhavam pelo piso enquanto outras desciam por uma tábua. Foi inacreditável o que eu vi.
Não ignoro os esforços empreendidos pelos fiéis na execução de campanhas para custeio das obras e coisas afins. Sei que são difíceis. Já participei de muitas. O que ignoro e reprovo é o fato de as pessoas (algumas) não entenderem que uma reforma desse porte não pode se dar na perspectiva acanhada como ocorre. É inadmissível admitir que algumas pessoas achem certo que madeiras raras e caríssimas (como ipê e outras) sejam substituídas por madeiras comuns, que durarão, talvez, uma década.
Uma campanha como essa não pode ficar meramente na alçada de uma comunidade pobre, mas numa perspectiva incomparavelmente superior, envolvendo a Petrobrás, Fundação Roberto Marinho, bancos privados, iniciativa privada, governo federal e estadual etc, programados, obviamente, com muita antecedência. Se tivessem me procurado, no tempo hábil, eu teria reservado um tempo para construir um projeto nos moldes ideais – com a participação da FJA – IPHAN e UFRN - levando-o aos órgãos competentes, para depois postular a reforma nos moldes dignos, com os devidos patrocínios.
O correto, em se tratando do tesouro que é a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, é construir uma estrutura de metal sobre a Matriz com telhas de zinco – provisoriamente – e esvaziar o templo completamente, para só depois destelhá-la e arrancar todo o madeiramento. Fico pasmo com as visões diminutas de alguns. Agem como se reformassem um galpão velho do sítio. É uma igreja de 1735! Agora, vendo pessoa equivocada propagando que minha atitude objetiva promoção pessoal e política, só tenho a sentir pena, nada mais. É muita ignorância (ou outra coisa que desconheço – mas suponho aqui com os meus botões).
Finalizando, digo apenas a pessoa equivocada e desprovida de bom senso, que vá se informar sobre os meus feitos em Nísia Floresta, leia, estude antes de propagar maldades guardadas em coração recalcado. O meu cuidado com a Matriz não é de hoje! E não cessará agora. Aliás, o meu cuidado com o patrimônio material e imaterial de Nísia Floresta remonta décadas. Sua maldade me motiva a continuar respeitando o povo e o patrimônio de Nísia Floresta ainda mais. Sei que se você pudesse mandaria matar-me. Tente!
Um olhar diferente sobre a Bandeira do Brasil
Quando criança, lembro
nitidamente a maneira como os professores ensinavam o significado da bandeira
brasileira. Era assim: “o verde do retângulo significa as matas e a natureza; o
amarelo do losango significa o ouro e as riquezas minerais; a cor azul do círculo
representa os mares, rios, aquíferos e afins; as estrelas são os estados e o
distrito federal, lembrando que a estrela solitária representa o Pará, que
naquele ano (1889), era a nossa maior área territorial, próxima ao eixo
equatoriano, portanto destacada mais acima; por último, a faixa branca
representa a paz, e a frase ‘Ordem e Progresso’, inspirada no pensamento
positivista, representa a síntese de que somente com ordem conquistamos o
progresso”.
Bandeira é um símbolo. Tudo nela
possui significados: os traçados, o brasão, o selo e os desenhos. O tempo
passou… eu era adolescente quando um livro se aproximou de mim, me levou até um
canto e contou a verdade que não era dita em nenhuma aula. Minha professora -
muito ocupada com outros assuntos, planos de aula, correção de “trabalhos”,
provas, marido, filhos, roupas para lavar, comida para fazer, casa para varrer,
roupa para remendar, roupa para passar, roupa para cerzir, roupa para engomar -
não teve tempo para se aprofundar e nos repassar a significação exata da
bandeira brasileira, portanto alegorizava a simbologia da bandeira. Era mais
fácil.
VERDE: Os
livros me ensinaram que o VERDE é o símbolo da Casa Real dos “Bragança”. Tudo
começou em Portugal, quando os lusitanos (portugueses) criaram uma bandeira
branca com um enorme dragão verde ao centro, o qual simboliza um ser fantástico
imbatível e vencedor (o dragão!). O próprio Jean Baptiste Debret, quando criou
a primeira versão da Bandeira Brasileira, em 1820, traria o ente fantástico que
findou, muitos anos depois, dando origem aos “Dragões da Inconfidência” que
protegem o palácio presidencial e o palácio do Planalto, em Brasília. O verde,
para os portugueses daquele tempo, representava as lutas libertárias, as
grandes conquistas e, acima de tudo, a esperança e liberdade. Verde era o
estandarte de Nun’Álvares, arvorado na batalha de Aljubarrota. D. Pedro
escolheu essa cor para a bandeira brasileira por ser a cor da casa de Bragança.
