ANTES DE LER É BOM SABER...

Este blog - criado em 2008 - não é jornalístico, embora contenha alguns conteúdos que navegam levemente nessas águas. Os textos são de autoria de Luís Carlos Freire, o qual descende do mesmo tronco genealógico da escritora Nísia Floresta. Esse parentesco ocorre pela parte das raízes da mãe do autor deste blog, Maria José Gomes Peixoto Freire, neta de Maria Clara de Magalhães Fontoura, trineta de Maria Jucunda de Magalhães Fontoura, descendente do Capitão-Mor Bento Freire do Revoredo e Mônica da Rocha Bezerra, dos quais descende a mãe de Nísia Floresta, Antonia Clara Freire. Essas informações são encontradas no livro "Os Troncos de Goianinha", de autoria de Ormuz Barbalho Simonetti, um dos maiores genealogistas brasileiros. O referido livro pode ser pesquisado no Museu Nísia Floresta, no centro da cidade. Luís Carlos Freire é especialista na obra de Nísia Floresta, membro da Comissão Norte-Riograndense de Folclore, sócio da Sociedade Científica de Estudos da Arte e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Possui trabalhos científicos sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, publicados nos anais da SBPC, Semana de Humanidade, Congressos etc. É autor de 'História do Município de Nísia Floresta', 'Cultura Popular em Nísia Floresta', 'A linguagem Popular em Nísia Floresta', dentre inúmeros trabalhos na área de história, lendas, costumes, tradições etc. Uma pequena parte das referidas obras ainda não estão concluídas, mas o autor entendeu ser útil disponibilizá-la neste blog, enquanto as conclui. Algumas são inéditas. O acesso permite aos interessados terem ao menos uma boa noção daquilo que buscam, até porque existem situações em que certos assuntos não são encontrados nem na internet nem em outro lugar. Algumas pesquisas são fruto de longos estudos, alguns até extensos e aprofundados, pesquisados em arquivos de Natal, Recife, Salvador e na Biblioteca Nacional no RJ. O autor estuda a história e a cultura popular da Região Metropolitana do Natal. Esse detalhe permitirá ao leitor encontrar informações históricas sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, sobre o município homônimo, situado na Região Metropolitana de Natal/RN, além de crônicas, artigos, fotos poemas, etc. É PERMITIDO COPIAR TEXTOS DESTE BLOG, DESDE QUE A AUTORIA SEJA MENCIONADA. OBS. Só publico comentários que contenham nome completo, e-mail e telefone, pois repudio anonimato.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

ROTEIRO VÍDEO-DOCUMENTÁRIO HISTÓRIA DE NÍSIA FLORESTA AUTOR: LUÍS CARLOS FREIRE NÍSIA FLORESTA - 2004

ROTEIRO VÍDEO-DOCUMENTÁRIO HISTÓRIA DE NÍSIA FLORESTA AUTOR: LUÍS CARLOS FREIRE NÍSIA FLORESTA - 2004

1ª TOMADA: Imagens das ruas de Nísia Floresta. Local: Túmulo de Nísia Floresta Ruas da cidade de Nísia Floresta Pessoas nativas (imagens do cotidiano) ÁUDIO: CD Jóias da Música – Prelúdio e Fuga sobre o nome de Bach – Liszt - Vol. 7 – Faixa 8 TEXTO: Dizem que quanto menor uma cidade, maior é o contingente de lendas, superstições e mitos. O imaginário popular dos moradores da acanhada cidade de Nísia Floresta não poderia fugir à regra - é muito rico. Os mais velhos passam para os filhos o legado recebido dos pais e estes, por sua vez, vão transmitindo-o às gerações futuras. Como não poderia ser diferente, a figura mais importante da cidade, cujo nome foi dado ao próprio município: NÍSIA FLORESTA, não passa incólume. Uma cortina de preconceito e falta de conhecimento divide o cenário entre ficção e história real. O legado dessa notável intelectual é quase desconhecido, pois a imaginação da maioria dos nativos construiu outro personagem. Poucos nisiaflorestenses conhecem a história dessa extraordinária mulher, a qual é privilégio de alguns professores e pessoas afeiçoadas à leitura. Isso não ocorre apenas no próprio município, mas em todo o estado. Infelizmente a grande maioria do povo absorveu uma história marcada por preconceito e tabus, herdada de um passado no qual a mulher era discriminada e rejeitada pela própria família por cometer atitudes simples, como separar do marido, mas que sob o olhar da época, era como cometer um crime. Nísia Floresta pagou um preço muito alto por ter se separado do marido em pleno início do século XIX, carregando um fardo pesado ao longo de toda a sua vida - fruto dessa atitude. Foi exatamente esse o motivo que gerou toda uma história recheada de lendas das mais absurdas, preservadas até hoje, não apenas pelos moradores do seu próprio município e do estado, mas até por pessoas letradas de outros estados, as quais ignorantes da obra de Nísia Floresta permanecem propagando e escrevendo artigos caluniosos, alimentando desejos pessoais e seus próprios preconceitos. O objetivo deste vídeo-documentário não é criticar aqueles que preferem preservar a lenda, mas mostrar a história real de uma das figuras mais importantes do Brasil, a qual, infelizmente ainda não foi totalmente reconhecida. É relevante dizer que aqueles que conhecerem a obra de Nísia Floresta jamais farão tal juízo, pois o legado de Nísia Floresta é extraordinário. Revela muito mais que uma mulher séria, genial, uma visionária, de personalidade forte e ousada. Mas uma figura que abriu caminhos e construiu pilares transformadores em prol de diversas causas da história do nosso país. Ela deixou, sim, um legado invejável e fundamental para o entendimento da trajetória da história do nosso país, o qual, mais que dever, é uma obrigação que todo brasileiro o conheça. _______________________________________________________________ DEPOIMENTO: Dr. Diógenes da Cunha Lima TEMA: As lendas em torno de Nísia Floresta _______________________________________________________________ 2º TOMADA: Foto de Nísia Floresta surgindo aos poucos, sobrepondo as imagens da primeira tomada. ÁUDIO: CD Hino a Nísia Floresta – Faixa 2 (Play-Back). TEXTO: Este documentário tem como objetivo contar a história de Nísia Floresta de uma forma dinâmica e objetiva, explorando recursos que facilitarão a compreensão, tais como: fotos, recortes de jornais, documentos e depoimentos de estudiosos e nativos. Você terá a oportunidade de conhecer Nísia Floresta, e os que já conhecem poderão adquirir novos conhecimentos e ver novas imagens. O trabalho remonta onze anos de pesquisa e dedicação realizados pelo pesquisador Luís Carlos Freire. Permita ser testemunha de uma história, e não mais uma lenda. Prepare-se para mergulhar na trajetória de uma das figuras mais importantes do Rio Grande do Norte. 3ª TOMADA: Retratos de Nísia Floresta. ÁUDIO: CD Hino de Nísia Floresta – CD – Faixa 2 (Play-Back). TEXTO: A partir de agora tudo é real. Sejam todos bem vindos a “HISTÓRIA DE “NÍSIA FLORESTA”. OBSERVAÇÃO: O título do vídeo-documentário ficará sobre os quatro retratos que apareceram, lado a lado, na tela. 4ª TOMADA: Respingos de chuva sobre flores. (Close-up). Câmera se aproximando da casa de Nísia Floresta, abrindo um plano panorâmico. LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: CD Jóias da Música – Canção de ninar – Brahms – Vol. 8 - Faixa nº 1 TEXTO: São nove horas da noite. Estamos no Sítio Floresta, povoação de Papari, no Rio Grande do Norte, no dia 12 de outubro de 1810. 5ª TOMADA: Enquadramento da casa de Nísia Floresta. A câmera entrando na janela. LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: CD Natal – Faixa 7 (Apenas o choro do bebê). TEXTO: Acaba de nascer a primeira filha do casal Dionísio Gonçalves Pinto Lisboa e dona Antonia Clara Freire. A pequena criança recebeu o nome do pai. DIONISIA GONÇALVES PINTO. 6ª TOMADA: Dona Antonia (30 anos) semi-sentada na cama, segurando o bebê, observada por Sr. Dionísio (33 anos), Maria Isabel (sete anos) e Pepe (35 anos - uma escrava). LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: CD Passarinhos – Paisagens da Minha Terra - Faixa nº 1 TEXTO: Ninguém imaginava que aquele bebê se tornaria “a mais notável mulher de letras do século XIX”, como a denominaria mais tarde Oliveira Lima. Aquele bebê viria a ter um cérebro prodigioso e produzir um legado importante para a história do Rio Grande do Norte. Mas espere, ela é um bebê. Ainda chegaremos lá! 7ª TOMADA: Sr. Dionísio (33 anos) esculpindo em pedra sabão na calçada de sua casa, observado pela filha Dionísia. LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: Idem ao da 6ª tomada TEXTO: O pai de Nísia Floresta, um conceituado advogado, chegou à região nos primeiros anos do século XIX. Era português, muito culto e de idéias liberais. Era também um excelente escultor. 8ª TOMADA: Fachada da Igreja Matriz de Nossa senhora do Ó. LOCAL: Centro - Nísia Floresta ÁUDIO: CD Canto Gregoriano TEXTO: Na sacristia da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, em Nísia Floresta há um exemplar de sua arte. 9º TOMADA: Escultura feita pelo pai de Nísia Floresta na Sacristia da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó. ÁUDIO: CD Canto Gregoriano TEXTO: É um indiozinho feito em pedra sabão, com as mãos levantadas acima da cabeça, como estivesse sustentando o lavabo. 10ªTOMADA: Pia Batismal. LOCAL: Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó – Nísia Floresta ÁUDIO: CD Canto Gregoriano TEXTO: Permanece também ali a pia batismal, onde Nísia Floresta foi batizada. 11ª TOMADA: Roças de milho, lagoas e matas, animais silvestres, rios, Praias, etc. OBSERVAÇÃO: Explorar várias paisagens rurais do município e complementar com a fita da Amazônia. LOCAL: Nísia Floresta ÁUDIO: CD Pantanal Suíte Sinfônica – Noite – Marcos Viana/Warner Chappell - Faixa 5. TEXTO: Papari era uma região quase inabitada, rodeada de roças de milho e belíssimas paisagens intocadas pelo homem branco. Lagoas, rios, cachoeiras, praias e florestas virgens. Caranguejos, goiamuns, siris e aratus caminhavam por todo o vale, nos terreiros das casas, como se todas as terras fossem suas. A fartura de peixes, camarão e outros crustáceos eram imensa e seu povo vivia num verdadeiro paraíso irmanado aos índios mopobus. Papari era um vale sagrado. Com certeza o nome do Sítio Floresta era uma alusão às matas fechadas que se estendiam por quilômetros a fio, cheias de segredos, bichos, índios e lendas. Uma verdadeira Floresta. 12ª TOMADA: Dona Antonia (30 anos); Sr. Dionísio (33 anos), Nísia (bebê) e Maria Isabel (7anos) conversando numa sala. ÁUDIO: Idem a 11ª tomada. LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta TEXTO: Dona Antonia era filha do Capitão-Mor Bento Freire do Revoredo e de Dona Mônica da Rocha Bezerra. Quando se casou com o Sr. Dionísio ela era viúva e tinha uma filha chamada Maria Isabel do Sacramento, sendo pouquíssimas as informações sobre ela. Pouco se sabe sobre Dona Antonia Clara Freire. É possível deduzir pelos relatos escritos por Nísia Floresta que era uma mulher muito inteligente, apesar de analfabeta. Uma mãe carinhosa e exigente, tal qual a filha Nísia se tornaria mais tarde. 13ª TOMADA: Henry Koster (40 anos); D. Antonia (30 anos); Sr. Dionísio (33 anos); Pepé (35 anos – servindo-os); Maria Isabel (7 anos). Todos estão à mesa jantando. LOCAL: Faz. Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: CD Passarinhos – Vôo livre - Faixa nº 2 TEXTO: Em maio de 1810 o Sr. Dionísio encontrava-se na estrada que ligava a Vila de São José de Mipibu a Papari, quando deparou-se com o famoso viajando inglês Henry Koster, vindo nos feudos de André de Albuquerque Maranhão. Muito gentil, o Sr. Dionísio convida-os para descansarem em sua casa, apresentando sua esposa e a enteada Maria Isabel, onde almoçam juntos. Henry Koster ficou surpreso com o tratamento recebido pela família do português, pois não era comum as mulheres estarem no mesmo ambiente que os homens estranhos, tampouco sentar-se a mesa com viajantes. Normalmente elas ficavam totalmente isoladas. O viajante inglês, ao relatar essa passagem, nos faz perceber o estilo liberal em que Nísia Floresta fora criada, bem como a educação avançada dada por seus pais. Essa reflexão nos permite reconhecer que não se tratava de uma família apegada a certos tabus e preconceitos. Com certeza a pequena Nísia Floresta teve uma formação que destoava das outras meninas da região. A propósito crescera familiarizada com os livros do pai, conhecendo os clássicos, livros de história universal e logo cedo obterá ensinamentos de línguas estrangeiras ministrados pelo Sr. Dionísio. 14ª TOMADA: Dona Antonia (32 anos – mesma intérprete – na cama segurando um bebê “Clara”); Sr. Dionísio (35 anos – mesmo intérprete com outra roupa). LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: Idem ao da 13ª tomada TEXTO: Logo após o nascimento de Nísia Floresta, Dona Antonia teve outra filha, provavelmente em 1812, a qual recebeu o nome de Clara. Não se sabe se ela nasceu em Papari ou em Goianinha, pois não há registro de maiores detalhes sobre sua vida. 15ª TOMADA: Sr. Dionísio (40 anos) na calçada esculpindo em pedra sabão, enquanto Nísia Floresta (7 anos), ao lado, folheia um livro e D. Antonia (37 anos) os observa. LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: Ídem ao da 13ª tomada TEXTO: O Sr. Dionísio, além de dar as primeiras instruções educacionais, deu-lhe uma formação liberal, diferindo do estilo da época, no qual as meninas eram educadas apenas para os serviços domésticos: costurar, cozinhar, bordar, fazer doces, decorar livrinhos de reza e outras práticas afins. Era como se estivessem sendo preparadas para o casamento. As meninas mais sofisticadas aprendiam as quatro operações e estudos da língua portuguesa. Tudo isso integrava o padrão da época, num respeito aos costumes herdados dos portugueses, por sua vez herdados dos mouros. As mulheres eram vigiadas pelos pais, irmãos e pela sociedade, e esta não perdoava as que fugissem a regra. As mínimas falhas eram vistas com escândalo e reprovação. O universo feminino era marcado por tabus e preconceitos. A família de Nísia Floresta era um contraste em face desta sociedade hiper conservadora. 16ª TOMADA: Ilustrações da rebelião iniciada em 1817 (livros de História do Brasil). ÁUDIO: Sons de tiros, gritos e explosões. TEXTO: No início de 1817, quando Nísia Floresta tinha sete anos de idade, chegavam informações de uma rebelião que ocorria em Recife. O povo pernambucano, como a maioria dos brasileiros, estava cansado dos abusos cometidos pelos portugueses, conhecidos como “Marinheiros”. A rebelião se alastrava por toda a região nordestina. Os rebeldes brasileiros queriam criar um governo local e autônomo. Durante muitos anos a bandeira anti-lusitana tremulou forte, alimentando a revolta entre os nativos, os quais perseguiam os portugueses onde quer que estes se encontrassem. 17ª TOMADA: Sr. Dionísio (40 anos) se arrumando para fugir, observado por D. Antonia (37 anos), desarrumada, aos prantos. LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: Idem a 16ª tomada. TEXTO: O Sr. Dionísio, por ser português, não poderia receber tratamento diferente. Por diversas vezes teve que sair às pressas para não ser apanhado pelos revoltosos, os quais perambulavam pela região à cata de portugueses. Certa vez, cansado desse ambiente tenso e amedrontador, onde era obrigado a se esconder nas matas para se proteger, resolveu se mudar com a família para Goiana, uma próspera cidade do estado do Pernambuco, onde ficariam até que os conflitos melhorassem no Rio Grande do Norte. 18ª TOMADA: Corpos mutilados e sangrados. ÁUDIO: Idem a 16ª tomada. TEXTO: Enquanto isso a revolta continua em diversos pontos do nordeste, mas o excesso de idealismo dos revoltosos e a falta de experiência com esse tipo de conflito colaboram para que eles sejam vencidos pela Coroa Portuguesa. A rebelião é contida e as conseqüências são amedrontadoras. Os portugueses na tentativa amedrontar e intimidar o povo brasileiro de modo geral, agem barbaramente. Corpos são cortados em pedaços e expostos em estacas, cabeças são arrancadas e exibidas nas ruas e praças. Os portugueses não admitiam nenhum tipo de levante contra a coroa Portuguesa e reagiam com crueldade e truculência. Era uma forma de coibir até mesmo o surgimento de ideais da independência do Brasil. 19ª TOMADA: Maria Isabel (19 anos) penteando os cabelos de Nísia Floresta; Nísia Floresta (10 anos) estudando; Imagens antigas de Goiana - Discket nº Pepé (43 anos) com Joaquim (recém-nascido) ao colo. LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: As 150 Mais Belas Músicas – Coro das Freiras – Johann Strauss Jr. - Vol. 5 – Faixa 9 TEXTO: A cidade de Goiana foi uma verdadeira escola para a menina Nísia Floresta. Ali ela presenciou fatos muito importantes. Goiana foi a primeira vila pernambucana a alforriar os escravos antes da Lei Áurea, quando muitos nem cogitavam tal possibilidade. Era um importante centro intelectual um berço esplendoroso de riqueza e cultura, cujas idéias republicanas e liberais, amadurecidas ali, influenciavam todo o nordeste. O clima radiante de Goiana obviamente influenciou e amadureceu Nísia Floresta. Foi ali que nasceu em 1819 o seu irmão Joaquim Pinto Brasil, o qual viria a se tornar mais tarde um brilhante educador, e proprietário de conceituados colégios no Rio de Janeiro. 20ª TOMADA: Nísia Floresta (10 anos) estudando. LOCAL: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte - Natal Nísia Floresta (10 anos); Sr; Dionísio ((45 anos – o mesmo intérprete); D. Antonia (42 anos); Clara (10 anos); Maria Isabel (19 anos); dois escravos (entre 20 a 40 anos) ajeitando os móveis na calçada. LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta MATERIAL NECESSÁRIO: um cavalo, uma carroça, móvel. ÁUDIO: CD 5 – As 150 Mais Belas Músicas – Coro das Freiras - Johann Strauss Jr. – Faixa nº 9. TEXTO: Alguns estudiosos supõem que Nísia Floresta tenha feito alguns estudos no Convento das Carmelitas, em Goiana, pois ali existia uma rica biblioteca, onde as famílias ricas normalmente colocavam suas filhas para aprenderem estudos clássicos, línguas européias, trabalhos manuais e canto. Independente dessa suposição sabe-se que Nísia Floresta precocemente dominou as línguas francesas e italianas, a ponto de oferecer-se como mestra, lecionando na residência dos seus pais. O dom de educadora se revelava naquela adolescente de maneira surpreendente. Algum tempo depois a família resolve retornar a Papari. Dessa vez o ambiente em Pernambuco se tornava pesado, embora a revolução tivesse cessado. 21ª TOMADA: A bandeira brasileira se sobrepondo ao retrato de Nísia Floresta. ÁUDIO: CD Hinário Nacional – Faixa II – Hino à Independência do Brasil. Em 1822 é proclamada a independência do Brasil. Nísia estava com 12 anos. Com certeza a notícia lhe trouxe muita felicidade, pois era um ideal sonhado por ela. 22ª TOMADA: Nísia Floresta (13 anos – a mesma intérprete) vestida de noiva sentada num gramado ao lado do noivo Manuel Alexandre (28 anos) em traje de noivo. OBSERVAÇÃO: O casal com ares de apaixonados em 1º plano. Ao fundo o casarão do Sítio Floresta. LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: CD As 150 Melhores Músicas – Coro Nupcial, de “Lohengrin”- Richard Vagner - Vol. 5 - Faixa 22 – Coro Nupcial. TEXTO: Em 1823 Nísia Floresta se casa aos 13 anos com Manuel Augusto Seabra de Melo, rapaz de pouca cultura, dono de grandes extensões de terra vizinhas a Papari. Naquela época era muito comum se casar até mesmo aos doze anos, embora muitos casamentos eram arranjados. Sabemos do espírito liberal em que Nísia Floresta fora criada, portanto é muito provável que tal casamento pode ter sido uma escolha dela própria, até porque ela andava muito pelas cercanias de Papari, seja com o pai ou com escravos. Certamente ela se apaixonou por Manuel Augusto num desses passeios e quis se casar, sem imaginar que aquele consórcio se tornaria uma prisão, pois o jovem Manuel Augusto não tinha a mesma cultura de seus pais. Uma jovem tão culta, que sonhava conhecer outros lugares e estudar, dificilmente se adaptaria ao matrimônio, pois enclausurava a mulher. O marido era como o seu senhor e dono. Logicamente que pelo estilo em que fora educada o casamento não seria uma boa ideia, muito menos com um homem sem formação. DEPOIMENTO: Luís Carlos Freire ASSUNTO: A questão do casamento precoce (algo comum) A separação – origem da difamação 23ª TOMADA: Nísia Floresta (13 anos) só, de cabeça baixa, numa janela, olhando o horizonte, compenetrada. LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Pour Elise – Ludwig Van Beenthoven – Vol. 4 – Faixa 13. TEXTO: Mas como não poderia ser diferente, ela toma uma atitude incomum e que marcaria toda a sua vida. Abandona o marido e volta para a casa dos pais, os quais a acolhem naturalmente." Esse fato é também bastante polêmico, pois raramente uma mulher era bem recebida pelos pais, pois a própria separação já "manchava a honra da família. Poucos queriam uma filha que já houvera passdo por uma casamento fracassado. 