HÁ QUEM ESCREVE PARA AGRADAR A CORRUPÇÃO
HÁ QUEM ESCREVE PARA
AGRADAR A CORRUPÇÃO
Informaram-me
ter uma maninha apregoado que eu tenho feito merchandising com o nome
da filha mais ilustre de Papari. Soube que, a cada foto que eu
postava, ao longo de uma semana anterior a data do seu natalício, a
referida tinha uma espécie de enfarto – ou "piripaque".
Eu
nunca procurei, implorei e nem paguei para que emissoras de televisão
divulgassem o meu trabalho. Nunca imaginei que instituições em
âmbito nacional, me procurariam para contribuir, na condição de
conhecedor da história, com instrumentos de divulgação. Isso
ocorreu de forma espontânea, certamente pelo ineditismo da proposta
(pesquisa, teatro e documentário), e pela capacidade que adquiri ao
longo do tempo. O que pode ocorrer a qualquer pessoa que o fizesse.
A
bizarrice dessa notícia me surpreendeu. Até essa agora? Era só o
que me faltava!
Eu
não posso apagar um passado de 22 anos de estudo abnegado para
deixar feliz quem está querendo agradar o poder, almejando funções
para si e seus familiares, num teatro típico de Hollywood.
Se
a minha história está ligada – por inúmeras razões – ao que
tanto a incomoda, não posso fazer nada, mas acredito merecer, no
mínimo, respeito.
Todos
são unânimes em reconhecer o que fiz e continuo fazendo no âmbito
do resgate e da divulgação da insigne personagem em questão. Os
que fazem o contrário são movidos nada mais que pela maldade de não
terem se adiantado no assunto, querer encobrir ou apagar o que foi
feito.
Minha
relação com esse trabalho remonta a minha chegada aos rincões
potiguares. E nunca o fiz almejando projeção, politicagem e coisas
do gênero.
Sobre
tal detalhe, tenho a dizer que aceitei concorrer à função política
por aceitar sugestão de respeitáveis pessoas, como o padre João
Batista, por exemplo. O que desejo para a terra do camarão é o que
o referido sacerdote e muitas pessoas – verdadeiramente de bem –
desejam.
Mas,
retomando o assunto, causa-me espanto tanta revolta. O que fiz foi
meramente divulgar fotos inéditas de um feito que marcou a história
do município, cujas pessoas que vivenciaram aquilo dizem jamais se
esquerecer. Todas ficaram encantadas com as fotos.
Prova
maior foi a repercussão, pois conservei tais imagens inéditas para
presentear os nisiaflorestenses em data e momento convenientes –
como tenho centenas de outras imagens e gravações de outras
emissoras, inclusive de Brasília, ainda não divulgadas.
Deixo
claro para essa pessoa equivocada, que jamais almejei louros.
Quando,
por ironia do destino, precisei estar na Câmara de Vereadores,
sexta-feira passada, dia 11.10.13, não foi para "dar cantada em
condecorações", como muitos o fazem, inclusive me recusaria a
receber quaisquer delas acaso fosse merecedor (e deixo aqui
registrado essa recusa).
Diante
de algumas pessoas tão merecedoras, como por exemplo, a dona
Raimunda (inclusive caminhando para cem anos) e dona Salete, do
Porto, que dramatizam o Pirão-Bem-Mole (o qual tive o prazer de
tê-lo resgatado); professor Josivaldo do Nascimento (cujos
professores que não foram à luta devem a ele, em primeiro lugar, a
conquista de inúmeros direitos trabalhistas); a escritora Socorro
Trindade, autora de diversos livros e publicações conjuntas em
nível nacional; a escritora Ana Angélica Timbó, que teve uma ONG
em Nísia Floresta e sempre lutou por cidadania na terra de sua
admirada conterrânea, dentre tantos nomes, causa pasmo ver algumas
pessoas sendo condecoradas por conveniências diversas.
Num
momento de se evocar a filha mais ilustre do Vale Sagrado, ignoraram
pessoas como Simone Barros, Marcelo Borba, Niseuda Maria do
Nascimento, Ormiro Neto, Patrícia Nascimento, Vá, Márcia de Zuza e
outros ex-alunos, pioneiros, os quais, através do teatro, levaram o
nome de Nísia Floresta para fora do Rio Grande do Norte e no próprio
estado.
Interessante
é que o trabalho dessas pessoas parece causar muito incômodo –
portanto deve ser esquecido – ao invés de dignificar e ser
mostrado como exemplo para a nova geração.
Todo
ser humano normal deve se incomodar – e sentir indignação – com
as contradições e injustiças promovidas por quem quer que seja.
Acredito
que há quem escreve para a plebe, e há quem escreve para os "reis"
e para as "rainhas" das Bruzundangas. Eu prefiro escrever
para a plebe. Quem escreve a serviço dos imperiais acaba fomentando
indiretamente a corrupção.
Quanto
a história da Maninha, digo apenas que não posso silenciar. Existem
coisas que, por serem feitas com amor e luta, tornam-se um
patrimônio. Elas tomam uma amplitude tão superior que fogem das
nossas mãos e se tornam de todos. E isso não é merchandising. Isso
chama-se condecoração real! Por excelência!

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