OBSERVOU QUE NÃO TEM NADA A VER COM VERDE DAS MATAS?
AMARELO: Essa cor passou a figurar no brasão de armas
de Portugal, após a conquista do Algarve. O amarelo estampa bandeiras, flâmulas
e brasões traduzindo os castelos que representam as fortalezas que os
portugueses tomaram dos mouros. O amarelo recorda, ainda, as cores do Reino de
Castela (Espanha), ao qual, por muito tempo, Portugal pertenceu até a sua independência.
Essa cor também é o símbolo Real da Casa dos Habsburgo. Dom Pedro escolheu o
amarelo por ser a cor da Casa de Lorena, de que usa a Família Imperial da
Áustria. OBSERVOU QUE NÃO TEM NADA A VER COM O NOSSO OURO, AS NOSSAS RIQUEZAS
MINERAIS?
AZUL
e BRANCO: São as cores do Condado Portucalense, fundado em 1097.
D. Henrique de Borgonha criou, como insígnia, uma bandeira também chamada
“Bandeira da Fundação”: uma cruz esquartelando um campo em branco em partes
iguais. São essas cores que o filho, Afonso Henriques, levará à batalha de
Ourique, arvoradas na bandeira paterna. Após as primeiras vitórias sobre os
mouros, Afonso Henriques lhe modifica o desenho mas mantém as cores, o mesmo AZUL e BRANCO que Luís de Camões
defendeu como soldado e exaltou como poeta, “braços às armas feito, mente às
musas dado”. Nos séculos XV e XVI as naus portuguesas ostentavam a bandeira do
Comércio Marítimo, ou das Quinas nas cores AZUL
e BRANCO. Isso aparece num dos primeiros mapas do Brasil, feito em 1534.
Inúmeros brasões dos capitães feudais portugueses que vieram para o Brasil
traziam a cor AZUL e BRANCO, como
Aires da Cunha (no Maranhão), Pero de Góis (donatário da capitania de São Tomé)
dentre outros. Inclusive é importante lembrar que as diversas versões das bandeiras
e flâmulas da Marinha, desde que a corporação surgiu, só trazem AZUL e BRANCO. OBSERVOU QUE NÃO TEM NADA A VER COM O BRANCO
DA PAZ E O AZUL DOS RIOS E MARES?
OBSERVOU
QUE A BANDEIRA DO BRASIL REPRESENTA TUDO, MENOS O BRASIL?
A EXPRESSÃO “ORDEM E PROGRESSO”
nada mais é que a síntese do lema do Positivismo, uma doutrina - ou Filosofia -
criada pelo filósofo Auguste Comte com a finalidade de defender o pensamento
republicano. OBS. Aproveito para esclarecer que, ao contrário do que muitos
afirmam -, a intelectual Nísia Floresta, que frequentou as famosas aulas
ministradas por Comte, em Paris, tendo o conhecido e se tornaram amigos - não
foi a responsável por trazer o Positivismo ao Brasil, como muitos comentam e já
presenciei em palestra. Há até o recorte da fala dele sobre isso, em que Comte
diz que Nísia Floresta seria uma excelente discípula sua se não fosse tão
metafísica.
Pois bem, para ampliarmos as reflexões, vale a pena entender detalhes lá dos detrás dos detrases, tendo em vista que o Brasil teve outras e outras bandeiras antes dessa atual. Por exemplo, entre 1815 a 1821 vigorou a primeira bandeira do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, que é a hipotética bandeira armorial do Reino do Brasil. Digamos que essa é a trisavó da atual bandeira… seria trisavó mesmo?
Depois, entre 1822 a 1889, vigorou o Pavilhão Pessoal dos Príncipes Reais, adaptado como bandeira do Reino do Brasil, de setembro a dezembro de 1822. Em seguida veio a bandeira do Império do Brasil, durante o primeiro Reinado, com 19 estrelas, depois a bandeira do Império do Brasil, durante o segundo Reinado, com 20 estrelas, depois a bandeira criada por José Lopes, depois a bandeira criada por Rui Barbosa (adotada pelo Governo Provisório) durante quatro dias. Houve uma bandeira também em 1889, provisória, que mais parecia a bandeira dos Estados Unidos da América, inclusive até nisso houve a cópia "Estados Unidos do Brasil". E finalmente a bandeira atual…
Enfim, tentei resumir no
máximo uma longa e detalhada história de cores e simbologias que pincelam a
atual Bandeira Brasileira. Acho até poético os professores ensinarem essa coisa
ufanista às crianças, mas – entendam como quiserem –, nós, brasileiros, nunca
tivemos a Bandeira do Brasil de fato, criada numa concepção nossa, retratando a
essência do Brasil. Em que parte estão representados os povos indígenas na
Bandeira Brasileira? Eram milhões! E os povos africanos vindos para cá feito escravos,
em que parte da bandeira eles estão?