24ª TOMADA: Mulheres (duas – entre 40 a 55 anos) passando por Nísia Floresta (13 anos) na rua – olhando Nísia Floresta com gestos recriminatórios. Reação de preconceito por sua atitude. LOCAL: Travessa da casa do Sr. Arnaldo – Centro de Nísia Floresta Duas tias de Nísia Floresta (idades entre 30 a 50 anos), sentadas num sofá, recriminando a sobrinha. LOCAL: Museu Café Filho - Natal ÁUDIO: Idem a 23ª tomada. TEXTO: Com certeza os nativos já não viam aquela família com bons olhos. Tal atitude contribuiu ainda mais com os comentários maldosos que circulavam sobre a jovem Nísia Floresta. O gesto de Nísia Floresta era tido como uma mancha na família. As mulheres casadas eram como se fossem propriedade do marido, inclusive as leis davam direito ao cônjuge de buscá-la em caso de abandono de lar, obrigando-a a viver sob o mesmo teto. 25ª TOMADA: Tropas invadindo Recife. ÁUDIO: Som de tiros, gritos e explosões. TEXTO: Em 1824 Pernambuco é novamente abalada por mais uma tentativa de separatismo de caráter republicano. O movimento ficou conhecido como Confederação do Equador, considerado o maior episódio de conflito entre as forças reacionárias, nas quais D. Pedro se apoiava e as tendências democráticas e nacionalistas se alastravam pelo Nordeste. As tropas imperiais invadiam as cidades. 26ª TOMADA: Frei Caneca (enforcado). Imagens de livros de História do Brasil. ÁUDIO: Idem a 25ª tomada. TEXTO: Frei Caneca, grande orador e incisivamente crítico, resistia e instigava os pernambucanos a resistir. A repressão mais uma vez foi violenta. O povo estava descontente com a centralização do poder no Rio de Janeiro e com o favorecimento abusivo dos portugueses no comércio, o resultado era revolta de todos os lados. Frei Caneca foi punido com a própria morte. Sob o jugo da Coroa Portuguesa, o enforcaram em praça pública. 27ª TOMADA: Revoltosos (cinco homens com idades entre 20 a 50 anos) invadindo violentamente a casa dos pais de Nísia Floresta. A cena foi presenciada por D. Antonia (44 anos); Nísia Floresta (14 anos), Clara (12 anos), Joaquim (cinco anos) e Maria Isabel (21 anos); Pepé (48 anos) os quais vivem momentos aterrorizantes, onde os revoltosos insistem que a família informe o paradeiro do Sr. Dionísio. Inconformados com a resistência da família reviram tudo, procurando correspondências do mesmo. LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Cavalgada das Valquírias, de “As Valquírias” – Richard Vagner – Vol. 4 – Faixa 11. TEXTO: Numa certa tarde, a casa de Nísia Floresta é invadida por revoltosos anti-lusitanos, os quais exigem informações sobre o Sr. Dionísio. Na ocasião D. Antonia estava com os filhos Maria Isabel, Clara, Nísia Floresta e Joaquim Pinto Brasil. A família, acuada, vive momentos de terror no interior na casa. Os revoltosos dispararam tiros por todos os lados, gritando para amedrontá-los, na tentativa de que revelassem o paradeiro do Sr. Dionísio. Por alguns minutos o Sítio Floresta se transformou num inferno, onde um tiro disparado de fuzil passou de raspão na cabeça de Joaquim, irmão caçula de Nísia Floresta, de apenas cinco anos. Os anti-lusitanos agiam com violência, inclusive saquearam alimentos e bens da família. 28ª TOMADA: Fotos de Olinda Discket nº......... ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Dueto, de “O Pescador de Pérolas” – Georges Bizet - Vol. 4 – Faixa 14. ÁUDIO: Idem 25ª tomada. TEXTO: Ainda em 1824, a família de Nísia Floresta resolve residir novamente em terras pernambucanas, encontrando em Olinda um cenário semelhante. Não havia por onde correr. Os ataques e as demonstrações de rejeição aos portugueses assolam em quase todo o Nordeste. Mas no final deste ano é sufocada. 29ª TOMADA: Sr. Dionísio (47 – o mesmo intérprete); D. Antonia (44 anos – a mesma intérprete); Nísia Floresta (14 anos); Clara (12 anos); Isabel (21 anos) e Pepe (48 anos) A família reunida na nova casa em Olinda. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: Idem a 28ª tomada. TEXTO: Com o ambiente pacífico, o Sr. Dionísio resolve se instalar de vez em Olinda, reorganizando a vida. Ali ele passa a exercer a advocacia. A felicidade passou a ser algo presente para toda a família. 30ª TOMADA: O pai (51 anos) de Nísia Floresta morto sobre uma mesa, cercado pela família: D. Antonia (48 anos), Clara (16 anos); Nísia Floresta (17 anos); Isabel (25 anos) Joaquim (nove anos) e Pepe (52 anos – a mesma intérprete). LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Sonata ao Luar (18 Movimento) – Ludwig Van Beenthoven - Vol. 3 – Faixa nº 4 TEXTO: No dia 17 de agosto de 1828, uma triste notícia abala o coração de toda a família. O Sr. Dionísio é assassinado próximo a Recife, logo após ter ganhado uma causa contra o Capitão-Mor Uchoa Cavalcanti, o mandante do crime. Nísia Floresta, aos 17 anos, passa a refletir sobre sua responsabilidade que agora se dobrava perante a família. 31ª TOMADA: Nísia Floresta (18 anos) e Manuel Augusto (20 anos) numa cena apaixonada. LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: As 150 Mais Belas Melodias – Coro Nupcial, de “Lohengrin” – Richard Vagner – Vol. 5 - Faixa 22. TEXTO: No final de 1828, já enamorada de um jovem acadêmico de Olinda: Manuel Augusto de Faria Rocha, ambos passam a residir juntos. Nísia Floresta o conhecera durante o período em que vivera em Goiana. O rapaz era filho do português Manuel Gonçalves de Farias e da pernambucana Joana Sofia do Amaral. 32ª TOMADA: Nísia Floresta (18 anos) discutindo com Alexandre (28 anos – seu primeiro marido). LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Concerto Para Piano nº 21 (Tema de Amor de “Elvira Madigan”) Wolfang Amadeus Mozart – Vol. 4 – Faixa 16. TEXTO: Nada se sabe sobre o primeiro casamento de Nísia Floresta. O que se sabe é que Manuel Alexandre Seabra de Melo nunca se conformou com o fato de ter sido abandonado pela esposa. Ele passou a perseguir e ameaçá-la, na tentativa de obrigá-la a voltar à força, conforme rezavam as leis da época. Sobretudo, talvez se sentisse desmoralizado pela atitude da mulher, e queria mostrar para a sociedade que a faria cumprir a lei. A típica atitude cultural entendida como: “defender a honra da família”. Mas tudo fora em vão, pois Nísia Floresta nutria um amor platônico por Manuel Augusto. Sua decisão era definitiva. 33ª TOMADA: Nísia Floresta (30 anos) sobre uma cama, de resguardo, com Lívia Augusta (recém-nascida) ao colo, assistida por uma escrava (30 anos). LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: CD Passarinho – Asas - Faixa nº 5 TEXTO: No dia 12 de janeiro de 1830 nasce em Recife Lívia Augusta de Faria Rocha, a primeira filha de Nísia Floresta, a quem a mãe dedicaria livros. Lívia viria a ser sua companheira de muitas viagens, além de futura tradutora. Em 1831 nasce o seu segundo filho, mas morre logo em seguida. 34ª TOMADA: Foto de D. Pedro I Nísia Floresta (21 anos) escrevendo num birô. Imagens do prédio que fará às vezes do local onde funcionou o jornal O Carapuceiro – Discket nº........... LOCAL: Instituto Histórico e Geográfico do RN - Natal ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Minueto – Ignacy Paderewski – Vol. 5 – Faixa nº 4 TEXTO: Em 1831, ano da abdicação de D. Pedro, Nísia Floresta estréia no mundo das letras, passando a escrever no Jornal “Espelho das Brasileiras”, de propriedade do tipógrafo francês Adolphe Emile de Bois Garin, o qual era dirigido às senhoras pernambucanas. Ao todo, foram escritos trinta números de sua autoria, os quais dizem respeito às mulheres em diversas culturas antigas. Nísia Floresta tinha 21 anos e se sentia realizada por realizar um grande sonho. Despontava aí a genial escritora. O texto a seguir foi retirado da edição nº 20, escrita em 1831: “Seria impossível abranger nos limites dessa folha todas as ações ilustres praticadas pelas senhoras romanas. Nessa época feliz, todavia é do nosso dever citar para a honra do sexo feminino, e confusão de seus injustos detratores, os principais feitos dessas heroínas, cujo patriotismo provou a que ponto as mulheres, sem jamais se intrometerem na repartição dos homens, podem ser úteis nas crises que ameaçam a segurança do estado”. (OBS: ESTE TRECHO É APRESENTADO COM VOZ FEMININA). Nesse artigo podemos perceber o espírito avançado da autora. Este jornal era impresso na mesma tipografia que editava um dos mais famosos periódicos nordestinos da época: O Carapuceiro, cujo proprietário era o Padre Lopes Gama, o qual publicava e dava apoio a artigos que enfatizassem idéias liberais e republicanas. Nesse ponto as idéias do padre tinham muitos pontos em comum com Nísia Floresta. Ele defendia mais direitos para as mulheres, tratamento mais humano para os escravos, o federalismo e a república, dentre outras idéias. Será nessa mesma tipografia que se imprimirá futuramente o primeiro livro de Nísia Floresta: Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens. 35ª TOMADA: Capa do livro “Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens” Foto de Gilberto Freyre Capa do livro Sobrados e Mucambos Nísia Floresta (22 anos) sentada num sofá, lendo. ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Badinare, da “Suíte para Flauta e Cordas nº 2” – Johann Sebastian Bach – Vol. 5 – Faixa 5. TEXTO: Em 1830 Nísia Floresta conhece a tradução francesa do Tratado Feminista WOMAN NOT INFERIOR TO MAN, de autoria da feminista inglesa MARY WORTLEY MONTAGU, o qual havia sido publicado pela primeira vez na Inglaterra, em 1739. MARY WORTLEY usava o pseudônimo SOPHIA. Nísia Floresta fica fascinada pela obra, pois sua idéias comungam com as de Mary Wortley. Muito estimulada Nísia Floresta traduz “ipsis literis” o tratado feminista para a língua portuguesa, mas opta por uma introdução, seis capítulos e uma conclusão, inserindo também idéias próprias acerca do tema, sem adulterar o texto original de Mary Wortley Montagu. Surge então, em 1832, em Recife, o famoso e polêmico livro DIREITO DAS MULHERES E INJUSTIÇA DOS HOMENS e por sua vez nasce também o interessante pseudônimo que a imortalizou. Dionísia Gonçalves Pinto passa a ser NÍSIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA. Codinome este que assinaria a maioria das suas publicações sejam artigos jornalísticos ou livros, no Brasil ou na Europa. NÍSIA: de Dionísia; FLORESTA: uma referência ao Sítio Floresta, onde ela passou a infância, e com certeza levou recordações inesquecíveis; BRASILEIRA: uma forma de orgulho de sua origem, um ufanismo nacionalista; AUGUSTA: uma homenagem afetuosa ao seu companheiro Manuel Augusto de Faria Rocha. Vejamos que aos 22 anos ela já utilizava esse pseudônimo, ou seja, 24 anos antes de conhecer o famoso filósofo francês Augusto Comte, quebrando a contraditória tese, afirmada por alguns, que diz que ela usava o pseudônimo Augusta para homenagear Augusto Comte. DEPOIMENTO: Maria Lucia Pallares- Burke ASSUNTO: A questão que envolve Mary Wortley Montagu e Mary Wollstonecraft. Nísia Floresta nunca fez nenhuma referência em se tratando de explicar tal pseudônimo, porém suas ações e seus escritos revelam essa intenção muito provável. Este não foi o único pseudônimo usado por Nísia Floresta. Embora fora o mais usado e conhecido. A autora adotou outros, como Madame de Faria, Madame Floresta Augusta Brasileira, Tellesila, Floresta Brasileira Augusta, Uma Brasileira, Madame Brasileira Augusta e Brasileira Augusta. De qualquer, modo ela não os adotou como forma de ocultação proposital do nome real, se esquivando da responsabilidade de assumir o que escrevia. Essa é uma hipótese ingênua, até porque era impossível não saber quem era aquela mulher, a qual jamais passaria despercebida onde quer que esteja. Tudo isso nos faz recordar das seguintes palavras de Gilberto Freire, escritas em seu livro Sobrados e Mucambos: “No meio dos homens dominando sozinhos todas as atividades extra-domésticas, e as próprias baronesas e viscondessas mal sabendo escrever, dos senhores mais finos soletrando apenas livros devotos e novelas que eram quase histórias de Trancoso, causa pasmo ver uma figura como a de Nísia.” Para um escritor do quilate de Gilberto Freyre ter deixado imortalizar em uma das suas mais importantes obras, a afirmação que Nísia Floresta causava pasmo, podemos confirmar que realmente ela foi “... uma exceção escandalosa...” como ele próprio também a definiu na mesma obra. Não é difícil compreendermos porque Nísia Floresta causava escândalo, basta analisarmos o contexto da época. Imaginemos uma sociedade machista, cheia de tabus e preconceitos, na qual muitas das próprias mulheres concebiam essa mentalidade, negando sua própria emancipação. Só aos homens era dado o direito de desenvolver sua inteligência em sua plenitude. O universo acadêmico, enfim o mundo das letras e o próprio sistema eram dominados por homens. O que pensar de uma mulher que de repente desponta aparentemente do nada, dona de uma inteligência singular, dominando várias áreas do conhecimento, discorrendo com propriedade, falando e escrevendo em várias línguas, atualizada do contexto histórico e contemporâneo do seu e de outros países, citando nomes de personagens da história antiga e de seres mitológicos, comparando atitudes e acontecimentos, questionando ações praticadas pelo sistema, sugerindo mudanças através de novas propostas? Nísia Floresta era uma mulher atualizada, tanto dos lançamentos de obras brasileiras quanto estrangeiras. Sobretudo ela tinha idéias e conceitos próprios, formulados a partir de inúmeras leituras e reflexões, pois era uma pensadora. A autora traria mais tarde muitas contribuições para diversas áreas do conhecimento em nosso país. A publicação do “Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens” deu a ela o título inegável de precursora dos ideais de liberdade às mulheres brasileiras, pois não há registros no país de outro trabalho igual ou semelhante, anterior ao de Nísia Floresta. O livro denunciava o preconceito e o estado de submissão em que se encontravam a maior parte das mulheres de sua época. Sobre esse livro existe uma lacuna curiosa, a qual até hoje intriga inúmeros pesquisadores. Nísia Floresta afirma que o Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens é de autoria da feminista inglesa MARY WOLLSTONECRAFT (tese essa confirmada pela pesquisadora Constância Lima Duarte), entretanto a pesquisadora Natalye Bernardo Câmara, instigada por um artigo veiculado no jornal Folha de São Paulo, onde a pesquisadora Maria Lucia Garcia Pallares-Burke revela que a autora do Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens não é uma tradução do livro de Mary Wollstonecraft e sim do livro WOMAN NOT INFERIOR TO MAN de Mary Wortley Montagu, até porque Mary Wollstonecraft nem havia nascido quando Mary Wortley Montagu publicou pela primeira vez tal livro. De qualquer maneira, o Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens é mais que uma tradução. Nísia Floresta se identificou tanto com o referido tratado feminista que, além da tradução, complementou-o com uma introdução, seis capítulos e uma conclusão, inserindo idéias próprias, sem adulterar o original de Mary Wortley Montagu. 36ª TOMADA: Retratos de Porto Alegre – Discket nº.......... Imagens de senhoras em várias cenas do cotidiano Foto do séc. XIX – Caixa 3 – meu arquivo ÁUDIO: Gauchinha Bem Querer – Faixa 14 – CD Cleiton e Cledir. TEXTO: No final de 1832 Manuel Augusto concluiu o bacharelado em Direito na Academia de Olinda. Formado, resolve ir para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Junto vai toda a família: Nísia Floresta, D. Antonia, Clara e Isabel. O irmão Joaquim Pinto Brasil permaneceu em Olinda, pois iniciava o curso de Direito com apenas 14 anos. Alguns estudiosos divergem quanto à mudança repentina para uma província tão distante. Uns dizem que o primeiro marido havia chegado do Rio Grande do Norte, e amparado de recursos jurídicos ameaçava processá-la por abandono de lar e adultério. As leis da época consideravam adúltera a mulher que abandonava o marido para viver outro relacionamento, mesmo que a mesma fosse uma pessoa idônea. Um caso como o de Nísia Floresta já era o bastante para receber tal rótulo, pois a lei assim o concebia. Com certeza a existência dessa lei motivava muitas mulheres a terminar os seus dias ao lado de homens que jamais amaram. Que eram mais os seus senhores e donos que companheiros. Sobretudo lidavam “naturalmente” com o adultério do marido, os quais se deitavam com inúmeras amantes e escravas. A sociedade, hipócrita, silenciava diante do adultério masculino. Eram muitos os filhos bastardos, e a maioria destes passavam a vida inteira ignorados pelos pais, onde se incluíam senhores de engenhos e autoridades. Sobretudo muitas mulheres definhavam de amargura e desencanto pela vida, enclausurada em seu próprio lar, tratada estupidamente pelos seus homens, suportando todo tipo de humilhação e doenças venéreas, as quais muitas vezes ceifavam-lhes a vida. A mulher legítima tinha que ser exemplar no lar e na sociedade, embora muitas vivessem essa deprimente realidade. Ao sexo feminino era imposta uma regra, na qual eram vigiadas pelos próprios maridos, os quais, não obstante à sentinela, colocavam escravos para observá-las, informando-lhes diariamente suas atitudes. A tal regra incluía-se a tarefa de demonstrar sempre que tudo estava bem. Logicamente que uma mulher do quilate de Nísia Floresta, totalmente avessa a tal comportamento, tinha consciência que seus escritos jamais agradariam ao sistema, e que as críticas anônimas que enfrentaria eram frutos dessa mentalidade, entretanto ela nunca as revidou. Outros estudiosos afirmam que a mudança da família de Nísia Floresta para o Rio Grande do Sul, deu-se em virtude do convite de um irmão de Manuel Augusto que lá morava. 37ª TOMADA: Nísia Floresta (23 anos) numa cama, segurando Augusto Américo (recém-nascido) LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: Idem a 33ª tomada. TEXTO: No dia 12 de janeiro de 1833, coincidentemente no mesmo dia e mês em que Lívia havia nascido, nasce em Porto Alegre Augusto Américo de Faria Rocha. Nísia encerraria aí a função de genitora. Augusto Américo dá à família a confirmação de liberdade: A mãe norte-rio-grandense, o pai e a irmã pernambucanos, e ele gaúcho. A fusão de três províncias diferentes no seio de uma família expressava o quanto estavam abertos a mudanças pessoais e geográficas, as quais nem todos estavam dispostos a empreendê-las. O pequeno Augusto foi batizado em Porto Alegre no dia 4 de agosto de 1833, conforme consta no assento de batismo, aparecendo como filho legítimo de Nísia floresta e Augusto. Isso nos faz supor que existiu realmente o segundo casamento da escritora, entretanto nenhum documento ainda foi encontrado. 38ª TOMADA: Nísia Floresta (23 anos) aos prantos, debruçada sobre o corpo de Manuel Augusto (25 anos). LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Sonata ao Luar (1º Movimento) – Ludwig van Beenthoven – Vol. 3 - Faixa 4. TEXTO: No dia 29 de Agosto de 1833, quando o pequeno Augusto Américo contava com apenas 25 dias, um acontecimento triste marcará a vida de Nísia Floresta. O marido Manuel Augusto morre repentinamente aos 25 anos. Podemos compreender a dimensão do sentimento que Nísia nutria por ele, pois seus escritos, de agora em diante, passariam a ser marcados por uma série de referências amorosas a ele dedicadas. DEPOIMENTO: Zélia Mariz ASSUNTO: O amor eterno pelo segundo marido 39ª TOMADA: Maria Isabel do Sacramento (33 anos) se se casando com Silva Arouca (40 anos); o padre, aleatório, tem 55 anos. