SOB O CÉU EM VIGÍLIA: MEMÓRIA, CHUVA E PERMANÊNCIA EM NÍSIA FLORESTA...
Nesta noite desta sexta-feira, 24 de abril de 2026, o município de Nísia Floresta foi palco de um acontecimento de profunda densidade histórica, simbólica e afetiva: a realização do II Movimento Pró-Memória Nísia Floresta, solenidade idealizada para assinalar os 141 anos do falecimento de Nísia Floresta Brasileira Augusta, uma das mais notáveis pensadoras do Brasil oitocentista, falecida em 1885, em Rouen, França.
O dia, porém, amanheceu sob o signo das águas. Chuvas torrenciais e persistentes desabaram copiosamente, tornando alguns pontos do centro da cidade de Nísia Floresta e a estrada de acesso ao Sítio Floresta, um verdadeiro mar desde as primeirashoras da manhã, impondo uma reconfiguração inevitável da programação previamente concebida.
Estavam previstas participações de instituições de elevado prestígio intelectual e cultural, como a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, a Academia de Letras e Artes de Parnamirim, além do Coral da SEMUC de Parnamirim e da Banda da Polícia Militar de Natal, nos moldes do I Movimento Pró-Memória, ocorrido no dia 12 de outubro de 1989. Também figurava na programação a outorga de medalhas por parte da Câmara Municipal de Nísia Floresta a diversos estudiosos e agentes culturais, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à preservação e difusão da memória nisiaflorestense.
O espaço reinaugurado, carregado de reverência cívica, abriga o Monumento em homenagem à filósofa - erguido em 1909 por ocasião do centenário de seu nascimento, ainda que sob imprecisão cronológica, visto que Nísia Floresta Brasileira Augusta nasceu em 1810 - e o seu Mausoléu, edificado em 1955, quando seus restos mortais foram trasladados da França para o solo potiguar nove meses antes de ali ser depositado.
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| Governadora Fátima Bezerra |
A solenidade contou com a presença de importantes autoridades, entre as quais a governadora do Estado, Fátima Bezerra; o prefeito municipal, Gustavo Santos; a vice-prefeita Maxsa Valéria Mesquita; o secretário municipal de Cultura; o presidente da Fundação José Augusto, Gilson Matias; o presidente da Capitania das Artes, Dácio Galvão; além de demais autoridades locais e representantes da sociedade civil. A presença dessas lideranças reafirmou o compromisso institucional com a preservação do patrimônio histórico e com a valorização da cultura potiguar.
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| Prefeito Gustavo Santos, tendo à sua esquerda a vice prefeita Maxsa e o secretário de Cultura, Jorge Januário. Á direita, a governadora Fátima e o Presidente da Câmara, Luiz de Castro |
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| Em primeiro plano, Gilson Matias, presidente da Fundação José Augusto, um dos assessores de Fátima e Dácio Galvão, presidente da Capitania das Artes. |
Na sequência, a vice-prefeita Maxsa Valéria Mesquita ressaltou, com emoção o papel fundacional de Nísia Floresta na luta pelo acesso das mulheres à educação. Reconheceu que a presença feminina nos espaços de poder contemporâneos não é fruto do acaso, mas de uma longa trajetória iniciada por vozes pioneiras como a de Nísia.
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| Jorge Januário de Carvalho, Fátima Bezerra, Gustavo Santos e Maxsa. à esquerda de Jorge, um dos assessores da governadora. |
O secretário municipal de Cultura, professor Jorge Januário de Carvalho, num pronunciamento fortemente poético, sublinhou a dimensão universal da obra de Nísia Floresta, projetando-a para além das fronteiras do Brasil. E ainda brincou com o vereador presente, Eugênio Gondim, relembrando que em tempos passados, o edil riu bastante e até hoje relembra quando ele, empolgado, pediu que Nísia Floresta saísse do túmulo, o que provocou risadas nos prseentes. Jorge Januário agradeceu ao prefeito pela sensibilidade e firmeza na condução de políticas públicas voltadas à valorização da memória cultural, ressaltando que iniciativas como aquela contribuem para consolidar a identidade histórica do município. Fez questão de esclarecer que, desde que o prefeito assumiu, deixou claro que daria dignidade àquele espaço sem mesmo ter sido cobrado, gesto este que me causa admiração, tendo em vista que desconheço história parecida, tendo em vista que o Conjunto Histórico Nísia Floresta nunca recebeu uma política perene de cuidado, oscilando em constante abandono e eventuais cuidados.
Encerrando a cerimônia, a governadora Fátima Bezerra proferiu um discurso conciso, porém carregado de significado. Traçou um panorama do protagonismo feminino no Rio Grande do Norte, inserindo Nísia Floresta entre as pioneiras que abriram caminhos para gerações futuras. Em gesto de reconhecimento, destacou a dedicação de Luís Carlos Freire à pesquisa e divulgação da obra nisiaflorestense, parabenizou o prefeito pela iniciativa de restauração do espaço e enalteceu o trabalho persistente do secretário de Cultura na realização de eventos que mantêm viva a memória de Nísia.
Como que desafiando o próprio céu que ameaçava desabar novamente, o encerramento da solenidade foi marcado por um espetáculo pirotécnico que, em excelsos clarões, transformaram em dia a noite do Sítio Floresta. As luzes, refletidas nas superfícies ainda enlameadas pela chuva, pareciam traduzir, em linguagem visual, a permanência luminosa de Nísia Floresta na história do Brasil.
Assim, mesmo sob possibilidade de o céu desabar a qualquer instante, o II Movimento Pró-Memória Nísia Floresta afirmou-se como um ato de resistência cultural, de reafirmação identitária e de compromisso com a memória, demonstrando que, quando a história é convocada com verdade e reverência, nem mesmo a força das chuvas é capaz de silenciar sua voz... Foi um momento de emoção... E, como gritou fortemente a governadora: "VIVA NÍSIA FLORESTA"...

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