A bandeira brasileira que desabrocha
da minha brasilidade tem sete pessoas segurando o mapa do Brasil, em pé, sobre
o planeta Terra. Quatro homens e três mulheres (ou vice-versa). Seis
representam os seis continentes, cujos seus figurinos retratariam a essência de
cada região. A sétima pessoa representa os povos indígenas, teria um cocar e a
flecha. No chão haveria uma corrente quebrada representando a liberdade dos
povos africanos escravizados, os quais significaram o motor da economia inicial
do Brasil. Sobre o mapa do Brasil haveria um ramo da flor do pau Brasil
representando essa árvore cheia de simbologia, inclusive, sua cor amarelo-ouro retrata
as riquezas das mais diversas do nosso país. Lá atrás, no horizonte, teríamos
pés de café, coqueirais e canaviais. Há uma representação da invasão dos
portugueses, que chamamos de "descobridores". No fundo dessa imagem
teríamos a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, em pé, trajando um
vestido todo feito de labirinto, segurando um livro representando as obras
completas de Machado de Assis. É uma homenagem à inteligência brasileira.
Finalizando a bandeira do
Brasil saída dos meus dedentros... você já prestou atenção na bandeira de
Portugal? A faixa maior é vermelha, evocando o aspecto ibérico da Espanha. Essa
bandeira teria ao fundo, sob o brasão já explicado, uma larga faixa na cor
vermelha (COMO É A DE PORTUGAL). É a representação do sangue de milhões de
indígenas e escravos africanos. Seria a representação genuína de um duplo
morticínio. No topo dessa faixa vermelha haveria uma coroa (seria a única
representação de Portugal, até porque não podemos negar a História). Essa faixa
vermelha teria em cima e em baixo, a cor branca (como um sanduíche, cujo
recheio fosse o vermelho). Atravessando essas cores vermelha e branca, há o
imenso rio Amazonas, descendo sinuosa e verticalmente do topo à base do
retângulo. Essa é a bandeira do Brasil, segundo a minha interpretação.
Tantos anos se passaram e se
esqueceram de criar a bandeira verdadeiramente brasileira, em que todos nós –
brasileiros -, descendentes de povos indígenas, pretos, brancos e amarelos, autores
que somos de uma inteligência nossa – brasileira –, nos reconhecêssemos, nos
identificássemos e nos enxergássemos nela… Bandeira é a identidade de uma
nação.
A bandeira do Brasil é o
símbolo do nosso país, e não de outros país, como constatamos nessas
informações históricas que tentei resumi-las.
Se analisarmos com honestidade, a Bandeira do Brasil ainda está por se
desenhar. Alguns equivocados poderão tentar desvirtuar esta reflexão,
associando a ideia ao Comunismo, Socialismo, PT, coisa de esquerda etc. Pois
essa é a moda daqueles que não tem o que dar. A bandeira deve comunicar que a
maior parte de uma nação legítima foi assassinada, e escorreu sangue... e
sangue é vermelho... 20.10.20
sexta-feira, 19 de novembro de 2021
No dia da Bandeira Brasileira, a minha mensagem...
quarta-feira, 17 de novembro de 2021
Acta noturna - Transporte Potiguar LTDA - Cícero Isaías de Macedo - 1953
A imagem surpreendente deste antiquíssimo ônibus - de aparência singular -, me fez viajar numa viagem que meus pais fizeram inúmeras vezes. E por terem narrado-a para mim e meus irmãos, não pude deixar de viajar também - e me emocionar - nessa fotografia que conta 68 anos de idade.
| Ivanaldo Pereira da Silva era o motorista daquela época, nesta imagem ele se encontra com 20 anos de idade. |
domingo, 14 de novembro de 2021
O caso "Lagoa do Bonfim" e outras problemas aquíferos em Nísia Floresta - um testemunho (escrito em fevereiro de 2020)