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD Cleiton e Cledir – Gauchinha Bem Querer – Faixa 14. TEXTO: Com a morte do marido, Nísia permanece mais quatro anos em terras gaúchas. Maria Isabel do Sacramento, irmã de Nísia Floresta por parte de mãe, se casa em Porto Alegre com Silva Arouca e muda-se para a Corte. 40ª TOMADA: Nísia Floresta (23 anos) ensinando crianças em Porto Alegre LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Coro Nupcial de “Lorengrin” – Richard Vagner – Vol. 5 – Faixa 22. TEXTO: Em Porto Alegre, ela dedica-se aos filhos e ao Magistério. Kraemer Neto, autor do livro “Nos tempos da Velha Escola”, publicado no Rio Grande do Sul, muitos anos depois, relaciona o nome de Nísia Floresta dentre as poucas professoras e diretoras de escolas naquele estado, informando que a mesma foi diretora de uma escola em Porto Alegre. Não foi possível até agora saber o nome desse colégio mantido por ela. Roberto Seidl, afirma num ensaio sobre a escritora, que tal colégio se chamava “Augusto”, mas não explica onde encontrou esse registro. A escritora gaúcha Hilda Flores, contemporânea de Kraemer Neto, supõe que tal colégio tenha funcionado na própria casa de Nísia Floresta, como era costume na época. 41ª TOMADA: Nísia Floresta (23 anos) numa mesa, escrevendo. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: Ídem a tomada anterior TEXTO: Ainda no ano de 1833, Nísia Floresta reedita em Porto Alegre o “Direito da Mulheres e Injustiça dos Homens”. Tanto pelo livro, quanto pela ação de educadora, Nísia Floresta foi considerada pela mulher gaúcha “uma iluminadora”, o contrário do que ocorreu em Pernambuco quando lançou o mesmo livro, e do que aconteceria no Rio de Janeiro futuramente, sendo vítima de violentas críticas e acusações anônimas, publicadas em jornais. 42ª TOMADA: Joaquim Pinto Brasil (15 anos) se casando com uma moça (14 anos) de Pernambuco. Padre, aleatório, tem 40 anos. LOCAL: Engenho Olho d”água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Coro Nupcial de “Lorengrin” – Richard Vagner – Vol. 5 – Faixa 22 TEXTO: Em 1834, ela é surpreendida pela notícia do casamento do seu irmão. Joaquim Pinto Brasil, o irmão. Aos 15 anos, ele acabara de se casar com uma moça de Pernambuco. Nísia Floresta condenou severamente este casamento, pois preferia que o irmão tivesse concluído o curso de Direito, o qual acabou concluindo anos mais tarde, mudando-se para o Rio de Janeiro com a família. 43ª TOMADA: Guerra dos Farrapos - Usar imagens do seriado A Casa das Sete Mulheres, da Rede Globo. ÁUDIO: Do próprio filme TEXTO: As idéias de liberdade se espalhavam por todo o país, chegando a terras gaúchas. Todos estavam insatisfeitos com a má administração do país, e com a cobrança de impostos caríssimos. A rivalidade entre os portugueses e os nativistas simpatizantes do partido republicano, aumentava. Era a guerra civil, apelidada de “Farroupilha”, uma alusão às roupas esfarrapadas que os rebeldes vestiam. No dia 25 de setembro de 1835, os revolucionários liderados por Bento Gonçalves, obtinham expressiva vitória e ocupavam Porto Alegre e Rio Grande. A situação continuaria até 1845, obrigando a população a decidir em qual lado optar. 44ª TOMADA: Nísia Floresta (25 anos) conversando com Garibaldi (28 anos). LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Mattinata – Ruggero Leoncavallo – Vol. 5 – Faixa 8. TEXTO: Foi nessa época conturbada que surgiu a amizade entre Nísia Floresta, Giuseppe Garibaldi e Anita, sua esposa. A propósito, a escritora escreveria mais tarde, vivendo na Itália, as impressões que a Farroupilha lhe causara. Hoje o povo gaúcho não tem como esquecer Nísia Floresta, pois ela construiu nesse estado uma história de vanguarda, tendo registrado sua vivência em terras pampas com a mesma acuidade de um jornalista, tal qual Euclides da Cunha registrou suas impressões sobre Canudos. A escritora hoje é uma referência para quem estuda a história do Rio Grande do Sul. DEPOIMENTO: Zélia Mariz ASSUNTO: A experiência de Nísia Floresta no Rio Grande do Sul – o reconhecimento. _______________________________________________________________ 45ª TOMADA: Retrato de Nísia Floresta sobreposto ao de Giuseppe Garibaldi. ÁUDIO: Idem à tomada anterior. TEXTO: Muitos anos depois, Nísia Floresta se encontrará com Garibaldi na Itália, e posteriormente trocarão correspondências, mas infelizmente esse material encontra-se desaparecido. 46ª TOMADA: Foto de Mary Wortley Montagu Nísia Floresta – Usar a imagem da 35ª Tomada. Imagens da Tipografia Fidedigna – Discket nº ............ Imagens de Porto Alegre – Discket nº............. ÁUDIO: As 150 Mais Belas Melodias – Noturno em Bi Bemol Maior – Frédéric Chopin – Vol. 3 – Faixa nº 10 TEXTO: Se pesquisarmos alguns jornais de Porto Alegre poderemos encontrar artigos que supostamente foram escritos por Nísia Floresta, apesar de anônimos ou de assinados com o pseudônimo “Quotidiana Fidedigna”, tal qual a grande semelhança com o estilo nisiano, percebidas tanto em expressões quanto em frases inteiras encontradas em muitos dos seus escritos. Em 1835, foi publicado no jornal O Recopilador Liberal um artigo intitulado “Pernambuco”, o qual trata dos deveres e obrigações de um deputado e traz diversas críticas ao comportamento dos políticos pernambucanos (num estilo bem nisiano), pois a escritora escrevia o que pensava, sem temer retaliações; atitude rara na maioria das pessoas. Esses escritos nos permitem refletir sobre que nordestino ou nordestina andaria por terras gaúchas no mesmo período em que Nísia Floresta ali residiu, e que, assim como ela, tinha ideais semelhantes. Ela era uma mulher observadora e detalhista, seria muito provável que mencionasse essa pessoa em sinal de admiração, e, sobretudo por ser quase um conterrâneo. Era seu costume destacar vultos da história que despontavam contra opressões e injustiças, a propósito quando ela se deparou com o livro de Mary Wortley Montagu, aquilo lhe caiu como uma luva, estimulando-a a publicar o Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens. O próprio pseudônimo “Quotidiana Fidedigna” não seria uma alusão a “Tipografia Fidedigna”? Aquela, na qual três anos antes ela publicou o seu primeiro trabalho? Eis mais uma lacuna! Em 1837 é publicado em Porto Alegre, no jornal O Campeão da Legalidade, um artigo anônimo intitulado “Educação no Brasil”. As palavras e expressões utilizadas são muito semelhantes e outras até iguais às do seu livro Opúsculo Humanitário, o qual ela publicaria em 1853. Tal artigo critica o monopólio do comércio brasileiro dominado por portugueses, ingleses e franceses. Uma audácia típica de Nísia Floresta. 47ª TOMADA: Nísia Floresta (27 anos); D. Antonia (57 anos); Lívia (7 anos); Augusto (4 anos) e escravos (idades entre 20 a 35 anos) levando malas e baús saindo de mudança com a família. Essa imagem é sobreposta às imagens da guerra dos Farrapos. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD Cleiton e Cledir – Faixa 14 – Gauchinha Bem Querer. TEXTO: Em 1837, com a Revolução de Farroupilha, o clima estava inconfiável e tenso. Era difícil para uma mulher e chefe de família viver tal circunstância. Nessa ocasião ela deixa o Rio Grande do Sul com os filhos, a irmã e a mãe. Seu destino agora era o Rio de Janeiro. 48ª TOMADA: Imagens do RJ antigo ÁUDIO: CD Chiquinha Gonzaga – Ô Abre Alas. Faixa 13 TEXTO: Ali ela encontrará uma província cheia de lixo e lama nas ruas; a iluminação é precária e não havia água encanada, os chafarizes eram poucos e a cidade era assolada por diversas endemias. O Rio de Janeiro fede a fezes de cavalos que transitam aos montes pelas ruas, puxando seges, carroças e carruagens, as quais invadem até as calçadas, dificultando o trânsito dos pedestres. Em compensação era muito grande o interesse pela educação, o que podia ser percebido em dezenas de escolas espalhadas pela província, as quais sua grande maioria era dirigida por estrangeiros. Os jornais estavam cheios de anúncios de escolas, criando muita concorrência. DEPOIMENTO: Dr. Diógenes da Cunha Lima ASSUNTO: O que significava o Colégio Augusto para aquele momento 49ª TOMADA: Fachada do Colégio Augusto Fotos de Nísia Floresta Fotos de meninas estudando ÁUDIO: Idem. TEXTO: O ambiente estava propício para alguém como Nísia Floresta. Uma mulher de 28 anos, viajada, culta e chefe de família. Sua paixão pela educação era antiga e ela precisava de meios para sustentar a família. No dia 15 de fevereiro de 1838, Nísia Floresta abre as portas do seu colégio, dando-lhe o nome de “Augusto”. Uma homenagem ao marido falecido no Rio Grande do Sul. O Colégio Augusto, dedicado a educação feminina, sob a responsabilidade de uma visionária, seria uma caixa de surpresas, a qual lhe traria inúmeras alegrias, mas as tristezas teriam também o seu espaço. Com uma visão diferente dos concorrentes, ela tinha uma proposta ousada para a educação feminina, pois ofertava um currículo igual ou superior ao dado nos colégios masculinos. E isso era algo considerado “perigoso”, pois todos os educandários femininos ofereciam um currículo muito aquém do que era propiciado aos homens. O referido currículo era considerado compatível com as potencialidades das mulheres, pois estas eram vistas como intelectualmente inferiores aos homens. O Rio de Janeiro ambientava o que era considerado “respeitáveis colégios tradicionais”, onde as meninas, todas arrumadinhas, com os espartilhos a lhes embelezar as cinturinhas de pilão, aprendendo bordar, pintar, cozer, cuidar de bebê, etiquetas, cuidarem dos futuros maridos e noções breves de matemática, história, língua portuguesa e outros engodos, considerados ideais. Quem seria insano de trocá-los por um colégio no mínimo suspeito, dirigido por uma mulher, viúva, sem diploma e de origem incerta, enfim que reunia em si um conjunto de elementos considerados inconfiáveis para ser incluída no rol dos “respeitáveis” diretores da província. A julgar pela cultura educacional da época, o Colégio Augusto era, no mínimo, esquisito por querer se equiparar aos colégios para homens. Era uma audácia. “Um fim de mundo” – diriam. Mas Nísia Floresta, consciente dessa cultura, sabia que seria um desafio se impor como uma nova escola, séria e precursora de transformações. Ela tinha convicção de que suas novidades educacionais causariam choque, mas que alguém precisava dar o primeiro passo. E esse alguém era ela, mesmo não reunindo o que o sistema conservador e machista considerava como qualidades. Ignorando todo tipo de crítica e calúnia que viriam ao longo do tempo, Nísia Floresta, logo de início aboliu o uso do espartilho em seu colégio, pois considerava uma agressão ao corpo feminino, tendo em vista que a peça, ajustada à cintura das meninas, forçava o surgimento de cinturinhas finíssimas, o que representava o padrão de moda e beleza. As mães, achando que deixavam as filhas muito bonitas, apertavam tanto o espartilho que muitas meninas não podiam fazer os mais simples movimentos como sentar e se agachar. Muitas ficavam sem ar e sentindo dores terríveis. Ocorreram casos em que algumas meninas morriam no Rio de Janeiro por conseqüência do uso do espartilho. O Colégio Augusto ameaçava o que era considerado padrão ideal de educação para meninas, pois ofertava em seu currículo Cosmografia, Geografia, Latim, Francês, Italiano, História Universal e Pátria, Aritmética, Leitura e Gramática Portuguesa, Doutrina Cristã, Poesia, História Moderna e outras disciplinas, e com muita dificuldade ia se firmando. 50ª TOMADA: Jornais sobrepostos Um homem (60 anos) numa poltrona lendo um jornal. Nísia Floresta (28 anos) debruçada numa janela olhando para o horizonte. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD As Mais Belas Melodias – Noturno em Bi Bemol Maior - Frédéric Chopin – Vol. 3 – Faixa 10. TEXTO: Mas em face de essa estabilização, os reflexos vieram cedo. A caixa de surpresas começava a mostrar suas agruras. Os principais jornais passaram a veicular artigos anônimos atacando o currículo e a metodologia adotada pela diretora. Tudo era escrito com sarcasmo e ironia com o propósito de desqualificar a educação ali oferecida, insinuando que as meninas tinham que ser educadas para fins domésticos, e não intelectuais no mais puro sinal de inferiorização da mulher. Não obstante, surgem artigos com insinuações maldosas sobre a vida particular de Nísia Floresta. Às vezes questionavam suas origens, sua formação, seu pseudônimo, o fato de ter se separado do marido, outras vezes retomavam sobre o Colégio Augusto. A cada jornal era uma surpresa. Tudo isso tinha o propósito de denegrir tanto a instituição quanto sua diretora. A autoria desses artigos provavelmente era de diretores das outras escolas, os quais relutavam em aceitar aquela mulher diferente, a qual escrevia livros defendendo as mulheres, e como se não bastasse, assinando artigos nos mais importantes jornais da província. Nísia Floresta, apesar de vivenciar tantos entraves, estava se impondo como educadora e principalmente como mulher precursora de ideais. E isso era algo incomum. Sobretudo sua luta era solitária, pois não tinha o marido que tanto a apoiava e lhe dava estímulo, não podia contar sequer com outras mulheres, a não ser a mãe, a irmã e os filhos, pois as outras estavam em casa confinadas ao que a sociedade lhes impunha. Nísia Floresta destoava desse contexto, ciente de que tais críticas representavam o preço que pagava por sua coragem. Enquanto parte da sociedade mostrava certo receio quanto à seriedade do Colégio Augusto, o que era aceitável devido ao contexto em que viviam, os diretores de outras instituições expressavam sua inveja, atacando-o nos jornais. DEPOIMENTO: Constância Lima Duarte ASSUNTO: O choque que as idéias de Nísia Floresta causavam no Rio de Janeiro. _______________________________________________________________ 51ª TOMADA: Capa do livro “Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens” Mesmo homem da 50ª Tomada, numa poltrona folheando um livro e meneando a cabeça em tom de reprovação. Nísia Floresta (29 anos) lendo um jornal com ares de estranheza. OBS. A câmera fecha a imagem com o rosto de Nísia Floresta. Fachada do Colégio Augusto LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: Idem à tomada anterior. TEXTO: Diante daquela situação constrangedora, Nísia Floresta não se curva, ao contrário, a desafia, pois em abril de 1839 edita pela terceira vez o “Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens”. Como não poderia ser diferente, o polêmico livro escandaliza a província do Rio de Janeiro. Os ideais de liberdade e igualdade de sexos, enfim as idéias ali contidas não estariam à altura de uma sociedade que padronizava o “modus vivendi”, nos quais as mulheres eram vistas como um ser inferior aos homens, e que jamais poderiam se igualar aos mesmos ou superá-los. Nísia Floresta chocava conceitos antagônicos, e mais tarde, em outros escritos, deixaria clara a afirmação que a mulher poderia assumir as mesmas funções legadas apenas aos homens. Tais idéias eram consideradas desabonadoras da moral e dos bons costumes. Um manual de maus conselhos para as mulheres. O fato de Nísia Floresta receber tantas críticas em jornais se justifica na mentalidade da época, pois quem seria insano de elogiar uma mulher que fugia totalmente à regra do sistema. Nísia Floresta causou um choque cultural ao pleitear às mulheres um universo surreal, utópico, impensável pela sociedade machista e conservadora. O correto, então, era criticá-la, pois era perigoso elogiar alguém que ia contra o que o sistema estabelecia como padrão, mesmo que no íntimo alguns tivessem consciência da importância daquele grito solitário, inclusive o próprio sexo feminino, pois quantas Nísias Florestas palpitavam dentro de muitas mulheres submetidas às injustiças de um sistema que lhes oprimia, podando-lhes o direito de desenvolver o seu potencial, ceifando-lhes sua intelectualidade. Tudo isso justificado por um débil pensamento de superioridade do sexo masculino. Como não podiam tirá-la de cena, encontraram na imprensa uma forma de freá-la, pensando que teriam sucesso. Com esse raciocínio, foram investigar suas origens e encontraram argumentos picantes para uma boa fofoca: uma mulher forasteira, saída de uma pequena vila esquecida numa província do RN, que separou-se do marido aos 13 anos e uniu-se a outro homem (fato inaceitável para a época), ficou viúva, e até aquela data era perseguida pelo primeiro marido, como se não bastasse utilizava-se de um pseudônimo para assinar seus livros e artigos, o que soava como estratégia para ocultar-se de algum problema. Isso bastava para fantasiar a imaginação dos leitores. Enquanto Nísia Floresta viveu no Rio de Janeiro foi perseguida por muitos desses artigos, e curiosamente nunca os respondeu. Sua resposta foi o silêncio e a total dedicação ao Colégio Augusto. Ambiente este que foi palco de uma história precursora da reforma do ensino no país. Obviamente tais artigos lhe causavam constrangimentos, e era difícil estar à frente de um colégio para meninas inserido nesse contexto. Mas nem todos estavam propensos a comungar com o conservadorismo da sociedade, pois o referido colégio passara a abrigar um número considerável de alunas, significando que algumas famílias viam nas propostas da diretora um caminho cujas meninas deveriam realmente trilhar. Em pouco tempo o Colégio Augusto passou a disputar entre as críticas que não paravam e elogios escritos com propriedade. 52ª TOMADA: Joaquim Pinto Brasil (21 anos) lendo numa cadeira. Capa do Hendecálogo de Joaquim Joaquim Pinto Brasil (21 anos) OBS. A mesma imagem desta tomada ÁUDIO: Idem à tomada anterior. TEXTO: Em janeiro de 1840, Joaquim Pinto Brasil, irmão de Nísia Floresta, muda-se também para o Rio de Janeiro com a família. Ele acabara de concluir o curso de Direito. Homem culto e apaixonado por filosofia, o qual viria a ser diretor de uma associação filosófica, publicando em 1847 um ensaio filosófico intitulado: “Breve Exposição do Endecálogo e Alguns Artigos Regulamentares da Episcopal Associação”. Joaquim inaugura um colégio em Rezende, interior do Rio de Janeiro. Em 1855, muda-se para a capital, onde passa a exercer a advocacia e lecionar no Colégio D. Pedro. Futuramente passa a ser chefe da Secretaria do Ministério da Agricultura e fundador do Instituto Psicológico. DEPOIMENTO: Constância Lima Duarte ASSUNTO: A genialidade de Joaquim Pinto Brasil – Um homem inteligentíssimo – Educador respeitado – O afeto nisiano demonstrado no Fragmentos de Uma Obra Inédita. _______________________________________________________________ 53ª TOMADA: Guerra dos Farrapos; Sabinada; Balaiada; Revolução Liberal (Livros de História do Brasil) ÁUDIO: Idem à tomada anterior. TEXTO: Em quase todo o Brasil o clima é de tensão. A Guerra dos farrapos continua no Sul; na Bahia a Sabinada; no Maranhão a Balaiada. Essa sucessão de revoltas começava a diminuir a imponência e o poder do Império, sobretudo ecoava por todos os lados o grito por liberdade. Como se não bastasse, em 1842 estoura a Revolução Liberal em São Paulo e Minas Gerais. 54ª TOMADA: Nísia Floresta (30 anos) proferindo uma palestra durante uma conferência, assistida por 50 homens de idades variadas. LOCAL: Instituto Histórico e Geográfico do RN - Natal Capa do livro Conselho à Minha Filha Fachada do Colégio Augusto Nísia Floresta (37 anos) num birô escrevendo LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD Músicas do Norte – Faixa nº 10 / CD As 150 Mais Belas Melodias – Serenata – (Standchen) Franz Schubert – Vol. 3 – Faixa nº 11. TEXTO: Em meados de 1840 Nísia Floresta faz conferências reivindicando a abolição da escravidão, liberdade de culto, e federação das províncias. Assuntos altamente delicados e que feriam os interesses do sistema. No momento em que alguém, em pleno sistema escravagista, assume uma postura contrária, sobretudo prega a federação das províncias, com certeza se vê cercada de inimigos, pois quais os senhores de engenho e políticos queriam o fim da escravidão e mudanças políticas no país? Apenas uma minoria, dentre ela, uma mulher chamada Nísia Floresta. São de Nísia Floresta estas palavras: “Possam os Governos de todos os países civilizados executarem os gemidos da prolongada agonia destes infelizes oprimidos, brancos e negros! E que a emancipação gradual dos escravos, no Velho e no Novo Mundo, marcando uma das mais gloriosas etapas dos anais da humanidade, ateste a elevação das idéias do século de maravilhosos progressos intelectuais”. (OBS: ESTE TRECHO DEVE SER APRESENTADO COM VOZ FEMININA). Nísia Floresta fez muitos apelos contra a escravidão. E seus apelos não foram inúteis, pois mais tarde ultrapassaram as raias do Brasil, chegando até mesmo aos jornais de Nova Yorque. A internacionalização dos seus ideais de liberdade aos negros contribuíram para preparar a intervenção da Junta Francesa de Emancipação em 1866, junto ao Imperador, refletindo na escravidão do país. Ainda em 1842 Nísia Floresta lança “Conselhos à Minha Filha”. Um presente pela passagem dos doze anos de sua filha Lívia Augusta. Um livro com conselhos importantes para uma moça, advertências, prescrições morais no sentido de guiar a filha na prática da virtude, evitando ser pega de surpresa pelas peças que a vida oferece. Esse livro é um exemplo claro do contraste entre o que ela escrevia e o que lhe acusavam, reforçando a idéia de uma mulher moralista, apesar de liberal. O mesmo teve uma grande repercussão e seria um dos livros mais reeditados. Nesse interim, o Jornal do Comércio e o Mercantil continuam vinculando artigos anônimos de grande mau gosto. Eram tantas críticas que podemos confirmar o quanto o Colégio Augusto e sua diretora incomodavam. Com certeza tais críticas escondiam uma intenção não assumida de elogiar, pois aquela instituição simplesmente estava anos à frente das demais, as quais não tinham coragem, ou mesmo a audácia de inovar, preferindo conservar conceitos e fórmulas ultrapassadas. Tudo em nome da tradição. Mas Nísia Floresta não se curvou a nada, preferindo seguir firme em seus propósitos, quebrando barreiras e impondo uma nova visão de educação para a mulher Ela admitia que esse clima terrível de críticas e calúnias passaria a ser algo comum em seu cotidiano, portanto o lema era levantar a cabeça e continuar sem medo. Nada desmotivava o seu impulso literário. Só no ano de 1847 ela publicou três livros. Um em seguida do outro. O primeiro foi “Dacys ou a Jovem Completa”. Uma historieta oferecida às educandas do seu colégio. Até hoje não foi encontrado um único volume dessa obra. Só existem referências. Logo após veio “Fany ou o Modelo das Donzelas”. É a história de uma adolescente que reúne em si qualidades invejáveis a uma moça, como beleza, amor pelos humildes, obediência aos pais e o sentimento maternal pelos irmãos menores. A história se passa em Porto Alegre, durante a Revolução Farroupilha. Tal livro nos permite conhecer a versão de Nísia Floresta sobre o episódio. O outro livro foi o “Discurso que às suas educandas dirigiu Nísia Floresta Brasileira Augusta”. 55ª TOMADA: Pe. Anchieta Lágr.Caeté – Livro do CCHLA/UFRN Nísia Floresta olhando o horizonte, sentada numa cadeira na varanda, portando um livro nas mãos. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD Músicas do Norte – Ritual Indígena – Faixa nº........ TEXTO: Em 1849, aos trinta e nove anos, ela publica “A Lágrima de um Caeté”. Um poema de 712 versos, o qual trata do processo de degradação dos índios brasileiros, espoliados pelo branco colonizador e do drama vivido pelos liberais durante a Revolução Praieira, ocasião em que fora publicado o Manifesto de 1º de janeiro de 1849 pregando o voto livre e universal a liberdade total de expressão e da imprensa, a garantia de trabalho para todos e a extinção do Estado, entre outras propostas. O livro elogiava tal episódio e, portanto, feria os interesses do Império. Com certeza D. Pedro I não via a obra com bons olhos. É um dos seus mais importantes trabalhos. Nísia, pela primeira vez, usa outro pseudônimo: Telesila, nome de uma heroína grega. A autora ataca a igreja no momento que condena a catequização dos índios, imposta como uma desculpa para dominar os silvícolas. Um dos versos de “A Lágrima de um Caeté” diz: “Ao julgo de tiranos opressores, Que em nome do piedoso céu vieram Tirar-nos esses bens que o céu nos dera! As esposas, a filha, a paz roubar-nos ! Trazendo d’além mar as leis, os vícios, Nossas leis e costumes postergaram! Maldito, ó maldito sejas Renegado Tapeirá! Teu nome em nossas florestas Em horror sempre será!...(OBS: ESTE TRECHO DEVER SER APRESENTADO COM VOZ FEMININA). ___________________________________________________________ DEPOIMENTO: Constância Lima Duarte ASSUNTO: A lágrima de um Caeté ______________________________________________________________ 56ª TOMADA: Lívia Augusta (19 anos) chorando ao cair de um cavalo, sendo socorrida por um escravo (17 anos). LOCAL: em frente à casa de Jair – Nísia Floresta Um navio em alto-mar. OBS. Imagens de um filme de época. Desenho da Coroa Portuguesa ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Serenata (Standchen) – Franz Schubert – Vol 3 – Faixa nº 11. TEXTO: No dia 7 de setembro de 1849 sua filha Lívia Augusta sofre um acidente a cavalo. O médico recomenda mudança de ares à filha. Naquela época tal prescrição era um dos recursos mais indicados pelos médicos, pois era uma terapia eficiente. Aconselhada pelo médico, Nísia Floresta viaja para a França com os dois filhos a bordo do navio francês “Ville de Paris”. É de supor que essa viagem inesperada teve também outro forte motivo. Nísia Floresta com certeza estava mentalmente muito cansada, pois era atuante como diretora, sobretudo escrevia assiduamente em jornais. A esse ritmo pesava ainda as preocupações com o lar, pois era ela que resolvia tudo na família, e como se não bastasse, suportava os aborrecimentos proporcionados pelos artigos anônimos ofensivos que continuavam nos jornais. Seu livro “A Lágrima de Um Caeté” obteve muito sucesso, porém, por ser contra os interesses do Império, tornou a autora uma ameaça contra a segurança da ordem nacional. Era de se preocupar, pois o país vivenciava em vários pontos do seu território guerras civis. A escritora, com certeza interpretada como uma agitadora perigosa fertilizava a imaginação dos súditos do Imperador. Supostamente ela procurou nos ares da França um refúgio para descansar e esquecer um pouco esse clima tenso. Seja como for, tal viagem viria a ser conveniente para todos. _______________________________________________________________ DEPOIMENTO: Zélia Mariz ASSUNTO: O que significaria a Europa para Nísia Floresta 57ª TOMADA: Imagens de Paris Imagens do Rio de Janeiro ÁUDIO: CD Hino de Países – Hino a França – FAIXA 8 ou CD As 150 Mais Belas Melodias – Mattinata – Ruggero Leoncavalo – Vol. 5 – Faixa 8. TEXTO: Aos 24 de dezembro, após 52 dias em alto mar, eles chegam em “Ville du Havre”. Logo estariam em Paris, onde residiam os mais famosos intelectuais da capital. Em 1850, apesar de Nísia Floresta estar em Paris, era publicado em Niterói um livro de sua autoria: “Dedicação de Uma Amiga”. Um ano depois o Rio de Janeiro é assolado por uma terrível doença apelidada de “Febre Califórnia”, a qual veio do Golfo do México a bordo do Navio New Orleans. Havia dias que os jornais registravam 100 mortes. 58ª TOMADA: Imagens de Paris Foto de Auguste Comte (52 anos) ÁUDIO: Idem ao da 57ª tomada TEXTO: Nesse mesmo ano ela freqüenta em Paris várias aulas do Curso de História Geral da Humanidade, ministradas por Auguste Comte, um dos mais famosos filósofos franceses, que na época tinha 52 anos. Criador do Positivismo e da Sociologia, mas ela só viria a falar com ele alguns anos depois. Tais conferências deixaram a escritora impressionada, mas ela só estabeleceria contato com o pensador em sua segunda viagem a Europa. Animada pelo seu interesse em inovações, sempre investigando as novidades, ela visita os melhores colégios franceses, conhece respeitáveis intelectuais e aos poucos vai se inteirando do que de melhor aquela capital oferecia. Logo em seguida segue para a Inglaterra, onde faz as mesmas perambulações, sempre voltadas para o seu enriquecimento intelectual. 59ª TOMADA: Imagens de Portugal Fotos de Alexandre Herculano e Castilho ÁUDIO: CD Hino de Países – Hino de Portugal – Faixa 16 TEXTO: Posteriormente resolve conhecer Portugal, permanecendo ali por seis meses. Mais tarde ela retornaria a Lisboa, onde conheceria Alexandre Herculano e Castilho. Dois dos mais respeitáveis escritores portugueses do século XIX. 60ª TOMADA: Nísia Floresta (42 anos); Lívia (22 anos); Augusto (19 anos – fazer um close dele, pois a imagem será usada na 93ª Tomada) e 2 escravos (idades entre 17 a 25 anos) Folhas de Jornal Capa do livro “Opúsculo Humanitário” Maria Isabel do Sacramento (49 anos) morta numa poltrona, segurando um livro. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu. ÁUDIO: CD Hino de Países – Hino Nacional Brasileiro – Faixa 5 TEXTO: Em janeiro de 1852, Nísia Floresta embarca com a família com destino ao Brasil, após ter passado dois anos e meio em terras européias. O Jornal das Senhoras saúda a chegada da escritora num artigo cheio de elogios. Atitude estimulante para quem acabara de chegar de uma terra que lhe trouxera magníficas impressões. Nísia Floresta trouxe na bagagem uma infinidade de livros de temáticas variadas, mas a maior bagagem trouxe intelectualmente, pois a Europa foi uma grande escola, a qual lhe proporcionou um avanço ainda maior. Tudo isso a estimularia a publicar artigos e livros com uma nova visão, baseada em experiências vividas no Velho Mundo. Poucos dias depois, muito distante dali, Papari, o berço do seu nascimento, seria elevada a categoria de município no dia 18 de fevereiro do ano em curso, recebendo novo nome: “Vila Imperial de Papari”. Em 1853 ela reúne 62 artigos sobre a educação, os quais havia publicado no Diário do Rio de Janeiro e os transforma no livro “Opúsculo Humanitário”. A obra traz conceitos e pensamentos doutrinários, críticas ao tipo de educação que os colégios femininos ofereciam às mulheres do Brasil e de outros países, e combate o preconceito e a escravidão. Esse livro foi tão lido que repercutiu em Portugal, sendo elogiado num jornal português pelo conceituado professor Luís Felipe Leite. Os vinte primeiros artigos editados em seu Opúsculo Humanitário foram publicados anonimamente no Diário do Rio de Janeiro. O fato de Nísia Floresta ter publicado artigos anônimos em jornais do Rio de Janeiro, prática comum na época, nos faz supor que muitos deles, escritos no esplendor da sua atuação na Corte, descobertos muitos anos depois, são de sua autoria, pois a semelhança de idéias e de estilo é idêntica. Podemos afirmar que Nísia Floresta foi muito feliz ao inserir no seu Opúsculo Humanitário esses 62 artigos de sua autoria, mas publicados anonimamente, pois se não o tivesse feito, com certeza muitos deles ficariam apenas na suposição, como ocorreu no Rio Grande do Sul, no Pernambuco e no Rio de Janeiro. Nísia Floresta vive agora um momento de radiante felicidade com o sucesso de sua carreira, mas tudo isso repentinamente dá lugar a uma imensa tristeza. Maria Isabel do Sacramento, sua irmã por parte de mãe, morre repentinamente em junho de 1853. 61ª TOMADA: Imagens do Sítio Floresta, em Papari. LOCAL: Fazenda Pavilhão (Casa em plano panorâmico) – Nísia Floresta ÁUDIO: CD Passarinhos – Vôo livre - Faixa nº 2 TEXTO: Logo em seguida, Dona Antonia Freire vende o Sítio Floresta em Papari e outra extensa propriedade denominada Taboca. Estava encerrada aí a relação com a Província do Rio Grande do Norte. 62ª TOMADA: Várias imagens do Rio de Janeiro (Saraus, baile, cafés, pessoas nas ruas). ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Roses From The South – John Strauss – Vol. 3 – Faixa 21. TEXTO: A modernização do Rio de Janeiro prendia a família de Nísia Floresta, o que acabou motivando a permanecerem na Corte. Ali começaram a surgir requintadas lojas de moda feminina na Rua do Ouvidor, confeitarias famosas, freqüentadas pela sociedade carioca. As principais ruas recebiam iluminação a gás (o que era uma grande novidade). O clima de progresso agradava a escritora, a qual já estava familiarizada a tais avanços comuns na Europa. Em contraste, as condições sanitárias e higiênicas do Rio de Janeiro não eram boas, mas em compensação, em termos de comércio e sociedade, tinha havido certo progresso. A Corte era chacoalhada por grandiosos bailes, saraus e espetáculos teatrais. 63ª TOMADA: Um escravo (25 anos) sentado num batente de uma senzala. Foto do Aqueduto da Carioca – Rio de Janeiro LOCAL: Fazenda Pavilhão – Nísia Floresta ÁUDIO: CD Músicas do Norte – Faixa nº 10. TEXTO: Em 1855, Nísia Floresta publica em oito capítulos do Jornal Brasil Ilustrado, a crônica “Páginas de Uma Vida Obscura”. A autora criou um personagem escravo para revelar através dele o que ela pensava sobre a escravidão. Em 15 de julho do mesmo ano ela publica na coluna “Variedades” de “O Brasil Ilustrado” a crônica: “Passeio ao Aqueduto da Carioca”, dividida em seis partes onde, em tom de crônica, a narradora seduz o leitor a fazer um passeio pela cidade do Rio de Janeiro, e quando este está empolgado ela vai revelando aos poucos a sua finalidade moralista e didática 64ª TOMADA: D. Antonia (75 anos) morta sobre uma mesa; Nísia Floresta (45 anos); Lívia (25 anos); Augusto (22 anos) e Clara (43 anos). Todos muito tristes observando o corpo de D. Antonia. Nísia Floresta (45 anos) escrevendo num birô LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Sonata ao Luar – 1º Movimento – Ludwuig van Beenthoven – Vol. 3 - Faixa 4. TEXTO: Três Meses depois, em agosto, Nísia Floresta é surpreendida por um acontecimento que mais uma vez marcaria a sua vida. Dona Antonia, sua mãe, morre aos 75 anos vítima de pneumonia aguda. A filha, desolada, presencia ao lado de todos os irmãos esse acontecimento. DEPOIMENTO: Luís Carlos Freire ASSUNTO: D. Antonia - a grande companheira – a amiga fiel. A mulher inocentemente liberal. _______________________________________________________________ Partira para sempre aquela que a acompanhara em todos os momentos da sua conturbada vida, dando-lhe carinho e acompanhando-a em todas as suas atitudes e decisões, sem recriminá-la. Dona Antonia, como sabemos, era analfabeta, mas, com certeza se realizava na atuação literária e educacional da filha. É inegável que a mesma fora uma mulher de espírito liberal. Nísia Floresta não gostava do mês de agosto; considerava-o funesto, pois teve o pai, o marido e a mãe faleceram nesse mês. Em seguida, marcada por essa morte, ela escreve “O Pranto Filial”; uma homenagem a mãe. Logo no início ela diz: “Lágrimas de íntima e dolorosa saudade, correi livremente na solidão deste quarto funerário, santuário de meus tristes pensamentos, onde ofereço em holocausto as dores de um coração contraído, de um espírito torturado, depois que não respira mais aquela que me amamentou na infância e me consolou na vida de mulher! Correi até que a alma encontre em vós um lenitivo às angustias que a oprimem” (OBS: ESTE TRECHO DEVE SER APRESENTADO COM VOZ FEMININA). 65ª TOMADA: Imagens do Rio de Janeiro Nísia Floresta (45 anos) com uma bacia de ágata com água numa mão e um pano branco na outra, passando-o no rosto dos enfermos de cólera mórbus – ofegantes e muito suados (5 homens; 5 mulheres; 3 meninos e 2 meninas – Todos deitados sobre folhas de bananeira). LOCAL: Engenho Olho d’Água ÁUDIO: As 150 Mais Belas Melodias – Traumeri – Robert Schumann – Vol.3 – Faixa 20. TEXTO: Nessa época o Rio de Janeiro foi assolado pela febre amarela, também chamada cólera “mórbus” causando centenas de mortes. Tal fato interfere a ponto de impedir as atividades normais da Corte. O Rio de Janeiro pára. A tensão e o medo invadem as ruas. Nísia Floresta, solidária aos doentes, se faz de enfermeira e voluntariamente abraça a missão de colaborar incansavelmente com médicos e enfermeiros, os quais arriscam a vida em face de tantos morimbundos. Durante seis meses ela trabalhou na enfermaria do Hospital Nossa Senhora da Conceição. O gesto de Nísia Floresta recebia agradecimento público, através de um comunicado publicado no Jornal do Comércio. Mais tarde ela relataria a experiência no seu livro “Três Anos na Itália”, escrevendo: “Eu acabara de sofrer a perda de minha bem amada mãe, e, na minha dor, encontrei uma forma de alívio junto às vítimas infortunadas da terrível doença, assistindo-as com meus pequenos cuidados”. (OBS: ESTE TRECHO DEVE SER APRESENTADO COM VOZ FEMININA). 66ª TOMADA: Navio em alto mar/ Imagens da França, Itália, Portugal, Inglaterra e Alemanha. ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Abertura de Guilherme Tell – Final- Gioacchino Rossini – Vol. 4 - Faixa 12. TEXTO: Em 1856, Nísia Floresta publica um livro de versos, intitulado “Pensamentos”. Após passar quatro anos no Brasil, segue sua segunda viagem à Europa, aos 46 anos, levando apenas a filha Lívia Augusta. O filho Augusto Américo permaneceu no Rio de Janeiro, onde estudara. Dessa vez ela permaneceria dezesseis anos no Velho Continente. Lá, viria a residir na França e na Itália. Visitaria várias vezes e permaneceria temporadas na Bélgica, Suiça, Inglaterra, Alemanha e Grécia. “Tais peregrinações lhe permitiram conhecer inúmeras pessoas influentes, conforme são relatadas nos livros “Itineraire d’um Voyage em Alemagne”, “Três Ans em Italie” e “Scintile d”un anima brasiliana”. Tais relatos são escritos com tanta perfeição e detalhes que nos permitem conhecer a Europa do século XIX, como se ali tivéssemos ido. A forma como Nísia Floresta descreve lugares e pessoas nos permite constatar o quanto era conhecedora da História Antiga, bem como sua extraordinária capacidade de estar informada da atualidade de vários países, inclusive o Brasil. Somado a isso estava a sua capacidade de se comunicar na língua do país em que visitava. Tudo nos revela a sua prodigiosa inteligência. 67ª TOMADA: Joaquim Pinto Brasil (37 anos) mostrando o Colégio Augusto ao Conde d’Eu (55 anos). Foto do ex-presidente Washington Luiz LOCAL: Solar Bela Vista - Natal ÁUDIO: CD 4 – As 150 Mais Belas Melodias – Pour Elise – Ludwig van Beenthoven – Vol. 4 - Faixa 13. TEXTO: Ao sair do Brasil, Nísia Floresta deixara dentre seus familiares o irmão Joaquim Pinto Brasil, o qual se restabelecera na Corte como advogado. Este, enquanto vivera em São Fidelis, como dono e diretor do Colégio Brasil, presenciara um momento histórico e singular em seu estabelecimento de ensino. O Conde d’Eu, marido da Princesa Isabel, fizera uma visita ao seu educandário. Isso nos permite perceber o nível do colégio, bem como a verve educacional que fluia em ambos os irmãos. Dentre inúmeros homens que se sentaram nas cadeiras do Colégio Augusto, Washington Luís, presidente do Brasil de 1926 a 1930 fora um deles, inclusive como aluno De Joaquim Pinto Brasil - irmão de Nísia Floresta. 68ª TOMADA: Nísia Floresta (46 anos) e Auguste Comte (58 anos) conversando numa sala, tomando chá. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu MATERIAL NECESSÁRIO: Poltrona, louças de porcelana. ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Uma Pequena Música Noturna – Wolfgang Amadeus Mozart – Vol. 1 – Faixa 1. TEXTO: Ainda em 1856, aos 46 anos, ela conhece pessoalmente o renomado filósofo francês Auguste Comte. Este passaria a criar um forte vínculo afetivo com a jovem brasileira. Isso seria percebido mais tarde nas cartas trocadas entre ambos; a propósito até hoje diversas pessoas que não as conhecem – nem suas obras – insistem em pregar que tais cartas revelam um relacionamento amoroso que ambos tiveram, ignorando que as mesmas, na realidade, revelam o grande respeito e a admiração que um nutria pelo outro em meio a temas filosóficos e sociológicos. Lendo-as podemos constatar que a admiração que Comte sentia por Nísia Floresta era imensa, ademais não podia ser diferente diante da singularidade de uma mulher oriunda de terras tupiniquins, consideradas na Europa um lugar de seres selvagens. Realmente era muito contrastante uma mulher tão culta ter suas origens em um país que engatinhava em muitos aspectos, distante anos luz da França. De repente um ser (mulher) surge desse país que ainda conservava a escravidão, dona de um nível educacional e cultural igual ou superior aos de muitas mulheres e homens franceses, nascidos e criados em Paris, a propósito o berço da cultura. _______________________________________________________________ DEPOIMENTO: Zélia Mariz ASSUNTO: A amizade entre Nísia Floresta e Auguste Comte – A admiração que um sentia pelo outro – O amor platônico de Comte por Clotilde de Vaux. _______________________________________________________________ 69ª TOMADA: A mesma imagem da tomada anterior LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu Fotos de Duvernoy, Castilho, Victor Hugo, Manzoni, Azeglio, Alexandre Herculano, Lamartine e Castilho. ÁUDIO: CD Jóias da Música – Concerto Brandenburguês – nº 3 – Orquestra Sinfônica da Rádio de Berlim - Faixa 2. TEXTO: Na realidade, Nísia Floresta e Auguste Comte tornam-se grandes amigos. Ele, apesar de muito doente e sempre acamado, fez algumas visitas ao salão da escritora, no qual ela recebia as mais ilustres figuras européias. Enquanto viveu na Europa, Nísia manteve amizade com a elite européia, visitando e sendo visitada por baronesas, viscondessas e demais integrantes da aristocracia européia, as quais nutriam profundo respeito pela mesma. Foi nessa época que Nísia Floresta conheceu Duvernoy, Castilho, Victor Hugo, Manzoni, Azeglio, Alexandre Herculano, Lamartine, Castilho e vários outros homens do mais alto cabedal, autores de obras que até hoje são estudadas em todas as universidades do mundo. 70ª TOMADA: Nísia Floresta (46 anos); Comte (58 anos) e Lívia Augusta (26 anos) numa mesa com livros, discutindo o positivismo. Auguste Comte (58 anos) escrevendo num birô LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD Jóias da Música – Concerto para Clarinete - Mozart– Vol. 6 - Faixa 4 TEXTO: Auguste Comte padecia de delírios constantes, pois recentemente havia falecido a sua esposa Clotilde de Vaux, pela qual ele nutria um amor platônico. É obvia a idéia que Comte quis tornar Nísia Floresta e sua filha Lívia duas ilustres convertidas ao Positivismo, porém a escritora de hábitos metafísicos, jamais se converteria por completo. Com certeza ela via muitos contrastes em seu modo particular de ver o mundo e as coisas. O Positivismo ia contra grande parte do filosofar nisiano. Entretanto ela estudou profundamente tal filosofia. Essa passagem da História de Nísia Floresta alimenta ainda hoje a equivocada idéia de que foi ela quem trouxe tal filosofia para o Brasil, por sinal alguns brasileiros já se reportaram a esse detalhe em artigos jornalísticos com uma carga de duplo sentido, alimentando ainda mais o preconceito em torno de Nísia Floresta. Infelizmente o que colabora com a campanha difamatória contra Nísia Floresta é que pessoas desinformadas escrevem irresponsavelmente sobre ela, muitas vezes sem conhecer sequer uma obra de sua autora, simplesmente por ter lido algo escrito por alguém de igual pensamento, e como se não bastasse, endossam opções e impressões pessoais. A Igreja da Humanidade no Rio de Janeiro conserva até hoje sete cartas que Comte escreveu para Nísia Floresta. Em um dos parágrafos ele diz: “... duas novas discípulas meridionais, uma nobre viúva brasileira e, sobretudo sua digna filha, respectivamente com 47 e 22 anos. Elas estão em Paris há sete meses e eu tenho a impressão de que elas fixam residência na cidade, de maneira a poder ai presidir o verdadeiro salão positivista que nos seria tão precioso”. (OBS: ESTE TRECHO DEVE SER LIDO COM UMA SEGUNDA VOZ MASCULINA). 71ª TOMADA: Imagens da Maison Auguste Comte em Paris – Discket nº.......... Foto de Auguste Comte. Foto de Isabel Gondim ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Primavera (As Quatro Estações) – Antonio Vivaldi – Vol. 1 - Faixa 14 TEXTO: Na Maison Auguste Comte, em Paris, existem as cartas que Nísia Floresta escreveu ao filósofo, as quais ficarão para a eternidade. A conservação dessas cartas e a opção do Governo Francês em expô-las revelam o valor e a importância que elas têm para a história daquele país. A tese inescrupulosa de algumas pessoas em desvirtuar a essência do relacionamento entre Nísia Floresta e Auguste Comte, se contradiz com o fato de que quando ela o conheceu o mesmo já era um homem muito doente e que tal amizade duraria menos de um ano, pois o filósofo viria a morrer poucos meses depois. Tal amizade durou na realidade menos de um ano. Logo após a morte do filósofo tais cartas foram encontradas, guardadas com muito zelo. Era o momento exato de terem descoberto o suposto caso amoroso, entretanto os seus conteúdos fugiam dessa seara. A preocupação que algumas pessoas têm em denegrir a imagem de Nísia Floresta encontra amparo na infeliz experiência do seu primeiro casamento, o que com certeza inspirou os artigos anônimos veiculados nos jornais do Rio de Janeiro e, posteriormente chegaram até os ouvidos dos habitantes da recôndita Papari, onde vivia sua gratuita inimiga Isabel Gondim, a qual empreendeu uma campanha difamatória contra sua conterrânea, tendo escrito uma carta e reproduzido inúmeras cópias, as quais entregava a quem quer que demonstrasse admiração por Nísia Floresta. 72ª TOMADA: Auguste Comte (58 anos) chegando ao salão de Nísia Floresta, sendo recebido pela mesma (46 anos), a qual se dirige a ele fazendo uma vênia e conduzindo-o ao centro da sala, onde se encontra um senhor de engenho (50 anos) e cinco elegantes senhoras e senhoritas (idades entre 25 a 40 anos). LOCAL: Palácio do Governo - Natal ÁUDIO: Idem a 71ª tomada TEXTO: Ivan Lins, autor do livro História do Positivismo no Brasil, relata um fato ocorrido na casa de Nísia Floresta, em Paris, o qual foi testemunhado por um senhor de engenho pernambucano. Assim ele se referiu ao filósofo: “... Comte era recebido sempre com testemunhos de profunda consideração e respeito pelos que frequentavam o salão da escritora brasileira. Esta ia pessoalmente recebê-lo à entrada do seu apartamento e dizia aos presentes, com visível entusiasmo, formulando um gesto de silêncio: “Aí está o Sr. Comte, a maior glória da França. Procurem ouvi-lo e me darão razão. Não é um homem como os outros. É um gênio. A originalidade de suas concepções é tão sedutora como o cavalheirismo de que é feito o seu coração. Os clarões de sua inteligência transfiguram-no num homem belo, quando ele expõe seus grandes pensamentos sobre a moral, sobre política, sobre medicina. Sabe tudo, e todos os respeitam como a maior cabeça do século. Orgulhemo-nos de apertar-lhe a mão. “Voilá um titre de gloire!”. (OBS: ESTE TRECHO DEVE SER APRESENTADO COM UMA SEGUNDA VOZ MASCULINA). 73ª TOMADA: Nísia Floresta (47 anos) num birô escrevendo. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: Idem à tomada anterior. TEXTO: Em 1857 Nísia Floresta editou em Paris “Itineraire d’um Voyage em Alemagne”. O livro foi organizado sob a forma de cartas dirigidas ao filho e aos irmãos, onde ela transmite de uma maneira erudita, as impressões que teve em cada cidade que conheceu na Alemanha. Enquanto isso, no Brasil, o filho Augusto Américo estava se casando. 74ª TOMADA: Mesma tomada anterior (Nísia Floresta escrevendo) LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu Nísia Floresta (49 anos); Lívia (19 anos) e o Bispo de Mondovi conversando. LOCAL: Sacristia da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó – Nísia Floresta ÁUDIO: CD Hino de Países – Hino da Itália – Faixa nº 11 TEXTO: Em 1858, na Itália, ela traduz e edita em Florença “Conselhos a Minha Filha”. Logo em seguida os jornais “L’Imparziale Fiorentino”, de Florença e “L’Etá Presente”, de Veneza estampam diversos elogios sobre o livro e sua autora. O crítico italiano Dídino Nepote, após comentá-lo, finaliza dizendo: “... E nós, italianos, rendemos-lhe graças: tanto mais que, se ela não acolheu sempre aquelas graças ingênitas que as acha somente o nativo, poucos estrangeiros saberiam como ela seguir aquelas regras que o bom uso prescreveu ao escritor”. (OBS: ESTE TRECHO DEVE SER APRESENTADO COM UMA SEGUNDA VOZ MASCULINA). Em 1859 é editado pela segunda vez na Itália “Conselhos a Minha Filha”, a pedido do Bispo da cidade de Mondovi. O religioso gostou tanto do livro que quis adotá-lo nas escolas para meninas de Piemonte. 75ª TOMADA: Nísia Floresta (49 anos); Lívia (19 anos) e o Bispo de Mondovi (50 anos) conversando, folheando um livro. LOCAL: Sacristia da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó – Nísia Floresta ÁUDIO: Canto Gregoriano TEXTO: O Bispo convidou Nísia Floresta para uma audiência em seu palácio. Esta, acompanhada de Lívia, recebeu do mesmo o pedido de autorizar tal publicação, salientando que a autora mudasse um trecho que se referia a uma lenda italiana onde um pai condenado a morte por fome, trancado numa cela, recebe pelas grades o seio da filha, a qual, para salvar o pai da morte, amamenta-o com o seu leite materno. A intenção de Nísia Floresta nesse trecho era de mostrar a dimensão do amor filial, porém a Igreja temia a interpretação de incesto. Em outra parte a autora orientava a filha a confiar todos os pensamentos da sua alma para ela, pois como mãe, pessoa mais interessada na felicidade da filha, e mais experiente, era o ser mais ideal para ouvi-la e aconselhá-la. A igreja não mostrava simpatia por esse trecho, pois via o padre como o único confidente das pessoas. A autora foi irredutível, não admitindo a mudança e o Bispo, convencido, ordenou sua impressão tal qual o original. Esse livro reflete o lado altamente humano e cristão da autora, visto também em diversas outras obras. “Conselhos a Minha Filha” é reeditado posteriormente em francês na cidade de Florença e logo em seguida é editado “Scintille d’um Anima Brasiliana”. A obra trazia cinco ensaios: “Il Bresile”; “L’Abisso Sotto i Fiori Della Civilitá”; “La Donna”; “Viaggio Magnético” e “Una passegiata al giardino di Lussemburgo”. O livro trata com grande propriedade e segurança as questões polêmicas da época. Até hoje tal livro pode ser facilmente encontrado nas bibliotecas italianas, francesas e portuguesas. 76ª TOMADA: Imagens da Grécia ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Amanhecer, de “Peer Gynt” – Edvard Grieg – Vol. 1 – Faixa 15. TEXTO: No dia 7 de maio de 1859, Nísia Floresta resolve conhecer a Grécia, passando por Eleusis, Esparta, Atenas e Argos. Em seguida viajou para a Sicília, visitando Siracusa, Messina, Catânia e Palermo. Quando completou 50 anos instalou-se em Florença, onde fez curso de Botânica no Museu de História Natural. DEPOIMENTO: Luís Carlos Freire ASSUNTO: As sucessivas viagens – o olhar sociológico – as experiências. _______________________________________________________________ 77ª TOMADA: Nísia Floresta (50 anos) numa poltrona lendo um jornal. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: As 150 Mais Belas Melodias – Passeio de Trenó – Leopold Mozart – Vol.1 – Faixa 25. TEXTO: Em 1860, é editado em Florença “A Làgrima de Um Caeté”. Em Lisboa, Luís Felipe Leite publica uma extensa crítica ao livro “Opúsculo Humanitário”, transcrita no Arquivo Universal. Nísia via em torno de si o reconhecimento. Ela estava no auge da carreira literária, recebendo elogios de todos os lados. Agora ela recebia de estrangeiros o que era também para ter sido recebido dos brasileiros. É inegável que ela teve certo reconhecimento nos últimos anos em que passou no Brasil, por sinal houve até uma mudança com relação a sua imagem, pois os mesmos jornais que a atiraram na lama passaram a jogar-lhe flores, elogiando-a como educadora. Mas nada disso era comparado ao reconhecimento que teve na Europa, onde era admirada e respeitada por homens e mulheres 78ª TOMADA: A mesma imagem da Tomada anterior Foto de Machado de Assis Foto de Nísia Floresta ÁUDIO: Idem à tomada anterior TEXTO: Em 1861 ela retorna a Paris, onde monta residência. Nesse país resolveu escrever sobre sua viagem a Itália e Grécia, dando origem ao livro: “Três Anos na Itália Seguidos de uma Viagem a Grécia”, publicando-o em 1864. Nísia Floreta remeteu um exemplar para Machado de Assis. Este publicou uma nota sobre o livro, mesmo sem lê-lo: “Trois Ans em Italie, é o título original, veio-nos da Europa onde se acha a autora, a Sra. Nísia Floresta Brasileira Augusta. A “fantasia” ou a “Itália” é a mesma coisa; é pelo menos o que nos fazem crer os poetas e os romancistas, sussurrando aos nossos ouvidos o nome da Itália com o da terra querida das recordações e das fantasias, do céu e das noites misteriosas. Três anos na Itália devem ser um verdadeiro sonho de poeta. Até que ponto a nossa patrícia satisfaz os desejos dos que a lerem? Não sei, porque ainda não li a obra. Mas a julgar pela menção benévola da imprensa, devo acreditar que o seu livro merece atenção de todos quantos prezam as letras e sonham com a Itália “(OBS: ESTE TRECHO DEVE SER APRESENTADO COM UMA SEGUNDA VOZ FEMININA). A julgar pelo que Machado de Assis escreveu, podemos constatar o quanto ele se enganou. Com certeza pensou que o livro era mais um que se prenderia a relatar as ruínas da Itália, nostalgias do velho mundo, sua literatura, os mitos que a muitos fascinavam e outros temas da moda, como estava em voga na época. Por ter feito um julgamento precipitado, o genial Machado de Assis deixou de apreciar um trabalho singular e totalmente contrastante com o que ele estava acostumado a ver. “Três Anos na Itália Seguidos de Uma Viagem a Grécia” passou longe da avaliação machadiana. A obra trata da Itália subjugada pelos austríacos; de uma Itália revoltada e ansiosa por sua libertação política. Nísia incorporou o espírito do povo italiano, fazendo-nos lembrar dos momentos conturbados da revolta do povo brasileiro contra o tirano domínio português. A escritora não se preocupou em narrar suas impressões como uma turista que escreve um diário, mas lançou um olhar crítico e reflexivo sobre a Itália e a Grécia, observando o comportamento dos jovens, inteirando-se da situação política, cultural e social desses países. Nísia Floresta era adepta da “educação do olhar”. Suas impressões revelam que ela via com acuidade. Suas reflexões penetravam na essência das questões, apresentando sempre uma sugestão, enfim uma espécie de solução para os problemas, assim como fazia no Brasil. Nísia Floresta, despretensiosamente acabou por propiciar à Itália uma obra importante para os italianos que estudam a história desse país. O seu estilo jornalístico de escrever, narrando os fatos com imparcialidade, propriedade e acuidade, prendendo-se aos mínimos detalhes, fê-la autora de um livro referência para o povo italiano. 79ª TOMADA: Imagens do Rio de Janeiro ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – O Franco Atirador, de “der Freischutz” – Carl Maria von Weber – Faixa 14 – Vol. 6 TEXTO: Agora era a vez de ocorrer uma mudança. A fama de Nísia Floresta, além de repercutir nos principais países da França, chegara ao Brasil apesar de longos anos de ausência. O Dicionário Bibliográfico de Inocêncio, lançado em 1862, traz um verbete sobre a escritora no volume número quatro, com informações sobre sua vida e algumas das suas obras. A imagem da Nísia Floresta maculada cedia lugar para uma Nísia Floresta intelectual respeitada e de renome internacional. Uma grande mudança ocorrera. _______________________________________________________________ DEPOIMENTO: Zélia Mariz ASSUNTO: O reconhecimento – faca de dois gumes em virtude de uma sequência de lendas em torno de Nísia Floresta. _______________________________________________________________ 80ª TOMADA: Imagens de Londres Nísia Floresta (57 anos) e Lívia (35 anos) conversando numa sala e folheando livros. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: Idem á 79ª tomada TEXTO: Em 1865 era a vez de a Inglaterra começar a apreciar a obra nisiana com a publicação, em Londres, de um ensaio intitulado “Woman”, retirado do livro “Scintille d’um Anima Brasiliana”, o qual fora traduzido do italiano para o inglês por sua filha Lívia Augusta. Em 1867 ela publica em Paris o romance “Parsis”. Em 1871 foi publicado também em Paris o livro “O Brasil”, um ensaio que integrava “Scintille d’Un’Anima Brasiliana”, também traduzido por Lívia Augusta Gade, a propósito a filha que havia se casado com um alemão, ficara viúva quatro meses depois. Esta jamais teve filhos e, como sua mãe, conservou a viuvez. O livro “O Brasil” seria considerado mais tarde o primeiro trabalho sistematicamente ufanista de nosso país. 81ª TOMADA: Imagens da Comuna (Guerra na França) Nísia Floresta (61 anos) sendo recepcionada por uma família – um homem (40 anos) e uma mulher (25 anos) com expressão de grande felicidade. LOCAL: Solar Bela Vista - Natal ÁUDIO: CD As 150 Mais Belas Melodias – Sinfonia nº 5 (Destaques do 1º Movimento) Ludwig van Beenthoven – Vol. 5 – Faixa nº 18. TEXTO: No início da década de 70, o clima em Paris era de grande conflito. Foi formado um governo republicano e socialista, denominado Comuna. O Presidente Adolphe Thiers reage e manda bombardear a capital, derrotando a Comuna em maio de 1871. Muitos rebeldes foram executados e os sobreviventes deportados para outros países. Nísia Floresta refugia-se em Bourg-la-Reine, interior da França, hospedando-se na casa de uma família amiga. Quando volta a Paris, encontra as marcas da guerra. Seu bairro está bombardeado e sua casa totalmente destruída. A paisagem é desoladora. 82ª TOMADA: Nísia Floresta (61 anos) colocando flores num vaso LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: Idem à tomada anterior. TEXTO: Aconselhada pela família, Nísia Floresta deixa Paris para nunca mais retornar. Ela estava com 61 anos e não sentia mais o ânimo da mocidade para resistir a um ambiente incerto. A princípio segue para Londres com Lívia Augusta e após alguns meses viaja para Portugal, fixando-se até 1872. Nesse ano é publicado em Paris o segundo volume de “Três Anos na Itália Seguidos de Uma Viagem a Grécia”. 83ª TOMADA: Nísia Floresta (61 anos) tomando café com Lívia (41 anos) LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD Chuva – Asas - Faixa nº 5 TEXTO: Em Nova Iorque é publicado na Revista “O Novo Mundo” uma extensa notícia sobre Nísia Floresta, mostrando sua biografia acompanhada de um retrato. Chegara a vez da América do Norte conhecer a renomada escritora. 84ª TOMADA: Imagens do Brasil Nísia Floresta (62 anos) sendo abraçada por uma mulher (40 anos) com um menino (12 anos) ao lado. LOCAL: Fachada da Casa Marista – Centro de Nísia Floresta ÁUDIO: Idem 83ª tomada TEXTO: Em maio de 1872, após passar 16 anos seguidos na Europa, Nísia Floresta deixa Lisboa com destino ao Brasil. A visita feita a sua terra natal foi motivada pela saudade, pois estava ansiosa para rever familiares e amigos, bem como inteirar-se das coisas do seu país. No Rio de Janeiro a campanha abolicionista e republicana encontrava-se a todo vapor. O Brasil era o único império entre várias repúblicas dos países vizinhos. Nísia Floresta, como precursora do movimento republicano e abolicionista no país, com certeza sentiu grande emoção. _______________________________________________________________ DEPOIMENTO: Zélia Mariz ASSUNTO: Nísia era realmente um gênio – Impor-se na Europa em pleno séc. XIX necessitava ser muito especial. _______________________________________________________________ 85ª TOMADA: Imagens de Londres e Portugal Nísia Floresta (65 anos) lendo uma carta, chorando. Nísia Floresta (68 anos) escrevendo. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: As 150 Mais Belas Melodias – Inverno, de “As quatro Estações” - Antonio Vivaldi – Vol. 1 – Faixa nº 26. TEXTO: Em março de 1875 Nísia Floresta deixa o Rio de Janeiro, dessa vez com destino a Inglaterra, onde passa alguns meses ao lado da filha. Dessa vez ela se despediria para sempre da sua terra natal. Logo em seguida viaja novamente para Portugal. Nesse mesmo ano ela recebe a notícia da morte do irmão Joaquim Pinto Brasil no Rio de Janeiro, vítima de pleuro-pneumonia. Sobre essa morte ela assim se expressaria mais tarde no livro “Fragments d’Un Ouvrage Inedit – Notes Biographiques”: “A mais de duas mil léguas da terra onde jazem os teus restos mortais, eu choro a agonia muda de teu coração! Deploro, imersa na dor, a tua morte que, com os olhos do espírito, eu vejo melhor do que aqueles que a presenciaram”. (OBS: ESTE TRECHO DEVE SER APRESENTADO COM VOZ FEMININA). “Fragments d’Un Ouvrage Inédit – Notes Biographiques” foi o último livro escrito por Nísia Floresta, tendo sido publicado em 1878, em Paris, contando ela setenta anos de idade. O mesmo fora dedicado a irmã Clara. Nele ela trata principalmente do irmão Joaquim Pinto Brasil, escrevendo sobre sua infância e juventude; entretanto podemos considerar a obra como o livro de suas memórias, pois nele são fornecidos dados muito importantes sobre si. Ademais é louvável refletir sobre a lucidez de uma mulher setuagenária, dona de uma trajetória repleta de desencontros, frustrações, surpresas, conquistas, viagens e descobertas, resistir intata, escrevendo, já anciã, um trabalho com tanta propriedade. Os desafios enfrentados por Nísia Floresta jamais abalaram a sua verve literária, ao contrário, fortificaram ainda mais a sua intelectualidade. 86ª TOMADA: Imagens de Rouen Foto de Joana d’Arc ÁUDIO: Idem à tomada anterior. TEXTO: Provavelmente ainda em 1878, Nísia Floresta resolveu mudar-se para Rouen, uma belíssima cidade medieval do interior da França, onde Joana d’Arc fora queimada viva em 1431. 87ª TOMADA: Forte dos Reis Magos Foto de Isabel Gondim Isabel Gondim (45 anos) escrevendo uma carta. LOCAL: Engenho Olho d’Água - São José de Mipibu Imagens da Fazenda Ilha LOCAL: Nísia Floresta Escola Isabel Gondim LOCAL: Ribeira – Natal Isabel Gondim (54 anos) entregando uma cópia da carta a Henrique Castriciano (48 anos) e a Oliveira Lima (50 anos). LOCAL: Instituto Histórico e Geográfico do RN - Natal Isabel Gondim (45 anos) num sofá, lendo o livro “O Brasil – Poema Histórico”, de sua autoria. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: Ídem à 85ª tomada TEXTO: Seis anos depois, em Natal, Rio Grande do Norte precisamente em 1884, Isabel Gondim dá início a uma campanha difamatória contra Nísia Floresta. Atitude aparentemente inexplicável, pois ela nunca conheceu Nísia Floresta. Isabel Gondim nasceu em 1839, ou seja, 29 anos após o nascimento de Nísia Floresta. Enquanto Isabel recebia o seu primeiro mingau a notável escritora já havia publicado um livro e diversos artigos jornalísticos. Isabel Gondim escreveu uma carta endereçada a J. F. Souto, transmitindo enumeras informações totalmente erradas e desencontradas, expressando muito preconceito e tabu. Em suas várias páginas ela acusa Nísia Floresta de adúltera, leviana e mestiça, insinuando que seus livros eram escritos por seu marido, que o pai de Nísia Floresta fugira para Portugal e nunca mais retornara ao Brasil, enfim a carta se alonga em infindáveis mentiras. Isabel Gondim nasceu e cresceu ouvindo a audaciosa história da conterrânea que, aos 13 anos abandonou o marido e se uniu a outro homem. Fato abominável para a mentalidade da época, certamente estimulou a imaginação da provinciana, originária de uma Papari parada no tempo, sem avanços. Natal surtia alguns progressos, mas nada podia ser comparado aos países em que Nísia Floresta vivera na Europa. Isabel Gondim nasceu nos arredores de Papari, num local conhecido como “Ilha”, por ironia tal propriedade faz divisa com o “Sítio Floresta”, local em que Nísia Floresta nascera. Isabel viveu no seio de uma família rica, conservadora e detentora de tabus típicos da época. Aos 27 anos criou uma escola no bairro da Ribeira. Estreou como escritora em 1874, aos 33 anos, época em que Nísia Floresta, entre idas e vindas entre o Brasil e Europa, já possuía um histórico de escritora sendo uma intelectual reconhecida, amiga de vários intelectuais e letrados europeus. Isabel Gondim utilizou-se da história do abandono do primeiro marido, praticada por Nísia Floresta, para macular incansavelmente sua imagem. Fez inúmeras cópias dessa carta e as distribuiu principalmente para quem mostrasse admiração por Nísia Floresta, como que quisesse quebrar o encanto dessa admiração. A propósito, Henrique Casriciano e Oliveira Lima receberam das mãos de Isabel Gondim tal documento. Ela tinha prazer em distribuí-la. __________________________________________________ DEPOIMENTO: Luís Carlos Freire ASSUNTO: Um ano antes da morte de Nísia Floresta surge uma campanha difamatória movida por Isabel Gondim. _______________________________________________________________ Essa campanha implacável de difamação é uma mancha negra na história de vida de Isabel Gondim. Em seu legado jaz um débito de justiça para com a notável brasileira augusta. Rodrigues Alves fazia a seguinte comparação entre as duas escritoras: “Nísia Floresta era um gênio e Isabel Gondim geniosa”. (OBS: ESTE TRECHO DEVE SER APRESENTADO COM UMA SEGUNDA VOZ MASCULINA). Muitos os que conheceram a obra de Nísia Floresta, bem como sua história, interpretam a carta de Isabel Gondim como o testemunho de profunda inveja contra a genial conterrânea. Era como só ela pudesse brilhar. Seja como for, é quase certo que Nísia Floresta nunca tomou conhecimento dessa carta, pois já estava com 74 anos e alguns familiares seus que viviam no Rio de Janeiro não tinham contato com o Rio Grande do Norte. Por muitos anos, Nísia Floresta foi razão de vergonha e não de orgulho para com os seus próprios conterrâneos do Rio Grande do Norte. 88ª TOMADA: Nísia Floresta (74 anos) levantando-se de uma cadeira apoiando-se numa bengala, caminhando na sala da sua casa. LOCAL; Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu Imagens do Sitio Floresta. OBSERVAÇÃO: mesma imagem da 6ª tomada. LOCAL: Fazenda Pavilhão Nísia Floresta (10 anos) passeando com Pepe (45 anos) LOCAL: Margens da lagoa Arituba Rio Beberibe – PE (foto) Imagens de Augusto Américo. OBSERVAÇÃO: Mesma imagem das 47ª e 60ª tomada. Fachada do Colégio Augusto Nísia Floresta (74 anos) caminhando num jardim vagarosamente; num dado momento retira uma rosa de um arbusto, cheira e olha para o horizonte. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: CD Jóias da Música – Vol. 6 – Adágio (Albinone) - Faixa 17 TEXTO: Após a publicação de “Fragments d’um Ouvrage Inédit – Notes Biografiques”, Nísia Floresta opta por uma vida mais reclusa em Rouen. A idade avançava e ela via diminuir em torno de si o prestígio social que estava acostumada. Já idosa e com a saúde precária, resta-lhe apenas a nostalgia. Com certeza os seus últimos anos foram de incontáveis lembranças. Lembranças que foram registradas em vários de seus livros. Lembranças do delicioso Sítio Floresta, como assim escrevera. Lembranças dos inesquecíveis passeios que fazia pelas lagoas de Papari, acompanhada por sua escrava Pepé. Lembranças do belíssimo rio pernambucano , o “Beberibe”. Lembranças do Rio Jacui, no Rio Grande do Sul. Lembranças do filho Augusto Américo que permanecera no Brasil. Lembranças do Colégio Augusto... e de Augusto – o marido o qual nunca esquecera. Nísia sentia saudades do seu Brasil... E o seu Brasil já não se recordava direito quem era Nísia Floresta. A brasileira Augusta estava esquecida em terras brasileiras. 89ª TOMADA: Nísia Floresta (75 anos) numa cama tomando chá servido por uma senhora amiga dela (60 anos) observada por Lívia (55 anos). Janela vista do lado de dentro, vendo-se do lado de fora uma chuva torrencial. Nísia Floresta (a mesma cena acima) sobreposta a 4ª Tomada. Um padre (50 anos) orando ao lado da cama de Nísia Floresta (75 anos). Nísia Floresta (75 anos) na cama, piscando vagarosamente. Nísia Floresta (75 anos) na cama com os olhos fechados. Nísia Floresta (75 anos) morta; Lívia Augusta (55 anos) chorando debruçada sobre o corpo da mãe. Túmulo de Nísia Floresta. OBSERVAÇÃO: Foto do meu arquivo LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu ÁUDIO: Idem à 88ª tomada TEXTO: Na manhã de quarta-feira do dia 24 de abril de 1885, Nísia Floresta acordou muito debilitada devido a uma forte pneumonia que a acometera. A filha Lívia Augusta Gade estava presente juntamente com uma amiga da sua mãe, cujo nome é desconhecido. O dia frio e chuvoso exigia cuidados dobrados com a enferma. Ao final da tarde Nísia Floresta pediu à amiga que trouxesse um padre, pois queria se confessar e comungar, sendo atendida de imediato. CRIAR IMAGENS SOBREPOSTAS COM A IMAGEM DE NÍSIA FLORESTA E O SÍTIO FLORESTA Assim que o padre se retirou Nísia Pediu para ficar só. Lá fora a chuva continuava incessante, tornando a noite ainda mais gelada. Às vinte e uma horas Nísia Floresta daria o seu último suspiro, aspirando o ar de um país que a acolheu com respeito e dignidade. Naquele momento deixava de existir a mais notável brasileira do séc. XIX, a qual o Rio Grande do Norte a entregou à França, e que apenas muitos anos depois seria reconhecida no Brasil. Nísia Floresta foi sepultada no jazigo perpétuo no Cemitério Bonsecours. Na laje do túmulo Lívia Augusta mandou escrever: “Aqui jaz Minha mãe Nísia Floresta Brasileira AUGUSTA Nascida em 12 de outubro de 1810 Falecida em 24 de abril de 1885”(OBS: ESTE TRECHO DEVE SER APRESENTADO COM VOZ FEMININA). Apenas o nome AUGUSTA fora escrito com todas as letras maiúsculas, como se a filha quisesse sintetizar nessa expressão tudo o que a mãe representava para ela: AUGUSTA: majestosa, elevada, magnífica, respeitável. OBSERVAÇÃO: Exatamente ao final deste trecho, colocar o seguinte ÁUDIO: CD a Música de Chiquinha Gonzaga – A Corte na Roça - Faixa nº 8. TEXTO: Enquanto isso, no Brasil uma mulher por nome Chiquinha Gonzaga, quebrava todos os tabus, despontando-se como a primeira maestrina e musicista brasileira de grande destaque, lançando a música “A Corte na Roça”. COLOCAR EXATAMENTE NO FIM DESSE PARÁGRAFO ACIMA O CD VIAGEM NESTLÉ PELA LITERATURA – FAIXA 14 – POÉTICA, ENQUANTO, NO VÍDEO, APARECE RERATOS DE NÍSIA FLORESTA. 90ª TOMADA: Fotos de Nísia Floresta aparecendo uma após a outra. ÁUDIO: Idem à 88ª tomada TEXTO: Rouen foi o refúgio perfeito para Nísia Floresta. Nenhum jornal anunciou a sua morte. A escritora de vida atuante nos grandes centros europeus escolhera Rouen para viver os seus últimos anos de vida, em silêncio, num exílio voluntário. 91ª TOMADA: Imagens do Rio de Janeiro. ÁUDIO: Idem à 88ª tomada TEXTO: Lívia Augusta não se apressou em avisar a família no Rio de Janeiro. A notícia chegou por carta ao final do mês de maio. Diversos jornais anunciaram o fato juntamente com missas encomendadas por familiares e por ex-professores do Colégio Augusto. A história de Nísia Floresta que parecia encerrada, passará agora por outra etapa. Terá início a luta em prol do reconhecimento da sua memória e do seu legado, encabeçada anos a fio por intelectuais, escritores e autoridades do Rio Grande do Norte e de outros estados. “O RECONHECIMENTO, OS OBSTÁCULOS E O RENASCER DO “PRECONCEITO” 92ª TOMADA: Imagens da Igreja Positivista no Rio de Janeiro ÁUDIO: CD Jóias da Música – Concerto Brandenburguês nº 3, 1º Movimento – Vol 5 – Faixa 2 OBSERVAÇÃO: Desta tomada até a 128ª a sonoplastia é a mesma, COM EXCEÇÃO APENAS ÀS 129ª, 130ª, 131 E 132ª TOMADAS. TEXTO: Três anos após o falecimento de Nísia Floresta, o Centro do Apostolado Positivista do Brasil no Rio de Janeiro, publica “Sete Cartas Inéditas de Auguste Comte e Nísia Floresta”. Missão que causava orgulho aos positivistas enaltecidos por serem conterrâneos da genial figura que havia conhecido Auguste Comte. 93ª TOMADA: Imagens de Augusto Américo – A mesma da 64ª Tomada ÁUDIO: TEXTO: Tais cartas foram doadas a referida instituição por Augusto Américo de Faria Rocha, filho de Nísia Floresta, o qual viria a falecer muito novo, quatro anos depois do falecimento da sua mãe. 94ª TOMADA: Foto do Jornal “A República”, de Natal Maison d’Auguste Comte – Paris – Discket nº.......... ÁUDIO: TEXTO: Em 1903, o jornal “A República”, de Natal, publica as cartas de Auguste Comte, a tradução e o texto original. Tais cartas voltariam a ser divulgadas em Natal, 77 anos depois, no mesmo jornal que as publicou em 1980. Entretanto as cartas de Nísia Floresta para Auguste Comte permaneceriam inéditas, expostas na “Maison Auguste Comte”, em Paris. 95ª TOMADA: Foto de Henrique Castriciano Henrique Castriciano (48 anos) o mesmo intérprete da 87ª Tomada; Lívia (82 anos) numa sala conversando e observando papéis e fotos. LOCAL: Engenho Olho d’Água – São José de Mipibu Foto da Estação Papari (Nísia Floresta) ÁUDIO: TEXTO: Em 1908 o famoso Almanaque Garnier traz um artigo escrito por Henrique Castriciano – um dos maiores admiradores de Nísia Floresta – o qual visitou as sobrinhas da escritora no Rio de Janeiro, obcecado em levantar o máximo de informações, pois pretendia escrever a biografia de Nísia Floresta. Muito prudente, viajou até Cannes, após ter conseguido o endereço de Lívia Augusta Gade, encontrando-a já idosa. Esse encontro permitiu a Henrique Castriciano levantar muitas informações sobre Nísia Floresta, com a vantagem de serem fornecidas pela própria filha. O acervo fotográfico e os dados obtidos consistiram num verdadeiro tesouro, o qual serviu de base para tudo o que seria escrito sobre Nísia Floresta ao longo do tempo, embora muitas lacunas perduraram. Devemos considerar que a idade avançada de Lívia Augusta impediu-a de fornecer uma diversidade de informações, as quais seriam garimpadas futuramente através de sucessivos pesquisadores e pesquisadoras que dedicaram grande parte das suas vidas a elucidá-las, sobretudo o tempo em que Henrique Castriciano passou com ela não foi o ideal para um trabalho de história oral abrangente. Infelizmente o governo estadual e federal foi omissos no sentido de acordarem para a preciosidade de uma pesquisa mais séria, pois houve a oportunidade de financiar pesquisadores até Cannes, oportunizando-lhes o tempo necessário para uma garimpagem diligente, com a garantia de somar um resultado mais promissor, até porque o sucesso de um trabalho de pesquisa depende da ação de praticá-la com disponibilidade e tempo. Pesa ainda a inércia de muitos intelectuais e pesquisadores, pois se tivesse havido um movimento com esse propósito, com certeza hoje teríamos um Memorial com os bens que pertenceram a Nísia Floresta. No entanto, apesar de terem sido descobertos verdadeiros achados, em se tratando da obra e da trajetória da escritora, se nos atermos com cuidado aos fatos, perceberemos até hoje algumas lacunas indecifráveis. O resultado dessa omissão proporcionou também a imperdoável falha de ter havido tempo e oportunidade de levantarem um acervo pessoal de Nísia Floresta, mas que nada foi feito. Hoje o Rio Grande do Norte não possui sequer um objeto pessoal que tenha pertencido a Nísia Floresta, mesmo tendo tido a oportunidade de adquiri-lo. Se realmente o projeto do Museu da Mulher – uma idéia do poeta Diógenes da Cunha Lima – saisse do papel, o Brasil poderia, através de um acordo, conseguir alguns livros originais de Nísia Floresta, os quais estão na Europa. Existem no Brasil as cartas trocadas entre Nísia e Auguste Comte, bem como raros livros de época, escritos por Nísia Floresta. Mas infelizmente continuam as omissões, pois nada é feito. Esse sucessivo descompromisso com a cultura consiste em algo lastimável. 96ª TOMADA: Foto de Alberto Maranhão Fotos do Monumento a Nísia Floresta. ÁUDIO: TEXTO: Por muitos anos equivocadamente acreditavam que Nísia Floresta havia nascido em 1809. Baseado nesse erro, o Congresso Literário e os estudantes do Atheneu Norte-Rio-Grandense, apoiados pelo governador Alberto Maranhão, mandassem construir um belíssimo monumento em 1909 para comemorar o centenário de nascimento da escritora. O local escolhido foi o Sítio Floresta, em Papari – exatamente no local onde existiam as ruínas da casa onde Nísia Floresta nasceu. Essa seria a primeira vez que a escritora recebia uma homenagem em termos plásticos. Nesse mesmo ano, Constâncio Alves, outro pioneiro no trabalho de resgate da memória de Nísia Floresta, publicou um artigo referente à escritora no Jornal do Comércio no Rio de Janeiro. 97ª TOMADA: Foto do Monumento de 1911 (livro de Adauto da Câmara – página nº 68). ÁUDIO: TEXTO: No dia 19 de março de 1911 foi inaugurado na Praça Augusto Severo, em Natal, um medalhão de bronze em homenagem a escritora. O trabalho foi feito em Paris pelos escultores Corbiniano Vilaça e Edmond Baboche, a pedido de Henrique Castriciano. O medalhão trazia a efígie da escritora, afixada a uma peça de granito com incrustações em bronze e as datas de nascimento e morte da escritora. 98ª TOMADA: Imagens de Lívia Augusta. OBSERVAÇÃO: as mesmas da 96ª Tomada. Túmulo de Nísia Floresta – meu arquivo ÁUDIO: TEXTO: No dia 26 de outubro de 1912, morre Lívia Augusta Gade, aos 85 anos, sendo sepultada no mesmo jazigo que, há 27 anos sepultara a mãe. Lívia viveu 52 anos na Europa, tendo residido em Portugal, na Inglaterra, França, Alemanha e Itália. Na França morou também em Rouen, Nice e Cannes, onde faleceu. 99ª TOMADA: Oliveira Lima (40 anos) proferindo um discurso. LOCAL: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte - Natal ÁUDIO: TEXTO: Em novembro de 1919 Oliveira Lima, então paraninfo da primeira turma de formandos da Escola Doméstica de Natal, faz um empolgante discurso sobre Nísia Floresta. 100ª TOMADA: Reis de Carvalho (60 anos) discursando sobre Nísia Floresta. LOCAL: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte - Natal ÁUDIO: TEXTO: No ano de 1924 o Centro de Cultura Brasileira no Rio de Janeiro promove uma palestra sobre a escritora, proferida pelo escritor maranhense Reis de Carvalho. O evento causou grande repercussão. _______________________________________________________________ DEPOIMENTO: Isabela Camilo ASSUNTO: A preocupação de algumas pessoas em divulgar o nome de Nísia Floresta e o consequente preconceito estampado em alguns conferencistas – A propagação de lendas. _______________________________________________________________ 101ª TOMADA: Joaquim Grillo (50 anos) discursando sobre Nísia Floresta. LOCAL: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte - Natal ÁUDIO: TEXTO: Nesse mesmo ano o Dr. Joaquim Grillo promove em Goianinha uma conferência com o mesmo tema, na ocasião da passagem dos 39 anos de falecimento de Nísia Floresta. Passados quarenta anos da morte de Nísia Floresta ela tornou-se um mito em sua terra natal. Infelizmente a ausência de livros sobre a escritora permitia que o povo desse asas à imaginação, vendo-a conforme os seus interesses e tabus. 102ª TOMADA: Fotos do Monumento a Benjamin Constant – Praça da República – Rio de janeiro. Juvenal Lamartine Celina Guimarães Alzira Soriano Maria do Céu Fernandes Nísia Floresta ÁUDIO: TEXTO: Em 1926 é inaugurado no Rio de Janeiro o Monumento a Benjamin Constant, em homenagem á Lei de 13 de maio de 1888, a qual aboliu a escravidão. A efígie de Nísia Floresta foi incluida junta às de Castro Alves, José Bonifácio e Toussaint- Louverture. Em 1927, após empreender uma incansável luta, Juvenal Lamartine conseguiu que o estado aprovasse o direito do voto feminino. Nísia Floresta não pôde presenciar tal conquista, mas por ter sido precursora da emancipação feminina, com certeza teve um grande peso nesse acontecimento histórico, até porque o Rio Grande do Norte foi o berço dessa inovação. A propósito, por coincidência, Celina Guimarães, a primeira eleitora do Brasil era norte-rio-grandense. Na mesma ocasião o Rio Grande do Norte conseguiu outra peripécia, elegendo a primeira mulher prefeita da América do Sul: Luiza Alzira Teixeira Soriano, a qual assumiu a prefeitura de Lages. Sete anos depois o Rio Grande do Norte juntamente com alguns poucos estados do país, elege a sua primeira deputada: Maria do Céu Fernandes. Um ano depois, em 1928, é publicado em Paris o livro “Auguste Comte e Madame Nísia Brasileira (Correspondências)”. Em 1933 Roberto Seidl publicou no Rio de Janeiro o ensaio intitulado: “Nísia Floresta – 1810-1885 – A Vida e a Obra de Uma Grande Educadora, Precursora do Abolicionismo, da República e da Emancipação da Mulher no Brasil”. Esse trabalho tornou-se por muitos anos a principal e mais abrangente fonte de consulta sobre Nísia Floresta Em 1935 o escritor gaúcho Fernando Osório publicou em “Mulheres Farroupilhas” o livro de Nísia “Fany ou o Modelo das Donzelas”. Em 1938 a Revista das Federações das Academias de Letras reedita “A Lágrima de um Caeté”. Essa reedição não foi muito positiva, pois trouxe muitos erros tipográficos, comprometendo a beleza e a perfeição do original. Como se não bastasse, o autor do prefácio desqualifica o trabalho poético de Nísia Floresta. 103ª TOMADA: Fotos de Adauto da Câmara Lucy Garcia ÁUDIO: TEXTO: Nesse mesmo ano Adauto da Câmara tenta obter a certidão de óbito de Nísia Floresta através do Itamarati, porém o Consulado Geral do Brasil no Havre, apesar de uma busca incessante, nada encontra na Prefeitura de Rouen sobre a morte da escritora. Em 1941, Adauto da Câmara publicou no Rio de Janeiro “História de Nísia Floresta”, pela Editora Pongetti, obtendo muito sucesso, pois trazia inúmeras informações até então desconhecidas, porém, apesar das elucidações, o autor deixa muitas lacunas relativas à vida a vida e a obra de Nísia Floresta. O livro passa a ser por muitos anos a obra mais completa e importante, apesar de o autor informar equivocadamente a data do nascimento da escritora. _______________________________________________________________ DEPOIMENTO: Isabella Camilo ASSUNTO: O que significou o livro de Adauto da Câmara – Lacunas _______________________________________________________________ Em 1942, Lucy Garcia torna-se a primeira mulher norte-rio-grandense a receber um brevet do Aero Clube de Natal. Autorizada a pilotar o avião Piper Cub J-3, a piloto fez inúmeros vôos panorâmicos sobre Natal, mostrando sua grande habilidade. O feito parou Natal, pois era algo inacreditável para uma sociedade que ainda via a mulher com muito preconceito. O que era comum em todo o país. Apesar de tudo nada se comparava a época vivida por Nísia Floresta, mas era certo que os ideais dessa notável mulher estavam se realizando aos poucos. 104ª TOMADA: Imagens da cidade de Nísia Floresta Foto de Arnaldo Barbalho Simonetti Livro “Goianinha no Contexto Histórico da Província”, pág. 146. ÁUDIO: TEXTO: Em 1948, através do decreto-lei nº 146, do dia 23 de dezembro, a pequena Papari, berço do nascimento da famosa filha, passa a ser denominada Nísia Floresta. Uma justa homenagem, cujo projeto fora de autoria do deputado goianinhense Arnaldo Barbalho Simonetti. 105ª TOMADA: A mesma imagem da 97ª Tomada. ÁUDIO: TEXTO: Uma cena de vandalismo vem à luz no dia 25 de outubro de 1949: ladrões roubam o medalhão com a imagem de Nísia Floresta, o qual fora confeccionado em Paris, a pedido de Henrique Castriciano. Nunca foram descobertos os autores nem encontrada a peça, motivando o poder público a retirar a base de granito onde a efígie se encontrava. Também não houve a preocupação em recriar outro monumento no local. 106ª TOMADA: Foto de Orlando Dantas ao lado do túmulo de Nísia Floresta. OBSERVAÇÃO: Caixa nº 2 – meu arquivo. ÁUDIO: TEXTO: Em 1950 o jornalista Orlando Ribeiro Dantas, fundador do Diário de Notícias do Rio de Janeiro, realizou o desejo de vários norteriograndenses, localizando em Bonsecours o túmulo de Nísia Floresta. A notícia deixou o Brasil entusiasmado. Estudiosos da vida e da obra da escritora ficaram eufóricos, pois tal peripécia consistia num sonho acalentado há anos. 107ª TOMADA: Foto do Dr. Marciano Freire – meu arquivo ÁUDIO: TEXTO: Todas as medidas foram tomadas em prol do traslado dos restos mortais de Nísia Floresta para o Brasil, até que em 1953 o Centro norte-rio-grandense, através do seu presidente Dr. Marciano Freire, recebeu a incumbência de concretizar tal ideal, por intermédio da Portaria nº 497, de 22 de julho de 1953, do Ministério da Educação. 108ª TOMADA: Foto do caixão de Nísia Floresta revestido de uma proteção de madeira ao lado de Adauto da Câmara e Dr. Marciano no Porto de Recife – meu arquivo. ÁUDIO: TEXTO: Em 1954 o Dr. Marciano Freire viajou a França para viabilizar o traslado junto ao Governo francês, deparando-se com um fato inesperado: o corpo de Nísia Floresta, que completara 69 anos sepultado em Bonsecours, estava intacto devido aos produtos químicos utilizados em seu embalsamamento. A proposta era trazer os ossos numa caixa, porém, devido a tal surpresa, tiveram que mudar os planos. O corpo mumificado foi colocado num caixão de zinco. Após tais providências saiu de Rouen com destino a Marselha, tendo sido embarcado no navio Loide Brasil no dia 9 de agosto, chegando a Recife em 5 de setembro. 109ª TOMADA: A mesma foto anterior Foto do ex-presidente Café Filho Foto da Academia Pernambucana de Letras ÁUDIO: TEXTO: Surge então outro imprevisto. Os funcionários da Alfândega imaginavam que o objeto do traslado se tratava de uma mercadoria comum, a qual precisava de toda uma burocracia para ser liberado. Quando se certificaram tratar de um caixão com um corpo, a liberação foi embargada de imediato, causando certo constrangimento no Porto. Houve então a necessidade da interferência direta do Governo Federal. Na ocasião o Presidente da República era, por coincidência, o norte-rio-grandense Café Filho, o que facilitou a imediata solução do entrave. Em seguida o corpo foi encaminhado para a Academia Pernambucana de Letras, onde o caixão de zinco foi envolvido por outro de madeira envernizada. Ocasião em que houve uma calorosa e emocionante homenagem prestada pelo Governo Pernambucano, autoridades, escritores e intelectuais do Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. 110ª TOMADA: Foto de um caixão coberto com a bandeira do Brasil. ÁUDIO: TEXTO: Ao encerramento da solenidade, o ataúde foi coberto com a bandeira brasileira e encaminhado ao Rio Grande do Norte, aos cuidados do acadêmico Nilo Pereira. 111ª TOMADA: Foto de Nilo Pereira ÁUDIO: TEXTO: O Instituto de Educação de Natal foi escolhido para a tão esperada homenagem. Governo, intelectuais, escritores, autoridades, professores e alunos renderam-lhe homenagens, assistindo posteriormente a missa de corpo presente 112ª TOMADA: FOI RODADA NO DIA 27 DE AGOSTO DE 2003 ÁUDIO: TEXTO: Em seguida esse cortejo deslocou-se até a cidade de Nísia Floresta, devolvendo a ilustre filha ao seu torrão natal, após 120 anos de ausência. A escritora havia estado em terras paparienses pela última vez em 1824. DEPOIMENTO: Dona Noilde Ramalho (presenciou o acontecimento, vindo no cortejo como aluna da Escola Doméstica) ASSUNTO: Descrição do que viu (livre) DEPOIMENTO: Prof. Jorge Januário de Carvalho (presenciou o acontecimento). ASSUNTO: Descrição do que viu. _______________________________________________________________ O dia 12 de setembro de 1954 foi especial e singular para os seus conterrâneos. A pacata cidade foi palco do seu maior acontecimento. Curiosamente a maioria dos nativos não sabia do que se tratava aquele imenso cortejo que invadira a cidade. Uma multidão se reuniu no Largo da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó. Curiosos vinham de todos os cantos. Dois aviões da Base Aérea de Parnamirim sobrevoaram a cidade, despejando nos ares o retrato com a biografia de Nísia Floresta. O povo, estático, admirava os mínimos detalhes daquele momento singular e emocionante. Muitos nativos só passaram, a saber, da importância de Nísia Floresta nesse momento. O caixão, coberto com a bandeira do Brasil chegou num caminhão Ford 29. Militares da Aeronáutica e Marinha o conduziram lentamente ao interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, onde aconteceu a missa de corpo presente celebrada pelo Padre Rui Miranda. DEPOIMENTO: Cônego Rui Miranda (padre que recebeu os despojos de Nísia Floresta). ASSUNTO: O que comentavam sobre a vinda dos despojos de Nísia Floresta. 113ª TOMADA: FOI RODADA NO DIA 27 DE AGOSTO DE 2003 ÁUDIO: TEXTO: Ao encerramento da cerimônia ocorreram os discursos do Sr Murilo Pedroza, Prefeito de Natal e do Sr. José Ramires, Prefeito de Nísia Floresta. 114ª TOMADA: Jornais se contrapondo Pessoas ouvindo rádio Selo com a imagem de Nísia Floresta ÁUDIO: CD FRANCISCO ALVES – Nº 3 – FAIXA Nº 9 TEXTO: Jornais e programas de rádio do Rio Grande do Norte e do Recife se voltaram para o acontecimento. Não se falava em outra coisa. Na ocasião o Departamento de Correios e Telégrafos editaram um selo comemorativo àquela histórica data. _______________________________________________________________ DEPOIMENTO: Nanci Leite (presenciou o evento como pessoa comum – nativa de Nísia Floresta). ASSUNTO: Descrição do que viu (livre). DEPOIMENTO: Paulo Cota (presenciou o acontecimento) ASSUNTO: O que significou a chegada dos despojos de Nísia Floresta a sua cidade natal. _______________________________________________________________ 115ª TOMADA: Túmulo de Nísia Floresta em Papari. ÁUDIO: TEXTO: O corpo da escritora foi sepultado num jazigo construído logo a frente do monumento que já estava ali desde 1909, no local onde existira a sua residência. 116ª TOMADA: Foto da Escola Estadual Nísia Floresta – Nísia Floresta. Foto da placa de inauguração da referida escola Fotos de Nísia Floresta. ÁUDIO: TEXTO: O nome de Nísia Floresta foi dado a uma escola estadual nessa cidade. Em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife e Natal existem a Rua Nísia Floresta. Na Academia Feminina do Rio Grande do Sul é patrona da cadeira 17; Na Academia norte-rio-grandense de Letras, em Natal, é patrona da cadeira nº 2; na Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno, em Fortaleza, é patrona da cadeira nº 6, ocorrendo o mesmo na Academia Nacional de Letras e Artes no Rio de Janeiro. 117ª TOMADA: Foto da Prefeitura de Nísia Floresta ÁUDIO: TEXTO: Na década de 60 um prefeito de Nísia Floresta mandou queimar grande parte dos documentos manuscritos do século XIX, julgando que não tivessem valor. Esse ato infeliz minou as possibilidades de se encontrar alguma referência sobre Nísia Floresta e sua família. Em 1988 seu nome foi atribuído ao Prêmio de um Concurso realizado pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher sobre o preconceito no livro didático. 118ª TOMADA: Instituto Joaquim Nabuco – PE – com destaque a pintura do retrato de Nísia Floresta. ÁUDIO: TEXTO: Em 1977 foi inaugurado um retrato de Nísia Floresta no Instituto Joaquim Nabuco em Recife, tornando a escritora a primeira mulher a fazer parte desta galeria, ao lado de Santos Dumont, Duque de Caxias, José de Alencar e outros vultos da nossa história. 119ª TOMADA: Foto de Socorro Trindade Capa do livro Feminino Feminino ÁUDIO: TEXTO: Em 1981 Socorro Trindade, escritora nascida em Nísia Floresta, publicou o livro Feminino Feminino com a proposta de incluir o nome de Nísia Floresta como precursora na recente história do movimento feminino brasileiro. 120ª TOMADA: Capa do Livro Itinerário de Uma Viagem à Alemanha. ÁUDIO: TEXTO: Pela primeira vez é traduzido um livro de Nísia Floresta para o português. Itinerário de Uma Viagem à Alemanha, o qual havia sido publicado em francês em 1857 A iniciativa foi do professor Francisco das Chagas Pereira, cuja edição deu-se através da Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em 1982. 121ª TOMADA: Foto da professora Zélia Mariz Capa do livro “Nísia Floresta Brasileira Augusta” ÁUDIO: TEXTO: Ainda neste ano a professora Zélia Bezerra Mariz, então professora na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, publica uma breve monografia intitulada Nísia Floresta Brasileira Augusta pela UFRN. Este trabalho veio somar mais um elemento de resgate da memória da escritora. 122ª TOMADA: Fachada da Fundação José Augusto. ÁUDIO: TEXTO: Em 1985, centenário da morte de Nísia Floresta, ocorreu em Natal um círculo de palestras em sua homenagem na Fundação José Augusto, em Natal. 123ª TOMADA: Foto de Socorro Trindade ÁUDIO: TEXTO: Na ocasião a imprensa divulgou vários artigos. Um deles, publicado na Tribuna do Norte, causou polêmica. Socorro Trindade, escritora e conterrânea de Nísia Floresta, escreveu um artigo intitulado Nísia Floresta é mito ou pessoa “non grata?”, rotulando a escritora de “puta erudita”. A variedade de artigos publicados sobre Nísia Floresta, uns elogiosos, outros recheados de preconceitos e ironias, permitiu o surgimento de uma série de dúvidas, provocando questionamentos. Afinal Nísia Floresta era o quê? Em 1986 Décio Pignatari escreveu na Folha de São Paulo que o Positivismo teria chegado ao Brasil através da cama de Nísia Floresta, alimentando a tese que já vimos anteriormente, onde a escritora teria tido um caso com Auguste Comte. Em 1989 ocorreu em Nísia Floresta um grande movimento em prol à memória da escritora, organizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, sob a presidência da Professora Maria das Graças Lucena de Medeiros. O evento envolveu a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Natal e a Prefeitura de Nísia Floresta. 124ª TOMADA: Fotos do Arquivo da Escola Municipal Yayá Paiva ÁUDIO: TEXTO: Na ocasião uma multidão de alunos e autoridades de Nísia Floresta e Natal se concentrou no túmulo da escritora, onde ocorreram diversos discursos, ao som da Banda de Música da Polícia Militar de Natal. 125ª TOMADA: Túmulo de Nísia Floresta com uma coroa de flores (foto) ÁUDIO: TEXTO: De lá para cá o município tem prestado algumas homenagens a Nísia Floresta, as quais ocorrem normalmente no dia 12 de outubro, onde a Prefeitura Municipal se encarrega de mandar colocar uma imensa coroa de flores no túmulo, distribuindo faixas com dizeres de saudação àquela data e de engrandecimento à escritora. Eventualmente ocorre uma alvorada com repique de sinos. 126ª TOMADA: Fotos de Nísia Floresta ÁUDIO: TEXTO: Em 1995 a mineira Drª Constância Lima Duarte edita o livro Nísia Floresta – Vida e Obra, fruto de sua tese de doutorado, consistindo num dos mais importantes trabalhos que tratam sobre a escritora, a propósito fez a mesma trajetória feita por Nísia Floresta no Brasil e na Europa, tendo descoberto livros e escritos jornalísticos que até então permaneciam inéditos. Em 1991 Maria José Tarube, Coordenadora do SOS – Ação Mulher, escreveu um artigo infundado no Diário do Povo, de Campinas, dizendo: “Em 1850 Nísia Floresta Brasileira Augusta fundou a primeira escola para mulheres no Rio de Janeiro, sendo expulsa do país acusada de lesbianismo.” (OBS: ESTE TRECHO DEVE SER APRESENTADO COM VOZ FEMININA). Com certeza Maria José Tarube estava muito desinformada, pois quando Nísia Floresta fundou o seu colégio para meninas, já existiam outros fundados há certo tempo. O que houve de diferente foi que Nísia Floresta adotou uma pedagogia inovadora, adotando um currículo inusitado para o público feminino. Nísia Floresta nunca foi expulsa do país. Todas as vezes que se ausentou foi espontaneamente. No que se refere a lesbianismo, nunca houve registro de que Nísia Floresta tivesse esse comportamento, nem mesmo nos artigos anônimos que não lhe poupavam críticas sobre a sua vida particular. Se tal informação procedesse, os jornais teriam trucidado a dona do Colégio Augusto, pois para a época tal atitude era abominável. A propósito, o Dicionário de Mulheres do Brasil, publicado em 2000, por Jorge Zahar Editor, apresenta inúmeras mulheres lésbicas desde os tempos da inquisição, tendo sido feita uma pesquisa minuciosa. Se a informação de Maria José Tarube procedece, com certeza Nísia Floresta não teria sido poupada numa obra feita com tanta acuidade. Questionamentos à parte, se a escritora foi ou não lésbica, tal postura não a impediu de ter deixado um legado invejável a qualquer sexo. O que infelizmente permanece ocorrendo é que pessoas desinformadas insistem em escrever ou falar sobre Nísia Floresta com a única finalidade de provocar polêmica. Lendas e calúnias são fomentadas até hoje tanto em Nísia Floresta como em Natal, ofuscando a Nísia Floresta enquanto personagem real. _______________________________________________________________ DEPOIMENTO: Isabella Camilo ASSUNTO: Lendas e calúnias fomentadas até hoje, fruto do imaginário popular – A ausência de projetos e livros sobre Nísia Floresta colabora. _______________________________________________________________ 127ª TOMADA: Fotos do Seminário alusivo a Nísia Floresta ocorrido em 1997 – meu arquivo. Foto de Vilma Faria Foto de Maria Simonetti Gadelha Grillo ÁUDIO: TEXTO: Em 1997 a Prefeitura de Nísia Floresta e o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, através da sua presidenta Isaura Rosado organizaram um seminário no município de Nísia Floresta, ocasião em que estiveram presentes diversos intelectuais, escritores e estudiosos da obra de Nísia Floresta. Dentre os palestrantes destacavam-se a prefeita de Natal Vilma Faria e a escritora Maria Simonetti Gadelha Grillo. 128ª TOMADA: Foto de Luís Carlos Freire e demais conferencistas durante o seminário de 1998. ÁUDIO: TEXTO: Em 1998, Luís Carlos Freire, estudioso da vida e da obra de Nísia Floresta, autor de vários ensaios sobre a escritora publicados nos anais da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência, organizou um seminário na Escola Municipal Yayá Paiva, patrocinado pela Prefeitura de Nísia Floresta, alusivo a passagem dos 188 anos do nascimento da escritora. Figuras notáveis de Natal proferiram discursos, destacando o Dr. Diógenes da Cunha Lima, Dra. Françoise Dominique Valéry (Cônsul da França), Dr. Enélio Petrovich e a Professora Zélia Mariz. 129ª TOMADA: Fotos da Conferência – “Nísia Floresta – Seu Legado, Sua Vida” Fotos da exposição “Nísia Floresta Vê Nísia Floresta” Foto da capa do CD com o Hino a Nísia Floresta. ÁUDIO: HINO A NÍSIA FLORESTA TEXTO: Em 2001, Luís Carlos Freire organizou uma Conferência na mesma escola com o seguinte título: “Nísia Floresta – Seu Legado, Sua Vida” e simultaneamente a exposição intitulada Nísia Floresta vê Nísia Floresta. O evento foi patrocinado pela Prefeitura de Nísia Floresta. Dentre os conferencistas estava a advogada Ana Maria Cascudo Barreto, filha de Câmara Cascudo e Zelma Bezerra Furtado de Medeiros, Presidenta da Academia Feminina de Letras. A exposição fotográfica mostrava uma diversidade de fotos com flagrantes do cotidiano nisiaflorestense, além de fotos da escritora. O evento contou com o lançamento de um CD com o Hino a Nísia Floresta, um verdadeiro achado, tendo em vista ser fruto de um trabalho de história oral, garimpado por Luís Carlos Freire, onde a letra centenária estava quase extinta, pois somente raros idosos e algumas pessoas mais esclarecidas sabiam sua melodia. As próprias escolas do município não o ensinavam. _______________________________________________________________ DEPOIMENTO: Marilene de Brito (ex-Secretária de Turismo de Nísia Floresta – atual Sub-Coordenadora de Patrimônio Cultural do Estado –Secretaria Estadual de Turismo) ASSUNTO: A necessidade de um município que se orgulhe mais da figura de Nísia Floresta e que tenha motivações para isso – a Educação – O Turismo. DEPOIMENTO: Dr. Diógenes da Cunha Lima ASSUNTO: O Monumento a Mulher – Uma idéia _______________________________________________________________ 130ª TOMADA: Túmulo de Nísia Floresta (com destaque a deteriorização) ÁUDIO: TEXTO: Esse evento tem sido até o momento o último acontecimento em termos de preservação da memória de Nísia Floresta, pois mais nada foi feito. A propósito o túmulo de Nísia Floresta encontra-se deteriorado, necessitando de reforma. A imagem é de desolação, causando indignação nos milhares de turistas que passam diariamente por ele, pois está situado ao lado da estrada que liga o centro de Nísia Floresta às praias do Litoral Sul e a BR 101. O estado de abandono quase total em que se encontra o túmulo de Nísia Floresta revela não apenas descaso político em sucessivas administrações municipais e estaduais, mas a prova maior do preconceito e da deseducação em torno do nome de uma das mais significativas figuras do Rio Grande do Norte do séc. XIX é preocupante que esse fato continue acontecendo em pleno século XXI. 131ª TOMADA: Retratos de Nísia Floresta Nísia Floresta escrevendo num birô ÁUDIO: CD Hino a Nísia Floresta – Faixa 1 OBSERVAÇÃO: música e letra. FIM Luís Carlos Freire Nísia Floresta, dezembro de 2003 Vídeo Documentário História de Nísia Floresta Tomadas Por Ordem Cronológica LUÍS CARLOS FREIRE 3º - Fotos de Nísia Floresta surgindo aos poucos, transpondo as imagens da tomada anterior (2ª tomada); 4ª - Os quatro retratos de Nísia Floresta – lado a lado 5ª - Respingos de chuva sobre flores (4ª tomada) – NÍSIA FLORESTA 6ª - Casa de Nísia Floresta em plano panorâmico (4ª tomada); FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 7ª - Enquadramento da casa de Nísia Floresta no Sítio Floresta (5ª tomada) – FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA 8ª - Câmera se aproximando da janela da referida casa (5ª tomada) – FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 9ª - Dona Antonia, de resguardo, segurando Nísia Floresta (bebê) deitada numa cama, observada pelo marido, Isabel e Pepé (6ª tomada) – FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 10ª - Sr. Dionísio esculpindo em pedra sabão na calçada de sua casa, observado pela filha Dionísia (7ª tomada); FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 11ª - Fachada da Igreja Nossa Senhora do Ó (8ª tomada); NÍSIA FLORESTA; 12ª- Escultura do indiozinho na sacristia da igreja (9ª tomada); NÍSIA FLORESTA; 13ª - Pia onde Nísia Floresta foi batizada (10ª tomada); NÍSIA FLORESTA; 14ª - Imagens de roças de milho, lagoas, praias animais silvestres, rios... Obs. Aproveitar o vídeo Amazônia; (11ª tomada) 15ª - Dona Antonia, Sr. Dionísio, Nísia (bebê) e Maria Isabel conversando numa sala (12ª tomada); FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 16ª - Henry Koster, D. Antonia, Sr. Dionísio, Pepé e Maria Isabel jantando (13ª tomada); FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 17ª - D. Antonia, Clara e Sr. Dionísio - nascimento de Clara (14ª tomada); FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA LORESTA; 18ª - Sr. Dionísio na calçada esculpindo em pedra-sabão, enquanto Nísia folheia um livro observada por D. Antonia. (15ª tomada); FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 19ª – Rebelião de 1817 – Livros/disckets (16ª tomada) 20ª - Sr. Dionísio se preparando para fugir observado por D. Antonia (7ª tomada); FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA 21ª - Corpos mutilados e sangrando (18ª tomada) – RUAS – CENTRO - NÍSIA FLORESTA; 22ª - Maria Isabel penteando o cabelo de Nísia Floresta (19ª tomada) – FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 23ª - Nísia Floresta estudando (19ª tomada); FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 24ª - Goiana – Discket (19ª tomada) (19ª tomada 25ª - Pepe com Joaquim recém-nascido no colo (19ª tomada); ENGENHO PITU – AÇU – CANGUARETAMA; 26ª - Nísia Floresta estudando (20ª tomada); ENGENHO PITUAÇU – CANGUARETAMA; 27ª - Bandeira do Brasil se sobrepondo ao retrato de Nísia Floresta (21ª tomada) 28ª - Nísia Floresta e Manuel Alexandre se casando (22ª tomada) – FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 29ª - Nísia Floresta, triste, numa janela (23ª tomada); FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 30ª - Duas mulheres na rua criticando Nísia Floresta (24ª tomada) – CASA MARISTA – CENTRO - NÍSIA FLORESTA; 31ª - Duas tias de Nísia Floresta, sentadas, falando mal da sobrinha – MUSEU CAFÉ FILHO – NATAL; 32ª -Tropas invadindo Recife (livros/disckets) (25ª tomada) 33ª- Frei Caneca enforcado –livros de História (26ª tomada) 34ª-Revoltosos invadindo a casa de D. Antonia. Estão presentes: Nísia Floresta, Clara, Pepe, Maria Isabel e Joaquim (27ª tomada) – FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 35ª - Imagens de Olinda – discket (28ª tomada) 36ª - Sr. Dionísio, D. Antonia, Nísia Floresta, Clara, Isabel e Pepe – nova casa em Olinda (29ª tomada) – ENGENHO PITUAÇU – CANGUARETAMA; 37ª- Sr. Dionísio (morto) numa mesa, Nísia chorando ao lado de D. Antonia, Clara, Isabel, Pepe e Joaquim. (30ª tomada) – ENGENHO PITUAÇU – CANGUARETAMA; 38ª - Nísia Floresta e Augusto numa cena apaixonada (31ª tomada) – ENGENHO PITUAÇU – CANGUARETAMA; 39ª - Nísia Floresta discutindo com o primeiro marido (32ª tomada) – ENGENHO PITUAÇU – CANGUARETAMA; 40ª - Nísia Floresta segurando Lívia (bebê) logo após o seu nascimento (33ª tomada) – ENGENHO PITUAÇU – CANGUARETAMA; 41ª - Foto de D. Pedro Iº (livro) (34ª tomada) 42ª - Nísia Floresta escrevendo num birô (34ª tomada) – ENGENHO PITUAÇU – CANGUARETAMA; 43ª - Prédio do “O Carapuceiro” – Discket (34ª tomada) 44ª - Capa do livro: “Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens” (35ª tomada); 45ª - Foto de Gilberto Freire (35ª tomada); 46ª - Capa do livro: “Sobrados e Mucambos” (35ª tomada); 47ª - Nísia Floresta sentada num sofá lendo (35ª tomada); ENGENHO PITUAÇU – CANGUARETAMA; 48ª - Retratos de Porto Alegre – Discket; (36ª tomada); 49ª- Imagens de senhoras do séc. XIX em cenas do cotidiano – Livro/Discket. Obs. Incluir a foto antiga de Campo Grande; (36ª tomada); 50ª - Nísia Floresta numa cama segurando Augusto Américo recém-nascido; (37ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 51 - Nísia Floresta aos prantos, debruçada sobre o corpo de Manuel Augusto (numa cama) (38ª tomada) – ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 52ª - Maria Isabel do Sacramento casando-se com Silva Arouca – padre aleatório; (39ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 53ª - Nísia Floresta ensinando crianças em Porto Alegre (10 crianças) (40ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 54 - Nísia Floresta numa mesa escrevendo; (41ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 55ª - Joaquim Pinto Brasil se casando com uma moça de Pernambuco – padre aleatório (42ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 56ª - Guerra dos Farrapos – imagens do seriado “a casa das sete mulheres” – TV Globo; (43ª tomada); 57ª - Nísia Floresta conversando com Garibaldi; (44ª tomada); ENGENHO OLHO DÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 58ª - Retrato de Nísia Floresta se sobrepondo ao de Garibaldi (45ª tomada); 59 - Retrato de Mary Wortley Montagu; (46ª tomada); 60ª - Nísia Floresta sentada num sofá lendo. Obs. Usar a mesma imagem da 35ª tomada; (46ª tomada); 61ª - Tipografia Fidedigna – séc. XIX - Discket; (46ª tomada); 62ª - Imagens de Porto Alegre – séc. XIX - Discket; (46ª tomada); 63ª - Nísia Floresta, D. Antonia, Lívia, Augusto e três escravos saindo do Rio Grande do Sul com a mudança rumo ao Rio de Janeiro; (47ª tomada); SOLAR BELA VISTA - NATAL; 64ª - Imagens do Rio de Janeiro – séc. XIX - Discket (48ª tomada); 65ª - Fachada do Colégio Augusto – Livro (49ª tomada); 66ª - Fotos de Nísia Floresta – Acervo (49ª tomada); 67ª - Fotos de meninas estudando – Livros (49ª tomada); 68ª - Jornais se sobrepondo uns aos outros (50ª tomada); 69ª - Um homem (aleatório) sentado numa poltrona lendo e meneando a cabeça em sinal de reprovação; (50ª tomada); ENGENHO PITUAÇU - CANGUARETAMA; 70 - Nísia Floresta debruçada numa janela olhando o horizonte (50ª tomada); ENGENHO PITUAÇU - CANGUARETAMA; 71 – Capa do livro “Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens” – Acervo; (51ª tomada); 72ª - Um homem (aleatório) sentado numa poltrona, lendo. Obs. Usar a mesma imagem da 50ª tomada; (51ª tomada); 73ª - Nísia Floresta lendo um jornal com ares de descontentamento; (51ª tomada); ENGENHO PITUAÇU - CANGUARETAMA; 74ª - Fachada do Colégio Augusto – Acervo; (51ª tomada); 75 – Joaquim Pinto Brasil lendo sentado numa poltrona (52ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA; 76ª - Capa do Hendecálogo de Joaquim (52ª tomada); 77ª - Joaquim Pinto Brasil lendo... Obs. A mesma imagem anterior (52ª tomada); 78ª - Retratos da Guerra dos Farrapos, Sabinada, e Balaiada – Livros; (53ª tomada); 79ª - Nísia Floresta proferindo uma palestra em uma conferência assistida por 50 homens de idades variadas; INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN - NATAL; (54ª tomada); 80ª - Capa do livro “Conselhos a minha filha” – Acervo (54ª tomada); 81ª - Fachada do Colégio Augusto – Acervo (54ª tomada); 82ª - Nísia Floresta escrevendo num birô (54ª tomada); ENGENHO PITUAÇU - CANGUARETAMA; 83ª - Pe. Anchieta – Acervo (55ª tomada); 84ª - Nísia Floresta com um livro na mão olhando o horizonte, sentada numa cadeira próxima a uma janela; (55ª tomada); ENGENHO PITUAÇU - CANGUARETAMA; 85ª - Lívia Augusta chorando ao cair do cavalo, sendo socorrida por um escravo; (56ª tomada); EM FRENTE À CASA DE JAIR – NÍSIA FLORESTA; (56ª TOMADA); 86ª - Um navio em alto-mar – modelo séc. XIX – Livro ou filme de época; (56ª tomada); 87ª - Foto da Coroa Portuguesa – Livro; (56ª tomada); 88ª - Imagens de Paris – Séc. XIX; (57ª tomada); 89ª - Imagens do Rio de Janeiro – Séc. XIX; (57ª tomada); 90ª - Imagens de Paris – Séc. XIX; (58ª tomada); 91ª - Retrato de Auguste Comte; (58ª tomada); 92ª - Imagens de Portugal; (59ª tomada); 93ª - Retrato de Alexandre Herculano; (59ª tomada); 94ª - Retrato de Castilho; (59ª tomada); 95ª - Nísia Floresta, Lívia, Augusto (com close para este – o referido close será usado na 93ª tomada), dois escravos entre 17 e 25 anos; (60ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 96ª - Jornais se sobrepondo (60ª tomada); 97ª - Capa do livro “Opúsculo Humanitário” – Acervo (60ª tomada); 98 - Maria Isabel do Sacramento morta numa poltrona segurando um livro (60ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 99ª - Imagens do Sítio Floresta (61ª tomada); FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 100ª - Várias imagens do Rio de Janeiro (saraus, baile, cafés, pessoas nas ruas; (62ª tomada); 101ª – Um escravo sentado no batente de uma senzala; (63ª tomada); ENGENHO PITUAÇU - CANGUARETAMA; 102ª – Foto do Aqueduto da Carioca; (63ª tomada); 103ª – D. Antonia morta sobre uma mesa observada por Nísia Floresta, Lívia, Augusto e Clara (uns tristes e outros chorando); (64ª tomada); ENGENHO PITUAÇU - CANGUARETAMA; 104ª – Imagens do Rio de Janeiro – séc. XIX; (65ª tomada); 105ª - Nísia Floresta segurando uma bacia de ágata na mão e um pano na outra, passando-o no rosto dos enfermos –ofegantes e suados – 5 Homens, cinco mulheres e três crianças; (65ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 106ª - Navio em alto mar – modelo séc. XIX; (66ª tomada); 107ª - Imagens da França; (66ª tomada); 108ª - Imagens da Itália; (66ª tomada); 109ª - Imagens de Portugal; (66ª tomada); 110ª - Imagens da Inglaterra; (66ª tomada); 111ª - Imagens da Alemanha; (66ª tomada); 112ª - Joaquim Pinto Brasil mostrando o Colégio Augusto ao Conde d’Eu; (67ª tomada); SOLAR BELA VISTA – NATAL; 113ª - Foto do ex-presidente Washington Luiz; (67ª tomada); 114ª - Nísia Floresta e Augusto Comte conversando numa sala, tomando chá; (68ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 115ª - Nísia Floresta e Augusto Comte... Obs. A mesma imagem anterior (69ª tomada); 116ª - Duvernoy; (69ª tomada); 117ª - Castilho; (69ª tomada); 118ª - Victor Hugo (69ª tomada); 119ª - Azeglio (69ª tomada); 120ª - Alexandre Herculano (69ª tomada); 121ª - Lamartine (69ª tomada); 122ª - Castilho; (69ª tomada); 123ª - Nísia Floresta, Auguste Comte e Lívia numa mesa com livros discutindo o Positivismo (70ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 124ª - Auguste Comte escrevendo num birô (70ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 125ª - Imagens da Maison “Auguste Comte” em Paris – Discket; (71ª tomada); 126ª - Foto de Auguste Comte; (71ª tomada); 127ª - Foto de Isabel Gondim; (71ª tomada); 128ª - Auguste Comte chegando ao salão, recebido por Nísia Floresta, a qual se dirige a ele fazendo uma vênia e conduzindo-o a sala principal, onde se encontra um senhor de engenho, senhoras e senhoritas com idades entre 25 a 45 anos; (72ª tomada); PALÁCIO DO GOVERNO - NATAL; 129ª - Nísia Floresta num birô escrevendo; (73ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 130ª - Nísia Floresta. Lívia e o Bispo de Mondovi conversando numa sala; (74ª tomada); SACRISTIA DA IGREJA NOSSA SENHORA DO Ó – NÍSIA FLORESTA; 131ª - Nísia Floresta, Lívia e o Bispo de Mondovi conversando, folheando um livro; (75ª TOMADA); SACRISTIA DA IGREJA NOSSA SENHORA DO Ó – NÍSIA FLORESTA 132ª - Imagens da Grécia (76ª tomada); 133ª - Nísia Floresta numa poltrona lendo um livro; (77ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU 134ª - Nísia Floresta numa poltrona... Obs. A mesma imagem anterior; (77ª tomada); 135ª - Foto de Machado de Assis; (78ª tomada); 136ª - Foto de Nísia Floresta; (78ª tomada); 137ª - Imagens do Rio de Janeiro – séc. XIX; (79ª tomada); 138ª - Imagens de Londres – séc. XIX; (80ª tomada); 139ª - Nísia Floresta e Lívia conversando numa sala folheando livros (80ª tomada); ENGENHO OLHO DÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 140ª - Imagens da Comuna – Livros (81ª tomada); 141ª - Nísia Floresta sendo recepcionada por um homem e uma mulher, os quais a expressam feições de contentamento; (81ª tomada) SOLAR BELA VISTA – NATAL; 142ª - Nísia Floresta numa sala colocando flores num vaso; (82ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 143ª - Nísia Floresta tomando café com Lívia; (83ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 144ª - Imagens do Brasil – séc. XIX; (84ª tomada); 145ª - Nísia Floresta sendo abraçada por uma mulher acompanhada de um menino (volta ao Brasil); (84ª tomada); FACHADA DA CASA MARISTA – CENTRO – NÍSIA FLORESTA; 146ª - Imagens de Londres; (85ª tomada); 147ª - Imagens de Portugal; (85ª tomada); 148ª- Nísia Floresta lendo uma carta e chorando; (85ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 149ª- Nísia Floresta num birô escrevendo; (85ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 150ª - Imagens de Rouen – séc. XIX; (86ª tomada); 151ª - Retrato de Joana d’Arc (86ª tomada); 152ª - Foto do Forte dos Reis Magos (87ª tomada); 153ª - Foto de Isabel Gondim; (87ª tomada); 154ª (- Isabel Gondim (45 anos) escrevendo uma carta; (87ª tomada); ENGENHO PITUAÇU – CANGUARETAMA); (87ª TOMADA); 155ª - Imagens da Fazenda Ilha (87ª tomada); FAZENDA ILHA NÍSIA FLORESTA; 156ª - Foto da Escola Isabel Gondim (87ª tomada); 157ª - Isabel Gondim entregando uma cópia da carta a Henrique Castriciano e Oliveira Lima; (87ª tomada); INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN; 158ª - Isabel Gondim num sofá lendo o livro “O Brasil – Poema Histórico” de sua autoria; (87ª tomada); ENGENHO PITUAÇU – CANGUARETAMA; 159ª - Nísia Floresta levantando-se de uma cadeira apoiando-se numa bengala, caminhando-se até a sua casa. (88ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA; 160ª - Imagens do Sítio Floresta; (88ª tomada); FAZENDA PAVILHÃO – NÍSIA FLORESTA; 161ª - Nísia Floresta passeando com Pepe; (88ª tomada); LAGOA ARITUBA – NÍSIA FLORESTA; 162ª - Rio Beberibe – Pernambuco – Livro/Foto; (88ª tomada); 163ª - Rio Jacuí – Rio Grande do Sul – Livro/Foto; (88ª tomada); 164ª - Closes de Augusto Américo. Obs. Imagens iguais às da 47ª e 60ª tomadas; (88ª tomada); 165ª - Fachada do Colégio Augusto – Acervo; (88ª tomada); 166ª - Nísia Floresta caminhando vagarosamente num jardim; num dado momento ela colhe uma flor, cheira e olha para o horizonte; (88ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 167ª - Nísia Floresta numa cama recebendo uma xícara de chá das mãos de uma senhora amiga, observadas por Lívia; (89ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 168ª - Nísia Floresta... Obs. A mesma cena acima sobrepondo-se às imagens da 4ª tomada; (89ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 169ª - Um padre orando ao lado da cama de Nísia Floresta; (89ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 170ª - Nísia Floresta na cama piscando vagarosamente; (89ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 171ª - Nísia Floresta na cama com os olhos fechados; (89ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA; 172ª - Lívia Augusta chorando debruçada sobre o corpo de Nísia Floresta na cama, acariciada pela senhora amiga de Nísia Floresta; (89ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 173ª - Foto do túmulo de Nísia Floresta – meu acervo; (89ª tomada); 174ª - Fotos de Nísia Floresta sobrepostas às imagens do Sítio Floresta; (89ª tomada); 175ª - Retrato de Chiquinha Gonzaga; (89ª tomada); 176ª - Retratos de Nísia Floresta aparecendo um após outro; (90ª tomada); 177ª - Imagens do Rio de Janeiro – séc. XIX; (91ª tomada); 178ª - Foto da Igreja Positivista do Rio de Janeiro; (92ª tomada); 179ª - Imagens de Augusto Américo. Obs. A mesma da 64ª tomada; (93ª tomada); 180ª - Foto do prédio do Jornal “A República” em Natal; (94ª tomada); 181ª - Foto da “Maison Auguste Comte” em Paris – Discket; (94ª tomada); 182ª - Foto de Henrique Castriciano; (95ª tomada); 183ª - Henrique Castriciano. Obs. O mesmo intérprete da 87ª tomada conversando com Lívia Augusta Gade – os mesmos observam papéis e jornais (95ª tomada); ENGENHO OLHO D’ÁGUA; 184ª - Foto da Estação Papari; (95ª tomada); 185ª - Foto de Alberto Maranhão (96ª tomada); 186ª - Fotos do monumento à Nísia Floresta em Nísia Floresta; (96ª tomada); 187ª - Foto do monumento de 1911 – Livro; (97ª tomada); 188ª - Imagem de Lívia Augusta Gade. Obs. A mesma da 95ª tomada; (98ª tomada); 189ª - Foto do túmulo de Nísia Floresta; (98ª tomada); 190ª - Oliveira Lima proferindo um discurso no Instituto Histórico e Geográfico do RN; (98ª tomada); INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN; 191ª - Reis de Carvalho discursando sobre Nísia Floresta; (100ª tomada); INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN; 192ª - Foto de Joaquim Grillo discursando sobre Nísia Floresta; (101ª tomada); 193ª - Foto do monumento Benjamin Constant – Praça da República – RJ; (102ª tomada); 194ª - Foto de Juvenal Lamartine; (102ª tomada); 195ª - Foto de Celina Guimarães; (102ª tomada); 196ª - Foto de Alzira Soriano; (102ª tomada); 197ª - Foto de Maria do Céu Fernandes; (102ª tomada); 198ª - Retrato de Nísia Floresta; (102ª tomada); 199ª - Foto de Adauto da Câmara; (103ª tomada); 200ª - Foto de Lucy Garcia; (103ª tomada); 201ª - Imagens da cidade de Nísia Floresta; (104ª tomada); 202ª - Foto de Arnaldo Simonetti – Livro; ((104ª tomada); 203ª – Foto do monumento de 1911. Obs. Usar a mesma imagem da 97ª tomada; (105ª tomada); 204ª - Foto de Orlando Dantas ao lado do túmulo de Nísia Floresta – Foto meu arquivo; (106ª tomada); 205ª - Foto do Dr. Marciano Freire – foto meu arquivo; (107ª tomada); 206ª - Foto do caixão de Nísia Floresta revestido de uma proteção de madeira ao lado de Adauto da Câmara e Dr. Marciano Freire; (108ª tomada); 207ª - Foto do caixão... Obs. A mesma foto anterior (109ª tomada); 208ª - Foto do ex-presidente Café Filho (109ª tomada); 209ª - Foto da Academia Pernambucana de Letras (109ª tomada); 210ª - Foto do caixão coberto com a bandeira do Brasil; (110ª tomada); 211ª - Foto de Nilo Pereira; (111ª tomada); 212ª - FOI RODADA NO DIA 27 DE AGOSTO; (112ª tomada); 213ª - FOI RODADA NO DIA 27 DE AGOSTO; (113ª tomada); 214ª - Jornais se sobrepondo uns aos outros; (114ª tomada); 215ª- Pessoas ao lado de um rádio – atentas; (114ª tomada); RESIDÊNCIA DA SRª LOURDES PEIXOTO – SÃO JOSÉ DE MIPIBU; 216 - Selo com o retrato de Nísia Floresta; (114ª tomada); 217ª - Túmulo de Nísia Floresta em Nísia Floresta; (115ª tomada); 218ª - Foto da Escola Estadual Nísia Floresta em Nísia Floresta; (116ª tomada); 219ª - Foto da placa de inauguração da referida escola; (116ª tomada); 220ª - Retratos de Nísia Floresta; (116ª tomada); 221ª - Foto da Prefeitura de Nísia Floresta; (117ª tomada); 222ª - Instituto Joaquim Nabuco – Pernambuco; (118ª tomada); 223ª - Pintura do retrato de Nísia Floresta no interior do Instituto Joaquim Nabuco – Pernambuco; (118ª tomada); 224ª - Foto de Socorro Trindade; (119ª tomada); 225ª - Capa do livro “Feminino Feminino”; (119ª tomada); 226ª - Capa do livro “Itinerário de uma viagem à Alemanha”; (120ª tomada); 227ª - Foto da Professora Zélia Mariz; (121ª tomada); 228ª - Capa do livro “Nísia Floresta Brasileira Augusta”; (122ª tomada); 229ª - Foto da Fundação José Augusto – Natal; (122ª tomada); 230ª - Foto de Socorro Trindade; (123ª tomada); 231ª - Fotos do Movimento Pró-Memória; (124ª tomada); 232ª - Túmulo de Nísia Floresta com uma coroa de flores; (125ª tomada); 233ª - Retratos de Nísia Floresta; (126ª tomada); 234ª - Fotos do seminário alusivo à Nísia Floresta o corrido em 1997; (127ª tomada); 235ª - Foto de Vilma Faria discursando; (127ª tomada); 236ª - Foto de Maria Simonetti Gadelha Grillo; (127ª tomada); 237ª - Foto de Luís Carlos Freire e demais conferencistas no seminário de 1998; (128ª tomada); 238ª - Foto da Conferência “Nísia Floresta – Seu Legado, Sua Vida”; (129ª tomada); 239ª - Foto da Exposição Fotográfica “Nísia Floresta Vê Nísia Floresta”; (129ª tomada); 240ª - Foto da capa do CD com o Hino a Nísia Floresta; (129ª tomada); 241ª - Túmulo de Nísia Floresta; Obs. Destacando-se a deteriorização; (130ª tomada); 242ª - Retratos de Nísia Floresta se sobrepondo uns aos outros; (131ª tomada); 243ª - Nísia Floresta escrevendo num birô; Obs. Usar a mesma imagem da 85ª tomada; (132ª tomada);






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